Édipo manda Creonte buscar Tirésias, em Delfos, para conseguir encontrar os assassinos de Laio e salvar Tebas da praga. O profeta, depois de hesitar um pouco, diz que o culpado é o próprio Édipo. Imediatamente, o rei acusa Creonte de ter comprado o testemunho de Tirésias e, assim, tomar o poder. Mais tarde, as declarações de um camponês e de um escravo terminam convencendo Édipo de sua culpa e ele arranca os próprios olhos. Creonte torna-se rei.
Mas talvez a acusação de Édipo não fosse assim tão infundada. Nada impede Creonte de ter comprado os testemunhos não só de Tirésias, mas também do camponês e do escravo - teoricamente, mais fáceis de corromper do que um profeta.
Quem sabe Édipo era inocente e foi tudo uma grande conspiração.
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Enquanto Nova Orleans jazia embaixo d'água, passei um semestre emprestado na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Um dos cursos que frequentei foi A Palavra e a Lei, dado pelo grande Julio Ramos, onde líamos clássicos da literatura com ênfase nos aspectos legais do texto.
Levantei a questão acima em sala e o Julio riu e perguntou:
"Você é do Brasil, não é?"
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Dizem que o fantasma do pai de Hamlet era, na verdade, um ator contratado por Fortinbrás para destruir o frágil equilíbrio emocional do príncipe, causar aquele banho de sangue e tomar o trono.
Quando você aprende a desconfiar dos textos, não pára mais.
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