Desafio do Vinho

Durante uma conversa no brunch do Commanders's Palace (talvez o melhor restaurante do mundo), Fernando e eu começamos a discutir sobre como a língua é insuficiente para descrever paladar. Ou seja, se nos derem quatro garrafas de vinho, conseguimos descrever visualmente a aparência delas de maneira bem precisa. Mas, se tentarmos descrever o sabor ou o cheiro do vinho, a língua simplesmente não dá conta: caímos naquela terminologia enóloga meio ridícula que, no fundo no fundo, não quer dizer nada. De que adianta dizer "notas de frutas vermelhas" se todos sabemos que ali só tem uva?!

Até aí, Fernando e eu concordamos.

Mas ele diz que nosso próprio paladar só vai tão longe: que os enólogos metidos a besta estão blefando quando distinguem vinhos tão semelhantes. E eu disse que não: o nosso paladar de fato distingue diferenças mínimas; nossa língua é que não tem, por razões culturais e históricas, o vocabulário necessário pra descrever essas diferenças.

Então, combinamos comprar quatro vinhos de quatro vinícolas diferentes -- mas da mesma uva da mesma região da mesma época: Cabernet Sauvignon na Califórnia, entre 2007 e 2009. E eu, que não me considero enólogo nem alego ter o paladar melhor que ninguém, vou diferenciar entre os quatro vinhos. (Os outros roommates também vão participar.)

O objetivo não é provar se tenho ou não um super-paladar (não tenho!) ou mesmo descrever o sabor dos vinhos (já concordamos que a língua não permite!) mas simplesmente se existe mesmo uma diferença perceptível entre vinhos tão parecidos.

Enfim, o objetivo verdadeiro é tomar um porre de vinho.

1001 Vinhos para Beber Antes de Morrer

 

28.05.11


Categorias: Culinária


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Comentários:


Comentário de: Eric Costa

Um artigo de um de meus sites favoritos: http://www.cracked.com/article_18380_the-6-most-statistically-full-shit-professions.html

Observar o item #5...

PermalinkPermalink 28.05.11 @ 21:48



Comentário de: Rafa

Troque a palavra "vinho" por "música". O problema é rigorosamente o mesmo!

(comentario offtopic, admito, mas um músico frustrado nao poderia perder essa oportunidade de impar de desabafar)

PermalinkPermalink 29.05.11 @ 02:43



Comentário de: LFS

Acho que está sendo desconsiderado na sua análise o processo produtivo e o armazenamento, que podem variar bastante de um produtor para outro e até mesmo de um ano para outro. Não sou especialista, mas fiz uma visita a algumas vinícolas no RS a alguns anos onde foi explicado, entre outras coisas, que a variação do tipo de madeira do tonel onde o vinho é armazenado, madeira essa importada, influiria bastante no sabor do mesmo. Pode ser até conversa dos caras, mas a primeira vista parece ter lógica.

PermalinkPermalink 29.05.11 @ 08:58



Comentário de: Luciana · http://borboletasnosolhos.blogspot.com/

Pelo bem da ciência, da linguística (ora, a quem quero enganar, pelo meu próprio bem) acho que vou inspirar-me e realziar desafio semelhante por aqui...O mundo precisa de conhecimentos válidos ;-)

PermalinkPermalink 29.05.11 @ 10:08



Comentário de: Glauber

Estamos ansiosos aguardando os resultados da pesquisa

PermalinkPermalink 29.05.11 @ 12:53



Comentário de: Fernando Serboncini · http://fserb.com.br

Ia entrar aqui só pra reclamar que não tinha ninguém pedindo os resultados, mas o Glauber já pediu.

Então, Alex, conta pra gente como foi o resultado do experimento?

PermalinkPermalink 29.05.11 @ 19:49



Comentário de: Alessandra

Um artigo que talvez te interesse:

"I was definitely told, though, that the folks at Davis poured wine that was at room temperature into black glasses—thus removing the temperature and color cues that are a large part of what people assume is taste—and that the tasters often couldn’t tell red wine from white.!"

Daqui: http://www.newyorker.com/archive/2002/08/19/020819fa_fact

PermalinkPermalink 30.05.11 @ 00:36



Comentário de: Pedro

Vinho é bom demais. Qualquer dia faço um experimento desses com meus amigos pra ver se a gente consegue encontrar notas de orvalho-colhido-em-campos-de-centeio-na-manhã-de-natal.

PermalinkPermalink 30.05.11 @ 07:58



Comentário de: Fabio R.

Tenho a convicção de que só há uma forma de entender de vinho: bebendo. e, quanto mais uma pessoa entende de vinho, menos tenta descrevê-lo. O chato do vinho é que, quanto mais se bebe, mais caros se tornam os vinhos. Pra quem bebe vinho de 30 reais, não acho que haja muita diferença entre vinhos de 200 e de 500 reais. Mas há entre vinhos de 50 e 100 reais. Porém, depois de certo tempo de uma prática saudável, a pessoa começa a enjoar, achar pouca graça dos de 30, passando a investir mais. E assim, vamos trabalhar para comprar vinhos mais caros, tornando-nos assim seus escravos...

PermalinkPermalink 30.05.11 @ 16:13



Comentário de: Nelson Sant'Ana · http://www.minhaterrasemlei.blogspot.com

Não entendo nada de vinhos. Para mim a regra é simples, me fez feliz, é gostoso. Mas que isso ta pedindo demais.

PermalinkPermalink 30.05.11 @ 23:08



Comentário de: marcos nunes · http://rachelsnunes.blogspot.com

Duas diferenças básicas: aqueles que gostamos de beber versus aqueles que não gostamos de beber. Estes últimos possuem milhares de sabores desagradáveis diferentes. Os primeiros, milhões de sabores agradáveis diferentes. Bebendo os últimos, nos resta curtir o momento (que é ótimo) e lamentar o fim (que é péssimo mas há de chegar, e não adianta pedir mais uma garrafa, porque a embriaguez elimina o paladar, o bom gosto, e fluidez do momento, a porra toda).

PermalinkPermalink 06.06.11 @ 10:44



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