Hoje Fui Humilhado

Hoje fui humilhado. E foi bom.

Não interessam os detalhes. Nem teve nada a ver comigo. Escritório da Imigração norte-americana. Estava servindo de intérprete na entrevista de cidadania de um brasileiro que já mora aqui há mais de vinte anos. Fui humilhado eu. Foi humilhado ele. Poderia até ter aberto a boca, mas e daí? Não estava valendo nada pra mim: meu amigo é que se fuderia.

Engoli calado. Engolir calado dói. Talvez essa seja a essência da humilhação: quando um leitor babaca nos comentários ou um mendigo bêbado na rua me xinga, eu posso escolher responder ou não - geralmente, não respondo. Mas é uma escolha. Quando um oficial da imigração me humilha e não posso responder, aquilo é cancerígeno.

Mas é bom. É bom porque me lembra por quem estou lutando. No Brasil, nunca fui humilhado. Todo mundo me trata com deferência de cidadão. Duas vezes já desafiei a PM a me prender e nada. Mas é preciso me lembrar sempre que minha situação é sui-generis. Que aqui a Imigração me humilha, mas no Brasil tem cidadão que é humilhado em todos os seus encontros com a máquina do estado. Que eu posso fugir para o Brasil mas ele não tem pra onde fugir.Brasileiros nos Estados Unidos: Hollywood e Outros Sonhos

Então, é por ele que eu luto. E é bom sentir a dor dele na pele de vez em quando.

* * *

O texto abaixo foi originalmente publicado em outubro de 2007 e desenvolve melhor esses temas.

* * *

"Vou Voltar pro Brasil, Onde Não se Humilha Ninguém!"

Matéria do Globo de ontem denuncia os maus-tratos sofridos por brasileiros em aeroportos do exterior. Uma das histórias é a da jogadora de vôlei que, mesmo tedo sido convidada por um clube espanhol, não pôde entrar no país e ainda foi humilhada pela imigração. Ela desabafa:

"Não quero mais sair do Brasil. Aqui, pelo menos, eu não sou humilhada da forma que fui lá na Espanha."

Engraçado como as pessoas passam pelas mesmas situações e tiram conclusões tão diferentes.

* * *

Nova Iorque, imigração do JFK. Estou todo enrolado, sobretudo em um braço, mochila no outro, coisas penduradas por todo corpo. Quando o oficial da Imigração pede meus papeis, eu estico a mão até ele, documentos dobrados entre os dedos, mas sem desgrudar o antebraço do meu corpo, pra não cair tudo. Ele faz que vai pegar o papel: quando eu solto, ele tira a mão. Os documentos deslizam vagarosamente até o chão enquanto ele diz:

"Can't you even unfold it, you lazy sac of shit?"

Coloco lentamente todas as minhas coisas no chão, me abaixo, pego o papel, desembrulho e dou pra ele. Não foi nem a primeira nem a última vez que fui humilhado entrando nos Estados Unidos, mas foi a pior.

* * *

Manual do Turista BrasileiroO brasileiro que tem condições financeiras de ser humilhado no exterior é justamente aquele que nunca é humilhado no Brasil.

Na minha terra, sou dotô, sou sinhozinho. Até nas duras, me tratam com respeito. Do Galeão afora, entretanto, sou só mais um, com cara de latino nas Américas e de árabe na Europa. Não sabem como sou especial, que sou único, que tenho pai rico, que faço doutorado, que escrevo romances, esses estrangeiros ignorantes!

Entretanto, reagir à vergonha idealizando o Brasil como um país onde não se humilha ninguém é uma ilusão. Quando me humilham, tento me colocar no lugar daqueles brasileiros que são humilhados todos os dias, e não apenas quando escolhem viajar.

Peça para a Lucicreide parar de limpar sua privada um instante e pergunte a ela como se sente a cada vez que precisa da polícia, da saúde pública, do governo. Tomem um cafezinho juntos e troquem histórias tristes de humilhações passadas. Quem sabe essa experiência compartida não era o que faltava para vocês vencerem o fosso social e se irmanarem de vez?

Depois do café, claro, mande ela de volta pra privada e vá fazer as unhas, que ninguém é de ferro.

* * *

Pós-Escrito

Tenho certeza que vai vir alguém falar mal dos Estados Unidos, então deixa eu contar uma coisa: cresci na comunidade internacional, entre diplomatas e executivos que moraram pelo mundo todo. Trocamos muitas histórias. Já visitei vinte e tantos países. E não conheço nenhum tão aberto ao cidadão estrangeiro, onde ele tenha mais direitos e menos impedimentos, do que os Estados Unidos. Se você acha que o Brasil é um paraíso, primeiro encontre algum estrangeiro que viva e trabalhe aí (não é tão comum quanto aqui, em parte por causa das leis trabalhistas impossivelmente restritivas) e, depois, pergunte sobre as dificuldades legais e burocráticas que ele sofre. Eu prefiro ser estrangeiro nos EUA do que em qualquer lugar do mundo.

Andei lendo muito sobre humilhação para meu romance Empregadas & Escravos. Quem tiver mais interesse, recomendo fortemente o livro de Fernando Braga Costa, Homens Invisíveis, sobre suas experiências entre os garis de São Paulo, e a Condição Operária, de Simone Weil, sobre o cotidiano das fábricas francesas. São dois livros sensacionais, que mudaram muito a minha "percepção de sinhozinho".

 Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social FERNANDO BRAGA DA COSTA   Condição Operária: e Outros Estudos Sobre a Opressão SIMONE WEIL

* * *

Meu livro Liberal Libertário Libertino reúne minhas melhores crônicas de 2003 a 2007, incluindo clássicos como Fantasmas de Felicidades Passadas, Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas e Manifesto Libertário. A primeira edição, de 2007, esgotou e a segunda edição, de 2010, aumentada e revisada, conta com dois novos textos - inclusive um novo epílogo à narrativa do Katrina.

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21.12.10


Categorias: Política


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(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

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Comentários:


Comentário de: Dandi · http://dandi.blogspot.com

já passei por essas e tive o mesmo pensamento. Minha ideia não foi encontrar um lugar onde eu não fosse humilhado, mesmo sendo homem branco e classe média alta, minha ideia foi em lembrar todas as pessoas que sofrem isso por apenas serem de uma cor ou de um país ou de uma classe social renegada. Minha ideia foi a revolta!

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 01:41



Comentário de: Rachel · http://riogringa.com

Oi Alex, faz tempo que deixo um comentario aqui! Anyway, I liked this post a lot. I'd argue that all travel involves some degree of humiliation, and living abroad always has a lot of humiliation, no matter where you come from or where you go. That said, the kind of treatment Brazilians deal with at customs in the US and Europe is god awful and it makes me mad. Is there anywhere to issue complaints about the kind of thing that happened to you? It makes my blood boil. But I agree that humiliation can sometimes be a good thing. It can help give some perspective. Abs, Rachel

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 02:19



Comentário de: Contravento · http://contravento.net

Olá Alex, parabéns pela lucidez, pelo texto.

Ontem também fui humilhada aqui em São Paulo. Perto de casa, num condomínio fechado. Acontece que nunca sou identificada como moradora, embora já esteja aqui por mais de 10 anos. Tem a ver com o fato de eu ser discreta, não achar que vizinho é família.

Mas também tem a ver com eu não "ser alguém" que "pareça" morar onde moro. Uma negra, vestida de maneira simples, de cabelos curtos ao natural, a pé... É qualquer coisa, nunca uma vizinha. Confesso que doeu muito e fiquei sensibilizada por você ter sentido o mesmo.

Um abraço.

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 07:58



Comentário de: Aperitiva

Alex, eu tentei me concentrar no seu texto, mas
fiquei mesmo é martelando uma coisa: porque vc
teria que ser intérprete de uma pessoa que mora
há 20 anos nos EUA? Tipo, passou da hora do cara
aprender ingrês, nem que seja pelo método
Luziana Lana.


PermalinkPermalink 21.12.10 @ 08:12



Comentário de: rodrigot · http://twitter.com/rodrigot

nunca mais haverá um texto inédito no lll...

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 13:20



Comentário de: Alex Castro Email

ah rodrigo, nao seja injusto. o começo do texto é inédito e poderia perfeitamente se sustentar por si só. :) além disso, o pool de leitores muda muito, a maioria dos leitores atuais comecou a ler recentemente. :)

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 13:25



Comentário de: Alex Castro Email

aperitiva,

vc não deve ter mt contato com comunidades de brasileiros no exterior, mas é qs sempre assim. eles se juntam em enclaves, só circulam no próprio enclave, trabalham com brasileiros, etc. quase todos estao aqui pra economizar rapidamente e voltar para o brasil. entao, o investimento de aprender ingles nao se paga. no tempo q demoraria pra aprender ingles, o cara prefere pegar mais um trabalho, mais uma obra, mais um conserto, e ganhar mais uns trocados. no resto do tempo, trabalha com brasileiros, anda com brasileiros, faz compras no mercadinho brasileiro, vive sempre dentro dessa comunidade, falando ingles sempre.

aqui em nova orleans sao mt raros os imigrantes brasileiros q falam ingles - praticamente só os que vieram estudar.

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 13:27



Comentário de: Tarrilonte · http://quartapessoa.blogspot.com

Quando eu te humilho, é meu direito sagrado. Quando você me humilha, é um ultraje.

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 15:16



Comentário de: Mordechai

Então o cara passou 20 anos tentando economizar rapidamente pra voltar pro Brasil?

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 15:48



Comentário de: Felipe

Cancerígena é a curiosidade que você nos faz sofrer pelos detalhes da situação. Sei que pra essência do texto pouco importa, mas mesmo assim... bom sou curioso, é isso.

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 15:51



Comentário de: Alex Castro Email

"Então o cara passou 20 anos tentando economizar rapidamente pra voltar pro Brasil?"

No caso especifico do meu amigo, como de tantos outros, ele veio pra trabalhar, juntar dinheiro e voltar, mas foi ficando e ficando por uma série de acidentes de percurso, mas sempre vivendo e e trabalhando dentro da comunidade brasileira, até o ponto em que ele se deu conta de que não tinha vida pra voltar no Brasil, que sua vida estava toda aqui e que, pelo tempo que passou no país, poderia aplicar para ser cidadão.

Esse percurso tb é bastante comum. Eu quero voltar logo pra não "ir ficando" aqui também.

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 15:52



Comentário de: Marcelo Camanho

Aliás, sobre o cotidiano das fábricas francesas: não sei de quando é o livro da Simone Weil, mas atualmente estão MUITO longe de qualquer coisa parecida com humilhação.
Recentemente estive visitando um amigo que é diretor de uma fábrica na França e fui convidado a conhecer as instalações: parecia um laboratório, de tão limpas. Salas de "descompressão" para relaxamento, cafezinho etc.
Segundo ele, nenhum país dá tantas condições de trabalho como a França. Humilhação?

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 17:23



Comentário de: Alex Castro Email

hahahaha.

olha, uma coisa q NAO vai acontecer nessa caixa de comentarios é se colocar em discussao a vida ou as escolhas de vida de uma terceira pessoa q eu gosto, q eu tentei ajudar, q nao tem nada a ver com esse blog e q nem sabe que eu falei sobre ela (nem q seja sem dar nome nem nada aqui).

o UNICO motivo que me leva a apagar comentários é justamente criticar pessoas q eu expus.

para mais detalhes, sugiro consultar os termos de uso: http://www.interney.net/blogs/lll/2010/02/06/termos_de_uso_do_blog_liberal_libertario/

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 17:23



Comentário de: Deborah Leão · http://arealidadeelouca.wordpress.com

Marcelo, será que realmente cabe a você decidir o que o cara deve fazer ou não? As escolhas são dele. Se ele não tem mais vida no Brasil, quer ser reconhecido como cidadão no país onde vive. Tá cheio de gringo no Brasil que criou vida aqui e não fala português - já fui vizinha de um, estava aqui há mais de 10 anos, e só falava inglês.

Sobre as humilhações, no caso das mulheres, ainda existe o agravante da humilhação sexual. Já sofri assédio de um segurança do consulado americano quando tinha 17 anos e estava na fila do visto. É uma sensação de merda, estar ali, sendo agredida e humilhada, com medo, e ter que ficar quieta, para não me ferrar.

Não tem como não pensar nas pessoas que passam isso para receber os serviços mais simples.

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 17:24



Comentário de: Alex Castro Email

marcelo,

nao entendi bem seu comentario. e daí? a simone weil estava escrevendo sobre sua epoca, sobre sua experiencia... o fato das coisas estarem melhores 80 anos depois invalida isso?

seu outro comentario foi apagado, por infringir o UNICO criterio de exclusao de comentarios do blog.

em casos de duvidas, consulte os termos de uso:

http://www.interney.net/blogs/lll/2010/02/06/termos_de_uso_do_blog_liberal_libertario

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 17:33



Comentário de: Sonster Mei

(Sobre os idiotas que sofrem na fila do visto para os EUA) Eu acho muito idiota alguém querer ir para um país que não quer você, nem como turista. Que tal gastar seu dinheiro num lugar onde seria recebido de braços abertos?

PermalinkPermalink 21.12.10 @ 17:38



Comentário de: Marcelo Camanho

Opa, foi mal. Não tive intenção de ofender ninguém, e concordo plenamente com as normas do blog.

Quanto a humilhação, tirando os casos extremos (como o da Deborah acima), a melhor maneira de reagir é... não se sentir humilhado. Não é fácil (alias é bem difícil), mas é um exercício válido porque você ganha a consciência de que agressões não físicas só podem te atingir se você deixar.

Nos casos em questão, de burocratas grosseiros "apenas fazendo o seu papel", o método recomendado é manter um sorrisinho irônico no canto da boca e obedecer calmamente as ordens do energúmeno. Em cinco minutos ele vai: (a) perceber que está sendo um idiota; ou (b) explodir de raiva...

PermalinkPermalink 22.12.10 @ 12:00



Comentário de: Carla · http://www.bailedemascaras.blog.br

Sempre instigantes os seus textos. E os livros indicados me despertaram curiosidade.

PermalinkPermalink 22.12.10 @ 13:24



Comentário de: Bear

Não diria que fui humilhado mas com certeza fui desrespeitado, reagi e quase fui mandado de volta, na minha primeira vez nos EUA. Na segunda, entrei nos EUA vindo do Canadá e não tive problema.

Por outro lado, nunca fui humilhado em Lisboa, Paris ou Londres, meus pontos de entrada na Europa. Em alguns casos posso dizer que fui até tratado com bastante cortezia (tirando a fila).

Em parte por isso, há mais de 15 anos não vou aos EUA ...

PermalinkPermalink 23.12.10 @ 01:59



Comentário de: Moacir

"...até o ponto em que ele se deu conta de que não tinha vida pra voltar no Brasil, que sua vida estava toda aqui e que, pelo tempo que passou no país, poderia aplicar para ser cidadão."
Até aí, tudo bem, mas eu acho que nenhum país-nem os EUA, nem o Brasil, nem Cuba- deveria aceitar como cidadão (o que é diferente de turista, residente, trabalhador legal, refugiado, etc.) alguém que não fale a língua oficial (ou, no caso de países sem língua oficial, a língua em que os assuntos de Estado são conduzidos).

PermalinkPermalink 25.12.10 @ 14:51



Comentário de: Alex Castro Email

Moacir,

nos EUA, para ser cidadão, é necessário falar inglês. Mas, para várias etapas intermediárias do processo, q é longo, a pessoa pode usar interprete sim.

PermalinkPermalink 25.12.10 @ 15:06



Comentário de: Moacir

Ah, então, desculpe-me por favor. Eu sabia que o inglês é exigido dos candidatos à naturalização, mas pensei que o seu amigo se encaixasse em alguma grandfather clause ou programa de incentivo que dispensasse a necessidade. Então, eu retiro o que eu disse e desejo boa sorte para ele no processo de naturalização. Se possível, depois, conte-nos se deu tudo certo com ele.

PermalinkPermalink 26.12.10 @ 16:12



Comentário de: AJ Ramos

A tal jogadora disse: "Aqui, pelo menos, EU não sou humilhada da forma que fui lá na Espanha." O que é um bocado diferente de "reagir à vergonha idealizando o Brasil como um país onde não se humilha ninguém." Quem vai a um país onde é maltratado "se colocar no lugar daqueles brasileiros que são humilhados todos os dias, e não apenas quando escolhem viajar" provavelmente tem tempo demais nas mãos.

PermalinkPermalink 26.12.10 @ 21:30



Comentário de: Lucas Húngaro · http://thoughts.lucashungaro.com/

Olá Alex!

Há tempos leio alguns artigos do seu site através de um amigo que compartilha-os no Google Reader. O "problema" é que ele praticamente só compartilha os textos que esculacham com o Brasil (muitas vezes merecidamente). Eu fico um pouco irritado com isso pois, enquanto sei que o Brasil tem muita coisa errada, também sei que não somos uma merda total (e também me sinto muito ofendido quando ouço coisas do tipo "jeitinho brasileiro" ou "brasileiro é tudo assim mesmo", afinal, sou brasileiro também).

Então resolvi ler outros textos e penso que, no geral, sua visão é equilibrada. Fiquei feliz com isso, acho que passará a ser uma das minhas leituras recorrentes.

Não gosto quando as pessoas começam com aquelas histórias do tipo "lá nos EUA (ou outro país rico) não é assim não, é do jeito tal e tal", sendo que elas sequer viveram nesses lugares para saber sobre as coisas boas e ruins de cada um. Vão só na base do achismo e do "ouvi-falar-ismo". Pior é quando o cara passou 10 dias num lugar como turista e vem com essas, sendo que obviamente quando você é turista, tudo é maravilhoso e todo mundo beija seus pés, afinal você tá lá é pra torrar grana.

Bom, agora sobre esse texto, acho um belo e merecido tapão na nuca de pessoas com visão limitada. Mas uma coisa sobre ele me incomoda, assim como vários outros em que você compara os EUA e o Brasil: acho que, sem querer, você acaba sendo parcial.

Explico: li esse texto várias vezes é a conclusão que chego é que, para você, só existem pobres e discriminados no Brasil. Nos EUA é tudo perfeito e ninguém está à margem da sociedade, nem os mais miseráveis. É provável que seja um preconceito meu contra suas ideias jogando no meu subconsciente, mas achei válido levantar essa bola e ver o que você tem a dizer. Em nenhum momento você fala isso explicitamente, claro, mas é a ideia que o texto me passa por não tocar nesse ponto.

É claro que, em números absolutos, há muito menos gente miserável nos EUA do que no Brasil. Por outro lado, entre os países ricos e desenvolvidos, os EUA são um dos que mais tem problemas de pobreza (12% da população; 33% no Brasil) e distribuição de renda.

Acredito que comparar os países diretamente é comparar maçãs e bananas: são históricos e contextos muito diferentes. É claro que eu quero que o Brasil seja tão bom quanto os países mais desenvolvidos do mundo e não quero tapar o sol com peneira achando que tudo aqui é lindo e maravilhoso. Temos muitos problemas e muita injustiça social (e gostei dos seus textos sobre isso). Mas também sei que não adianta ficar querendo fazer comparações diretas entre nenhum país: as coisas são bem mais complexas do que simples indicadores numéricos.

Bom, acho que ficou meio confuso porque falei tudo de uma vez, mas é isso.

Um abraço.

PermalinkPermalink 04.01.11 @ 17:26



Comentário de: Alex Castro Email

Lucas

Explico: li esse texto várias vezes é a conclusão que chego é que, para você, só existem pobres e discriminados no Brasil. Nos EUA é tudo perfeito e ninguém está à margem da sociedade, nem os mais miseráveis. É provável que seja um preconceito meu contra suas ideias jogando no meu subconsciente, mas achei válido levantar essa bola e ver o que você tem a dizer. Em nenhum momento você fala isso explicitamente, claro, mas é a ideia que o texto me passa por não tocar nesse ponto.

Obrigado pelos comentários, mas acho q vc está discordando e discutindo consigo mesmo. Nenhuma dessas coisas que vc concluiu ou teve a impressão está no texto. O texto não sugere nada disso.

Eu moro em Nova Orleans. Estava aqui durante o Katrina, quando os pobres e negros da cidade foram abandonados. A cidade ainda é, até hoje, significativamente pobre e desigual.

Vc está discordando de coisas que estão na sua cabeça: nada disso está no texto.

http://www.nola.com/opinions/index.ssf/2011/01/warehouse_deaths_are_a_wakeup.html

PermalinkPermalink 04.01.11 @ 18:02



Comentário de: Lucas Húngaro · http://thoughts.lucashungaro.com/

Alex, provavelmente essa minha conclusão se dá pelo fato de que o texto coloca as seguintes ideias:

1) quem é humilhado fora do Brasil não é humilhado aqui (correto);

2) no Brasil é comum que pessoas pobres sejam humilhadas o tempo todo (também correto);

3) compara com os EUA no tocante a um estrangeiro vivendo no país (em contraste ao primeiro ponto), que é o seu caso.

Então não há comentários sobre cidadãos americanos à margem da sociedade em seu próprio país. Eu esperava que tivesse esse contraponto também e, ao não vê-lo, fiquei com a sensação de ser algo parcial.

De qualquer forma, concordo com o argumento central e, pensando bem, talvez isso nem caberia, já que a sua intenção era mostar a visão "seletiva" de quem diz que é humilhado só quando é estrangeiro.

Não acredito que você pense que tudo é perfeito e maravilhoso em países desenvolvidos, até porque você mora em um e vê os problemas do dia-a-dia, ao contrário de muito "burguezinho" que só sai daqui como turista e fica pregando isso, mas também não tem bolas pra sair daqui e ir morar em outro lugar, justamente com medinho de ser discriminado (afinal, aqui ele é tratado como rei).

Obrigado pela resposta!

PermalinkPermalink 04.01.11 @ 18:26



Comentário de: Lucas Húngaro · http://thoughts.lucashungaro.com/

Ah, aproveitando esse link que você mandou, segue um artigo sobre um tópico relacionado que li hoje e achei muito bom: http://www.inventingaplanet.com/stereotypes-of-homelessness/

PermalinkPermalink 04.01.11 @ 18:29



Comentário de: Lucas Húngaro · http://thoughts.lucashungaro.com/

Ah, aproveitando esse link que você mandou, segue um artigo sobre um tópico relacionado que li hoje e achei muito bom: http://www.inventingaplanet.com/stereotypes-of-homelessness/

PermalinkPermalink 04.01.11 @ 18:34



Comentário de: Jorge da Silva

Vejo q existem casos que divergem ...eu morei nos EUA 8 anos (de 99 a 07) e sou obriga
do a a concordar q realmente, se o indivíduo
andar certo nada o incomodará...eles deixam
o indivíduo trabalhar....no entanto tentei
voltar em set/08....acho q na hora errada
(estava na época do furacão Ike) me voltaram do
aeroporto...na época eu achei o fim, claro a
pessoa programa, gasta os tubos, prá ver tudo
ir por terra mas não houve constrangimentos
apesar de o voltar por si só já ser um constra
gimento com o agravante de eu não poder voltar lá
por 5 anos.....mas eu espero.....


PermalinkPermalink 05.01.11 @ 18:25



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