Poucas partes do corpo humano são mais sensuais e expressivas do que as mãos.
Adoro unhas grandes e bem-feitas. Adoro esmaltes fortes e exóticos. Adoro unhas esculpidas e desenhadas.
(Chego a parar na rua pra tentar ver os padrões direito. Melhor ainda, são um excelente quebra-gelo: olha, que unha linda, deixa eu ver, o que é?, puxa, eu acho isso o máximo, etc etc.)

A Evolução das Unhas
Vamos parar um pouco e considerar as unhas. A gente olha pras nossas mãos e pés e pensa: pra que raios servem as unhas, esses pedaços de matéria dura revestindo um dos lados dos dedos? Não parecem ter muita utilidade.
Mas toda unha é, antes de tudo, uma garra domesticada.
Unhas, grandes, afiadas e nunca cortadas, eram o que usuaríamos pra subir em árvores, nos segurar nos galhos e cortar comida. Em outro momento, mais carnívoro, seriam usadas para segurar e matar a presa. E, claro, nas costumeiras lutas entre primatas, elas se converteriam em nossas principais armas para conquistarmos os favores sexuais da macaca mais gostosa do bando.
De qualquer modo, até hoje ainda há algo de estranhamente cruel e intimidador em uma unha comprida.
Infelizmente, uma das primeiras providências da civilização foi domar as unhas. Homens estão definitivamente proibidos de usá-las. As mulheres ainda podem, mas curtas - curtas em relação ao tamanho que poderiam atingir, que fique bem entendido.
A graça é que critérios como esses são totalmente aleatórios. Unhas grandes não são intrinsecamente femininas nem masculinas. Mas as unhas são talvez a única arma que os homens permitiram às mulheres, ao mesmo tempo que negando-as a si mesmos - afinal, era coisa de mulher. Nada seria menos viril do que um homem unhar outro.
Unhas Malvadas
Unhas grandes representam todo o mistério e perigo da mulher. Uma mulher que traga suas unhas longas cuidadosamente afiadas está não só seguindo a moda: ela está nos lembrando, sutilmente, que é um animal perigoso e insondável. Parecem dizer: posso arranhar suas costas durante o sexo para lhe dar mais prazer ou posso arrancar seus olhos. Ou ambos. A escolha é sua.
Vocês vão achar graça, mas todo esse longuíssimo texto, que já remeteu até a pré-história, era somente para apresentar a primeira foto acima.
Imagino que poucas pessoas olhariam para essa foto com tesão. Sou uma delas.
Há uma beleza primordial nessa mão. Ela é, ao mesmo tempo, sexy e perigosa, feminina e ameaçadora, frágil e perversa.
A bela mão de uma mulher má.
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