Faz algum tempo, eu soltei uma boutade que foi, talvez (a disputa é acirrada) o post mais incompreendido do LLL. Eu disse:
O melhor da relação a distância é a masturbação sem culpa.
Explicação rápida: na época, eu passava cinco meses por ano no Brasil, onde tinha namorada e sexo, e sete nos Estados Unidos, onde vivia monástico e me sentia livre para me masturbar à vontade. Para mim, se estou em um casal, minha libido (sempre um recurso escasso) pertence ao casal: me sinto egoísta e narcisista gastando minha libido para o meu próprio prazer individual ao invés de usá-la para satisfazer a mim E à minha parceira, para criar novas putarias, para fazer loucuras na cama.
Muitos leitores têm (ou dizem que têm) uma libido infinita que dá pra tudo. Não sei se é verdade ou se é daquelas coisas que homem acha que TEM que dizer, senão fica com fama de boiola - úúúhúú, que medo! Enfim, parabéns aos garanhões. Minha libido, assim como meu apetite, é um bem recorrente, mas escasso. Se como doce antes do jantar, perco o apetite pra comida. Se me masturbo à tarde, minha performance sexual sofre à noite.
Se essa discussão te interessa, eu não vou repetir aqui tudo o que falei na época: o post original tem 50 comentários e várias atualizações minhas no corpo do texto. Leia lá. Mas reproduzo abaixo alguns comentários meus.
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Um relacionamento amoroso com outro ser humano é muito mais profundo e interessante, complexo e altruísta do que uma simples busca pelo gozo individual. Se tenho uma parceira sexual fixa, minha libido não é somente minha, mas pertence a ela também. Ser casal é isso.
Muitas vezes, as pessoas acham que estão fazendo sexo, mas é somente masturbação sincronizada e simultânea. Na masturbação, o foco é em si mesmo. Já o sexo é a experiência social, gregária e coletiva por excelência: eu sou ela, ela sou eu, nosso prazer é um só.
Ou, como diria Cathy, "I am Heathcliff."
...
Masturbação é como bolo de chocolate.
É uma delícia que, em si, não faz mal. Se pudesse, comeria várias vezes por dia. Entretanto, além de ser nocivo nessa quantidade, pode tirar meu apetite para comidas melhores e mais saudáveis. Deixo então para só comer quanto tenho desejo, assim quando bate aquela vontade forte, e aproveito ao máximo cada migalhinha.
Se o sexo com sua parceira não for infinitamente melhor do que uma punhetinha rápida... porra, que relacionamento de merda, hein? Vale mais a pena você matar sua necessidade de companhia feminina com amigas do sexo oposto, e resolver seu tesão com cabras, bonecas infláveis e prostitutas.
Sua vida será infinitamente mais simples e prazeirosa, e sua ex-parceira estará livre para procurar um relacionamento de verdade.
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Ressuscitei essa discussão, porque o meu blog favorito no mundo, em resposta a uma matéria da New York Magazine, resolveu abordar um assunto sobre o qual muita gente fala muita besteira: pornografia e masturbação.
É verdade que os homens estão perdendo a libido e deixando de sentir atração por suas companheiras por estarem se masturbando muito com pornografia?
Eu já li muito sobre esse assunto. Via de regra (aliás, via de regra é buceta), ou besteiradas moralistas sobre como a pornografia está acabando com a sociedade ou besteiradas libertárias clamando que qualquer tentativa de falar contra a pornografia é moralismo. Diante dessas duas posições tão ridículas, eu ficava sempre sem ter o que dizer. Até que ontem o TLP finalmente articulou minha própria opinião para mim - de certo modo, até mesmo fazendo uma ponte com o post acima. Abaixo, os melhores trechos.
* * *
You don't do it because you're horny, you do it because you're bored. With porn that available, you never get to really horny anyway in the same way Americans never get to really hungry. ...
In other words, online porn isn't a drug, it isn't an addiction, it isn't a sign of deviancy or a trigger for disease: porn is junk food. It is a bag of potato chips you eat when you aren't even hungry, and once you start and the initial "mmmm!" passes you're all in, may as well finish the bag, you've ruined your diet/night already, start over clean tomorrow.
After a while potato chips just figure into your routine, there's a passing thought that perhaps you shouldn't but since there aren't any obvious and immediate consequences... And now it's part of who you are.
But no one would ever say that "other foods don't measure up", no one says that potato chips taste better than steak not because they don't but because no sane person makes those kinds of comparisons. If you did, if you played it all out in your head and now deliberately avoid eating a steak in order to get to potato chips-- then you have a problem that is deeper than steak or potato chips.
Junk food is stripped of the essentials of real food, leaving just the vulgar, the simple, the obvious of taste: sugar, salt, fat, repeat. It is the pornographization of food. The mistake people make is that they think it is delicious, but it's really just easy, comforting, reliable, satisfying. And that's where we are now: online porn is the pornographization of porn. ....
When you characterize porn as an addiction it tells you that it is hard to break free, that it is a struggle, that relapse is inevitable-- all things that have nothing to do with porn. But when you characterize online porn as junk food, the solution is obvious: don't eat it. ...
In medical school a lot of the guys (who went into ortho) went to the gym and would discuss with euphoria how much canned tuna they ate. "There's 15g of protein and zero fat!" they'd whisper to each other, and they'd sooner eat salamander eyes than lick a Dorito. That was the kind of guys they were.
This may not be a reassuring solution to some, but I can promise you that it is the only solution: you have to decide you're not the kind of person who wastes time on that. Condemning it, banning it, hiding from it-- all will lead to failure. Lust isn't the trigger, boredom is, idle hands are something or other, so the sooner you get a default activity, the better. When your wife walks in on you in the midst of an overhand tug and she moans, "you are pathetic!" she's really a vowel off, apathetic is more accurate and considerably more amenable to improvement.
Leiam o artigo completo:
The Effects Of Too Much Porn: "He's Just Not That Into Anyone"
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