Coisas da Escravidão

Racismo LLLRio de Janeiro, 1878.

O preto Ciríaco, acusado de assassinato e julgado como escravo, é condenado a cinquenta açoites e a "conduzir ao pescoço um ferro por espaço de um mês".

Entretanto, até o final do julgamento, seu "dono" ainda não conseguira produzir a papelada necessária para comprovar seu status de cativo, e a magnânima lei brasileira tinha por princípio sempre errar em prol da liberdade. Ou seja, na ausência de prova da escravidão, Ciríaco foi considerado livre.

Como homem livre, a pena para assassinato era de vinte anos de trabalhos forçados nas galés.

Fonte: o excelente Visões da Liberdade: Uma História das Últimas Décadas da Escravidão na Corte, de Sidney Chalhoub. Recomendo TUDO do Chalhoub. Um de nossos maiores historiadores vivos.

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Visões da Liberdade

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lista comentada dos meus melhores textos sobre racismo.

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14.06.11



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Comentários:


Comentário de: Harry

Aí o "dono" do escravo xingou muito no twitter, porque perdeu sua "posse" por causa da burocracia brasileira, só que o pessoal não perdoou e mandou os tweets dele pro Classe Média Sofre.

PermalinkPermalink 14.06.11 @ 15:19



Comentário de: Breno Kümmel

Esses escravos levam tudo no bom e no melhor. Daqui a pouco vão fazer Bolsa Escravo. Só nós, os da classe produtiva, é que temos que pagar todos os impostos!

PermalinkPermalink 14.06.11 @ 22:09



Comentário de: Flávio

"Um de nossos maiores historiadores vivos."
Tomara que ele nunca escute isso, ou o ego dele vai inflar até explodir. rsrs

PermalinkPermalink 14.06.11 @ 23:12



Comentário de: marcos nunes · http://rachelsnunes.blogspot.com

Li este livro uns 10 anos atrás (ou mais); gostei dos autos processuais e seus percalços e conclusões absurdas, bem como a insurgência do africano, que não recuava diante do Judiciário e para lá também dirigia suas demandas. Lembro-me (é neste livro?) da análise que o Chalhoub faz de uma crônica divertidíssima do Machado de Assis, do criado que "crescera enormemente nos últimos meses" (ou algo assim).

PermalinkPermalink 15.06.11 @ 08:59



Comentário de: outro Edson

Fiquei surpreso mesmo é com a existência de galés no Brasil ainda em 1878. [classemediasofre]Devia ser porque as novas embarcações à vela pagavam uma taxa de importação muito alta, ferrando a vida da classe média mercante brasileira.[/classemediasofre].

PermalinkPermalink 15.06.11 @ 18:48



Comentário de: Alex Castro Email

edson,

pensei a mesma coisa e estranhei. minha teoria é que, nessa época, galés queria dizer trabalhos forçados, mas não necessariamente em galés, ou seja, barcos a remo.

PermalinkPermalink 15.06.11 @ 18:50



Comentário de: Kitagawa

Um paradoxo similar ocorre hoje em relação aos menores infratores. Quem é contra a redução da maioridade penal pensa que está defendendo os direitos dos adolescentes, mas na prática, o menor infrator pego é encaminhado diretamente á Fundação Casa - que pouco difere de uma prisão convencional - sem direito a pagar fiança, a defesa de um advogado ou mesmo a um julgamento.

PermalinkPermalink 18.06.11 @ 01:35



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