Para aprender a morrer,
observe as cerejeiras,
observe os crisântemos.
Anônimo // Japão, c.1700
* * *
Sem começo,
Sem fim,
A mente nasce,
Para lutas e dores,
e então morre.
O vazio é isso.
* * *
Como o orvalho efêmero,
a aparição súbita,
ou o lampejo fugaz do raio
- mal aparece, já sumiu -
assim somos todos nós.
* * *
A lua é uma casa
onde a mente é mestra.
Observe:
Só a impermanência dura.
Esse mundo também vai passar.
* * *
Ir só.
Vir só.
Tudo ilusão.
Lhe ensinarei
A não ir nem vir.
* * *
Queria oferecer
Algo pra você.
Mas no zen
Não temos.
Ikkyu // Japão, 1394-1491 // livros de Ikkyu, verbete na Wikipédia
* * *
Abandone toda fala.
Nossas palavras expressam
mas não seguram.
Letras não deixam rastros,
mas revelam o ensinamento.
Dogen // Japão, 1200-1253 // livros na Amazon, verbete na Wikipédia
* * *
Na estrada para Tien-tai
Cercado por dez mil montanhas,
Bloqueado, sem ter para onde ir...
Até chegar aqui,
não há como chegar aqui.
Uma vez aqui,
não há para onde ir.
Yuan Mei // China, 1716-1798
* * *
No portão de pedra, há neve, e nenhum traço da jornada.
A neblina do vale dos pinheiros é cheia de fragrâncias.
Pássaros frios caem sobre as migalhas de nossa refeição no pátio.
Um robe rasgado balança nos galhos da árvore. O velho monge está morto.
Wei Ying-Wu // China, 736-830
* * *
Os pássaros sumiram do céu.
Agora a última nuvem se escoa.
Sentamos juntos, a montanha e eu,
Até que resta apenas a montanha.
Li Po // China, 701-762
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