Durante uma conversa no brunch do Commanders's Palace (talvez o melhor restaurante do mundo), Fernando e eu começamos a discutir sobre como a língua é insuficiente para descrever paladar. Ou seja, se nos derem quatro garrafas de vinho, conseguimos descrever visualmente a aparência delas de maneira bem precisa. Mas, se tentarmos descrever o sabor ou o cheiro do vinho, a língua simplesmente não dá conta: caímos naquela terminologia enóloga meio ridícula que, no fundo no fundo, não quer dizer nada. De que adianta dizer "notas de frutas vermelhas" se todos sabemos que ali só tem uva?!
Até aí, Fernando e eu concordamos.
Mas ele diz que nosso próprio paladar só vai tão longe: que os enólogos metidos a besta estão blefando quando distinguem vinhos tão semelhantes. E eu disse que não: o nosso paladar de fato distingue diferenças mínimas; nossa língua é que não tem, por razões culturais e históricas, o vocabulário necessário pra descrever essas diferenças.
Então, combinamos comprar quatro vinhos de quatro vinícolas diferentes -- mas da mesma uva da mesma região da mesma época: Cabernet Sauvignon na Califórnia, entre 2007 e 2009. E eu, que não me considero enólogo nem alego ter o paladar melhor que ninguém, vou diferenciar entre os quatro vinhos. (Os outros roommates também vão participar.)
O objetivo não é provar se tenho ou não um super-paladar (não tenho!) ou mesmo descrever o sabor dos vinhos (já concordamos que a língua não permite!) mas simplesmente se existe mesmo uma diferença perceptível entre vinhos tão parecidos.
Enfim, o objetivo verdadeiro é tomar um porre de vinho.
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