Humor, Censura & Politicamente Correto

O povo que reclama da "patrulha politicamente correta" não está defendendo a liberdade de expressão: liberdade de expressão é o cara poder fazer piada sobre mulher estuprada e nós podermos criticá-lo por isso. A liberdade que eles querem é a liberdade de falar os maiores absurdos e não serem criticados por isso.

Falar besteira, qualquer criança fala. Adulto é quem sabe que falar significa se abrir para a possibilidade de ouvir a resposta. Adulto é quem entende que ele tem a mesma liberdade de falar que seus críticos tem de criticá-lo.

* * *

[E]sse pessoal que ataca minorias pra fazer piada precisa entender é que eles não estão transgredindo nada. Seus tataravôs já eram racistas, gente. Pode ter certeza que seus tataravôs já comparavam negros com macacos. Aposto como seus tataravôs já faziam gracinhas sobre a sorte que uma moça feia teve em ser estuprada. Vocês não são moderninhos, não são ousados, não são criativos. Vocês estão apenas seguindo uma tradição.

[O humor] não tem que ter limites. O que a gente tem que ter também é uma crítica ilimitada. O humor tem que ser solto como qualquer linguagem humana tem que ser solta e livre, o que a gente tem é que ter o direito de exercer o poder da crítica sobre isso permanentemente. Então você dizer que uma piada é racista, ou sexista, e argumentar nessa direção, não é censurá-la, é exercer seu direito de crítica.

 

10.05.11


Categorias: Política


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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

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Comentários:


Comentário de: Breno Kummel

Pra mim, o problema não é que ele falou de estupro. Ele falou de estupro em um trecho que pretendia ser engraçado mas que passava muito, muito longe disso. Ele fez todo mundo pagar o preço (ouvir uma barbaridade) sem nenhum tipo de recompensa (alguma coisa minimamente engraçada) que seria esperado de alguém da profissão dele.

Para falar de estupro e ser engraçado, o cara tem que ser MESTRE (vide: louis ck, que é dos raros que consegue fazer piadas de estupro), coisa que esse Rafinha não é e provavelmente nunca vai ser.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 10:54



Comentário de: Breno Kummel

Só acho que parte do politicamente correto, no que diz respeito às invenções terminológicas, meio besta. Artificializa a disputa, e entende o ato discursivo de forma muito literal e superficial.

É perfeitamente possível ser racista usando "afro-descendente", tanto que já vi muitas vezes.

Sem contar que essas invenções terminológicas podem muito bem estar a serviço de coisas nada progressivas. A partir de que momento usar "economically underprivileged" não ameniza o problema econômico por trás da condição dele? O termo "post-traumatic stress disorder" não ameniza mais o que aconteceu com ele na guerra do que o termo "shell shocked"(usado na 1a guerra)?

Vale lembrar que o primeiro termo educado para negro foi "moreno", ou melhor "mais moreninho, assim...", como se negro fosse xingamento.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 11:09



Comentário de: Alex Castro Email

Breno,

Vc está confundindo o "politicamente correto", que vc de princípio trata como se fosse um movimento político ou cultural com (presumivelmente) aliados e defensores, com o simples uso de eufemismos - uma figura de linguagem, aliás, quase sempre usada para sinalizar um preconceito que não quer ser articulado. as pessoas chamam "negros" de "morenos" no Brasil há 500 anos. Se você chama isso de ser "politicamente correto", eu diria que temos um entendimento completamente oposto do que seja o politicamente correto. Aliás aliás, definir o politicamente correto de uma maneira útil e significativa é bem dificil, pois o termo 1) acabou virando xingamento e se esvaziou de sentido; e 2) não existe ninguem ou quase ninguem pra bater no peito e se dizer politicamente correto e puxar o movimento pra si e, consequentemente, ajudar a definir a "causa".

por isso, aliás alias alias, eu considero "politicamente correto" um termo que nao ser dizer nada, vazio de significado, complicado, não adiciona nada a nenhuma discussão e só complica. justamente por isso, eu evito usar.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 11:41



Comentário de: Fabio R.

Sou terminantemente contra é a essa expressão que diminui e esvazia, como você disse, algo que é tão caro ao ser humano, a política. Não faz sentido dizer que é "politicamente correto" algo que, na verdade, talvez seja "hipocritamente aceitável" ou "polemicamente neutro". É ridículo. Algo politicamente correto seria algo com reconhecida relevância, a ponto de ser debatido por todos, e que justamente por isso não fosse escondido, mas trazido à tona para que todos possam opinar, quando não exaurir uma discussão.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:23



Comentário de: Mari Biddle · http://www.corpoindisciplinado.blogspot.com/

Piada sobre estupro não tem graça.

Os judeus americanos fazem stand up comédia com fornos crematórios. Eles conseguiram fazer piada disso. Eu vejo uma superação muito grande para eles rirem de algo tão traumatico. Mas são eles FAZENDO a piada. Idem para os negros americanos que fazem piadas ótimas sobre o jeito de ser deles. Isso é hilário.

Estupro nunca vai ser engraçado.

Lembro do cara de Seinfield que fez comentários racistas sobre o comportamento de uns caras que o assistiam. Os caras eram todos negros. O comediante foi banido da midia americana. A carreira dele foi para o lixo.

Simples assim.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:29



Comentário de: aiaiai

Acho que seria bom se o pessoal desse uma lida nesse artigo do Idelber Avelar sobre as origens do politicamente correto. Tá todo mundo fazendo uma confusão danada...


http://migre.me/4usba


PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:33



Comentário de: Tiago Lorenzo

Concordo com você Alex.

Quem fala o que quer, ouve o que não quer.

Mas uma pergunta é: Em que dimensão deve se travar essa disputa? Explico.

Que o movimento venha da "sociedade civíl" e que haja uma forte reação a declarações como a dele eu entendo e apoio.
Mas ele deveria ser processado por isso? (Processado qualquer um pode ser, você pode me processar se eu te chamar de feio e bobo.) Mas o que eu quero saber é:
Você acha que um juiz deveria acatar um processo e proibí-lo de dizer a mesma piada num show futuro? Eu acho que não.

Sim, da mesma forma como ele pode falar besteiras, eu posso criticá-lo de forma voraz. Isso é liberdade de expressão.
Mas no momento em que eu apelo ao Estado para proibí-lo de falar, eu dei um passo a mais, eu estou sim atacando sua liberdade de expressão.

E, bem, eu acho que a idéia de liberdade de expressão só faz sentido se se colocar na equação as idéias mais estapafúrdias, asquerosas e bizarras. Liberdade de expressar só o que eu acho moral não é liberdade de expressão.
Reforço aqui, no entanto: CONCORDO que se ele fala as merdas dele, tem que ouvir de volta. A liberdade é de duas vias.




PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:36



Comentário de: Alex Castro Email

Fabio,

Bem, então nesse caso vc deveria adorar isso que as pessoas chamam de "politicamente correto", pois ele é visto, justamente, como uma ação política sobre o idioma, como uma intervenção política e ideológica e consciente sobre as palavras, como uma tomada de ação por objetivos específicos. E, aliás, desde que começou-se a falar de "politicamente correto", não vi nenhuma discussão se exaurir: pelo contrário, as discussões começaram.

Antes, usavam-se termos racistas, sexistas, etc, de forma natural, nao-consciente, nao problematizadas. Não havia discussão alguma sobre quais palavras usar, se era melhor chamar negro assim ou assado, se os cadeirantes poderiam não gostar de ser chamados de deficientes, se os judeus poderiam se ofender com o verbo judiar, etc.

Veja, eu não estou assumindo lados aqui. Só estou dizendo que seu comentario nao fez sentido, pois a grande consequencia do tal "politicamente correto" foi JUSTAMENTE, longe de exaurir a discussao ou criar hipocrisias, foi trazer à luz as hipocrisias e colocá-las em debate.

Por exemplo, em outras epocas, Dilma seria talvez naturalmente chamada de presidentE, sem discussao e nem debate. Hoje, o próprio uso dessa palavra gerou uma discussão fecunda e interessante - independente do lado que se esteja nessa discussão.

Então, serio, acho q nao entendi direito o que vc falou.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:36



Comentário de: Alex Castro Email

Tiago,

Acredito em liberdade de expressão. Acho que o governo não tem o direito de legislar a língua. Sou contra qualquer tipo de lei que limite a liberdade de expressão. Acho q todos deveriam poder falar o que quiserem e - essa é a parte fundamental - serem responsáveis por suas palavras perante a lei.

Então, eu acho super válido alguém fazer piada de estupro, assim como eu acharia válido (e lindo) que vítimas de estupro se unissem pra processar esse filhodaputa.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:41



Comentário de: Tiago Lorenzo

Bem Alex,

É aqui que discordamos.

Eu acharia lindo que as vítimas de estupro se unissem e esculhambassem ele, fizesse protesto na porta do show, escrevesse condenando em todas as mídias possíveis, etc, etc.

Mas não acharia lindo se processassem.

"Você pode exercer sua liberdade de expressão mas pode ser processado por isso" não me parece liberdade propriamente dita.
É quase como dizer "você pode roubar se quiser, mas será processado por isso".

Se você pode ser processado por fazer piadas sobre estupro, bem, então você não pode fazer piadas sobre estupro. Me parece um contorcionismo afirmar o contrário.



PermalinkPermalink 10.05.11 @ 12:52



Comentário de: Alex Castro Email

Tiago,

Acho q temos um problema de comunicação aqui. Em uma sociedade democrática de direito, qualquer cidadão pode processar um outro por QUALQUER coisa. É nosso direito.

Anti-democrático e tirânico seria o governo decidir a priori que uma pessoa não pode processar outra pelo motivo X ou Y.

Aliás, só existe liberdade de expressão se as pessoas forem responsáveis por suas palavras - e, em uma sociedade de direito regida por leis, a definição de ser "responsável por suas palavras" é justamente defendê-las legalmente caso sejam contestadas judicialmente.

"Você pode exercer sua liberdade de expressão mas pode ser processado por isso" é a DEFINIÇÃO de liberdade de expressão.

Alguém que pode falar o que quiser sem medo algum de sofrer um processo tem nome: ditador, tirano, etc.

Em uma sociedade democrática entre cidadãos com direitos iguais, qualquer cidadão sempre pode ser interpelado, contestado, processado por outro. Ninguém pode querer, pretender, exigir estar acima disso - a não ser que seja o generalíssimo el presidente, claro.

Eu não estou inventando nada: é assim que a liberdade de expressão funciona no mundo todo...

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:00



Comentário de: aiaiai

Trago mais uma questão: e se a gente (q se indignou com a declaração do cara) resolvesse fazer um movimento na internet pedindo os estupradores de plantão que um deles estuprasse a mulher do tal humorista?

Eu acho que seria uma atitude horrível, passível mesmo de processo...mas outros poderiam achar que "não é nada...é apenas uma brincadeira, a gente não quer que ela seja estuprada de verdade".

O que vocês acham?

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:04



Comentário de: Alex

Vou tentar ser mais claro então.

Como eu disse da outra vez:

"Mas ele deveria ser processado por isso? (Processado qualquer um pode ser, você pode me processar se eu te chamar de feio e bobo.) Mas o que eu quero saber é:
Você acha que um juiz deveria acatar um processo e proibí-lo de dizer a mesma piada num show futuro? Eu acho que não."

Então, claro que qualquer um pode processar qualquer outro, reconheço isso.

Mas como um Juiz deveria interpretar isso? Como deveria ser a jurisprudência em relação a um caso como esse?

Eu, Tiago, posso entrar com um processo contra você porque você escreveu no seu blog que me acha um péssimo profissional.
Eu, cidadão, sinto minha honra ofendida e exerço meu direito de te processar. Muito bem, o que você espera que seja uma "boa" decisão desse caso?

Se eu posto no meu blog uma crítica ácida ao PSDB (ou ao PT), faço piada dando a entender que são corruptos, eles também podem me processar.
Mas e aí? Devo mesmo ser punido por isso? Um juiz que pegue esse caso deve me condenar e proibir de escrever e fazer piadas que ofendam a moral dos filiados a tais partidos?

É neste sentido que, não o direito a priori de se processar alguém, mas o RESULTADO do processo, uma certa jurisprudência, pode acabar se tornando por fim, sim, uma ameaça à liberdade de expressão.

Espero que tenha ficado mais claro.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:17



Comentário de: Tiago Lorenzo

Botei o nome "Alex" na minha última postagem, mas sou eu: Tiago Lorenzo.



PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:18



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

Alex, agora quem ficou em duvida fui eu.

Você pode exercer sua liberdade de expressão mas pode ser processado por isso.

Mas a qualquer tempo? Porque foi pessoalmente ofendido? Acho que isso traz implicações maiores:

Ninguém tem o direito de não ser ofendido, eu já li por aqui em algum lugar.

E se eu ofender a sensibilidade de alguem, como numa piada de estupro ou de chuveiro de campo de concentração, ou morte por crucificação ou necrofilia, e esse alguem me processar, nao estaremos banalizando o uso da maquina da justica? (estou certo de que tem um nome juridico pra isso - insignificancia ou algo assim)

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:43



Comentário de: Alex Castro Email

Tiago,

Mas aí são duas coisas completamente diferentes, né? Uma coisa é cada cidadão ter direito de processar o outro - e outra coisa é o resultado do processo.

Qual é o resultado? Não sei ué. A lei brasileira é louca. Cabeça de juiz é como bundinha de bebê: você nunca sabe o que vai sair. Foi um absurdo monstruoso, por exemplo, recolherem a biografia do Roberto Carlos.

Mas o lindo do judiciário é que, dentro de certos limites, eles julgam um caso de cada vez, então você de fato nunca sabe o que vai sair, e os resultados podem ser apelados com outros juízes e em outras instâncias. É bem diferente de uma lei que já previamente defina ou limite o que pode e o que não pode ser dito.

Mas, por exemplo:

Se eu posto no meu blog uma crítica ácida ao PSDB (ou ao PT), faço piada dando a entender que são corruptos, eles também podem me processar. Mas e aí? Devo mesmo ser punido por isso? Um juiz que pegue esse caso deve me condenar e proibir de escrever e fazer piadas que ofendam a moral dos filiados a tais partidos?

Veja, se vc faz um comentário "dando a entender" que alguém é corrupto, qualquer pessoa de qualquer partido, dado que corrupção é crime, a pessoa pode sim te processar e exigir que você prove essa acusação. E se você não puder provar que a pessoa é corrupta, vc vai ser, justamente e democraticamente, condenado por calúnia. Poxa, eu acho isso saudável e democrático, justamente pra evitar que as pessoas fiquem se acusando e se difamando sem provas!

Então, eu te recomendo não sair por aí "dando a entender" que nenhuma pessoa cometeu nenhum crime, pois isso pode te custar caro. Em uma sociedade de direito, com liberdade de expressão, a gente só pode chamar os outros de criminosos se tiver provas do crime...

A definição de calúnia, aliás é "atribuir, falsamente, à alguém a responsabilidade pela prática de um fato determinado definido como crime."

Mas enfim. Como eu disse, defendo a total e irrestrita liberdade de expressão, onde cada pessoa vai ser legalmente responsável pelas coisas q falou no usufruto da sua liberdade de expressão.

Aliás, na experiencia humana, a liberdade de expressao só funcionou (e só pode funcionar) nesses termos. Se vc tem outra sugestão de como poderia funcionar uma sociedade de direito com liberdade de expressão, explica aí pra gente.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:50



Comentário de: Alex Castro Email

Você pode exercer sua liberdade de expressão mas pode ser processado por isso. Mas a qualquer tempo? Porque foi pessoalmente ofendido? Acho que isso traz implicações maiores: Ninguém tem o direito de não ser ofendido, eu já li por aqui em algum lugar.

Gente, acho que vcs estão com problemas serios de compreensao se acham que eu dizer q o fato de qualquer pessoa poder processar outras quer dizer que eu acho que as pessoas deveriam GANHAR esses processos... Eu jamais falaria algo assim, alias, pq esses processos são individuais, por razoes diferentes e vao ser julgados em separado, nos seus meritos proprios.

Entao, sim, repito, qualquer cidadao pode processar o outro por qualquer coisa, mas se o processo tem meritos ou nao, se vai ganhar ou nao, essa é outra questao, individual de cada caso, a ser resolvida pelo judiciario e pelas instancias competentes, né?

Ou seja, eu não acho que as pessoas tenham o direito de nao serem ofendidas, mas as nossas leis lhes garantem o direito de processarem alguém que pensam que lhes ofendeu....

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 13:55



Comentário de: Tiago Lorenzo

Alex,

Agora começamos a tocar no ponto que quis trazer.

Quis chamar a atenção para que determinada jurisprudência, determinada cultura jurídica, de condenar certas pessoas por dizerem coisas ofensivas, pode ser sim perigosa para a liberdade de expressão.

Sobre o exemplo dos partidos: falei em partidos pra tentar fugir do fato de denunciar alguém pessoalmente. Neste sentido seria algo do tipo "O PSDB é corrupto".

Comungo sua preocupação e também acho bom que calúnia e difamação sejam crimes e que as pessoas sejam punidas por isso. Isso é importante e tem que fazerparte do jogo democrático.

O que me incomoda, confesso, é a "injúria". Está lá, tipificada, é crime, mas não deveria ser.
Criminalizar a "ofensa à honra e dignidade de outrem" me parece meio complicado. Mas este talvez seja outro papo.



PermalinkPermalink 10.05.11 @ 14:10



Comentário de: Tiago Lorenzo

Alex,

"Gente, acho que vcs estão com problemas serios de compreensao se acham que eu dizer q o fato de qualquer pessoa poder processar outras quer dizer que eu acho que as pessoas deveriam GANHAR esses processos... Eu jamais falaria algo assim, alias, pq esses processos são individuais, por razoes diferentes e vao ser julgados em separado, nos seus meritos proprios."

Neste caso específico, do estupro, você acha que a associação de estupradas deveria ganhar o processo contra o "piadista" ?

Eu acho que não. Por mais que esteja ao lado delas quando quiserem esculhambar esse tipo de piada.


PermalinkPermalink 10.05.11 @ 14:22



Comentário de: Alex Castro Email

Neste caso específico, do estupro, você acha que a associação de estupradas deveria ganhar o processo contra o "piadista" ?

Hahhahaha! Tiago, se fosse possivel julgar um caso assim, no hipotetico, sem ouvir as partes, nao precisariamos de juizes, ne? Quem sao essas pessoas? quem disse a piada? qual foi o contexto? quais foram as consequencias? etc etc etc Em suma, quais sao todas as variaveis do caso?

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 14:28



Comentário de: Tiago Lorenzo

"Aliás, na experiencia humana, a liberdade de expressao só funcionou (e só pode funcionar) nesses termos. Se vc tem outra sugestão de como poderia funcionar uma sociedade de direito com liberdade de expressão, explica aí pra gente."

Não é muito difícil. Como eu toquei na postagem anterior, minha sugestão seria:

Peguem os crimes contra a honra. Retirem a "injúria", mantenham a "calúnia" e a "difamação".

Pronto.

Agora ninguem tem mais o direito de não ser ofendido.



PermalinkPermalink 10.05.11 @ 14:31



Comentário de: Tiago Lorenzo

"Hahhahaha! Tiago, se fosse possivel julgar um caso assim, no hipotetico, sem ouvir as partes, nao precisariamos de juizes, ne? Quem sao essas pessoas? quem disse a piada? qual foi o contexto? quais foram as consequencias? etc etc etc Em suma, quais sao todas as variaveis do caso?"

Alex...

Eu sei que você está apontando para a particularidade de cada caso, etc, etc.
Eu quis trazer o exemplo de Rafinha Bastos, o mais cru possível. Eu sei que teria que passar por todo o processo e etc, etc para que se chegasse a um veredicto. Não ache que estou negando isso...

Eu estava me referindo ao caso "Rafinha Bastos", e se você acha que um Juiz deveria proibi-lo de contar a mesma piada num futuro show, ou que ele tivesse que indenizar uma associação de ex-estupradas, por exemplo.

Foi uma pergunta simplória mesmo, para coompreender somente a empatia intuitiva que você tem.
Se a sua resposta é "depende", minha curiosidade se volta a: que variáveis você acha que deveriam ser consideradas no caso?

Mas tudo bem. Já chegamos onde eu queria chegar.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 14:42



Comentário de: Harry

LLL: explicando pra mim as minhas opiniões desde 2004.

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 17:03



Comentário de: Diogo Batalha · http://www.twitter.com/diogobatalha

Alex, você vai adorar isso:

http://www.youtube.com/watch?v=jzOBZkm4qQk&feature=fvsr

Louis CK - Being White

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 17:16



Comentário de: Fabio R.

Oi, Alex,

Quis dizer que sou contra a expressão. Acho que seria muito mais apropriado dizer "eticamente correto", embora isto também soe meio confuso. As pessoas raras vezes utilizam "politicamente correto" para se referir a um tema querendo dizer que deveriam debater mais sobre aquilo. A expressão é mais usada como pasteurizador de um termo ou outro do próprio discurso, ou para se criticar o discurso alheio. Sou da opinião que o resgate do sentido original ou mais preciso de certos termos é importante nos dias de hoje. Embora isso não exista. Por exemplo, democracia e política. As pessoas dizem: "podia guardar tudo pra mim, mas serei democrático e dividirei as maçãs entre todos". "Politicamente correto" é uma expressão que dilui o termo "política", associando-o com algo ético, que pode ter a ver com política, mas não o é exatamente. Ou, como já se observou, utilizam até como pejorativo, referindo-se a algo "politicamente correto" como algo hipócrita, ou algo que se faz para não dar na pinta. Ora, política tem a ver com persuasão, debate, convencimento. Destacar-se pelos atos ou pela fala. Discutir para obter consenso ou um ponto em comum. Mas não se reduz a nenhum desses conceitos. Para mim, não faz sentido dizer que algo é "politicamente correto". Politicamente, nada é correto. Política não é para ser correta. É para ser plural, interativa, é um locus da aparência relevante. Política é aquilo em que não importa estar certo ou errado, mas convencer seus pares. A busca da verdade, desde Platão, é algo contrário à política. Bem, algo assim...

PermalinkPermalink 10.05.11 @ 18:06



Comentário de: Boanoitedar

Olá, Alex,
como está, meu caro?

Um dos motivos que me fazem ler seu blog é justamente a presença de debates tão atuais e enriquecedores, no entanto,um de seus comentários me fez pensar em um texto que talvez tenha a possibilidade de ter alguma pertinência...

O comentário é:

"Hahhahaha! Tiago, se fosse possivel julgar um caso assim, no hipotetico, sem ouvir as partes, nao precisariamos de juizes, ne? Quem sao essas pessoas? quem disse a piada? qual foi o contexto? quais foram as consequencias? etc etc etc Em suma, quais sao todas as variaveis do caso?"

e o provável texto seria:

http://www.interney.net/blogs/lll/2011/03/31/ainda_sobre_falta_de_educacao/

Abraços,



PermalinkPermalink 10.05.11 @ 19:50



Comentário de: Marco

Bobagem. Uma piada deve ser criticada por ser ou não engraçada e somente por isso, seja ela sobre estupro, negros, gays, judeus e etc... Para além disso é coisa de gente mal amada.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 04:08



Comentário de: Nelson Sant'Ana · http://www.minhaterrasemlei.blogspot.com

Oi Alex, oi gente do mundo.

Deixar que somente negros façam piadas sobre negros, judeus de judeus, brancos de brancos, etc, não seria uma espécie de preconceito por baixo dos panos?

E gosto de definir politicamente correto como algo que eu discordo de você, você discorda de mim, mas concordamos para ficarmos em paz.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 09:21



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Eu acho que seu post faria mais sentido, Alex, se não houvessem ameaças de processo contra humoristas politicamente incorretos.

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 09:32



Comentário de: Alex Castro Email

jorge,

vc e os outros incomodados com isso precisam explicar como, pra vcs, funcionaria, em um mundo ideal, isso aí de liberdade de expressao SEM as pessoas terem q responder legalmente por suas palavras.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 09:37



Comentário de: Marcelo Camanho

O direito de processar, quando ofendido diretamente, é inegável e qualquer país minimamente sério deve prevê-lo em sua Constituição. Acho que disso ninguém discorda.

Acho que o ponto em questão aqui é quando a ofensa é "genérica". Por exemplo, quando a piada é sobre estupradas, e não sobre a Fulaninha que foi estuprada. O piadista deve ter que se preocupar se está ofendendo alguém indiretamente? Ou se vai ser processado? Na minha opinião, não.

Tenho certeza que várias estupradas se sentem profundamente ofendidas, da mesma forma que eu quando escuto ofensas anti-ateísmo. Mas se elas (ou eu) não fomos ofendidos diretamente, paciência - é do jogo. Até porque eu quero ter o direito de ofender (genericamente) aqueles que eu acho que merecem.

Qual a solução? Na minha opinião (e sei que vou levar porrada...) nenhum grupo coletivo deveria ter o direito de processar alguém por crime de opinião. Podem - e devem - se organizar, manifestar, lutar por direitos e tratamento iguais etc etc etc.

Mas quanto à liberdade de expressão, deveria ser não-negociável: se você não foi ofendido diretamente, o preço de se poder dizer o que quer é ter que se escutar o que não quer.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 12:43



Comentário de: Eduardo

Concordo plenamente.

PermalinkPermalink 11.05.11 @ 22:04



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

vc e os outros incomodados com isso precisam explicar como, pra vcs, funcionaria, em um mundo ideal, isso aí de liberdade de expressao SEM as pessoas terem q responder legalmente por suas palavras.

Num mundo ideal, Alex (e por que preciso explicar alguma coisa?)? Eu acho que fico satisfeito com a liberdade de expressão que há nos EUA.

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 08:08



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.wordpress.com

Alex, perdoe-me se sou redundante.

1 - Seus comentadores parecem achar que LIBERDADE só exista SEM RESPONSABILIDADE. Sem que uma pessoa possa ser chamada a responder pelo que faz. Nesse ponto divirjo e suponho que você também. Na 5a. série, a professora nos explicou que liberdade e responsabilidade sempre andam juntas. Você quer seguir as regras que quiser, então você é que vai ter que trabalhar para ganhar o pão com o suor do seu rosto... Quer fazer o que quiser, então se vira sòzinho... Da mesma forma como só posso ser responsabilizado se tiver tido a liberdade de fazer como queria.

2 - Na cabeça de brasileiro, existe PRESUNÇÃO DE CULPA, não de inocência. Então, se uma pessoa está sendo processada, automàticamente ela é culpada! Para este nosso povo tão "democrático", se alguém é acusado é porque está errado, só pode ser, e a decisão só pode ser de condenar. Por isso, para vários de seus comentaristas, "poder processar alguém" é sinônimo de "conseguir a condenação de alguém" e, portanto, de "estar necessàriamente certo em relação a alguém, que está necessàriamente errado".

Ou não. Será que sintetizei?

Do seu leitor fiel (até que você diga besteiras :-) ),

JP

PermalinkPermalink 12.05.11 @ 13:25



Comentário de: Livio

Não se trata aí, de um trolador profissional, em fissura de exposição, se agarrando à primeira deixa, e se escondendo atrás da cortina de "protesto contra politicamente correto" ?

Abrindo mão até de ler o conteúdo, mas estudando melhor o processo, do que é o CQC, desses seus integrantes, de seu Modus Operandi, e o resultante "destaque" em trending topics, parece ser mais do mesmo.

Então, mais do que pecar pela manifestação do ódio, do preconceito, do humor raso, o que mais prejudica, além do fato de influenciar seu séquito de manés, é que ele faz isto profissionalmente (e ainda tem a cara de pau de alegar que não havia pensado nisso)

Faz sentido ?

PermalinkPermalink 17.05.11 @ 23:25



Comentário de: Carolina

Eu gostei muito do primeiro texto, da Lola. Principalmente porque nos lembra que ser politicamente incorreto não é ser transgressor, é ser antigo e conservador. Ou homem fazendo piada de mulher é novidade? Branco fazendo piada de negro? Todo mundo fazendo piada de gay? Nada de novo. Nova é a reação de grupos de antes não reagiam, que não ficam quietinhos nos lugar de cidadão de segunda classe que tinham no passado.
Claro que os humoristas podem fazer a piada que quiserem publicamente, mas não podem ficar reclamando se alguém ou um grupo achar que teve seus direitos infringidos legalmente. A Lei, nossa amiga e inimiga, está aí para isso.


PermalinkPermalink 25.10.11 @ 13:54



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