Empatia & Ensino de Línguas

Estou corringindo o primeiro trabalho do ano. "Escreva sobre os três momentos mais importantes da sua vida." Para treinar o pretérito e o imperfeito.

Sempre aviso aos meus alunos que, em uma aula de línguas, o foco das tarefas nunca é a resposta em si, mas o método. Que eu nem conheço eles e, com certeza, não tenho direito de fazer perguntas pessoais. Que elaboramos as tarefas pensando não nas respostas que vamos extrair ("como é sua relação com sua família?") mas sim em algum tempo verbal ou estrutura que queremos que utilizem. Que eles não precisam se sentir compelidos a abrir sua privacidade e podem inventar as respostas, se quiserem.

Apesar disso, e como não poderia deixar de ser, toda aula de línguas sempre acaba virando terapia em grupo. As pessoas confessam, admitem, revelam coisas que jamais seriam articuladas em uma aula de física, história, administração.

Por um lado, é estranho ser recipiente dessas confidências. Mas, por outro...

Hoje, corrigindo essas redações, lendo sobre os momentos mais marcantes da vida de cada um, meus alunos todos... subitamente.... viraram gente! Não são mais carinhas ligadas a nominhos na minha pauta. São gente. Sei de seu primeiro beijo a beira do lago, da morte do pai no dia de natal, do primeiro touchdown aos oito anos, da primeira vez que vieram à cidade. Esse tipo de empatia não tem preço.

Então, por outro lado, eu fico pensando.... Quantos professores babacas, canalhas, distantes, não seriam mais humanos se não começassem o semestre lendo sobre os momentos mais importantes das vidas de seus alunos?

  Professora, É pra Ler ou Entender? DINORA MACHADO MELO  Memórias de Professoras: História e Histórias MARIA TERESA DE ASSUNCAO FREITAS

* * *

Abaixo, recomendação máxima, um dos livros mais lindos, humanos, abertos, libertários, grandes!, que eu já tive o privilégio de ler:

  Pedagogia do Oprimido

 Promoção Submarino

 

01.02.11


Categorias: Comportamento, Empatia


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Comentários:


Comentário de: aiaiai

Eu li "Pedagogia do Oprimido" graças a sua recomendação e amei! Fico falando para todo mundo ler kkkkkkk sou chata!

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 16:44



Comentário de: Marcelo Camanho

Alex, me permita uma observação: para alguém que preza tanto a empatia para com o próximo, você exagera chamando alguns de babacas, canalhas, merdas etc.

Como "alguém" diria: você sabe o que está se passando na cabeça do sujeito? Sabe porque ele não está exercitando a empatia? Isso é motivo para VOCÊ não exercitar a sua?

Você, que admite passar boa parte do tempo tentando mudar as pessoas, não deveria pensar três vezes (duas eu sei que você pensa) antes de proferir julgamentos tão definitivos?

O Zen diz que os julgamentos são fruto do ego, e a prática diária nos ensina a abandoná-lo.

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 17:06



Comentário de: Alex Castro Email

Alex, me permita uma observação:

Oi Marcelo. Que bom que vc começou assim. Então, deixa eu dizer: permito não. Não te conheço, não sei quem você é, não pedi sua opinião, não te dei intimidade nem direito de vir me dizer o que vc acha de mim, da minha vida, das minhas escolhas. Estou falando aqui, no meu próprio blog, não fui te chamar. Se você não está gostando, ou se tem reservas quanto a mim, respeito, sinta-se a vontade pra não ler, mas, não, obrigado, não estou interessado. Abraços.

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 17:21



Comentário de: Marcus · http://vidaoffline.wordpress.com

Belo post.

Tive no ensino médio uma professora de literatura e educação artística que catalisou esse tipo de coisa. A arte servia como um canal para expressão das subjetividades dos alunos.

Os alunos se uniram em torno dela para vários projetos extra-classe, inclusive uma coletânea de crônicas e poemas que foi publicada com certo estardalhaço na cidade onde morávamos.

Talvez o material escrito não fosse lá grande coisa, mas a experiência de "virar gente" aos olhos dos que nos liam foi muito positiva.

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 17:33



Comentário de: Teresa

Caraca, que fora! Aí é que tá, tem muito professor que só enxerga o seu umbigo, os seus títulos, a sua imensa sabedoria e caga pro resto.

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 20:40



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

"toda aula de línguas sempre acaba virando terapia em grupo"
HAHAHAHAHAHA
bingo

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 20:48



Comentário de: Marco

"Então, deixa eu dizer: permito não." hahahaha, boa.

PermalinkPermalink 01.02.11 @ 21:07



Comentário de: marcus · http://grandeabobora.com/

"Então, por outro lado, eu fico pensando.... Quantos professores babacas, canalhas, distantes, não seriam mais humanos se não começassem o semestre lendo sobre os momentos mais importantes das vidas de seus alunos?"

Eu sou um destes professores :)

PermalinkPermalink 02.02.11 @ 03:11



Comentário de: Marcelo Camanho

Alex, não tive a intenção de ofendê-lo. Ficam registradas aqui minhas desculpas. Um abraço.

PermalinkPermalink 02.02.11 @ 11:14



Comentário de: Alex Castro Email

Marcelo,

Desculpa digo eu, pelo mau jeito e pela grosseria. Em geral, quando pessoas q eu não conheço vem me dizer o que acham de mim e da minha vida, eu apenas ignoro graciosamente.

Abraços.

PermalinkPermalink 02.02.11 @ 12:26



Comentário de: Ana · http://www.kactus.net

muito bom

PermalinkPermalink 03.02.11 @ 03:30



Comentário de: Rafael Reinehr · http://reinehr.org

Mais do que a técnica - que já é interessante por si só - o que mais chamou minha atenção foi o efeito que ela causou em você (ou que possa causar em alguém). Valiosa ferramenta esta que desenvolveste.

PermalinkPermalink 03.02.11 @ 18:57



Comentário de: OCoisa · http://coisafilosofica.blogspot.com/

Alex-sensei, gostei dessa sua "humanização" do professor. Quando os médicos passaram a nos ver como um grande conjunto de órgãos interligados perdemos a humanidade e eles a noção de bem estar do paciente.

Perdoe-me a pretensão de te indicar um blog de uma professora que experimenta novas técnicas de avaliação: http://diariofilosofico.wordpress.com/

PermalinkPermalink 05.02.11 @ 10:22



Comentário de: Thigh Tattoos · http://thightattoos.org/

The root of your writing while sounding agreeable initially, did not settle well with me personally after some time. Somewhere throughout the sentences you were able to make me a believer unfortunately just for a short while. I nevertheless have got a problem with your leaps in assumptions and one would do well to fill in all those breaks. If you can accomplish that, I could definitely end up being impressed.

PermalinkPermalink 04.10.11 @ 02:55



Comentário de: Auto Window Tinting Houston · http://www.proautotint.com/automobile_window_tinting.html

Howdy! Do you know if they make any plugins to protect against hackers? I'm kinda paranoid about losing everything I've worked hard on. Any suggestions?

PermalinkPermalink 08.10.11 @ 08:45



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