Maridos e Namorados

Sobre as diferenças culturais entre Brasil e Estados Unidos.

Amigo americano do departamento:

"Então, Alex, como vai a Camila e o namorado? Tem notícias dela?"

Eu:

"Hã, Camila e o... marido vão bem."

"Marido? Mas ela casou e eu nem soube?!"

E aí eu tenho que respirar fundo e explicar:

"Bem, na minha terra, não tem isso de morar com alguém, compartilhar a vida, dividir conta bancária, fazer planos pro futuro, viver como marido e esposa... e chamar de namorado! Como se as pessoas fossem capazes de tudo, até de fazer filho!, mas tivessem um medo patólogico das palavrinhas "casamento", "marido", "esposa". Então, lá de onde venho, quando duas pessoas tomam o passo fatídico de morar juntas, mesmo se forem do mesmo sexo, a gente já começar a considerar essas pessoas, pra todos os fins e efeitos, casadas, e também nos referimos a elas assim."

(A não ser nos raros casos em que as pessoas moram juntas mas insistem em se tratar como namorados: "Não, não, ela não é minha esposa, é só minha namorada..." "Mas, ué, eu pensei que... afinal, vocês..." "Não, imagina, a gente foi morar junto pra economizar, não é sério..." Etc. Ou seja, fica um clima chato e requer explicações.)

E o amigo americano coça a cabeça:

"São loucos esses brasileiros!"

Achei melhor então nem contar pra ele como as brasileiras encaram o boquete de forma totalmente diferente das americanas.

* * *

Um livro excelente, que recomendo sem restrições:

Contra o Amor: uma Polêmica

* * *

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26.04.11


Categorias: Relacionamentos, Sexo


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Comentários:


Comentário de: rayssa gon · http://presencadapeste.blogspot.com

olha... de fato, fica a duvida.

eu ainda trato namorados que moram juntos como namorados... "sua namorada, melhorou?". não "sua esposa melhorou?".

mesmo gente q ja marcou de casar, estão "noivos", eu trato como namorada e namorado.


PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:06



Comentário de: googala · http://www.googala.opsblog.org

namorido

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:10



Comentário de: googala · http://www.googala.opsblog.org

namorido

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:10



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

E os brasileiros têm medo da palavra "amante".

Mas eu acho que não é medo, é uma palavra que só vale para os inimigos. Por exemplo: Marta Favre tinha namorado. Antônio Carlos Magalhães tinha amante.

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1


PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:11



Comentário de: Radical Livre

duas coisas:
- eu moro com minha mulher, sem casamento, há 19 anos. temos filhos, dividimos as despesas, viajamos juntos, vamos juntos às reuniões familiares. Se alguém disser que não somos casados, ou que somos namoridos, é porque acha que a formalização é mais importante que a vivência. Destes, eu tenho pena.

- Como é que as americanas encaram o boquete de uma maneira diferente das brasileiras? fiquei curioso, sabe como é...

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:22



Comentário de: Fox

como as americanas encaram o boquete?????

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:24



Comentário de: Alexandre · http://nadasou.wordpress.com

também fiquei curioso sobre o boquete.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:37



Comentário de: Felipe R

Alex, me corrija se eu estiver errado:

Para as americanas esse ato (giving head) é
geralmente encarado como um passo antes da
consumação de fato. Seria encarado como
um third base e não um "homerun". Seria mais
corriqueiro, digamos assim.

Para as brasileiras, pela minha (pequena)
experiencia. O boquete é um passo a mais
na relação sexual. Primeiro a mulher dá, e
depois vem o boquete. Ou pelo menos ele não
é tão corriqueiro como nos EUA.

Ou seja, nos EUA é capaz da mulher ter feito
sexo oral com o cara sem nunca ter dado. No
Brasil acho isso bem mais dificil. É um ato
de "mais intimidade" que a própria penetração.


PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:39



Comentário de: RoadHouse · http://www.zombietherobot.com

Passamos pelo mesma situação descrita no texto, é tão chato as pessoas INSISTIREM que nós somos marido e mulher, mesmo NÓS (que teoricamente deveriamos ter a opinião final sobre A NOSSA vida) dizendo que somos namorados... bem chato viu

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:39



Comentário de: ricardo galvão

Alex,
fiquei curioso...nunca tive uma americana fazendo um boquete em mim..
qual seria a diferença?
pros americanos do sexo masculino, eu já percebi... que gostam mais de boquete que de "sexo" pois eles acham que boquete não é sexo..(estou correto?)
vide caso Monica Lewinsky, Clinton foi absolvido por não fazer sexo com ela...foi só um boquete...pelo menos foi o que publicaram aqui....

mas diga a diferença..gostaria de saber...
:)

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:43



Comentário de: ricardo galvão

O felipe R encontrou as brasileiras "erradas..."
eu já cansei de receber boquete e ficar só nisso no primeiro encontro...
e na primeira vez...e depois...e muito tempo depois...ter uma relação..
Não dá pra generalizar Filipão...

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:46



Comentário de: ricardo galvão

sexo anal eu concordaria com o Filipe...boquete não...mas também não generalizo...pois quando a moça gosta de anal...faz de primeira...
ou faz até pra casar virgem...."uma prisão" alex, mas ainda existe....

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:48



Comentário de: aiaiai

Como eu sou do tempo (aiaiai to ficando velha kkkkkk) em que pelo menos o pessoal da minha turma já sabia que nunca ia casar mesmo (eu sinceramente achava que no século XXI ninguém mais casaria) sempre chamo pessoas que moram juntas de marido e mulher (ou esposa). Ainda tenho dificuldade quando o casal é do mesmo sexo, não por mim. Eu chamaria mesmo de marido e marido / esposa e esposa, mas por causa das outras pessoas que acham estranho demais, dai eu tenho que ficar explicando e blábláblá.

De uns 10 anos pra cá, percebi que esse negócio de casamento ficou sério de novo. As pessoas noivam (!!!) e casam. Na década de 80, noivar era uma coisa tão demodê que só gente muito conservadora fazia isso, geralmente para agradar à família ultra conservadora (e rica...sempre se pensava nos presentes a ganhar kkkk).

Resumindo, penso como você, mas acho que o Brasil tá andando pra trás nesse assunto e, em breve, estaremos presenciando os rapazes pedirem a mão da moça em casamento ao futuro sogro numa cerimônia formal! E vai ter gente ganhando dinheiro com isso, é claro, como hoje já existe uma "indústria do casamento".

Meus ateus! Onde chegaremos nesse retrocesso...???

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 11:55



Comentário de: Hugo

Ricardo,

E mais ou menos o lance que o Felipe falou mesmo.

EUA:
if beija then toca flauta, mas nao necessariamente rola nada mais. chega a ser engracado como as mocas nos EUA consideram boquete algo como meramente beijo em mais um lugar, e se afresqueiam tanto para penetracao.

BR:
pelo menos comigo e no meu circulo, se flauta then sexo com penetracao, a menos que faltasse preservativo ou algo do tipo; seria impensavel rolar boquete tao casualmente e ponto de nao rolar nada alem.

Pode ter mudado com a nova geracao - afinal eu sou um trintao e isso era nos meus teens e early 20s- sei la como eh hoje...

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 12:07



Comentário de: Haline · http://halinices.blogspot.com

Eu acho esse negócio de marido, esposo ou esposa muito cafona. Soa mal demais pra mim. E daí por isso chamo de namorado/namorada. Mas se a pessoa usa o termo, uso pra falar dela também. Mas sempre achando cafona. Acho q pq são termos que só os heteros usam por obrigação. Sei lá. Detesto a formalidade do casamento.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 12:19



Comentário de: Alex Castro Email

Queridos, queridos...

O texto sobre boquete é o de amanhã, então amanhã conversamos sobre isso. :) Mas, em linhas gerais, como qualquer um que já viveu entre esses dois mundos (americano e brasileiro) sabe, é mais ou menos como descreveu o Felipe R e confirmou o Hugo.

Aiaiai,

Eu cresci nas classes abastadas e mais conservadoras do Rio. Todo mundo que conheço casou, e fez aqueles casamentos constrangedoramente caros. De todos os meus amigos, eu fui o unico q fez um casamento alternativo - fui no cartorio de manha, botei uma lista no submarino e nos encontramos todos num bar a noite. Mesmo assim, ninguem noivou, justamente pq todos achavam demodé - só UM casal em todo meu círculo noivou.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 12:22



Comentário de: Alex Castro Email

Haline,

Eu conheco alguns casais gays q se chamam de "esposa/esposa" ou "marido/marido". E eles dizem q se sentem "patrulhados", pq vários amigos gays dizem que é um absurdo usarem esses termos caretas e heteros e que eles deviam se chamar companheiro(a)/parceiro(o), e etc, e eles respondem que de fato nunca pensaram mt nisso, mas como estão numa relacao comprometida, é natural chamarem o outro de "marido" ou de "esposa."

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 12:24



Comentário de: Deborah Leão · http://arealidadeelouca.wordpress.com

Sou "juntada" e, embora provavelmente vá oficializar a coisa no cartório por razões burocráticas, só me refiro a ele como marido. E concordo plenamente que não faz sentido achar que a formalização é mais importante que a vida comum, o convívio diário, as contas divididas.

O que penso que acontece nos EUA é que a tal instituição da "proposal" é tão relevante, tão relevante, que ninguém sossega até que ela tenha acontecido. E aí, as pessoas moram juntas anos, e continuam lendo matérias da Cosmo sobre "10 signals that he is ready to propose".

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 13:27



Comentário de: Fabiane · http://fabianelima.com

Tá, mas como é que as americanas encaram o boquete?

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 13:53



Comentário de: Fabiane · http://fabianelima.com

Sobre chamar o namorado/marido e tal: eu moro com meu namorado e imploro, pelamordedeus, que não nos chamem de esposo/esposa/etc. É cafona. Terrivelmente cafona. E lembra uma relação que já esfriou, entáo, por favor, não.

Infelizmente teremos de oficializar a união em cartório e tal por razões burocráticas como planos de saúde, etc.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 14:00



Comentário de: Bruno Stern

O título pelo qual as pessoas queiram ser chamadas pouco importa. Talvez seja mais agradável chamá-los como preferirem.

Ainda assim, pessoas que moram juntas, que "juntaram as trouxinhas" são muito engraçadas ao tentar justificar que sua relação não é um casamento.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 15:13



Comentário de: aiaiai

incrível como num país onde muitas pessoas se casam por "questões burocráticas" existam tantas pessoas que não apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Impressionante essa forma de cequeira, né não?

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 17:17



Comentário de: Radical Livre

Não acho marido e mulher cafona não. Esposo/Esposa sim.
E, em 19 anos de casamento não formal, ainda não encontrei nenhuma razão para partir para a formalização. Somos co-dependentes de nossos planos de saúde, compramos apartamento juntos, colocamos os filhos na escola etc.

nunca precisei do tal do 'papel passado'.

E atualmente, não caso mais porque em time que está ganhando não se mexe.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 17:37



Comentário de: Viviana

Morando nos EUA me sinto uma E.T. entre amigos e amigas que noivam, ostentam aqueles diamantes cafonas na mao esquerda e fazem festas de arromba para casar. Eu e meu marido casamos de papel passado (no cartorio, brinde com Coca-Cola) depois te termos morado juntos so' pq iriamos nos mudar pra ca' e para o visto dele servir para mim tambem. Outra coisa que me incomoda e' que eu nao quis ter o sobrenome dele, o que e' tao comum aqui que as pessoas acham super estranho eu ter meu nome 'de solteira'. Ue', o nome e' meu, sempre foi e sempre sera'. Acho o fim mulher precisar trocar o proprio nome para carregar o do marido. Beijo, Alex!

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 20:23



Comentário de: Teresa

Fala pros americanos do ditado daqui do Brasil: Amigado com fé, casado é. O tradutor do Google respondeu: Shacked up with faith, is married.
Tem quem prefira namorido por que junta o melhor das duas situações: o amor do namorado com a estabilidade do marido. O ruim é que não tem substantivo feminino: namoposa? :)

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 20:50



Comentário de: Ana Paula Medeiros · http://www.urbanamente.net

Eu tou no mesmo time do Radical Livre. Eu e meu marido nunca casamos, nem em igreja nenhuma, nem em cartório, e vivemos juntos há 20 anos. 2 filhos, contas conjuntas, plano de saúde como cônjuges. A gente se considera casado desde que decidimos morar juntos. E eu tendo a considerar assim e chamar de marido e mulher (ou marido e marido/ mulher e mulher) qualquer casal que vá viver juntos nessa condição. Também não acho cafona. Mas respeito quem prefira ser chamado de outro jeito e acato a preferência. Acho que é uma questão de auto-percepção.
E devo estar tão velha quanto a aiaiai, porque tb achava que no século XXI ninguém mais estaria se casando, muito menos com festas pomposas e vestidos brancos longos, mas tenho achado a geração mais novinha MUITO mais careta que a minha. Ou que eu, pelo menos... :)

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 22:08



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Tenho uma amiga que, mesmo depois de 4 anos vivendo juntos, apartamento comprado, só conseguia chamar o cara de "namorido". Só virou marido na hora que formalizou. Acho "namorido" mais careta do que marido, porque parece mesmo que você está dando uma satisfação pras pessoas, tipo "olha, eu sei que a gente não é casado de papel passado."
A única motivação que eu teria pra casar formalmente hoje seria ter uma boa desculpa pra fazer todos os amigos que estão longe pegarem avião pra festejarem com a gente. Mas ainda não rolou uma disposição pra organizar uma farra, tô muito bem casada sem papel mesmo.

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 22:20



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.wordpress.com

Meu professor de Direito Civil tem posições muito parecidas com as do Alex em matéria de relações humanas, hipocrisias, iconoclastias, e diz que "tudo é válido desde que consensual".

Pois meu prof de Civil dizia que a esposa tem uma diferença fundamental, gigantesca, em relação à companheira: "um pedaço de papel!" Ele concorda com a visão mais material do que formal do casamento: que, se percebido pela sociedade como casamento, se vão juntos para todo lugar e têm economia comum e criam os filhos juntos, para todos os fins estão casados, mesmo que não se rotulem assim. Porque, se a questão é jurídica, então realmente o que mais importa é a percepção social, que afeta as esferas de direitos de terceiros e do casal (p.ex.: credores, herança, possibilidade de fraudes etc.).

PermalinkPermalink 26.04.11 @ 23:06



Comentário de: Alfredo Cavalcanti Segundo

outra indagação que você poderia sugerir aqui no blog eh porque as pessoas gostam tanto de falar sobre sexo? Hahahaha

PermalinkPermalink 27.04.11 @ 00:34



Comentário de: @4lex78 · http://twitter.com/4lex78

É tudo uma questão de nomenclatura, né?
Casar, significa unir.
Namorar, significa manter uma relação amorosa.
Então tá tudo bem: o teu marido é o teu namorado (ou se quer que ele o seja!)

Mas a tradução para o inglês funciona mal: boy(girl)friend... não sei...

Só deixa de ser um problema de nomenclatura se e só se para se morar junto, tem que ser casado no papel.

Aqui em Portugal, as mulheres chamam ao marido (casado ou não) ou ao namorado de "meu homem". Pela sua vez, os homens dizem, nas mesma circunstância, "minha mulher". Apesar de não gostar de ouvir "meu homem", acho que se criou um maneira neutra (ambígua?) de descrever com quem se vive.

PermalinkPermalink 27.04.11 @ 00:39



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