Prisão Ambição: Quem Possui um Dom & Opção pela Mediocridade

Quem Possui um Dom?

Sempre gostei de desenhar. Quando criança, conseguia reproduzir qualquer coisa que visse, em especial pessoas e objetos. Era excelente retratista: com uma ou duas fotos de qualquer um, já produzia um retrato fiel.

Desde os dez anos, eu fazia histórias em quadrinhos, xerocava, coloria as capas a mão e vendia assinaturas para amigos, parentes e professores. Vocês estão zoando, mas no meu auge, na 6ª série, eu tinha 16 assinantes. (Ou seja, já era o mesmo Alex-pidão aqui do blog.)

Um amigo da família, o Goot (pseudônimo de Gutemberg Monteiro, bio, exposição), desenhista de sucesso aqui no Brasil, tinha se mudado para Nova Iorque, onde ilustrava as tiras do Tom & Jerry. Quando eu tinha onze anos, passei uma temporada com ele. Foi uma delícia viver como um nova-iorquino. Pegávamos trens, visitávamos estúdios famosos, comíamos bagels. À noite, o Goot, que via em mim um imenso talento, tentava me ensinar algumas das coisas que tinha aprendido em sua carreira, como escolher o equipamento certo, como usar nanquim para máximo efeito, como desenhar a mão perfeita, tudo isso.

Sou muito grato a ele. Quando voltei para o Brasil, larguei os desenhos definitivamente.

Não foi uma decisão intempestiva ou rebelde. Foi, pelo contrário, a primeira decisão estratégica que tomei em minha vida.

O cotidiano do Goot me fez ver que desenhar dava muito mais trabalho do que eu jamais teria imaginado. E eu pensei: não quero isso pra mim. Não quero passar a vida tendo que comprar equipamento caro, mantendo arquivos de imagens, fazendo rascunhos, sombreados e arte-final, e ainda por cima colorindo.

Percebi que minha verdadeira vocação era ser contador de histórias, não desenhista. Sim, eu tinha o tal dom do desenho, mas desenhava somente como meio de colocar minhas histórias pra fora. Todo o tempo que eu gastasse no lado mais técnico e braçal da ilustração seria menos um tempo que eu teria para criar meus personagens, burilar minhas histórias, transmitir minha mensagem.

A decisão não foi muito bem aceita entre parentes, professores e assinantes: Mozart, dizia minha mãe, jamais teria sido Mozart se nunca tivesse chegado perto de um piano. Sua teoria era: precisamos ser expostos ao máximo de situações possíveis para sabermos quem somos, o que queremos, o que somos capazes de fazer. Além disso, ela era muito rica e não trabalhava: esse passou a ser seu projeto pessoal. Dos seis anos em diante, eu fiz aulas de tudo o que vocês possam imaginar: equitação, xadrez, flauta. Metodicamente, fui exposto a tudo. E nada.

Minha mãe, formada em Belas Artes e excelente desenhista, tinha um orgulho especial desse meu dom para o desenho, que acreditava ter sido herdado diretamente dela. O que a horrorizava não era nem apenas o desperdício, mas o pecado: minha capacidade de desenhar era um presente inquestionável de deus. Eu tinha um dom e não tinha o direito de abandoná-lo!

Ora!, então quer dizer que estou condenado a ser desenhista? Que sou prisioneiro do meu dom?

Se eu não tiver a liberdade de desperdiçar o meu dom, então não sou eu que o tenho, mas ele é que me tem.

Parei com os desenhos.

* * *

Opção pela Mediocridade

Hoje, nos nossos 30 anos, muitos dos meus colegas de classe já começam a ocupar seus lugares de destaque na sociedade (ainda mais com a vantagem que tiveram na largada, sendo ricos e estudando em escola cara): são donos e diretores de empresas, sócios em escritórios conceituados de direito, doutores e phds, alguns casados já há quase dez anos, todos começando a procriar, comprando carros e financiando apartamentos a perder de vista, investindo em portfólios diversificados de ações e fazendo planos de aposentadoria privados.

E eu, pobre de mim, estou pior do que quando me formei da escola. Naquela época, eu pelo menos tinha um pai rico que pagava minhas contas e ainda podia acompanhar meus amigos em viagens ao exterior e visitas a restaurantes caros.

Vivo de dar aulinhas de inglês em cursos de subúrbio. Paga pouco, mas não ocupa minha cabeça, não estressa meus nervos e me deixa tempo livre pra escrever, flanar, pensar. Nunca fui tão feliz nem tão tranqüilo.

Estranhamente, isso não parece ser o suficiente para as pessoas que me amam. Amigos e parentes fazem questão de me dizer, quase diariamente, que não tenho o direito de desperdiçar minha vida assim, eu, uma pessoa brilhante, eu, um homem que poderia estar fazendo qualquer coisa, ser qualquer coisa, em qualquer lugar do mundo.

Sim, posso ser qualquer coisa, fazer qualquer coisa, em qualquer lugar - menos, aparentemente, o que estou fazendo agora: ser eu mesmo.

E falam: um menino que estudou nas melhores escolas e universidades desse país, como pode desperdiçar uma educação dessas dando aulinhas de inglês ao lado de adolescentes que acabaram de chegar do intercâmbio em Utah e querem complementar a mesada?

Realmente, tive uma educação exemplar. Estudei no Santo Agostinho, um dos melhores do Rio de Janeiro, e depois na na Escola Americana, onde me tornei um homem realmente cosmopolita. Depois, cursei História na UFRJ, estudando com os melhores cérebros do campo.

Minha meta de não desperdiçar minha vida é, em parte, porque essa excelente educação que recebi cumpriu o seu papel: longe de ser uma âncora (como parecem querer que seja) prendendo-me à padrões de comportamento pré-estabelecidos, ela me deu asas, abriu minha cabeça, me fez ver o mundo de outra forma.

Eu cresci como um menino rico. Às vezes, jogam isso na minha cara como se fosse uma injúria. Mas todos nós tivemos apenas UMA infância: que não dependeu de nós, que não podemos mudar, que foi resultado de escolhas que não foram nossas. A grande questão é que tipo de adultos nos tornamos depois disso. Não sei que pessoa eu seria se minha infância e adolescência tivessem sido diferentes. Vai ver se eu tivesse estudado com dificuldade em escola pública, engraxado sapatos à tarde e feito um curso técnico profissionalizante à noite eu não tivesse nunca tido tempo ou serenidade de perceber a absoluta insânia dessa luta pela sobrevivência. Ou não.

A maioria das pessoas que conheço acorda cedo, trabalha o dia todo, dorme tarde. Vivem exaustas. Trabalham pra nada. Trabalham para trabalhar. Sucesso é isso?

Lamentam meus amigos: tive o mundo à minha disposição e, ao invés disso, fiz uma opção pela mediocridade.

Não entenderam nada. Tenho ojeriza à mediocridade. O problema é que, pra mim, não há mediocridade maior do que a noção deles de sucesso.

Dou minhas aulinhas de inglês, aproveito minha juventude, sou feliz, sou livre. No meu tempo livre, escrevo. Sou escritor, mas não faço disso minha razão de viver.

Minha razão de viver sou eu mesmo. Minha única obrigação é com minha própria felicidade.

* * *

Trechinho da Prisão Ambição (ainda não revisado para a versão livro), mas republicado aqui só pra dialogar com esse texto lindo da Juliana. Mais notícias sobre o Livro das Prisões.

* * *

Meus livros à venda. Se for comprar, pra fins de comissão, prefiro fortemente que compre pelo meu site. Também à venda na Amazon. Vá no Skoob e dê sua opinião.

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09.03.11


Categorias: Comportamento


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Comentários:


Comentário de: Guilherme Nascimento Valadares · http://www.papodehomem.com.br

Belo texto, Alex.

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 17:56



Comentário de: p

era o que eu precisava ler. pra concordar. 100%. keep walking. keep writing. por favor.

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 20:15



Comentário de: Caroline · http://fadamariposa.blogspot.com

Que interessante. Não sabia q vc desenhava. Até fiquei curiosa pra ver oq vc fazia.

Geralmente as pessoas tem uma opinião contrária a isso de viver de arte. Desenhista, artista, ilustrador, não tem futuro. Não pode ter uma vida de sucesso como essa que vc descreveu. É mal pago, tem pouco trabalho, é desvalorizado, é maconheiro.

Eu desenho. Eu gosto muito de escrever também, mas não sou tão eloquente e articulada quanto vc, por exemplo. As pessoas/família geralmente querem me colocar em alguma agência de publicidade, q eu seja designer, essas coisas assim. Ou q eu vá estudar fora do país em alguma grande escola de arte.

Estranhamente, não quero nada disso. Tenho horror a publicidade e design não é minha praia.
Meu sonho é publicar meus desenhos em livros, com algumas coisinhas escritas por mim. Nada grandioso demais. Tenho ojeriza a esse "sucesso" que tanto prezam. Não ligo a mínima pra carreira. Meu sonho é ser verdadeira comigo mesma, do meu tamanho exato, nem maior nem menor. E trazer alguma parcela de coisa boa pro mundo, alguma coisa que seja bonita e inspiradora.

Eu odeio essas regras-de-vida que foram inventadas. Fazer faculdade, perseguir sucesso, carreira, status, contas de banco bem recheadas, carro. E a maneira como as pessoas cobram isso da gente, ainda mais quando a gente tem algum "dom" especial que elas acham q a gente deveria estar usando do jeito q elas acham mais apropriado.

Todo mundo acha que sabe melhor do que nós mesmos o que devemos fazer com nossos "dons", ou com nossa vida.

(oq, é claro, é diferente de quando a gente TEM um sonho, não vai atrás, e alguém dá um incentivo. O incentivo deve ser pra gente ser NÓS MESMOS, não outra coisa.)

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 21:09



Comentário de: Pedro de Medeiros

Poderíamos ver os seus desenhos, plis? =)

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 22:32



Comentário de: Alex Castro Email

caroline e pedro, hj em dia, eu só desenho mulher, para meu próprio deleite pessoal. quando postei esse texto pela primeira vez, eu publiquei uns exemplos, mas tirei do ar quando dei uma limpa no blog. tenho alunos, sabe como é.

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 22:35



Comentário de: Rose

É aquele bordão que a gente ouve quando criança: 'você tem que ser alguém na vida!'Mas já sou eu mesma. Quem eu deveria ser? A única pergunta válida é: vc tá em paz fazendo o que está fazendo? Você, Alex, me convenceu que está. E mais,você tem 2 dons, desenhar e escrever e optou por um.Adorei o texto e o tema.Considero o paraíso na terra ter um dom e viver dele.
Beijos

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 22:39



Comentário de: pedro

parabéns, champz, vc é bom.

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 22:44



Comentário de: Caroline · http://fadamariposa.blogspot.com

Eu tbm só desenho mulher, e pelada.

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 23:24



Comentário de: Erika

Desculpa Alex, mas eu não sei se você publica frequentemente esse texto, ou trechos dele ou se em vários você repete a temática: "fui super rico, fazia as melhores viagens, tive acesso ao melhor do mundo...". Isso me dá a impressão que você quer se convencer de que não sente falta de tudo isso ou que apesar de você ter uma vida simples hoje (materialmente falando) você tem "berço", um passado glorioso. E que liberdade é essa que tanto alardeia mas que não cessa de se comparar aos colegas "do passado"? A minha intenção não é criar polêmica, mas simplesmente expressar essa impressão que você me passa (como alguém que não te conhece, apenas te lê;)e incomoda.

PermalinkPermalink 10.03.11 @ 15:58



Comentário de: Alex Castro Email

Erica,

vc tem q definir qual é a diferenca entre "falar" e "alardear".

como alias eu menciono no texto, infancia a gente só teve uma, não escolhe, nao decide, e não tem como mudar retroativamente. a questão é o que a gente faz com ela depois.

eu digo que minha infancia foi como foi pelo simples fato de ela ter sido assim e não de alguma outra maneira...

e tb nao falo isso nunca por falar ("olha como fui rico!") mas quando tem relevância ao assunto em si. nesse caso, o assunto é justamente esse: as expectativas que isso gera e como essas expectativas são aprisionantes.

tem gente q teve infancia pobre. tem gente q teve infancia classe media. eu tive infancia rica. não fui nem sou nem me acho melhor que ninguem por isso. menciono o fato qd é relevante ao assunto em questão, senão, realmente, não faz sentido mencionar.

se minha vida, como foi, te incomoda, eu só posso dizer que compartilho da sensacao. muita coisa na minha vida me incomoda também. mas só tenho essa e só posso mudar o meu futuro, nao o passado...

PermalinkPermalink 10.03.11 @ 16:08



Comentário de: Adriano

Quero muito ler esse livro, de preferencia em pdf.

PermalinkPermalink 11.03.11 @ 04:18



Comentário de: Aperitiva

Erika,

Se ele dissesse que foi super pobre na infância você
diria que ele está usando isso pra se fazer de
vítima : "Olha como fui pobre e hoje sou professor
em uma Universidade Americana, publico livros,viajo sempre e bla bla bla". Como se isso fosse exemplo
de superação. Aff!

PermalinkPermalink 11.03.11 @ 11:58



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Eu fico aqui esperando alguem falar o obvio mas ninguem fala... ok, vou ser o chato de novo.

Logico que ninguem tem o menor direito de te forcar a explorar um talento. Mesmo na URSS o que acontecia era que vc era forcado a fazer o melhor para o pais- eles nao pensavam no que seria o melhor para vc.

Mas... Essa escolha tem um preco. Deixar um talento de lado significa arriscar sua seguranca economica. Num mundo perfeito aonde cada um paga o preco por suas escolhas suas escolhas nao me afetariam em nada. Se vc acabar levando uma vida X por causa da sua escolha eu nao tenho nada a ver com isso.

Porem, o mundo atual nao eh assim. Usando seu exemplo do texto, se vc ficasse doente quando era prof. de ingles vc provavelmente nao poderia pagar um tratamento caro. E ai, eu te deixo morrer? E se vc perdesse o emprego e como nao tinha nada em poupanca comecasse a passar fome e nao tivesse aonde morar. Eu preciso pagar sua casa e comida? E se vc continuasse com esse emprego q paga pouco ate ficar velho. Quem paga pela sua aposentadoria?

E por ai vai. Logico que vc vai dizer q nem todo mundo precisa fazer o q vc fez, etc, etc. Mas o q eu estou dizendo e q esse sistema de uns pagarem por outros forca pessoas a se meterem muito mais na vida dos outros.

Quem sabe combater esse sistema nao seria a melhor maneira de deixar as pessoas fazeram mais sua proprias escolhas?

PermalinkPermalink 11.03.11 @ 12:08



Comentário de: EriKa

"Aperitiva"
Bem, eu fiz um questionamento ao autor do blog, que foi respondido. Não tenho nenhum blog para me expor e me explicar (não é meu perfil nem tenho tempo para isso). Agradeço a gentileza do autor em responder( apesar de não ter prestado a devida atenção ao escrever meu nome). Você não pode supor minhas ações sem sequer me conhecer.Encerro minha segunda e última participação.Um abraço aos dois.

PermalinkPermalink 11.03.11 @ 14:12



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Erika,

vc vai voltar,o Alex tem disso.Agente entra aqui não querendo nada além de matar o tempo e,quando menos esperamos estamos deslumbrados com o ponde de vista do autor sobre variados assuntos.Nem sempre ele está certo,e mesmo assim vc não consegue simplesmente deixar de visitar o blog.As vezes pode até se irritar com alguns comentários por aqui,quase sempre vc decide que não vai mais comentar,depois decide trocar o nome pra continuar comentado,não tem como ele ou mais alguém saber que é vc.Então um belo dia vc pensa: Ora! quer saber? é isso que eu quero,é ler o Alex,comentar e me expor.A irônia do blog é que ele prende agente.

PermalinkPermalink 12.03.11 @ 10:20



Comentário de: karina

Li este post no dia certo, no momento certo...

PermalinkPermalink 12.03.11 @ 11:42



Comentário de: Eduardo Marques

Cara, fala a verdade, essa tua vida tá uma merda. Vc podia ser mt rico de espírito com uma empresa, um escritório de advocacia, com algum dinheiro na poupança, etc. Isso foi falta de planejamento e disciplina, só isso. Hoje vc vive de dar aulinhas de inglês e de escrever essas mentiras pra si mesmo e p/ quem acredita no blog, p/ ñ morrer de desgosto.

Jovens, não sigam esse exemplo, estudem e trabalhem muito para terem uma vida boa no futuro e poderem investir em casamento, filhos ou em sair do armário e curtir a homossexualidade com conforto financeiro e independência, se for o caso (pq ñ?...).

PermalinkPermalink 14.03.11 @ 23:56



Comentário de: Alex Castro Email

se tem uma coisa q eu nunca menti aqui eh q minha vida NAO eh uma merda.....

PermalinkPermalink 15.03.11 @ 01:01



Comentário de: André · http://www.uol.com.br

os comments do Paulo e do Eduardo Marques são a sério? Jura?

PermalinkPermalink 17.03.11 @ 09:05



Comentário de: Alex Castro Email

o paulo tá falando sério, ele é assim mesmo. e, incrivelmente, debaixo da ideologia, parece ser uma pessoa boa. :) já o tal eduardo eu não conheço...

PermalinkPermalink 17.03.11 @ 13:26



Comentário de: Caminhante · http://caminhantediurno.blogspot.com/

A tua história é a minha história. Copiei (com créditos e link) e mandei para muita gente, incluindo minha família. Você conseguiu expressar em palavrras o que nunca fui capaz de lhes dizer. Obrigada!

PermalinkPermalink 14.08.11 @ 21:00



Comentário de: P. · http://medeixaserassim.blogspot.com

Dessas coincidências da vida... hoje mesmo pensava nisso. Em como optei por ser "comum" e "normal". Em como é difícil ouvir todos dizendo pq vc optou por largar toda a suposta genialidade pra ser simples.
Eu, que também fui filhinha de papai rico, que também cursei os melhores colégios e universidades, e que hoje sou só eu, cuidando de uma casa, do homem que amo e de meus bichos.
Como é difícil pra todos esses bem-sucedidos, estressados e ocupadíssimos, aceitarem somente viver a vida...

PermalinkPermalink 16.08.11 @ 16:38



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