O Que É Ideologia

Meu roommate cozinheiro (o da caneca) foi demitido do melhor restaurante aqui da cidade.

Ele veio do Kansas pra Nova Orleans só por esse trabalho. (Quando perguntei o que tinha acontecido, ele fez um bico e disse: "o chef voltou de viagem e não gostou da minha salada de melancia.")

Ele não tinha carteira assinada, plano de saúde, férias, nada disso. Tinha que trazer seus próprios apetrechos: ia para o trabalho com uma malinha de facas e panelas. O pior mesmo era não ter horas fixas. Seu horário básico era de 8h as 15h. Em dias movimentados, acabava tendo que ficar até as 18h, 19h. Em dias fracos, ou fora da temporada, era comum mandarem-no pra casa ao meio-dia, ou avisarem que não precisava vir nos próximos três dias. Não preciso nem dizer que ele só ganhava pelas horas trabalhadas, não? Quatro dias em casa, por exemplo, significava uma perda de quase um quinto da sua renda mensal - que já era pequena.

Pior ainda, ele não podia se arriscar a trabalhar em outro restaurante no turno da noite, pois sabia que se o primeiro precisasse dele até mais tarde e ele avisasse que não podia pois estava indo para seu segundo emprego, a resposta padrão era "então, pode ficar por lá mesmo, está despedido." O melhor restaurante de uma cidade de restaurantes como New Orleans pode se dar ao luxo de presumir que, para um chef em começo de carreira, trabalhar lá é um privilégio.

Pois bem então. Graças ao mal-explicado affair da salada de melancia (não riam), meu roommate foi demitido e estava na varanda, desorientado, pensando se procurava outro emprego em Nova Orleans ou se ia embora, o que fazer, pra onde ir. Eu, meio chocado com suas condições de emprego, que para os níveis daqui são super-normais (regular relação entre empregado e empregador é coisa de comunista, cruz credo!), lhe contei como funcionavam as leis trabalhistas no Brasil.

E ele, um cara inteligente, ouviu tudo com interesse, refletiu e, ali, na varanda de casa, fumando e bebendo compulsivamente, se sentido sozinho e rejeitado, sem saber pra onde iria nem como iria pagar o aluguel, sem economias e cheio de dívidas da universidade, agora sem carro pois ele quebrou, não teve dinheiro pra pagar e abandonou, esse moço, nesse momento da vida, recém-demitido de uma hora pra outra, ouviu sobre o FGTS e as leis trabalhistas do Brasil, e a primeira coisa que perguntou foi:

"Mas não fica muito caro contratar e demitir pessoas?"

Ideologia é isso.

* * *

Quem já entendeu, pode parar por aqui. O resto do texto é pura nota de rodapé.

A questão não é se meu roommate está certo ou errado, se FGTS é bom ou ruim, se as leis trabalhistas engessam ou não a economia. Eu mesmo tenho minhas muitas ressalvas, especialmente quanto ao FGTS. A questão é a ideologia que fundamenta e embasa nossa interpretação da realidade.

Meu roommate do Kansas, crescido no coração da América, mesmo quando demitido de um emprego onde não tinha nenhum direito trabalhista, ainda assim vê, pensa, percebe, reflete, entende o mundo... do ponto de vista do patrão. Sua primeira reação foi se colocar não em seu próprio lugar ("poxa, se eu morasse num país assim, pelo menos ganharia um dinheirinho agora...") mas no lugar do chefe que tinha acabado de despedi-lo.

Passo boa parte do meu tempo tentando fazer privilegiados (homens, brancos, classe média, etc) se identificarem com os desprivilegiados (mulheres, negros, pobres, etc). É muito difícil se identificar com o outro. Uma ideologia que consiga quebrar nossa tendência natural de puxar a sardinha para o nosso lado só pode ser uma das mais bem-sucedidas do mundo. Pena que, ao invés de fazer os ricos se identificarem com os pobres, faz os pobres se identificarem com os ricos.

Três dos meus livros favoritos de todos os tempos
Morro dos Ventos Uivantes Casa Grande & Senzala Senhor dos Anéis
Morro dos Ventos Uivantes, de R$29 por R$13 // Casa Grande & Senzala, de R$95 por R$59 // Senhor dos Anéis, de R$145 por R$29

* * *

Antes que reclamem da ideologia do meu texto....

É impossível um texto não ter ideologia ou não estar totalmente imerso na ideologia do seu autor ou, no mínimo, da sociedade que o produziu. Quando você tem a ilusão de estar lendo um texto que não é ideológico, isso simplesmente quer dizer que o texto tem a mesma ideologia que você: logo, que a ideologia do texto é invísivel. Ideologia é como espinafre no dente: a gente só vê o dos outros.

Quem reclama de não aguentar mais tantos "textos ideológicos, meu deus!", não é um livre-pensador descompromissado e apolítico tentando formar suas próprias opiniões, mas sim uma pessoa mentalmente preguiçosa e de cabeça fechada, que só gosta de ler textos confortáveis que já concordem com suas próprias opiniões e que se sente extremamente incomodado quando exposto à opiniões diferentes das suas.

Existem muitas ideologias. A ideologia desse texto, de achar que a ideologia está em todo lugar, naturalmente é uma delas. A ideologia de se achar sem ideologia, entretanto, é uma das ideologias mais disseminadas em nossa sociedade, especialmente entre os bem-nascidos de inclinação conservadora, e serve de justificativa para todo tipo de apatia política, especialmente da supressão do diálogo político na arena pública.

Afinal, querer falar de pobre, preto, sem-terra, tudo isso é ideologia. Quem não tem ideologia sou eu! - que acho que o Estado deve ser mínimo, que privatização é uma coisa boa e que governo não deve patrocinar a cultura!:

Sou apenas um indivíduo, livre, não tenho raça, não sou afiliado a partido, não tenho ideologia, pô! Quero só ficar aqui quietinho no meu canto, trabalhando duro, cuidando da minha família, viajando, curtindo meus livros... e me vêm esses malas falar de ideologia!!

Certo ou errado, válido ou inválido, o desabafo acima está tão ensopado de ideologia que chega a pingar pelo chão.

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Dicionário Houaiss, de R$405 por R$89 // Coleção Anne Rice (11 livros), de R$623 por R$99 // Nárnia, Volume Único, de R$99 por R$14

* * *

Ideologia é o conjunto de ideias, saberes, preconceitos, etc, que permite que as pessoas se relacionem com e façam sentido da realidade: são as lentes através das quais percebem o mundo. Por isso, é ridículo quando alguém fala de ideologia como se fosse uma coisa necessariamente ruim, ou oposta à "verdade". Não existe essa verdade a-ideológica: qualquer verdade será sempre apreendida através da ideologia de quem a vê.

Na definição de Barbara Fields:

A ideologia é melhor compreendida como um vocabulário descrito da vida cotidiana, necessário para que as pessoas possam conferir um sentido básico à realidade social, vivida e criada por elas a cada dia. É a linguagem da consciência que possibilita a relação específica entre pessoas. É a interpretação em pensamento das relações sociais através da qual elas constantemente produzem e reproduzem o seu ser coletivo em todas as suas mais diversas formas: família, clã, tribo, nação, classe, partido, empreendimento, igreja, exército, associação, etc. Deste modo, as ideologias não são ilusões, mas sim reais, tão reais quanto as relações sociais pelas quais elas se mantém. (mais sobre a autora e texto original em inglês)

Segundo Althusser, em Aparelhos Ideológicos de Estado, a ideologia seria a relação imaginária dos indivíduos com suas condições reais de existência, gerando assim uma representação distorcida da realidade. Para ler mais, recomendo enfaticamente o livro abaixo, velho conhecido de qualquer aluno de humanas no Brasil. Não confiem nas besteiras que falam dele: leia você mesmo.

   Aparelhos Ideológicos de Estado

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* * *

Final feliz: como sempre, esse texto foi escrito muitos meses atrás e ficou sendo progressivamente revisado e reescrito. (Sempre acho engraçado os leitores que imaginam que escrevo um texto aos estrambelhos e já saio postando assim no mesmo dia, sem mal reler! Ou então os que falam comigo hoje e, ao ler o post do dia seguinte, quase sempre escrito meses antes, acham que foi indireta pra eles!) Enfim, o pós-escrito é só pra dizer que o meu roommate não passou nem duas semanas desempregado, já está em outro restaurante, muito bom mas não o melhor da cidade, onde ganha o mesmo salário e tem as mesmas condições de trabalho, mas pelo menos o ambiente é mais agradável. Entrou por uma porta, saiu pela outra. Abraços pra você, leitor-herói que chegou até aqui.

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10.11.10


Categorias: Política


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Comentários:


Comentário de: aiaiai

E o seu roommate deve ter pensado assim, quando conseguiu o novo emprego:

"ainda bem que aqui nos EUA não tem complicação trabalhista. já consegui outro emprego porque temos uma economia muito dinâmica. Posso vender meu talento por migalhas em vários lugares. Legal!"

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 11:40



Comentário de: Carol · http://twitter.com/#!/carolzanette

Gostei bastante do texto.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 11:49



Comentário de: Carlos · http://hsj-online.blogspot.com/

Uai, me parece que ele não se colocou no lugar do patrão, sim no dele mesmo: o de alguém precisando de emprego, que logicamente se preocupa com algo que torne difícil oferecer um emprego.

Para o empregado, a legislação trabalhista brasileira é uma mãe.Para o desempregado, é uma madrasta que o expulsou de casa para poder dar mais comida pros filhos.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 11:59



Comentário de: Marcelo Camanho

Na minha época (lá por 1990) o melhor restaurante de Nola era o "Arnaud's", mas confesso que não tenho a menor idéia de como anda, ainda mais depois do Katrina...

E concordo com o Carlos, não acho que o seu roomate pensou como "empregado" ou como "patrão" (termos que eu abomino - but I digress...). Ele pensou como alguém racional: se fica caro empregar alguém, fica difícil arrumar emprego. Simples assim - tanto que arrumou outro emprego logo, logo.

Sem os emperros da legislação brasileira, o mercado de trabalho fica muito mais dinâmico - e para os capacitados e dispostos, nunca falta emprego. A lei deveria se preocupar unicamente com os pouco qualificados, ou em situação de subemprego. Querer que o mesmo conjunto de regras cubra tanto o peão de obra como o executivo de multinacional não dá...

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 12:59



Comentário de: Alex Castro Email

caro (segundo) carlos,

eu ganhei esse livro de presente, li vários trechos, achei sempre muito tacanho e conservador e, por isso, parei de ler.

gostaria de sugerir que vc fizesse o mesmo com o meu blog.

abraços.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 14:15



Comentário de: Rafael

Moral cristã da história: Deus castiga quem rouba a caneca dos outros.

Brincadeiras à parte, é um texto bacana =)

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 14:47



Comentário de: Glauber

Acha mesmo que ele pensou como patrão? Ele pode ter pensado como empregado, afinal quando é caro contratar e demitir pessoas, é mais difícil ser contratado.

No Brasil, um restaurante fino nunca daria oportunidade para um novato por causa das complicações trabalhistas.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 15:13



Comentário de: Ana Paula Medeiros · http://www.urbanamente.net

Não tenho nenhuma resposta e nenhuma posição dogmática com relação às leis trabalhistas brasileiras (fora o fato de - imersa na minha própria ideologia - achar muito correto proteger o trabalhador dos revezes ou mesmo das idiossincrasias do patrão). Mas seus textos sempre me fazem pensar. E eu gosto disso.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 15:20



Comentário de: Hugo

Virar comuna derrete o cérebro do cara.
O bom é que as vezes aparece um texto sobre historia ou viajens, e nao tem tanta baboseira.

O cara nao viu pelo lado "do patrao". Só nao era burro, e se lembrou que complicar pra contratar ferra com quem ta desempregado.
No Brasil, e nos EUA, a maioria dos empregos sao fornecidas por pequenas empresas. Em caso de muita regulacao e obrigacao trabalhista, a opcao é clara: NAO CONTRATAR; o que diminui as chances do infeliz arrumar outro emprego rapidamente.


PermalinkPermalink 10.11.10 @ 15:32



Comentário de: Thiago

Mas fica a pergunta... isso foi antes ou depois da história da caneca?

Sem entrar no mérito da discussão das leis, interessante como a figura do 'emprego' em si some. O 'demitido' virou mais ou menos só um 'não precisamos dos seus serviços agora'

Podiam demitir ele naquela semana mas já voltar com ele na outra (improvável, mas possível)

Ah faz um teste. Conta do SUS pra ele qualquer dia. Ou das Univ. Federais.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 15:32



Comentário de: alex castro

olha q interessante... para mts leitores, a opção mais acertada seria o menino nao pensar nos seus direitos, alias, nem ter direitos, só pensar nos direitos do patrao! qt melhor for pro patrao, qt mais desprotegido ele estiver, melhor será para os negocios e, como todos sabemos, se for tudo melhor para os negocios e se os empresarios puderem fazer o q quiserem, em algum momento toda essa maravilha vai se refletir em vantagens para o empregado q abdicou dos seus direitos! iupiii!!!

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 15:46



Comentário de: jv

vcs acham mesmo que ele pensou profundamente a questão, refletiu sobre as implicações da lei trabalhista no Brasil, estando bêbado e tudo?

o que o cara falou foi um reflexo de um pensamento que já estava embutido nele. se a lei é boa ou ruim é outra história e não tem nada a ver com esse post.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 15:55



Comentário de: Rodrigo

Engraçado como muitas vezes o exemplo utilizado para ilustrar o assunto vira o assunto. De qualquer forma é mais legal falar de leis trabalhistas.
Engraçado que quem já trabalha com publicidade, pelo menos em São Paulo, já vive uma realidade de informalidade no mercado brasileiro e o que mais vejo são reclamações de carga de horário excessiva. Há uma lenda que quem reclama ou entra na justiça contra uma empresa fica fora do resto.
Proteger o trabalhado, por mais que gere alguma dificuldade na hora de empregar é um dever do Estado visto que esse é a parte fraca na história, que vai se submeter a cargas horárias além do aceitável pois tem que pagar aluguel no final do mês.
Se as empresas hoje tivessem cortadas todas as taxas que tem sobre os empregados duvido muito que o quadro de funcionários aumentasse significativamente já que hoje elas já funcionam e lucram com o quadro de funcionários que tem. O que aconteceria seria um aumento no lucro da própria empresa.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 16:11



Comentário de: Julio Santos

Nem tanto ao mar nem tanto à terra... Já fui demitido nos EUA e ganhei um belo pacote de desligamento (mas, bem verdade, era executivo e tinha negociado previamente).

E já fui patrão no Brasil e quebrei porque fiz questão de pagar aos empregados tudo que a lei exigia. Se o empregado recebe X, ele custa 2X para a empresa; se o mercado "vira" e você precisa demitir, tem que pagar 40% do FGTS como multa; e por aí vai. Repito que FIZ QUESTÃO de pagar tudo que devia, mas o resultado foi tornar a empresa simplesmente inviável economicamente.

Agora vivo do mercado financeiro e ainda tenho que escutar que "não faço nada produtivo". Nessas horas dá vontade de abrir uma empresa, mas basta me lembrar do passado que volto para o meu home broker!

Na boa: uma revisão das leis trabalhistas é URGENTE no Brasil. Verdade que não precisa virar a selva dos EUA, mas que a legislação atual pune os empregadores, isso pune.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 16:54



Comentário de: alex castro

jv,

seu comentario é impecavel.

justamente é isso. o cara tava bebado e fudido. ele nao fez uma analise profunda dos meritos da ideologia em questao. ele falou o q estava introjetado nele.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 16:55



Comentário de: Marcelo Camanho

Hmmm... dizer que quem não tem ideologia tem mas não sabe é que nem dizer que ateísmo é religião, ou que não colecionar selos é um hobby!

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 17:01



Comentário de: Barnabé

A resposta do seu roommate explica uns 50% da diferença de PIB per capita entre o Brasil e os EUA: algumas ideologias levam nêgo a produzir mais, outras levam à vagabundagem estadocêntrica.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 17:20



Comentário de: Diogo Batalha

Barnabé

os outros 50% explica como um pais pode quebrar de uma hora para a outra e causar a maior crise mundial desde 1929 em um piscar de olhos (e as empresas de wall street ainda poderem dar um golpe de estado financeiro, conseguindo trilhões do governo) e o outro ser o ultimo a entrar e o primeiro a sair dessa mesma crise.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 18:30



Comentário de: alex castro

"dizer que quem não tem ideologia tem mas não sabe é que nem dizer que ateísmo é religião, ou que não colecionar selos é um hobby!"

deixa eu explicar entao... religiao eh uma coisa que vc escolhe se vai ter ou nao e, se escolher ter, vc escolhe qual, e pode mudar. eh um processo consciente.

jah ideologia, por definicao, eh uma coisa q todo mundo tem, que eh impossivel nao ter, pois a ideologia nada mais eh do que as lentes atraves das quais enxergamos e entendemos o mundo. entao, todo mundo tem a sua, mesmo q nao se de conta dela, pq eh impossivel nao ter. o cara que grita e insiste q nao tem ideologia, por tanto, tem apenas a ideologia de se negar q tem ideologia.

ficou claro?

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 18:31



Comentário de: alex castro

barnabe,

eu concordo plenamente.

mas a questao eh outra: eh melhor ser cidadao de um pais rico q nao te protege e te joga aos lobos (e cuja politica externa, alias, coloca um alvo nas suas costas) ou ser cidadao de um pais que te protege minimente da ganancia do seu padrao escroto?

eh mt bonito comparar PIBs mas o q importa ao trabalhador eh comida na sua mesa...

jah fiz um post aqui comparando ser pobre nos eua e ser pobre no brasil, e eh infinitamente melhor ser pobre no Brasil...

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 18:34



Comentário de: alex castro

ou talvez a duvida deveria ser exposta assim:

qual a grande vantagem de morar num país tao rico, de pib tao maior, etc etc, se aqui eu sou mt mais enrabado e mt mais fudido do que se morasse em um pais mais pobre mas que ao menos *tenta* me proteger da ganancia do meu patrao?

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 18:42



Comentário de: Paulo Machado

Todo o chororô no discurso patronal contra os "rigores" da legislação trabalhista brasileira fica meio anacrônico quando exposto à luz das dezenas de milhões de empregos formais criados nos oito anos do governo Lula. Caso a legislação fosse mesmo uma barreira categórica, não seria observada essa pujança recente no mercado de trabalho tupiniquim. Concordo integralmente com o Alex: a ideologia pode nos tornar reféns involuntários de uma visão de mundo que colide com os fatos inegáveis da realidade.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 19:18



Comentário de: Roger Moreira

As pessoas tem dificuldades de entender uma coisinha muito simples. Verdade existe, é um fato. Independe da nossa capacidade de encontrá-la ou entendê-la. Agora, também existe um campo para a liberalidade humana, para a criação. Nesse campo, você ou todos nós decidimos como queremos organizar as coisas, o que queremos criar. Muito da cultura humana não encontra barreiras fáticas, pode simplesmente ser criado. Se você quiser criar uma sociedade que siga qualquer critério de justiça que você definir, em teoria é possível, e este será o padrão ético. Agora, voltando à realidade dos fatos, todo mundo vai concordar? A resposta é não. A verdade é que nosso mundo é como é, simplesmente porque tende a ser assim mesmo. A manada se move, mas é instintivamente.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 19:35



Comentário de: Roger Moreira

Não existe teoria que supere o materialismo. Mas toda ética e soterologia é humanista.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 19:39




O pequeno burguês brasileiro, o típico classe média é um
individuo que:
- não quer direitos, quer privilégios.
- não quer ser cidadão, quer ser consumidor.
- não quer liberdade, quer segurança (mas não o suficiente para lutar por ela, espera que outros o façam).
- da escola só quer diplomas e títulos, não quer aprender nada.
- se colocado à escolha entre ser rico e seu vizinho ainda mais rico ou pobre e seu vizinho ainda mais pobre, sempre escolherá a segunda opção.
- acredita mais no que vê na televisão, ou no que lhe dizem, do que no vê com seus próprios olhos.
- seu preconceito é tanto que tem preconceito até de ter preconceito.
- é conservador até quando nada tem para conservar.
- é capaz de pagar – e efetivamente paga - os preços mais absurdos do mundo inteiro por medo que pensem que é pobre.
- é absolutamente cruel e implacável com o mais fraco do mesmo modo como é submisso e subserviente com o mais forte.
- sua consciência é pré-democrática, pré-republicana, pré-revolução francesa, pré-humanista, pré-socialista, e pré-reforma protestante.
-Se o país se desconectasse por completo do mundo moderno em seis meses voltava ao sistema escravocrata puro (hoje é híbrido) e em um ano voltava à idade média.

Em resumo, se filho da puta voasse, ninguém ia ver o belo céu brasileiro.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 20:56



Comentário de: Hugo

"Todo o chororô no discurso patronal contra os "rigores" da legislação trabalhista brasileira fica meio anacrônico quando exposto à luz das dezenas de milhões de empregos formais criados nos oito anos do governo Lula".
Desconte os empregos em estatais e empresas exportadoras de commodities, e nao sobram tantos milhoes assim...

@ Alex: ser pobre é pior nos EUA, mas qual a probabilidade de se permanecer pobre nos EUA X permanecer pobre no BR, com um minimo de esforco? Tem que tentar com forca ficar pobre no UK, Holanda ou EUA.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 21:22



Comentário de: Fernando

É realmente tocante quando eu cruzo as periferias das cidades brasileiras e vejo aquela imensidão de pobres e favelados desempregados, felizes da vida porque estão protegidos da ganância dos empresários pelo Estado!

E viva o Alex, mais um pra fila dos pobrófilos do Brasil!

Vômito!

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 21:24



Comentário de: Kátia

Concordo com o jv, menos quanto ao detalhe de que o cara estava bêbado. Acho que mesmo que ele estivesse totalmente lúcido sua conclusão seria a mesma.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 21:37



Comentário de: HighSpeed

Um artigo brilhante e comentários muito inteligentes!

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 21:56



Comentário de: Daniel · http://index.opsblog.org/

Concordo com tudo, menos que o Althusser seja aproveitável :-)

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 22:10



Comentário de: Bear

Ao fazer aquele comentário, seu roommate poderia sim estar pensando na sua condição de desempregado e na dificuldade maior que teria no Brasil para conseguir um novo emprego.

Mas pode ser também que ele se estivesse pensando mais para o futuro, quando ele mesmo poderia estar na condição de patrão. No Brasil, onde as pessoas não são educadas/estimuladas a serem o seu próprio patrão, a imensa maioria ve-se eternamente como empregado. Acredito que isso não ocorra tanto nos EUA.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 22:28



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Bear, é bem possível que seja isso, e isso grosso modo evidencia a diferença entre a ideologia estadunidense e a ideologia brasileira. O complicado pra muita gente é entender que há duas ideologias aí (se houvesse uma terceira posição, haveria uma terceira ideologia), e não uma ideologia e uma "verdade".

No Brasil, "ideologia" virou xingamento, mas é como desqualificar alguém dizendo que ele expressa opiniões usando uma linguagem, ao invés de dizer a verdade. Enfim, uma posição absurda.

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 22:52



Comentário de: Ram

Alex,

Acho que a comparacao ser pobre no Brasil versus ser pobre nos EUA um pouco inusitada. Sao paises diferentes com principios diferentes.

O pobre nos EUA pode se tornar rico, como a hondurenha pobre que virou dona de empresa de limpeza com 100 funcionarias. Mas o outro lado e que o risco e maior, portanto voce pode ter uma vida bem ruim mesmo. E uma distribuicao com alguma media e variancia.

Da mesma forma, no Brasil, a classe media por vezes e pobre, quando professores de escola vivem sem plano de saude, e sem direito a ferias. Mas e claro, tem o bolsa familia e o hospital publico, que por sinal muitas vezes desvia dinheiro e oferece pouco para o que gasta... E uma outra distribuicao com sua media e sua variancia.

A media americana e cerca de 10x a media brasileira. Bastaria ver nesta distribuicao aonde vao os quantis de 10%, 20%, etc... Sem emocao, sem muita filosifa...

Como imigrante nos dois paises eu te garanto, e muito bom ser persistente nos EUA, onde voce tem uma segunda chance, e ficar na sua no Brasil, onde se voce falha, ta fora.

Obvio, a questao do cozinheiro e curiosa porque a vida de cozinheiro no Brasil e bem ruim. Quantos deles sequer vao a faculdade? rssss

O Brasil nao precisa ser comparado aos EUA para se decidir o que precisa ser feito. O que e admiravel nos EUA e que competencia tem premio, e se voce quer ser independente existe um caminho. Alem disso, o sistema de justica e baseado em regras estaveis e com repeticao.

O Brasil tem muitos outros meritos, e e um pais em construcao. Vai depender do que decidirmos fazer... Ao mesmo tempo, voce ja foi na fila do FGTS receber? Ja viu quanto e a grana? E qual a consequencia disso?

Minha familia ja teve um restaurante, eu ja montei um negocio e fiz de tudo no Brasil... E o governo brasileiro e um estupro. Porque nao liberar um pouco ? So politicos mesmo para manter algum negocio funcionando pagando tudo em dia. Ou senao se voce tem algum amigo para vender produtos ao governo rssss

Agora uma coisa eu te digo... E muito, mas muito pior ser um pobre que se educou no Brasil, do que nos EUA. A chance para voce atravessar classes sociais aqui e pequena. So concurso publico e venda de alma para o politico da ocasiao.



PermalinkPermalink 10.11.10 @ 23:02



Comentário de: Sr Atoz · http://sratoz.wordpress.com

Li o texto e os comentários. O texto realmente é uma excelente síntese do que já foi dito antes sobre ideologia aqui. Alex, practice makes perfect indeed!

Quanto ao roommate (embora eu saiba que ele foi uma parábola, não o próprio assunto), bem, é claro que ser reempregado não era garantido, ele podia mesmo ficar desempregado para sempre, podia ficar deprimido e acabar se matando, ir embora de N.O.... Mas, se eu tivesse que responder para salvar minha vida, diria que ele logo seria reempregado. Porque (1) olha o currículo dele! (2) O contexto mostra que, em regra, ele não é uma pessoa preocupada com o micro, o que provavelmente lhe dá tranquilidade numa entrevista. Juntando as duas coisas, era previsível que a crise durasse pouco para ele.

Enfim. Sucesso e felicidades ao moço!

PermalinkPermalink 10.11.10 @ 23:51



Comentário de: Dandi · http://dandi.blogspot.com

Que texto maravilhoso! É bem o que penso sobre o que são ideologias. Odeio quando alguns simplesmente as confunde com 'utopias' só por não conseguir conceber em suas mentes um outro discurso sobre a realidade.

Parabéns e estarei te acompanhando a partir de agora.

Abs!

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 01:45



Comentário de: Fabio R.

Uh... Dizer que o cara não se identifica com o patrão e frases como "No Brasil, um restaurante fino nunca daria oportunidade para um novato por causa das complicações trabalhistas" e "fatos inegáveis da realidade" é cuspir ideologia.

Camanho: você acha possível alguém ser ateu no Brasil?

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 02:11



Comentário de: Barnabé

Não sei qual o melhor país para ser pobre. Apenas: i) concordei implicitamente que ideologia existe e que todo mundo tem a(s) sua(s), conscientemente ou não; e ii) sugeri uma relação de causa e efeito entre diferentes ideologias e diferentes níveis de desenvolvimento.

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 03:23



Comentário de: Alex Castro Email

barnabe, concordo com seus dois pontos em genero, numero e grau.

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 03:41



Comentário de: Vinicius · http://www.cabanadeinverno.wordpress.com

O pessoal fala que ele pensou como empregado?

Ah, sim. O utópico empregado liberal: "Poxa, como pode o patrão ter que pagar tantos impostos, como pode ter que obedecer tantas normas. Isso dificulta eu ter emprego."

--- Em outras palavras ---

"O importante é subir na vida sem atrapalhar ninguém (velho jargão cristão), meu patrão me fode hoje, amanhã eu fodo outro zézão igual eu. É a vida."


PermalinkPermalink 11.11.10 @ 08:47



Comentário de: Vinicius · http://www.cabanadeinverno.wordpress.com

Álias, só pra deixar a discussão pra outro ponto:

Por que não dizer que todo o conceito apresentado por ideologia é o mesmo que consciência coletiva (de Durkheim)?

A ideologia é normalmente descrita como algo diferente das maneiras de sentir, fazer e pensar de uma determinada sociedade. Ideologia não é uma mentira, mas é aquilo que transfere as reais relações sociais que ela, realmente, demonstra.

Por exemplo: a questão da cultura. Por que muitos dos problemas de hoje são colocados como problemas culturais? Pq, por exemplo, o Feminismo é colocado como a reivindicação por TOLERÂNCIA, e não por igualdade política e econômica?

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 08:47



Comentário de: Brad Nowell

" se sente extremamente incomodado quando exposto à opiniões diferentes das suas."

Alex, essa crase tá errada. Dá uma estudada aí nas leis da crase. Abraço!

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 09:03



Comentário de: Carla · http://www.bailedemascaras.blog.br

"Por isso, é ridículo quando alguém fala de ideologia como se fosse uma coisa necessariamente ruim, ou oposta à "verdade". Não existe essa verdade a-ideológica: qualquer verdade será sempre apreendida através da ideologia de quem a vê."

Ótimo!

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 09:49



Comentário de: Carol · http://twitter.com/#!/carolzanette

Em relação às leis trabalhistas brasileiras, acho que a questão não é ser contra ou a favor ter alguma leis trabalhista, mas é ser contra ou a favor QUAIS leis trabalhistas devem existir.

FGTS, por exemplo, é uma coisa ruim. Ruim porque tem ano que rende menos que a inflação, ou seja, é mais ou menos como guardar dinheiro embaixo do colchão.

Quanto ao INSS, também não sei até que ponto é bom, afinal, é ruim para o empregador e ruim para o empregado porque ele não vai receber nem uma parte ínfima do que contribuiu (a não ser que ganhe só salário mínimo, o que não é a realidade para a maioria da população, visto que mais de 50% ganham entre 1000 e 4000, e há uma porcentagem significativa dos que ganham mais que isso). A contribuição dele vai geralmente para pagar aposentadorias integrais do setor público, cuja dívida é a mesma que a dívida dos aposentados do setor privado (acho que uns 47 bi).

Mas, por exemplo, ter direito a férias ou a existência do salário mínimo, ou mesmo seguro desemprego, são coisas importantes.

Agora, será que teu amigo não quer SER patrão um dia? Se ele quiser e achar que tem condições para tanto, faz todo sentido ele pensar como empreendedor e não como funcionário.

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 11:03



Comentário de: charles

Como se as empresas brasileiras oferecessem isso, quanta gente trabalha sem carteira assinada?

É a forma do mercado reagir a uma medida puramente ideológica do governo. E sim, concordo:

"Uai, me parece que ele não se colocou no lugar do patrão, sim no dele mesmo: o de alguém precisando de emprego, que logicamente se preocupa com algo que torne difícil oferecer um emprego.

Para o empregado, a legislação trabalhista brasileira é uma mãe.Para o desempregado, é uma madrasta que o expulsou de casa para poder dar mais comida pros filhos."

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 14:52



Comentário de: Zé Buscapé

Barnabé, me explica o PIB da Alemanha então, por favor.

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 16:21



Comentário de: Alex Castro Email

"no Brasil a esquerda bem intencionada é pragmática, a direita bem intencionada é utópica."

matou a pau.

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 03:25



Comentário de: Kitagawa

Sim, o que disse o amigo do Alex reflete a sua ideologia, ao mesmo tempo que a interpretação do Alex de que seu amigo preferiu se por no lugar do patrão em vez do seu próprio lugar, bem, isso reflete a ideologia do Alex.

Eu mesmo interpretei muita coisa dessa maneira enquanto discutia com alguns tucanistas nessa eleições: "o cara não percebe que tudo, tudo o que o cara prega como sendo melhor para o Brasil é na verdade o que é melhor para os mais endinheirados e pior para os mais pobres?". É claro que em alguns casos, era simplesmente carinha defendendo seus próprios interesses de classe-média-alta-de-saco-cheio-de-pagar-imposto e mal disfarçando seu desprezo pelos pobres "vagabundos". Mas mais intrigante é ver gente boa e bem informada, diria até bem intencionada, defendendo as mesmas posições interessantes às elites egoisticamente elitistas, como se fosse uma questão moral, cientifica e empirica ao mesmo tempo. Creem que seria mais justo e melhor pra "todo mundo". Ideologia sempre cai em presunções, ideologia é presunção.

Cheguei a uma conclusão provisória: no Brasil a esquerda bem intencionada é pragmática, a direita bem intencionada é utópica.

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 03:26



Comentário de: Alex Castro Email

q louco! respondi ao comentario do kitagawa mas a minha resposta apareceu antes!

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 03:31



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Tscupaê de novo, mas o exemplo foi mal escolhido de novo. Conheço um pouco o ambiente de sous-chefs, cozinheiros, line cooks &c. Se o cara criou um salada de melancia e colocou no menu, enquanto o chef tava viajando, este fez muito bem em colocar o indivíduo no olho da rua. Pra ter tanta audácia, o cara devia ser no mínimo um sous-chef. (Mas mesmo q fosse um cozinheiro, o q vou dizer aqui vale.) Tua análise do exemplo mostra bem um preconceito subjacente em muita coisa q vc diz: "pobre é pobre, rico é rico; é melhor q as coisas seja estáticas pq assim é mais fácil analisar, pontificar, proselitizar, ideologizar". Só q NENHUM jovem trabalha na cozinha dum restaurante sem aspirar a um dia ser o chef q manda e desmanda e emprega e despede. Esse é o ambiente em q eles trabalham; o chef sabe disso. Na pergunta de teu colega, o raciocínio não foi "nossa, deve ser difícil arranjar emprego no Brasil"; foi certamente, "¿pra quê cargas d'água eu me meteria a trabalhar num país onde não pudesse me tornar um patrão arbitrário e autoritário?" O cara não introjetou a ideologia do patrão, o cara QUER ser patrão. Ele não ficou deprimido pq foi despedido e ia ficar sem salário por uns tempos; ficou pq a demissão foi um revés feio em sua carreira a caminho de se tornar um chef autoritário e arbitrário.

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 07:54



Comentário de: Thiago

Kitagawa

Estou pensando aqui na sua conclusão. Por exemplo: Bolsa família é pragmático. Prouni é pragmático. CLT me parece utópico.

Mas o que me parece é que a direita bem intencionada é pragmática, e a mal intencionada, utópica.

Como por exemplo, leis anti-aborto são utópicas.



PermalinkPermalink 12.11.10 @ 08:06



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex

Nao li todos comentarios, mas so pelos primeiros ja dei bastante risada vendo como certos leitores mataram na hora a ironia do seu texto.

Numa das suas respostas vc pergunta se "vale a pena morar num pais tao rico que te deixa desprotegido"... oras, novamente vc olha a arvore e nao enxerga a floresta. Os EUA so sao tao ricos porque funcionam do jeito que funcionam.

Concordo que cada um tem sua ideologia mas acho uma ingenuidade fantastica vc achar que so quem acredita no capitalismo deixa seu proprio interesse de lado. Se existe algum sistema no mundo aonde cada um pens mais no individuo no que no coletivo eh no capitalismo. O problema eh que vc nao entende o que liberdade realmente significa. Para vc, a ajuda dos outros (nesse caso do governo e do empregador) eh a maior forma de liberdade. O que eh absurdo, pelo menos dentro da minha ideologia.

Enfim, mais um texto que o Alex de 5, 6 anos atras criticaria violentamente. :-)

[]s

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 11:25



Comentário de: Arthur

Eu não pretendia entrar nessa discussão, mas "no Brasil a esquerda bem intencionada é pragmática, a direita bem intencionada é utópica." é um dos melhores insights que eu vi ultimamente.

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 12:24



Comentário de: Fabio R.

God!

Já falaram em liberdade! Daqui a pouco vão exumar o cadáver do Berlin e aí já viu.

PermalinkPermalink 12.11.10 @ 13:15



Comentário de: João Philippe

Faltou contar para ele que a maioria dos brasileiros não é protegida pela legislação fascista, inspirada em legislações de Estados fascistas e que teve como principal objetivo esvaziar os sindicatos e sua luta por melhorias de condições de trabalho. O governo dá um pacote de melhorias e deixa os sindicatos com a única função de negociar o aumento na época da data-base. Daí o empregado pensa "pra que se sindicalizar se a lei já me dá tudo?". Depois perguntam porque o comparecimento nas assembléias de sindicatos no Brasil é tão baixo...

Isso a minoria que é protegida pela lei. Porque a maioria está mesmo é na selva da informalidade. O brasileiro mais pobre não está protegido pelas leis beneméritas do Estado, trabalhando no máximo 44 horas por semana e recebendo tudo que a CLT manda. Ele está trabalhando mais de 50 horas por semana e sem proteção alguma. E pagando mais imposto em termos proporcionais que qualquer outro brasileiro, e recebendo menos em termos proporcionais e absolutos.

É engraçado esse pensamento de que a alta carga tributária brasileira é a melhor, senão a única forma de se ajudar mais os pobres, e que só reclama dela a classe média desalmada que não quer abrir mão de seus privilégios e ver os pobres melhorando de vida. Não é tão óbvio que a alta carga tributária é mais cruel exatamente com os brasileiros mais pobres, que pagam mais em termos proporcionais e recebem menos?

Quem mais se beneficia da alta carga tributária brasileira é justamente a classe média. É quem mais recebe em termos proporcionais do Estado.

PermalinkPermalink 13.11.10 @ 12:53



Comentário de: João Philippe

Um exemplo emblemático aconteceu na minha cidade há alguns anos: uma grande rede de supermercados montou uma filial 24 horas, mas não pagava adicional noturno para quem trabalhava de madrugada.

Um concorrente soube da situação e pagou o advogado para os empregados, que obviamente ganharam a causa. Em decorrência disso, a filial passou a fechar meia-noite.

Moral da história: uns quinze empregos desapareceram. Os empregados saíram da exploração do trabalho noturno sem adicional e estão agora na liberdade do desemprego. Ótima troca, não?

PermalinkPermalink 13.11.10 @ 12:59



Comentário de: Indy

Alex,lindo texto,logo agora que estou desempregada e vou ser financiada pelo meu seguro desemprego.É facinante,ficar 05 meses em casa de boa.E o melhor eu ainda posso fazer bicos em trabalhos sub-humanos,como diarista e GP.

Estava pensando,os negros deveriam ter atendimento prioritario,tipo os idosos e as gestantes.Afinal de contas nós temos 400 anos de vantegem.

P.S: Saudades de vc!

PermalinkPermalink 14.11.10 @ 16:46



Comentário de: barbara

Achei esta citação num livro que é uma entrevista do Paulo Freire e do Frei Betto e lembrei de você (deviam fazer camisetas com esse slogan).

[Betto] "A coisa que mais me espantou quando cheguei na Casa de Detenção foi ver que quem me revistou e revistou a minha bagagem eram presos também... Uniformizados... Não eram carcereiros, não eram policiais. É aquilo que o Paulo fala na obra dele: a ‘capacidade que o sistema tem de se introjetar nas pessoas’. Penso que o grande desafio do processo pedagógico é fazer com que a cabeça do oprimido não seja mais hotel do opressor. Porque aí ele se hospeda com todo o ‘requinte e luxo’”.

PermalinkPermalink 22.11.10 @ 19:16



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