Sobre o Medo das Mulheres - Atualizado

London Anti Street Harassment campaign Hoje, li um texto que me doeu muito. É difícil de discutir com gente que acha que "feminismo é exagerado" quando vivemos em um mundo onde as mulheres andam sempre acossadas, acuadas, com medo.

Um trechinho do texto, Da Angústia de Sair Sozinha:

Porque essa caminhada de no máximo 30 minutos às 22h (mais ou menos) beirou o insuportável. Sem brincadeira e sem exagero, não teve NENHUM carro que passou e não mexeu com a gente. E nenhum pedestre também. E eram “mexidas” de todos os tipos. De “inocentes” assovios até palavras mais grosseiras, do nível mais baixo imaginável.

E que sensação horrorosa hein? Essa de estar sendo constantemente violentada. E é um medo constante. Medo de mandar tomar no cu, porque nunca se sabe se o(s) cara(s) é ou não um maluco que pode se ofender e vir nos agredir… E não podendo mandar tomar no cu, medo até de dar uma risada, por medo que o cara entenda como uma abertura e venha nos abordar. E caminhamos, cabeça baixa, falando o mínimo possível, em passos apertados, presas na condição de sermos mulheres – e desacompanhadas.

Porque é assim né. Mulher desacompanhada é claro sinal de 100% à disposição dos caprichos masculinos. Só podemos nos sentir seguras (e ainda assim nem tanto) se acompanhadas de um homem. Se sozinhas, é medo constante. Mulher sozinha não pode estar sozinha por opção, por querer simplesmente tomar um drink de melão. Se está sozinha, está a mercê, é só vir e pegar a sua.

Leia o texto completo: Da Angústia de Sair Sozinha

* * *

Um dos livros mais importantes que li na vida, The Gift of Fear (As Virtudes do Medo, em português), que já presenteei pra umas seis mulheres, tem um trecho mais ou menos assim (de memória):

Pergunte a um homem quando foi a última vez que ele sentiu medo de morrer, e ele provavelmente vai contar uma história longa e aventuresca do seu passado; pergunte a uma mulher e ela vai te contar alguma coisa que aconteceu hoje, ontem, essa semana. Essa é uma das maiores diferenças entre homens e mulheres na nossa sociedade.

Recomendo esse livro com todas as minhas forças. É o tipo de livro que, sempre que vejo uma cópia, eu compro - pois sei que terei para quem dar em breve. É o livro que mais presenteei na vida.

* * *

Enquanto isso, no Reino Unido, país teoricamente não-machista, uma campanha do governo tenta coibir o "assédio sexual de rua".

Matéria do The Guardian:

'Give us a kiss love, it's Christmas': Sexual harassment at work is no longer tolerated. The same rules should apply in the street

Site da campanha: UK Anti Street Harassment Campaign

Para os de estômago forte, confiram os comentários da matéria do The Guardian.

* * *

No romance que estou escrevendo, Cria da Casa: Histórias de Empregadas & Escravos, eu tento levantar algumas dessas questões, usando o contexto cubano para comparar. Abaixo, um trechinho:

Sabe, Cuba me ensinou uma outra lição. Aprendi finalmente como se sente uma mulher bonita. Sei como é a sensação de não poder sentar em um restaurante ou em um banco de praça sem ser abordado por alguém que não conheço, de intenções duvidosas, me olhando de cima a baixo, perguntando de onde eu sou, se tenho compromisso essa noite, qual é meu signo, quanto calço. Sei como é a sensação de ter que decidir em meio segundo se é apenas um cubano extrovertido querendo bater-papo ou se é um jineteiro pendejo querendo se aproveitar. Sei como é aquela sensação canalha mas tentadora de calcular rapidamente se consigo tirar dele o que quero sem pra isso lhe dar o que deseja. E, pelo menos, ao contrário de muitas mulheres, eu não tenho medo de ser vítima de violência, pois os jineteiros cubanos são chatos mas pacíficos.

Semana passada, por exemplo, abordei uma moça que estava estudando na Sala Cubana da Biblioteca Nacional. Quis saber o que estava lendo, contei da minha pesquisa, chamei pra tomar um refresco, convidei pra um show de Los Van Van aquela noite - tudo com a esperança de, talvez, quem sabe, ir para cama com ela. E não há nada de errado nisso.

Então, como posso culpar o jineteiro por me abordar no Paseo Prado, me perguntar sobre o Brasil, conversar sobre novela, dar sua opinião sobre o pró-álcool, me chamar para um show na Casa de la Musica - com a mesma esperança de, talvez, quem sabe, ganhar uma comissão ou me vender um charuto?

Qual a diferença entre uma cubana que se aproxima de um turista porque vê nele uma fonte possível de dinheiro fácil e um turista que se aproxima de uma cubana porque vê nela uma fonte possível de sexo fácil? Quem é o jineteiro? Quem está jineteando quem? Quem está enganando quem? Tem alguém enganando alguém?

Homens e mulheres. Brancos e negros. Brasileiros e cubanos. Feios e bonitos. Jovens e velhos. Somos todos jineteiros.

200 Grandes Livros por R$ 9,90 promoção submarino promoção submarino

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27.12.10


Categorias: Política, Relacionamentos


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Comentários:


Comentário de: João Ricardo

“Nas mais diferentes classes do reino animal, como mamiferos, pássaros, répteis, peixes, insetos, e até mesmo crustáceos, a diferença entre os sexos segue exatamente a mesma regra; os machos cortejam as fêmeas.” (DARWIN, C. - The Descent of Man, 1871)

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 19:11



Comentário de: Mordechai

As mulheres devem gostar, afinal de contas, elas se apaixonam, transam e se casam com os homens que mexem com elas e não com os que ficam calados.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 19:32



Comentário de: adelia

o cara cita Darwin para comprovar o quanto é um animal.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 19:49



Comentário de: Rodrigo Mesquita

Desde quando "cortejar" é sinônimo de ameaçar ou ser grosseiro e mal-educado?

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:04



Comentário de: Tiago

Não é por machismo, mas acho que as meninas do texto estavam num dia ruim. ruim para serem "abordadas" ou dia de "abordagens ruins". Não percebo esse tipo de reclamação como regra.

Contudo, sou homem, então podem relegar esse comentário à irrelevância.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:08



Comentário de: Carol · http://fadamariposa.blogspot.com

Quem acha que isso do que o texto trata é "cortejo", favor reler a primeira citação do texto, o trecho de "Da angústia de sair sozinha". É ISSO que acontece, é ISSO que as mulheres pensam e sentem de seus "cortejos". Não uma vontade louca de transar e casar com vcs, homens que agem assim. =)

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:15



Comentário de: Carol · http://fadamariposa.blogspot.com

Quem acha que isso do que o texto trata é "cortejo", favor reler a primeira citação do texto, o trecho de "Da angústia de sair sozinha". É ISSO que acontece, é ISSO que as mulheres pensam e sentem de seus "cortejos". Não uma vontade louca de transar e casar com vcs, homens que agem assim. =)

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:16



Comentário de: Alex Castro Email

Pois é, Tiago, é por aí mesmo. O seu comentário além de irrelevante é escroto não por vc ser homem, mas por vc estar diante da vítima de um tratamento violento e abusivo (nao precisava ser mulher, poderia ser um negro contando ter sido vítima de racismo, etc) e, ao invés de ouvir com atenção, abrir seu coração, ter empatia, tentar entender pelo que ela passou, vc usa a SUA própria experiência (q é irrelevante, pois vc NUNCA foi vítima disso) pra descartar e desprezar o apelo, a reclamação, o drama daquela pessoa que está ali sofrendo na sua frente.

Como já disse a Ana, não é sobre você que estamos falando. Sua opinião sobre uma violência que OUTRA pessoa sofreu é, no mínimo, irrelevante.

Então, entende?, por tudo isso, mais q irrelevante, seu comentário é canalha.

Abraços.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:18



Comentário de: Tiago

Acho que me expressei mal.

Não neguei a violência narrada. Não fui testemunha dos fatos e nem conheço quem os vivenciou.

Também admiti o pouco valor da minha opinião, porque nunca fui vítima desse comportamento.

Mas vislumbrei situações nas quais as pessoas (de quaisquer gênero/orientação sexual/interesses) podem interagir em um contexto não-violento. Daí meu comentário.

Como estou "do outro lado do balcão" me lembrei de situações em que abordei pessoas de forma amistosa, fiz amizade e até iniciei relacionamentos.

Como isso é canalha?

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:24



Comentário de: Carol · http://fadamariposa.blogspot.com

Comentei isso no post "Da Angústia de Sair Sozinha":

Compartilho da angústia. Havia lido o post da Lola sobre isso, e logo que comentei a respeito no twitter, uns marmanjos vieram logo questionar. Parece que é um insulto dizer pra eles que a gente não gosta dessas "mexidas" na rua. Ouvi de tudo: que as mulheres gostam, que precisam disso pra manter a boa auto-estima, que é um comportamento natural sexual de macho demonstrar interesse, etc. Cada frase me dava mais ânsia de vômito.

Eu realmente não entendo isso de os homens quererem meio que "reivindicar o direito de mexer com mulheres na rua" se nós mesmas dizemos que NÃO GOSTAMOS. Ficam tentando procurar justificativas, ficam revoltados, acham um absurdo, "ah, então agora não pode cantar uma garota bonita na rua?", "desde quando chamar de gostosa é ofensa??". Sério, qual é a dificuldade de entender que sim, isso é ofensivo, invasivo, violento?

Tem dias que eu acho que sair sozinha na rua é um inferno. Boto fone de ouvido pra não ter que ouvir nada. Tento ignorar, não olhar nos olhos de nenhum homem pelo qual passo... ou então, ao contrário, procuro olhar diretamente, pra não parecer que sou medrosa ou submissa e posso enfrentá-lo. No final, não tem muita saída. Você continua sendo um alvo, uma coisa em exposição, e só pode escolher como reagir, ou não reagir.

E pros homens isso é bobagem, frescura.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:25



Comentário de: bete_davis · http://kaleydoscopeeyes.blogspot.com/

1- adorei a resposta do Alex, a falta de empatia, ou seja se colocar no lugar do outro, faz com que homens dificilmente entendam quando mulheres reclama de assédio indevido, ameaça, grosserai e vulgaridade.

2- quanto ao texto o que está escrito pela autora é que era noite, um pouco tarde (22 hs) e não me parecem que foram dirigidos a elas gracejos, um flerte ou paquera graciosa da noite, pq isso acontece. Eu sou mulher e digo que há uma diferença enorme entre um gracejo como tentiva de aproximação e uma grosseria ou vulgaridade que nos dá medo de sermos vítimas de um estupro, p. ex, pq estamos simplesmente andando na rua.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:35



Comentário de: Alex Castro Email

Tiago,

Não liga pra mim não. Escuta o que as MULHERES estão falando. Só isso. Não tem mágica. Escuta sem ficar defensivo. Escuta sem se colocar n lugar do homem q elas estão criticando. Escuta sem julgar. Escuta sem contra-argumentar. Só escuta. Pronto. É super fácil.

Abraços.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 20:54



Comentário de: Tiago

Então tá.

Mulheres que se identificaram com o texto. Como irmão de três mulheres, já ouvi relatos semelhantes, outros piores, que fizeram elas chorarem na minha frente.

Com isso, quero reiterar que não sei do que vocês estão falando. Mas sou muito próximo de quem sabe.

Não quero desqualificar o argumento de vocês, nem negar o desagrado. Acho que foi aqui que eu li que quem sabe da ofensa é o ofendido. Pretendo apenas expressar que existem formas de interação não-violenta entre estranhos. E, com uma mistura de humildade e auto-engano, acredito já ter participado de situações assim.

Abs.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:05



Comentário de: Carol · http://fadamariposa.blogspot.com

Tiago, claro que existem formas de interação não-ofensivas entre estranhos. E é claro que não estamos falando destas, aqui.
Você não é o primeiro homem a trazer isto à tona nesse tipo de discussão. Sempre tem alguém que fala sobre maneiras agradáveis de aproximação. Lógico, ninguém está reclamando delas.
Uma coisa é um flerte, uma paquera, num lugar comum, uma aproximação sincera. Outra é um "gostosa!" no meio da rua, passando de carro, ou uma encarada fixa e constrangedora.
A diferença é bem clara, não tem muito o que discutir.
É lógico que não estamos falando contra todo e qualquer tipo de aproximação. Mas parece que alguns homens, quando surge essa discussão, não conseguem compreender a diferença, o ponto exato da questão.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:14



Comentário de: Laura · http://twitter.com/lauritapereira

logo de princípio pensei nas mulheres de véu no países árabes. me lembrei dos relatos das amigas que foram pro marrocos, que correram pra colocar o véu por causa dessas mexidas, a pressão que sentiram só por estar nas ruas.

e engraçado que achamos que nossa sociedade é livre. chega a ser risível.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:19



Comentário de: Tiago

Então Carol, acho, que de forma ingênua, trouxe esse elemento no meu primeiro comentário. Reconheço que não é da "abordagem agradável" que estamos falando. Mas, sabendo que a interação não-violenta existe, há que se fazer uma diferenciação, um recorte, sei lá!

Senão, abre-se a possibilidade (essa sim canalha) de desqualificar um discurso legítimo por meio do uso de termos como "feminazis".

O exemplo que me vem à cabeça é como certas agremiações religiosas usam a liberdade de culto para abrigar idéias racistas, misóginas e etc.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:30



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Thiago,

Abordagens a noite por desconhecidos passando na rua raramente são amistosas. Justamente porque a pessoa está passando, não há tempo pra sutilezas, então não me lembro de ter sido abordada de uma maneira bacana por um passante.
Mas nenhuma feminista vai dizer que simplesmente abordar uma mulher desconhecida é grosseiro. Eu conheci meu marido na balada. Mas ele não me chamou de gostosa, passou a mão na minha bunda ou me puxou pelo braço, como tem sido comportamento de alguns caras na noite. Eu notei que ele estava olhando, olhei algumas vezes, sorri de volta, e depois de um bom tempo de troca de olhares, ele se aproximou de maneira gentil. Quer dizer, houve bastante respeito na abordagem. Isso sim é paquera e não tem absolutamente nada a ver com um grupo que passe por mim na rua as 11 da noite dizendo que me chupava todinha. Percebe a diferença?

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:35



Comentário de: Tiago

Iara,

Percebo a diferença, sério.

Meu comentário se dirige mais à forma de estruturação do texto do que sobre a mensagem em si.

Porque se em algum momento o autor dá a entender que toda abordagem é violenta, abre-se o contra-argumento (esse sim, ilegítimo e canalha) de desqualificar o discurso apontando um suposto radicalismo (caso da expressão "feminazi").

De novo, reitero: não estou negando o desagrado, a ofensa. Sei que esse tipo de coisa acontece.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:37



Comentário de: Tiago

Iara,

Percebo a diferença, sério.

Meu comentário se dirige mais à forma de estruturação do texto do que sobre a mensagem em si.

Porque se em algum momento o autor dá a entender que toda abordagem é violenta, abre-se o contra-argumento (esse sim, ilegítimo e canalha) de desqualificar o discurso apontando um suposto radicalismo (caso da expressão "feminazi").

De novo, reitero: não estou negando o desagrado, a ofensa. Sei que esse tipo de coisa acontece.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:38



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Lembrei de outra situação horrível. Tinha um grupo de amigas com quem marcava de beber esporadicamente. E eu era a única pontual, então chegava no bar e ficava sozinha na mesa. Eu vou a restaurante sozinha, a cinema sozinha, mas bar é um inferno. Eu passei a encontrar alguma delas no trabalho pra chegarmos juntas porque é quase impossível tomar um chopp sozinha e ficar 40 minutos esperando sem ter no mínimo uns 2 ou 3 caras que se oferecem, na maior cara de pau, pra se sentar comigo. Com direito a cara feia e respostas grosseiras quando eu dizia que não, obrigada, minha companhia chega já. Porque, né, o que mais eu posso querer nessa vida além da companhia de um homem estranho?

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:40



Comentário de: Tiago

Iara,

Percebo a diferença, sério.

Meu comentário se dirige mais à forma de estruturação do texto do que sobre a mensagem em si.

Porque se em algum momento o autor dá a entender que toda abordagem é violenta, abre-se o contra-argumento (esse sim, ilegítimo e canalha) de desqualificar o discurso apontando um suposto radicalismo (caso da expressão "feminazi").

De novo, reitero: não estou negando o desagrado, a ofensa. Sei que esse tipo de coisa acontece.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:40



Comentário de: Carol · http://fadamariposa.blogspot.com

Tiago, o texto não dá abertura para essa interpretação. Apenas machos muito pessoalmente ofendidos levariam isso pro lado do "discurso feminazi". E aí o problema estaria puramente na cabeça deles, e não no texto ou no problema exposto.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:47



Comentário de: Sara · http://www.leaoafeminado.blogspot.com

Vamos lá gente.Empatia. Vamos nos colocar no lugar do outro.
Um dia estava no onibus quando um cara se sentou do meu lado e olhou:
"Nossa,te achei uma garota muito bonita. Podemos conversar?"
Eu disse "não", e fui embora.Ele não foi agressivo, foi normal, mas como era muito feio e eu estava com sono, nem dei bola.



...Anda mais rápido,ele anda mais rápido.Anda mais depressa.Ele anda mais depressa. Você começa a suar, e seu coração dispara um pouquinho.O lugar é meio mal iluminado e baldio...

É disso que estamos falando. Violência que nem mesmo as vezes chega a ser física, mas sim psicológica. É voce ficar pensando se da pra correr, se da pra voce tirar o sapato e correr pra qualquer comércio. Se tá na hora de apressar o passo.


Só falta falarem que a culpa é da mulher quando isso acontece. Que o homem só faz se ela dá "bola".

E se desse? É motivo pra agir feito filho da puta?




PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:49



Comentário de: Tiago

Carol, não quero parecer mais chato do que já fui.

Acho que toda minoria carrega um ônus ao discursar. Como é de se esperar que o "status quo" tentará desqualificar o discurso, eu acho muito difícil colocar uma idéia dessas com a clareza que se pretendeu.

Como ateu, me ofendo com muitos pronunciamentos de líderes religiosos. Mas, ao me expressar, tenho que empregar um cuidado maior que o que meus adversários observam, porque sei que a carta da "liberdade de culto" tá ali, prontinha pra ser sacada. Ainda mais em tempos de Web 2.0 e suas conclusões precipitadas (essas sim, canalhas).

Não tenho formação em literatura. Admito que depois de alguns comentários, consegui fazer a leitura correta do texto. Mas o primeiro contato passou uma impressão radical, pelo menos para mim. É o ônus do discurso da minoria.

Boa noite.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 21:58



Comentário de: Filipe Teixeira da Silva

Tiago, relaxa cara.

Essa você já perdeu.

Qualquer argumento seu busca apenas construir uma interpretação que torne seu primeiro comentário minimamente tolerável.

Acredite nelas!, ou pelo menos bote em prática a lição sem questionar.

Desencana, você não é um looser, só foi infeliz dessa vez. =)

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 22:20



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

"Comentário de: Mordechai
As mulheres devem gostar, afinal de contas, elas se apaixonam, transam e se casam com os homens que mexem com elas e não com os que ficam calados."

Peraí, que eu acho esse comentário mais difícil de compreender que o do Tiago, que pelo menos voltou aqui várias vezes e deu a cara para bater.

Parece que há uma confusão, na minha opinião bem grave, entre paquera e assédio. E é muito, muito importante que os moços entendam essa diferença. Não me consta que mulheres se apaixonem, transem e se casem com os imbecis que sussurram "essa eu chupava todinha" quando a gente está andando despreocupada no meio da rua. Quando isso acontece, o que está em jogo não é uma tentativa de sedução - o que implica necessariamente em exposição mútua, em troca, em algum nível de conhecimento do outro, nem que seja apenas físico... de toda forma, algum contato entre as partes se estabelece. O que está em jogo quando o babaca se acha no direito de dizer qualquer grosseria para uma mulher desconhecida que ele vê passar na rua é PODER. Ele pode não saber o que está fazendo, mas nós sabemos: ele quer mostrar que o mundo é falocêntrico e que nós existimos apenas para validar isso. O objeto da "admiração", que supostamente deveria ter sua "auto-estima" elevada pelo "galanteio", não tem a menor importância nessa equação. Essas cantadas rasteiras - e, sim, ameaçadoras na maioria das vezes - existem para reafirmar o poder dos machos e não para "melhorar a auto-estima" das fêmeas.
Queridos, acreditem, nossa auto-estima amenta ou diminui por caminhos que vocês nem sonham em entender. E nenhum deles faz esquina com os supostos "elogios" de um completo estranho.


PermalinkPermalink 27.12.10 @ 23:23



Comentário de: Homem

Com certeza esses mesmos que justificam cantadas constrangedoras a mulheres em momentos inoportunos aceitam argumentos como os primeiros expostos pelos imbecis que bateram com lâmpadas fluorescentes em um grupo aparentemente gay alegando que foram cantados por eles.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 23:35



Comentário de: Homem

Com certeza esses mesmos que justificam cantadas constrangedoras a mulheres em momentos inoportunos aceitam argumentos como os primeiros expostos pelos imbecis que bateram com lâmpadas fluorescentes em um grupo aparentemente gay alegando que foram cantados por eles.

PermalinkPermalink 27.12.10 @ 23:38



Comentário de: Nessa · http://garotacocacola.com.br

O Alex fica me enchendo de orgulho toda a vez que posta sobre esse tipo de assunto - que nenhum outro homem ousa tocar (a não ser o Idelber, né?).

Se não houvesse vocês, que se sensibilizam, seria muito mais difícil para mim pensar que o mundo pode ser justo um dia.

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 00:45



Comentário de: Johnny

Off-topic, mas acho que vai te interessar:

http://www.economist.com/node/17723223

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 01:40



Comentário de: Andréia Freire

O que dizer ao imbecil que acha que mulheres namoram e casam com caras que falam grosserias no meio da rua? Em que mundo vc vive, ô colega?

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 06:38



Comentário de: Tiago

Felipe, não se trata de ganhar, mas de uma questão de atitude.

O meu primeiro comentário expressou exatamente a mesma idéia que os demais, embora de forma ingênua.

Só esperava ler respostas como: "Não é não Tiago, esse tipo de comportamento tem ficado mais frequente ao longo dos anos, a Delegacia de Crimes contra a Mulher registrou um aumento de X% nos crimes sexuais e etc..."

Ao invés disso o que aconteceu foi o seguinte: "Olhem, é o INIMIGO! Peguem!"

Mas é assim na internet, o flame alimenta o processo. No blog do "Rei" sou tido por petralha, aqui sou canalha. Paciência.


PermalinkPermalink 28.12.10 @ 07:12



Comentário de: Tiago

E pra voltar ao assunto.

O trecho de Cria da Casa me faz pensar que a questão central passa pelo medo de quem é diferente (claro que no caso das mulheres o machismo permeia a questão).

Daí esse tipo de conclusão no sentido de que os "galanteios" tem por objetivo elevar a auto-estima das "admiradas".

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 07:19



Comentário de: Charlotte Patrice

Sim! A coisa tem piorado nos últimos anos. Já não se pode mais caminhar nas ruas a noite com uma amiga ou sozinha sem que isso seja interpretado como uma fragilidade ou um sinal de que qq homem pode nos abordar. Outro exemplo legal: você sai do trabalho e faz muito calor, você passa no boteco pra tomar uma cerveja geladíssima. Não é um evento, uma festa, vc não está saindo para beber, você só quer tomar uma geladinha antes de chegar em casa. Tenho certeza absoluta que poderá fazer isso sem nenhum problema se vc for homem. A sua sede é igualzinha a minha, o calor que sente é idêntico ao que eu sinto. A diferença é que eu não posso sentar num bar e tomar uma latinha geladíssima em paz e sozinha. Se eu entrar no bar da esquina e pedir uma cerveja sem ninguém ao meu lado automaticamente enfrentarei uma fila de machos, gentis ou não perturbando o juízo. Entende? Eu não escrevo para o João Ricardo pq um cara que usa Darwin para justficar uma violência não tem mais solução. E sim, a palavra é essa mesma : violência. É violento ter seus pensamentos e passeios abruptamente cortados quando você ouve um -Bucetuda!. Ninguém considera o 'bucetuda!' um elogio no meio da Avenida Rio Branco na hora do almoço. É humilhante e vergonhoso ser chamada assim no meio da rua. Acho triste que os homens não possam fazer deslocamentos, que fiquem apenas medindo e justificando o que fizeram na semana passada sem realmente perceber do que estamos falando.

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 10:25



Comentário de: Charlotte Patrice

Um dos comentáris fala das mulheres como MINORIA? Eu li isso mesmo?

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 10:34



Comentário de: Charlotte Patrice

Um dos comentáris fala das mulheres como MINORIA? Eu li isso mesmo?

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 10:39



Comentário de: Catarina · http://www.tolerada.blogspot.com

Oi
Sou brasileira, e vivo em Portugal. Aqui todo o mundo chinga o brasileiro. Dizem que brasileiro ou é ladrao ou é putaa. tou farta disso. esse povo tem que aprender. achei um blog de uma putz portuguesa, e vou inudar ele com comentarios. façam isso tambem. o endereco é www.tolerada.blogspot.com

xinguem ela. as putaz sao as portuguesas e nao as brasileiras!

beijo

Cathey

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 11:37



Comentário de: Fabio R.

Curiosamente, o texto me remeteu à situação de morar na Penha, ao lado da favela, do tipo que sua rua acaba numa esquina da qual sobe uma ladeira com barracos. Sim, naquele ponto havia barricadas e o caveirão passava por ali. E é meio chato você ter 15 anos e alguém esbarrar com um fuzil em você enquanto você conversava com a avó no portão de casa. "Foi mal aí, colega". Ah, sim. Meninas eventualmente podem ser sorteadas para ir ao quarto do dono do morro, se já foram a um baile funk. É uma situação que não se escolhe. Seu avô construiu a casa antes de existir um bairro formado ali, quanto mais favela. E isso te muda, principalmente se você viveu ali nos últimos 15 anos. Não se compara com a situação geral das mulheres. Bem, todos do bairro sentem o peso de ter que ir pra debaixo da mesa da cozinha quando começa o tiroteio. O problema é a forma como você muda, sua vida fica banalizada. O brasileiro lida muito com isso de um jeito que parece que tira onda de quase morrer todo dia. "Desculpe não ir na sua festa ontem. É que não dava pra sair com os caras atirando." No caso das mulheres, que passam pela situação descrita desde pequenas, isso as molda. E, de repente, você se vê tendo se tornado alguém que não queria. Acostumando-se a lidar com chatos e perigosos quando não quer, mas aprendendo a dar sinais a quem você quer que vá falar com você. Sim, isso é se moldar a um papel construído por milênios. Por isso, a libertação que muitas mulheres alcançam é tão importante. Mas, é difícil. Grosserias e cavalheirismo são lados da mesma moeda? Como separar o bom do ruim na cultura?

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 12:07



Comentário de: Aperitiva · http://www.uniblog.com.br/aperitiva

De fato ser mulher é um saco. Eu preferia nascer
homem se tivesse essa opção. Quando saio de
manhã pra trabalhar, caminho por 4 quarteirões.
Aquele bando de peões de obra me cercam, passam
do meu lado e falam "gracejos" a 10 cm do meu
rosto. Me sinto sim violentada. Uma vez desci ao
nível deles e mostrei o dedo do meio. Ficaram
calados por 5 segundos, depois caíram na gargalhada.

Adoraria fazer caminhada à noite, depois que
saio do trabalho, mas só é seguro se estiver
acompanhada do meu namorado.Sozinha é perigoso.
Sério!

Tenho uma matéria falando sobre isso no meu blog.
Quem tiver a curiosidade...www.uniblog.com.br/aperitiva

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 12:12



Comentário de: Aperitiva · http://www.uniblog.com.br/aperitiva

O mais engraçado é que tem homem que ACHA que a
gente gosta desse tipo de abordagem (gostosa,
cavalona,tesuda...). Eles dizem o seguinte:
- Ah, mas se elas não gostam porque ficam caladas?

A resposta é simples: xingar pode ser perigoso.
O revide é ainda pior porque ou o cara acha que
é uma brecha pra chegar em vc e te convencer de
que tá errada. Ou o cara tira onda da sua cara e
rí do seu xingamento.

É horrível não poder caminhar sozinha à noite.
É horrível não poder apenas beber uma cerveja, num bar.
É horrível ter que tomar cuidado ao se abaixar
pra pegar aquele produto que tá na prateleira de
baixo, no supermercado. Afinal, alguém pode ficar
secando o seu cofrinho.
É horrível procurar emprego e levar cantada na
entrevista.
É horrível ser encoxada no ônibus ou ter que fazer
contorcionismos por causa do safado que sentou
do seu lado e não fica de perna fechada.
É horrível ter o seio apalpado na consulta ao dentista,
quando ele finge que deixou cair um instrumento
qualquer sobre o seu peito.
É horrível não poder pegar táxi sozinha à noite.
Enfim, é horrível ser mulher num país como o
Brasil.

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 12:25



Comentário de: Alessandra · http://alessandrasouza.blogspot.com

Só um comentário, para dar uma informação extra: toda mulher, ao ser abordada por um homem estranho, tem que decidir em alguns segundos se aquele cara é uma ameaça, um chato, ou uma pessoa legal. O instinto manda que o primeiro impulso seja considerar o homem estranho como inimigo até prova em contrário - porque o custo de não fazer isso é extraordináriamente alto.

Então homens, saibam disso: quando você chega do nada em uma desconhecida, até que você prove que é civilizado, você é o inimigo. É triste e é injusto, porque a maioria dos homens no mundo são pessoas boas que não têm a menor intenção de fazer mal a uma mulher estranha, mas para nós é necessário, e é triste e injusto para as mulheres também.

Portanto por favor, não se sintam pessoalmente ofendidos quando a garota com quem você puxou papo responder em monosílabos ou sair de perto. Ela n~]ao te conhece, então você é uma ameaça em potencial, e ela prefere perder um possível amigo ou namorado a ter que lidar com um estuprador ou um don juan sem noção.

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 14:21



Comentário de: Carlo

Sobre o primeiro relato: Esses caras que cantaram/assediaram a moça eram uns babacas, porque não perceberam que ela não usava uma calça auto colante especificamente escolhida por noventa e tantos por cento das mulheres para mostrar à platéia o quanto são (ou seriam) gostosas (tomara que me comam – mas só com os olhos, não com a boca). São babacas os homens por não perceberem que a moça não usava um daqueles sutiãs que projetam os seios "para cima e avante", como muitas fazem para, haaan..., torná-los atraentes a todos os grandes bebês mamões que os possam ver em locais públicos. Não que toda mulher que use esses apetrechos mereça ser cantada – há outros condicionantes. E tantas outras coisas que esses babacas não viram, e no entanto agiram como se tivessem visto...

Esses caras também podem ser babacas, caso ela usasse aqueles artifícios, por não perceberem que ela os usava para chamar a atenção de outras mulheres. Ou só a de algum ser imaginado por sua mente.

Caso ela usasse mesmo esses artifícios e manhas, esses caras seriam uns malas porque insistem num tipo de comportamento macho-darwiniano que não percebe que no nosso meio social, mais artificial que natural, muito mais cool é ser gay, castrado expressivamente, ou sexualmente indiferente. E é de bom tom também considerar que a minoria geralmente está certa e que a maioria está errada. E também que na minoria da vezes estamos certos e na maioria errados.

Os que gritam na rua para uma mulher sexualmente atraente, ou por um time de futebol, são idiotas, pois sexo e futebol são... Ah, isso é assunto pra outra hora.

O segundo texto só comprova a idiotice dos homens, que morrem 10 a 20 vezes mais que as mulheres por causas violentas e vários anos antes que elas por causas "naturais". Mostra também o quanto falam bobagens e não percebem o quão ridícula e perigosa é sua própria situação.

Sobre o terceiro texto, acho que está mais próximo da cena real e que muito melhor se aproxima dela do que o primeiro. Acho que a compreende melhor e mais amplamente, porque a observa e relata baseado em mais pontos de vista que um único, ou aquele de um único gênero ou parte.

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 16:51



Comentário de: Rachel

Como eu acho empatia importante para todos os lados da moeda, eu mesma já tentei ver o lado dos homens que se "aprochegam".

Sei que existe pressão para mostrar-se macho, etc e tal... mas isso é como explicar sociologicamente roubos: ajuda entender, mas não exime (principalmente porque "cantador" de rua 50% das vezes não é "ignorante" ou pobre... isso é um mito pela minha experiência).

Instintos sexuais podem e devem ser controlados quando invadem o espaço alheio, e se eu eu digo isso não é sendo anti-homem, é por CRER que os homens são seres humanos capazes de empatia. É por amar os homens e por fé neles. Quem constrói pirâmides e inventa a penincilina tem que ser capaz de respeitar o próximo.

AH, e um adendo! Saiba que se eu cantasse todo cara que faz minhas pernas tremerem na rua, na praia, na academia, eu provavelmente seria hospitalizada...

PermalinkPermalink 28.12.10 @ 22:19



Comentário de: Sara · http://www.leaoafeminado.blogspot.com

Tá.

Mais uma vez.

A mulher poderia andar NUA, que ninguém tem o direito de desrepeitá-la.Nem de acuá-la,nem de passar a mão nela.Nem de xingar palavrões absurdos com amigos imbecis pra provar que é macho.

Sabe porque?

Porque é o espaço DELA.Se ela gosta de ouvir putaria,não descubra isso apenas esbravejando tudo que vier a sua cabeça.Porque ela pode não gostar.

A roupa que ela usa não dá sinal de merda nenhuma.Nem o jeito que ela anda.

Uma série de pessoas pensaram exatamente o contrário no dia em que a garota Geyze foi para a faculdade com o vestido.

"Ahhh,mas ela provocou né?"
"Ahhh,mas ela não poderia ter ido com um vestido melhor?Esse tipo de roupa não é pra ir pra faculdade."

Como disse uma vez meu querido Kurt:

Não se ensina as mulheres a se "comportarem" pra não serem violentadas.Se ensina os homens a serem mais humanos.


PermalinkPermalink 29.12.10 @ 00:41



Comentário de: raf

Essa discussão é enfadonha. Chata para cara*o.

A única coisa efetiva a ser feita é; homens e mulheres aqui presentes: ensinem seus filhos a respeitarem as mulheres. Ensinem tb isso a suas filhas, pra que elas possam passar isso pra frente.

O resto pra mim é conversa do boteco. Mas, bem, divirtam-se a vontade.

Cheers.

PermalinkPermalink 29.12.10 @ 00:50



Comentário de: Airthon

Os textos convencem quanto à opressão que há em muitos desses comportamentos masculinos. Confesso que não me lembro de ter parado pra pensar mais detidamente alguma vez sobre essa situação. Mas tudo pra mim fica mais complexo quando vejo mulheres reclamarem, aqui nos comentários, da "chegada" de homens em momentos em que elas estejam sozinhas em bares sem intenção alguma de paquerar. Como o cara vai adivinhar a ausência de vontade de paquerar? Não é dado ao homem ainda hoje, na maioria dos casos e seja lá por que conjunção de fatores sociais e naturais, o papel de tomar a iniciativa da aproximação e, portanto, não é esperável e justo que muitos tomem essa iniciativa? Veja-se que quando foi falado dessa chegada em bar se generalizou, falou-se da aproximação educada ou não.

PermalinkPermalink 29.12.10 @ 05:11



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Sei lá. Por algum motivo o pavão tem aquelas penas, as flores são coloridas e o choro dos bebês incomoda.

As interações entre a psicologia e a biologia são complexas demais pra caberem numa regrário maniqueísta de conduta.

Porém, se esses grupos mais engajados de mulheres quisessem MESMO até começar a resolver o problema (as opposed to reclamar infindavelmente – q parece ser o objetivo último de quase todo grupo engajado), seria até fácil: faça-se uma campanha geral em q os mexedores fossem explicitamente chamados de cretinos, imbecis e idiotas. Aparece um cara mexendo e aí o eslôgã: "Você é um idiota."

Mas claro, nunca nenhum engajado vai admitir q obtém mais benefícios reclamando do q resolvendo.

PermalinkPermalink 29.12.10 @ 12:35



Comentário de: raf

Permafrost,

(se voltar a ler aqui, obviously)

Porque será que é tão generalizado o gosto por reclamar infindavelmente?

Eu fico de saco cheio já no primeiro argumento, se vejo que trata-se disso. Mas parece que o povo em geral tem uma disposição interminável.

Será que isso tem alguma funcionalidade? Ou foi só falta de sorte evolutiva?

A única utilidade plausível que pensei pra isso foi: passa-tempo. Quando penso nessa possibilidade (e imagino possíveis cenas disso nascendo e sobrevivendo sobre o resto) me racho de rir.

PermalinkPermalink 30.12.10 @ 00:56



Comentário de: Hilton Ferraz

morro de medo de comentar neste blog

PermalinkPermalink 30.12.10 @ 16:34



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

raf,
Apesar de saber q a primeira coisa q qqer pessoa aprende na vida é q "quem não chora não mama", tbm sei q mamar é preciso. Só q não dá pra tirar água de pedra nem simplificar o q é por natureza complexo. Claro q homens idiotas são um estorvo pràs mulheres. Mas a reclamação delas é quase como estar numa batalha e reclamar do barulho e da matância das bombas. Então, não discuto o teor da reclamação.

A coisa é muito mais complexa do q parece ao olhar apenas de UMA das facções de UM grupo de UM dos muitos lados da questão. Sempre lembro q uma vez, durante uns amassos com uma mulher, respeitei seus limites até nos mínimos detalhes "ah, não" "pára" &c e... exatamente no dia seguinte, por telefone, ela me chamou de "frouxo". Do mesmo jeito q tem feministas q abominam mulheres q dizem coisas como essa, TAMBÉM existem mulheres q DIZEM coisas como essa. Então, se é pra ser uma democracia...

PermalinkPermalink 30.12.10 @ 17:18



Comentário de: Kitagawa

Confesso que aprendi alguma coisa, sim. Claro que esse problema citado no post, sempre tive consciência de que existe e que é um problema. Mas talvez não tivesse consciência de sua devida dimensão, de como isso faz parte da vida mulher em tempo integral, de forma que isso é fundamental para que elas sejam o que são. Esse desconforto quase cronico, nós não sabemos o que é isso. Nem adianta imaginarmos assediados constatemente pelas mulheres na rua, mesmo que feias velhas e pelancudas. Talvez esteja mais próximo de sermos constantemente assediados por gays bombados, como sugere o "Homem" aí em cima.

Agora, falando pelo lado dos homens, percebam como enfrentamos muitos dilemas também. As mulheres parecem querer ser assediadas (tá, paqueradas) apenas no momento certo, da maneira certa e, claro, pelo homem certo. Aí, fudeu, né? Haja sensitivismo. A mulher pode reclamar que quer poder tomar uma cerveja em paz, mas eu sei que toda mulher, dependendo do momento, também fantasia em encontrar alguém em situações corriqueiras como essa. E também podem ficar frustradas por ficarem horas bebendo sozinhas num bar e nenhum marmanjo no recinto nem ao menos esboçar um olhar, bando de frouxos assexuados, devem ser gays. A maioria dos homens sabe quando está sendo um babaca intrometido, mas sempre conhecemos algum babaca que se dá muito bem se intrometendo no meio das mulheres, de forma que achamos que temos que bancar o babaca intromeitdo de vez em quando, senão não "catamos" ninguém. É claro que nem estou falando mais de ficar gritando "gostosa" pra gostosa do outro lado da rua, mas da movediça fronteira entre assédio e paquera.

PermalinkPermalink 30.12.10 @ 21:31



Comentário de: raf

Permafrost,

Eu sei. Se querem reclamar, reclamem. Não foi essa minha questão. Minha questão nem é exatamente sobre pq algumas mulheres gostam de reclamar sobre esse problema delas. É mais amplo. Tô falando da questão de gostar de reclamar infindavelmente, raramente indo ao que interessa: uma solução p/ o problema. Isso é bem mais amplo, e se aplica a maior parte da população desse planeta (ao que me parece).

Se eu tenho algum problema, tento pensar numa solução pra ele. Não tenho saco pra ficar chorando por causa do barulho de uma guerra. Isso não vai fazer parar mesmo.

Minha questão é: pq essa característica é tão disseminada? Pensei em algumas possibilidades, como: uma massa populacional que mais reclama do que vai direto ao ponto resolve os problemas é bem mais fácil de ser manipulada por líderes que clamam ser capazes de resolver tudo. (disso, e doutras coisas, nasce a idéia do salvador, aquele que vai trazer bem estar a todos, o grande solucionador de problemas. Jesus, Lula :). Essa questão é extensa e não cabe eu destrinchar tudo aqui nos comentários. Mas uma parte principal de como vejo isso é o que eu disse. Passa-tempo. Essas duas coisas, e várias outras, parecem andar juntas.

Só não consigo deixar de achar graça quando alguém não faz nada pra resolver um problema e fica incessantemente reclamando dele. Obviamente um reclamão é um cara chato e o papo dele me cansa rápido.

Sinto uma ironia nisso tudo:
- o problema que não cessa
- a falta de atitulde
- a reclamação imparável
- a transformação natural e imperceptível disso num passa-tempo (afinal, o que mais se faz num buteco? Reclamar. De tudo e de todos).

um abraço

PermalinkPermalink 31.12.10 @ 02:15



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

raf,
Ah, sim. Reclamação compulsiva é quase doença. Pela análise transacional, é vista como um jogo patológico chamado "Yes, but..." ("É, mas...") Pra toda sugestão q vc dá à pessoa pra ela resolver seu problema, ela começa a resposta dizendo "É, mas..."

-As mulheres se sentem constantemente violentadas, nas ruas.
-Elas podiam andar armadas.
-É, mas é perigoso carregar uma arma.
-Então elas podiam aprender caratê.
-É, mas os homens são sempre mais fortes.
-Então elas podiam mudar seus percursos.
-É, mas tem lugares q não dá pra evitar.
-Então elas podiam votar por uma lei que penalizasse os mexedores.
-É, mas seria a palavra de um contra a de outro.
-Então elas podiam incentivar políticas públicas pra conscientizar as pessoas sobre o problema.
-É, mas ¿cadê a vontade política?
-Então elas podiam tentar abrir uma ampla discussão a nível nacional pra tentar equacionar uma solução q tentasse conscientizar as pessoas pra que elas tentassem passar uma lei que tentaria penalizar os mexedores.
-É, mas a sociedade como um todo é muito machista.

É um jogo em q ambos os lados ganham pontos neurótico-narcísicos. Aprendi com Eric Berne: qdo ouço o primeiro "É, mas...", me calo.

PermalinkPermalink 31.12.10 @ 17:11



Comentário de: Proform Treadmill · http://proformtreadmillblog.com

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PermalinkPermalink 19.11.11 @ 12:04



Comentário de: HTC Sync · http://htcsync.org/

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PermalinkPermalink 29.11.11 @ 11:14



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