Liberdade de Expressão

Teoricamente, a liberdade de expressão em uma sociedade pode funcionar das seguintes maneiras:

1) O conteúdo literário, jornalístico, dramático é submetido à censura prévia e só pode ser divulgado se autorizado.

2) Cada cidadão pode falar o que quiser, mas tem que responder legalmente por suas palavras - especialmente em casos de calúnia, injúria, difamação.

3) Todos podem falar o que quiserem (inclusive caluniar, injuriar, difamar uns aos outros) sem medo de processo judicial, pois a liberdade de expressão é absoluta.

Dado que o primeiro é terrível e o terceiro, inviável, sobramos mesmo com o segundo - mais ou menos alguns ajustes.

* * *

Realmente, deve estar havendo algum mal-entendido no texto anterior, "Humor, Censura e Politicamente Correto", pois não estou entendendo o povo que reclama da segunda opção. Se vocês são contra as pessoas falarem o que quiserem e poderem ser processadas judicialmente por suas palavras... Então, vocês são a favor do quê? O que propõem? Que todo mundo fale tudo o que quer e pronto, sem limites, sem precisar comprovar suas acusações? Ou são a favor da censura prévia? Por favor, expliquem.

* * *

 Liberdade de Expressão e Discurso do Ódio  Liberdade de Expressão e Pluralismo: Perspectivas de Regulação

Pessoalmente, sou contra qualquer limite prévio governamental à liberdade de expressão.

Acho que a lei deveria sempre errar em prol da maior liberdade de expressão - no Brasil, país sem tradição histórica de liberdade de expressão, os juízes consistentemente erram em prol de MENOR liberdade de expressão, como nos casos da biografia do Roberto Carlos escrita por Paulo Roberto Araújo e da prisão do editor de livros nazista Siegfried Ellwanger Castan. (Perdão ao Paulo por mencionar a ele e ao Castan na mesma frase.)

Sou contra as leis de injúria e difamação - por considerar que não deveria ser crime divulgar informações injuriosas ou difamantes se ela forem comprovadamente verdadeiras. (Tira-dúvida: diferença entre calúnia, injúria, difamação.)

Sou especificamente contra as modificações de 1997 à lei 7.716, transformando-a em lei 9.459. Com exceção de conteúdo que incite à violência IMEDIATA (como gritar "fogo" em cinema lotado ou atiçar uma multidão a matar alguém AGORA), sou terminantemente contra qualquer lei que regule o discurso e o pensamento -- leis deveriam regular AÇÕES. Outros problemas dos acréscimos de 1997 a essa lei (a lei original é linda) são 1) colocar as ofensas raciais em patamar diferente das outras ofensas e 2) proibir especificamente a fabricação de símbolos nazistas.

(Você me pergunta: "pôxa, Alex, você é a favor de textos incitando a violência?" Sim, claro. Esse meu texto, por exemplo, pode ser qualificado como "incitação à violência". Muitos textos anarquistas, marxistas, comunistas, revolucionários, etc, pregando a mudança da ordem social, também poderiam ser classificados assim.)

Não vou defender aqui minhas credenciais anti-racistas (ver minha série Raça) mas a proibição prévia de certos conteúdos e objetos, e a tipificação legal de um insulto específico como pior que outros, me parecem aberrações jurídicas e filosóficas que não deveriam existir na lei.

O Estado não pode definir previamente quais opiniões quais legítimas de se ter, quais livros são legítimos de publicar. Eu não delego esse direito ao Estado. Não permito. É odioso. Quem é o Estado pra decidir isso por mim?

(A discussão do Monteiro Lobato é sobre quais conteúdos são adequados para se ensinar em sala de aula para crianças pequenas -- NÃO, ao contrário do que dizem os alucinados da direita, sobre queimar ou censurar o Lobato. Na pior das hipóteses, algumas pessoas propõem, eu inclusive, produzir edições alternativas para crianças SEM o conteúdo racista, como já existem trocentas edições infantis de tantos clássicos, adaptações essas cujo objetivo sempre é a extração de conteúdo que seria polêmico ou perturbador para alunos de determinadas faixas etárias. Busquem por Moby Dick ou Dom Quixote no Submarino e vão ver que a maioria das ocorrências é de adaptações infantis ou juvenis - e o fato de elas existirem não impede, queima, censura, restringe, etc, a circulação da versão original integral. Enfim, essa discussão está aqui: se tem algo a dizer, comente lá.)

(O texto continua abaixo da imagem.)
 Ironia da Liberdade de Expressão, A

Conteúdos racistas e nazistas são odiosos e desagradáveis -- mas a essência da liberdade de expressão é aprender a conviver com conteúdos odiosos ou desagradáveis. O que para mim é bom-senso auto-evidente pode ser o conteúdo odioso e desagradável de outra pessoa. Mas ninguém tem o direito de não ser ofendido.

A minha liberdade de achar que "religiosos são burrinhos" tem um preço: aceitar que existe gente que acha que negros são burrinhos, que gays são promíscuos, que ateus são imorais, etc; e, mais ainda, que devem poder verbalizar essas opiniões imbecis, desagradáveis e odiosas sem medo de serem presos.

Sou historiador. Não faz muito tempo, outros governos também definiam previamente quais opiniões eram legais e quais eram ilegais. E as minhas davam fogueira.

* * *

Pra encerrar, não podemos esquecer nunca a função social mais importante da liberdade de expressão: sem ela, como saberíamos quem são os idiotas?

* * *

Atualização

Camila leu o texto aqui do meu lado e disse que, para ela, a coisa não era tão simples como eu fazia parecer.

Então, for the record, deixa eu afirmar: não tem nada de simples nessa história. Poucas questões podem ser mais polêmicas, complexas, subjetivas do que essa. O discurso odioso nos ofende e nos ameaça em diversos níveis. A decisão, que temos que tomar enquanto sociedade, sobre como lidar com esse discurso é das coisas mais difíceis que podemos nos propor a fazer.

Mas não dá pra fugir dessa briga. Que o diga a nova discussão em torno da lei anti-homofobia.

* * *

Outros textos relacionados:
- A Função Social da Liberdade de Expressão
- O Racismo de Monteiro Lobato
- Lá Se Foram os Negrinhos - Politicamente Correto e Liberdade
- Sem a Discussão sobre as Cotas, Como Saberíamos Quem São os Racistas?
- Ninguém Tem o Direito de Não Ser Ofendido

* * *

Racismo LLLlista comentada dos meus melhores textos sobre racismo.

* * *

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11.05.11


Categorias: Política


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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

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Comentários:


Comentário de: Harry

Alex,

Situação problema 1, a) e b):

Em um show musical, uma banda começa a tocar uma música de conteúdo homofóbico.

a) O Estado, que está representado no evento por algum procurador (ou algo assim) manda imediatamente interromper a execução da música.

b) A empresa que produz o evento corta o sinal de som da banda e impede a continuação do show.

E aí?

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 12:19



Comentário de: Alex Castro Email

Harry,

Nao ficou claro. Essas coisas acontecem ao mesmo tempo? É pra se escolher uma ou outra? É pra escolher o que? O que vc está querendo dizer?

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 12:24



Comentário de: Eric Costa

Harry,

Antes de tudo, não é crime (por incrível que pareça) a discriminação com base em orientação sexual (veja a Lei 7.716/89, a chamada Lei de Racismo, "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional").

Mesmo se fosse, a providência correta do sujeito seria dar "voz de prisão" a quem estivesse incitando, pela música, tal preconceito (se fosse o caso). Ou seja, os cantores seriam presos, em princípio.

Ainda assim, há uma discussão séria sobre a legalidade do caput do artigo 20 da citada lei:
"Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional."

Ao contrário dos outros crimes descritos, essa modalidade é muito aberta, ferindo o princípio da taxatividade dos crimes, que exige uma descrição clara do que é um tipo penal. Tanto que, em muitos casos, é aplicado o crime de injúria qualificada pelo preconceito em vez de racismo.

Um comentário final: há um medo justificado, por quem não costuma trafegar pelas varas criminais como réu, de processos penais. Por isso, quando uma figura de autoridade ameaça alguém com a imputação de um crime, obedece-se. Não por acreditar que se praticou um crime, mas pelo medo do processo em si que, mesmo que resulte em absolvição, mancha a vida do sujeito para sempre (recomendação - livrinho do Carnelutti: Misérias do Processo Penal)

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 12:46



Comentário de: Tiago Lorenzo

Pronto Alex.

No meu modo de ver, esse texto está bem mais "completo" que o anterior.

Essa parte aqui:

"Sou contra as leis de injúria e difamação - por considerar que não deveria ser crime divulgar informações injuriosas ou difamantes se elaS forem comprovadamente verdadeiras."

É o que eu disse antes e assino embaixo.

Então, não é que eu ache que a melhor síntese democrática seja sua opção 3. Acho que sim, da mesma forma como você coloca aqui, é a opção 2 com ajustes.
(E até concordo com os outros ajustes propostos que você cita aqui e eu não citei lá.)

Mas, como no Brasil não há esses ajustes e ainda vivemos num país onde injúria e "calúnia verdadeira" são tipificadas como crime, quis chamar a atenção que, dentro dessa perspectiva, é preciso tomar cuidado com certa "cultura jurídica" de se condenar certas opiniões.
Quis chamar a atenção que esta suposta cultura política poderia se tornar sim, uma ameaça à liberade de expressão.

Mas não acho que o caso seja grave no Brasil. Você citou algumas situações problemáticas acontecidas e devem haver outras. Mas acho que na maior parte das vezes caminhamos sem maiores absurdos.

Mas é preciso estar atento.



PermalinkPermalink 11.05.11 @ 13:16



Comentário de: Marcelo Camanho

Eu perdendo tempo comentando no post anterior, e o Alex vai e diz exatamente o que eu queria dizer. Assino embaixo.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 13:23



Comentário de: Tiago Lorenzo

Uma dúvida:

"Sou contra as leis de injúria e difamação - por considerar que não deveria ser crime divulgar informações injuriosas ou difamantes se elaS forem comprovadamente verdadeiras."

Ficou meio dúbio.

Eu sou contra as leis de injúria em qualquer caso, seja ela verdadeira ou não.
E contra a lei de difamação somente se ela for verdadeira.

Foi o que você disse?

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 13:25



Comentário de: Harry

Quis saber sua opinião nas duas hipóteses. Não é pra escolher. Supondo que a) aconteceu no Amapá e b) no Mato Grosso, por exemplo.

Eu acho que em b) o produtor do evento tem todo o direito de interromper algum show, pelo motivo que ele achar justo.

Já no caso a) eu não sei o que pensar.
Por exemplo quando o Planet Hemp foi preso no meio de um show por incitação ao consumo de drogas, e foram impedidos de continuar a apresentação.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 13:33



Comentário de: Rodrigo

Bom, também acho que não é tão simples assim. Concordo com a ideia de que ninguém deve estar imune a ser ofendido. Mas essa ofensa pode ser assustadora. Imagine um gay completamente afetado passeando nos arredores da Paulista quando passa próximo a um grupo de pessoas que começam a ofende-lo, não agridem, mas ofendem sem parar. Por mais que a bichinha tenha auto-estima e blá blá blá, a possibilidade dele ficar assustado ou com medo de levar uma surra será muito alta. A possibilidade de que ele não queira passar mais por ali por medo de agressão é alta. Então, em nome de uma pseudo liberdade de expressão, exclui-se a liberdade de ir e vir do outro cidadão. Como lidar? Qual das duas liberdades é maior? Por que defender uma liberdade de expressão que além de não acrescentar nada a sociedade ainda tira a liberdade de alguém?

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 13:43



Comentário de: Tiago Lorenzo

Isso que você descreveu pode ser entendido como ameaça, assédio moral, entre outras coisas.
Coisas assim continuariam sendo crimes.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 14:25



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

Ae, Alex

Acho que o desenvolvimento do tema foi bastante válido. Acho que é mesmo importante termos essa e outras discussões permeando a sociedade. Acho que agora eu entendi um pouco mais o que voce pensa a respeito e concordei com voce, desta vez, totalemente.

Pra mim, filosoficamente, isso é o que importa, por exemplo, num candidato a mandatos eletivos; as opiniões a respeito destes temas espinhosos. Liberdade de expressão, drogas, aborto, etc. Mas isso, definitivamente, é tema pra outro momento.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 14:53



Comentário de: Ewerton Monteiro

Não acho que a liberdade de expressão possa ter a amplitude que pretendes passar ou que achas que ela deve ter...

O direito de falar o que pensa não pode ser equivalente ao direito das pessoas à dignidade, ao respeito, a serem todas cidadãs, dizer qualquer barbaridade não é um direito...

Não posso aceitar que a liberdade de expressão direito tão caro a sociedade brasileira, tão custoso possa passar a ser o direito de defender que um determinado grupo seja inferior, diminuto, promíscuo, sujo, execrado, torturado, linchado...

Determinadas opiniões e declarações incitam ao ódio.Geram agressões e exclusões. E simplesmente o ofendido recorrer à justiça, não lhe traz solução e se lhe trás a solução pessoal e imediata não o faz com os efeitos mediatos, o que pode causar danos irreparáveis a determinados grupos.

Esse direito mesmo para um "parlamentar" que goza de imunidade, não pode ser ilimitado... Por exemplo, as reações às declarações do Dep. Bolsonaro, não podem ser comparadas a censura ou patrulha, para quem viveu de fato a censura chega a ser uma imbecilidade comparação do tipo.

Penso como Renato Francisquini:

"A liberdade de expressão está comumente associada à busca da verdade, à auto-expressão individual, ao bom funcionamento da democracia e a um equilíbrio entre estabilidade e mudança social."

A liberdade de expressão e o direito de opinar possuem dimensões na forma de defesa dos cidadãos contra arbítrios intervencionistas do Estado, como dimensões ofensivas de intervenções do próprio Estado para garantir a liberdade. Ter o direito de expor opiniões falsas e caluniosas, como também o de ofender e incitar ao ódio e a crimes não é direito de ninguém.

Ter opiniões também implica em ter responsabilidades...

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 00:52



Comentário de: Rogério Santos

Eu não acho que nazista deve ter direito a liberdade de expressão coisa nenhuma. Pois nas oportunidades em que os nazistas estiveram no poder, eles não deram liberdade de expressão a ninguém - exceto os seus cupinchas, é claro. Quem não cantou a música que eles gostavam de ouvir foi parar nós sabemos muito bem onde.

Se eles calariam a minha boca na marra se estivessem no poder, eu sou a favor de fazer a mesma coisa com eles também. Ou para de pregar o ódio e incitar a violência, ou será proibido de falar.

E podem me chamar do que quiserem. Podem dizer que eu estou defendendo a lei do talião, pois eu não estou nem aí. Para mim, isso é nada mais do que o princípio da reciprocidade.

Eu não sou complacente com quem não é complacente comigo.

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 02:55



Comentário de: Harry

Tô te mandando este link por aqui pq vc não tem mais rede social:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-propaganda-da-bombril-que-ofende-os-homens.html

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 10:12



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

Rogerio,

Vamos ver se eu entendi; "Se eles calariam a minha boca na marra se estivessem no poder, eu sou a favor de fazer a mesma coisa com eles também. Ou para de pregar o ódio e incitar a violência, ou será proibido de falar."

Entao quem esta no poder determina quem deve ser calado, é isso? Assim voce se iguala ao que voce repudia.

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 14:41



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Acaba sempre em uma versao do 2 mas o problema eh na implementacao. Um pais aonde um twit pode causar esse tipo de reacao esta basicamente indo para o 1, rapido:

http://ow.ly/4TgA0

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 15:19



Comentário de: aiaiai

É, o pessoal do cqc só quer zoar...eles zoam com todo mundo. Olha o que tuitaram hoje:



“@DaniloGentili: Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez q chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz.”


estão apenas exercitando a liberdade de expressão. Bacana isso, né?

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 16:12



Comentário de: Roger Moreira

As definições de calúnia, injúria e difamação do link estão meio tortas.
Calúnia é simples, é acusar alguém de crime que não cometeu.
Agora, injúria, é ataque verbal, como te chamar de cachorro safado, por exemplo. Existe, ainda, a injúria real, que é te agredir fisicamente, mas sem ferir. Por exemplo cuspir na sua cara, pois não causa lesão corporal.
Difamação é falar mal mesmo.
Agora, verdade das verdades, isso acontece todo dia. Mas só uma infima parte chega a virar processo. Desses a maioria termina em retratação ou pena quase simbólica, como doação de cesta básica.
A coisa só pega mesmo quando tem possibilidade de grana à vista, mas aí o sujeito está menos interessado no resultado penal e sim na famosa ação çpor danos morais.

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 19:25



Comentário de: Feranndo

http://entretenimento.r7.com/blogs/fabiola-reipert/2011/05/12/band-diz-que-repudia-atitude-de-gentili/

"A Band está indignada com o fato de Danilo Gentili ter feito comentários polêmicos no Twitter sobre os judeus.

"A emisssora diz que está totalmente contra a atitude do humorista.

"E ainda deixa claro que não tem nada a ver com o que Gentili fala, pois a opinião dele não foi dada em nenhum programa da Band, mas preferiu se manifestar para demonstrar seu descontentamento.

"Em nota oficial, a Band afirma que repudia esse tipo de brincadeira de mau gosto e que se solidariza com os protestos e com a comunidade judaica.

"Danilo Gentili pediu desculpas no Twitter, tentando apagar o incêndio.

"- Minha intenção como comediante nunca foi trazer nenhum outro sentimento ao público que não fosse alegria. Peço perdão se falhei nesse meu objetivo com a piada que fiz essa tarde. Me coloco à disposição da comunidade judaica para me redimir."

Mas a band não diz nada sobre a piada de estupro do Rafinha Bostas. Mais uma vez o machismo é negado, é coisa da nossa cabeça. Danilo mexeu justamente com um grupo marcado pela sua luta ferrenha contra discriminação, grupo esse cujos representantes engrossam a elite paulistana que apoia as outras piadas politicamente imbecis dos "humoristas transgressores" do CQC. Grupo esse que possui membros que se associam aos empregadores do Danilo.

Abomino as duas "piadas", as duas são abomináveis na mesma medida. Mas fico muito interessado no fato de que só o grupo com dinheiro e status dentro da elite paulistana conseguiu um pedido de desculpas.

PermalinkPermalink 13.05.11 @ 11:15



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Eh incrivel como o Brasil so importa as bobagens aqui dos EUA... Eu nao vejo nada demais na piada desses caras do CQC (que eu nao conheco mas assumo ser um programa de humor).

Aqui nos EUA vc tem esse impulso de politicamente correto mas pelo menos na grande maioria a coisa nao foi criminalizada. Vc chama um negao de niger e pode levar uma porrada mas nao vai para cadeia. Ou vc pode ate ser um Reverend Wright e dizer que os judeus foram culpados por 9/11.

Enfim, o Brasil so fica pior. Incrivel.

PermalinkPermalink 13.05.11 @ 11:55



Comentário de: Fabio

Olha essa entrevista do Frank Zappa, Alex. Toca bastante nesse assunto. Abraços.

http://www.youtube.com/watch?v=8ISil7IHzxc&feature=related

PermalinkPermalink 16.05.11 @ 09:35



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Poucas vezes vi vc falando tão claro. Total apoio.

PermalinkPermalink 18.05.11 @ 22:09



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

O texto é maravilhoso, como de costume. Só gostaria de levantar uma coisa:

Sobre o segundo ponto de como pode funcionar a liberdade de expressão em um país: "2) Cada cidadão pode falar o que quiser, mas tem que responder legalmente por suas palavras - especialmente em casos de calúnia, injúria, difamação.".

O grande problema disso é que você estabelece que uma classe pode falar e calar à vontade. Quem pode pagar bons advogados fala o que quer e censura o que não quer que seja divulgado. Cito o caso do Roberto Carlos ou a Folha de São Paulo com o pessoal que fez o site Falha de São Paulo.

A liberdade de expressão torna-se, então, bastante confortável para alguns e inviável para outros. Não que eu tenha uma alternativa para apresentar, mas acredito que é um ponto que vale ser levantado.


PermalinkPermalink 20.05.11 @ 14:34



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