A gente se conheceu aqui mesmo, na minha casa de Nova Orleans, em março de 2008. Uma brasileira perdida, candidata ao programa de mestrado do meu departamento, estava visitando o campus e conhecendo a cidade. Alguém podia hospedar? Eu podia. Por que não? Minha casa sempre foi pouso livre pra todos os malucos do mundo.
E foi assim. A gente nem se conhecia e Camila já veio direto aqui pra casa. Ela podia ser uma doida, eu podia ser um doido. Aliás, éramos, né? Somos.
A visita foi planejada para coincidir com a BRASA, o maior congresso brasilianista do mundo. Nova Orleans e a Universidade de Tulane estavam apinhados de todos os VIPs do mundo literário brasileiro. Mais movimentado impossível.
No dia seguinte, conhecemos o Paulo Roberto Araújo, pessoa maravilhosa e autor da malfadada biografia do Roberto Carlos, e ficamos passeando os três pela cidade. Ele quis saber há quanto tempo Camila e eu nos conhecíamos, éramos amigos de infância?, e respondemos que desde ontem.
Pois Camila gostou tanto que ficou. Tentou alugar um dos quartos da minha casa, mas minha roommate vetou: não tinha nada contra a Camila e um brasileiro ela até aguentava (afinal, eu passo o dia calado) mas dois? O dia todo falando um com o outro? Nesse volume? Jamais.
E Camila veio e foram dois anos deliciosos. Dois anos de Dauphin Island e de iogurte búlgaro, de WWOZ e de Snug Harbor, de postsecret e de sugar plantations. Dois anos de eu cair e ela me segurar e de ela cair e eu segurar. Dois anos de dirigirmos duas mil milhas ida e volta entre Nova Orleans e Nova Iorque para fugir de um furacão, com o Oliver chorando no bagageiro e a Camila reclamando de todas as músicas que tocavam no rádio. Dois anos de nos vermos em São Paulo e no Rio, onde ela também ficou na minha casa e conheceu até a lendária Liloló, que poucos viram. Dois anos de pessoas pensando que éramos amigos de infância, namorados, casados, tico-tico no fubá.
Até que, um dia, no melhor estilo conto de fadas, Camila conheceu um cara, eles se apaixonaram e ela largou tudo e foi pra São Paulo ficar com ele, e estão juntos e felizes até hoje, passeando por hortas e pomares.
E agora que estou indo embora, que estou me despedindo da casa e da cidade onde morei por seis anos, é bonito que a Camila esteja vindo mais uma vez para fechar o ciclo. Para ficar pela última vez na casa onde nos conhecemos. Para uma última rodada de Seinfeld com espaguete ao alho e óleo. Para um último brunch no Commander's. Para muitos outros últimos que na verdade não são últimos, mas são simbólicos da vida nova dela em São Paulo e da minha vida nova no Rio. Porque vamos continuar amigos e juntos e unidos pelo resto da vida, e com certeza ainda voltaremos a Nova Orleans outras vezes, mas provavelmente não juntos, e com certeza não mais nessa casa, e não mais como colegas de mestrado, e não mais tanta coisa, porque a vida vai mudando, né?, mas os amigos ficam.
Enfim, Camila chega hoje.
* * *
Em julho, volto definitivamente ao Rio de Janeiro. Mais detalhes aqui.
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