Como Dizer para Alguém que Ela Soa Racista - ATUALIZADO

Um belíssimo vídeo, bem didático e inteligente. (Dica da belíssima carmelita convoluta Maffalda)

O segredo é o seguinte: cuidado com a conversa "você-é". Não leve a conversa para esse lado. Não deixe que a outra pessoa leve a conversa para esse lado. Pouco importa quem ela é. Você não tem acesso a quem ela "realmente é". Isso é sair do foco.Racismo LLL

A conversa importante tem que ser sobre o que a "pessoa fez", sobre o impacto de suas ações no mundo, sobre o impacto de suas palavras em outras pessoas.

Meu trecho preferido:

Quando alguém bate minha carteira, eu não vou correr atrás dele pra entender se, no fundo no fundo, ele se sente um ladrão: eu vou correr atrás dele pra pegar minha carteira. Pouco me importa quem ele É, mas quero que seja responsabilizado pelo que FEZ.

Sobre o mesmo tema, recomendo talvez meus dois textos mais populares de 2010:

- "Alex, Como Faço para Ser Uma Pessoa Melhor?"

- Você É o que Você Faz

* * *

O Racismo Não É um Problema Individual

Discutindo sobre racismo, sempre tive o mesmo cuidado de nunca apontar o dedo e rotular ninguém de racista.

Um trecho do meu texto O Racismo Não É um Problema Individual:

Eu nunca acusei nem jamais acusaria ninguém de racista. Um, porque é mal-educado. Dois, porque o racismo ou não das pessoas individualmente é irrelevante.

Ninguém está inocente nesse tribunal, nem mesmo as próprias vítimas - que muitas vezes são os algozes de si mesmos. Quem pode levantar a mão e jurar, de cara limpa, sua completa inocência? ... Não sou tribunal pra sair decretando quem é racista e quem não é. ... Nossa sociedade é complicada demais pra isso. Nada é tão simples assim.

O problema do Brasil não é o racismo individual de uma ou outra pessoa, mas o racismo estrutural, constitutivo, de nossa sociedade.

Não estou propondo de modo algum uma reflexão individual sobre nosso próprio racismo como pessoas. ... Estou propondo uma reflexão sobre como funciona o nosso país, sobre nossa história, sobre nossas dinâmicas sociais, sobre nossa política, sobre nosso padrão de beleza, sobre nossa literatura.

Racismo LLL

Leia o texto completo: O Racismo Não É um Problema Individual

Leia os melhores textos da série sobre racismo.

* * *

Sugestão de uso da Iara: agora releia o texto substituindo "racista" por "machista".

* * *

Atualização: Contenho Multidões. Ou Não.

O leitor Hilton escreveu, me citando:

"Discutindo sobre racismo, sempre tive o mesmo cuidado de nunca apontar o dedo e rotular ninguém de racista."

"Se uma pessoa ou grupo pede pra ser chamado de um jeito (presidenta, cadeirante, afro-brasileiro, etc) e você se recusa (porque, lógico, VOCÊ é que sabe como ELES devem ser chamados!), saiba que é um babaca. Sem mais, Alex Castro."

"Deixa eu te bater uma real: se vc acha q não existe mais direita nem esquerda, isso faz de vc uma pessoa de direita. Abraços."

"Se vc se sente incomodado p/discurso feminista, ou p/movimento negro, deixa eu bater uma real: vc provavelmente é racista e machista."

"Não é porque elas são chatas e histéricas, entende? É porque você é machista."

E o leitor Hugo rapidamente retrucou:

Logo vem alguem fazer quote do Whitman...;)

Mas, realmente, não é nem caso pra quebrar a caixinha de vidro e citar Whitman ainda.

Existe uma diferença enorme, fundamental, constitutiva entre....

1) Em um clima macartista de caça às bruxas, apontar o dedo para alguém e rotulá-lo: "Vc, Fulano, é um machista/racista/etc";

e

2) Afirmar genericamente que machista é quem se sente incomodado com o feminismo - e deixar cada leitor livre pra olhar dentro de si mesmo, fazer sua auto-crítica e auto-reflexão, e vestir as carapuças que desejar;

Se essa diferença não é imediatamente clara, escancarada, aparente para vocês, eu realmente sinto que não tenho como explicar a coisa de modo mais simples e didático que isso. Mas recomendo que tentem ler, mais uma vez, o artigo O Racismo Não É um Problema Individual: as respostas estão todas lá.

* * *

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05.01.11


Categorias: Política, Raça


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Comentários:


Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

O problema não é nem ser racista. O problema é não ser nada mais importante que ser racista.

Para explicar melhor, um exemplo : Marie-Georges Picquart (ó ele aí: http://fr.wikipedia.org/wiki/Marie-Georges_Picquart ), que foi o homem que reabilitou Dreyfus.

Ele era anti-semita, mas era ainda mais contra um inocente ser condenado.

É um problema de um pressuposto falso: muita gente acha que é preciso não ser racista para respeitar os direitos dos negros. Bobagem. Fosse assim, e você só respeitaria os direitos de quem você gosta. Mas você não gosta de mim e mesmo assim respeita meus direitos, não é, Alex?

Eu também posso respeita os direitos dos negros pensando dos negros o que você pensa de mim. Por que não?

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 05.01.11 @ 17:41



Comentário de: rayssa gon · http://presencadapeste.blogspot.com

mesmo porque poucos são os que, hoje, dizem de perto aberto "eu sou racista". na verdade, a maioria diz que não é racista,que absurdo, e tal.

só que , infelizmente, esse discurso de paz e união costuma esconder atitudes preconceituosas mal disfarçadas, piadas, etc.


PermalinkPermalink 05.01.11 @ 18:04



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Troque por "machista" e continua fazendo muito sentido...

PermalinkPermalink 05.01.11 @ 18:08



Comentário de: Hilton Ferraz

"Discutindo sobre racismo, sempre tive o mesmo cuidado de nunca apontar o dedo e rotular ninguém de racista."

"Se uma pessoa ou grupo pede pra ser chamado de um jeito (presidenta, cadeirante, afro-brasileiro, etc) e você se recusa (porque, lógico, VOCÊ é que sabe como ELES devem ser chamados!), saiba que é um babaca. Sem mais, Alex Castro."

"Deixa eu te bater uma real: se vc acha q não existe mais direita nem esquerda, isso faz de vc uma pessoa de direita. Abraços."

"Se vc se sente incomodado p/discurso feminista, ou p/movimento negro, deixa eu bater uma real: vc provavelmente é racista e machista."

"Não é porque elas são chatas e histéricas, entende? É porque você é machista."

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 09:40



Comentário de: Peter Schiling

Hilton dominando geral.

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 10:03



Comentário de: Hugo

Logo vem alguem fazer quote do Whitman...;)

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 12:27



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Sei não. Mesmo descontando as contradições q o Hilton apontou acima, esse discurso do "o q importa é o q vc faz" é contraditório, *particularmente* em questões de racismo, machismo, &c. Pq, veja bem, qdo vc "hold each person accountable for the impact of their words and actions" e a inaceitabilidade desse "impacto" se baseia no q o outro *É*, então dá na mesma, não?

Tipo, "isso q vc disse é inaceitável pq eu *SOU* mulher-judia-negra-gay". ¿Que direito tem uma pessoa de se basear naquilo q ela *É* pra achar "inaceitável" algo q digo ou faço?

(Já eu, acho uma babaquice essa mania de muita gente, digamos, mais ligadinha, de colocar fundo musical em tudo qto é documentário, entrevista, palestra, vídeopinião, &c. ¿Já aboliram o silêncio? Mas eu jamais diria q fundo musical pra texto é "inaceitável" só pq tenho problemas de audição e me atrapalha na compreensão; apenas deixo de ver os vídeos de gente imbecil o bastante pra colocar fundo musical em tudo. Ô praga.)

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 13:18



Comentário de: Arthur

Sobre o que o Jorge falou, tem um amigo meu que é a favor que os casais homossexuais tenham todos os direitos que os casais heterossexuais tem. Mas ele não gosta de gays e lesbicas, nunca ficaria amigo de um, e tenta manter eles o mais longe possivel da sua vida pessoal. Apesar de dizer que não tem problemas com eles na vida profissional.

Claro que todo mundo tem direito de se aproximar de quem quiser, mas isso é a definição de homofobia, aversão a homossexuais.

Se você acha que isso não é parte do problema, provavelmente você é parte do problema também.

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 14:20



Comentário de: Arthur

Plausivel,

Não tem como não se basear no que o outro *É*. Ou melhor como se identifica/é identificado. Todo o direito se baseia nisso por exemplo. Os direitos humanos valem se você *É* humano. Os direitos de um pais valem se você *É* cidadão. por ai em diante.

Se uma pessoal se identifica/é identificada como parte de um grupo, e você ofende ou discrimina esse grupo, é natural que ela se sinta no direito de te repreender, mesmo que muitas vezes essas pessoas não se sintam nesse direito ou não o façam.

Mas a identificação é uma ação. As pessoas ativamente se identificam ou são identificadas. Por exemplo o conceito de homossexualismo é uma construção social, e nos ativamente afirmamos e somos afirmados homossexuais. Prova de que o conceito de homossexualismo é uma construção social são as sociedades onde ele era mais aceito, que nos mostram que mesmo que o homossexualismo sempre tenha existido, o ato de ser homossexual muda conforme os tempos e os espaços.

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 14:37



Comentário de: Alex Castro Email

Hilton e outros,

Não é nem caso de citar Whitman ainda.

Se vcs não entendem a diferença, enorme e fundamental, entre....

1) Apontar pra alguém macartisticamente e dizer, "Vc, Fulano, é um machista/racista/etc"

e

2) Dizer genericamente que machista é quem se sente incomodado com o feminismo - e deixar cada leitor livre pra olhar dentro de si mesmo, fazer sua auto-crítica e auto-reflexão, e vestir as carapuças que desejar;

Então, eu realmente não tenho como explicar a coisa de modo mais didático que isso.

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 17:30



Comentário de: Francisco · http://asd.com

Individualmente, é importante não apontar dedos, mas apontar para as consequências do ato de terceiros. Ao invés de apontar que o outro é racista ou X, é melhor incutir na pessoa a dúvida sobre suas ações, por exemplo:

"Fulano, você não percebe que essas pessoas podem se sentir humilhadas? Não se importa com isso? Sim ou não?"

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 18:06



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

"Não tem como não se basear no q o outro *É* ... Os direitos dum país valem se vc *É* cidadão."

Arthur,
Claro, mas note q os direitos humanos valem apenas entre humanos, e os direitos dos cidadãos dum país valem apenas entre cidadãos desse país. Tua analogia não coube.

"o ato de ser homossexual"
Não existe "ato de ser". É como o "ato de haver" e como o planeta Zorg: não existem. Pensar em coisas como "ato de ser" é conseqüência de tomar literalmente frases como "vc é o q vc faz" (note q, ironicamente, essa fórmula tá *dizendo* o q vc é;).

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 18:19



Comentário de: Manuel

Minha sugestão de uso: substituir "racista" por "homofóbico".

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 20:54



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
"Dizer genericamente que machista é quem ... etc ... e deixar cada leitor livre pra ... e vestir as carapuças que desejar."

¿Ser machista etc (ou ãã "fazer" machismo) é, então, "inaceitável"?

Pq o q vc tá dizendo é algo do tipo "Olha, não tou chamando vc de X-ista; só acho q cada uma das bilhões de pessoas q fazem X-ismos são livres pra vestir a carapuça dos q precisam aprender a fazer apenas coisas aceitáveis."

É muito problemático, não é?, isso de pré-scriptar o q é e o q não é "aceitável". Embora a iniciativa não seja em si chauvinista, o mundo tá abarrotado de gente q facilmente se chauviniza em torno a scripts de intolerância – desde bíblias, kampfs e korãos até manuais de etiqueta.

O q falta é senso de humor. Ainda bem q mulher gosta de dar risada e de homem inteligente, pq aí os homens inteligentes de bom humor têm mais chances de se reproduzirem: aí, daqui a alguns milênios, talvez melhore o gene pool da humanidade.

PermalinkPermalink 06.01.11 @ 22:53



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Outro dia, um bando de feministas resolveram me castrar.

Eu disse a elas que sintia muito, mas ser castrado me incomoda.

Elas sairam com muita raiva de mim, me chamando de machista.

Agora li o que o Alex escreveu e fico pensando: será que no fundo eu sou machista? será que ficar incomodado com as mulheres querendo me castrar faz de mim um machista?

Acho que devo me preocupar com isso...

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 07.01.11 @ 00:35



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

hiii.... bando de feministas resolveram ou resolveu? Ok, acho que as duas formas são corretas.

Mas esse "sintia muito" é imperdoável.... Sinto muito, pessoal, quis dizer que "sentia" muito.

Estou com sono, por isso deu nisso... agora acho que vou dormir.

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 07.01.11 @ 00:38



Comentário de: Hilton Ferraz

Eu não disse nada. Nem que entendi, nem que não entendi. Só colei um monte de texto.

PermalinkPermalink 11.01.11 @ 10:44




I'd need to verify with you here. Which is not one thing I normally do! I take pleasure in studying a post that may make folks think. Also, thanks for permitting me to remark!

PermalinkPermalink 31.03.11 @ 07:49



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