Prostituição

Você também tem medo da prostituição? Já parou para pensar sobre isso? De verdade?

* * *

Uma vez, me perguntaram:

Você já transou com alguma prostituta? Qual a sua opinião sobre quem paga por sexo?

E respondi:

Nunca. Pra mim, quem paga por sexo é exatamente igual a quem paga por comida ao invés de caçar, plantar e preparar a sua.

* * *

Quem tem medo da prostituição

A prostituição ainda está entalada na garganta de grande parte da classe média pensante brasileira.

Que moças pobres e sem instrução tenham outra opção de atividade profissional que não seja limpar as latrinas e lavar as cuecas dos bem-nascidos, que essa opção inclua tomar posse plena de seus corpos para poder, como diz minha amiga Paula Lee, alugá-los aos seus clientes; que, ainda por cima, essa atividade seja perfeitamente legal apesar de ir contra toda a moral cristã, uau, deve ser mesmo difícil de engolir. Posso imaginar os carolas hipócritas rolando na cama, sem conseguir fechar o olho.

Melhor ainda, a prostituição foi uma das profissões de fato revolucionadas pela internet, ao permitir que as meninas criem seus próprios sites e escolham livremente seus clientes, sem a necessidade de cafetinas, bordéis ou intermediários, tornando-se assim verdadeiras profissionais liberais.

Não estou celebrando a prostituição como carreira. Me parece uma profissão desagradável - mas não mais desagradável do que tantas outras carreiras que também me parecem desagradáveis, humildes como carvoeiro e faxineira, e não-humildes como advogado de divórcio e relações públicas. Mais uma vez, o que importa não é minha opinião ou que tipo de carreira eu desejaria para minha hipotética filha.

Ao manter essas carreiras legalizadas, o governo pode ter uma medida de controle sobre sua prática e dar treino, auxílio e suporte específico aos seus profissionais. Além disso, nos países onde a prostituição é proibida, acaba-se gastando precioso tempo e dinheiro, da polícia e dos tribunais, para perseguir e prender as próprias profissionais da prostituição - que seriam, de acordo com o espírito da lei, as vítimas da prostituição mas tornam-se na prática as vítimas da lei, sendo assim duplamente vitimizadas.

Recentemente, compararam a prostituição ao uso de drogas - uma atividade viciante, da qual geralmente não se pode sair sem intervenção médica e internação prolongada, que destrói o corpo e mata o usuário em pouco tempo! Seria até ofensivo, se as pobres prostitutas já não tivessem ouvido muito pior. E olha que esses são os seus bem-intencionados defensores!

Esse ano [2008], na Praia da Barra, bem em frente ao prédio onde morei vinte anos, funcionários da prefeitura tocaiavam as prostitutas, tirando fotos delas e dos homens que as abordavam. Sem poder proibir as meninas de exercer legalmente sua atividade, a equipe do prefeito Eduardo Paes decidiu persegui-las e afugentar seus clientes. Não sei quanto tempo durou a operação, nem o que aconteceu. Conheço Eduardo Paes há 15 anos, sei que muitas das suas operações duram apenas o tempo no qual as câmeras estão rodando - depois, poof! Mas, em um país um pouco mais civilizado, as prostitutas teriam entrado com uma ação contra a prefeitura.

De qualquer modo, o importante era tirar as prostitutas dali. Elas são uma ameaça a todo um estilo de vida.

Não podemos expor os pobres pais e filhos de família, que naturalmente não tem auto-controle algum, a tamanha apetitosa e pecaminosa tentação.

Não podemos lembrar às donas-de-casa de meia-idade, mal-comidas e mal-amadas, que a prostituição só existe e só está ali porque homens como o seu marido, que já não comem mais as próprias esposas, ainda vão atrás de putas e são os principais responsáveis por manter essa profissão viva e florescente.

Não podemos lembrar às jovens da classe média escorchada de impostos, bem alimentadas mas falidas, que elas podem ganhar numa trepada o mesmo salário que o estágio paga em um mês, ainda mais se forem universitárias, falarem inglês e tiverem todos os dentes.

Não podemos lembrar às domésticas que pode valer a pena (e ser mais digno e libertador) transar com um ou dois caras em uma tarde pra ganhar o mesmo valor pelo qual hoje trabalham o mês inteiro, dezoito horas por dia, com folgas em domingos alternados, sem nem poder trazer o namorado evangélico pro seu quartinho sem janela.

A prostituição é de fato um perigo para toda a família. Ela ameaça expor todas as pequenas hipocrisias que nos mantém juntos apesar de tudo. Não é a toa que são todos contra ela. Resta saber como conseguiu ficar legalizada tanto tempo.

* * *

Alguns links:

Why Is Prostitution Illegal? http://www.slate.com/id/2186243

Porn vs. Prostitution: Why is it legal to pay someone for sex on camera? http://www.slate.com/id/2186552/

Hookers.com: How e-commerce is transforming the oldest profession. http://www.slate.com/id/73797/

* * *

A Questão do Turismo Sexual

Há de se dar valor aos reacionários direitistas religiosos pequeno-burgueses assumidos. Uma das coisas mais engraçadas dessa turma moderninha e pós-moderna, liberal e liberada, acadêmica e psicanalisada, politicamente correta e relativista, é que são todos muitos modernos e coisa e tal, mas só até certo ponto: quando você lhes cutuca um dos seus tabus, reagem como verdadeiros talibãs.

(Nunca esqueço do furor moralista causado, em plena festa de fetiche, todo mundo de couro e máscara, gente sendo pisada e chicoteada pelo chão, por um simples beijo entre duas meninas.)

Outro dia, uma amiga dessa turma, pós-doutora em Antropologia e que adora ter seus pés lambidos, moça moderna a toda prova, veio me dizer que estava preparando uma palestra sobre a "questão do turismo sexual". E eu perguntei:

"'Questão'?!" Isso não é meio que como falar da 'Questão Judaica' ou 'Questão Negra', ou seja, um termo que já de cara direciona a discussão?"

"Mas, Alex, o turismo sexual é um grave problema do Brasil de hoje!"

"Hmm. É? Não sabia, não. Por quê?"

Aí ela começou a falar de pedofilia e aliciamento de menores, contando mil casos escabrosos:

"Tem gringo vindo pra cá só pra comer menininhos de oito anos!"

"Sim, mas veja: o problema então não é o turismo sexual, é pedofilia e aliciamento de menores. São coisas completamente diferentes. Ser contra o turismo sexual por causa da pedofilia é como ser contra o sexo por causa dos estupros."

"Uma coisa é sexo entre pessoas adultas e outra aliciamento de menores."

"Então, vamos discutir a "questão da pedofilia" e a "questão do aliciamente de menores", que são crimes sérios que devem ser combatidos, e não a "questão do turismo sexual", senão parece que o problema são os gringos estarem vindo comer nossas prostitutas ou, pior, nossas prostitutas estarem seduzindo os pobres gringos."

"Muita gente começa com os maiores e passa pros menores..."

"Mas será válido criminalizar ou problematizar uma atividade perfeitamente legal, como a prostituição, só porque ela *PODE* levar a uma outra ilegal? Deveríamos então proibir o sexo, porque todo estuprador começa transando consensualmente e só depois começa a estuprar...?"

Claramente, nosso povo tem talento para o sexo e há grande demanda mundial pelos nossos serviços. Já ouvi diversos estrangeiros comentarem que não existe prostituta como a brasileira: ela é quente, gostosa, linda, sensual, calorosa, parece uma namoradinha, enquanto as européias são como frias máquinas, vapt-vupt, negócios são negócios, no relógia, nem tem graça, etc.

Ou seja, país do futebol: pode. Berçario de super-models: nosso orgulho nacional! Capital mundial da cirurgia plástica: só comprova a excelência da nossa medicina! Meca do turismo sexual: cruzes, que vergonha!, que problema!, vamos resolver essa "questão"!

* * *

Quando esse texto foi publicado originalmente, muita gente escreveu variações do seguinte comentário:

Acabo de perceber o qt sou moralista... Me pareceu extremamente absurdo alguem gostar da ideia de ter fama de produzir boas prostitutas. Devo ser mto conservador para logo imaginar se blogueiros tem mães,irmãs ou qualquer outra mulher que amem. Hoje se diz "sou brasileiro" e ouve "carnaval, ronaldinho, kaka"... vai ser legal ouvir "samba, ronaldinho, putas quentes" Ou sera soh a busca da fama virtual que parece ser a moda da decada? Bota a mãe em site gringo anunciando os serviços, ai sim vai ser possivel acreditar nessas ideias alienadas de que turismo sexual eh bom. E se nao pensa isso entao redigiu mto mal o texto.

Pra começar, sim, o sujeito é muito moralista e conservador.

Mas a resposta à sua provocação é bastante óbvia: não, eu não gostaria que minha filha fosse prostituta, mas também não gostaria que fosse enfermeira, faxineira, engenheira, seringueira, advogada, pagodeira.

A diferença é isso não quer dizer que eu ache que essas atividades sejam imorais, repreensíveis e que devam ser proibidas.

O mundo seria um lugar bastante inviável se as pessoas quisessem criminalizar todas as profissões que não desejassem para suas mães!

* * *

A Questão da Prostituição

Minha amiga acima, apesar de acadêmica, moderninha e liberal, claramente tem alguma questão mal-resolvida com a prostituição. Independente do que diga ou do que pretenda, ao falar de "questão do turismo sexual" ela está se posicionando não contra a pedofilia ou contra o alicimento de menores, mas contra nossas profissionais do sexo atenderem estrangeiros.

Seu argumento slippery slope ("quem começa com um passa pra outro") é figurinha fácil na boca dos piores reacionários, coringão que serve pra tudo, desde maconheiros que se graduam em cheiradores até gamers que se tornam ladrões de carro. Literalmente, todo mundo que faz uma coisa pode passar a fazer alguma outra coisa: praticamente todo homem que já espancou uma mulher já mamou no peito de outra. A questão é se as duas coisas são relacionadas.

Muitos brasileiros (e não só os reacionários direitistas religiosos pequeno-burgueses etc) parecem estar com a prostituição entalada na garganta, como se viver em um país onde essa atividade é legal fosse um incômodo constante, e tentam frequentemente estigmatizá-la ou criminalizá-la pelas bordas. Aceitam muito a contragosto que a prostituição exista, mas querem proibir as meninas de ter sites, de anunciar em jornais, de ficar em pé na rua pegando cliente, de se organizarem coletivamente, de trabalharem em bordéis e mesmo de tirar a roupa pela internet via webcam. Ou seja, poder pode, desde que eu não veja.

(Perdoem uma digressão desse pesquisador do século XIX, mas isso me faz lembrar a liberdade religiosa no Império. O estado era laico e havia liberdade de religião - mas só privadamente! O cidadão podia ser judeu na sua própria casa, mas nada de ter uma sinagoga com letreiro em hebraico na porta! Seu direito de praticar o judaísmo era garantido pela Constituição de 1824, imagina!, nosso império era democrático!, mas como *todos* os registros de nascimento e morte eram feitos pela Igreja Católica, que também controlava quase todos os cemitérios, ele não dispunha de uma série de documentos cuja falta o impedia, entre outras coisas, de trabalhar pro governo ou ser eleito para cargos públicos. Aliás, esse cidadão brasileiro judeu - cuja liberdade religiosa era constitucionalmente garantida! - não podia nem mesmo morrer, pois o cemitério católico não o aceitaria, a lei não permitia que fosse enterrado no quintal e a família quase nunca tinha dinheiro para enviar o corpo até o cemitério laico mais próximo, muitas vezes a milhares de quilômetros de distância, somente em algumas grandes cidades. Assim é fácil garantir a liberdade de religião, né?)

Quando o Ministério da Saúde faz cartilhas para informar as garotas de programa sobre doenças venéreas, ou quando o Ministério do Trabalho detalha as atribuições profissionais das prostitutas em seu catálogo oficial de ocupações, a grande imprensa sempre noticia o fato como se fosse uma grande piada de mau-gosto ou alguma bizarrice burocrática.

Considerando essa tamanha reação social, chega a ser espantoso a manutenção dessa lei por parte da burocracia estatal. Mas não é nada que um punhado de deputados e senadores evangélicos não resolva.

* * *

Alguns links:

- Site do Ministério do Trabalho traz cartilha que ensina a ser prostituta
- Lula e as prostitutas
- Ainda a prostituição e o Ministério do Trabalho (por Reinaldo Azevedo, imperdível)
- 'Governo não pode estimular a prostituição', diz ministro do TST
- Ministério do Trabalho tira cartilha sobre prostituição do ar

* * *

A Questão da Imagem das Brasileiras no Exterior

O outro lado do turismo sexual, obviamente, são as prostitutas brasileiras que vão atrás da demanda e se mudam pra fora do país.

Ou seja, brasileiro ir pra Europa estudar filosofia: pode. Jogar pelada ou dar voltinhas na pista: herói nacional, Ayrton Senna do Brasilll-illll-illll!! Palestrar em Harvard: que orgulho temos do nosso ex-presidente estadista poliglota! Dar o cú: meu deus, estão sujando o nosso bom-nome, o que meus amigos espanhóis vão pensar de mim?!

Oras, se existe demanda e se fazemos bem, por que não dar o ?

* * *

Morando no exterior também, eu comprovo que as brasileiras expatriadas têm realmente uma relação complicada com nossas prostitutas. Eu poderia escrever longas linhas, mas acho melhor citar um post-desabafo de uma astrônoma brasileira estudando na Inglaterra.

O texto é uma verdadeira antologia de todos os preconceitos das brasileiras bem-nascidas contra a invasão das "oportunistas" - ou seja, aquelas que não tiveram as mesmas vantagens que elas e precisam usar o próprio corpo pra se virar - com direito à várias exortações à "honestidade" (como se a honestidade de uma mulher estivesse localizada na boceta ou como se uma puta não fosse uma mulher honesta) e até mesmo um hilário "não estou querendo ser moralista" no final. É longo mas vale a pena:

Esse eh um desabafo meu para todas as mulheres que sujam e arrasam com a imagem da mulher brasileira que poderia ser tao glamourosa. Grito em meu nome e em nome de todas as outras mulheres que estao aqui no exterior batalhando seriamente por uma vida melhor, constituindo uma familia amorosa honesta e tentando ser feliz.

Apesar do glamour, muitas vezes tenho vergonha de dizer que sou brasileira. Principalmente quando estou sem o Edu do lado e na presenca de homens solteiros que nao me conhecem de fato. Ja passei por varias situacoes desagradaveis em minha vida e ja escutei varias piadinhas de mal gosto durante minhas viagens mundo afora, mas devo confessar que nada foi tao direto e agressivo quanto o ocorrido em Oxford. ... Obviamente que ao saberem que sou brasileira, e bombardeados que estao sendo por todas as noticias (as mais degradantes) de carnaval vinda do Brasil, alguns individuos despreziveis falaram, estimulados pelo alcool, o que todo mundo pensa mas nao tem coragem de dizer quando estao em seu estado normal de consciencia.

Tive que aguentar varias piadinhas cafajestes sobre mulher brasileria e o pior, todas vindo de pessoas com um nivel cultural alto e bem esclarecidas, ou seja, estava falando com gente teoricamente inteligente. Um babaca com uma risadinha sacana me perguntou se as mulheres andavam peladas no Brasil porque era muito quente. Um imbecil frances disse que seria bom ir participar de uma reuniao no Brasil para poder “catar” as mulheres, afinal, as mulheres no Brasil estao assim disponiveis como qualquer mercadoria barata e descartavel, bastando escolher. O outro concordou e imaginou e descreveu uma cena bizarra dele saindo do aeroporto e sendo agarrado por tres mulheres desesperadas querendo leva-lo para cama. Um teve a cara de pau de dizer que se fosse ia voltar com umas tres para casa.

Nessa hora meu sangue ferveu mas infelizmente nao poderia falar muita coisa pois eh isso que o Brasil vende aqui fora - TURISMO SEXUAL E BARATO. E o pior eh que se o cara for para o Brasil eh bem possivel que ele encontre umas 10 querendo agarrar no pescoco dele em troca de uma passagem para a Europa. Tentei disfarcar a vergonha que tenho de certas coisas como essa do Brasil e minha resposta foi simplesmente: “Eh bastante grosseiro de sua parte achar que todas as mulheres brasileiras sao iguais as que voce ve na TV. O Brasil eh um pais imenso e tem muitas coisas interessantes e desinteressantes. Essa eh a parte que considero desinteressante do Brasil e eh uma pena que voce tenha conhecimento somente dela. Se voce tem dinheiro para pagar prostitutas acho que nao precisa ir tao longe para arrumar tres ou quatro nao eh mesmo? Aqui mesmo sera facil voce conseguir. Mas se quiser uma prostituta brasileira e tiver dinheiro para pagar certamente poderas escolher como estas dizendo. Encontraras varias como em todos os outros lugares do planeta. Mas nao eh certo julgar quando ignoramos os fatos.”

Falei isso em uma postura defensiva, com um no na garganta, mas no fundo sabia que a culpa dessa desconfortavel situacao eh criada pela propria mulher brasileira que nao da seu devido valor como deveria ser. Infelizmente ta cheio de mulher brasileira louquinha para catar um “gringo”. Uma vez um amigo descreveu uma cena na praia de copacabana que me deu vontade de chorar. Outro dia escutei de um rapaz que durante um curto periodo que passou no Brasil recebeu varias propostas de casamento. Mas para mim ate que eh facil driblar uma situacao dessa pois nao dou a minima para esse bando de ignorantes, no entanto, lembrei das meninas que conheco e que sao casadas com extrangeiros simplesmente porque os amam e que estao tentando construir uma familia honesta aqui fora pagando o preco caro de ter que viver longe da familia e do Brasil (pois para quem pensa que eh facil isso nao eh mesmo). Quando lembrei dessas minhas queridas amigas entao imaginei o quao dificil e dolorido para elas deve ser lidar com a familia e amigos de seus esposos. Quantas piadinhas essas mulheres tem que enfrentar em todas as festas de familia quando um tio inconveniente bebe um pouco a mais?

Muitas vezes vejo as meninas citando casos de pessoas perguntando diretamente no blog delas como fizeram para arrumar os maridos “gringos”. E agora o que dizer? O que podemos dizer para uma pessoa dessa? Sera que elas nao tem nocao de quao ridiculas elas podem ser? Sera que voces (suas oportunistas) nao entendem que ao deixar uma pergunta dessas em um blog de alguem que esta tentando constituir uma familia aqui fora, esbarrando em todo preconceito possivel, estao julgando elas como a si mesmo? Faca-me o favor. Essas coisas nao existem…

E ai me contem como ficam as inumeras brasileiras que encontraram seus coracoes em outro lado do planeta? Elas tambem devem ser julgadas e colocadas no mesmo saco que essas oportunistas? Porque o que voces acham que elas tem que enfrentar com os amigos e a familia dos maridos? Todos nos sabemos que ha casos em que pessoas de boa fe encontram seus coracoes do outro lado do planeta, e fazer o que? Elas por acaso tem culpa de serem brasileiras? Essas pessoas que amam de verdade e abandonaram o Brasil por amor nao podem e nao devem ser colocadas no mesmo saco das “mulheres do carnaval”. E eu? Que nem casada com “gringo” sou? Tenho que escutar esse tipo de coisa? Pois saibam que eu, e todas essas mulheres e maes somos julgadas igualzinho a todas as mais rampeiras putas que aparecem na TV fazendo barbaridades nos bailes de carnaval brasileiros.

Uma coisa eh fato, se eles tem essa concepcao do Brasil eh culpa nossa mesmo. Isso nao eh justo, e isso me irrita profundamente… e na realidade, a grande maioria das mulheres brasileiras sao ate muito mais conservadoras do que a europeia em geral. As inglesas por exemplo costumam ir para a cama depois de meio copo de cerveja, como diz um amigo brasileiro por aqui. Quero ver um gringo conseguir isso com uma brasileira… a isso eu queria ver :( Agora pelo erro de uma pagam todas as outras? Mas porque nos brasileiras? Aqui na Inglaterra eh muito pior… a unica diferenca eh que somos expressivamente mais expontaneas e carinhosas. O fato eh que eles nao entendem nada do nosso tempero e das coisas boas que temos a oferecer. Babacas infantilizados! Isso eh o que esse povo eh. Mas infantilizados ou nao… com todas essas imagens vinda do Brasil no carnaval ate eu pensaria que o Brasil interio eh um imenso bordel.

Faca-me o favor mulherada… tomem tenencia que nao tem nada aqui fora que voces nao podem encontrar ai dentro. Se valorizem mais pois com a concepcao que os “gringos” tem de nos mulheres brasileiras e com a motivacao que voces tem o maximo que voces vao conseguir eh uma noite de sexo gratuito, coisa que ate uma prostitura tem dignidade de nao fazer. Tem muita gente aqui fora, seja como dona de casa ou uma profissional ativa, lutando cada dia para tentar destruir essa imagem mediocre que voces construiram de nos entao, por favor pensem duas vezes antes de se oferecer para um gringo safado que nao sabera nunca te valorizar com o respeito que voce merece. Cai na real que voce eh menos do que uma prostituta na visao da grande maioria deles. E o que voces fazem ai para aparecer na TV, seu bando de vagabundas que nao tem nada melhor para fazer, nos pagamos aqui em um preco tao alto que voces jamais conseguiriam calcular com os poucos neuronios que voces tem na cabeca e que nao usam.

Se quer vir para o exterior arrume um emprego e venha com suas proprias pernas… Pense duas vezes antes de julgar alguem que esta aqui como a si mesmo e entenda que marido, seja ele “gringo” ou nao, nao se “cata”, se conquista com amor, amizade e confianca. Nao estou querendo ser moralista nem nada. So peco que voces botem a mao na consciencia e se deem o respeito para que todas nos aqui na selva possamos ser respeitadas!

Adoro meu pais… mas detesto essa mania do brasileiro querer se dar bem sob qualquer circunstancia.

O Brasil devia parar de vender essa imagem edionda e parar de usar o corpo de suas mulheres brasileiras para chamar a atencao do povo aqui fora. Temos muito mais para oferecer do que sexo gratuito. Temos as praias mais lindas e quentes do mundo, temos a maior floresta do planeta, temos um povo feliz e caloroso disposto a dar o melhor de si para fazer a gringalhada feliz… definitivamente nao precisamos vender sexo para atrair turistas meu Brasil! Nao precisamos disso.

Eh isso ai e hoje nao vai beijo pra ninguem… to muito irritada.

Por fim, a resposta de uma amiga que preferiu se manter anônima para não se queimar:

Estou profundamente cansada de um certo discurso de um certo tipo de brasileira de classe média alta ou muito alta que veio para a Europa ou para a América do Norte, porque imigrou com uma bela e gorda conta de banco ou que casou com marido estrangeiro. Não estou falando da pessoa que mantém a classe e a discreção ou da pessoa que faz questão de mostrar como lutou e trabalhou e que é generosa mesmo com quem entra no blog pra dizer que quer tentar a vida como faxineira nos EUA. Eu me refiro às guardiãs da boa imagem da mulher brasileira que se colocam como representantes de todas as mulheres, mesmo se elas pertencem ao grupo dos 0,2 % da população.

É desse lugar que essas moças vem tentar dar moral para as outras mulheres brasileiras (a maioria) que ganha a vida se prostituindo, dançando, trabalhando como garçonete, como empregada ou faxineira ou dando o golpe do baú. Juntam-se a essas brasileiras outras que escrevem blogs sempre enfatizando o quanto vieram para o estrangeiro viver grande amor, ou ainda aquelas que com a graça de Cristo dão dicas de imigração, mostram o quanto já podem adquirir bens mesmo se em vez de fazer compras no supermercado vão pegar comida no banco alimentar, afinal é dado, e que mesmo não tendo um tostão, não hesitam em engrossar o discurso das mais abonadas. Essas moças cuja trajetória de vida geralmente é muito original, dizem no blog qual deve ser seu salário pra imigrar em tal lugar, qual deve ser a dimensão do pênis do marido para ter um casamento feliz, e principalmente qual deve ser o tamanho da conta do banco do mesmo.

Se todas essas mulheres brasileiras, super trabalhadoras e muito honestas acham que quem se prostitui, ou dança salsa, ou caça-gringo suja a imagem da brasileira honesta, eu já acho que cada um se vira como pode e quem não teve papai (come eu tive) ou marido pra pagar roupinhas e coisinhas fofas tem todo o direito de ir buscar os meios que tiver pra conseguir o que quer. O que me envergonha é Eliane Tranchesi, a Narcisa Tamborideguy, isso sim.

O que eu acho engraçado nisso tudo é que a culpada é a brasileira pobre que vende o corpo, mas a Adriana Lima e a Gisele Bundchen podem aparecer todos os dias semi-nuas em outdoor e capa de revista que é bonito e todo mundo tem até orgulho. Garanto que se elas fossem moreninhas ou melhor "negras" como as mulatas que vem dançar samba em boate parisiense todo mundo acharia vulgar. Ninguém associa os olhares desconfiados dos machos gringos ao saber que você é brasileira a essas figuras, mas à coitada que tá fazendo o que pode pra ganhar a vida.

Quanto à mim, eu acho que quem suja a imagem da mulher brasileira é a pobreza e a falta de generosidade de mulheres ricas que só enxergam o próprio umbigo e que em vez de usarem o dinheiro que tem pra ler, estudar e melhorarem um pouco, continuam reproduzindo tudo que tem de mais atrasado nessa vida.

* * *

Você acabou de ler uma antologia dos meus melhores textos sobre prostituição ao longo dos anos. Se gostou, dê uma olhada nos meus livros à venda e compre alguma coisinha. Eu também sou puta, com muito orgulho. Beijo. Opa, beijo não.

* * *

Site pessoal: alexcastro.com.br // Siga no Twitter: http://twitter.com/AlexCastroLLL // Assine o RSS: http://feeds.feedburner.com/LiberalLibertarioLibertino // Comunidade no Facebook e no Orkut // Entre em contato: alexcastro.com.br/contato

 

08.06.11


Categorias: Relacionamentos, Turismo, Sexo


Posts similares:
A Questão das Prostitutas Brasileiras no Exterior
Quem Tem Medo da Prostituição?
A Questão da Prostituição

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Renata L · http://chopinhofeminino.blogspot.com/

...dia desses escrevo sobre isso tb. Tá na minha pauta.
Mais ou menos nessa tua linha.
Já entrei em tanta discussão por conta disso... a melhor foi a partir de um comentário despretensioso, mas olha onde: numa ONG feminista de Sampa. Era num intervalo de evento, e desenrolou de tal forma que em pouco tempo tava todo mundo em volta pra ouvir.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 12:38



Comentário de: jean

Eu sou praticante de BDSM, fetiches em geral, e de fato há essa contradição moralista.
Apesar de ser um meio que se pretende transgressor peca por ater a convecionalismos conservadores.
A questão do homossexualismo é uma. Hoje, já não se espanta mais com bitocas e casais lésbicos, porém, o equivalente masculino ainda gera celeuma. Eu sinto isso, já que tb além de mulheres, gosto de travestis e sissys( entre uma dominadora e um escravo é aceito a feminização, entre um dominador e um escravo, nem tanto, é melhor ficar a margem , em reservado) .
Entre dois SMs masculinos, mais ainda. Não sei se a ausência de uma exposição do sadomasoquismo gay no Brasil se deve a natureza da prática homoerótica daqui ou a restrição do meio.
Aqui há também uma aliançao do sexo e do fetiche, por incrível que pareça. De todas as festas de fetiche que participei por muito tempo não rolava nada sexual, no máximo uma tímida inversão ali no cantinho. Aliás, a primeira ousadia sexual dentro do fetiche que eu vi, foi a minha quando "obriguei " a minha a parceira a me felar, algo que parou tâansito
do evento em questão.
A causa é , ao meu ver, justamente pelo público anode se difundiu: a alta classe média.
Quando começou a rolar esse mundinho em alta escala no Brasil por causa da net, os atores eram homens e mulheres maduros, brancos, de boa renda com ideias polítios conservadores em sua maioria.
Um blogueiro categorizou o mundo fetichista de SP como um antro de malufistas, o que não é muito exagero.
No começo, o BDSM possuia algums costumes curiosas, e a mais interessante é que o sexo devia ser desestimulado na prática fetichista. Ou seja, só porrada. Quem procurava sexo no bdsm era um safado querendo putaria(haha).
havia um estímulo pela perda da realidade entre os participantes. Dominadores não eram apenas particantes de um jogo convencionado, mas sim, eram de verdade no resto de suas vidas, o que resultou em dominadores estúpidos como coroneis de cidade pequena e dominadoras parecendo mulheres de generais da época da ditadura. Os que se pretendiam submissos e masoquistas eram inferiores de verdade.
Eu sou switcher, posso ser tanto dominador como masoquista, e ouvi verdadeiros autos de fé de comoera impossível e errado existirem gente assim, pq o mundo devia ser assim assado.
E a respeito da prostituição fetichista?
Uma cagaçãode egar, em especial das mulheres, lembrando tias falando das vantagens do casamento..
Ou seja, o mundinho fetichista era um lugarzinho repressivo ao sexo e a escolha individual.
Essa posição se delocou com o tempo, gente mais jovem e menos malufista entrou na brincadeira, a classe média nos últimos 20 anos foi desterrada de sua certeza como escolhida de Deus para carregar o mundo nas costas e mundo do fetiche, quen diria, se tornou mais sexual e mais tolerante.
Porém, como nossa classe média ainda é, em boa parte, a classe média de sempre, a coisa ainda empata.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 14:24



Comentário de: Bobinha

No fundo acho que a coisa não parte exatamente do moralismo, mas sim do contexto em que está a profissional. Tipo, pra quem faz por fetiche, prazer ou escolha, ok. Mas pra quem faz por necessidade, é meio caído. É uma sujeição muito reles, que, a princípio, não deveria ser cogitada por ninguém, mas acaba sendo em razão das vicissitudes. Não ter outra opção de vida é que é o problema.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 14:51



Comentário de: Hugo

"Não é a toa que são todos contra ela. " TODOS quem? Ein?! Os reacionarios?!
Olha, como bom reaca, anticomunista e pro familia, tenho que te contar que ce ta delirando, pra variar.
A maioria dos reacas caga mole pra prostituicao, e teve experiencias divertidas com as mocas na juventude. Alias, quer algo mais reaca do que considerar a meretriz a diversao natural do jovem mancebo?
Horror a meretriz e pederasta, os comunas e revolucionarios tem tanto quanto os conservadores - se nao mais, sinto informa-lo. Veja seus amigos revolucionarios de Cuba (ah, nao resisti, apesar do momento Godwin law like) e da Russia nos tempos do homem de ferro pra ver se tem alguma relacao particular e exclusiva conservadorismo e condenacao a prostituicao. Pegue seus registros historicos e veja se nas sociedades "progressistas" e "revolucionarias" nao se teve/tem um estranho horror a prostituicao).
E, pelo contrario: em eras de Bruna surfistinha, prostituicao ta e' glorificada, caminhando para ser aceita pelo common Joe, muito em breve, como qualquer outra profissao.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 15:24



Comentário de: Carolina

Turismo sexual sempre me remete a exploração
infantil. Acho que nunca vi uma grande comoção relativa a prostitutas(os) adultos. Mas posso estar
por fora, não sei.
Acho que o maior incômodo das mulheres desses
textos é elas serem confundidas com pobres, não
exatamente com putas.
Mas devo dizer que essa "fama" incomoda um
pouquinho sim. Queria é ter fama de inteligente,
chique, essas coisas, mesmo sem merecer. Ter
fama de puta sem ser é só meio irritante.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 15:40



Comentário de: Deborah

"Faça-me o favor mulherada..."

Aff, Alex, eu rejeito veementemente que algumas mulheres se sintam no direito de regular as atitudes de outras mulheres em prol de supostas bandeiras feministas. Puxa, gente, feminismo é liberdade! É igualdade para TODAS as mulheres! O reconhecimento da igualdade dos sexos só é legítimo se incondicionado, mas há mulheres que parecem se achar mais merecedoras de respeito que outras. Elas compram a idéia de que o machismo é fruto de comportamentos femininos inapropriados, então se esforçam a vida inteira para fazer a “lição de casa” da mulher decente e se ressentem daquelas que não seguem sua cartilha. Em vez de lutarem contra o machismo, o aceitam e o internalizam, direcionando-os às mulheres que julgam merecedoras dele. Triste!

Quanto à legalização da profissão de prostituta, eu espero que esta idéia só vingue quando nossos legisladores estejam preparados para lidar com ela. A regulamentação não deixa de ser uma ingerência estatal que, se tem seu aspecto protetivo, também tem o fito de controlar. Hoje as prostitutas não têm proteção legal, estão à sombra do Estado de Direito, mas pelo menos não estão sujeitas a perseguições jurídicas (embora sejam moral e politicamente perseguidas). Pode parecer bobagem, mas existe uma diferença abissal entre uma perseguição meramente moral e aquele que goza de chancela legal. Melhor para elas que o Estado não se meta em sua atividade profissional!

“ (...) uma amiga dessa turma, pós-doutora em Antropologia e que adora ter seus pés lambidos, moça moderna a toda prova (...)”

Adorei a ironia. Realmente, a cada dia que passa, me convenço mais e mais de que não há “pessoas modernas.” Há, sim, um “pensamento moderno”, e cabe a nós, seres pensantes, persegui-lo constantemente. Ninguém está livre de ser mordido pelas pulgas do preconceito, o importante é estar atento e pensar a respeito, para direcionar suas atitudes de acordo com critérios éticos mais iluminados.

Nossa, desculpe-me pelo tamanhão do comentário, mas espero que tenha gostado!

Abraços!

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 16:36



Comentário de: Carlos

Bom, não é à toa que a estatal do turismo se chama "Hembra-tur"; o problema de colocação mercadológica é que isso só atrai o público hispânico, e são os alemães que gastam mais dinheiro com as moças...

O Prof. Jean Lauand fez uma coletâna de piadas sobre o tema, disponível em http://www.hottopos.com/piadas/brasil.htm .

Aliás, sugiro bater papo com prostitutas que não pertençam à elite. As paradas de caminhão das grandes rodovias têm muitas delas, que não teriam problema algum em conversar de o tempo delas - que vale dinheiro - for compensado. É sempre difícil julgar algo pela elite de uma categoria.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 18:26



Comentário de: Ju Valentim · http://sextanorio.blogspot.com

"Não podemos lembrar às donas-de-casa de meia-idade, mal-comidas e mal-amadas..." Isso não é machismo?

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 19:07



Comentário de: Aline Valek · http://www.alinevalek.com.br/blog

Olha, Alex. Esse é um daqueles seus textos que me incomoda.

Porque eu não sei o que pensar. Acredito, acima de tudo, nos direitos humanos. E também no bom senso. Acho que cada mulher (e no geral, cada pessoa) deve ser livre para fazer o que quiser. Até porque, no que isso me afeta, né? Ela ganha o dinheiro dela, eu ganho o meu. E certamente ela também não se incomoda com o meu trabalho (que, dependendo do ponto de vista, é tão prostituído quanto o dela).

Mas aí vem o incômodo. Apesar de serem (algumas, com sorte), profissionais liberais que dispõe livremente de seus corpos, prostitutas são tratadas e vistas como mercadoria. E por que isso acontece? Por que, nesse sistema todo, são as prostitutas mulheres e os homens "os clientes", aqueles que são servidos? (olha, sei que existe o mercado de garotos de programas também, mas ainda assim, há de se considerar que, mesmo somando os dois casos, homens "contratam" mais serviços sexuais do que mulheres). Isso não faria parte de um sistema que sujeita as mulheres, as tornam inferiores, as tornam produtos? Isso não expressa uma relação de poder de homens sobre as mulheres? E com isso, eu não posso concordar.

Mas esse é um sentimento bem controverso. No "bairro" onde moro (entre aspas pq em BSB não se chamam bairros), as prostitutas aparecem à noite em várias paradas de ônibus, uma após a outra. Quando passo por ali, sinto uma estranha (e incômoda) empatia, uma estranha admiração pela coragem daquelas mulheres, de encarar as ruas à noite, ficarem ali muitas vezes sozinhas. Quantos malucos não aparecem ali para abordá-las? E o tamanho do risco de entrarem no carro de um cara que não conhecem e não voltarem mais? Precisa ter culhões.

O problema não é a prostituta, o problema não é quem pague pelos seus serviços. A culpa não é dos jogadores, é do jogo. E sei lá, é meio estranho não ter a quem culpar. É incômodo não poder apontar pra alguém e julgar "ah, a menina que virou puta porque gosta de dar mesmo", ou aquela que "nossa, caiu nessa vida porque precisava, coitada". A culpa é de algo amorfo, algo que a gente não pode abordar na rua e espancar. Algo maior do que um só indivíduo machista, maior do que uma só puta de luxo. E aí, como faz?

Saí do seu texto com muitas dúvidas. Até pq esses dias tive uma discussão com uma garota que não concordava com a SlutWalk e usou o seguinte argumento: "Estupro é crime (ponto) A mulher andar com roupa de puta (escolha dela) Mas querer não ser comparada a uma (querer demais) É só comparar a roupa das 2 (ponto)", e nos demais comentários atribuindo um sentido pejorativo às "putas", por mais que dissesse que "não é conservadora, não tem preconceito e bla bla bla". Olha, eu acho que se alguém não tem mesmo preconceito, não iria considerar uma ofensa tão grave ser comparada a uma (ainda mais por causa de algo tão idiota quanto uma roupa).

É como a Deborah bem disse: "não há 'pessoas modernas.' Há, sim, um 'pensamento moderno', e cabe a nós, seres pensantes, persegui-lo constantemente".

Bem, ainda estou pensando no assunto, porque esse texto (e o contexto do que está rolando, como a marcha das vadias que vai ter aqui em BSB e vou estar lá dando o maior apoio) me deixou bastante confusa sobre tudo isso de prostituição. Então, se eu tirar novas conclusões, volto aqui. Se alguém puder me ajudar a chegar em mais algumas, eu agradeço.

;)

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 19:45



Comentário de: aiaiai

Eu não tenho medo algum da prostituição. Sinto compaixão por aqueles e aquelas que são prostitutos (as) por necessidade, assim como daqueles q usam prostitutos (as) por necessidade.
Mas quem tá fazendo porque acha bom, eu acho que tá no direito de ser feliz.

Gostaria muito de viver num mundo em que a prostituição existisse por vontade das pessoas e não por necessidade. Acho, entretanto, que nas atuais condições (assim como sempre foi) a maioria das pessoas que é ou usa prostitutos (as) o faz por necessidade.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 19:50



Comentário de: aiaiai

Só para completar: assim como qq outra atividade humana. Tem muita gente trabalhando apenas por necessidade, sem nenhum prazer no que faz, sem ter tido a chance de escolher. Prostituição é só mais uma profissão que se pode fazer por necessidade ou por vontade.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 19:51



Comentário de: alex castro

Gente,

Vcs sabem o q eu queria? Queria ver as pessoas falando de putas exploradas do mesmo jeito que falam de agricultores escravizados.

Ficando indignados, dizendo que é um absurdo, afirmando que o estado e a sociedade tem que coibir esses abusos e coibir essas pessoas - mas sem dizer ou sugerir que é errado ou imoral plantar comida e que o mundo seria melhor, né, se essas pessoas parassem com essa coisa de querer plantar coisas no solo!

Só isso.

Enquanto a indignação com as putas exploradas vier na mesma respiração da indignação da imoralidade de vender o próprio corpo, eu vou ficar aqui reclamando.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 20:19



Comentário de: alex castro

aiai,

se a prostituicao é só uma profissao como qualquer outra, q tem pessoas que fazem por vontade e outras por necessidade, pq vc sentiu necessidade de mencionar esse ponto, e depois mencionar de novo? Quando vc fala de domesticas, ou de enfermeiras, vc se vê na obrigação de ressaltar que, olha, claro, tem gente que faz enfermagem só pra pagar as contas e tem gente que ama mesmo a coisa?

Entendeu o que eu digo?

As pessoas NÃO falam da prostituição como se fosse uma atividade profissional humana válida como outra qualquer.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 20:22



Comentário de: tathiana

Texto interessante. Eu realmente sempre achei que o pior da prostituição era a exploração, seja por um cafetão ou por um bordel. Acho que a mulher que por qualquer razão decide se envolver na prostituição deve ter a liberdade de escolher seus clientes. Se quer ou não aceitar tal pessoa. E isso, é algo que as outras pessoas tb não entendem: acham que se é puta, tem que transar com qualquer um. Não se admite que elas tenham direito de escolha.
E a "questão do turismo sexual", eu mesma normalmente já vinculo isso à pedofilia, à exploração (mulheres escravas). Irei pensar antes de usar esse termo novamente.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 20:40



Comentário de: Alessandra

O principal motivo pelo qual as pessoas criticam a prostituição é porque a prostituta cobra por algo que, como regra, as pessoas consideram que não deveria ter preço.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 21:11



Comentário de: Letra Morta

Diga lá, seu Alex. Aí, aqueles negritos no texto da astronoma indignada foi você que colocou ou foi ela mesma? Acho que foi vc mas queria ter certeza.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 22:46



Comentário de: Alex Castro Email

os negritos sao meus sim. :) deveria ter avisado.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 22:49



Comentário de: aiaiai

uai, alex, eu falei da prostituição porque o seu texto é sobre prostituição. Depois voltei para pontuar q penso isso sobre todas as profissões, algumas mais outras menos.

Por exemplo, uma profissão bastante incensada é o jornalismo. No entanto, cada dia q passa tenho mais pena dos jornalistas...o cara tem que ter muita paixão pelo q faz para continuar fazendo, né não? Ou faz para pagar as contas. De qq jeito tem a minha compaixão. Já uma prostituta ou prostituto pode ser autônomo e fazer isso por prazer mesmo e ainda pagar as contas e muito bem. Daí já tem a minha inveja,kkkkkk.
Enfermagem, pedreiro, doméstica e outras profissões não muito cotadas também podem ser fonte de prazer ou de exploração.

PermalinkPermalink 09.06.11 @ 06:46



Comentário de: Teodoro C.

"Que moças pobres e sem instrução tenham
outra opção de atividade profissional que
não seja limpar as latrinas e lavar as
cuecas dos bem-nascidos, que essa opção
inclua tomar posse plena de seus corpos
para poder, como diz minha amiga Paula Lee,
alugá-los aos seus clientes; que, ainda
por cima, essa atividade seja perfeitamente
legal apesar de ir contra toda a moral cristã, uau, deve ser mesmo difícil de engolir."
Eu sabia, tudo uma conspiração da Burguesia ca-rola rola para negar às
proletárias a oportunidade tão
empowering de vender o próprio corpo. E teria
dado certo se nao fossem esses moleques enxe-
ridos e esse cachorro.

PermalinkPermalink 09.06.11 @ 09:09



Comentário de: Tiago

Engraçado. A URSS revisionista fazia questão de esconder a existência de prostitutas, mas não escondia que as mulheres eram parte significativa da força de trabalho inclusive como faxineiras, operárias, etc. Será que a URSS era um país dominado pelo fundamentalismo cristão (afinal, ser contra a prostituição é coisa de carola, né?)? Será que Brezhnev queria mais mulheres disponíveis para limpar as fraldas geriátricas dele? O marxismo está por fora, bom mesmo é-com o perdão da má palavra- o "castrismo". Por que defender direitos para a trabalhadora se dá para aplacar a má-consciência dando a elas o maravilhoso direito de se prostituir? Deixe de ser ignorante, leia Lenin! Ele provou que a imoralidade sexual é incompatível com o socialismo, pois a imoralidade sexual é uma característica burguesa! Abaixo os pelegos petistas e os social-fascistas tucanos, queremos um governo de operários, soldados e camponeses, queremos o PCB no poder!

PermalinkPermalink 09.06.11 @ 18:58



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Você nunca transou com putas, Alex? Eu já.

Você acha que uma puta é uma mulher como outra qualquer? Não é não.

Uma puta, em geral, é mais corajosa que as outras mulheres. Até pela "profissão", elas têm que fazer cada coisa que exige coragem... (são putas porque são corajosas ou são corajosas porque são putas?)

Uma puta também é mais estupida e mais cruel que as outras mulheres. Há exceções, como toda regra.

E, sabe, eu também não gosto da falta de generosidade de mulheres ricas que só enxergam o próprio umbigo . Eu defendo o direito delas, e de todo mundo, de só enxegar o próprio umbigo, o que é diferente.

PermalinkPermalink 10.06.11 @ 08:44



Comentário de: Carlos Eduardo Vieira

Alex,

Concordo com tudo que vc disse, inclusive sempre pensei isso. acho ridículo esse moralismo, pessoas mas nunca consegui traduzir esse meu pensamento nas conversas com os amigos. seu post foi esclarecedor!

PermalinkPermalink 10.06.11 @ 17:01



Comentário de: Adriano · http://Www.ryba.com.br

Poxa Alex, que preconceito com os advogados de divórcio, chamando nosso ofício de desagradável e não-humilde.

Já ia te emprestar um apê na Lapa, mas depois dessa... [brinks, sou do RS].

Adoro teu blog.

Abraço.

PermalinkPermalink 12.06.11 @ 11:07



Comentário de: paula lee · http://www.amanteprofissional.com/blog

Estou actualizando minhas leituras aqui no LLL, Alex, muito bacana o texto!

Cada um faz o que é melhor para si, o que é mais adaptável, de acordo com a maior ou menor oportunidade que tem. E pronto. Eu NÃO escolheria acordar e dormir com marido rico, dar beijo de bom dia e chamar de meu amor, conviver todos os dias, só pelo dinheiro dele, mas isto é uma ESCOLHA MINHA, e, sinceramente, estou pouco me importando se as outras pessoas fazem outro tipo de escolha. Cada um faz o que pode.

Talvez isso não se reflicta ainda tanto pelo Brasil, mas, aqui pela Europa, aos poucos ganha cada vez mais repercussão o conceito de ESCORTING, ao invés da prostituição. Na prostituição, o homem paga por uma violação consentida - no sentido de que ele sabe que ela está apenas prestando um serviço, em função do tal pagamento -, e, no conceito de escorting, a mulher aluga a sua companhia, nada mais. Enquanto escort, o homem paga por um x de horas com aquela mulher, mas não pelo sexo com aquela mulher, que apenas acontece se for da livre vontade de ambos. Sim, parece estranho à primeira vista quando pensamos na cultura enraizada da prostituição, mas já há quem não queira uma violação consentida, mas estar com alguém, que esteja com ele de livre vontade, e recompensar este alguém apenas por isso, por esta disponibilidade(afinal eu podia estar fazendo outra coisa neste tempo). E hoje trabalho assim, Alex. Se não faço sexo com mais ninguém? Pelo contrário, agora que faço sexo mais do que nunca. A diferença? A diferença é que, antes, quando o cliente me procurava num bordel, ele vinha pagar por um serviço sexual; agora, quando ele me procura, ele sabe que eu tenho o poder de dizer não, eu tenho o poder de não querer. Quantas vezes isso acontece? Quase nunca. Mas só o facto de este homem saber isto, saber que ele pode chegar e pode não rolar sexo, e ele me pagar na mesma, pela hora de companhia, transmite um outro conforto à acompanhante, um outro à vontade.

Sei que para muitas pessoas causa confusão pensar em como uma mulher pode fazer sexo com vários homens que ela nem conhece. Mas dou o exemplo de várias amigas: conhecem um homem, se apaixonam por ele, são leais e blablabla e, no final das contas, aquela sensação de que foram apenas uma queca. Não estou dizendo que as desilusões amorosas sejam a motivação principal para as mulheres entrarem nesta actividade, mas apenas justificando que, em alguns casos, pode ser muito menos doloroso fazer sexo com um desconhecido do que com um cara que você pensa que conhece. Com o cliente, pelo menos, a probabilidade de você sofrer ou ser enganada é muito menor. E, muitas vezes, pode sair ganhando por dois lados: dinheiro e bom sexo.

Sobre o turismo sexual, não sei por qual razão as pessoas se incomodam com isto; é natural que todo mundo vá ou queira ir para onde há mais dinheiro ou oportunidades.




PermalinkPermalink 13.06.11 @ 11:23



Comentário de: Gustavo

mijando de rir da seguinte parte:

"Oras, se existe demanda e se fazemos bem, por que não dar o cú?"

Perfeito. Todo o resto é hipocrisia pura, seja aqui ou lá fora.

Fiquei pensando numa sessão do congresso ou num outro órgão oficial qualquer, em que o assunto estivesse sendo discutido e, aí, o defensor da tese, sobe ao púlpito e diz:

- Vamos deixar de ser hipócritas. "brasileiro ir pra Europa estudar filosofia: pode. Jogar pelada ou dar voltinhas na pista: herói nacional", mas e dar o cú? "Oras, se existe demanda e se fazemos bem, por que não dar o cú?"

hahahaha morreriam uns três de enfarto certamente.

PermalinkPermalink 22.06.11 @ 11:05



Comentário de: kai

hahaha me diverti muito com alguns de seus sarcasmos, alex. penso exatamente como você.

amo sua escrita.

PermalinkPermalink 22.06.11 @ 15:34



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Édipo, Hamlet & Outras Conspirações

Próximo post: Diário da Volta: Alex-sem-Casa Procura Casa

um blog sobre literatura, empatia e desapego

sobre mim

contato, bio, fotos, livros, compre

Busca

    Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site