Adoro as livrarias universitárias americanas.
Elas são divididas por disciplina, então é possível descobrir os livros que todos estão ensinando em uma única visita. Pra mim, é uma das maiores diversões. Hmm, dos três cursos básicos de Zen Budismo desse ano, nenhum está lendo o Blue Cliff Record. Hmm, Mill e Maquiavel estão em alta, Nietszche em baixa. O curso de Clarice Lispector está dando GH, Estrela e Laços de Família, mas não Água Viva. As Veias Abertas da América Latina hoje são mais lidas em cursos de literatura do que de história. Etc.
Quando quero me educar sobre algum assunto, não preciso ir à aula: leio os livros. Comecei a aprender sobre zen assim. O Introduction to Emptiness, por exemplo, que li faz pouco tempo e amei, é leitura obrigatória desde o semestre passado.
Eu sempre saía com no mínimo cinco, seis livros de uma visita de começo de semestre à livraria universitária. Agora, não compro mais nenhum.
Quando vejo e gosto de um livro, procuro no kindle. Existe? Beleza. Então, não preciso comprar agora.
Para mim, a beleza do kindle é essa.
Antigamente, eu precisava comprar todos os livros que achava que, um dia, poderia querer ler. Sei que um dia vou querer ler Tristam Shandy, então tenho que comprar o livro, carregá-lo pra minha casa, mantê-lo e cuidá-lo e espaná-lo por talvez vinte anos, somente para que, naquele mítico momento impulsivo de 2023, quando eu subitamente disser, "putz, quero ler o Tristam Shandy agora!", ele estar ali à minha disposição.
Hoje, não preciso mais fazer isso. Se o livro está a disposição pelo kindle (ou por outra via eletrônica), eu posso deixar para comprá-lo no momento em que eu quiser lê-lo. Se eu nunca tiver essa vontade, economizo a grana. Se e quando tiver, compro e leio o livro na hora. E, o melhor, não preciso ficar com a minha casa atulhada de livros pegando poeira: é como se a Amazon estivesse cuidando dele pra mim.
Só por isso, eu já amaria o kindle pra sempre.
* * *
Por um lado, se estou comprando menos livros "pra ter", também estou comprando mais livros por impulso.
Se leio uma resenha interessante na mídia, se vejo o autor em um talk show, se o livro me interessa, via de regra já estou lendo a amostra antes mesmo de acabar a entrevista. Se gostar, compro e leio.
Mas sempre obedecendo à regra de ouro anti-consumista: só compro o livro que vou ler na hora. Se é pra ler depois, compro depois.
* * *
Se for comprar um kindle, compre por aqui. Eu sou um ludita anti-consumista mas, te digo, o kindle mudou minha vida.
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