Faz uma semana que fechei minhas duas contas no twitter e meu facebook. Também não assino mais nenhum feed, não uso mais GoogleReader, nem pra ler e nem pra compartilhar.
A sensação de solidão e de silêncio é gigantesca. Faz tempo que eu contava com o twitter, com o facebook e com o GoogleReader pra saber as últimas notícias e novidades do mundo. Agora, não tenho mais isso. A impressão que tenho é que todos os meus amigos estão batendo papo em uma festa animada - e não estou lá.
Mas, por outro lado, eu nunca fui de festa. Sempre preferi ficar em casa sozinho, trabalhando, lendo e escrevendo, e lidando com meus amigos um por um - o que continuo fazendo, através do MSN e gtalk. Aliás, venham falar comigo: não estou mais lendo seus blogs ou acompanhando seus facebooks, então porque não me contam vocês mesmos como estão?
Algumas pessoas acharam estranho que, no meu hiato internético, a frequência de posts aumentou. Mas isso era natural e esperado.
Vejam: sou escritor. Eu escrevo. Escrevo o dia inteiro. Pra mim, escrever não é, e nem nunca vai ser, perder tempo. Apertar um botão para colocar esses textos na internet não toma tempo nenhum. Mais ainda, rende dinheiro: nessa última semana, o blog rendeu bem mais do que o normal.
O que me fazia perder tempo eram as atividades parablog, como ficar obssessivamente checando estatísticas de acesso, vendo quem linca pra cá, divulgando no facebook, vendo quem curtiu ou retuitou, coisas assim. São atividades inúteis, pois são anti-produtivas.
A outra coisa que me fazia perder tempo era o ouvir, ou melhor, o querer ouvir todo mundo ao mesmo tempo, querer ver o que todos estavam dizendo ou fazendo ou compartilhando. Isso também parei. Era obssessivo.
Como resultado, escrevi mais. Não só por ter concretamente mais tempo para escrever mas, mais do que tudo, por finalmente parar de ser pautado pelo noticiário e pela conversação dos outros, e voltar a escrever textos nascidos de minhas próprias sensações, experiências, pensamentos.
(Tive vontade de escrever sobre o discurso do Obama no Municipal, e até escrevi alguns parágrafos, mas me dei conta que não havia ali nenhum insight ou comentário interessante ou único que justificasse mais um texto sobre o assunto. Apaguei. Só faz sentido falar aquilo que só eu posso dizer - e não virar mais uma caixa de ressonância do noticiário.)
Então, nessa última semana, escrevi muito. Não só aquelas coisas de trabalho e de pesquisa que tenho que escrever, mas também diversos posts novos e, espero, interessantes.
A falta das muletas da internet aumenta sim uma sensação sufocante de solidão, mas nada mais é do que a solidão constitutiva da vida real, para a qual a internet é (ou deveria ser) somente um paliativo.
O bom de se sentir sozinho é que isso te impulsiona a buscar pessoas, a criar conexões humanas, a ser mais gente.
* * *
Adendo
Já disse alguém que escrever é 10% inspiração, 90% não se deixar atrapalhar pela internet.
Isso fica cada vez mais claro pra mim. Hoje e no futuro, bem-sucedidas serão aquelas pessoas que souberem usar a internet e não ser usadas por ela. As que souberem a hora de desligar o twitter e ir, sei lá, escrever romance, construir prédio, compor sonatas.
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