Grandes Momentos do Debate sobre as Drogas

De repente, na TV aberta, ao vivo, aquele delicadíssimo momento em que uma intelectual competente, acostumada a pensar com autonomia e a expor suas opiniões com liberdade, se esquece onde estava e quais eram as regras do jogo, e diz, bem na cara do rei, que ele está nu. Simplesmente impagável. Lindo mesmo.

* * *

Quem criminaliza a droga financia a violência.

Se amanhã proibissem o chocolate, as pessoas continuassem a comer chocolate (claro! quem é que iria parar?!) e houvessem gangues disputando a bala o mercado negro de chocolate, o responsável pela violência seria não o infeliz que tem que subir o morro pra comprar Sonho de Valsa, mas o irresponsável que inventou de proibir o chocolate.

Por pior que sejam os pretensos malefícios do chocolate (sic), melhor que seja uma indústria regulamentada e fiscalizada, pagando impostos e gerando empregos.

Tropa de Elite 2 + Livro Elite da Tropa 2 Elite da Tropa + Tropa de Elite

     Rota 66: a História da Polícia que Mata CACO BARCELLOS   V PCC: a Irmandade do Crime CARLOS AMORIM

* * *

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17.04.11


Categorias: Política, Rio de Janeiro


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Comentários:


Comentário de: Alessandro

Não adianta tentar simplificar um debate que é muito mais complexo do que faz parecer.

Mas se for para o Estado legalizar o comércio e uso de drogas, que se aplique sanções maiores até do que das bebidas alcólicas ou do cigarro para o seu efetivo uso. Exemplo:
- Não é permitido dirigir sob o efeito de entorpecentes, sob pena (alta);
- Não é permitido trabalhar sob o efeito de entorpecentes, sob pena de demissão por justa causa e cobrança de multa;
- Não é permitida a veiculação de qualquer propaganda relacionada à essas drogas;
- Não é permitido o uso de entorpecentes em locais público... etc

Isso deveria resolver a questão das gangues, da violência, das subidas aos morros, etc - e de quebra iria inibir o uso das drogas por qualquer incauto.

PermalinkPermalink 17.04.11 @ 21:49



Comentário de: Eric Costa

O objetivo de uma legalização, como proposta pela entrevistada (sensacional, mas fiquei com um pouco de "pena-vergonha alheia" pela entrevistadora, que tentava defender o ponto de vista mainstream) visa muito mais garantir uma segurança a quem for experimentar do que efetivamente inibir a experiência. Afinal, quem tem interesse em fazer isso já faz, seja subindo o morro, pedindo junto com uma prostituta (esquema clássico) ou comprando com amigos.
Com a legalização, poderia existir controle de qualidade, estatísticas efetivas e mecanismos de ajuda de verdade, para os que se viciarem (que, em regra, são bem menos do que o divulgado).
Em tempo, não uso nem nunca usei a maioria das drogas (nenhuma ilícita, nunca fumei e só bebo umas duas ou três vezes por ano, em comemorações), mas isso não me impede de desejar a liberdade para que as pessoas façam bobagem (em minha opinião, claro).

PermalinkPermalink 17.04.11 @ 22:06



Comentário de: Rafael

O engraçado é q a entrevistadora fica chocada ao constatar q ela não estava ali pra dizer "o de sempre". kkkkkkkk

PermalinkPermalink 17.04.11 @ 23:57



Comentário de: Alessandra

Não consigo deixar de ver gente 100% a favor da legalização como otimistas incuráveis. Essas pessoas parece que realmente acreditam que cada um toma suas decisões unicamente a partir da própria consciência, que todo ser humano vai sempre buscar o que é melhor para si e que cada um é rei de suas próprias ações.

Como se controla a qualidade de crack? Como deixar claro o bastante o poder viciante de heroína para que se possa considerar o consumidor suficientemente informado? Boa sorte com isso aí.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 01:10



Comentário de: Alex Castro Email

Alê,

Não tem otimismo algum, linda. Como a pesquisadora disse no vídeo, sempre existiram drogas e alucinógenos e as pessoas sempre experimentaram, e etc, até que, no século XX, inventaram de proibir e, assim, criaram o tráfico, a violência, o mercado negro.

Quem é a favor de liberar as drogas na verdade é a favor que as coisas sejam como sempre foram, desde que o mundo é mundo, com exceção desse piscar de olhos histórico que foi o último século de tentativas de proibir algo que é totalmente "inproibível"...

Essas pessoas parece que realmente acreditam que cada um toma suas decisões unicamente a partir da própria consciência, que todo ser humano vai sempre buscar o que é melhor para si e que cada um é rei de suas próprias ações.

Eu não acho isso, nem perto, mas acho que não achar isso não é justificativa pra proibir a maconha. Ou, melhor, se o mundo não ser assim é justificativa pra proibir a maconha, deveria ser justificativa pra proibir o alcool também...

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 01:18



Comentário de: Glauber

se o café fosse proibido:

http://www.youtube.com/watch?v=e6NzKvXjotg&playnext=1&list=PL3217977BEA996304

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 02:42



Comentário de: aiaiai

Eu simplesmente amei essa entrevista.

Mas, correção, não foi em tv aberta. Foi na Globonews. Imagino que o produtor que convidou a dra. Gilberta Acselrad para participar do programa deve ter sido demitido - única coisa triste neste episódio. O cara não fez o trabalho dele que deve ser checar se o entrevistado topa falar tudo que eles querem que fale...
Mas fico torcendo para que arrume algo mais digno para fazer. trabalhar nas organizações globo hoje em dia realmente não é digno. Nem quando dr.roberto mandava a coisa era tão esquizofrenica.

Vc viu o caio blinder chamando a rainha da jordânia e outras mulheres de líderes de países árabes de PIRANHAS?

pois é. este é o nível dos caras.

Imagine se um jornalista muçulmano chamasse a mulher de um líder de israel de piranha?

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 09:47



Comentário de: Eduardo · http://semsugestaodenomes.blogspot.com

Seguinte, jornalista é o bicho mais calhorda que existe. A grande maioria dá uns bons tapas na faculdade e depois é obrigado a enfiar o rabinho no meio das pernas e ir vender a alma e o corpinho pros Senhores do Poder. A entrevistada matou a pau, pena que essa entrevista foi dada na Globo News e não na TV aberta.
Abraços!

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 09:48



Comentário de: Rafael

Drogas não são reprimidas no Brasil, a legislação é benevolente com o usuário e dependendo de quem o sujeito é filho, pode taé ganhar um beijo na boca do juiz. Logo, balela esse papo de descriminalizar, pois o uso não é criminalizado. Essa postura umbiguista é de usuário rico, que quer segurança para poder comprar seu entorpecente. Nesse país costuma-se descumprir as leis existentes, e depois tratar de reinventa-las ou revoga-las, se a policia trabalhasse direito, se o ECA fosse obedecido se a turma da decoreba que faz parte do MP executasse bem suas tarefas, viveriamos em outro país, e ai quem sabe, sem o tráfico violento que existe nesse buraco.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 10:16



Comentário de: Bruno Cava · http://quadradodosloucos.blogspot.com

De qualquer ângulo, liberal ou materialista, é preciso legalizar todas as substâncias, e disciplinar racionalmente o seu uso, como já acontece com cigarro, bebida e as milhares de drogas facilmente obtidas em qualquer farmácia.

Sem querer ser sanguessuga, aproveitei a indicação do vídeo em post sobre o mesmo tema, no meu blogue, que peço a licença para citar:
http://quadradodosloucos.blogspot.com/2011/04/legalizar-todas-as-drogas.html

Abraços.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 10:20



Comentário de: Eric Costa

Acho interessantes as discussões sobre eficácia da descriminalização ou legalização das drogas.

No entanto, o argumento principal que defendo e que creio ter apreendido da entrevista é mais simples: numa sociedade livre, o indivíduo é livre para colocar o que quiser em seu corpo. Se ele quiser ingerir café, LSD ou Pinho Sol, problema dele. O Estado não deve interferir nas escolhas e pensamentos (pq, afinal, muitas drogas influenciam nos pensamentos) individuais.

Mas, antes que venham com o argumento das crianças e jovens, a legalização ajudaria em uma fiscalização embasada em dados (e não apenas em estimativas) da venda para menores (que ocorre com álcool e cigarro, mas a fiscalização dessas pode ser feita sem o uso de operações de guerra).

O outro argumento comum: mas o Estado terá de pagar pelo tratamento dessas pessoas. Bom, o Estado paga pelo tratamento de quem engordou (e teve diabetes, hipertensão etc) ou não cuidou da saúde durante a vida. De fato, os custos de saúde serão reduzidos se somente forem tratados os casos acidentais e não as doenças causadas pelo estilo de vida. No entanto, como medir e detectar esses casos? E, mais importante, se queremos uma sociedade livre E com um sistema de saúde socializado, esses custos são necessários. É o preço da liberdade.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 11:02



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Eu tive que parar o video quando a 'especialista' disse na cara dura que drogas nao sao prejudiciais.

Tinha que perder a licensa nao eh mesmo? Afinal, isso eh cientificamente errado. Nao tem gray area aqui minha querida.

E o q eu acho engracado eh q esse pessoal a favor da legalizacao eh muito burro. Tem tantos argumentos possiveis para serem defendidos... e eles insitem nos piores! Tenta usar o argumento de que 'foi sempre assim' para defender outras coisas... estupro? Ah, mas foi sempre assim! Eh coisa da natureza humana! Assassinato? Poxa, se ate Jesus foi assassinado meu filho!

Eh uma piada do comeco ao fim.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 11:37



Comentário de: Alex Castro Email

ué, paulo, não entendi. se vc chama um expert para seu programa, teoricamente alguem que estudou o assunto e entende mais do que vc, faz sentido ouvir o q ela tem a dizer, nao?

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:09



Comentário de: Ana

Paulo, sou cientista e pesquisadora da área de psicofarmacologia e sinto-lhe informar que, sim, o que a especialista fala é real e cientificamente comprovado, não o contrãrio.

Drogas são prejudiciais ou benéficas de acordo com o uso, dose, que se faz delas. Tanto quanto antibióticos, torresmo, morar numa metropole, dirigir um carro, fazer esportes e sexo podem ser benéficos ou prejudiciais.

E se vc pensar em quanto tempo e dinheiro foi investido tentando provar que as drogas são feias, chatas e bobas sem sucesso, vai perceber o quanto essa ideia do senso comum é erronea.

Recomendo a leitura do livro Drugs and Behavior do Mckin, ja estã um pouco desatualizado em algumas coisas, mas é muito bom.

Abraços

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:10



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex
So porque ela tem um degree (q nem sei qual eh) ou so porque trabalha na area nao significa que nao possa falar merda. Dizer q drogas nao sao naturalmente prejudiciais ja me mostra q ela nao sabe do que fala.

Ana
Como cientista, por favor coloque um link para um artigo que tenha sido peer reviewed e publicado por um jornal de respeito q mostre o valor benefico de crakc-cocaine. Ai depois continuamos a discussao.
Escrever livro ate eu posso, e isso nao mostra base cientifica nenhuma. Eu nao estou discutindo o lado social de drogas (obviamente vc vai ser mais 'desinibido' se vc esta high) eu estou falando de efeitos fisiologicos.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:17



Comentário de: Alex Castro Email

Pois é, Paulo, como disse a Ana aí, eu não sou especialista, mas todos os que conheço e que já ouvi falar são unanimes em dizer que as drogas, como qualquer substancia, não são prejudiciais quando não usadas em excesso. até água em excesso mata. mas enfim. vamos ver o que a ana tem a dizer. ela já te recomendou um livro. de qualquer modo, o argumento anti-drogas que vc está fazendo pode ser estendido pra refrigerantes, carne vermelha, etc. Não entendo os conservadores que acham que drogas devem ser proibidas mas aí surtam quando a Primeira-Dama quer proibir refrigerantes e alimentos gordurosos nas escolas. O raciocínio é literalmente o mesmo...

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:34



Comentário de: @4lex78 · http://twitter.com/4lex78

Paulo, as drogas não são prejudiciais e isso é evidente. O que está cientificamente provado é que o ABUSO de drogas é prejudicial.
O álcool não é prejudicial em quantidades moderadas... o açúcar, se consumido em excesso, engorda e leva a problemas de saúde.
É tudo uma questão de quantidade.

Um dos melhores argumentos pró-liberalização é monitorizar os usuários. Enquanto o consumo de drogas for underground, o combate é muito mais difícil.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:46



Comentário de: @4lex78 · http://twitter.com/4lex78

Oops, Alex tava escrevendo ao mesmo tempo! =D

Ontem tava num fórum a debater isso com Conservadores Brasileiros (sim, sou burro) e a coisa tava feia. Enquanto houver gente que baseia a sua opinião em mitos, nada vai mudar. Tanta tanta gente simplesmente descarta experiências positivas como da Holanda e de Portugal só porque "no Brasil não dá e Brasil não é Holanda"... haja dó.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:49



Comentário de: Eric Costa

Sério que não se sabe de usos benéficos de drogas?

Sou apenas um "diletante", mas vamos lá:

- Heroína - É uma parente bem próxima da morfina (é inclusive sintetizada desta), um anestésico para lá de usado.

- Cocaína - Tem efeito estimulante (e redutor de apetite). Seu "parente" legal mais usado é a efedrina, que tem efeitos parecidos e também é usada diretamente em outra droga, a metanfetamina. A efedrina foi usada durante muito tempo em remédios, especialmente descongestionantes, mas vem sendo eliminada, não pela ineficácia, mas porque os remédios eram comprados por fabricantes de metanfetamina. Mas, se você quer o uso da cocaína mesmo, aí vai um artigo da AMA, cheio de PhD e peer reviewed, sobre o uso de colírio de cocaína para pacientes com doença de Parkinson: http://jama.ama-assn.org/content/293/8/932.3.full

- Maconha - Esta já tem efeitos medicinais reconhecidos e é utilizada em alguns locais, como coadjuvante de alguns tratamentos.

Sobre o crack, lembre-se de que ele é feito com a pasta de cocaína, com um conjunto de efeitos semelhantes (apesar de potencializados).

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:52



Comentário de: Sasá

sinto os ares da legalização chegando...
:D

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 13:56



Comentário de: Alex Castro Email

mas o que o paulo não entende é q a unica justificativa de chamar um especialista no seu programa (alguem que, por definicao, sabe mais sobre algum assunto do que vc) é para ouvir o que ele tem a dizer e no minimo considerar a questao com a mente aberta. se vc, a priori, já tem uma opiniao fechado e nao quer ouvir nada que contradiga isso, beleza, mas aí, de fato, nao tem pq chamar um especialista, pois ele vai ou repetir o que vc já sabe (redundante) ou vai questionar o que vc sabe (incômodo)....

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 14:22



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex

Bom eu nem escrevi argumento nenhum. so disse que eh um absurdo dizer que drogas nao sao prejudiciais por fisiologicamente por definicao. Eh por isso que esse argumento de que "eh impossivel proibir ja eh que a nossa natureza" eh tao fraco.

O argumento muito mais obvio e logico eh que certas drogas tem um nivel toxico que eh aceitavel. Eh assim que o alcool e tabaco sao aceitos by the way. Esse argumento eh muito mais facil de justificar e provavelmente com o tempo sera aceito. O problema eh que esse pessoal (nao sei se vc cai no mesmo grupo) realmente acha que heroina, crack, etc, sao coisas naturais e que podem ser controlados da mesma forma que vinho. Para qualquer pessoa q ja conheceu um viciado em crack isso eh absurdo, mas para gente que esta mais interessada em um ponto politico do que pratico isso faz sentido.

Ah, e a explicacao da Ana for parecida com a do Eric a coisa eh mais patetica ainda. Dizer que o beneficio do crack eh eliminar o apetite seria engracado se nao fosse um humor tao negro. Eu ate poderia dizer que esse tambem eh um beneficio das armas de fogo. Mas ai teria nego me chamando de maluco neh?

Enfim...

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 14:28



Comentário de: Rafael Rennó

Eu nem vi a entrevista, mas li comentários e a postagem. De ante-mão posso já dizer muito equivocada a comparação de drogas com chocolate. "Drogas" torna implícitas muitas drogas com consequencias graves demais e não acho que o governo deveria mesmo tornar isso algo legal. A maconha eu apoio à legalização, mas eu não tenho como aprovar o crack, heroína, cocaína, o novo oxi e por aí vai. E o governo não tem condições de fazer isso também enquanto ele tiver que custear os tratamentos médicos de grande parte dos usuários. Chocolate, café ou qualquer coisa normal na nossa alimentação não causam danos a curto ou longo prazo como uma heroína, então não coloquemos exemplos tão distantes do assunto que está sendo tratado.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 14:29



Comentário de: Eric Costa

Alex,
E o que é pior: supor que todos os especialistas terão opiniões semelhantes sobre um assunto. Só dá pra fazer isso em (alguns ramos das) Ciências Exatas. Entrou em Humanas e mesmo Biológicas ou Médicas, vira aquela piada de 11 opiniões para cada 10 pessoas.
Faltou um pouco de pesquisa e preparação prévia da equipe do programa e jogo de cintura da entrevistadora para, em vez de antagonizar a entrevistada, fazer com que ela explicitasse melhor seus pontos (o velho método socrático).

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 14:31



Comentário de: Eric Costa

Paulo,

"Dizer que o beneficio do crack eh eliminar o apetite seria engracado se nao fosse um humor tao negro."

A ideia não era apresentar um ponto benéfico (nem vou comentar o fato de você ter pego o parêntese e não o principal)? Tudo é uma questão de dosagem e uso.

Sim, no mundo médico, as dosagem são bem inferiores e os usos muito mais pontuais do que nas "drogas recreativas". Busca-se a solução mais segura para um problema.
E esse é justamente o ponto: quem usa drogas recreativas, em regra, sabe o que esperar e os riscos. Ela quer o efeito na forma exagerada, seja a euforia, o relaxamento ou as alucinações.

Mas o ponto principal, que falei uns comentários acima, não é esse. Sempre acho que, no cerne de qualquer discussão, há uma premissa (ou algumas) que tem aceitação e interpretações diferentes para cada opinião. Meu "cerne" sobre as drogas é esse:

Um indivíduo, maior e capaz, em sua casa, sem colocar em risco direto outras pessoas, quer consumir a substância X, sabendo de seus efeitos e riscos. Pergunta: o Estado tem o direito de restringir o X, ou seja, limitar o que o indivíduo pode consumir, sob seu próprio risco? Com base na resposta a essa pergunta, pode-se discutir o restante: uso público, controle de qualidade, tratamento de saúde etc.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 14:43



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Eric,

Primeiro de tudo, obviamente quando eu estava falando sobre beneficios eu estava falando sobre uso 'recreativo' e nao medico. Afinal, o assunto eh legalizacao de drogas para esse uso e nao medico. Vc mencionou beneficios medicos e eh logico que eu ia criticar o que vc mencionou.

O ponto principal eh sem duvida esse porque foi esse o ponto que a tal 'especialista' usou. Foi essa minha critica. Se vc concorda comigo e quer mudar o foco entao tudo bem, mas nao vamos deixar de lado o fato de que a tal 'especialista' (eu coloco em aspas so para irritar o Alex) falou merda.

Quanto ao seu argumento (que eh um pouco melhor) eu acho que esse so seria valido se cada individuo pagasse por suas escolhas. Isto eh, se vc escolhe se trancar na sua casa e cheirar que nem um louco, quem vai pagar pelo seu hospital? Se for vc tudo bem. Mas nao vai ser vc. Porque um cara com a cabeca cheia de coca nao vai arranjar emprego. Ele vai virar bandido ou entao mendigo. Nos 2 casos quem paga pelas escolhas dele sao os outros. E mesmo nos casos mais limitados aonde o cara consegue levar uma vida 'normal', quem vai pagar pelo hospital quando o cancer de pulmao chegar?

Olha, e nao tem nem discussao sobre esse tipo de consequencia. Eh so ver o quanto custa alcool e tabaco para a sociedade em geral. Quantas pessoas morrem por ano em acidentes causados por nego bebado? Eu nao ouvi tanto chiado assim quando implementaram a lei seca, nao eh mesmo? E as restricoes sobre lugares aonde se pode fumar cigarro?

Particularmente eu seria a favor de uma sociedade muito mais libertaria mas os problemas com esse tipo de sociedade nao sao poucos. O nosso modelo atual eh sobre controle do governo na maioria dos aspectos sociais, entao dentro desse modelo nao tem como ser a favor da liberacao de consumo de drogas que tenham um poder de vicio tao alto.



PermalinkPermalink 18.04.11 @ 15:06



Comentário de: Eric Costa

Paulo,

Indiquei um argumento sobre a questão dos custos na minha primeira intervenção aqui. Se queremos liberdade temos que, na sociedade como um todo, pagar o preço para tanto. Senão, vamos parar de fornecer atendimento para quem engorda, para quem escala montanhas (um risco desnecessário a saúde), para quem atravessa fora da faixa etc.

E a Lei Seca é um bom exemplo (de iniciativa, não de técnica legislativa, deixo claro): não se elimina a liberdade de beber, mas se cria obstáculos para o seu uso público (e consequências para outras pessoas). Idem para o fumo, conforme você citou. A liberdade de fazer bobagem é mantida (de novo, em minha opinião - para outros, pode ser uma ótima ideia). A amplitude do alcance potencial dessa bobagem é que é reduzida.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 15:16



Comentário de: Amora.

O princípio de que "meu direito termina quando
começa o do outro" vale muito bem pra justificar
a proibição das drogas. Sabemos muito bem que
ALGUNS tipos de drogas são viciantes já no 1º uso
e que não há doses seguras para o consumo. Exemplo
disso é o crack. Portanto, não é de BOM SENSO você
legalizar o uso de uma coisa que vai causar apenas
estrago social e nenhum benefício. Pensando nisso
acho até que o cigarro devia ser proibido, pois
é muito insano que uma coisa com mais de 4.000 substâncias nocivas seja liberada.

Essa coisa de que "cada um faz o que quer com o
próprio corpo" é linda na teoria. Na prática sabemos
que vivemos em sociedade e que o bem da comunidade
deve se sobrepor às necessidades individuais. A
liberdade de cada um acaba quando isso começa a
gerar ônus para o todo.

Eu não quero pagar impostos para um mauricinho
fila da p* que quer ter conforto pra comprar seus
backs. Quer ter vício meu filho? Assuma o risco.

Eu não quero um noiado batendo no meu carro e depois
se justificando com a premissa de que tava na
nóia, mas que isso é legal. Aliás, vai ter
bafômetro pra identificar o crack, a coca, o extasy?

Quem já teve um conhecido drogado sabe o quanto
de ruindade que essa merda trás pra sociedade.
A droga já é descriminalizada pro consumo,o que
ja tá de bom tamanho. Legalizar significa
fiscalizar a venda, a produção, o consumo. Permitir
que os usuários tenham acesso seguro e tratamentoo
pago pelo poder público. Num país onde não se
fiscaliza nem os anticoncepcionais que tomamamos
quem garante que isso vai funcionar?

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 15:28



Comentário de: Eric Costa

Amora, entendo sua opinião, mas aqui vão uns comentários:

- "o bem da comunidade deve se sobrepor às necessidades individuais" - Isso não vale para os direitos individuais. Por exemplo, mesmo que a comunidade se manifeste em uníssono, não é possível (pela lei, claro) restringir a liberdade de expressão de uma só pessoa. Em juridiquês, os direitos individuais são oponíveis erga omnes (contra todos). Eu incluiria (e sim, há discussões) o uso de substâncias como "a intimidade, a vida privada", que são parte dos direitos individuais.

- "Eu não quero um noiado batendo no meu carro e depois se justificando com a premissa de que tava na nóia" - Isso não é justificativa aceita em processos. É a famosa teoria da "actio libera in causa": se você foi livre ao consumir a substância, assume os riscos dos danos que causa sob seu efeito.

- "A droga já é descriminalizada pro consumo,o que ja tá de bom tamanho." - Não, não está. Só não rola xilindró (como diria meu professor de Direito Penal). Há várias outras consequências legais da condenação penal, além da cadeia. Além do registro do crime, que, apesar de não ser público, as empresas sempre têm um policial "amigo" que faz a triagem dos futuros funcionários.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 15:55



Comentário de: @4lex78 · http://twitter.com/4lex78

Amora, tá aí um montão de suposições com metade da realidade.
Mas vamos por partes. Primeiro, se a substância for altamente viciante, como o crack, a liberalização vai trazer os dependentes para a luz do tratamento. Em Portugal (acho que deviam procurar matérias sobre isso), os dependentes são tratados com metadona com sucesso.

Falando em lindas teorias:
A questão do "Eu não quero pagar impostos para um mauricinho fila da p* que quer ter conforto pra comprar seus backs" é uma delas. No lugar dos recursos serem utilizados na legalização (fiscalização), esses são usados no combate ao tráfico. Não será mais vantajoso baixar a violência dos traficantes, mesmo que para isso dinheiro seja 'desperdiçado' com drogados?

De resto, achar que nada é possível no Brasil ("não se fiscaliza nem os anticoncepcionais que tomamamos") é uma atitude derrotista em si que não leva a lado nenhum. Por essa lógica, não se nem mesmo combate o crime já que é impossível vencer esse combate.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 16:11



Comentário de: Hugo

"Quem já teve um conhecido drogado sabe o quanto
de ruindade que essa merda trás pra sociedade.
A droga já é descriminalizada pro consumo,o que
ja tá de bom tamanho. Legalizar significa
fiscalizar a venda, a produção, o consumo. Permitir
que os usuários tenham acesso seguro e tratamentoo
pago pelo poder público. Num país onde não se
fiscaliza nem os anticoncepcionais que tomamamos
quem garante que isso vai funcionar? "

Se esse dinheiro vier de imposto sobre o faturamento estimado do mercado negro de narcoticos, ja vai extrapolar, e muito, o orcamento pra saude. Voce nao vai pagar pra viciado, vc vai receber recursos dos produtores, traficantes(renomeados neste contexto de comerciantes) e viciados e usuarios.

Claro, o que fazer com as quadrilhas ao se legalizar e uma p&ca brava de resolver...

E se vc nao sabe bebado e dragado ja tem privilegios- se um cara vier trabalhar bebado, vc nao pode mandar ele embora, mas tem que manda-lo "para tratamento". O mesmo vale se um funcionario noiado entrar no seu escritorio. Bebado, viciado e toda sorte de irresponsavel ja e' tratado a pao de lo pelo sistema legal atual.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 16:32



Comentário de: Cético

Pela lógica que isenta o consumidor de drogas, o traficante também é inocente, ou no mínimo os seus eventuais "acionistas". Eles não têm culpa que um idiota criminalizou esse empreendimento, querem apenas lucrar honradamente, investindo para que o empreendedor crie a estrutura necessária para fornecer seu produto -- não é só inocente quem investe no tráfico, é algo muito nobre, gera emprego, investe no pequeno empreendedor.

Aliás, é inocente também quem rouba qualquer coisa ou compra qualquer coisa roubada. A culpa é do capitalismo, que não dá sempre tudo que as pessoas querem ao preço que podem pagar, como faria o sistema ideal que a pessoa imagina, mas que nunca é implementado pelos governantes idiotas.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 17:14



Comentário de: aiaiai

uai, pelo que branquinho (com licença de usar expressão do @aleporto) tá falando, então temos que proibir cigarro e bebidas alcoolicas djá!

Ou vocês nunca viram um viciado em cigarro ou um alcolatra. A situação é bem parecida com as dos viciados em outras drogas. A única diferença é que ele não tem que comprar do traficante. Vai ali na padaria e se abastece. Depois a família e o estado tem que cuidar dele.

Mãe de amiga minha teve cancer por mais de 15 anos - pulmão, boca, garganta, esofago - tudo graças ao cigarro que ela manteve na boca até o dia em que morreu. Parou umas três horas antes porque não conseguia tragar. Quem pagou os custos dela esse tempo todo? o estado e o plano de saúde, e a família e amigos que sofreram junto. Quem pagava o cigarro? Ela mesma, com a aposentadoria.

Bebida nem vou falar, né? Bebado mata gente dirigindo, mata criança dando porrada, bota fogo na casa da família e morre junto... É só pegar um jornal ai, qq um, qq dia.

Então, me admira muito um rapaz defensor da liberdade individual e das empresas vir aqui defender proibição de qq coisa q seja. E ai, Paulo, topas proibir cigarro e bebida alcoólica?


PermalinkPermalink 18.04.11 @ 17:32



Comentário de: alex castro

cético,

é isso aí mesmo. vc tá pegando o espírito da coisa. a gente começa assim, falando as coisas sérias de brincadeira e, com o tempo, vamos percebendo que é assim mesmo. ainda há esperança pra vc. força aí.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 17:34



Comentário de: aiaiai

cético,

vc não viu a entrevista né? A gente não tá falando de descriminalizar só para o usuário...a entrevistada falou em descriminalizar tudo. Da produção ao consumo. Fazer como os EUA fizeram quando se livraram da lei seca, entendeu?
Dai a gente não teria mais traficantes, teríamos capitalistas detendo o modo de produção, desde o campo, e também outros capitalistas financiando, realizando a distribuição. Já até imagino uma rede de lojas mundial Mc Cocaine ou uma starcracks. Pensa! Ia ou não ia ser legal? (sem trocadilho)

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 18:00



Comentário de: Breno Kummel

Só a liberação da maconha e da cocaína já traria muito imposto e tiraria muito dinheiro da mão de traficante que tem que se armar e ser violento pra proteger seu negócio.

E já ouvi falar que o LSD é útil para o tratamento de vários casos de enxaqueca crônica, casos que nenhum outro remédio consegue tratar.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 19:18



Comentário de: Boanoitedar

Olá, Ana,

eu tenho algum pouco conhecimento em psicofarmacologia fora do senso comum, e sua afirmação me causa estranheza: "o que a especialista fala é real e cientificamente comprovado, não o contrãrio."

Na verdade, meu senso se aproxima mais de algo como "crack é a droga de vício de um uso só" (em uma clara referência ao altíssimo poder de causar dependência dessa substância) do que de benesses relativas ao uso de substâncias ilícitas em doses recreativas.

Há bastantes pesquisas buscando utilizações para a maconha e outros alucinógenos, mas não vejo ainda como usá-los em substituição aos fármacos já usados.

Creio, também, que a especulação em torno das drogas lícitas pode, ao menos (como comentadores já têm feito), usar as drogas já legalizadas como exemplo de experiência:

o álcool e o tabaco são as drogas que mais matam no país - isso, segundo minhas possivelmente desatualizadas informações, obviamente.

E o governo, que deveria melhor informar sobre essas mesmas drogas, não está a cumprir seu papel, então por que ele cumpriria em relação às demais? (Claro que isso entraria como ponto a ser observado em uma eventual implementação da legalização, e não como impedimento da mesma, mas as evidências oferecidas atualmente apontam para a necessidade de um melhor manejo em relação ao álcool e ao tabaco antes mesmo de uma legalização das demais drogas.)

E, como já muito bem observaram, as ciências biomédicas oferecem muitas informações absolutamente questionáveis, e a seguinte pergunta pode servir como exemplo:

Qual a dose e o uso recomendáveis para álcool e tabaco, já que "Drogas são prejudiciais ou benéficas de acordo com o uso, dose, que se faz delas."?

Obrigado.


PermalinkPermalink 18.04.11 @ 19:27



Comentário de: Boanoitedar

Se bem que um total monopólio do Estado sobre a produção dessas drogas, talvez, já pusesse a questão em melhores lençóis.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 19:30



Comentário de: Bruno Cava · http://quadradodosloucos.blogspot.com

Tudo bem galera da proibição, o abuso de drogas (lícitas ou ilícitas) faz mal à saúde. Sim, faz mal! vocês acham que quem alguém acha que faz bem?

Mas me expliquem por qual artimanha de raciocínio, isso justifica colocar a PM do Rio, de São Paulo ou de qualquer estado numa caça truculenta de pessoas em posse de algumas dessas substâncias ou as comerciando, para levá-las presas, em presença de um juiz criminal e, afinal, depois de processo, puni-las, quiçá lançá-las nas masmorras tupiniquins?

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 20:05



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

Alex, Li alguns, nao todos, comentários aqui de cima.

Percebi aqui, como em muitos foruns (online e offline) que sempre as discussoes sao reduzidas ao que está na superficie, de certa forma repetindo o erro da entrevistadora. tanto os prós liberacao quanto os contra regurgitam fatos, dados e factóides e evitam a discussao fundamental, que na minha opiniao é: Devemos ter a liberdade de fazer o que quisermos com nosso corpo e mente? Se a resposta é sim, entao tudo deve ser liberado (e devidamente regulamentado pelos poderes constituidos, para a protecao daqueles que optarem pelo uso) Se a resposta é nao, entao o consumo de alcool, tabaco, etc, deve ser proibido. a hipocrisia em dizer: esse pode, esse nao é que nao pode perdurar

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 21:02



Comentário de: Roger Moreira

Daqui a pouco vão querer que eu pare de beber... Ai que horror! Como é que alguém aguenta esse mundo sóbrio? Assim, o dia todo, todo dia? Sóbrio? Só sendo muito desalmado.

Uma coisa que nubla o debate sobre drogas, jogo ou prostituição é que as pessoas tem a ilusão de que, se liberar geral, o mundo acaba.

Bobagem, uma minoria é que acaba enfiando o pé na jaca. A maioria nem usaria ou usaria socialmente.

Pra mim, dois argumentos ganham esse debate. O primeiro é que não é da sua conta o que os outros querem fazer. Segundo, o custo econômico, político, social, vidas inocente, violência, etc, da guerra pela proibição é imensamente superior aos eventuais custos da liberação.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 21:39



Comentário de: Roger Moreira

Bom, não dá pra falar desse assunto sem lembrar do homem que enganou a morte.
Perguntaram pro Keith Richards como ele chegou até aqui, 68 anos, tendo sobrevivido a anos de uso de heroína, cocaína, anfetaminas, calmantes, maconha, álcool e tabaco.
Basicamente ele disse que, salvo alguns escorregões, sempre foi muito cuidadoso quanto a qualidade e quantidade do que tomava. Que muitos amigos dele morreram na tentativa de ficar cada vez mais altos aumentando a dose indefinidamente.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 21:44



Comentário de: bibi

Pois é, quando linkei esse video, que também achei fantástico, entitulei: Pela Autonomia de uso.
Continua-se a achar que a opinião pública, o público é incompetente para gerir suas próprias decisões, e portanto, precisa do estado para gerenciar o que é permitido ou não.
Pergunte-se: você usaria heroina caso fosse disponível dentro do mercado legal? Minha resposta e, aposto que a de muitos de vocês é NAO. E quem já usaria usaria mais, ou poderia ter opções de uma conciencia mais inteligente sobre o entendimento das consequencias do uso?
A pesquisadora deixa claro que nao deveria ser o papel do estado a proibição, mas sim, a responsabilidade em oferecer mecanismos de compreensåo sobre o uso, de controle e também de cuidado para com aqueles que eventualmente sofressem com os abusos de suas próprias escolhas.
Nao é o que ocorre com o alcool. Mas é muita ingenuidade achar que estas políticas públicas tem fundo moral, e que não funcionam a partir de sistemas de poder e controle social. Quem não entende ainda o tamanho poder paralelo da negociaçåo de cocaina na bolsa de valores, com nome fantasia?
O falso pretesto da mao do estado zelando por seus cidadãos é patética.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 21:53



Comentário de: Fabio R.

Olá,
Só queria dizer que algo curioso é a pauta do programa, que foi ralo abaixo. Pra mim, era pra malhar as políticas governamentais de combate ao uso de drogas, além do debate. Mas, cá entre nós, a Globo não quer debate nenhum, né?
Acho a Lei Seca até necessária. Mas, pra mim, não salvou vida nenhuma. Um pouco de coerção diminuiu a incidência de acidentes causados pelo uso de álcool na direção. Mas ainda tem muita gente bebendo e dirigindo e muito acidente não causado por álcool. A Lei é necessária porque não há uma fiscalização decente da conduta no volante. Não deviam punir quem bebe, mas quem dirige mal.
Pra turma do contra, o crack é subproduto da cocaína? Porque se for, ainda haveria crack se a cocaína fosse legalizada? Não sei, é um ponto pra debater.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 22:12



Comentário de: Felipe

Alguém reparou o suspiro desolado que a entrevistadora dá em 4:10?

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 22:57



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Sim, dentro do esquema atual o unico argumento possivel eh o do custo.

Agora, eu ainda nao vi um estudo sequer que mostre que a legalizacao traria economia. Existem estudos claro mas sao todos incompletos. Nenhum olha para os gastos adicionais com hospitais e clinicas, aumento de acidentes, aumento de fiscalizacao (se cigarro e bebida nao sao totalmente estatizados vc pode esperar que producao de outras drogas tambem nao seriam), etc, etc.

Mas, pelo menos nessa esfera existe um debate possivel. Se vc tem estudos interessantes para indicar ai sim eu estou aberto a discussao.

Mas toda aquela balela de que drogas nao sao prejudiciais, ou que "eh impossivel controlar", aquilo continua e sera sendo nada mais do que lixo. Porque os defensores de legalizacao continuam insistindo nessas imbecilidades eu realmente nao sei.

PermalinkPermalink 19.04.11 @ 00:27



Comentário de: Arthur

Paulo,

Na verdade o argumento do que é natural não é exatamente um argumento a favor da liberação, ele simplesmente passa o ônus de se justificar para as pessoas a favor da criminalização.

E eu nunca vi estudos mostrando que a criminalização tras economia, então não sei por que nos damos ao trabalho de se esforçar tanto para impedir o correr da natureza.

PermalinkPermalink 19.04.11 @ 12:27



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Acho que o ponto aí não é ser ou não a favor de liberar as drogas. A questão é que a jornalista claramente não estava preparada para fazer a entrevista. Se tivesse pesquisado, possivelmente saberia que a linha defendida pela entrevistada era a defesa da liberação. E poderia contrapor com argumentos mais consistentes - concorde-se ou não com eles -, como estatísticas de internações em clínicas de reabilitação, custo disso para o Estado, ou para as famílias, estudos que indicassem em que níveis de consumo se poderia falar em dependência química, enfim, debater de fato o assunto e não apenas ficar patinando no "eu tenho dois filhos jovens e não gostaria..."

PermalinkPermalink 19.04.11 @ 22:03



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Nao consigo postar a resposta. Fica para outra hora entao.

PermalinkPermalink 19.04.11 @ 23:14



Comentário de: Alex Castro Email

paulo,

o sistema bloqueia algumas palavras (q nao sei quais sao) mais comumente relacionadas a spam. deve ser isso.

PermalinkPermalink 19.04.11 @ 23:27



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Tentei modificar varias palavras mas na consigo... Enfim, vamos ver se esse vai. leiam esse link:

http://www.npr.org/2011/01/20/133086356/Mixed-Results-For-Portugals-Great-Drug-Experiment?ft=1&f=5

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 11:44



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

aumento de 40-50 em usuarios e mortes por drogas. E olha que ali nem se fala em custos. E alem de tudo isso, Portugal eh um pais pequeno e mais ou menos homogeneo.

Por isso que ate a Holanda esta voltando atras em varias aspectos da liberalizacao.

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 11:45



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Por ultimo: para os q usam o argumento (fraco tambem) de que "se nao existe solucao perfeita eh melhor liberar tudo" leiam a historia da morphine. Alias, o Harrison Narcotics Tax Act of 1914 foi a origem de tudo isso e eh bom entender que ele nao surgiu do nada ou de moralismo. Morfina estava destruindo uma parcela cada vez maior do publico e criou uma crise de saude enorme.

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 11:50



Comentário de: Renato

@FYI

Para facilitar a exposição, vamos separar o raciocinio em partes para ir construindo o mosaico.

*Aspectos individuais*

1 - Você considera que existem beneficios médicos e terapeuticos na utilização de algumas "drogas" ?

2 - O que você acha da premissa que a pessoa possui direito de manipular a propria consciência como bem entender ?

3 - O que você acha sobre o papel do Estado em restringir o que você pode ou não fazer com seu proprio corpo (Tipo de comida, quantidade de sal, fumo, gordura)


*Aspectos coletivos*

4 - Antes da criminalização das drogas, o que a literatura diz sobre violência social, dependencia quimica ou mazelas sociais ?

5 - O que você espera que seja alcançado com a criminalização das drogas ? (Objetivo fim, por mais utópico que seja)

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 17:31



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Renato,
1 - Sim, mas esses nao importam na discussao sobre drogas com uso recreativo.
2 - Se todos pagassem o preco pelas proprias acoes eu seria a favor. No sistema atual aonde pessoas responsaveis pagam pelos crimes de irresponsaveis a resposta eh 'depende'.
3 - Vide 2.
4 - Veja meu exemplo sobre a morfina. O problema so virou o que eh no mundo moderno. Na idade media o seu poder de fazer merda era infinitamente menor.
5 - O mesmo que eu espero que seja alcancado com a criminalizacao do assasinato, roubo, evasao de impostos, etc, etc. Numero um, que a pena criminal sirva como 'deterrent' (nao sei em portugues) e que numero dois, se retire da sociedade pessoas que nao seguem as regras estabelecidas evitando repeticao da ofensa. Simples assim.

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 19:56



Comentário de: Renato

Como diria o esquartejador, vamos por partes.

Então suas respostas objetivamente foram:

1 - Sim
2 - Depende
3 - Depende
4 - Não deu resposta
5 - Deterrent / Afastamento de infratores.

Entendi certo ?

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 21:54



Comentário de: FYI · http://fyiblog.wordpress.com/

Eu respondi a 4. Dei um exemplo concreto de como era a situacao quando nao existiam leis parecidas com as atuais e ao mesmo tempo ja tinhamos um ambiente suficientemente parecido com o atual. Nao vou reescrever tudo q vc pode achar numa wikipedia.

O resto eh isso ai.

PermalinkPermalink 20.04.11 @ 23:35



Comentário de: Renato

Ok, já dá um caldo.

É importante separar as coisas para saber de onde estmaos falando.

O que eu não entendo é a mentalidade de prisão. Pessoas que querem fazer coisas, vão fazer, seja a coisa permitida ou não. A longo prazo a tendência é a super-especialização em uma modalidade de crime, onde não apenas o crime continua sendo cometido, como se cria toda uma logistica criminosa para amparar a execução do mesmo.

Mas voltando ao tópico.

1 - Ok, você "cuidou" de uma ponta (Os infratores que foram pegos), o que se faz com eles, deixa eles entulhados "retirando" do convivio social ?

2 - O que se faz para evitar que novos infratores apareçam ?

Colocar chiclete no furo de um encanamento só resolve até certo ponto. (Necessariamente tem que ser algo que não inclua prisão, dado que os infratores que foram pegos já se encontram na mesma, e os que nã foram pegos estão sendo perseguidos e se super-especializando em evitar a persefuição)

PermalinkPermalink 21.04.11 @ 13:48



Comentário de: Will · http://sociedadedionisiaca.blogspot.com

Adorei a entrevista e o post como um todo. Ñ li todos os comentários, mas fui pulando de um para outro e todos em que bati os olhos davam ou refutavam alguma opinião sobre a legalização das drogas.

Assunto pertinente, é claro, mas queria destacar o outro assunto do post, que fica bem evidente no texto do Alex.

Quando é um assunto controverso como as drogas, vozes mais sensatas como a da pesquisadora nem sempre apoiam a visão dominante. Essas vozes são caladas constantemente e as pessoas acabam por insistir na opinião hegemônica. Deu pra ver isso nos comentários aqui e ficou gritante na entrevista.

A Leilane Neubarth, em nome de defender a posição (sua e/ou da empresa), esqueceu completamente quem era a entrevistada ali.

Repito: ótimo post!

PermalinkPermalink 21.04.11 @ 19:18



Comentário de: Fabiane · http://fabianelima.com

A parte que mais achei tosca foi quando a entrevistadora diz "Ai, mas eu tenho filhos!". Vocês também não têm nojinho daquelas mulheres que embucham e se acham superiores por serem mães, como se isso desse uma visão privilegiada do Cosmos a elas? Eu tenho.

PermalinkPermalink 22.04.11 @ 15:45



Comentário de: mardson machado · http://www.contra-afronta.blogspot.com

Olá!
Parabéns pelo seu blog! Muito bom.
Gostaria de aproveitar a visita para divulgar o meu blog. Trata-se do contra-afronta.blogspot.com, onde temas como política, cultura, comportamento e cotidiano são abordados, tendo como foco principal os problemas da cidade de Salvador.
Estou aguardando a sua visita.
Abraço!

PermalinkPermalink 25.06.11 @ 00:20



Comentário de: damastor dagobé

O avesso do avesso:
os filmes, hoje, tanto como os livros são material de reflexão sobre a realidade imediata, que depende evidentemente do discernimento de cada um;
dificil terminar de ver Traffic, do Soderbergh se se convencer totalmente da inutilidade e do
desastre que é a repressão ao comercio e uso de drogas; mas antes disso eu ja era a favor da liberação, basicamente pq a repressão é um
carissimo enxugamento de gelo;
mas hoje ja tenho outra ponderação: a repressão
do uso e comercio de drogas mata muita gente
mas geralmente so os diretamente envolvidos na atividade e se, com a liberação, o trafico nao for mais lucrativo (quem iria ganhar seria os mesmo grande laboratorios de sempre) os bandidos que
vivem disso atualmente iriam me sequestrar.
Então prefiro que fique como está. Ta de bom tamanho.

PermalinkPermalink 13.08.11 @ 06:53



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