A Revolução Francesa: Uma Pergunta

Ninguém nega (espero) a enorme importância da Revolução Francesa na História da Humanidade.

Quando cursei História na PUC-RJ, era o único evento a ter um curso obrigatório só para ele. Não a Segunda Guerra Mundial, ou as Cruzadas, ou a Escravidão - mas a Revolução Francesa.

De acordo com uma história deliciosa, mas certamente apócrifa, quando perguntaram a Mao Tse-Tung qual tinha sido a maior contribuição da Revolução Francesa, ele respondeu cripticamente:

"Ainda é cedo para saber."

Sobre ela, escreveu Tocqueville, um autor pelo qual tenho enorme carinho:

"I go back century by century to the furthest removed antiquity; I perceive nothing that resembles what is before my eyes. With the past no longer shedding light on the future, the mind advances in darkness". (Democracia na América, último capítulo)

Jacobinos Negros, Os  Democracia na América
A melhor obra sobre a Revolução Haitiana e a obra-prima de Tocqueville.

Como estudioso do século XIX, acabo sempre voltando à Revolução Francesa. Em termos de poder e economia, o século XIX foi totalmente dominado pelo Reino Unido - mas ele foi inventado na França. Para entender o século XIX tão inglês, é preciso sempre voltar aos filósofos iluministas franceses que o inventaram (entre 1750 e 1780) e aos revolucionários franceses que o implementaram (de 1789 até Napoleão). A Revolução Haitiana, talvez o evento mais impactante jamais acontecido no Hemisfério Ocidental, que determinou simplesmente tudo o que aconteceu no nosso lado do mundo durante o século XIX, onde tudo era feito ou deixado de fazer "para que não acontecesse um novo Haiti", não foi nada mais do que um episódio marginal da Revolução Francesa.

Agora vem a pergunta: qual é a idéia que VOCÊS têm da Revolução Francesa? Como a Revolução Francesa lhes foi ensinada? Vêem a Revolução Francesa como um evento positivo ou negativo?

É compreensível, por exemplo, que as Revoluções Russa e Cubana sejam vistas de formas bem diferentes e passionais. Dá para prever com bastante certeza quais dos seus amigos acham que a Revolução Cubana foi uma nova esperança de justiça social no mundo e quais acham que foi um tirânico banho de sangue. Afinal, são eventos muito próximos a nós - Fidel, ainda vivo, não me deixa mentir.

Três excelentes livros sobre a Revolução Francesa
A Revolução Francesa Cidadãos: uma Crônica da Revolução Francesa Antigo Regime e a Revolução, O
A Revolução Francesa, de Hobsbawm // Cidadãos, de Schama // Antigo Regime e Revolução, de Tocqueville

Mas fico fascinado pela polarização que a Revolução Francesa, tão distante, ainda causa. O evento, que deveria já estar enterrado na poeira do tempo, ainda faz sangues ferverem e vozes se levantarem. Talvez Mao esteja certo: se ainda somos assim tão passionais, provavelmente ainda é cedo pra saber seu verdadeiro impacto.

E você? O que acha?

* * *

Aproveite e me diga também: a Revolução Russa e Cubana, boas ou runs? Positivas ou negativas? O mundo está melhor ou pior por causa delas?

* * *

Por fim, o melhor livro mesmo sobre a Revolução Francesa é esse aqui:

Echoes of the Marseillaise: Two Centuries Look Back on the French Revolution

Ou baixe uma versão escaneada da esgotadíssima edição brasileira.

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19.11.10


Categorias: Livros


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Comentários:


Comentário de: Bruno Ribeiro · http://www.botequimdobruno.blogspot.com

As revoluções russa e cubana, que de certa forma descendem da revolução francesa, tiveram erros e acertos na mesma proporção. Mas, apesar de seus equívocos, foram responsáveis pelo pouco de beleza e de esperança que ainda há neste mundo.

PermalinkPermalink 19.11.10 @ 14:11



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Essa citação do Mao, eu conheci atribuída ao Zhou Enlai, mas para ele também deve ser apócrifa.

De todas as respostas possíveis, eu vou dar provavelmente a mais chocante: não sei quase nada sobre a Revolução Francesa. Até hoje não sei como consegui terminar o Ensino Médio e passar em três vestibulares de federal sem conhecer minimamente o assunto. Ajuda o fato de que a Revolução Francesa foi bastante confusa, no sentido em que ocorreu muita coisa em pouco tempo.

Do pouco que sei, tenho essa percepção de que foi a revolução que mudou o mundo. Em certo sentido, definiu a ética do mundo moderno: queremos igualdade, democracia, fraternidade, chega de privilégios da nobreza e imposições pseudodivinas. O que se decidiu depois, do século XIX em diante, é apenas a etiqueta da ética da Revolução.

Por outro lado, ela é bem o ápice do Iluminismo. Quando os enciclopedistas ganharam relevância suficiente, suas ideias saíram pelo mundo, mudando o mundo. A Revolução Francesa é a grande quebra de paradigma, o evento que criaria a possibilidade de um mundo novo, através da dialética violenta entre as antigas elites e os novos ideólogos.

Ok, o uso de "dialética" foi espúrio, confesso :P

De resto, a visão de que o século inglês foi pensado pela Revolução Francesa lembra a frase que o @torredemarfim acabou de soltar no Twitter: "A vantagem de ser um late-bubbler, como o Brasil, é aprender com a experiência alheia, e não própria. Aproveitaremos?" A nobreza inglesa teria aprendido com a Revolução Francesa? A minha impressão é que a Inglaterra aprendeu com o naufrágio francês a lidar com os novos ventos.

Enfim, devo ter falado um monte de besteira, mas acho que o exercício é justamente saber o que se pensa "al natural", né? Espero ter ajudado :)

Até!

PermalinkPermalink 19.11.10 @ 14:20



Comentário de: rayssa gon · http://presencadapeste.blogspot.com

Então, alex.
Eu aprendi a revolução francesa no ensino básico e na faculdade.
Na 5ª serie, a revolução francesa foi passada como a grande libertação do povo da opressão do clero e da nobreza. Blocão assim mesmo. E também teve um pouco daquela idéia de que as coisas desandaram , depois, por causa de homens feio e gananciosos a “essência” da revolução francesa se perdeu, claro.
Na faculdade, bem. Gostei muito da explicação da Lynn Hunt. Ela diz que a grande novidade de 1789 foi uma nova “cultura política”, um novo jeito de se discutir e participar da vida política, no espaço publico. Mais ou menos isso. O que eu mais curto é notar como, no começo, foi uma “revolta” nobiliárquica até o osso. E depois a coisa foi sendo tomada por outros setores, com outras propostas. Apesar do pessoa falar que não pode, eu até q curto o michelet. Acho ele fofo.

PermalinkPermalink 19.11.10 @ 14:42



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Achei um barato o jeito q vc liga sem ligar o poderio e influência da Grã Bretanha no século XIX à revolução francesa. Essa parte do texto é mais interessante pelo q vc não menciona, e por quê vc não menciona, do q pelo q vc de fato diz. Teu bias de análise social te influencia a atribuir apenas causas sociais sobre os fenômenos sociais.

Claro q vi q vc jamais DISSE q a dominação britânica foi inventada na França; mas olha aí nos comentários: já tem gente se perguntando.

O século XIX foi dominado pela GB pq ali tava havendo a revolução industrial. O q houve de novidade nos séculos XVIII e XIX foi a ciência e a indústria, ponto. Nos últimos 5 milênios, aconteceram muitas revoluções sociais parecidas com a revolução francesa – apenas não em alcance; e o alcance da francesa foi possibilitado pela industrial. A única influência sobre a GB q a revolução francesa teve naquele século foi transformar grande parte da economia européia numa baderna q atrasou a competitividade da Europa continental em uns 80~100 anos. É por essa e por outras q hoje a lingua franca da Europa toda é o inglês.

PermalinkPermalink 19.11.10 @ 16:25



Comentário de: alex castro

plausivel,

o livro do hobsbawm faz uma analise interessante sobre como o termo "revolucao industrial", criado a posteriori, é inspirado na Revolução Francesa - e, aliás, seria tb falso, pois o que acontece na industria da Inglaterra não tem nada de revolucionário...

PermalinkPermalink 19.11.10 @ 17:16



Comentário de: Gabriel F.

Recordar a Revolução Francesa e ótimo pra lembrar a reformistas como eu - e quase todo mundo nesses tempos atuais - que mudanças estruturais das relações de poder só se dão mesmo a base sangue e destruição. A Revolução Russa também é uma relativa boa lembrança pra esse efeito.

A Revolução Russa, de Lenin, ainda faz brilhar olhinhos fora dos PSTU's, o problema foi que o Napoleão deles (Stálin) deu certo, assim ela pode até ser vista por alguns como um momento histórico com começo, meio e fim. Já a Revolução Francesa teve essa sorte de não ter a sua "era" dentro de si mesma, ficou pra história só como evento, como ruptura, como se os acontecimentos dos tempos que se seguiram não fizessem parte de um corpo uno, mas só de um espírito. A Revolução Russa deu errado porque deu certo e a Revolução Francesa deu certo porque deu errado. Não que ambas não tenham potencial pra deixar rastros por séculos e séculos ainda, mas cada uma tem o espaço que a história lhe deu, à parte de seus filósofos.


PermalinkPermalink 19.11.10 @ 17:18



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Por fim, o melhor livro mesmo sobre a Revolução Francesa é esse aqui:"

Hahahaha so no teu mundo vermelho atual :P

Hobsbawn esta para Revolucao Francesa como Chiavenato esta para a Guerra do Paraguai.

PermalinkPermalink 20.11.10 @ 05:28



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
No caso da industrial, tbm acho ruim o termo 'revolução'. Aquilo foi uma *explosão*. Caiu do céu como um meteoro. Não sobrou pra ninguém.

A explosão científica/industrial britânica dos séculos XVIII e XIX não deve nada à RevFran; mas esta deve àquela. Com os dados anteriores, conhecendo-se a natureza humana, a RF poderia ter sido prevista. Já a explosão industrial, foi uma completa surpresa: ninguém tinha noção das vastíssimas possibilidades da natureza domada; ainda tamos chafurdando no raso.

Se um parisiense do século XVIII viesse ao XXI, reconheceria imediatamente as relações entre a realeza corporativa e a plebe trabalhadora, mas ficaria perdido pra abrir uma torneira. Hoje, se vc olhar nos interstícios dos discursos sociais, verá os mesmíssimos privilégios, as mesmíssimas arbitrariedades q existiam antes da RF, q causaram a RF. O sangue azul continua fluindo inabalado: só mudou de veias e codificou melhor a hipocrisia.

Nada mudou além do q a ciência e a indústria permitiram. Ou seja, as chamadas "conquistas" da RF só permanecem pq a indústria nascente permitiu q fossem hipocritizadas em seu sistema de lucros.

Não nego a "importância da revolução francesa na história da humanidade", mas acho q ela é muito superestimada.

PermalinkPermalink 20.11.10 @ 07:52



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor das cotas para as Revoluções Francesas nas universidades públicas. As cotas para as Revoluções Francesas irão revolucionar francesamente a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso revolucionar francesamente a universidade pública. A universidade pública sem as Revoluções Francesas é a saúva moderna: ou o Brasíl acaba com a universidade pública sem as Revoluções Francesas ou a universidade pública sem as Revoluções Francesas acaba com o Brasil. Temos que acabar com essas saúvas. E as cotas para as Revoluções Francesas serão nosso tamanduá! Vamos defender as cotas para as Revoluções Francesas, Alex, eu te apoio nessa!


Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 20.11.10 @ 10:33



Comentário de: Arthur

Perma,

A revolução industrial não foi só uma revolução nas ciências naturais. Foi também uma revolução na tecnologia organizacional.

O modelo de governo inglês, que permitia esse novo tipo de organização por algum motivo não foi exportado. O modelo americano que também permitia esse tipo de organização tinha sido fundado sem as bases feudais, sendo difícil sua exportação para a Europa.

A revolução francesa em poucos anos muda as formas de governos em toda a Europa continental, de um modo que seria impensável sem uma completa ruptura como foi a Revolução Francesa.
Acho que esse é a principal influencia dela na historia.

PermalinkPermalink 20.11.10 @ 20:52




Arthur,
Isso q vc disse é fato. Meu ponto é q as mudanças deflagradas pela RevFran só permaneceram pq a ciência e a indústria as permitiram e acharam uso pra elas. (Como um parêntese, acho q a superestimação da RF e seu suposto papel no desenvolvimento da sociedade moderna é um exemplo da preferência por narrativas em vez de raciocínios; a história da RF tá repleta de dramas pessoais e sociais; a da revolução, digo, explosão industrial tá repleta de raciocínios – veja o linque.)

Note, por exemplo, q a civilização grega durou mais de 2 mil anos, mas o período de democracia grega durou menos de 200; ¿qto mais teria durado se o método científico tivesse sido contemporâneo? No caso da RevFran, dá bem pra se ter uma idéia: um forte indício de q tudo teria voltado ao q era antes foi o ascenso de Napoleão, nomeando-se imperador e deixando de lastro outros dois Napoleõzinhos. O "reinado" de Napoleão III – eleito presidente em 1848, e auto nomeado imperador após um golpe de estado em 1851 – só terminou em 1870.

Já a Grã-Bretanha, tem até hoje quase o mesmíssimo sistema parlamentar desde 1707; e não há dúvida de q o parlamento britânico foi fundamental no estímulo ao desenvolvimento da ciência e indústria nos séculos XVIII e XIX – essas mesmas ciência e indústria sem as quais a RevFran muito provavelmente teria sido apenas um tropeção temporário na longa história humana dos abusos, tal como foram apenas tropeções as dezenas de outras convulsões sociais parecidas q ao longo da história precederam a RevFran. A novidade q mudou tudo (tê-u-de-ó;) foi o advento do método científico e da indústria organizada.

PermalinkPermalink 21.11.10 @ 10:51



Comentário de: Nessa · http://garotacocacola.com.br

RÁ!
Fui dar uma lida nos comments antes de dar meu piteco, e me sinto embaraçada pelo fato de que venho humildemente falar da revolução francesa sem tantos termos usuais das galeras da História, que ficam discutindo nos diretórios acadêmicos. Minha área é exatas, mas eu me esforço até para aprender porque me chamaram de 'sectária' esses dias.
Não me lembro direito da Revolução Francesa, creio que tenha decorado nomes e datas, filosofias, como checklists na época do vestibular. Depois que passei na prova, as listas se esvaíram do meu cérebro, junto com todo o resto do extenso conteúdo que aprendi superficialmente, sem deixar vestígios para uma possível reflexão mais profunda.
Bem, eu só lembro minimamente da RF porque meu grupo do ensino médio teve que fazer um trabalho a respeito. Filmamos um curta. Devo ter no meu antigo HD... Bem, nós fizemos um colega nosso ler um artigo sobre a Revolução, enquanto passavam imagens que nós gravamos sobre nossa própria interpretação do que era o povo (filmamos nós mesmos vestidos com trapos agonizando num chão sujo, e depois vestidos de trapos mais inteiros, suados, trabalhando numa oficina no sotão da casa de alguém, num ambiente claustrofóbico), depois gravamos a vida da nobreza (um casal deitado sobre a grama comendo maçãs, sendo abanados por servos), e por fim, fizemos o clero (com perucas e capas negras, interpretamos bispos contando moedas e jóias arrecadadas). Concluímos o video com a nossa livre interpretação da queda da Bastilha, fazendo uma reflexão sobre o que representava aquilo que nós pensávamos ser uma grande rebeldia juvenil do século dezoito(?).
Não me lembro de fatos, datas, nomes, mas lembro do sentimento que o professor passou para mim sobre o que representou esse fato histórico. Ficou uma impressão de conformismo com o triste fato de que os homens se criam para pisar uns nos outros, e que é muito difícil mudar as coisas em larga escala sem derramar sangue - mesmo que hoje em dia esse termo possa significar outras coisas, e não assassinatos de fato.

PermalinkPermalink 21.11.10 @ 18:09



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Provavelmente o Márcio não vai ler isso, mas fica a pergunta: qual seria um bom livro sobre a Revolução Francesa?

PermalinkPermalink 21.11.10 @ 23:15



Comentário de: Marcio E. Goncalves

"Provavelmente o Márcio não vai ler isso, mas fica a pergunta: qual seria um bom livro sobre a Revolução Francesa?"

Pior que li. Dois otimos, bem longe da tacanhice marxista do Hobsbwan, ainda que ambos nao se concordem entre si:

"The Literary Underground of the Old Regime" do Robert Darnton
"The Cultural Origins of the French Revolution" do Roger Chartier

Recomendo ler sobre Revolucao Americana tambem para entender a Revolucao Francesa - a Francesa, apesar de todo hype, foi so mais uma de outras revolucoes liberais, como a Inglesa, a Americana, etc...

(A Declaracao dos Direitos dos Homens e do Cidadao da Revolucao Francesa nada mais e do que uma copia piorada da Declaracao da Independencia e da Bil of Rights americana. Alias, tanto e que chamaram o Thomas Jefferson para revisar.)



PermalinkPermalink 22.11.10 @ 08:00



Comentário de: Mário Marinato · http://www.osarcofago.blogspot.com

Infelizmente, eu só tive aulas de história entre a quinta e a oitava série, uma época em que eu era, como todos os outros dentro da sala, imaturo demais para poder perceber como as coisas se ligavam e como o conhecimento de tudo aqui seria importante para o meu entendimento do mundo como ele é.

Não faço a mínima idéia do que tenha sido a Revolução Francesa. Nem mesmo sei em que século foi.

Não nego sua importância, apenas a ignoro completamente.

PermalinkPermalink 22.11.10 @ 22:08



Comentário de: João Philippe

A Revolução Francesa foi mais importante pela influência que exerceu sobre corações e mentes europeus no século XIX, e posteriormente de outras partes do mundo. Um europeu de 1820, 1830 pensaria que foi um fracasso retumbante, porque afinal de contas naquele momento todas as monarquias europeias estavam de volta a seus tronos, incluindo a francesa. Não conheço o suficiente de Rev. Francesa para ir além disto.

A Revolução Russa moldou o século XX. Sem ela o fascismo não teria contaminado a Europa (a grande força propulsora do fascismo foi o temor de que as democracias liberais seriam molengas demais para frear uma hipotética bolchevização da Europa), e sem fascismo e comunismo não haveria II guerra nem guerra fria... Enfim, o século XX teria sido outro.

Sua consequência mais palpável foi erigir um regime totalitário monstruoso que serviu de inspiração para outros idem, menos ou até mais monstruosos ainda. A Rússia no início do século XX vivia uma turbulenta transição de autocracia despótica para uma forma de governo mais moderna: o czar havia sido forçado a aceitar o fim da censura, uma constituição, uma assembleia que de alguma forma (bem distorcida) representava a sociedade... Para um império que durante séculos havia sido governado por autocratas de poderio ilimitado, era um avanço.

A Revolução Russa veio então e instalou um regime totalitário que tinha poderes idênticos aos dos czares do século XVIII. E ainda manteve dezenas de povos dominados pelos russos por décadas, enquanto sem a revolução o Império Russo seguiria o mesmo rumo de seus rivais Austro-húngaro e Otomano: o esfacelamento.

PermalinkPermalink 23.11.10 @ 22:35



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PermalinkPermalink 29.11.11 @ 23:45



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PermalinkPermalink 02.12.11 @ 03:56



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PermalinkPermalink 03.12.11 @ 05:37



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PermalinkPermalink 08.12.11 @ 02:01



Comentário de: Allison Taguchi · http://allisontaguchi.wordpress.com/

In the second paragraph you have a misspelling :)

PermalinkPermalink 26.02.12 @ 19:44



Comentário de: adhaklwdhklawh aldhalkwdh · http://ahdkjawhdkljh.com

khdaklwhdkaljwhd klawdh kljhawkjdeh kjawh kjawhdkjwh

PermalinkPermalink 31.03.12 @ 15:56



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