Viver Fora da Realidade

Liberal Libertário Libertino - CrônicasEu tinha um vizinho milionário.

Ele detestava dirigir e não queria se estressar com documentação, impostos, seguro, consertos. Então, contratou uma empresa de rádio-táxi para que mantivesse um carro, a sua disposição, 24 horas por dia, na portaria do prédio. Pronto. Se um quebrasse, que mandassem outro. O homem só sabia uma coisa: tinha dinheiro que não acabava mais e não queria se aporrinhar.

A pergunta: esse homem vivia fora da realidade?

Pra começar, que realidade, cara-pálida? Existe só uma realidade? Ou será que existe uma realidade certa e outras tantas realidades erradas? Se sim, quem decide qual é a certa e qual são as erradas?

Realidade é que nem cu, cada um tem o seu. O mendigo que passa fome nas ruas do centro está tão fora da realidade do meu vizinho quanto meu vizinho está fora da realidade do mendigo.

Por que ninguém acusa o mendigo de estar fora da realidade? De que modo a experiência de catar restos de comida em latas de lixo e dormir ao relento é mais real do que ir ao coquetel de um pintor famoso e depois pegar o concorde pra Paris? Pior, claro. Mais lamentável, com certeza. Mas mais real? Por quê? Como pode uma coisa ser mais real que outra?

Será que existe uma escala de realidade e ninguém me avisou? Qual é a medida? Sacos de pitombas? A realidade do meu vizinho atingiu 3 graus na escala saco de pitombas; a do mendigo do centro, 8 graus. Logo, a realidade do mendigo é mais real que a do meu vizinho. É isso?

Qual das duas realidades ganha? Existe uma que é certa? Por que ninguém nunca fala que alguém está dentro da realidade? Isso quer dizer alguma coisa?

Em geral, quem fala besteiras do tipo você vive fora da realidade!! são ou os malas da direita, reacionários e moralistas, defendendo os valores da tradicional família cristã brasileira, ou então os malas da esquerda, ainda mais moralistas, achando que todo mundo tem que se engajar em tudo e que alienação dos problemas que eles julgam vitais é algum tipo de crime de lesa-Marx.

Um conselho: se alguém, algum dia, acusá-lo de viver fora da realidade, em geral é porque você está se divertindo demais. Mande-os todos à merda e continue a fazer o que estava fazendo.

As realidades são muitas, todas igualmente válidas. Cada um vive a realidade que pode. Meu vizinho tem lá seus muitos defeitos, mas está vivendo a realidade dele, a realidade em que nasceu, uma realidade que é tão válida quanto qualquer outra. Dizer que ele vive fora da realidade é dizer que a vida dele não é válida. Quem tem moral de dizer uma coisa dessas?

Afinal, era pra ele fazer o quê? Doar tudo pra caridade e entrar pra um mosteiro? Ou então qual é o problema? É que ele está gastando muito? Era pra ele gastar quanto? Quem é que determina esse limite? Se ele gastar até vinte mil por mês (do próprio dinheiro, claro), então ele vive na realidade, se gastar mais que isso, ele vive fora da realidade? Como funciona essa regra? Será que tem uma escala também (sacos de pitombas? narjaras-turetas?) e esqueceram de me avisar?

* * *

Essa crônica faz parte do meu livro Liberal Libertário Libertino, com minhas melhores crônicas de 2003 a 2007, incluindo clássicos como Fantasmas de Felicidades Passadas, Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas e Manifesto Libertário. A primeira edição, de 2007, esgotou; a segunda edição, de 2010, aumentada e revisada, conta com dois novos textos - inclusive um novo epílogo à narrativa do Katrina.

Preço recomendado: R$35 via PagSeguro ou US$25 via PayPal. Você paga o quanto quiser.

Se você gosta desse blog, acho que deveria comprar mas, sei lá, sou suspeito. Também à venda, em formato ebook, na Amazon e no Gato Sabido.

Liberal Libertário Libertino - Crônicas

Liberal Libertário Libertino (2007), crônicas. (2ª ed.: 2010) Livro.
Preço recomendado: R$35 / US$25, frete incluso

Compre.

* * *

Siga no Twitter: http://twitter.com/AlexCastroLLL // Pergunte no Formspring: http://www.formspring.me/alexcastrolll // Assine o RSS: http://feeds.feedburner.com/LiberalLibertarioLibertino // Acompanhe o Google Reader: http://www.google.com/reader/shared/lll.alexcastro

 

22.02.11


Categorias: Livros, LLL, O Livro


Posts similares:
Viver Fora da Realidade
Vida for Dummies
LLL Indo Pro Prelo

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Helvécio

Alex, estou curioso.

Você compara os comentários destes posts republicados com os da primeira vez ?

Melhores, piores, reações semelhantes ou diversas ?

Abraços

PermalinkPermalink 22.02.11 @ 23:28



Comentário de: Rosa

Sei que serei nerd com o meu comentário de agora... mass... sou mesmo =)
Alex, to sempre por aqui lendo, tem umas sacadas muito boas, podem não agradar a todos, mas causam impacto, fazem vc pensar sabe? Tipo esta frase da sua cronica:
"Um conselho: se alguém, algum dia, acusá-lo de viver fora da realidade, em geral é porque você está se divertindo demais. Mande-os todos à merda e continue a fazer o que estava fazendo."
Está se perguntando onde está o comentário nerd né? Lá vai...
Dá pra fazer no facebook aplicativos que soltam frases, e um aplicativo com as suas frases seria bem interessante... pensa nisso, se pá, dá até pra ganhar dindin com isso.. ;)

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 08:34



Comentário de: Vinicius · http://cabanadeinverno.wordpres.com

Sei que este texto não é atual, mas mesmo, foi comentar como se estivesse no atual contexto do blog e autor.

Qaundo se diz esta fora da realidade, não é estabelecer uma realidade correta de agir. A realidade é forma como vemos/sentimos aquilo que é real, porém inatingível. A realidade é perspectiva.

Porém, ainda existem certas situações onde uma determinada ação se torna incompreensível! Como a existência de um playboy, que vive da herança dos pais, esbanjando a grana em noitadas diárias, na Etiópia! O fato dele fazer isso está fora da realidade, mas reprimir esse ato, somente por que alguém vai falar que é fora da realidade está mais fora da realidade ainda.

Creio que a única possibilidade para não estar fora da realidade, o playboy etíope deveria não ser um playboy etíope. Deveria não agir comom um, deveria agir de uma forma onde o que realmente acontece com o povo fosse condierado.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 08:46



Comentário de: Pedro

Vinícius, isso não faz sentido. Se ele pode arcar com esse estilo de vida, como ele pode estar fora da realidade? O que a condição do povo etíope tem a ver com a realidade do playboy, especialmente se isso não o afeta?

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 09:47



Comentário de: Marcelo Camanho

Alex, este é um bom post para explicitar o que alguns dos seus leitores consideram a sua "guinada à esquerda".

Quem lê o post vê um Alex mais preocupado em aproveitar a vida ("se alguém, algum dia, acusá-lo de viver fora da realidade, em geral é porque você está se divertindo demais. Mande-os todos à merda e continue a fazer o que estava fazendo.") do que em mudar a cabeça dos outros ("Passo boa parte do meu tempo tentando fazer privilegiados se identificarem com os desprivilegiados.").

Ou, em forma de pergunta/provocação: o Alex de antes, preocupado em divertir-se, mandaria à merda o Alex atual, preocupado em mudar os outros?

Um abraço.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 11:36



Comentário de: Eduardo

É engraçado que pra mim que leio o LLL frequentemente não percebi como a forma que vc escreve mudou, mas comparando esse texto com os mais atuais dá pra ver nitidamente que seu estilo mudou muito.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 11:42



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Marcelo

Estou escrevendo um texto sobre isso.

Pra começar, eu me sinto lisonjeado e honrado que existam pessoas que me sigam o suficiente para ter esse tipo de opiniao.

Mas, continuo dizendo, minhas opiniões políticas nunca mudaram. Antes eu falava mais de temas voltados ao individuo, à liberdade individual, e hoje, falo mais sobre temas coletivos, racismo, feminismo, etc.

Minhas opiniões sobre o governo, a política, como deve ser o estado, continuam iguaizinhas.

Alias, mudei em uma coisa: em 2006, passei a apoiar as cotas raciais e fiz um post explicando a mudança.

De resto, quase nada.

E eu sempre me mando a merda. Velho hábito. Acordo de manhã, me olho no espelho e digo: vá a merda, Alex!

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 11:46



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Eduardo. :)

Eu hj continuo assinando embaixo do texto. :)

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 11:49



Comentário de: Alex Castro Email

Marcelo,

Alias, se eu antes (digamos) só estava preocupado em me divertir e agora estou preocupado em ajudar os outros e mudar o mundo, hmmm, eu diria que isso quer dizer que amadureci, não que passei da direita (onde nunca estive) pra esquerda (onde não estou).

a nao ser, claro, que vc considere que só querer se divertir é uma caracteristica da direita e que se preocupar com os outros é uma caracteristica da esquerda - o que é uma maneira muito, muito maniqueísta de definir esquerda e direita...

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 11:53



Comentário de: Iago · http://rota32.blogspot.com

Posso falar só da minha própria experiência; lutei com a sensação de que minha vida não é "real o suficiente" durante anos, e só quando comecei a cortar as mediações entre eu e o mundo (produzir e preparar minha própria comida, manter minha casa, me transportar por minhas capacidades, etc) é que essa sensação começou a passar. Imagino que as chances são de que o ricaço possa pagar pra sustentar esse tipo de mediação (taxi sempre pronto), enquanto o mendigo tá com o real escancarado em sua cara, sem intermediários. Tem um pouco de teoria situacionista nisso aí; Raoul Vaneigem, "A Arte de Viver pras Próximas Gerações". Mas enfim, não serve mto como julgamento pros outros ("você vive fora do real"), nem vejo utilidade nisso; é mais algo que foi útil pra mim resolver um problema meu, onde eu mesmo me sentia "fora do real".

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 12:15



Comentário de: Hugo

Alex,

Legal que estejas escrevendo um texto sobre isso(isso = sua mudanca de foco? ou estilo de escrita?). Da Lola(recente, comunista) ao Paulo FYI(das antigas, liberal/libertarian), houve uma percepcao geral da sua guinada a esquerda(pelos posts da sua enquete). Ou talvez, usando uma maxima da sua nova persona - nao importa o que vc e', mas o que vc faz - pra quem observa a persona do blog, ve um esquedista uspiano arquetipico, um Marileno Castro, ou pra ficar no rio, um Alex Sader, algo do tipo. Argumentos, figuras de linguagem, problematizacao, tudo bastante parecido.
Se ta todo mundo vendo algo que vc nao escreveu nos seus textos, e algo interessante, pq e um fenomeno consistente, percebido por gente com background diferente.
Esse texto vai ser interessante.
Em tempo: guinada a esquerda acho que e uma constante nos comentarios, mas te chamar de direitista acho que ninguem o fez - a nao ser que tiverem inventado direitistas libertinos, o que seria algo como "esquerdista adepto do livre mercado".

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 12:17



Comentário de: Diogo Batalha · http://www.twitter.com/diogobatalha

Engraçado. Eu trabalho na empresa que faz parte do grupo dos 20 maiores grupos de comunicação do mundo e que tem o Publicitario que foi eleito um dos publicitarios do século.

A publicidade, por contextualidade, é o que faz mover o capitalismo. Ela que incentiva a compra e faz a economia girar (ja imaginou como seria o mercado se todo mundo comprasse apenas que precisa?). Agora... leiam o que ele escreveu:

''Não é dinheiro, estúpido - Nizan Guanaes, Folha de S. Paulo (08/02/11), terça, 8 de fevereiro de 2011 às 22:29
Sou, com frequência, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais.

Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.

Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.

Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.

É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.

Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.

Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.

E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.

Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.

A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).

Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.

Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.

Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso".

Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.

Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.

Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?''


NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC.


Ele é de direita por ser capitalista e podre de rico? Ele é de esquerda quando diz ''Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. '' ?

A realidade dele é diferente?

E, que diferença isso faz? Que diferença faz se o Alex ºe de direita, de esquerda, sente atrações por pés e exibe KY e camisinhas na cabeceira da cama?

É o tipo de discussão que eu não consigo entender...

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 12:18



Comentário de: Alex Castro Email

hugo,

Se ta todo mundo vendo algo que vc nao escreveu nos seus textos, e algo interessante, pq e um fenomeno consistente, percebido por gente com background diferente.

Todo mundo, não. Tem gente que acha isso e tem muita gente que não acha.

Quando perguntei aos leitores o que achavam, muitos discordaram:

http://www.interney.net/blogs/lll/2011/02/12/por_que_voce_le_o_lll/

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 12:22



Comentário de: Iago · http://rota32.blogspot.com

Posso falar só da minha própria experiência; lutei com a sensação de que minha vida não é "real o suficiente" durante anos, e só quando comecei a cortar as mediações entre eu e o mundo (produzir e preparar minha própria comida, manter minha casa, me transportar por minhas capacidades, etc) é que essa sensação começou a passar. Imagino que as chances são de que o ricaço possa pagar pra sustentar esse tipo de mediação (taxi sempre pronto), enquanto o mendigo tá com o real escancarado em sua cara, sem intermediários. Tem um pouco de teoria situacionista nisso aí; Raoul Vaneigem, "A Arte de Viver pras Próximas Gerações". Mas enfim, não serve mto como julgamento pros outros ("você vive fora do real"), nem vejo utilidade nisso; é mais algo que foi útil pra mim resolver um problema meu, onde eu mesmo me sentia "fora do real".

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 12:28



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Alex, eu meio que tenho medo de entrar em discussões sobre direita e esquerda porque esses termos são vagos. Além disto, sempre rola a pegadinha da venda casada, pela qual, se você, digamos, gosta da ideia do livre mercado, o cara já diz que você é de direita - e portanto tem de ser contra o aborto, ou não é um "verdadeiro" direitista. Enfim.

Dito isto, e se você realmente quer falar de direita e esquerda (em um sentido que ignoro e, bem, nem é relevante ao ponto), não vejo sentido em dizer que não está em lado algum por suas ideias. O que importa não é em que você acredita, mas o que você faz a partir das crenças.

Suas premissas são as mesmas desde que comecei a lê-lo, mas seus objetivos mudaram, assim como várias de suas conclusões. Você se preocupa em não ser ofensivo, em despertar a "empatia" nos outros, em fazer as pessoas abrirem mão dos seus "privilégios". Você achava que o mundo podia ruir antes, mas agora você *quer* que o mundo rua para consertar injustiças - que você sabia que existia, claro, não era cego, mas e daí? c'est la vie.

Eu não acho que você é direitista ou esquerdista ou o que quer que seja, mas acho que quem usa essas categorias não faz nada de absurdo em rotulá-lo a partir de seu comportamento e posições concretas, ao invés de rotulá-lo em suas mais abstratas opiniões.

Isto para não entrar no mérito das pessoas com quem você discute, ajunta-se, alinha-se - digo, as públicas que nós vemos. Não há nada de errado com elas, permita-me deixar claro, mas certamente sua trupe muda a maneira como você é visto.

Até!

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 12:59



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

A própósito, onde se lê "rotulá-lo em suas mais abstratas opiniões" leia-se "rotulá-lo por suas mais abstratas opiniões".

Até!

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 13:00



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

A propósito, onde se lê "rotulá-lo em suas mais abstratas opiniões" leia-se "rotulá-lo por suas mais abstratas opiniões".

Até!

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 13:03



Comentário de: Alex Castro Email

Adam,

Pois é, veja. Eu nunca me rotulo. Nunca. Jamais me disse de esquerda, jamais me disse de esquerda. Não pq eu acho que sou o fodão apolítico que flutua acima dos rótulos, mas pq acho que não cabe a nós roturlarmos quem somos. Ninguém nunca sabe quem é.

O tema interessante é: muitos leitores dizem que passei da direita pra esquerda; o que os outros leitores pensam disso?

Mas eu, de fato, jamais me meteria nessa discussão de definir quem eu mesmo sou. Não rola.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 13:04



Comentário de: Marcelo Camanho

Alex, repare que eu escrevi "o que ALGUNS DOS SEUS LEITORES consideram a sua 'guinada à esquerda'".

Eu, pessoalmente, não acho que tenha ocorrido essa guinada - tenho ojeriza por essas classificações de "esquerda" e "direita". Mas outro dia você perguntou por que alguns leitores tinham essa percepção, e ao ler o post de hoje eu pensei "taí um motivo".

Enfim, é interessante ver que você considera sua mudança um amadurecimento. Eu (que já passei dos 40 há algum tempo) passei por um processo semelhante, incluindo anos de prática Zen, mas hoje confesso que acho muito mais "maduro" me divertir do que tentar mudar o mundo.

Abraço.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 13:55



Comentário de: Vinicius · http://cabanadeinverno.wordpres.com

Pedro,

Como o playboy etípoe não é afetado por nada que acontece na Etiópia? Só se viver em uma caverna.

A 'realidade' é sempre a realidade social, não a minha ou a sua. A perspectiva é a perspectiva contextualizada.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 15:00



Comentário de: Arthur

Eu concordo com o texto em geral, mas "Realidade é que nem cu(Foi antes de você decidir que cu tinha acento?), cada um tem o seu." foi um exagero.

Não existe uma realidade pra cada pessoa, um mundinho particular de cada um. realidade não é que nem cu.

Só existe uma realidade com todos nós dentro dela. E é impossível se estar fora dela. Apesar dessa expressão significar outra coisa.

Você assina embaixo hoje até de cada um ter a sua realidade Alex?

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 18:24



Comentário de: Bomdiador

O personagem deve ser exaltado e aplaudido. Gera, no mínimo, ~ 3,2 empregos, um a cada 8 horas (3/dia) e mais um para fazer a folga num dia dos demais (por isto um 0,2). Seriam 4 pessoas com uma delas trabalhando um dia (3 vezes em tres dias).
Fora que ao invés de comprar um carro teria que haver dois, mais administrativo(s), teriamos um carro sempre bem regulado, passando pela oficina,..
Enfim, o personagem merece meus cumprimentos, não é egoista e fútil ao trocard e carros a cada mês.

Faria o mesmo se tivesse muuuuito dinheiro.

PermalinkPermalink 23.02.11 @ 21:30



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Pois é, veja. Eu nunca me rotulo. Nunca. Jamais me disse de esquerda, jamais me disse de esquerda. Não pq eu acho que sou o fodão apolítico que flutua acima dos rótulos, mas pq acho que não cabe a nós roturlarmos quem somos. Ninguém nunca sabe quem é.


Bem, você às vezes parecia surpreso por alguém que chamar de esquerdista. Embora compreenda porque você não se rotule - e concordo com sua própria rotulação - quis apresentar o que, me parece, é a razão de muita gente te colocar na esquerda: não seriam as ideias abstratas, mas as atitudes que definiriam seu lado. Não importa se você no seu âmago nem tem simpatia com o PT - importa que você fez campanha para a candidata dele na eleição.

Posso estar falando alguma besteira, talvez algo nem mesmo errado, mas esta é minha impressão... Isto que falei parece sem fundamento?

Até!

PermalinkPermalink 24.02.11 @ 12:18



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email năo será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Saudades do Rio

Próximo post: Sobre Cuba, para meus Leitores da Direita

um blog sobre literatura, empatia e desapego

sobre mim

contato, bio, fotos, livros, compre

Busca

    Se gostou desse blog, inclua um botăo no seu site