Mantenho esse blog, há 8 anos, por dois motivos básicos:
- Pra ganhar dinheiro, seja vendendo meus livros, ou de comissão do Submarino;
- Pra ouvir o que vocês tem a dizer sobre meus textos, para dialogar e conhecer gente interessante.
Talvez os blogs estejam mesmo acabando. Talvez não seja a toa que tanta gente da minha geração anda implodindo seus blogs. Porque, ó, vou confessar:
Tá perdendo a graça.
Eu explico. Em primeiro lugar, o Submarino, que durante anos e anos me rendeu R$400 mensais, com picos de mil e tantos aqui e ali, agora não dá nem R$200 nos meses bons. Os meus próprios livros eu ainda vendo, mas é pingadinho. E não, o número de visitas não está caindo, mas se mantém estável em uns 3 mil visitantes/dia há vários anos.
Mas o pior mesmo é a falta de comentários.
Vejo pessoas comentando meus textos no GoogleReader, no Facebook, no Twitter - mas não aqui. Entendo bem o fenômeno, mas queria dar o seguinte recado aos leitores fiéis, aos leitores que gostam do blog e gostariam que ele continuasse, aos leitores que ontem lamentaram o fim do blog do Rafael Galvão, do Idelber, do Hermenauta:
Cada vez que vocês fazem, no GoogleReader, no Facebook, no Twitter, etc, um comentário que poderiam ter feito aqui, vocês estão matando o LLL um pouquinho também.
Todos tem o direito soberano de ler e de não comentar, ou de ler e comentar em outro lugar. Eu agradeço a leitura mesmo assim. Mas só dou esse aviso porque imagino que uma grande maioria não entende o efeito que isso tem no blogueiro.
Não é nem que faltam comentários. O LLL sempre foi pára-raio de maluco e eles continuam chegando. Não dou papo (porque não vou dialogar com gente grossa, reacionária, que não assina o nome, etc) mas leio e me divirto: não me incomodam em nada.
O que me incomoda são os malucos estarem falando sozinhos.
O que me despilha são os amigos, os colegas, os interlocutores, os que poderiam estar criando um diálogo fecundo, lerem calados ou só comentarem no GoogleReader.
Se esse brinquedo já não gera grana, já não gera feedback, já não gera amizades interessantes, talvez ele tenha mesmo cumprido sua função histórica e seja hora de fechar a lojinha, apagar a luz (sobrou mais alguém da "minha geração"?) e ir tocar a vida.
* * *
Pré-FAQ dos comentários
Porra, Alex, não te ocorre que isso tá acontecendo porque vc é mala, chato, feio, bobo, não escreve bem? Tá cheio de blog bombando por aí, sua besta!
*suspiro* Estão vendo do que estou falando? Esses comentários me divertem, mas se forem TODOS assim, a brincadeira perde a razão de ser. Os malucos vão deixar uma série de comentários grosseiros, mas eu não vou nem responder: não é com eles que estou falando.
É com você, meu leitor não-maluco. Esse texto é só pra você. Deixa os cães ladrarem.
* * *
Atualização
Muita gente está perguntando:
Mas qual é o problema de comentar no Facebook/GoogleReader/Twitter?
Ué, gente, problema nenhum. Mas são duas ações radicalmente diferentes.
Se você comenta no próprio blog, você está falando e interagindo com o próprio blogueiro, dizendo para ele o que você achou do texto dele.
Se você comenta no Facebook/GoogleReader/Twitter, você está falando e interagindo com SEUS próprios amigos, dizendo para ELES o que você achou do texto desse blogueiro - que, muito provavelmente, não vai nunca saber o que você disse.
Os dois métodos tem lá suas vantagens. Eu já fiz comentários no GoogleReader que jamais faria no próprio blog da pessoa, por exemplo.
Mas se vocês tem algum interesse em manter o blogueiro feliz, realizado e escrevendo sempre mais (o que vocês não tem obrigação nenhuma de fazer, claro), recomendo que comentem nos próprios blogs.
Ou então não reclamem quando um blogueiro depois do outro cansar de seus blogs e forem fechando-os um por um.
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Mas qual é o problema de comentar no Facebook/GoogleReader/Twitter?
minha timidez vai dar um tempo, e eu vou dizer bem alto o teu nome quando te ver andar com Oliver pela Lapa. Vou me identificar e marcar um jantar no Souza com os meus melhores amigos e articuladores... Quero ver vc recusar!!!