O Assunto Não É Você

Poucos conselhos são mais perversos e canalhas do que o popular "trate os outros como gostaria de ser tratado".

Não é verdade. Sabe por quê? Porque o outro é um outro. Porque ele teve outra vida, outras experiências. Porque ele tem outros traumas, outras necessidades. Basicamente, porque ele não é você; porque você não é, nem nunca vai ser, nem deve ser, a medida das coisas.

Se você se usa como parâmetro para qualquer coisa, já está errado. O outro deve ser tratado não como VOCÊ gostaria de ser tratado, mas como ELE merece e precisa ser tratado.

E você pergunta:

"mas, Alex, como vou saber como o outro merece e precisa ser tratado?"

Bem, para isso, o primeiro passo é sair de si mesmo e deixar de se usar de parâmetro normativo do comportamento humano. Essa é a parte fácil. Depois, abra bem os olhos e os ouvidos. Reconheça que existe um outro e que ele é bem diferente de você.

Então, conheça-o.

* * *

A primeira coisa que aprendemos em vendas é a colocar sempre o foco no cliente. A chave para vender algo é resolver um problema ou necessidade do cliente - nem que para isso você precise criar a necessidade! Idealmente, suas frases devem girar sempre em torno do cliente: "o que posso fazer para colocá-LO em um carro novo hoje mesmo?", etc.

Os vendedores não fazem isso à toa. Funciona mesmo. Entretanto, nas últimas décadas, a técnica se espalhou. Basta ver a capa de qualquer revista: "20 maneiras de agradar SEU homem", "A recessão: como ela afeta o SEU emprego", "ENTENDA a crise em Ruanda", etc.

Esse último é especialmente traiçoeiro, por ser mais discreto. Entretanto, o efeito desse "entenda" é enorme, pois ele muda totalmente o eixo da discussão. Agora, o foco não é mais a crise em Ruanda, mas VOCÊ: o importante não é mais o sofrimento daquelas pessoas pretinhas, mas que VOCÊ entenda (superficialmente, claro) mais uma coisa para poder demonstrar aos amigos como está up-to-date com assuntos internacionais. Você, você, você. Não podemos nem mais falar sobre a crise em Ruanda sem arrastar, logo quem, VOCÊ para o meio da conversa.

A falácia, naturalmente, é que você não tem nada a ver com a crise em Ruanda.

* * *

Falando em termos da classe média ocidental, vivemos em um mundo onde os jovens pais param tudo para virar escravos dos filhos: até Mozart na barriga da mãe escutam. Depois, crescem sendo os reizinhos da casa, mandando em empregados, vendo o mundo girar a sua volta. Na TV, mil anúncios voltados pra eles. Nos mercados, mil produtos feitos especialmente para fazer crianças pentelharem os pais para comprá-los. Nas escolas, os alunos agora também avaliam os professores e exigem um bom serviço em troca das suas mensalidades. Se alfabetizam lendo as mesmas notícias acima, sobre como isso ou aquilo os afeta, sempre dando a entender que a crise em Ruanda só existe para que a entendam.

Aí, crescem e se tornam adultos que, ao invés de refletir sobre os privilégios que tem, lutam pelos que não tem; que acham que uma petição online é mais que nada; que pensam que vão salvar o mundo pelo consumo responsável, comendo atum dolphin-free e palmito não-proveniente da Mata Atlântica.

Ou seja, se tornam adultos que acham, sinceramente, do fundo do coração, que tudo gira em torno deles. Que o assunto é sempre eles.  Defeito de Cor, Um

* * *

A Ana Maria Gonçalves, autora de Um Defeito de Cor, escreveu um texto belíssimo sobre a polêmica em torno da obra de Monteiro Lobato. O que a Ana percebeu foi o seguinte: uma discussão que deveria ser sobre educação e educadores, dinâmica de sala de aula e cognição infantil, racismo e preconceito, acabava sempre caindo no eu, eu, eu. Enquanto, de um lado, professores estavam falando sobre os alunos e sua capacidade de aprendizado, e como poderiam se sentir alunos negros lendo livros sobre "pretas beiçudas", grande parte dos argumentos do outro lado eram coisas como:

"Monteiro Lobato foi um autores favoritos da MINHA infância", "EU li esses livros quando era criança e não SOU racista", etc.

Estavam pensando não nos efeitos do livro sobre as crianças que vão lê-lo no futuro (o que, afinal, é a questão em debate) mas sim defendendo a pureza de sua própria infância, como se dissessem

"se um livro que foi parte tão integrante e tão linda da minha vida é assim tão racista, que outras coisas pra mim tão naturais eu também vou ter que questionar?"

Em resposta a isso, Ana escreveu o texto brilhante cujo título já diz tudo: "Não É Sobre Você Que Deveríamos Falar".

Isso sempre acontece, não?

* * *

Fala-se de racismo, e lá vem: "mas tenho amigos negros", "já namorei uma negra", "chamo meu amigo de Sombra e Grafite e ele nunca se importou".

Só que sua opinião, seus amigos, suas namoradas, tudo isso é irrelevante, entende? O racismo é maior que você, já existia antes, vai continuar existindo depois. Essa discussão tem que se dar no nível da história e da sociologia, dos indicadores econômicos e das injustiças contemporâneas. Quando muito, talvez, da experiência pessoal dos negros que sofrem a discriminação, mas mesmo isso é altamente subjetiva, pois o preconceito também é introjetado pela própria comunidade. Mas, com certeza, não da sua experiência pessoal.

O assunto não é você.

* * *

Fala-se de aquecimento global, e lá vem: "mas esse ano teve uma tempestade de neve na minha cidade".

Só que as nevascas na sua cidade são incidentais e anedóticas, entende? Eu mesmo não tenho opinião sobre aquecimento global, mas ele vai ser provado ou desprovado através de gráficos climáticos globais sobre oscilações de temperatura ao longos dos séculos - e não pela quantidade de neve bloqueando seu carro no inverno passado.

O assunto não é você.

* * *

Fala-se de feminismo, e lá vem: "essas feministas são muito histéricas, eu jamais me incomodaria da minha chefa passar a mão na minha bunda", "minha mãe foi dona-de-casa a vida inteira e muito feliz".

Mas você não é mulher, entende? As mulheres ganham menos, sofrem mais violência doméstica, são estupradas, morrem em abortos clandestinos - todos fenômenos com métricas facilmente encontráveis. A discussão tem que dar através desses números. As coisas que você faria ou sentiria se estivesse no lugar delas são irrelevantes, pois você não está e nem nunca estará no lugar delas.

O assunto não é você.

* * *

Fala-se de direitos dos homossexuais, e lá vem: "não tenho nada contra mas acho que essas paradas gays me incomodam e só estigmatizam o movimento", "minha religião diz que é pecado", "se dois gays se beijarem em público, como vou explicar isso ao meu filho?"

Mas sua religião, sua opinião, seu incômodo, seu filho, isso tudo é irrelevante, entende? Outros cidadãos tem outras religiões, outras opiniões, outros filhos - e tem os mesmos direitos que você. Se as manifestações gays te incomodam, resolva o problema na terapia ou no templo. Você não saber como explicar ao seu filho um fenômeno humano ancestral como a homossexualidade não é justificativa para proibir alguém de viver seu amor.

O assunto não é você.

* * *

Os exemplos poderiam continuar ad eternum. Aborto, descriminalização das drogas, pobreza. Deixe sua contribuição nos comentários.

* * *

Uma amiga querida leu o rascunho desse texto e perguntou:

"é lindo isso, mas como você consegue ser assim?"

E eu tive que rir: mas quando foi que eu disse ou sugeri, em algum momento, por um segundo que fosse, que eu conseguia ser assim?!

Não estou me colocando acima desse comportamento. Bom narcisista que sou, escrevi o texto não pensando no outro, mas em mim mesmo e na minha própria vontade (tão vaidosa e tão narcisa) de ser a melhor pessoa possível. Pois eu também faço tudo isso. Escuto alguma coisa e já trago logo para mim, quero saber como afeta a minha vida, tenho sempre uma anedota pessoal para contribuir.

Não estou falando de cima, como o guru que conseguiu praticar um comportamento ilibado, pontificando aos infelizes lá embaixo que ainda não chegaram ao seu nível de iluminação: pelo contrário, estou falando a partir dos subterrâneos, do meio da multidão; estou falando justamente da briga diária que travo comigo mesmo, todo dia, o tempo todo.

Mas agora estou mais alerta. Tento não reincidir. Já consigo morder a língua antes de falar besteira. Convido vocês a tentarem fazer o mesmo. E, na próxima vez em que virem alguém se colocando em um assunto onde não deveria estar, deem o link desse texto.

Repitam comigo. O assunto não é você.

Ou melhor, o assunto não sou eu. O assunto não sou eu.

* * *

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* * *

Alguns textos relacionados:
- "Alex, Como Faço para Ser Uma Pessoa Melhor?"
- Você É o que Você Faz

* * *

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23.01.11


Categorias: Comportamento, Narcisismo


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Comentários:


Comentário de: Breno Kümmel

Eu já te disse isso, mas acho que vale repetir que "O outro deve ser tratado não como VOCÊ gostaria de ser tratado, mas como ELE merece" é um critério beeeem mais difícil de aplicar e fácil de distorcer do que se pautar pelo egocentrismo. Só uma aplicação mais generalizada do critério egocêntrico já seria um avanço considerável.

PermalinkPermalink 23.01.11 @ 23:30



Comentário de: Alex Castro Email

é difícil mesmo...

PermalinkPermalink 23.01.11 @ 23:37



Comentário de: Manuel Bueno

"Cada um deve ser tratado como merece e precisa ser tratado" não parece com "De cada qual,segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades"?
Viva Marx!

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:01



Comentário de: Manuel Bueno

Pensando em exemplos para a discussão do aborto: "se ficasse grávido (!), eu não abortaria"

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:04



Comentário de: Bear

Alex Castro costuma dizer que só consegue emitir a sua própria opinião. Eu também. Por maior que seja a empatia, eu NUNCA vou ser o outro. Tentar não faria bem à minha saúde.

"Rezar" pela cartilha do "o assunto não é você" na prática significa negar seus princípios, suas crenças e sua experiência de vida apenas porque são seus. Bullshit. Seríamos uma nação de esquisofrênicos.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:11



Comentário de: Renata

Esse é um bom tema, mas tem que ser tratado com cuidado. Porque a gente pode cair num outro tipo de problema: o excesso de relativismo que impede ou invalida qualquer opinião externa, "porque você não é ela". Pra dar um exemplo extremo, o que dizer a uma moça criada em uma sociedade em que se mutilam os órgãos sexuais das mulheres, e que acha que isso tem que ser assim mesmo? Será que a gente deve ficar preso no "ela sabe melhor, segundo suas experiências" etc.? Sem deixar de respeitar o direito à opinião do outro, será que ela nunca deve ser questionada, discutida? Será que qualquer questionamento é só egocentrismo ou narcisismo mal colocado? Isso é só o começo do assunto...

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:17



Comentário de: Alex Castro Email

Bear,

Isso aqui é um blog ateu que não estimular reza nem oferece cartilhas, tá?

Faça como você achar melhor.

Mas sim, JÁ somos um mundo de esquizofrênicos.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:17



Comentário de: Alex Castro Email

Renata,

esse é um problema serio mesmo, mas é por isso que sou contra a proibição das burcas na europa, ou do uso de véu e símbolos religiosos em universidades.

acho que se as mulheres querem usar véu e burca, deve ser respeitadas.

o que vc acharia de, amanha, uma sociedade hipotetica falar a mesma coisa sobre nossa sociedade e querer, digamos, proibir depilação e saltos altos, por achar que sao violências que as mulheres fazem contra si mesmas?

repara q nao, nao sou nem um pouco fã nem de depilação nem de salto alto, mas acho que é bem complicado apontarmos pra alguém e determinarmos que essa pessoa não sabe o que ela faz - quem sabe somos nós, em nossa borbulhante sabedoria e generosidade....

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:23



Comentário de: Leonardo Xavier · http://discordando-do-mundo.blogspot.com

Realmente, é uma missão difícil. Até porque sempre se enxerga o mundo através das próprias experiências e conhecimento acumulado. Eu pelo menos sinto que quanto mais conhecimento eu tenho sobre alguma coisa mais eu consigo analisar aquilo

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:38



Comentário de: Vanessa

Hoje foi um daqueles dias em que eu estive de cara contigo, pensando: "na próxima dessas, é unfollow no Alex Castro, certo"
Mas daí, como sempre acontece, vem um texto como este, e revogo o unfollow.
Eu sei, o assunto não sou eu e isso me lembra de outro aspecto, juntamente com o desapego, que tu dissestes que tentas praticar, cultivado no budismo: a impessoalidade.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:40



Comentário de: Alex Castro Email

Vanessa

Hoje foi um daqueles dias em que eu estive de cara contigo, pensando: "na próxima dessas, é unfollow no Alex Castro, certo"
Mas daí, como sempre acontece, vem um texto como este, e revogo o unfollow.


Não sei bem o que quer dizer "estar de cara", mas pelo contexto parece ser uma coisa ruim. E pq então vc estava "de cara" comigo?

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:42



Comentário de: Vanessa

Resumidamente, tu me irritas, em alguns textos, quando eu acho que tu devias ser mais moderado, quando twitta loucamente... mas passa, que nem hoje, passou.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:47



Comentário de: Bear

Mesmo falando em primeira pessoa, não era sobre mim que eu falava. Refraseando: Por maior que seja a empatia, é impossivel alguém se tornar o outro, pensar, sentir ou reagir como o outro. Tentar não faria bem à saúde.

Mas você havia entendido, né não? Como também deve ter entendido que o "rezar" entre aspas não era literal.

hugs.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:54



Comentário de: Renata

Pois é, Alex, por isso mesmo é que usei exemplo mais extremo do que a burca na Europa (eu tb sou a favor, mas essa é fácil, né;).

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 00:54



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

A: Êi, essa palavra nesse livro me ofende. Tem q expurgar.
B: O assunto do livro não é vc.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 01:06



Comentário de: Jhu

Há, esse é um texto daqueles que a gente inveja não ter escrito. (Uma vez eu discuti com um amigo sobre isso e quase nos matamos).

Muito bom Alex






PermalinkPermalink 24.01.11 @ 01:27



Comentário de: Thiago

Achei bem interessante mas, quer dizer que por não ser mulher ou negro ou gay ou pobre ou religioso ou xxxx toda a minha opinião perde a validade ?

Entendo que por não ser de um grupo a minha opinião é sempre de fora da caixa. Mas a resposta "Você não entende porque você não é xxxx" me parece muito pouco.

Exatamente por acreditar que existam argumentos justos que venham a me fazer entender é que eu acredito que esse argumento é pouco. Eu sei que não sou xxxxx e assim jamais entenderei completamente, mas acredito que possam existir explicações, exemplos, testemunhos, relatos, casos ou até mesmo fábulas que venham a me ajudar a entender.

Dizer que por não ser xxxx eu sou incapaz de compreender me parece tão nocivo quanto dizer que por não ser xxxx eu não ligo.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 01:43



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Thiago.

Olha, faz o seguinte, não fala isso pra mim não: vai para uma reunião de feministas e diga pra elas suas opiniões sobre assédio sexual e aborto. Ou então vá numa reunião do movimento negro e conta pra eles suas opiniões sobre a questão do racismo no Brasil.

Depois, vem aqui e me conta. :)

Já eu aprendi, a duras penas, que tem horas em que devo ficar calado, sim. Que tem problemas que outras pessoas entendem mais que eu, sim. E que, apesar de minha enorme importância para mim mesmo e no universo alexândrico, que as opiniões das pessoas que passam por esses problemas na pele vale mais do que a minha, sim E, por isso, qd falam, eu abaixo as orelhas, sim

Mas enfim, vai lá e depois me conta.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 01:53



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Sorry mas isso eh wordplay. A ideia de dizer 'trate o outro como vc quer ser tratado' eh dizer que vc deve tentar fazer o seu melhor para tratar o outro assim como vc espera o melhor tratamento na direcao oposta. A diferenca entre o q vc gosta e o que outros gostam eh obvia...

E os exemplos de global warming, feminismo, etc, sao algo completamente diferente na minha opiniao. Ali vc esta falando de generalizacoes e certas situacoes sao obviamente nao aplicaveis (se eu nao sou mulher nunca vou poder sofrer com machismo). Se o q vc quis dizer e que eh preciso ter empatia com esses grupos eu ate entendo. Mas no fim achei a maneira de comunicar isso muito estranha.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 01:55



Comentário de: Alex Castro Email

tudo aqui é wordplay. :) e poucas coisas são mais importantes que isso. pq é pelas palavras que construímos o mundo. :)

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 02:00



Comentário de: Pedro

Encarei um texto como uma ótima oportunidade para aceitar o que é diferente de você.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 02:12



Comentário de: raf

Esse é um exercício de aceitação. Você olha para a outra pessoa e genuinamente presta atenção e reflete sobre o que ela falou, do ponto de vista dela. Não se amarra aos efeitos que as palavras causam em você (mas também não os suprime). Pra mim é um dos pontos mais importantes para se ter relações saudáveis com outras pessoas.

Caso contrário temos um jogo viciado em que as pessoas falam, falam e falam, mas ninguém escuta ninguém. E o resultado final disso é o pior possível.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 04:25



Comentário de: Rafael

O mais engraçado dessa história toda é que, pelo menos pra mim (haha, olha eu me colocando como a razão do texto) o resultado é a formação de indivíduos e de uma sociedade não só de narcisistas e esquizofrênicos, mas de pessoas fracas e manipuláveis, que correm perigos desnecessários simplesmente porque deixam.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 05:44



Comentário de: Ivan

Esse é o melhor post do blog em muito, muito tempo. É tão bom que até melhora posts anteriores, em que a mensagem não estava tão clara e acabava dando destaque a pontos completamente secundários.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 07:18



Comentário de: aiaiai

aiaiai, Alex...depois dessa vou ter que refazer toda a minha estratégia de educação do meu filho. Eu sempre digo para ele tratar as pessoas como gostaria de ser tratado, mas não tinha pensado na limitação dessa frase. É isso, mas temos que refletir mais. Algo assim: "trate o outro como gostaria que o outro te tratasse, ou seja, que o outro entendesse quem e como você é e te oferecendo o tratamento que você gostaria"...complicou, né? Acho que é isso que a gente tenta fazer quando se esforça por ter empatia, quase sempre sem eficiência alguma. Mas, é ótima a reflexão.

No caso do Monteiro Lobato eu fiquei de cara como algumas pessoas muito inteligentes e bacanas colocaram a coisa como uma questão pessoal, uma vontade de "limpar" a própria infância...Nessa eu não cai, mas em outras caio frequentemente.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 08:01



Comentário de: Thiago

No meu ver eu só tenho duas opções gerais. Ou eu aceito que por não ser xxxx eu jamais poderei compreender o que passam os xxxx e logo a melhor coisa que eu faço é desistir de tentar compreende-los e ficar calado aceitando qualquer coisa que os xxxx defendam; Ou eu instigo os xxxx à descrição, explicação, narrativa que venha a me ajudar a compreender melhor e assim me convença de que de fato os xxxx precisam de mais yyyy.

Eu jamais vou apoiar uma mudança na lei ou na sociedade a qual eu não compreenda minimamente. Ao apoiar essa mudança eu me torno coresponsável por ela e, até por um fator de consciência, preciso acreditar que os xxxx precisam de yyyy.

Claro que muitos xxxx vão insistir no discurso de que por eu não ser um xxxx eu sou um incapaz. Mas, quando se dá sorte, você pode encontrar um xxxx capaz de te explicar, de modo didático por que um xxxx precisa tanto de mais yyyy.

Além disso, existe a possibilidade de que, após muita conversa, confronto e afrontas, alguns xxxx concluam que realmente os xxxx não precisam tanto de yyyy mas que precisam mesmo é de zzzz assim como todos os não xxxx.

Então, mesmo aceitando que vou ser rechaçado e até odiado por muitos xxxx por não oferecer uma carta branca para que os xxxx tenham yyyy ou qualquer outra coisa como um direito garantido pela lei, eu ainda defendo que só poderei apoiar qualquer mudança na sociedade, nas leis, etc. caso esteja convencido de sua importância.

Caso um grupo de xxxx se prenda no argumento de que eu jamais poderei entender a necessidade de yyyy por não ser um xxxx eles automaticamente perderam a oportunidade de ganhar um defensor do direito dos xxxx de terem yyyy. Então eu ou serei alguém que é contra essa mudança ( por não compreender a sua necessidade ) ou que seja neutro. Acaba sendo pior para mim, que me torno menos conhecedor das necessidades reais da sociedade que participo e para os xxxx.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 08:28



Comentário de: dinob

"Se você se usa como parâmetro para qualquer coisa, já está errado". Isso vindo de um cara que escreve sobre si mesmo na terceira pessoa. Libere suas emoções e sente na piroca.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 08:31



Comentário de: Aperitiva

Essa aceitação de que o "outro não é eu" já me
livrou de muitos traumas psicológicos. Porque a
gente entra naquela de achar que o fulano é o filho
preferido da mamãe. E de que o chefe privilegia
o beltrano. E de que sicrano não me ama tanto
quanto eu gostaria...Aí vc se liberta de tudo
isso com essa simples afirmação de que outro não
é eu, portanto não pode saber 100% como eu me sinto
a respeito. Portanto mamãe tem o direito de
preferir e amar mais o meu irmão, e o chefe tem o
direito (não ético) de privilegiar mais o coleguinha,
e de o namorado só ama até onde ele dá conta e
que pedir mais seria idioce. Aí a gente se liberta
dessa tortura. E o que parece conformismo com
a situação na verdade é pura e simples ACEITAÇÃO.
E a partir da aceitação vc sossega a alma e passa
a se importar com coisas que realmente tem
importância. Então, se mamãe ama mais o meu irmão
isso não importa. O importante é que ela também
me ama e que com esse amor posso ficar muito bem
obrigado. Porque se não tivesse meu irmão ela me
amaria do mesmo jeito (nem mais, nem menos) porque
esse é o amor que ele tem pra dar.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 10:26



Comentário de: Dandi · http://dandi.blogspot.com

Simples, direto e suscinto. Além da mesma qualidade de sempre, texto em bom português, para todo babaca do "eu-eu" também entender. O Alex é uma meta de muito escritor por aí.

;)

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 10:37



Comentário de: Permafrost · http://www.youtube.com/watch?v=F5hQ0s3yc9I

Alex,
Achei um bessurdo, essa idéia. ¿Que aconteceu com life is tough, deal with it? ¿Vamos tutelar a vida de TODOS? (Veja o linque.) E isso cinco dias depois de vc publicar o vídeo com o Philip Pullman, aparentemente aprovando...

É isso q dá ficar interpretando as palavras ao pé da letra (conviver com euaenses dá nisso). "Trate os outros como gostaria de ser tratado" não quer dizer "se vc gosta de hamburger, sirva hamburger pra todo mundo". Um pouco de reflexão mostra q a regra áurea – q tem prestado bons serviços à humanidade já há uns de 4 mil anos – na verdade quer dizer "não faça os outros se sentirem tal como vc não gostaria de se sentir".

A máxima "o assunto não é vc" é infantil; igualmente posso responder "e não é vc tampouco". Claro q se o assunto é modificar o texto do Monteiro Lobato, e a objeção duma pessoa é q a modificação vai machucar suas memórias pessoais, essa pessoa só tá sendo imbecil, e pode não ter usado o tutano pra encontrar objeções mais profundas e mais verdadeiras. E pessoas q sugerem modificar o texto TBM tão agindo como imbecis, e podem não ter usado o tutano pra fazer sugestões mais construtivas pra resolver o problema (pq o q elas tão dizendo é, no fundo, "cu de bêbado não tem dono, livro de escritor morto não tem dono: se vc tá morto, o assunto definitivamente NÃO é vc", q tem o corolário "daqui a cem anos vou tar morto, e qqer coisa q escrevo hoje pode ser modificada no futuro pra apaziguar os traumas do momento").

É preciso olhar pra essas coisas mais fundo. Os proponentes das modificações tão só demonstrando q se acham inferiores às obras: "Não tenho talento e tou com preguiça de escrever meus próprios livros infantis e ajudar a tornar Mark Twain e Monteiro Lobato irrelevantes. Já sei: vou modificar o texto deles. Não dá muito trabalho conspurcar a obra de escritores mortos."

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 10:58



Comentário de: Tiago Lorenzo

Caso exemplar:

Amigo: "Minha namorada briga por qualquer besteira. Brigamos ontem só porquê esqueci o dia do aniversário dela. O que tem de tão especial num aniversário? É só a Terra dando mais uma volta em torno do Sol, um dia como outro qualquer. O importante é celebrar todos os dias. Imagine se EU iria fazer um escâncalo se ela tivesse esquecido meu aniversário? Eu não estaria nem aí! Que besteira!

Eu: "E o que o que você pensa sobre aniversários tem a ver com isso? Que eu saiba é dos sentimentos dela, e do valor que ELA dá ao aniversário que importa. Você não é burro, sabe que, por mais que você ache trivial, ela dá sim uma importância simbólica a essa data e é isso que importa.
Você coleciona quadrinhos. Embala cada quadrinho com um plástico especial e se recusa a abrir as páginas num ângulo maior que 120 graus. Eu acho um exagero desmedido e bobo mas quando me interessava por algum número e pegava emprestado, sempre fiz questão de respeitar seu superprotecionismo com gibis. Bom saber que a partir de agora eu posso tratar seus gibis da mesma forma que EU acho que precisam ser tratados.

Amigo: É pra eu pedir desculpas né?




PermalinkPermalink 24.01.11 @ 11:24



Comentário de: Guilherme

Claro que o fato de você não ser o assunto ou o parâmetro não pode significar que você não tenha nada a ver com ele. Ou que sua capacidade de empatia não seja importante.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 11:37



Comentário de: OCoisa · http://coisafilosofica.blogspot.com/

Adorei o texto!
Bem, não que alguém se importe com isso, o assunto não sou eu, mas adorei mesmo assim.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 11:59



Comentário de: ricardo galvão

Alex, brilhante texto mais uma vez.
A minha experiência com a máxima citada: TRATE OS OUTROS COMO VOCÊ GOSTARIA DE SER TRATADO".
Se deu quando eu ainda acreditava nela...até que encontrei um MASOQUISTA colocando ela em prática...pode imaginar?
Aí percebi que certas máximas NUNCA FUNCIONAM
Parei de acreditar em Máximas...

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 12:21



Comentário de: G.

"o assunto não é você" não exclui seu envolvimento com o assunto nem invalida suas opiniões sobre. O lance é que ao invés de se prender à particularidades pessoais que não se amplicam ao objeto de estudo em questão, o mesmo deve ser considerado dentro de seu contexto. Isso não quer dizer que você vá concordar ou discordar. Apenas quer dizer que você vai analisar, considerar este contexto. E só.
Não é a toa que estudos científicos relevantes são feitos com base em estatísticas e não na vida pessoal dos autores . O inverso seria mais barato,rápido e de pouquíssima utilidade.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 12:33



Comentário de: Karina

Texto MUITO foda! Seus textos continuam revolucionando tudo dentro de mim.
Ou seja, acho seus textos fodas porque mexem comigo. Narcisista, não?

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 12:47



Comentário de: luciana

excelente texto para reflexão, melhor ainda são os comentarios, levam a refletir ainda mais profundamente.
obrigada por compartilhar seus pensamentos
bj

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 13:23



Comentário de: Breno Kummel

Sei lá, sempre achei a noção de alteridade, levada ao seu extremo, acaba trazendo uma espécie de autismo, em que todo mundo fica preso em seu mundinho e só.

Pensar que eu não tenho como imaginar como é a experiência de um negro no mundo pressupõe de que todas as experiências de todos os negros são idênticas, e que são iguais todas as reações de todos os negros diante de situações semelhantes em que sua raça é elemento significante. Acaba criando um elemento de exotismo em tudo que é diferente de você.

Tem uma frase do Derrida que expressa bem o ponto de vista da alteridade, que diz algo do tipo "todo outro é todo outro" (ou totalmente diferente, para apagar esses trocadalhos que ele tanto gostava). Eu acho que todo outro tem sempre algo de "mesmo", em graus variáveis, claro.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 13:39



Comentário de: Alex Castro Email

Isso vindo de um cara que escreve sobre si mesmo na terceira pessoa. Libere suas emoções e sente na piroca.

O quê??!! Alex Castro, escrevendo sobre si mesmo na terceira pessoa?! Jamais! Onde foi que esse cabotino do Alex Castro fez isso? Você tem o link??!!

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 13:46



Comentário de: Arthur

Perma,

No caso do Monteiro Lobato o assunto é a educação das crianças. Não é você nem eu.

Concordo que a solução ideal seria novas obras tornarem Monteiro Lobato irrelevante, mas mesmo que hoje escrevam uma obra muito superior a do Monteiro Lobato, levaram anos para que ela seja institucionalizada como está a do Monteiro Lobato.

Durante esses anos todos iremos deixar obras francamente racistas circularem nas nossas escolas com apoio do governo?

E enquanto essa obra não chegar?

O sistema escolar é um dos mais eficientes sistemas de reprodução de forma e pensamento. Não podemos usar esse sistema pra patrocinar uma forma de pensamento que não queremos que seja socialmente aceita.

A questão no caso do Lobato não é se alguém se ofende ou não, mas que pensamento queremos que o estado subsidie.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 14:19



Comentário de: Bruno

Achei por acaso, e alguma coisa "clicou" (do verbo 'fez um clique') aqui dentro. De qualquer forma, so enaltece a genialidade. Você pode ser mais um na multidão, mas isso quem disse foi... você. :P

"lindo, lindo, lindo.

uma coisa q sempre pergunto é: se os indignados acham q não são os educadores q tem que decidir o que se ensina em sala de aula, quem eles acham que tem que ser??

e a resposta que vou usar sempre agora é: essa discussão não é sobre vc, sobre suas leituras preferidas, sobre suas lembranças de infância, mas sobre o futuro que queremos criar pro brasil. nós também somos do nosso tempo.

deixa eu dizer de novo. lindo, lindo, lindo.

alex castro em novembro 20, 2010 2:55 AM"

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 15:15



Comentário de: Roger Moreira

Acho interessante o fato das pessoas se preocuparem umas com as outras, se preocuparem com o bem do mundo, etc. Me pergunto até que ponto também me preocupo e por quais razões. Não dá pra ser imune à empatia, também não dá pra não querer um mundo diferente. Mas a verdade é que cada vez menos encontro razões para me preocupar com qualquer coisa que não seja eu mesmo. A consciencia de que a ação individual nada altera, reforça a inutilidade de esforços altruístas. E, bem, se você não ganha nada com isso e, ainda por cima, não consegue resultados. Então, por quê? Não é melhor cuidar do meu hedonismo?

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 19:55



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Roger

Ah, mas ai vc ja esta falando como o Alex de 3,4 anos atras! Eh da epoca Pre-Biscoital! ;-)

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 20:24



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

Arthur,
"A questão no caso do Lobato não é se alguém se ofende ou não, mas que pensamento queremos que o estado subsidie."

Então. Nesse caso, o pensamento q "queremos q o estado subsidie" é:

• toda e qqer obra de escritor morto tá legalmente sujeita a quaisquer modificações q quaisquer grupos de interesse possam porventura achar necessárias em qqer tempo no futuro

• é lícito e legal mentir às crianças e esconder delas os problemas sociais do passado e do presente, sempre q quaisquer grupos de interesse assim desejarem

• a criança deve ser vista como um passivo receptáculo da ideologia vigente e, como tal, deve ser privada de formar ou ter opiniões, até ser adulta o suficiente pra optar por não pensar

• toda palavra escrita ou proferida em qqer época do passado deve ser interpretada pelos significados denotativo, figurado e metafórico vigentes no presente

• todas as palavras do português significam exatamente aquilo q o estado permitir, e quaisquer interpretações amenizantes e/ou compreensivas e/ou contextuais são irrelevantes

• depois q uma obra, por seus méritos implícitos, se torna lucrativa pràs editoras, não é nem um pouco ilógico e destrambelhado q o estado subsidie sua modificação

• é menos trabalhoso subsidiar a modificação de obras q não paguem direitos autorais do q estimular a criação de novas obras q as substituam

• o Brasil já não tem outras obras à altura das de Monteiro Lobato ou superiores a elas

Eu poderia continuar.

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 20:58



Comentário de: Luiz

Alex, ok, eu sei que o assunto não sou eu, mas gostaria de saber se você tem algum livro seu traduzido para o inglês, gostaria de presentear um amigo MEU.
Abraços

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 22:12



Comentário de: Alex Castro Email

luiz, infelizmente nao, mas tenho mulher de um homem só traduzido para o espanhol....

PermalinkPermalink 24.01.11 @ 22:20



Comentário de: Ananda Morelli · http://www.esquecerparalembrar.wordpress.com

Bear,

""Rezar" pela cartilha do "o assunto não é você" na prática significa negar seus princípios, suas crenças e sua experiência de vida apenas porque são seus. Bullshit. Seríamos uma nação de esquisofrênicos."

Seguir a cartilha do "assunto não é você" na prática significa tão somente que experiências pessoais e opiniões individuais, ainda mais vindo de alguém que não é a parte prejudicada, possuem caráter argumentativo irrisório. Este é o tipo de coisa que a gente aprende no colégio.

É mais uma questão de se atentar à finalidade da discussão (que não é você;) do que negar seus princípios, crenças e o raio que o parta. Se a discussão não é sobre você, o cerne argumentativo não deve ser o seu umbigo. O que já foi escrito sobre o tema, os relatos das pessoas envolvidas e até mesmo as opiniões destas valem mais do que o seu pitaco.

Não é questão de negar nenhuma dessas coisas "porque são seus". Experiências pessoais e opiniões individuais são formigas argumentativas. Uma dissertação fundamentada nos seus princípios, crenças e experiência de vida não vale nada. Nada impede que você exponha sua opinião baseada nessas premissas, mas você tem que ter consciência de que seu umbigo não é exatamente o rei argumentativo.

A esquizofrenia, na verdade, ocorre quando não estão falando sobre você e ainda assim você se coloca como paradigma argumentativo. E se além de não ser a parte a pessoa utilizar uma argumentação pífia como essa para cagar regra, daí já rola uma psicose...

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 01:53



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

Goose,
Os educadores somos todos nós. Algumas tarefas e decisões são delegadas a profissionais. Mas se esses profissionais passam de seus limites e escorregam na ética, na lógica e na didática mesma, então não vejo por que não reclamar.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 07:52



Comentário de: dinob

"mas, Alex, como vou saber como o outro merece e precisa ser tratado?". Deixa eu te dizer: ninguém te pergunta nada, porque ninguém se importa contigo.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 08:08



Comentário de: Izabel

Como sou negra,(será que sempre terei que dizer minha cor?) entendi perfeitamente o que você quis transmitir.

Seu escrito serviu como refência para que eu reavaliasse meu pensamento de que: não deve existir movimento negro, os negros fazem-se de coitados, sou negra mas, tenho boas condições financeiras e não sofro com preconceitos, se sou assim porque os negros reclamam ao invés de lutar individualmente por um posição melhor.

Entendi! Não é sobre mim que se deve falar. É sobre o outro, na condição do outro e no contexto do outro.

Alex, você nem me conhece mas, seus textos fazem com que eu enxergue a vida por um ângulo diferente.

Obrigada por se doar assim, através da escrita.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 09:52



Comentário de: Marjorie · http://marjorierodrigues.com

Minha irmã, após assistir a apresentação do meu TCC, disse: “sabe o que me impressionou?”. Perguntei: “o quê?”, esperando um elogio, algum comentário sobre a apresentação em si, sei lá. Aí ela disse: “eu olhava pra você ali falando de coisas tão ruins, violência doméstica, estupros, assassinatos... Quem via, pensava: ‘nossa, né, essa menina deve ter sofrido muito’. E não, não tem nada disso na sua vida. Com tanto assunto pra falar no seu TCC, achei tão estranho você ter escolhido logo isso”.
Ou seja: pra minha irmã, eu só posso falar de um problema se ele me afeta DIRETAMENTE. Se eu não sou vítima de violência doméstica, se eu não sou uma mulher dependente economicamente, se eu nunca fui estuprada, por que raios me interessar por essas coisas? Por que raios se importar com isso, não é mesmo? Eu devia era fazer um TCC sobre algum aspecto mercadológicos da imprensa, como serial “normal”!
Não soube nem o que responder. Pensei em dizer “olha, existe um mundo além do meu umbigo e eu tenho compaixão”, mas, né? Alguém que faz um comentário desses, entre tantos comentários possíveis, não ia entender.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 11:21



Comentário de: Alex Castro Email

marjorie,

exemplo perfeito! obrigado.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 12:18



Comentário de: Teresa

“Existe um mundo além do meu umbigo e eu tenho compaixão”
Touché!

Esse post também vale pra quem duvida dos seus relatos sobre empregadas domésticas dizendo "Eu não vejo domésticas sendo exploradas".

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 12:42



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com/

"“Existe um mundo além do meu umbigo e eu tenho compaixão”
Touché!"

Hm.
Não sei como esse tipo de coisa evidencia q a regra é "perversa e canalha". A máxima "o assunto não é vc" só ressoa nas pessoas *justamente* pq faz sentido apenas dentro da regra áurea. A pessoa q procura satisfazer seu senso de justiça faz isso justamente pq não fazê-lo lhe causa desconforto moral – a ela, não ao outro. Ou seja, o assunto NUNCA é o outro; ninguém sai em busca de injustiças pra tentar sanar: as injustiças é q chegam até o indivíduo externo como notícias, e aí ele, pra evitar a própria dor, procura saná-las. Tu tá virando idealista, Alex.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 15:08



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Permafrost

Isso me lembra um comentario de um amigo sobre o Bill Gates e toda grana que ele gasta ajudando os pobres. O cara me disse q nada daquilo era muito impressionante para ele porque afinal o Bill Gates tem muito dinheiro sobrando!

A minha pergunta foi: E vc espera q um cara sem grana seja capaz de ajudar milhoes de pessoas como? Pedindo emprestimo no banco?

Eh como eu disse para o Alex no comeco: Se a mensagem desse texto todo dele eh q compaixao e empatia sao coisas elogiaveis, that's fine by me. So comeca a ficar estranho quando ele tentar inventar mil racionalizacoes do porque devemos fazer X ou Y.

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 15:19



Comentário de: cottonboy · http://www.twitter.com/cottonet86

*A minha pergunta foi: E vc espera q um cara sem grana seja capaz de ajudar milhoes de pessoas como? Pedindo emprestimo no banco?*

Egraçado alguém achar que a unica forma de se ganhar dinheiro, se vc não é milionario, é pedindo emprestimo ao banco.

Trabalhar nao é uma opção? Nao se ganha dinheiro assim? Nao se ajuda pessoas assim?

Existe uma vida alem de bancos e umbigos. É que é dificil reconhecer aquilo que não se conhece.

Mas, acredite ou nao, ele existe.

Prazer, Patch Adams.
http://www.youtube.com/watch?v=8Q7aqa-G0l8

PermalinkPermalink 25.01.11 @ 20:52



Comentário de: Tiago

No aspecto das relações inter-pessoais, concordo com o autor. Esse papo de regrinha de ouro pra mim sempre foi balela. Um dos motivos que me levou a abandonar o cristianismo foi justamente não ver sentido no tal "amai o vosso próximo como a vós mesmos". Só dá problema.

Agora, quando ele leva a premissa pro campo político, começa a falácia. A premissa da falta de empatia decorrente das experiências pessoais é completamente falsa.

E imagina se esse raciocínio é levado a ferro e fogo: acabou a democracia. A legislação anti-racismo só vai poder ser feita por negros, a discussão sobre cotas só pode ser tocada pelos alijados da universidade e a do aborto só poderá ser conduzida pelos fetos (alguns anencéfalos) e suas mães.

Passamos de "não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres" para "não concordo com o que dizes e cala boca que o assunto não é você".

E antecipando o argumento ad hominem, sou mulato e minhas irmãs entraram na universidade graças às cotas.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 00:33



Comentário de: Arthur

Perma,

Não entendo sua resistência nesse assunto.

É legal e aceitado mudar livros. As editoras fazem isso o tempo todo. Algumas de modo mais honesto que outras. As adaptações para crianças tem suas funções.

Além disso a obra do Monteiro Lobato nem é obrigatória, e talvez tenham obras novas que são mais usadas. Não tenho informação do quanto a obra do Lobato é realmente usada.

Ninguém tá planejando mentir e/ou esconder informações das crianças. Sim abordar os problemas sociais de uma forma planejada e racional, em oposição a deixar elas entrarem em contato com o que aparecer por ai.

A criança, apesar de não ser um receptáculo vazio, é bastante manipulável pela ideologia vigente, e todo o sistema educacional no mundo se baseia nisso. Você pode pensar por si mesmo, mas só dentro do cercadinho que sua criação permite, todos nós somos homens do nosso tempo. Além disso, muito mais importante do que o que você pensa, é o seu comportamento, que é mais influenciável ainda.

O estado tá mudando a obra só para fins especifico, e ela continuará disponível na integra. E o que importa é o significado que ela teria num contexto especifico, o Estado não tá falando nada sobre como ela deveria ser interpretada.



E concordo que somos todos egoístas em ultima instância. Mas se realmente queremos ajudar devemos desincentivar que discussões importantes se dêem nos termos errados. Não podemos deixar as pessoas irem impunemente a fóruns públicos e dizerem que são contra ou a favor disso por que isso incomoda elas.

O seu ponto por exemplo é generalizado, o problema são pessoas que dizem: O Ministério da Educação tá fazendo merda por que eu li Monteiro Lobato e sou uma pessoa super não-racista.

PermalinkPermalink 26.01.11 @ 13:33



Comentário de: Má

Oi Alex!
Também sempre tenho essa impressão de que as pessoas tentam dar exemplos individuais para assuntos que o tema não tem nada a ver com o individual, e sim o coletivo ...me cansa....

Discutindo sobre ideologia, propraganda, consumo etc...eu: " Nossa, é difícil fugir de ser influenciada e dizer para os jovens sobre poder da propraganda e do fetiche de uma marca como a noke e não querer usar um tênis de 500 reais né...q louco". Amigo: "Ué, mas será q ele não pode realmente querer usar e gostar mesmo do tênis? sem ser influênicia ou querer status?" "Minha irmã usa e ela não é maria vai com as outras, ela realmente gosta!".

exemplos destes não me faltam,,,sobre qualquer que seja a temática...
me cansa conversar de que não é disso q se trata...

O texto da Ana é ótimo. Adorei o não é de vc que devemos falar..
Será que alguém já usou isso para alguém com um exemplo destes e funcionou???
Vou tentar...

Bjo


PermalinkPermalink 29.01.11 @ 23:47



Comentário de: Gloria

Um novo estudo chamado neuropedagogia está
despontando devagarzinho e tomando força no
mundo da educação especial com o objetivo de
preparar professores oferecendo-lhes uma formação continuada possibilitando a eles
condições para que possam lidar melhor com as questões de transtornos diversos que aumentam a cada
dia nas escolas. Bem, resumindo é a prática de
uma pedagogia de promoção da vida em conexão com a neurociência que parte do pressuposto que o professor para ministrar tal prática precisa, antes de mais nada "voltar para o seu eu". Eu eu eu - quem
sou eu, como vejo esta questão, que importância tem
tem para mim etc etc, e, só a partir daí voltar-se
para o aluno e aplicar-lhe o tratamento adequado
concordo plenamente, pois, neste caso o professor
precisa ter perfil para trabalhar com determinados assuntos, muitos desistem no meio do curso "Eu"
seria uma, pois não tenho o tal perfil rsss.
É complicado se colocar do lado de fora da
coisa tratada, o "eu" faz parte do conjunto,
agora eu procuro "ver com os olhos do outro" "sentir o que o outro sente",colocar-me no lugar do
outro.Quanto à literatura Lobato,ah, está recebendo
o devido tratamento. Ah, vc vendeu seu peixe muito bem, mas tratamento respeitoso é igual, aqui ou alhures e eu quero que me tratem
mui respeitosamente.Até!


PermalinkPermalink 02.02.11 @ 17:23




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PermalinkPermalink 07.11.11 @ 12:03



Comentário de: Claire Bowhall · http://kanyewestfoundation.org/member/41294/

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Comentário de: André Tamura

O assunto não sou eu. Concordo que não podemos validar nosso argumento individualizando as nossa vivências (juízo de valor), mas a maneira como avaliamos, opinamos e principalmente atuamos sobre o assunto faz diferença e muita (considerando que uma situação só existe porque foi postulada por um EU, ou pela soma de vários Eus). "Se todos os tios gostassem de Tênis esse seria um esporte popular no Brasil." Obviamente a discussão sobre aquecimento global é diferente da discussão sobre quotas pra negros...E também é por isso que o engenheiro precisa do pedreiro pra construir alguma coisa.

PermalinkPermalink 14.02.12 @ 10:25



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Comentário de: Mauricio

O texto me fez refletir, mas não a ponto de rejeitar o "trate os outros como gostaria de ser tratado".

Se vc trata alguém como gostaria de ser tratado e esta pessoa não gosta disso, significa que não conseguimos nos identificar e é melhor ficarmos longe.

E descobrir isso é bom. A situação do vendedor citada por ti é uma excessão, no geral é melhor não forçar a amizade.

PermalinkPermalink 22.03.12 @ 00:34



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