Vamos aproveitar para definir:
é alguém que não tem fé na existência de Deus - o que não quer dizer que tenha fé na não-existência de Deus.
(Entretanto, em um mundo menos que ideal, o ateu acaba sendo obrigado frequentemente a brigar, debater e afirmar a não-existência de Deus, apesar de isso colocá-lo no mesmo nível dos religiosos e de essa ser uma posição logicamente insustentável - pois é impossível provar uma negativa. Além disso, qualquer tipo é descrente é comumente chamado de ateu, mesmo se ele for tecnicamente deísta ou agnóstico.)
(Assim como não-colecionar selos não é hobby e ser careca não é uma cor de cabelo, ser ateu não é uma crença nem uma religião: as pessoas são tão acostumadas a terem obrigatoriamente uma crença que a própria ausência de crenças é rotulada de crença!)
é alguém que se recusa a entrar no debate acima, ou por não ter opinião, ou por achar que não vale a pena ter uma opinião, ou por achar que é impossível ter uma opinião. Se você pergunta "Deus existe?", ele responde "não sei", "não tem como saber", ou "quem se importa?"
(Essa posição é a filosoficamente mais racional e embasada. O problema é que aquelas pessoas que são filosoficamente agnósticas acabam sendo obrigadas a ser politicamente atéias, ou seja, a agir politicamente como atéias para fazer frente às muitas invasões religiosas em nossa vida cotidiana. Por isso também a confusão em torno da palavra "ateu": mesmo quem não é ateu, acaba rotulado como tal e obrigado a agir como tal.)
é quem acredita em um Deus que criou o universo, mas depois foi cuidar da própria vida: ele não nos vigia, não se interessa pelo nosso comportamento, não nos enviou nem messias nem revelações. Logo, a religião organizada não faz nenhum sentido.
(O deísmo era especialmente popular entre os iluministas do século XVIII, por lhes permitir, ao mesmo tempo, afirmar que "sim, Deus existe, claro!, como não?", e também não participar de nenhuma religião e articular um discurso totalmente ateu e secular. Hoje em dia, o "acreditar em uma força" seria a posição deísta por definição, ao permitir evitar, ao mesmo tempo, por um lado, a pecha de ateu e os debates chatos sobre a existência de Deus, e, por outro, a obrigatoriedade de seguir uma religião.)
* * *
Eu sou alternadamente os três.
Quando realmente paro e penso a respeito, sou agnóstico, pois não temos como apreender a verdade dessa questão e, por isso mesmo, filosofica e metafisicamente falando, nada disso tem nenhuma importância nem faz nenhuma diferença. E daí se Deus existe? E daí se Deus não existe? Acho que unicórnio não existe, mas se você amanhã me mostrar um unicórnio, eu vou dizer, "ah tá, então unicórnio existe", e minha vida continuará rigorosamente igual.
Quando desço do nível filosófico-abstrato para a vida real-política nas ruas, e vejo como as religiões organizadas são perversas e assassinas, homófobas e canalhas, eu me sinto profundamente ateu, com aquela vontade radical de ir lá e queimar tudo, explodir esses fidaputa, derrubar essa maldade.
Quando algum religioso chato vem tentar debater comigo,eu ligo automaticamente o deísmo, afirmo que é óóóóóóbvio que Deus existe ("quem mais teria criado o universo? um big bang? hahaha!") mas que ele foi embora, não se revelou, não temos como saber o que queria, existem tantas religiões, como escolher uma?, opa, tão me chamando ali, abração, hein!, bom te ver, a gente almoça um dia, eu te ligo, tá! Beijos!
Leia também: Definindo Religião
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