Estou corringindo o primeiro trabalho do ano. "Escreva sobre os três momentos mais importantes da sua vida." Para treinar o pretérito e o imperfeito.
Sempre aviso aos meus alunos que, em uma aula de línguas, o foco das tarefas nunca é a resposta em si, mas o método. Que eu nem conheço eles e, com certeza, não tenho direito de fazer perguntas pessoais. Que elaboramos as tarefas pensando não nas respostas que vamos extrair ("como é sua relação com sua família?") mas sim em algum tempo verbal ou estrutura que queremos que utilizem. Que eles não precisam se sentir compelidos a abrir sua privacidade e podem inventar as respostas, se quiserem.
Apesar disso, e como não poderia deixar de ser, toda aula de línguas sempre acaba virando terapia em grupo. As pessoas confessam, admitem, revelam coisas que jamais seriam articuladas em uma aula de física, história, administração.
Por um lado, é estranho ser recipiente dessas confidências. Mas, por outro...
Hoje, corrigindo essas redações, lendo sobre os momentos mais marcantes da vida de cada um, meus alunos todos... subitamente.... viraram gente! Não são mais carinhas ligadas a nominhos na minha pauta. São gente. Sei de seu primeiro beijo a beira do lago, da morte do pai no dia de natal, do primeiro touchdown aos oito anos, da primeira vez que vieram à cidade. Esse tipo de empatia não tem preço.
Então, por outro lado, eu fico pensando.... Quantos professores babacas, canalhas, distantes, não seriam mais humanos se não começassem o semestre lendo sobre os momentos mais importantes das vidas de seus alunos?
* * *
Abaixo, recomendação máxima, um dos livros mais lindos, humanos, abertos, libertários, grandes!, que eu já tive o privilégio de ler:
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