Causa Mortis: Incompetência

Antigamente, morria-se.

A morte, as doenças, a decadência do corpo eram simplesmente inimigos poderosos demais. Morrer não era uma derrota ou um azar: era triste, era terrível, era algo a ser evitado a todo custo, mas também era parte da vida.

Hoje, não mais. Você é que não comeu alimentos orgânicos o suficiente, não se exercitou a contento, não parou de fumar antes dos trinta, se estressou demais. A culpa é nossa: se tivéssemos somente feito tudo o que nos mandam as revistas de saúde (menos ovo nos anos pares, mais ovo nos ímpares) iríamos viver para sempre - como tem de ser! Mas fomos fracos, ó vida ó azar, e por isso estamos aqui nessa cama de hospital, ao pé da morte.

Pior ainda, a miragem do progresso eterno e irresistível nos promete sempre a solução de todos os problemas, logo ali, na próxima esquina, basta a gente conseguir chegar lá. Então, pegar um câncer terminal é não apenas culpa do seu estilo de vida irresponsável mas também, coitado de você, bad timing! Que azar! A Pfizer está testando agora, hoje mesmo, a droga que poderia te salvar, mas só chega no mercado ano que vem! Deu na Superinteressante que cientistas de Harvard garantem que esse seu tipo de câncer estará erradicado em dez anos, pôxa! Se você tivesse comido mais alfafa, caramba, teria aguentado chegar até lá e aí então, claro, não morreria nunca!

Afe!

Olha. Fora de brincadeira. Eu tive a melhor vida que eu poderia desejar. Fiz tudo o que quis na hora que quis. Não tenho arrependimentos. Não tenho nenhuma palavra por dizer a ninguém. Meu único medo não é morrer, pois sei que existência tem começo, meio e fim, mas fraquejar e morrer como um bebê chorão.

* * *

Baseado em um trem de pensamento que se originou em Perpetual Euphoria: On The Duty to Be Happy, de Pascal Bruckner.

Duas citações do livro:

"O talento peculiar do Dalai Lama é ter inventado, como Paulo Coelho, um Esperanto espiritual universal acessível a pessoas de todos os países, sem fronteiras ou limitações."

"Hoje, a infelicidade não é mais apenas infelicidade: ela é, pior ainda, o fracasso de ser feliz."

Assim, claro, como a morte é o fracasso de viver para sempre.

Pascal Bruckner é autor, entre outras coisas, do romance que inspirou o filme Lua de Fel, do Polanski. Preciso ler mais Pascal Bruckner.

* * *

Ok, só mais uma, dessa vez de The Tyranny of Guilt: An Essay on Western Masochism:

From existentialism to deconstructionism, all of modern thought can be reduced to a mechanical denunciation of the West, emphasizing the latter’s hypocrisy, violence, and abomination. In this enterprise the best minds have lost much of their substance. Few of them have avoided succumbing to this spiritual routine: one applauds a religious revolution, another goes into ecstasies over the beauty of terrorist acts or supports a guerrilla movement because it challenges our imperialist project. Indulgence toward foreign dictatorships, intransigence toward our democracies. An eternal movement: critical thought, at first subversive, turns against itself and becomes a new conformism, but one that is sanctified by the memory of its former rebellion. Yesterday's audacity is transformed into clichés.

Meu novo artigo, recém-publicado na Revista Estudos Hum(e)anos, sobre La Mettrie e o fracasso do Projeto Iluminista é justamente sobre as idéias abordadas nessa citação. Dêem uma olhada:

La Mettrie, Filósofo da Felicidade Individual

* * *

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26.01.11


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Comentários:


Comentário de: Dandi · http://dandi.blogspot.com

Isso é o que dá viver numa sociedade sedenta. Existe cada coisa maluca e essa medicina que promete a vida eterna, essa ciência que diz ser a fonte da juventude. Daqui a pouco a morte vira um tabu. Lembro do texto de Walter Benjamim, criticando a assepsia das mortes nos hospitais modernos. Não mais queremos ver este fracasso. O cúmulo foi eu jovem ter tido um câncer e ouvir gente falando de psico-somatização, mal-olhado e falta de religião. E o pior é que não perguntei a opinião de seu ninguém!

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 01:47



Comentário de: Rafael · http://estadodearte.wordpress.com/

O mais engraçado dessa história toda é que, para se viver eternamente, é necessário fazer um monte de sacrifícios, que somados já fazem a vida quase não valer a pena.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 04:36



Comentário de: Aperitiva

É bem assim mesmo. Morrer é incompetência, assim
como ser gordo também é. Como se todos os gordos
do mundo fossem glutões insaciáveis. Assim como
existe o magro que come tudo e é seco feito um
palito, existe o gordo que nada come e mal consegue
se movimentar.Ah, ser velho é desleixo. Onde já
se viu não prevenir a velhice? Vc é velho porque
não passou protetor solar, nem usou os cremes
adequados, fumou demais, bebeu demais, deu demais.
Enfim...vamos nos colocar em cápsulas de formol
e esperar o futuro da ciência.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 08:11



Comentário de: Fernando · http://euviomundo.blogspot.com/

Alex, este livro é espetacular e tem edição em português.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 09:53



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

Já eu, escreveria On The Duty To Be Noisily Happy, seguido de It's Not About Me: On The Duty To Advertise Your Unhappiness.

Ok ok, exagerei no cinismo.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 10:33



Comentário de: Alex Castro Email

carlos,

qd digo q nao me arrependo de nada, nao é pq sou frio e estoico, ou pq fiz tudo certo, mas pq tomei as melhores decisoes possiveis com as informações que possuia no momento. nem tudo deu certo. se eu pudesse tomar algumas decisões com as informações que tenho HOJE, eu tomaria - mas isso não é possível, então não vale a pena se preocupar com isso.

A gente faz o melhor que pode, com as informações que dispõe, e depois segue viagem.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 11:25



Comentário de: Diogo Batalha · http://www.twitter.com/diogobatalha

Alex, creio que isso se aplica ao ``momento eco´´desse mundo.

Puro onanismo.

Pobre dos ecologisas que passaram de respeitosos cientistas e hoje se confundem na massa de garotos ociosos com ecobags.

A maioria mostra um conhecimento muito superficial sobre o assunto. Nao sabem, por exemplo, que o custo de producao de uma ecobag é tres vezes maior e plastico, vejam você, é reciclável.

Energia eolica? Lindo, encantador. Mas a maioria nunca ouviu o barulho ensurdecedor que essas porras fazem e nem a quantidade de passaros e morcegos que elas matam

http://www.youtube.com/watch?v=8NAAzBArYdw

Como diz um amigo meu: culpa burguesa + tempo ocioso

O planeta não é tão fragil. Ele está aqui a mais tempo que nós e continuará aqui depois que nós formos.

http://www.youtube.com/watch?v=X_Di4Hh7rK0&feature=player_embedded

Mas não diga isso a ninguem, provavelmente cuspirão comida vegetariana em cima de voce...

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 12:02



Comentário de: Julio Santos

Não entendi. Também tive a melhor vida possível, fiz o meu melhor, poucos arrependimentos etc etc.

Isso não quer dizer que não continue tentando manter minha felicidade, e que eu não queira ainda viver muitos e muitos anos.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 12:51



Comentário de: Alex Castro Email

Não entendi. Também tive a melhor vida possível, fiz o meu melhor, poucos arrependimentos etc etc. Isso não quer dizer que não continue tentando manter minha felicidade, e que eu não queira ainda viver muitos e muitos anos.


julio, desculpa, quem nao entendeu fui eu. vc discorda de que? onde foi que eu disse que eu nao quero manter minha felicidade e que nao quero viver muitos anos?

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 12:57



Comentário de: Julio Santos

Não discordei de nada, mas o texto passou (pelo menos para mim) uma impressão de 'não adianta se preocupar em ser saudável, fazer exercícios, se alimentar direito - o importante é morrer feliz'.

Então concordamos que é importante cuidar do corpo e da mente - para viver e morrer felizes!

Não concordo muito com o Bruckner, mas é interessante ver você elogiando o autor do conceito de "racismo dos anti-racistas"...

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 13:31



Comentário de: Alex Castro Email

julio,

o cara eh direitao, e nao concordo com mt coisa q ele fala, mas concordo com outras, e ele eh sempre bom, serio, honesto, gostoso de ler.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 13:36



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

Batalha,
Não acredite naquele vídeo do urubu batendo na hélice. Dica: o som instantâneo. O YouTube tá abarrotado de vídeos falsos. Não tou contradizendo o fato de q muitos animais morrem ao entrar em contato com artefatos humanos. Mas esse vídeo é falso.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 13:45



Comentário de: Diogo Batalha · http://www.twitter.com/diogobatalha

Da onde vc tirou isso senhor plausivel?

Em todo caso, o video nao é importante, ele é só o exemplo. tem muitos outros por ai

http://www.youtube.com/watch?v=KRqu4WiLQfk&feature=fvw

Concentre-se na lua, nao no dedo que aponta para ela :p

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 14:23



Comentário de: Kitagawa

O som pode estar estranho (talvez o estalo não seja do impacto, ele aparece várias vezes), mas a imagem me parece verdadeira. Fazer o urubu voando em torno, é até fácil falsear. Mas ele sendo atingido, e caindo daquele jeito... não, não dá pra fabricar aquilo do nada, ninguém saberia como fazer, ninguém saberia prever e cconstruir aquele movimento giratório de um urubu caindo com uma asa quebrada.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 15:31



Comentário de: Hugo

Alex,

Vc chegou a dar uma lida no material do Immortality Instite(imminst.org) e na Humanity + (humanityplus.org), e as tecnologias radicais de extensao vital?

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 16:00



Comentário de: Paulo Afins · http://outrascoisaseafins.wordpress.com/

"Indulgence toward foreign dictatorships, intransigence toward our democracies."

Ele propõe, então, indulgência para com nossas democracias? Ou descer o malho em todo mundo?

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 17:12



Comentário de: Teresa

O texto é profundo mas me faz lembrar de uma bobagem, uma piada que escutei recentemente:
Homem vai ao consultório médico:
- Doutor, o que recomenda fazer pra que eu possa viver 100 anos?
O médico começa a perguntar:
- Você bebe?
- Não senhor, nem gosto.
- Você fuma?
- Também não.
- Sai à noite fazendo farra?
- De jeito nenhum.
- Faz sexo?
- Também não.
- Então rapaz, se você não faz nada disso, pra que você quer viver 100 anos?

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 17:39



Comentário de: Daniel

É a idolatração da vida! As pessoas idolatram a vida como se fosse uma exclusividade dos ser humano, uma coisa totalmente espetacular. Esquecem que bactérias são seres vivos, que ratos procriam aos montes e também são vivos. Acho que o prolongamento da vida não é algo "natural". Viver a base de toneladas de comprimidos, balão de oxigênio, fraldas e soros não é viver... A vida deve ser medida pela largura e não pelo comprimento!

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 17:49



Comentário de: Paulo Afins · http://outrascoisaseafins.wordpress.com/

O Iluminismo não deu certo, também, porque o mundo nunca deixou de ser mágico. As massas ainda o vêem assim. Por mais que a moralidade tenha perdido as estribeiras, a máxima produtividade obtida pelos métodos racionais de produção depende de um consumismo que também é uma forma de sublimação coletiva, portanto, irracional. As massas embrutecidas do nazismo, que criou um sistema tão racional de extermínio, o seguiam pela devoção à Pátria, pela sacralidade dos símbolos, pelo desejo de vingança e de justiça (por mais deturpados que fossem).
Mesmo que o individualismo de um Tea Party da vida se junte de modo incoerente e hipócrita com o moralismo cristão, ele faz parte de um mundo ainda encantado/mítico em alguma(s) instância(s).
Viajei muito?

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 18:36



Comentário de: Arthur

Alex, se eu me lembro bem você acreditava em livre arbítrio.

Livre arbítrio é compatível logicamente com "A gente faz o melhor que pode, com as informações que dispõe"?

Do jeito que você fala parece que você não tinha escolha a não ser tomar as decisões que você tomou, devido as informações disponíveis e as suas preferências e prioridades na hora da tomada de decisão.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 09:28



Comentário de: Paulo Afins · http://outrascoisaseafins.wordpress.com/

Oi Arthur,
Desculpa me meter... não sei o que o Alex pensa, mas parece-me plenamente conciliável a idéia de livre arbítrio com a de "a gente faz o melhor que pode...", afinal, nada é absoluto, nem a liberdade ou o livre arbítrio.
Somos livres dentro de nossas condições e possibilidades.
O danado é que é impossível medir o tamanho dessas condições e (mais ainda) das possibilidades.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 09:35




por um motivo qualquer o cara volta ao
hospital onde, 5 anos antes, em uma conulta
o médico lhe dera mais 6 meses de vida, no
máximo um ano. Por acaso ele vê o mesmo médico e, so de sacanagem, o interpela sobre o tal disgnostico furado, ao que o doutor responde, sério;
- vc tomou os remedios que te passei?
o cara:
-não...nao tomei nada.
o médico:
-então, não faz o que a gente manda depois vem reclamar???

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 10:20



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Arthur,

Pois é, como o Paulo falou, eu realmente nao entendi a associacao que vc fez com o q eu disse e a falta de liver arbitrio. Eu estava justamente falando das nossas escolhas, oras. Vc pode explicar melhor?

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 12:09



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Arthur,

Pois é, como o Paulo falou, eu realmente nao entendi a associacao que vc fez com o q eu disse e a falta de liver arbitrio. Eu estava justamente falando das nossas escolhas, oras. Vc pode explicar melhor?

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 12:12



Comentário de: raf

Arthur

"A gente faz o melhor que pode, com as informações que dispõe"

Se for assim:

- a gente tem determinadas informações
- a gente faz o melhor que pode (consegue)

Coisas conectadas, mas não diretamente dependentes entre si.

Aí fica ok.

Se for assim:

- a gente faz o melhor que pode com as informações que tem

Como se fazer o melhor dependesse só de ter as informações, então fica destrambelhado a raciocínio e aí cai em destino. Se você tem uma informação você vai sempre fazer o melhor com ela.

Não é isso que acontece. E não é isso que o Alex quis dizer. Ao que me parece.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 16:34



Comentário de: raf

Arthur

"A gente faz o melhor que pode, com as informações que dispõe"

Se for assim:

- a gente tem determinadas informações
- a gente faz o melhor que pode (consegue)

Coisas conectadas, mas não diretamente dependentes entre si.

Aí fica ok.

Se for assim:

- a gente faz o melhor que pode com as informações que tem

Como se fazer o melhor dependesse só de ter as informações, então fica destrambelhado a raciocínio e aí cai em destino. Se você tem uma informação você vai sempre fazer o melhor com ela.

Não é isso que acontece. E não é isso que o Alex quis dizer. Ao que me parece.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 16:36



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Arthur

Eu realmente nao estou entendendo o que vc pode ter visto no meu comentario que faça qualquer tipo de menção ou sugestão a falta de livre arbitrio.

Em qq situacao em nossas vidas, nos sempre agimos com base em informacoes incompletas - pq nunca sabemos a historia toda, nunca sabemos o que todo mundo está pensando.

E, assim, dispondo dessas informações incompletas, nós tomamos nossas decisões da melhor maneira possível - mas nada disso quer dizer que nao tenhamos uma larga medida de livre arbitrio pra tomar nossas decisoes com base em nossas informacoes incompletas.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 17:18



Comentário de: Arthur

Alex e Paulo,

Talvez seja só entendimento errado meu mesmo, mas se você sempre tomou as melhores decisões parece que não havia possibilidade de você ter tomado as piores decisões, ou mesmo uma decisão intermediária.

Claro que pode ser também que simplesmente você em todos os momentos da sua vida tomou a melhor decisão, e que seria possível ter tomado outras piores, e varias pessoas deixam de tomar a melhor decisão todo o dia, e elas devem mesmo ficar arrependidas (Ou não, por que no final nem faz diferença se você tomou ou não a melhor decisão).

Mas é pouco provável, apesar de possível, ter tomado a melhor decisão em todos os momentos da vida, o que me levou a considerar a primeira hipótese. Mesmo por que é difícil avaliar a melhor decisão por que não existe contrafactual em historia.

Ou, como não faz diferença mesmo toda a decisão é a melhor decisão.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 18:38



Comentário de: Alex Castro Email

arthur,

toda decisão é sempre a melhor decisao pq, q eu saiba, salvo em raras e honrosas exceções, ninguem escolhe pelo ruim.

tudo o que vc decidiu na vida, imagino, foi porque, no momento da decisão, com base nas informacoes disponiveis naquele momento, aquela era, em sua opiniao, a melhor decisao a se tomar...

isso nao quer dizer que estava tudo predestinado... :)

estou achando mt engracado de onde vc tirar "falta de livre arbitrio" daí.

PermalinkPermalink 27.01.11 @ 18:45



Comentário de: Arthur

Alex,

Se você sempre escolhe a melhor opção, tendo como base alguns critérios determinados, de acordo com as informações disponíveis, você não tem escolha.

Os critérios são escolhidos do mesmo jeito que se toma outras decisões. Regredindo até sua biologia, e tendência a copiar comportamentos que nos domina na infância.

Só pode existir livre arbítrio se se puder escolher as piores opções também, se só se pode escolher a melhor opções, não há livre arbítrio.

A questão é que se há uma regra que define nossas escolhas, não há livre arbítrio. E todos sempre escolherem a melhor opção aponta fortemente para uma regra.

PermalinkPermalink 28.01.11 @ 09:37



Comentário de: Arthur

Alex,

Se você sempre escolhe a melhor opção, tendo como base alguns critérios determinados, de acordo com as informações disponíveis, você não tem escolha.

Os critérios são escolhidos do mesmo jeito que se toma outras decisões. Regredindo até sua biologia, e tendência a copiar comportamentos que nos domina na infância.

Só pode existir livre arbítrio se se puder escolher as piores opções também, se só se pode escolher a melhor opções, não há livre arbítrio.

A questão é que se há uma regra que define nossas escolhas, não há livre arbítrio. E todos sempre escolherem a melhor opção aponta fortemente para uma regra.

PermalinkPermalink 28.01.11 @ 09:42



Comentário de: Alex Castro Email

arthur,

acho q vc realmente nao entendeu o que quero dizer por melhor decisao. achei que vc tinha entendido, no penultimo comentario, qd disse que toda decisao é a melhor decisao, mas parece que nao entendeu.

nao sei se consigo explicar melhor, mas como acho q vc nao está de sacanagem, vou tentar mais uma vez:

todo mundo sempre toma a melhor decisao em cada situacao pq o que define a melhor decisao é o fato de ter sido tomada. entendeu?

como sei que vc tomou a melhor decisao em uma determinada situacao? simples. pq aquela decisao, de todas as que vc poderia ter tomada, foi a que vc decidiu tomar e, por isso, portanto, NAQUELE MOMENTO, com base nas informacoes que vc tinha, com base nas suas prioridades daquele momento, era a melhor decisao.

nada disso quer dizer que vc nao possa mudar de ideia depois. nada disso quer dizer que vc nao tomou a decisao errada com base em informacoes erradas, nada disso quer dizer que nao seja uma decisao que, no fim, te faça mal. mas. se vc escolheu aquela, eh pq naquele momento, era a melhor decisao pra vc.

pelamordedeus, lê isso com calma e para de pensar em destino. o que estou falando é a base da economia, é o conceito de que as pessoas tomam decisoes racionais baseadas em seu interesse proprio. é uma ferramenta de analise das mais ricas. nao tem nada a ver com destino ou falta de livre-arbitrio.

PermalinkPermalink 28.01.11 @ 11:36



Comentário de: Arthur

Alex,

Não estou de sacanagem mesmo.

Mas não estou falando em destino, não acredito em destino.

Estou falando da mesma coisa que você, estava o tempo todo pensando na racionalidade da teoria econômica.

O que eu estou dizendo é que se há uma regra, como a racionalidade econômica, que determina seu comportamento você não é livre de verdade.

Claro que isso não é verdade se você tiver controle das suas preferências. Mas acredito que nossas preferências são regidas pelas mesmas regras que regem a decisão.

PermalinkPermalink 28.01.11 @ 12:49



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

Alex,
O Arthur tá correto. Num mundo onde todos tomam a melhor decisão possível no momento, não há livre arbítrio. Só há livre arbítrio qdo vc deixa tuas direções serem decididas pelo acaso – moedas, loteria, &c. Se vc de água pra viver, então a decisão de tomar água não é livre.

Na verdade, nas grandes coisas, vc raramente tomou a melhor decisão possível com os dados disponíveis; vc apenas tomou decisões q mais tarde vc se convenceu serem as melhores possíveis, simplesmente pq, do jeito q a vida humana se organiza, é muito mais provável q tua vida continue e se arranje por si, do q é provável q, ao tomar uma dada decisão, vc seja atropelado por um trator; por isso, há um confirmation bias em favor da decisão já tomada. Daí q, qqer q fosse o caminho tomado, digamos, q vc tivesse se tornasse bem de vida como charuteiro ou radialista com mulher e três filhos, vc *ainda* acharia q tomou as melhores decisões, e *ainda* assim não teria sido livre arbítrio.

PermalinkPermalink 28.01.11 @ 18:32



Comentário de: Vanessa

Livre arbítrio existe se há livre pensar (http://bit.ly/f5esqN aqui, pra quem pensou que pensa livremente)... então, não atrele "decisões" a "livre arbítrio". Decisões são tomadas sob condições de uma situação, e ninguém toma uma decisão que não julgue a melhor. E deixar suas direções serem decididas pelo acaso é estar submetido ao acaso, portanto, não-livre. Existe muita gente não-escrava (ou o que o valha), mas quase ninguém é livre.

PermalinkPermalink 28.01.11 @ 20:04



Comentário de: Ale

seria interessante fazer um teste e, na proxima que for tomar uma decisao, tomar a alternativa que julgue a 'pior'. Isso na verdade seria a 'melhor' de alguma outra pessoa nas mesmas circunstancias.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 11:47



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Ale. Nao entendi nada.

Dado que as pessoas sao diferentes, com vidas diferentes, traumas diferentes, perspectivas diferentes, etc, é um dado que a decisao q parece a melhor pra mim tb vai parecer a pior para muitas outras pessoas, e vice-versa.

Entao, nao entendi. O que o seu teste provaria?

E, se eu tomasse a decisão que acho pior como parte de um teste pra provar alguma coisa, essa decisao automaticamente se tornaria a melhor: é a melhor decisao que poderia tomar alguem que está tentando tomar a pior decisao possivel de modo a provar um ponto, ou seja, é a melhor decisao de acordo com aqueles objetivos.

Entao, nao entendi bem sua sugestao.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 12:15



Comentário de: Alex Castro Email

Na verdade, nas grandes coisas, vc raramente tomou a melhor decisão possível com os dados disponíveis; vc apenas tomou decisões q mais tarde vc se convenceu serem as melhores possíveis, simplesmente pq, do jeito q a vida humana se organiza, é muito mais provável q tua vida continue e se arranje por si, do q é provável q, ao tomar uma dada decisão, vc seja atropelado por um trator; por isso, há um confirmation bias em favor da decisão já tomada. Daí q, qqer q fosse o caminho tomado, digamos, q vc tivesse se tornasse bem de vida como charuteiro ou radialista com mulher e três filhos, vc *ainda* acharia q tomou as melhores decisões, e *ainda* assim não teria sido livre arbítrio.

Oi Pablo.

Acho realmente que vcs estao falando outra lingua. Quando digo "a melhor decisao possivel" nao entra nenhum calculo ou consideracao posterior retroativa. Estou falando pura e simplesmente do momento. Pouco importa o que aconteceu depois. É irrelevante.

Muitas vezes a gente toma a melhor decisao possivel em uma situação (a decisao que nos parece a melhor possivel com nossas informações limitadas e raciocinio deficiente) e, mesmo assim, dá merda, falimos, perdemos tudo. Mas nada disso que aconteceu depois muda o fato de que, naquele momento da decisao, nos tomamos a decisao que nos parecia a melhor possivel de acordo com a informacao que dispunhamos...

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 12:20



Comentário de: Alex Castro Email

O que eu estou dizendo é que se há uma regra, como a racionalidade econômica, que determina seu comportamento você não é livre de verdade.

oi arthur. acho que vc nao entendeu o conceito de racionalidade economica em economia entao. esse conceito é a coisa mais linda da economia, mais libertadora.

ele é justamente o conceito, a teoria menos caga-regra do mundo. o q ele diz, simplesmente, é:

quem entende de vender pipoca é o pipoqueiro. eu, economista, nao sei nada de pipoca, de como vencer pipoca, de como funciona o mercado de pipoca. já o pipoqueiro, mesmo talvez nao tendo estudo, não rasga dinheiro e é um agente racional: entao, tudo o que ele faz, ele faz pq funciona naquele negocio. o MEU trabalho como economista, olhando de fora, muito ao contrário de cagar regra, é partir do pressuposto que o pipoqueiro entende do mercado de pipoca e age racionalmente, e tentar assim entender pq ele faz as coisas que ele faz.

entao, do ponto de vista desse economista observando o pipoqueiro, o pipoqueira sempre toma, por definicao, a melhor decisao possivel. mas nao tem nada de destino, predestinacao ou falta de livro arbitrio nisso, ue. outro pipoqueiro, na mesma situacao, tomaria outras decisoes...

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 12:30



Comentário de: Alex Castro Email

o que eu acho que vcs nao estao entendendo é que...

em uma determinada situacao, dentre as diversas opcoes possiveis, o que define qual é a melhor decisao... é o fato de que a escolhi entre todas as opcoes!!!

(nao os desdobramentos futuros que eu nao sei quais nao e sobre os quais nao tenho controle!!)

entao, se eu decidir escolher a opcao A, é pq a opcao A era a melhor.

se eu usar o meu livre arbitrio e decidir escolher a opcao B, entao a opcao B era a melhor.

por definicao, sempre tomamos a melhor decisao... pq o que define "melhor decisao" é o fato de ela ter sido a que nos escolhemos.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 12:37



Comentário de: Renata P.

"(...) vimos que o modelo econômico do comportamento do consumidor é muito simples: as pessoas escolhem as melhores coisas pelas quais podem pagar." (VARIAN, 2003)

(e por "pagar", pode adaptar pra quando não tem dinheiro envolvido tb)

Isso é só um trechinho simples de um excelente livro de Microeconomia que conheci e que é adotado até hoje, quase 10 anos depois de eu ter sido apresentado a ele na faculdade. Recomendo.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 12:48



Comentário de: Renata P.

E a melhor hoje não significa que vai ser a melhor amanhã. Pessoas mudam, hábitos mudam. A questão é que, economicamente falando, há uma "escolha ótima", mesmo com restrição orçamentária, restrição de bens etc. Afinal, desejos são ilimitados, mas recursos não são (até agora, pelo menos).

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 12:52



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

Alex,
Acho q aqui tem duas conversas acontecendo ao mesmo tempo. Gugla "free will is an illusion".

De qqer modo, acho tbm q definir 'melhor decisão' como "a decisão tomada, qqer q seja" é muito eat your cake and have it, né não? Não só isso, mas se vc de antemão prevê q qqer decisão será de algum modo racional, então tchau livre arbítrio mais uma vez: a racionalidade se impõe sobre a vontade; e mesmo q vc diga q vontade = racionalidade, igualmente o livre arbítrio vai pro escambau. Só há livre arbítrio no acaso, no caos... e *mesmo assim* é limitado pelas leis da probabilidade, ou seja, pelas leis da física.

O mundo é uma prisão. A vontade é uma prisão. A consciência é uma prisão.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 14:38



Comentário de: Alex Castro Email

plausivel,

só o q estou dizendo é q as pessoas sempre tomam as decisoes que acham q sao as melhores, mesmo se estejam erradas, mesmo se os fatos futuros nao confirmem essas decisoes.

o que estou falando nao tem NADA A VER com livre-arbitrio.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 14:43



Comentário de: Gabriel de Lacerda

Eu acho(grifo em "acho") que entendi o Arthur. Você SEMPRE toma a melhor decisão. Suas decisões de hoje são reflexos do ambiente externo. este ambiente, foi mldado por outros agentes, pelo acaso e por suas decisões anteriores (que, ao menos na hora, eram, de fato, as melhores). Se chegarmos ao ponto zero de sua vida, não há decisões próprias que te influenciaram, mas somente o externo. Portanto, o controle perante sua vida é uma certa ilusão. Suas decisões são tomadas com base em influências absolutamkente fora de seu controle. Se fosse possível repetir as condições de uma situação da mesma exata forma(absoluta e totalmente igual), as decisões tomadas seriams empre as mesmas porque, perante aqueles dados, aquela era a melhor decisão(e você sempre toma a melhor decisão).

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 15:05



Comentário de: Gabriel de Lacerda

O texto deve estar uma confusão sem fim, já que não revisei nada. Espero que alguém entenda.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 15:06



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Gabriel

Vcs todos tem o direito de pensar o q quiserem, e eu de fato nao estou nem debatendo. Estou só tentando clarificar o que falei. Se vocês acham q EU disse q nao existe livre-arbitrio, vcs estao lendo tudo errado. Claro q livre-arbitrio é bastante limitado pelo meio ambiente, mas, de qualquer modo, o meu comentario nao era sobre isso.

Acho que vcs estao falando de uma outra coisa totalmente diferente.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 15:16



Comentário de: Indy

Alex,

Você pode viver com dignidade,mas não pode morrer com ela. ( Dr House)
Não tem como não fraquejar na hora da morte, mesmo porque você vai estar morrendo.Uma solução pra isso é morrer sozinho.Eu espero morrer sozinha,sem distrações,eu a morte.Claro que espero morrer de velha sentada na minha cadeira de balanço com o meu gato roçando a minha perna.Não quero morrer atropelada e ficar com minhas entranhas espalhadas pelo chão.Falo isso como se dependesse unica e exclusivamente de mim.Então dependendo do final de semana,eu como ovo e tomate.Ao atravessar a rua olho para dois lados,não tenho vicios,nem bons nem maus.Vicios são sempre maus,mesmo quando são bons.tem gente que morre de adrenalina,mais nunca ouvi dizer de uma pessoa que morre por tédio.Não tenho medo da morte,tenho medo das estatísticas.

PermalinkPermalink 29.01.11 @ 15:30



Comentário de: pedro lobato

Seo Juquinha da Lapinha da Serra (MG) que diz:

É melhor morrer de atrevido que morrer de esmorecido

PermalinkPermalink 03.02.11 @ 17:30



Comentário de: OCoisa · http://coisafilosofica.blogspot.com/

Além da "incopetência", satanizam de maneira estúpida algumas coisas e nunca (mesmo porque é razoavelmente complexo fazê-lo) divulgam que a vida de trabalho/consumo atual mata bem mais do que qualquer ovo frito.

PermalinkPermalink 05.02.11 @ 10:00



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