Pague para Assinar, Reze para Cancelar

Ainda existe isso de *deixar* de assinar revistas?

As revistas que assino são como aquelas velhinhas gosmentas e solitárias, vendo a morte chegar de forma rápida e iminente, que se agarram aos seus tornozelos quando você tenta se levantar pra sair:

"não, meu filho, fica só mais um pouquinho, pelamordedeus!"

A diferença é que sinto empatia pela velhinha.

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* * *

Apesar de detestar papel acumulando na minha casa, a United me mandou uma simpática e intimidadora cartinha avisando que minhas milhas iriam expirar se eu não as usasse - mais uma empresa torcendo meu braço para me forçar a fazer o que quer. Enfim, a coisa mais barata para usar minhas milhas era assinatura de revistas.

Assinei The New York Magazine, The New Yorker, The Economist, Time, Wired - até mesmo Diabetes Forecast.

Confesso que é ocasionalmente bom ter as revistas pra ler, mas é sempre desesperador ver aquela pilhas de revistas não-lidas crescendo. Dado que posso lê-las de graça na internet ou na biblioteca quando quiser, cheguei ao ponto em que assinatura de revista não vale a pena nem mesmo de graça.

Pois bem. Mal chegaram os primeiros exemplares, começaram a chegar também os pedidos desesperados para eu ou renovar a assinatura ou dar uma assinatura de presente para amigos, ou ambos.

Óbvio que não renovei, nem vou renovar. É impossível eu pagar pra alguém mandar papel velho pra minha casa. Eu pagaria, talvez, pra não mandarem. Pagaria, com certeza, pra levarem os exemplares velhos já lidos.

As assinaturas todas já eram pra ter acabado em abril de 2010 - mas as revistas continuam chegando. O horror, o horror!

O pior é que eles me dão esperanças. Mandam cartas dizendo que esse é o último aviso. Que é minha última oportunidade de renovar sem perder nenhum exemplar. Que se eu não renovar agora, vou ficar com minha coleção incompleta para sempre. Última chance, último aviso!

No começo, eu me permitia ter esperanças, sabe? Quando recebi a primeira "última chance", meu coração se iluminou. Pensei:

que delícia, basta eu não fazer nada e vão parar de mandar papel velho pra minha casa!

Mas não. Não era pra ser. Nos meses seguintes, minhas humildes esperanças foram sendo progressivamente levantadas e destruídas, criadas e aniquiladas. Uma angústia mental desesperante.

Parece que estou na Máfia. Pague para entrar, reze pra sair. Assinar é fácil, cancelar é impossível. Daqui, só se sai morto.

Por que isso?

Imagino que hoje as receitas de publicidade devem ser muito maiores que das assinaturas. Então, as editoras provavelmente preferem dar a revista de graça do que ter que passar pela vergonha de dizer ao anunciante que sua publicidade vai atingir 10% menos pessoas do que no trimestre anterior - e menos 20% que no ano passado, e menos 50% que na década de noventa.

Alguém tem uma explicação melhor?

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* * *

Em um país tão litigioso, não deve demorar muito para algum advogado empreendedor processar as editoras por publicidade enganosa e predatória:

"Meritíssimo, por vezes e mais vezes essas editoras inescrupulosas despertaram minhas esperanças, com promessas enganosas de "última chance", somente para depois destruir essas mesmas esperanças, de forma cruel e perversa. Pela angústia mental que essa situação me causa, exijo uma indenização de dois milhões de dólares e - mais importante - que parem de enviar sua revista maldita para minha casa!"

* * *

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09.01.11


Categorias: Tecnologia


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Comentários:


Comentário de: Felipe Ferreira Cardoso · http://twitter.com/#!/felipemagrelo

Isso realmente é verdade!
Lá em casa assinávamos o Estadão apenas de final de semana. Antes das eleições estava impossível dar credibilidade ao jornal que parecia um "panfletão" do Serra e seu bando.

A gota d'agua foi a demissão de Maria Rita Kehl autora do excelente artigo: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php

Cancelamos a assinatura.

Passamos a receber os jornais, além do fim de semana, em dias aleatórios durante a semana... até hoje.

A tática deles funcionou, com o fim das eleições voltei a ler suas opiniões...

E o lixo se acumula...

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 10:29



Comentário de: Gabriel Meissner · http://entremundos.com.br/

Aqui em casa aconteceu algo parecido. Cancelamos a assinatura do Estadão há uns dois meses e continuamos recebendo o jornal diariamente....

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 10:44



Comentário de: Marcelo Camanho

Alex, se as milhas vão expirar, você pode doar para caridade. Todas as cias aéreas tem programas desse tipo.

Para um cara que quer se livrar dos males terrenos e ajudar os outros, foi uma tremenda mancada renovar as assinaturas - errou dos dois lados, ficou com mais "tralha" em casa e perdeu uma chance de ajudar ao próximo...

Fica a dica!

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 10:47



Comentário de: Alex Castro Email

marcelo,

eu NAO renovei as assinaturas. o texto eh exatamente sobre isso: o fato de eu nao ter renovado e as revistas continuarem chegando.

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 10:53



Comentário de: Marcelo Camanho · http://www.united.com/page/article/0,,1363,00.html

Opa, tinha entendido errado o "a coisa mais barata para usar minhas milhas era assinatura de revistas." De qualquer forma, segue aí em cima o link para o "charity miles" da United. Dá próxima vez que suas milhas forem expirar, lembre-se que a coisa mais barata é ajudar os outros!

Eu também tenho milhas saindo pelo ladrão e tinha essa mesma "dor de corno" ao perceber que nunca iria conseguir usá-las, por mais que quisesse. É uma iniciativa interessante.

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 11:12



Comentário de: Diogo Batalha · http://www.twitter.com/diogobatalha

Alex,

a VEJA, por exemplo, se paga (e sobra muito) só com a publicidade. Ela não precisaria de assinantes nem vender em banca de jornal. Se ela quisesse dar as revistas, poderia.

Não sei qual o motivo pelo qual não fazem. Elitização talvez.

Eu, como nunca assinei revista alguma... estou livre disso =)

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 11:13



Comentário de: Vinicius · http://cabanadeinverno.wordpress.com

Esses dias eu tava pensando... Cancelar revista, cancelar cartão... São coisas que a gente vai fazer, mas que a ente não tem tanta segurança assim, digo, o "viciado" não está completamente fora da droga quando tenta se libertar.

Continuar mandando a revista seria a forma de continuarem mandando uma amostra grátis de cocaína.

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 16:25



Comentário de: Julio Santos

Pô, se é essa a empatia que você sente e prega (chamando as pobres velhinhas de "gosmentas e solitárias, vendo a morte chegar de forma rápida e iminente"), ainda falta muito Zen e feijão para você conseguir mudar a cabeça dos privilegiados que tanto critica! :)

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 17:47



Comentário de: Aperitiva · http://www.uniblog.com.br/aperitiva

Eu tenho a solução prática pra isso. Basta
que você não tenha CARTÃO DE CRÉ;DITO. É isso
mesmo, eu não tenho. E por não ter cartão ninguém
descobre meu endereço, e por consequencia não
recebo ofertas de nada, nem mesmo por e-mail.
Sou uma pessoa livre de spams (virtuais ou
terrenos)...kkkk.

Como eu consigo viver sem cartão de crédito?
É simples: compro tudo à vista, assim consigo
entre 3% e 12% de desconto em tudo.Até viagem
eu pago à vista. E quando eu viajo carrego uma
quantia pouca de dinheiros mais o cartão de débito do Banco do Brasil, que nem em todos os lugares
onde eu vou.

Sinceramente não conheço mais ninguém que faça
isso, considerando que ganho 1.300 dinheiros
por mês e tem gente ganhando 500tão que usa
cartão de crédito.

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 20:11



Comentário de: Marcus Pessoa · http://vidaoffline.wordpress.com

Eu ainda compro algumas revistas na banca: Rolling Stone, Piauí, Bravo, etc. Tem informação de qualidade lá que não se encontra na net.

Não sei se algum dia vou assinar. Talvez acabe tendo a mesma sensação que você.

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 20:11



Comentário de: Roger Moreira

Minha mãe tem 67 anos, meu pai 75. Não têm nem o mais remoto interesse pela internet. Eles assinam revistas e jornais, então eu leio o que me interessa de graça.

PermalinkPermalink 10.01.11 @ 20:38



Comentário de: Aperitiva

Revistas eróticas jamais serão substituidas por
fotos da net, mesmo que o conteúdo seja o mesmo.
Tem certos tipos de "leitura" que exigem uma
interação entre o objeto e o observador...kkkk

PermalinkPermalink 11.01.11 @ 09:33



Comentário de: Teresa

E se mencionassem as árvores abatidas para produzir tanto papel desperdiçado?

PermalinkPermalink 11.01.11 @ 10:32



Comentário de: rodrigot · http://twitter.com/rodrigot

Faço assinaturas de revista usando online os pontos do cartão e me dá uma sensação boa de nunca ter me relacionado com a editora e nunca ter interagido com ninguém por telefone.

Nunca passei por nada parecido com o descrito, ao contrário, tenho quase convicção de q nenhuma das centrais de relacionamento envolvidas no processo sequer tem meus números de telefone.

Só assino super interessante e só qd tenho pontos suficientes pra pedir uma semestralidade, e se eles me mandassem de graça pra sempre eu nem ia reclamar muito.

PermalinkPermalink 11.01.11 @ 11:38



Comentário de: Valdecir

Fazem duas semanas que estou recebendo o Estadão todos os dias. Eu não assinei, se alguém assinou e não está recebendo, já teria reclamado, então...

PermalinkPermalink 11.01.11 @ 19:05



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