O Que Fazer com as Pessoas que Não Concordam com a Gente?

sabe qdo vc tá numa mesa de amigos, todos bem nascidos, aí um solta um "uma merda esse kit gay, não tenho nada contra homossexuais, mas hj ser hetero é minoria" ou então "a gente que paga imposto sustenta vagabundo, né" sendo que vc nunca esperava ouvir isso desses amigos. vc já passou por isso? como vc lidou com isso? respirou fundo e seguiu em frente?

eu ignoro

mas vc acha q vale a pena se mostrar claramente contra essas opiniões ou simplesmente não vale a pena?

nao vale a pena. mas tb nao vale a pena andar com essas pessoas. ou melhor. nao vale a pena andar com gente q fala coisas q vc fica indignado mas aih suspira fundo e nao diz nada pq nao vale a pena

é nisso q penso. pq nunca me afastei de verdade dessas pessoas. mas realmente me incomoda que amigos meus pensem assim, msm que sejam ótimas pessoas. daí que não sei se eles soltam essas opiniões tão abertamente pq nunca teve um amigo q chegou do lado deles, deu um tapinha no ombro e disse "ei, eu penso totalmente diferente de vc"

será q sao otimas pessoas mesmo? ou será q somente gostam de VOCE mas sao más pessoas com outras pessoas - tipo com os gays de quem eles fazem pouco?

sim, sim. eu só as vejo naquele círculo social específico, então a imagem q eu tenho é somente aquela. e é bem assustador se decepcionar assim. mas da mesma forma, não existe um limite de tolerância? do tipo, conviver com essas diferenças?

nao sei. existe? qual é o SEU limite? ate qd VC vai querer aturar isso? vc eh q tem q me dizer...

ainda tô descobrindo... pq não tenho pretensão de mudar as pessoas, mas talvez eu me mostrar tolerante sirva de inspiração pra esses amigos. não quero convencê-los racionalmente, com dados empíricos, de que eles não deveriam pensar o que pensam a respeito de determinados assuntos. mas talvez funcione como qdo vc tem um amigo muito nervoso e mal humorado, e vc sempre é bem humorado e leve, e isso talvez faça esse amigo olhar pra si mesmo e perceber que não precisa de tanta raiva. vc já conseguiu causar isso em alguém? fazer alguém mudar só pela presença, não por convencimento?

eu nunca tentei convencer ninguem de nada, nao faco ideia. acho mt egoista e egocentrico e fascista tentar convencer as pessoas a minha volta a ser como eu...

sim, é. e esse é o meu problema. pq se eu não quero ser egocêntrico a ponto de querer que as pessoas sejam iguais a mim, então eu não deveria me incomodar que elas pensam diferentes em assuntos polêmicos, por ex

eu não me acho no direito de querer convencer os outros a ser como eu. eu nao tenho paciencia nem disposição pra debater. mas eu me dou ao direito de só conviver com quem me faz bem, com quem me agrada e me dá prazer, e nao me dá prazer conviver com pessoas que falam coisas horriveis q me fazem ter q respirar fundo e morder a lingua. entao, a situação se resolve assim.

entendi... te fiz essas perguntas pq hj foi foda, dei de cara com o padrão de gente que me assusta, e o pior é que são pessoas com quem convivo diariamente. mas bem, veremos. valeu pela conversa

escolher as pessoas com quem convivemos é essencial pra nossa sanidade.

 

06.06.11


Categorias: Comportamento


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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

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Comentários:


Comentário de: Eric Costa

Hehe, tenho alguns paradigmas (alguns chamariam de teorias) que gosto de basear em filmes ou séries, para ilustrar melhor.

O paradigma que me lembrou esse artigo é o que chamava de "paradigma do amigo de filme de comédia antigo". Mas, como The Hangover ("Se beber, não case") fez sucesso, poderíamos chamar de Paradigma do Alan.

Basta lembrar que, em vários filmes de comédia antigos (e, claro, em The Hangover), todos os problemas e roubadas em que se envolvem os personagens são, em regra, causados por eles terem um amigo "maluco" no grupo. Não me refiro à "maluquice" de tentar coisas diferentes (algo que pode ser bem vindo), mas a de agir de modo completamente alheio ao estilo do grupo.

Ia dar exemplos, mas estou sem tempo no momento (no aeroporto). No entanto, acho que já deu para passar a ideia.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 02:49



Comentário de: Rafa

Gente que pensa diferente é quem mais acrescenta coisas na nossa vida. O problema é que nem sempre a gente curte, aceita ou entende o que os outros tem pra oferecer.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 03:00



Comentário de: Alexandra · http://www.peregrinatrix.com

Bom, existe pensar diferente e pensar diferente. Uma coisa é eu torcer pro Flamengo e o amigo torcer pro Botafogo, ou eu achar que não existe coisa melhor do que legume grelhado e o outro não tolerar legumes. Mas bem diferente é alguem dizer "uma merda esse kit gay, não tenho nada contra homossexuais, mas hj ser hetero é minoria". Aí já é questão de descobrir que aquela pessoa que vc achava legal na verdade é um babaca...


PermalinkPermalink 06.06.11 @ 07:40



Comentário de: Bruno Cava · http://www.quadradodosloucos.com.br

Fico impressionado com o grau de obsessão implicado numa ética conduzida a ferro e fogo. Não digo isso em tom de contraposição, mas inquietude. Às vezes, nos seus textos, pressinto uma tensão ética extremamente exigente, às raias da opressão. Uma ética tão consistente, tão aferrada, que não dá descanso. Talvez, em meio à "justa linha" e pertinência geral dos argumentos, haja demasiada preocupação com a conduta individual, bem como com o discurso em si. Saudações.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 08:31



Comentário de: rose borges

"uma merda esse kit gay" é o tipo de coisa que faz com que eu me afaste. Consigo entender que a pessoa é ignorante,que ela tem o seu histórico de vida próprio, que o kit não é perfeito, mas eu rejeito totalmente na minha vida gente que não está disposta a conhecer outros pontos de vista. Mesmo com preconceitos, que também os tenho, a obrigação é contê-los e observar a vida com honestidade. Fiz várias tentativas de conversar com esses amigos num nível bem neutro. Foi em vão.Me irritei e me afastei. São ex-amigos.Restou apenas um. Tudo que eu argumentava era rebatido sem consistência. Sabe quando te olham e já dizem: lá vem ela com aquele discurso ou sequer te ouviam? Pois é. Procurei outra tribo e encontrei. Jamais procuraria gente que concorda com tudo,isso é um lixo, te paralisa, mas sim gente que está disposta, assim como eu, a conhecer mais a vida e mudar de opinião.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 08:44



Comentário de: Bobinha

Sobre isso e outras coisas não consigo ter opinião sólida e formada...Por exemplo: entendi o mote da marcha das vadias, da liberdade de se estabelecer como mulher, escolher as próprias roupas, ter posse de seu corpo, enfim, ser íntegra e responsável pelo próprio prazer e modo de ser. Mas ao mesmo tempo não tem como não associar o corpo da mulher como objeto do erotismo, da libido e tal, esso é o apelo, desde sempre. E temos prova disso no dia a dia em nossas bancas de jornal, com a exibição de peitões-objeto, mulheres frutas, a serviço do mais tosco machismo. Então, tipo assim, na minha cabeça tá resolvido que minha opção pela roupa de vadia é um ato político. Mas, sério, qual a diferença entre meu ato e a bunda da mulher-filé, "a serviço" dos babões da banca? Nâo consigo elaborar argumentos para contrapor quem diga que é a mesma coisa, por mais que o meu discurso seja feminista...No final parece que dá no mesmo. Ou então a filezona lá é que é "A" feminista, e ganha os tubos à custa dos babões! Ou não? Vê como é difícil? Não tenho opinião formada e nem posso julgar quem faz comentários bobocas, pois tá meio embaralhado mesmo na cabeça das pessoas...

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 10:35



Comentário de: Carla

Infelizmente não podemos escolher sempre com quem conviver. Familiares, colegas de trabalho e de faculdade não podemos escolher.

Temos de conviver com essas pessoas em algumas situações e invariavelmente alguém vai soltar uma merda dessas e vamos ter que morder a língua e ficarmos quietos... A outra opção é dizer: mas que absurdo! E fazer cara de espanto. Deixar claro que não concordamos, mas sem tentar convencer: acho o melhor caminho.

Porque morder a língua é concordar... quem cala, consente. Ou não?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 10:56



Comentário de: vanessa · http://garotacocacola.com.br

Eu vivo o dilema no meu trabalho, que como a Carla aí em cima disse, não dá para escolher as pessoas com quem ando nesse âmbito.
É um tanto desconfortável no início, mas depois a gente aprende. Ruim é quando, por exemplo (no meu caso), as pessoas descobrem teu posicionamento político ou social e passam a falar certas coisas com o intuito de te provocar - acho deselegante. Eu ignoro. Mas demorei para aprender.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:13



Comentário de: Patricia

puxa, o texto veio num ótimo momento pra mim. Estou vivendo todas essas dúvidas. De uns tempos pra cá, comecei a questionar meus ideais e valores e a mudar de pensamento. Venho tentando me livrar dos preconceitos e me tornar uma pessoa melhor. Daí cê tá na mesa do almoço e alguém solta uma pérola racista. Ou um amigo coloca algo grosseiro contra os pobres no facebook. Se o certo é comentar, como fazer isso? Porque geralmente, quando você diz não concordar com uma coisa dessa e expõe sua opinião, a pessoa parte pra ignorância, ridiculariza seu comentário com alguma piada e o clima fica chato.
Cortar relações seria ficar mais sozinha ainda. E pra relacionamento amoroso? Eu diminuiria MUITO as minhas chances.
Muitas dúvidas, muitas...

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:24



Comentário de: aurea

Me desiludi com a posição preconceituosa de um blog que lia com frequencia. Então mandei para o classe média sofre...

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:24



Comentário de: Laura

Oi. Tive este problema com algumas amigas antigas minhas, que eu sempre considerei quase irmãs. E não se corta família assim, né? Mas de um tempo pra cá, percebi que tirando as memórias de adolescencia, não temos mais nada em comum e na maioria das nossas conversas eu tenho falado apenas "ahãn", porque cansei de discutir e ouvi-las falando coisas no estilo "não sou contra o kit gay, mas...", "não sou racista, mas a Europa demonstra quem é superior" (sério!) ou "bolsa esmola" e mais coisas deste nível. Não houve uma ruptura, mas estamos nos afastando meio que naturalmente e reparei que não sinto a menor falta delas. Sei lá, não é nem questão de não gostar de discussões com os meus amigos, na verdade, adoro discutir política, mas gostar de debates é diferente de mantes amizades que não têm nada a ver comigo, que têm pontos de vistas totalmente diferentes dos meus.. acho que pra uma discussão deve-se pelo menos partir de algumas premissas básicas, se não a discussão não acabará nunca, pois, se você considera que, sei lá, a igreja pode intervir na sociedade civil, a gente nunca vai concordar sobre direitos dos homoafetivos. E cheguei a conclusão de que simplesmente não vale a pena e que eu não preciso disto.
bjs

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:38



Comentário de: Alex Castro Email

Rafa

Gente que pensa diferente é quem mais acrescenta coisas na nossa vida. O problema é que nem sempre a gente curte, aceita ou entende o que os outros tem pra oferecer.

Tenho certeza que as pessoas que fazem comentários machistas, homófobos, racistas tem muito a oferecer - a questão é que eu NÃO QUERO as coisas que eles têm a oferecer.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:41



Comentário de: Alex Castro Email

Alex

Bom, existe pensar diferente e pensar diferente. Uma coisa é eu torcer pro Flamengo e o amigo torcer pro Botafogo, ou eu achar que não existe coisa melhor do que legume grelhado e o outro não tolerar legumes. Mas bem diferente é alguem dizer "uma merda esse kit gay, não tenho nada contra homossexuais, mas hj ser hetero é minoria". Aí já é questão de descobrir que aquela pessoa que vc achava legal na verdade é um babaca...

Pois é, linda. Só quem fez uma leitura muito rasa do texto pra achar q estou falando da primeira opção, né?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:43



Comentário de: Alexandre Fernandes

Olá Alex,

Muito boa a discussão levantada neste texto. Parece que foi feito para mim, para o momento que eu estou vivendo. Voltei a morar no Brasil há mais ou menos 1 ano e meio, e confesso que desde então tenho tenho dificuldade de fazer novas amizades.

Acho que a principal razão para isto é que a maioria das pessoas (principalmente homens) que conheci acabaram soltando uma frase do tipo: "É, que merda, agora os gays tão dominando o mundo!"

Nestes casos, acho que não tem nem como começar uma discussão, já que, pra mim, esse cara é tão preconceituoso que a gente nunca iria se entender.

Eu acabo me afastando deste tipo de pessoa, mas confesso que elas são maioria.

Abs

Alexandre Fernandes

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:47



Comentário de: Durval · http://twitter.com/dtabach

Se entendi direito o que o Bruno Cava falou, concordo com ele. A resposta para a pergunta do título não é só "convivo" ou "não convivo", tem uma série de graduações no meio. Dependendo da gravidade da incompatibilidade de opinião, dá pra manter um certo nível de relacionamento, que por sua vez também tem diversas graduações.
Eu tenho um primo racista. Além de primo é meu amigo, temos uma ligação de infância, e apesar dessa opinião escrota e abominável neste tema, eu amo esse cara e acredito que minha vida seria mais pobre se eu voluntariamente cortasse relação com ele. Não me dou o direito a esse julgamento.
E também tem todo aquele inevitável pessoal com quem você não escolhe conviver, mas convive. A vida é curta, por isso sou favorável a tornar a minha interação com ele a mais construtiva possível, para que aquele pedacinho da minha vida – e da vida dele – seja melhor aproveitado.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:48



Comentário de: Alex Castro Email

Bruno,

Fico impressionado com o grau de obsessão implicado numa ética conduzida a ferro e fogo. Não digo isso em tom de contraposição, mas inquietude. Às vezes, nos seus textos, pressinto uma tensão ética extremamente exigente, às raias da opressão. Uma ética tão consistente, tão aferrada, que não dá descanso. Talvez, em meio à "justa linha" e pertinência geral dos argumentos, haja demasiada preocupação com a conduta individual, bem como com o discurso em si. Saudações.

Eu me considero uma pessoa totalmente aética, amoral, sem caráter. Você nunca vai me ver clamando por ética, honestidade, moralidade, essas besteiras. Eu tenho amigos que eu amo e que me amam que são pessoas horríveis. Amigo, pra mim, é quem enterra o corpo junto com vc e não faz perguntas.

Mas sou bastante hedonista, sabe? Só ando com quem me dá prazer - e é extremamente desagradável andar com gente que fica verbalizando opiniões grosseiras, rudes, direitistas, machistas, racistas, homófobas, etc.

A questão não é ética (que rejeito) mas estética: é feio falar essas coisas. Não é polido. É desagradável. Evito essas pessoas.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:48



Comentário de: Alex Castro Email

Alias, Bruno, um trechinho de Ame e Dê Vexame, do Roberto Freire, um livro que amo:

Fritz Perls tem uma frase de que eu gosto muito: “;Deus me livre das pessoas de caráter.” É que as pessoas de caráter são únicas, não mudam, não evoluem, têm obsessão pela coerência. E a vida não é assim. Na vida você tem de aparentar muita incoerência para poder viver todos os seus lados. Eu me sinto uma incoerência só, hoje em dia.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:51



Comentário de: She · http://www.curvasnapista.blogspot.com

Concordo com a Alexandra. Eu posso não concordar com alguém que é fã do seriado House, mas vá lá, isso não a define como babaca da mesma forma que uma opinião ou piadinha racista/homofóbica/misógina/classista a define.

Infelizmente, boa parte das pessoas babacas que eu conheço não posso deletar do meu convívio como geralmente faço com pessoas de twitter/facebook. Afinal, a maioria delas está na minha família e no meu trabalho.

Daí o melhor é ignorar.

Poupar o meu estômago de uma úlcera ainda vale mais do que debater coisas tão sérias com gente miseravelmente ignorante e preconceituosa.

Kisses ;**

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:52



Comentário de: Alex Castro Email

Rose,

Procurei outra tribo e encontrei. Jamais procuraria gente que concorda com tudo,isso é um lixo, te paralisa, mas sim gente que está disposta, assim como eu, a conhecer mais a vida e mudar de opinião.

É isso aí. Existem muitas tribos pelo mundo. Ninguém é obrigado a passar a vida acorrentado no mesmo grupo social onde teve a fatalidade de nascer ou crescer. Essa é a mensagem do texto.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 11:54



Comentário de: Alex Castro Email

Carla,

Infelizmente não podemos escolher sempre com quem conviver. Familiares, colegas de trabalho e de faculdade não podemos escolher.

Hm. Podemos escolher sim. Por exemplo, os membros da minha família eu vejo quando eu quero, quando eu tenho saco e disposição. (E, se vc mora com eles, é uma boa motivação pra pular fora.) O nosso trabalho é a gente que escolhe.

E a nossa faculdade também. Por exemplo, eu cursei dois anos de História na PUC-RJ e depois ESCOLHI me transferir pra História na UFRJ, curso noturno, ainda por cima, e essa escolha fez com que eu convivesse com gente radicalmente diferente,com opiniões e prioridades mais diferentes ainda.

Então, sim, dá pra escolher.

Uma das maiores mentiras que a gente se conta é que "não temos escolha".

Porque morder a língua é concordar... quem cala, consente. Ou não?

Se quem cala consente, entao eu consinto com os piores absurdos. Mas prefiro calar a ficar batendo boca com idiota.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:02



Comentário de: Alex Castro Email

Aurea

Me desiludi com a posição preconceituosa de um blog que lia com frequencia. Então mandei para o classe média sofre...

Opa! Quero saber qual! E sim, mande tudo pro Classe Media Sofre!

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:03



Comentário de: Alex Castro Email

Laura,

Tive este problema com algumas amigas antigas minhas, que eu sempre considerei quase irmãs. E não se corta família assim, né?

Como não? Corta-se sim. Vc pára de frequentar, pára de dar papo, não aceita convites, é facílimo.

Mas de um tempo pra cá, percebi que tirando as memórias de adolescencia, não temos mais nada em comum

Sim, esse é o ponto, não?

Não houve uma ruptura, mas estamos nos afastando meio que naturalmente e reparei que não sinto a menor falta delas.

Exato. Como disse ao Bruno, nao é uma questão ética, não é pra ficar "de mal", é que vc vai naturalmente perdendo o interesse por essa gente...

E cheguei a conclusão de que simplesmente não vale a pena e que eu não preciso disto.

Exato.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:07



Comentário de: Alex Castro Email

Vanessa,

o pior, eu juro que eu acho, é a deselegância da provocação. Isso é imperdoável.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:08



Comentário de: Alex Castro Email

Alexandre

Acho que a principal razão para isto é que a maioria das pessoas (principalmente homens) que conheci acabaram soltando uma frase do tipo: "É, que merda, agora os gays tão dominando o mundo!" Nestes casos, acho que não tem nem como começar uma discussão, já que, pra mim, esse cara é tão preconceituoso que a gente nunca iria se entender. Eu acabo me afastando deste tipo de pessoa, mas confesso que elas são maioria.

Olha, eu juro que nao existe ninguem no meu circulo de amizades e relacionamentos que fale coisas assim. Pq foram todos mt bem escolhidos. Mas eu te digo. Claro que a maioria é assim. Mas e daí?

Quantos amigos de verdade você precisa ter na vida? Pra conviver, conversar, depender?

Temos que lamber os beiços se tivermos 2, 3, 4 BONS amigos e mais uns 10, 15 pra sair, conviver, viajar.

Você acha mesmo que você não encontra 15 pessoas, na sua cidade, no seu meio, que NÃO falem esses absurdos?

Encontra sim. Eu encontrei. :)

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:14



Comentário de: Znorg

E o que fazer quando quem solta os comentários hediondos não seu seus amigos, mas pessoas com quem você é obrigado a conviver devido a circunstâncias como o trabalho? Normalmente, eu também fico quieto, porque não me interessa sair polemizando por aí, mas às vezes me incomoda que o meu silêncio possa ser interpretado como uma concordância tácita ao que foi dito. Se o sujeito solta uma pérola dessas como a do kit gay em um ambiente para todo mundo ouvir, e quase todo mundo balança a cabeça em concordância e ninguém contesta abertamente, quem fica calado corre o risco de passar a impressão de que está no mesmo barco também, não?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:17



Comentário de: Alex Castro Email

Znorg

(Quebrando minha regra de nunca responder gente com nicks ridiculos)

Normalmente, eu também fico quieto, porque não me interessa sair polemizando por aí, mas às vezes me incomoda que o meu silêncio possa ser interpretado como uma concordância tácita ao que foi dito. Se o sujeito solta uma pérola dessas como a do kit gay em um ambiente para todo mundo ouvir, e quase todo mundo balança a cabeça em concordância e ninguém contesta abertamente, quem fica calado corre o risco de passar a impressão de que está no mesmo barco também, não?

Mas vc já parou pra pensar pq cargas d'água vc se importa com a opinião que essa gente tem de você? E daí que pensem que vc concorda?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 12:55



Comentário de: Samuel Santos

Olá pessoal.

Gostei do texto e tbm reflito bastante sobre isso... mas penso que medir o "grau de preconceito/ignorância" de alguém através de uma frase isolada pode ser injusto e leviano.

Entendo que no caso de pessoas que se demonstrem constantemente preconceitusos/ignorantes/etc., essa margem de erro diminui muito.

Mas, por exemplo, as duas frases usadas como exemplo no início do texto, certamente foram expressas de maneira infeliz, mas podem esconder opiniões válidas obtidas com critérios bem intencionados.

Eu sou contra o kit anti-homofobia por acreditar que não é a melhor forma de lidar com o assunto.

E todos sabemos o que a pessoa quer dizer com a frase "a gente que paga imposto sustenta vagabundo". Se trocármos as palavras e mantivermos a idéia essencial, fica difícil discordar, não?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 13:06



Comentário de: Alex Castro Email

Samuel

E todos sabemos o que a pessoa quer dizer com a frase "a gente que paga imposto sustenta vagabundo". Se trocármos as palavras e mantivermos a idéia essencial, fica difícil discordar, não?

A gente sempre deve tomar mt cuidado com essas coisas que pra nos sao tao auto-evidentes que achamos q todo mundo concorda com elas.

Eu, por exemplo, nao faco ideia qual seja essa ideia essencial dessa frase com a qual todos teriamos que concordar? Eu não vejo nada nessa frase ou nessa ideia com que eu concordaria....

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 13:26



Comentário de: Transeunte

Me identifiquei com o texto. Tenho optado por demonstrar minha discordância, mas isso é cansativo, vamos ver por quanto tempo dura. Por enquanto acho que vale a pena, afinal, ninguém é perfeito.
Agora você comentou algo interessante, talvez até já tenha falado disso antes e eu tenha chegado atrasado, então passe alguns links ai que você discute essa característica de ser amoral e sem ética.
Isso parece tão... cabuloso. =]

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 13:51



Comentário de: She · http://www.curvasnapista.blogspot.com

"Hm. Podemos escolher sim. Por exemplo, os membros da minha família eu vejo quando eu quero, quando eu tenho saco e disposição. (E, se vc mora com eles, é uma boa motivação pra pular fora.)"

Às vezes bate um sentimento de culpa ao perceber que estou me afastando das pessoas da minha família, por mais que eu morra de preguiça de lidar com algumas delas.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 14:09



Comentário de: Rob

Aí que complicado.Não dá pra sair simplesmente descartando amizades por aí.A pessoa corre o risco de ficar sozinha.Mas tbm não dá para ficar batendo de frente,e aí?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 14:16



Comentário de: Samuel Santos

Pois é... a nossa interpretação de uma idéia expressada por outra pessoa diz muito mais sobre a gente do que sobre a pessoa.


Sugestão para o seu novo site: use um sistema de comentários que permita responder os comentários :)

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 14:21



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

Minha única honrosa exceção frequente é a sala de aula. Se ouço meus alunos reproduzindo esses discursos de q tenho sincero asco, falo algo, indico leituras, trabalho com documentos q estejam ligados ao assunto nas aulas. De resto, tirando meus pais, costumo me afastar da maior parte das pessoas que costumam verbalizar opiniões que eu não suporto.

Ah... aproveitando, creio que vale a pena acrescentar como indicação o texto “Pelo direito de discordar e continuar amigo”, do Leonardo Sakamoto. http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/01/31/pelo-direito-de-discordar-e-continuar-amigo/

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 14:33



Comentário de: Tomas

Acredito que seja possível diferenciar dois tipos de atitude em comentários machistas, racistas, ou outras posições odiosas tão comuns por aí.
Algumas pessoas tem nitidamente convicção no que dizem, e se mostram consistentemente canalhas ao longo do tempo. Quanto a algumas outras, creio que mais repetem discursos que ouviram a vida inteira, de forma mais ou menos incosciente.
Creio que com as pessoas do segundo caso vale ter um pouco de paciência, mostrar suas opiniões contrárias àquele senso comum que elas repetem, e procurar passar seu exemplo, como uma das personas no seu texto argumenta. Isso não por uma inspiração ao proselitismo, mas simplesmente por enxergar outras qualidades naqueles sujeitos e não querer chegar à situação de ter de abandonar sua compania. É claro que essa paciência também não seria muito grande. Caso eles persistissem fazendo seus comentários machistas ou racistas estariam demonstrando ter o primeiro tipo de atitude, diante do qual realmente não vale a pena ter qualquer consideração.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 14:58



Comentário de: Bruno Cava · http://www.quadradodosloucos.com.br

Mestre Alex,

Vejo assim, também, amigo é aquele que você recebe e apóia mesmo quando assassino, estuprador, nazista. Alguém do bem a gente defende mesmo não sendo amigo. Isso é imoral, mas em certo sentido pode ser ético, pelo menos numa ética como preocupação obsessiva pelo outro, pelas relações concretas, pela doação e aceitação. Não são os valores julgando de cima a vida; mas a vida, de dentro, os valores.

Às vezes, em certas rodas, o consenso reacionário é tão pesado, que dá pra fatiar com uma faca. Talvez exatamente aí seja a hora de quebrá-lo, talvez seja a maior contribuição a fazer. Dizer até as últimas conseqüências, mesmo que, previsivelmente, seja rechaçado, mesmo que seja ridicularizado, mesmo que tachado de "maluco". Concordo que na primeira juventude é divertido, luciferiano, mas depois cansa, se torna enfadonho. É que o tempo vai ganhando uma outra dimensão.

Exatamente nesse ponto inevitável, quando achamos que não vale mais a pena perder tempo, quem sabe seja o momento em que a ética acontece, e então, diante de alguém que temos estima, quem sabe seja hora de adotar uma paciência descabida e insuportável, e contra-argumentar, na esperança, ainda que minúscula, de um dia abalar as convicções injustas do outro. Essa paciência é louvável.

Afinal, o autor sempre está além do ato, e possui, em algum lugar, uma abertura para a alteridade e a mudança, porque está vivo, mesmo que tudo na sua postura concreta, no seu passado, indique o contrário.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 15:02



Comentário de: Alex Castro Email

Bruno,

em certas rodas, o consenso reacionário é tão pesado, que dá pra fatiar com uma faca.

Eu creci em condominio fechado em frente a praia na Barra. Meu pai dirigia um BMW e era vice-presidente do clube de golfe. O consenso reacionário nessa roda não se corta nem com anti-matéria.

Admiro quem tem a disposição de discutir. Eu prefiro simplesmente me afastar e cuidar da minha vida em outras rodas.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 15:14



Comentário de: Bárbara

Eu vivo numa bolha, alguém poderia dizer. Minha família é linda, meus amigos são abertos, trabalho com o que gosto e com gente bacana. Mas acho importante às vezes responder. Não pela pessoa que diz qualquer tipo de absurdo e grosseria, mas pelas outras pessoas que também estão ouvindo. Na faculdade, me envolvi em debates com um professor porque não queria que meus colegas achassem que aquilo que ouviam era uma verdade indisputável. Quebrar a espiral do silêncio. Essas coisas.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 16:02



Comentário de: miatrix

"será q sao otimas pessoas mesmo? ou será q somente gostam de VOCE mas sao más pessoas com outras pessoas - tipo com os gays de quem eles fazem pouco?"

é essa questão que me incentiva a me afastar de pessoas assim - apesar que nunca formulei tão objetivamente assim :)

não quero ser uma exceção na 'listinha de ódio' dos outros.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 16:33



Comentário de: Diogo Batalha · http://www.twitter.com/diogobatalha

Durante muito tempo, Alex, discuti com uma amiga minha classe media que é o que mais de reacionaria e classemedicista uma pessoa pode ser. O tipo da pessoa que quer privilegios no lugar de direitos (infelizmente, ela nao ve isso, ou finge que não vê;). Depois de um tempo, parei de discutir. Mas nao parei de ter contato com ela nem nada, parei de falar mais com ela, é verdade.

Mas penso da seguinte forma. Se eu ignorar ou parar de falar com essa pessoa, não serei tao intolerante quanto ela e isso me fara, bem igual a ela, sendo que eh haver pessoas intolerantes como ela que me incomoda?

Tento me convencer que ouvir as barbaridades que ela diz, mesmo eu não concordando com nada, e tolerar isso é um (dificil) exercicio de democracia. Ou nao?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 17:52



Comentário de: Alex Castro Email

Diogo,

Se eu ignorar ou parar de falar com essa pessoa, não serei tao intolerante quanto ela e isso me fara, bem igual a ela, sendo que eh haver pessoas intolerantes como ela que me incomoda?

Tento me convencer que ouvir as barbaridades que ela diz, mesmo eu não concordando com nada, e tolerar isso é um (dificil) exercicio de democracia. Ou nao?


Acho q você está entendendo tolerância de um modo um pouco estranho.

Tolerância é a gente permitir que as pessoas sejam como são, reconhecer que tem direito de ser do jeito e de ter suas opiniões, e de não serem perseguidas e presas por isso.

Tolerância não é você ser obrigado pessoalmente a aturar pessoas desagradáveis falando coisas intoleráveis, entende?

Eu acho que todos os tipos de música são válidos e merecem existir, mas isso não quer dizer que no meu escasso tempo livre eu vou ficar ouvindo funk ou sertanejo, musicas que não gosto, só pra pagar de "tolerante".

A vida é muito curta pra se comer e se ouvir o que não se gosta ou para andar com quem fala barbaridades. O tempo que você passa batendo boca com ela você poderia estar viajando, passeando, comendo, andando com pessoas que não falam esses horrores.

A vida é sua. Você anda com quem você quer. Não se obrigue a andar, na prática, de verdade, concretamente, com gente chata que te incomoda só por causa de alguma lealdade boba a um princípio abstrato que não quer dizer nada.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 18:19



Comentário de: Tathiana

Quando entrei no LLL hoje, estava pensando justamente nisso. Uma amiga se manifestou claramente contra a medida do Sergio Cabral de reservar 20% das vagas de concursos públicos no RJ para negros e índios. A sensação que tenho é que não adianta mais falar. Porque se a pessoas não conseguem realmente perceber que vivem em um mundinho branco-hetero-pró-BBB e que o mundo na verdade é muito maior do que isso, eu não vou cansar a minha beleza. Vou parar de interagir e pronto.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 18:46



Comentário de: Nelson Sant'Ana · http://www.minhaterrasemlei.blogspot.com

Acho que, se alguém tiver saco para discutir, ou tiver prazer, discuta. Provavelmetne ele irá perder a amizade de uma forma ou de outra (se afastando ou discutindo).
Mas quem não tem saco, como o Alex, e eu, simplesmente se afasta. Acho o melhor caminho, evita stress, etc.
Entretanto, eu nunca encontrei uma pessoa que tivesse um pensamento assim tão radical. Meu circulo é outro. Aqui, as pessoas são mais receptivas. Talvez seja a abordagem. Enfim, acho que dei sorte.

PS: odeio a palavra tolerância. É como se a pessoa dissesse "Se fosse na Idade Média, você saberia o que penso na pele". Devia existir outra palavra, talvez respeito.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 19:05



Comentário de: Leonardo Costa

Ao invés de nos afastarmos da pessoas com opiniões diferentes ou preconceituosas, poderíamos agir a favor delas, dar o exemplo, fornecer uma outra visão. Isso não significa que ela vai mudar, mas você está oferecendo algo precioso, um outro jeito de ver as coisas.

Não estou dizendo que sempre faço isso, sei que não é fácil, mas é um outro caminho.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 20:42



Comentário de: Renata Lins · http://chopinhofeminino.blogspot.com/

Boa sorte aí.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 20:48



Comentário de: Alex Castro Email

leonardo,

como disse a renata.... boa sorte aih!

mas eu tenho outra pergunta:

POR QUE fazer isso?

o q eu nao entendo é pq eu iria querer insistir para que as pessoas abandonem seus preconceitos e ideias. de onde vem esse afã q todo mundo parece ter (e que parecem achar q eu tb tenho) de querer mudar as outras pessoas a sua imagem e semelhanca?

pq vc quer tanto assim mudar os outros a sua imagem e semelhante? Será q vc é tao melhor que eles assim que a mudança será benéfica? por que não deixar que eles sejam e fiquem como são e como estão?

por quê?

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 20:54



Comentário de: Luis

É, sempre achei isso aí: amigo é quem ajuda a enterrar o corpo e não faz pergunta.

Ser babaca em algumas ou muitas coisas da vida não faz ninguém menos amigo - mas pode incomodar bastante.

E.. sei lá, essa coisa de não querer que as pessoas sejam iguais a mim.. é.. parece algo bonito, grande e.. não sei, tem coisas, como já disseram, que cortam o coração da gente de ouvir da boca de um amigo e que, se a gente não tivesse a mais cristalina convicção que aquilo é ruim pra esse amigo e pra quem esta ao lado dele, não incomodaria tanto. então, que seja, nazista, opressor, narcisista, ou o que seja.. afinal, é alguém que ajuda a enterrar e não pergunta! e você sabe a historia dessa pessoa, sabe de onde o "ser hetero é minoria" veio, como começou, e que não é exatamente seu amigo que é o grande babaca, que isso é uma coisa mais velha, que existe há muito mais tempo..

e, afinal, que não seja por consideração a essa pessoa que voce gosta ou, enfim.. que seja por um amigo gay que foi espancado outro dia, aí talvez valha a pena, e talvez.. se esse seu amigo, o hetero da minoria, for professor, diretor de escola, pai de aluno, mude de ideia, e queira discutir isso com outras pessoas, e, quem sabe, alguma coisa melhora.. e aí não vai fazer diferença se é um gesto egocentrico, opressor, fascista..

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 21:37



Comentário de: Letícia

Alex: (respondendo a pergunta feita ao Leonardo)
As vezes eu fico pensando a mesma coisa, mas será que não faz diferença? Pq o meio jeito de pensar seria melhor? Ou melhor, pq isso importa?
E aí eu lembro que eu já fui muito mais preconceituosa, reacionária e direitista do que eu sou hj. Eu fui ensinada a ser assim. Eu sempre vi isso, li isso, aprendi isso e pra mim isso era ´so oq existia.
Qdo eu comecei a ter contato com outras idéias diferentes das minha foi um choque. A minha primeira reação, como a de todo mundo, foi negação. Achei que tudo que era diferente do que eu sempre tinha aprendido era besteira, coisa de hippie desocupado, de feminista mal amada e etc. Mas mesmo assim, algo me empurrava a continuar lendo sobre o assunto e hj eu percebo como eu melhorei como pesssoa. Eu sempre me incomodei com discurso de 'mulheres bicastes', 'bichas malditas folgadas' mas ao mesmo tempo eu os validava sem perceber quão terriveis eles eram.Então ouvir opniões dissonantes pra mim foi ótimo, me mostrou um admirável mundo novo, e eu sei que melhorei muito como pessoa.
Aí eu penso: Será que todo mundo não tem o direito de pelo menos ser exposto de maneira decente a uma nova idéia? A um ponto de vista mais humanitário? Será que essas pessoas assim como eu não vão perceber quão absurdo é oq elas estão dizendo?
E me pergunto se eu não tenho obrigação de tentar ajudar, fazer algo sei lá...
Por enquanto por comodidade mesmo, eu me afastope me calo.Sempre pensei que é melhor evitar a fadiga, mas será mesmo? As vezes eu me acho meio preguiçosa e egoista..hahaha.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 21:46



Comentário de: Leonardo Costa

Alex, não é questão de fazer a pessoa mudar, concordar ou discordar e sim oferecer uma "nova visão" e não significa que essa "nova visão" seja certa, melhor e que tenha que ser seguida, é apenas um modo de olhar diferente.

Gosto dos seus textos e com certeza você já ofereceu outros caminhos pra tantas pessoas e pra mim, não importa se seguimos ou não, mas o presente da sua visão foi dado.


PermalinkPermalink 06.06.11 @ 22:11



Comentário de: Alex Castro Email

leonardo,

agradeco o elogio, mas entenda a enorme diferenca entre:

eu aqui, no meu espaço, onde só entra quem quer, voluntariamente, falando dos assuntos que me interessam para quem vem me ler...

uma pessoa fazer um comentario numa mesa de bar e vc ir lá cutucar, corrigir e dizer o que ela deveria realmente pensar se quiser ser uma pessoa boa e iluminada como vc.

a diferença é grande.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 22:24



Comentário de: Marcus Telles

(Não li os comentários, portanto, não sei se algo do tipo já foi dito.)

Acho válido fornecer alternativas para que as pessoas revejam suas opiniões. Algumas pessoas são racistas, homófobos, intolerantes por nunca terem analisado a situação a partir de perspectivas específicas. Seriam pessoas mais abertas, tolerantes, e, me arrisco a dizer, consequentemente mais felizes, se o fizessem.

Em suma, vale a pena dar uma chance para que a pessoa (ou seus interlocutores) repensem suas opiniões. Oferecer outra perspectiva, sem obrigar ninguém a aceitá-la.

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 22:35



Comentário de: Rita · http://www.estradaanil.com

Fui lendo e parecia que estava ouvindo ecos de minha própria voz. Tenho esse diálogo comigo mesma de vez em quando. A última vez foi há bem pouco tempo. Ainda não sei até onde vale a pena, sinceramente.

Abçs
Rita

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 22:52



Comentário de: Arthur

Conexão repórter do SBT da semana passada. Meia hora só sobre racismo. Os comentários são dignos de nota.

http://www.youtube.com/watch?v=cxqa8t_Zp9k

PermalinkPermalink 07.06.11 @ 02:08



Comentário de: Paula · http://www.paulaberbert.com

posso dizer que te amo? de novo?

PermalinkPermalink 07.06.11 @ 03:10



Comentário de: Alessandra

"uma pessoa fazer um comentario numa mesa de bar e vc ir lá cutucar, corrigir e dizer o que ela deveria realmente pensar se quiser ser uma pessoa boa e iluminada como vc."

Não vejo em que dizer "não concordo" em resposta a um comentário que você considera idiota é cagação de regra. É isso que se faz em roda de amigos: a gente conversa. Não vejo o mínimo sentido em ficar quieto em uma situação que só faz sentido por causa dessa troca. A menos, claro, que não sejam tão amigos assim, que você goste da pessoa só mais ou menos.

"Podemos escolher sim. Por exemplo, os membros da minha família eu vejo quando eu quero, quando eu tenho saco e disposição. (E, se vc mora com eles, é uma boa motivação pra pular fora.)"

Você acha normal eu, por exemplo, evitar a minha avó ou recusar quase todos os convites do meu cunhado para não ter que ouvir coisas absurdas (e digo absurdas no sentido de "discordo tão completamente que não repetiria essa opinião nem ironicamente)? Se sim... que triste. Triste mesmo, muito muito. Largar pelo caminho as pessoas que eu mais amo, que mais me amam e se importam comigo, que me conhecem do avesso, porque uma opinião delas me parece repulsiva? Opiniões que, na grande maioria das vezes, não marcam essas pessoas como seres humanos horríveis, mas só como produtos do seu meio e tempo que não pararam para refletir de verdade sobre aquela questão? E tudo para que eu não tenha que sentir o desconforto dessa dissonância? Puxa Alex, acho isso uma forma de desapego infinitamente triste.

PermalinkPermalink 07.06.11 @ 11:54



Comentário de: Roger Moreira

Sabe, costumo dizer coisas como "prefiro ter um filho gay a ter um filho crente". Meu público para essa frase é o religioso. Faço para sacanear. É de próposito, pois sei que é a heresia que dói mais aos ouvidos deles. Eles é que não conceberiam alguém ver o fato de ser crente como mais abominável do que a maior das abominações concebidas por eles mesmos.
Depois, o sujeito vai querer explicações, claro. Então, generosamente, dou a real razão da provocação, emendando com outra frase do tipo "é que pra mim, burrice é ofensa pessoal".
Bom, por qual razão estou dizendo isso? É que, para mim, o maior desafio que tenho enfrentado é esse. Conseguir não me incomodar com aquilo que eu considero ser a burrice alheia. Conseguir não ter essa reação acima. Conseguir não provocar. Não atacar. Não dar seguimento. Não julgar e presumir nada. Não passar esse ridículo (pra mim mesmo) de dar alguma resposta. Qualquer resposta.

PermalinkPermalink 07.06.11 @ 20:05



Comentário de: Alessandro

Então Roger, perceba que a sua frase é preconceituosa contra os crentes.

Substitua "gay" e "crente" por quaisquer outros grupos (ateus, judeus, negros, nerds, gordos, budistas, nazistas), e verá que sempre haverá alguém para defender e alguém para atacar um grupo.

Será que existe uma verdade universal, que colocaria os gays no lado certo, e os crentes no lado errado? E quem decide isso?

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 00:27



Comentário de: Roger Moreira

É claro que é. Aliás, sou razoavelmente preconceituoso. Daí meu último parágrafo.

PermalinkPermalink 08.06.11 @ 22:57



Comentário de: Talita

Olha só, hoje mesmo eu e minha irmã estávamos discutindo a questão de ter filhos gays ou crentes.

Quer dizer, filho você teoricamente ama incondicionalmente. E claro que você cria achando que ele vai sair uma pessoa boa, e no nosso caso, inteligente, tolerante, mente aberta, quase com certeza nerd. Mas o fruto pode cair bem longe da árvore, e mesmo sendo pessoas (assim tentamos) liberais e tolerantes, o que a gente faria se um dia descobríssemos que ele virou testemunha de jeová (o problema é a pregação, não necessariamente a religião), ou algo mais raro e mais intolerante, nazista? A primeira reação da minha irmã foi: "Ah, mas isso não ia acontecer" Mas pode, ué. Vai ver a nossa liberalidade possa causar insegurança numa criança, que busca uma figura de autoridade fora de casa, e essa figura tem visões conservadoras e radicais que são passadas para ela. Vai ver, vai ver.

Eu não tenho nada pessoal contra crentes, contanto que a gente não fique discutindo deus ou o universo. A maior parte é tão boa quanto o resto do mundo. Mas se meu filho for criacionista, eu vou chorar.

Mudando de tópico (e ao mesmo tempo não, já que é sobre abrir mão da família):

Eu concordo com a Alessandra sobre o desapego infinitamente triste. Tem tios com os quais eu não discuto mais, mas sempre que ouço as barbaridades faço questão de sacudir a cabeça. Mas são meus tios, a gente tem um monte de outras coisas em comum (além das regras de baralho). O que eu faço é simplesmente evitar os tópicos chocantes, exceto na primeira vez que surgem (uhu pra slut walk!).

E quanto à questão de qual é o "mundo certo"? Eu acredito que um mundo mais tolerante é sempre, sempre mais certo. Mais certo até que um mundo sem criacionistas. Acho lindo que os criacionistas possam existir no meu mundo, e acho triste que alguns deles achem que quem não acredita no que eles acreditam não deve ter os mesmos direitos que eles. Acho incrível que possam existir nazistas - e incrivelmente decepcionante que eles existam de fato. Porque, por eles, muitos tipos de pessoas não existiriam. Não dá para dizer que existe um mundo ideal, mas tem alguns mundos um pouquinho mais justos que eu não consigo não defender.

PermalinkPermalink 17.06.11 @ 02:00



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