Qual É a Graça de Tanto Crime e Violência?

  Sangue Frio, A    Educação de um Bandido

Email que recebi:

"Gostaria de fazer uma sugestão para o LLL (que na verdade é um pedido pessoal de indicações): você poderia fazer uma lista com os livros indispensáveis e/ou os que você mais gosta sobre crimes? Veja, usei a palavra "crimes" para que a lista possa ser abrangente: detetive que desvenda algum, estudo sobre mentes criminosas (ex.: Truman Capote), bandidagem da boa (Edward Bunker) etc."

O pedido, em si, é interessante, mas a grande verdade é que não tenho interesse algum por crimes, bandidos, gangues, detetives ou mentes criminosas de modo geral. Nunca li os autores citados - nem tenho muito interesse. Dos livros na minha lista de favoritos (aqui na coluna da direita), nenhum é sobre crimes. Leio muitos livros policiais, mas estritamente pelos personagens: acompanhar Nero Wolfe e Archie Goodwin passando férias na Europa seria tão interessante (ou mais) do que vê-los resolvendo crimes. Idem idem para Holmes & Watson, Padre Brown, Fletch, Arsene Lupin, Maigret, Columbo, Monk, Bobby de Law & Order Criminal Intent, etc etc. Nesses livros e filmes, o crime é a coisa que menos me atrai: quero saber da dinâmica dos personagens.

  Monk    Lei & Ordem: Criminal Intent    Columbo  Sabedoria do Padre Brown, A   Sherlock Holmes: Edição Definitiva   Maigret e o Homem do Banco  Confraria do Medo, A    Voz do Morto, A

Ou seja, sou a pior pessoa pra se perguntar isso. Fale com a Olivia e ela vai ter excelentes sugestões.

Mas, ainda assim, fiquei matutando aqui: qual é a graça do crime? Por que as pessoas se expõem continuamente a coisas das quais fugiriam na vida real, a coisas que não querem nem saber que existem, a coisas que passariam mal se vissem pessoalmente, a coisas que as destruiriam se acontecessem com um ente querido? Qual é o atrativo de tanto sangue, violência e morte?

Não venham acusar esse velho libertário de censura. Acho que as pessoas devem produzir e consumir o que quiserem. Videogames violentos não são causa, são sintoma. Eu não quero saber o que o gamemaníaco vai fazer quando sair da Lan house: eu quero saber porque ele entrou! Qual é a graça de passar horas e horas, e gastar reais e reais, fingindo que se está matando ou machucando gente?

Aos espectadores de filmes de ação, terror e mistério, eu pergunto: tanta morte ensina alguma coisa? Ajuda vocês a serem pessoas melhores? Comove? Diverte? (E aí já começamos a entrar em outra questão espinhosa: para que serve a arte, afinal de contas? Ou melhor, para o que utilizamos a arte?)

Bote a mão na consciência. Tente imaginar um outro mundo onde a violência não fosse glorificada. O que pensaríamos de gente que acha "divertido" duas horas de um maníaco com máscara de hockey matando pessoas, uma atrás da outra? O que essa idéia de diversão nos diz sobre o estado mental desse indivíduo? Você gostaria de ficar preso no elevador ou de dormir ao lado de alguém que se diverte com mortes em série? E, entretanto, fazemos isso todos os dias, não?

Como sempre, o maluco desajustado deve ser eu. Até hoje, eu não entendo a graça de parques de diversão ou maconha, por exemplo. Por que alguém paga para sentir medo? Por que alguém paga (e ainda arrisca prisão) pra ficar alto? Caramba, se me amarrassem numa montanha russa, eu pagaria o dobro, o triplo do preço da ingresso pra sair dali - mas nego paga fortunas pra entrar! Se acordasse me sentindo como se tivesse acabado de fumar um baseado, eu iria ao médico correndo, pensaria que estava morrendo, faria todos os exames, gastaria uma fortuna em remédios, pagaria o que fosse preciso para o meu mundo voltar à sua órbita - e nego sobe o morro e arrisca levar uma bala na cabeça pra ficar assim.

Talvez o mais inacreditável seja a relação entre sexo e violência. Deve ser porque não sou pai, é a única explicação. Como pode uma sociedade tentar ao máximo proteger suas crianças do sexo (um ato natural e lindo, mágico e necessário, a origem de toda a vida, algo que queremos que nossas crianças um dia pratiquem com prazer e responsabilidade), mas ao mesmo tempo as expor a doses quase psicopatas de violência (algo que não queremos que jamais faça parte de suas vidas, nem como vítimas, nem como perpetradores)? Não faz muito tempo, os americanos quase surtaram coletivamente porque um seio (um seio, meu deus!) de Janet Jackson escapou para fora do sutiã e foi visto, em cadeia nacional, por milhões de crianças - que assistem em média a seis homicídios por dia. "Não temos problemas com torturas e decapitações, mas precisamos proteger nossas crianças daquele peitão!"

Sério. As perguntas não são retóricas. Alguém me explica? Por favor?

   Kill Bill  Cães de Aluguel

Será que os dramas e emoções da vida normal não bastam? Estaremos restritos a tediosas crianças que perdem sapatinhos ou a nojentos banhos de sangue e tripas?

Tire a violência absolutamente gratuita da obra de Tarantino e o que sobra de filmes como Cães de Aluguel e Kill Bill? Qual é a graça de sentar no cinema e ver a Uma Thurman (ou o Charles Bronson, ou o Clint Eastwood, ou o Jason, ou um tubarão branco, ou o Predador, ou um vírus apocalíptico, ou uma nova era de gelo, ou um navio afundando, etc) matando uma pessoa atrás da outra? Aliás, é impressão minha ou 80% do cinema é sobre alguém ou alguma coisa matando gente em série? Qual foi o último filme realmente bem sucedido que não incluía nenhuma morte violenta, ou que não tinha alguma morte como ponto fundamental da trama?

Qual foi o último filme que você viu que celebrava a vida, caralho?!

  Coleção Charles Bronson Dirty Harry Predador Titanic  O Dia Depois de Amanhã  Sexta-Feira 13 Parte 6 Tubarão Extermínio

Pré-FAQ dos Comentários

Reparem que não estou criticando a violência como tema artístico em si. A arte engloba tudo. Violência é um tema artístico tão válido quanto o amor, o trabalho, a doença, o destino, a morte. O que me espanta é predomínio do tema: nossa produção cultural parece viver praticamente só de violência.

Sempre que critico alguma obssessão por X, me aparecem alguns praticantes de X se sentindo atacados, como se eu tivesse falado deles. É como eu fazer um post sobre aqueles gordos mórbidos que comem compulsivamente e um bando de idiota vir encher minha caixa de comentários dizendo coisas como:

Ei, seu idiota, como você ousa falar mal de quem come? Eu como três vezes por dia e não tem nada de errado comigo! Você tem é preconceito contra as pessoas que comem! Você é feio e bobo!

 

10.04.11


Categorias: Cinema


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Comentários:


Comentário de: Thiago ZuK

Tem o "Clube da Luta" que apenas uma pessoa morre, mas que o tema do filme, de longe é sobre isso. O tema é mais voltado a observar como os homens de hoje estão desperdiçando suas vidas e justamente é uma volta à celebração da própria vida com toda a sua vivacidade e potencialidade.

PermalinkPermalink 10.04.11 @ 23:27



Comentário de: Breno Kummel

Aristóteles já dizia que gostamos de ver no palco aquilo que não gostaríamos de vivenciar. Isto serve pra violência, mas também serve pra qualquer tipo de drama. Quem gostaria de ser protagonista da maioria dos acontecimentos narrados em ficção?

Ah, e eu acho que o Cães de Aluguel se sustenta sim sem a violência. Tirando a cena da orelha, nem é um filme tão pesado assim.

PermalinkPermalink 10.04.11 @ 23:50



Comentário de: Filipe

Gosto de Tarantino. Seus filmes são violentos sim, mas a vilolência dele traz os mesmos questionamentos que vc faz no post. Tarantino não é bom pq mostra violência, mas pq mostra o quanto a gnt gosta de violência e, consequentemente, questiona isso, como esse post.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 00:15



Comentário de: Marco

Pela mesmo motivo que usam drogas. Pq é bom! O desejo de violentar é no fundo uma delícia, a adrenalina na veia e tudo o mais que envolve uma situação dessa. Daí a necessidade de freios sociais fortes para evitar que o desejo se transforme em uma realidade desesperadora, como a que vivenciamos no país!

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 00:36



Comentário de: Ig pop

Jura que não entende por que as pessoas pagam por maconha?!

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 01:54



Comentário de: Alex Castro Email

Ig,

Olha. Eu até entendo pq alguém q leva uma vida chata e careta, com mulher reclamona e cheio de filhos, depois de passar 12 horas no escritorio, iria querer fumar um baseadinho antes de dormir.

A graça é que o povo que conheço que fuma maconha é sempre quem menos precisa. :)

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 02:18



Comentário de: aiaiai

Não sei...tb não entendo. Gosto de livros policiais, como alguns q vc colocou e adoro law and order. Não sei explicar porque, mas acho que é pela literatura, não pelas mortes. Acompanhar o inspetor maigret desvendando os sentimentos dos envolvidos em algum crime me atrai...ver gente sendo devorada por tubarão ou morrendo em naufrágio, não quero não, obrigada!

Agora, vc falou sobre porque escondemos sexo e mostramos violência para as crianças e, ontem, tive uma discussão ridículo com dois amigos sobre gays. Os dois - aiaiai - acham que tudo bem ser gay, mas que não podem se beijar na frente das crianças. Sabe por que? Eles alegam que não é normal, que a criança será agredida com aquilo e que os adultos não saberão como explicar. Um dos meus amigos inclusive é gay!!!! Eu desisti do papo, mudei de assunto, não tenho paciência para isso. Nenhum argumento pode ser colocado contra argumentos tão sem sentido.
O que vc falaria para esses meus dois amigos?

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 08:40



Comentário de: Marcell Alves

Eu acho que a violência fascina o ser humano pois somos animais selvagens e domesticados pela civilização.

Em maior ou menor grau, temos meios de satisfazer todos os nossos impulsos animais, como o sexo, a fome, etc, mas não temos meios socialmente aceitos de satisfazer na prática nossos impulsos violentos. Acredito ser essa a origem dessa obssessão pelo tema na produção cultural de massa, nossa única forma socialmente aceita de liberar esse instinto animal de violência.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 09:09



Comentário de: Tiago

Não me lembro do marco teórico, mas sei que estudei isso em Criminologia.

A fascinação pelo horror é uma forma de aprendizado. O prazer experimentado ao se imaginar em uma situação dessas é um mecanismo para que sejam simuladas na mente quais atitudes você tomaria se estivesse fugindo de um assassino ou escapando de uma tragédia qualquer.

Não é por outro motivo que as pessoas saem do cinema criticando a estupidez da menina que se deixou levar para a casa do assassino. Você se imagina naquela situação, aprende o mecanismo daquele horror e diz, satisfeito: "Eu nunca seria tão burro!"

Coisa parecida acontece no frenesi da mídia relacionado aos crimes violentos e catástrofes naturais. Queremos cada detalhe para absorver a experiência e tirar conclusões (nem mesmo os terremotos são aleatórios pra essa gente).

E os criminosos são transformados em monstros, justamente para que seja possível diferenciá-los de nós, homens bons e justos, o que nos confere segurança. Aí é possível dizer: "Minha filha está a salvo, nunca a deixaria se envolver com o goleiro do Flamengo." ou "Na escola particular do meu filho há detectores de metais, um maníaco nunca conseguiria entrar".

Enfim, o horror fascina pelas possibilidades de aprendizado e de exercício de uma superioridade narcisística.

E "Up", da Pixar, celebra a vida ;)

Sobre a maconha, também não entendo.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 09:23



Comentário de: Bruno Stern

Isso me lembra de pais que passavam DVD(pirata) de Tropa de Elite para seus filhos de menos de 10 anos e que ficariam escandalizados se os filhos assistissem algum filme com cenas de sexo(mesmo que padrão hollywood - parece um peito em meia luz, lençol em L).

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 09:29



Comentário de: alberto

fumar maconha é igual a beber vinho, por ex.
é apenas prazer.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 11:09



Comentário de: 4lex78 · http://twitter.com/4lex78

Eu até ia defender Tarantino, mas Filipe disse quase tudo. Em suma: Tarantino ridiculariza a violência mais do que a celebra. Em relação aos parques de diversão, penso que as pessoas procuram a adrenalina que vêm associada ao medo. Eu tenho medo antes de subir na Montanha Russa, mas a adrenalina que corre depois compensa.

O que eu não consigo entender é o argumento que muita gente usa de que "a violência fascina o ser humano pois somos animais selvagens e domesticados pela civilização". Isso não é fato. A maior parte dos mamíferos vivem em comunidades com harmonia e a violência é usada para caçar ou marcar uma posição social. Preciso falar dos índios?

O problema aqui é que "nós" queremos ver violência que é fruto de distúrbios mentais (serial-killers) ou sociais (crime organizado). Somos atraídos pela violência ou pelo "freak show" que ela é?

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 11:38



Comentário de: Marcelo Camanho

Uma das melhores análises que li sobre a fascinação das pessoas com o horror foi um livro (de não-ficção) do Stephen King, chamado "Danse Macabre".

In a nutshell, a resposta é a mesma pela qual assistimos corridas, ou esportes: queremos experimentar (ainda que vicariously) os extremos, com segurança. No caso da montanha russa e dos filmes de horror, queremos ser levados até a beira do abismo - mas sabendo que uma "mão protetora" está pronta para fazer daquilo tudo apenas uma brincadeira sem maiores consequencias.

Outro ponto relevante que o King faz é de que, no caso dos filmes de terror, ainda existe um componente "psico-social" através do qual os medos da sociedade se refletem nos filmes: "Invasores de Corpos" era o medo da infiltração comunista nos EUA, o "Wolfman" era a nova geração de adolescentes começando a ocupar seu lugar na sociedade, o "Ataque das Formigas Gigantes" era o medo do descontrole nuclear. Os filmes de horror da "minha" geração (Sexta-feira 13, Halloween etc. - o gênero "maníaco homicida") vieram na sequencia da divulgação dos casos mais famosos de "serial killers". E por aí vai.

Para os mais antigos, o "drive" é o mesmo de quando nos reuníamos na infância ao redor da fogueira para contar histórias de fantasmas...

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 11:52



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Isso eh algo q acontece em todas as areas de cinema, teatro, etc. Nem todo mundo q assiste porn quer transar com 3 mulheres ao mesmo tempo. Mesma coisa com esportes, dramas, etc. Assistir algo q vc sabe q nao eh sua realidade eh entertaining.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 12:42



Comentário de: Arthur

Acho que as violências tem fontes diferentes.

Acho que a violência de filmes de terror, onde um monstro aterroriza um grupo de jovens até sobrar uma menina indefesa está intimamente ligada ao sexo.

Não é atoa que o protagonista, tirando o monstro é sempre uma mulher, geralmente virgem e pura. Nem é atoa que há tanto sexo nesses filmes.

Mas além disso a violência está ligada aos extremos. Um grande ato de heroísmo, apesar de não necessariamente ter que estar ligado a violência, é muito mais fácil de conceber quando ligado a violência.

Acho que os romances policiais, por exemplo, eles só tem violência para dar algo devidamente grave para seus heróis combaterem. Nos filmes de ação também.

A violência é a continuação das relações sociais por outros meios, então geralmente também se usa a violência para denotar gravidade sem muito esforço.

Ao invés de construir uma historia que leve o personagem a uma encruzilhada, sutilmente indicando ao leitor a gravidade dessa escolha, as conseqüências morais e materiais de tudo isso, você coloca uma arma na cabeça de alguém e explicita: Se errar alguém morre, de preferência uma menina novinha. Ou a mulher do cara.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 13:18



Comentário de: Jean

Limitar o gênero do terror apenas como apreciação do sofrimento alheio é bobagem.
.
O horror em sua pulsão básica é uma força surgida na contemplação da limitação humana na natureza física e social e sua capacidade de compreensão enquanto sentido.
.
Exemplo: Eu considero a adptação de "O Processo" de Kafka, por Orson Wells, o filme de terror mais apavorante já feito.
.
Vários temas são sondados no gênero: o dilema da sexualidade, repressão e luxúria, no ocidente, nos vampiros de Christopher Lee, o jogo simbólico de perdição pela paixão nos cenobitas de Clive Baker,o momentode loucura e amor quando a mãe do bebê de rosemary confronta-se com sua cria.
.
Até slashers como o manjado Jason possuem elementos interessantes.
.
O assassino apenas persegue jovens transgressores sexuais e morais da família. Ele é um aleijado de uma estrutura familiar ao qual idealiza e um penalizado devido a uma capacidade de viver em sociedade, para se valer como protagonista de alguma coisa,precisa se mascarar e sair por aí realizando fantasias de violência sexualizadas.
.
Ora, se essa descrição for válida, não nos lembra os ultra-radicais da direita que assombram a internet e por vezes saem com cartazinhos sobre conspirações gays, comunistas e etc?
.
As obras que carregam violência, carregam mais do que ela.
.
Assim como hamlet, por exemplo,


PermalinkPermalink 11.04.11 @ 13:29



Comentário de: mascaradaaa

Mas Kill Bill é tão legal!
Não sei se tem um pouco de rebeldia nisso, de gostar desse tipo de coisa só pra se sentir trangressor, ou pra sentir uma emoçãozinha na vida parada da pessoa, mas eu gosto (em "Um dia de fúria" é muito gratificante ver o cara se revoltando com a vida e sair quebrando tudo).

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 13:54



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

Alex,

Eu acho que tem a ver com escapismo, com emoções extremadas. Uma montanha russa a 100 por hora te arranca do seu mundinho, uma dose de drogas (alcool included) também. Acho que os filmes tem essa propriedade também. trabalham com emoçoes intensificadas e com escape da realidade.
Filmes de sexo deveriam caminhar nessa linha, mas dai vem as restrições moralistas e castradoras.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 16:31



Comentário de: Felipe

Eu não poderia concordar mais com o artigo. Realmente não entendo essa fascinação. As pessoas glorificam a violência de todas as formas (toda essa coisa de honra de guerreiros, batalhas épicas e blablabla) e depois não entende a violência do mundo que as rodeia. Muito triste mesmo.

Agora, não gostar de parque de diversões? Ah va...

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 18:14



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Hmmm.... eu acho que o caso da Janet Jackson tem uma explicação: o kid pode querer ver o peito da mamãe, porque viu o peito da Janet Jackson, mas ele não irá querer ver o papai matando gente porque viu o Rambo matando gente. Pelo menos, parece ser menos constrangedor para o papai negar isso ao kid.

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 18:36



Comentário de: Alessandra

Eu adoro ler true crime, adoro filmes sobre vingança e crueldade (os bons, claro). O motivo me parece meio óbvio: o mal é fascinante. E o jeito mais seguro de examinar o mal é de longe, através de literatura (ficção ou não-ficção, tanto faz), cinema, quadrinhos, etc.

E concordo completamente com o Marcell, o impulso violento é humano e natural, e se não pode ser expresso, então tem que ser ou reprimido ou sublimado. Quando é reprimido, vira passive-agressiveness, fofoca, etc. Quando é sublimado, vira filme de terror, vira rap, vira jiu-jitsu.

E só uma observação ao 4lex78, tudo que eu sei sobre mamíferos e sociedades tribais me faz acreditar exatamente o contrário do que você disse. Todo animal pratica violência sem medida quando isso é necessário, e sociedades tribais também - inclusive através da guerra umas com as outras.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 20:21



Comentário de: Roger Moreira

Mortalidade. O grande dilema humano é, e sempre foi, como lidar com a morte. Damos vida ao pesadelo da morte porque ele nos persegue. Tentamos nos imunizar contra ele, nos acostumar, aliviar a tensão tornando-o uma brincadeira, o alívio da chegada na montanha russa. Tentamos amar o inimigo, cooptá-lo, ver a beleza estética que pode haver na vilolência. Tentamos rir dele, fazer comédia. Tentamos dar significado, valor moral à morte. Etc. Etc. Etc. tudo dependendo de como decidimos lidar, enfrentar, fugir, transcender, ou o que seja, a morte.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 20:45



Comentário de: Vanessa

Na verdade eu gosto de alguns gêneros (suspense e ação) e odeio o terror de Jason, monstros e espíritos do mal.

Quanto aos filmes de ação com violência, realmente gosto do ideia de ter um Rambo ou Exterminador do Futuro no salvando; um mulher no Kill Bill se vingando. Creio que aproveitamos para ter justiça ali nos filmes, já que na vida real justiça não há (na minha opinião). Pode recomendar série sobre o tema? Faltou Dexter que todos amam e se trata de um policial serial-killer. E The Closer, gosto do jeito que a Brenda arranca confissões dos culpados.

Eu jogo games violentos para desopilar, sabe? Família esculachando, chifre do namorado, engolir sapo no trabalho... Os outros descontam praticando um esporte ou artes marciais. Eu desconto minha raiva nos games violentos, simples assim. Essas são minhas razões, não sei são as mesmas das outras pessoas.

Pão e circo para o povo, né?

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 21:08



Comentário de: João Paulo Cursino (aka Sr Atoz) · http://sratoz.wordpress.com

Alex, seu agent provocateur,

Naturalmente você sabe que rios de tinta já foram derramados sobre o tema, bibliotecas inteiras sobre como e por que o tema da violência é tão permanente na cultura ocidental, dissecando razões, buscando explicações antropológicas etc. Não serei mais um; em princípio estão todos certos, especialmente se se contradisserem.

Mas passei aqui para agradecer que você me fez lembrar um detalhe: os seriados de Star Trek, EM REGRA, são sobre evitar a violência, procurar sempre o diálogo, chegar à solução diplomática... Sim, claro, "we come in peace, set phasers on stun", "Mr. Sulu, fire phasers", eu sei. Mas isso é acessório, não principal.

É, eu sei que mudei de assunto, mas foi uma lembrança que você me trouxe e que me fez sentir bem.

PermalinkPermalink 11.04.11 @ 22:10



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

A Sangue Frio, do Capote, é menos um livro sobre violência e mais um livro sobre personalidade de criminosa. É bem pesado, mas é excelente.

Livros e séries de investigação criminal me atraem pela perspicácia em desvendar algo. House é bacana por isso também, mas como não sou médica, é muito mais difícil acompanhar o raciocínio do protagonista, que é a graça da coisa.

Sobre a exposição das crianças a sexo e violência, eu concordo completamente. E o pior é que muitas crianças são preservadas de cenas eróticas bem leves, mas assistem pornografia escondidas dos pais. Se expõe mais a um registro mais violento do sexo do que a a representação de uma sexualidade mais próxima da real (e porque não dizer, saudável).

PermalinkPermalink 12.04.11 @ 06:27



Comentário de: Amora.

Gostamos de violência pelo mesmo motivo que
gostamos de sexo: é instintivo, faz parte de nós.
Somos tão reprimidos socialmente (tanto pra
violência quanto pro sexo) que poder transgredir
é ainda mais gostoso. É por isso que pornografia e
filmes de violência vendem tanto.

Nascemos potencialmente violentos. Toda criança
nasce violenta. Se diverte quando um adulto se
machuca ou quando ela mesma morde o adulto e vê
que provocou dor. Depois é que "aprendemos" que
isso é ruim, que causar dor não tem graça. A compaixão
é um sentimento aprendido.

PermalinkPermalink 12.04.11 @ 08:32



Comentário de: Dana

Alex, chorei muito: http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/alunos-de-columbine-nos-eua-enviam-recado-vitimas-de-realengo.html

PermalinkPermalink 12.04.11 @ 10:35



Comentário de: Ig Pop

Então as pessoas fazem uso de coisas que dão prazer porque PRECISAM daquilo?

Toma-se um vinho por que se precisa? Vê-se um bom filme por se precisa? Caminha-se na beira da praia, à brisa do mar, por que se precisa?

Confesso que admiro bastante os seus insights, mas tem vezes que algumas de tuas colocações me surpreendem, negativamente.

PermalinkPermalink 13.04.11 @ 10:01



Comentário de: Abaixo o Partido do Cinema Golpista

O crime e a violência dos filmes e do entretenimento são mecanismos de lavagem cerebral hollywoodiana estadunidense com o objetivo de nos tornar mais vulneráveis à subjugação cultural pelo american way of life e a economia neoliberal, abandonando nossa própria identidade e as preocupações sociais.

Os vilões representam os outros povos, outras raças (sempre inferiores), e a solução quase sempre se dá na base da "segunda emenda", nunca abordando as verdadeiras causas sociais daquele "monstro", que no mundo real, é uma vítima. Através da demonização dela na ficção, ela é também subliminarmente demonizada no mundo real, condicionando as pessoas a aceitarem todo um grupo de pessoas economicamente desfavorecidas como sub-humanos.

PermalinkPermalink 18.04.11 @ 17:45



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