Antipatia Cidadã vs Simpatia Servil (Apartheid Brasileiro, 3 de 4)

Uma cena que aconteceu comigo repetidas vezes nos Estados Unidos, sempre com pequenas variações: Chego no caixa do supermercado, coloco minha cesta de compras no balcão, passam-se alguns segundos de constrangimento, enquanto o idiota aqui, criado como um principezinho entre dezenas de criados, não percebe que não tem nada de esquisito acontecendo, e a atendente finalmente diz: "Sir, please remove your items from the basket."

E eu me dou conta de que a moça do caixa, apesar de ser inculta e ter um subemprego, é filha de uma cultura que enfatiza que todos os cidadãos tem direitos iguais e são iguais perante a lei. Ela pode ser apenas uma operadora de caixa mas sabe que, independente de quem eu seja, eu não sou melhor que ela em nada. Ela tem um emprego que lhe demanda fazer X, Y e Z, não A, B e C, e pronto. Sua mentalidade é service-oriented ("Would you like fries with that, sir?") mas não serviçal ("Deixe eu lhe servir, sinhôzinho!")

Deve acontecer muito com nossos patrícios visitando a civilização. Acostumados que estamos a ser servidos e paparicados por nossa casta servil, achamos que esses americanos ignorantes (faz parte do nosso folclore consolador compensatório imaginar os donos do mundo como burros; espertos somos nós, os subdesenvolvidos) estão sendo antipáticos conosco ao fazer somente a sua obrigação e nada mais. Realmente, nada mais antipático do que uma criadagem que não nos lambe as botas! Simpática é nossa cozinheira da Rocinha que, quando precisamos, serve a mesa, lava o chão do banheiro, cuida das crianças, paga até boquete.

Uma das características que distingue o trabalho escravo do assalariado é justamente a indefinição das funções, essa não-delimitação das tarefas. Afinal, o escravo é nosso, seu tempo é nosso, tudo o que ele possui é nosso, ele faz o que mandarmos e pronto. Já nossos empregados, bem, o advogado é o advogado justamente porque não é o contador. Ninguém aproveita que o dr. Gouvêa está na sua casa fazendo o testamento da titia para pedir que ele dê uma olhada no nosso Imposto de Renda.

Aqui, nos Estados Unidos, existem as domésticas e, sim, como no Brasil, elas também formam uma casta inferior de intocáveis (os imigrantes latinos, ou seja, nós!), mas mesmo elas se adaptaram aos costumes da terra. Faxineira é faxineira: ela não cozinha, não passeia com o cachorro, não cata a sua roupa jogada pelo chão. Ela faz a faxina e pronto. Para um americano pedir pra a faxineira lavar a sua louça seria quase tão estranho quanto pedir ao advogado pra fazer seu Imposto de Renda.

No Brasil, uma empregada doméstica é alguém que você contrata por "X" horas e, durante essas horas, ela é literalmente sua, sua posse, sua escrava, e tem que fazer o que você mandar, desde limpar cocô de cachorro a lavar o carro, fazer pequenas costuras ou esfregar calcinhas. Vale tudo. E ai da insolente que disser que não: tem uma fila de paraibinhas lá fora procurando emprego, sua abusada!

(amanhã... gente que sabe o seu lugar...)

* * *

Apartheid Brasileiro

I - A Couraça da Insensibilidade Social
II - Crianças Mandando em Adultos
III - Antipatia Cidadã vs Simpatia Servil
IV - Gente que Sabe o seu Lugar

* * *

Essa crônica faz parte do meu livro Liberal Libertário Libertino, com minhas melhores crônicas de 2003 a 2007, incluindo clássicos como Fantasmas de Felicidades Passadas, Pessoas-que-Acreditam-em-Coisas e Manifesto Libertário. A primeira edição, de 2007, esgotou e a segunda edição já está disponível para pré-venda, com entrega antes do natal.

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04.11.10


Categorias: Política, LLL, O Livro


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Comentários:


Comentário de: Emanuelle

A moça do caixa é “inculta”? Como você sabe? Somente por que ela está no caixa? Ela pode estar estudando, pode ter mais cultura do que você imagina ou pode ter conhecimentos instrumentais que nós não possuímos? Subemprego? Subemprego é estudar quase dez anos de nossas vidas para ganhar $ 40,000 a $ 50,000 dólares por ano como Professor Assistente (dito, se tivermos sorte de encontrar trabalho). Somente alguns questionamentos para ajudar-nos a pensar em arraigados esteriótipos… Um grande abraço Alex!

PermalinkPermalink 04.11.10 @ 19:51



Comentário de: Durval · http://twitter.com/dtabach

E daí quando você chega no Rio chama o porteiro para consertar a persiana e ainda reclama que ele se atrasou!

PermalinkPermalink 04.11.10 @ 20:02



Comentário de: Alex Castro Email

emanuelle,

coberta de razao. eu nao posso falar nada mesmo... ganho 20 mil por ano e um carteiro com high school completo ganha 75!

PermalinkPermalink 04.11.10 @ 20:09



Comentário de: Fernando M.

Nossa Alex, você tirou as palavras da minha boca! A vida inteira a gente escuta essa ladainha que nos EUA/Europa as pessoas são "frias", "antipáticas", que "tratam mal" os brasileiros e blablabla... e o motivo é bem esse mesmo! Qualquer "não" que a classe média/alta en voyage escuta e pronto!

PermalinkPermalink 04.11.10 @ 22:57



Comentário de: Raphael · http://www.blogdebabel.com.br

Olá Alex, sou leitor do blog e gosto muito do que você escreve. Porém, tenho uma pequena crítica a fazer.

Achei que o termo ''paraibinhas''pode um pouco preconceituoso. Sei que não foi a intenção, nem rep muitos menos representa o pensamento de quem escrerve. Provavelmente representa um termo que serei utilizado pela ''patrôa'', mas não arriscaria utilizá-lo nesses tempos de fuzuê com relação à xenofobia e anti-xenofobia.

PermalinkPermalink 04.11.10 @ 23:09



Comentário de: Deborah Leão · http://arealidaelouca.wordpress.com

Mais um texto com selo de qualidade Alex Castro: a primeira reação é pensar "Não, mas eu não faço isso, eu não sou assim"; depois, bater na testa e dizer "D'oh!".

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 10:12



Comentário de: Marcelo Camanho

Cara, eu também fui criado na Zona Sul do Rio, tendo "do bom e do melhor". Meus amigos também. Mas nunca - nunca - vi o tipo de atitude que você descreve com relação aos empregados.

Acho que você precisa fazer uma autocrítica e reconhecer que foi MUITO mal criado pelos seus pais - de uma maneira BEM pior até do que o resto da "elite" brasileira...

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 10:24



Comentário de: Alex Castro Email

Oi Marcelo

Em primeiro lugar, entenda q esses textos não são autobiográficos: não estou falando de mim e de como foi a minha vida, mas justamente das minhas observações sobre as pessoas à minha volta.

E, em segundo lugar, quando eu morava no Brasil e era cercado por essa realidade, eu também não via nada disso. Para mim, era tudo muito natural. Foi preciso eu ir morar no exterior e ter contato com outra realidade, onde as coisas eram feitas de modo bem diferente, para poder finalmente... me dar conta. Talvez vc precise só viajar mais um pouco.

Na verdade, sugiro que vc se pergunte o seguinte: todas essas pessoas, q estão comentando nesse e nos outros textos da serie, será q elas tb foram "mal-criadas" pelos pais?

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 11:09



Comentário de: Liu

Aqui no Brasil, ao menos na região Sul, eu nunca vi alguém simplesmente colocar a cesta de compras em cima do balcão e ficar esperando.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 11:34



Comentário de: Deborah Leão · http://arealidadeelouca.wordpress.com

Só esqueci de uma coisa: nem todo mundo chega no "D'oh!, não é disse que ele está falando".

É por isso que os comentários em geral são tão divertidos.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 11:45



Comentário de: Thiago Brandão

Aqui em São Paulo também não tem essa de esperar o/a caixa retirar os itens da cesta ... Na zona sul do Rio é assim?

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 12:44



Comentário de: googala · http://www.googala.opsblog.org

aí, nos USA, perguntam se vc quer nota fiscal
também ?
abç

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 12:58



Comentário de: googala · http://www.googala.opsblog.org

acho que esta acomodação à servilidade não faz só só parte dos serviços de "baixo escalão", mas acaba refletindo em toda relação trabalhista daqui. Até

Valeu

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 13:01



Comentário de: Mordechai

Aqui eu tenho que pedir pra moça que vem de 15 em 15 dias fazer faxina pra ela NÃO lavar a louça e NÃO descer o lixo, porque isso eu faço...

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 13:01



Comentário de: Mordechai

E claro, sempre achei que essa disposição dela fosse, bem, coisa dela mesma, e não parte de uma cultura servil. A gente nunca pensa nessas coisas...

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 13:06



Comentário de: mani

Alex,

aqui na bahia aconteceu uma coisa pra mim complicadíssima: os shoppings tinham aquela praça de alimentação, vc ia,comprava sua comida, comia e ao acabar, jogava os restos na lixeira e colocava a bandeja em cima. aí abriu um shopping novo e eu fui fazer isso, levei a maior bronca da moça da limpeza, q me acusou de querer acabar com o emprego dela. o shopping contratou pessoas q inclusive tiram as bandejas da mesa assim q vc acaba de comer...
mas a atendente do supermercado aqui não tira os ítens da cesta e só ajuda a embalar se eu estiver demorando muito.
mas a cultura do servilismo aqui é um problema grave de parte a parte, d quem manda e de quem obedece.
aliás eu podia passar horas falando nisso...

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 13:59



Comentário de: raf

Nunca coloquei uma cesta de supermercado no caixa e fiquei parado esperando mas, acho que se o tivesse feito as atendentes teriam pego as compras.

Não que não haja servilismo no Brasil mas, nesse caso é um pouco de forçação de barra. Você é caixa. Seu serviço é pegar cada produto, passar na máquina e pôr do outro lado. Qual a grande diferença entre pegar um saco de pão dentro de uma cesta que está na sua frente ou praticamente na mesma posição, só que não em uma cesta?

Isso tá mais prum script computacional:

- Compras estão dentro de uma cesta.
- Does not compute.
- Please, remove your items from the basket.
...
- Compras (ainda) estão dentro de uma cesta.
- Does not compute.
- Please, remove your items from the basket.
...

Concordo com vc, mas esse exemplo não foi bom.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 15:53



Comentário de: alex castro

queridos...

eu nunca deixei minhas compras no caixa do brasil e fiquei de braços cruzados esperando.... se isso acontecesse no brasil, o brasil nao seria o brasil... justamente, no brasil, os empregados dos comercio já fazem tudo por vc antes mesmo que vc possa esboçar reação para fazer.... é isso q o post está dizendo... pelo contrario, no brasil, como disse a mani, mts vezes, qd vc tenta fazer as coisas por si mesmo, os empregados ainda se assustam, com medo de que, se todo mundo fizer isso, vao perder o emprego...

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 16:14



Comentário de: mariana

Bom, um bom exemplo dessa coisa de 'não faça nada porque isso vai acabar com meu emprego' vem da galera que joga lixo no chão e ainda tem a cara de pau de dizer que, não fosse sua bondade, os garis não teriam emprego. Oh, céus...

Eu achei o exemplo dos produtos no caixa muito bom. Aqui na minha cidade, por exemplo, existe o caixa (cuja função é apenas passar a compra) e, muitas vezes, um empacotador (aqui não se usa consciência ecológica e sim sacolas de plástico), cuja função é colocar os produtos já passados no caixa dentro das sacolinhas. E só. Mas claro, existe gente tão abusada por aí que quer que o empacotador coloque as compras empacotadas no carrinho e ainda leve o carrinho até o carro, para guardar as compras no porta-malas. E, claro, os empacotadores acham normal. Ou acham o máximo, quando recebem alguns centavos de gorjeta.

É disso que você falou, não foi, Alex?

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 16:51



Comentário de: raf

"... os empregados (...) se assustam, com medo de que, se todo mundo fizer isso, vao perder o emprego..."

Esse é o tipo de argumento que já ouvi algumas vezes em defesa de se jogar lixo na rua.

"se eu não jogar lixo na rua os garis vão perder o emprego"

O Brasil é sujo, feio e servil pra ninguém correr o risco de perder o emprego.

É triste, mas, não dá pra não rir.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 17:03



Comentário de: raf

"... os empregados (...) se assustam, com medo de que, se todo mundo fizer isso, vao perder o emprego..."

Esse é o tipo de argumento que já ouvi algumas vezes em defesa de se jogar lixo na rua.

"se eu não jogar lixo na rua os garis vão perder o emprego"

O Brasil é sujo, feio e servil pra ninguém correr o risco de perder o emprego.

É triste, mas, não dá pra não rir.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 17:05



Comentário de: Flavia

Ale, querido
Na Australia os caixas do supermercado é quem
tiram os produtos da cesta e embalam tudo. Eles
tem um sistema no caixa pronto para fazer isso.
Eles não tem nem cadeira para ficar sentados.
Acho q dá agilidade e evita filas. Quanto a questao da subserviencia e da aura de superioridade brasieliras, eu acho que os australianos tbem tem. Eu trabalhei como faxineira e todos os meus colegas, aa exceção de uma refugiada e da gerente que era australiana, todos estavam estudando alguma coisa, fazendo mestrado... mas as pessoas que sentavam nos escritórios que limpavam eram tão ou mais porcas do que as do Brasil. Não se usava copo de plástico para ser evironmentaly friendly, entao as canetas ficavam com uma crosta permanente de café, um nojo. Nós não tínhamos que lavar, mas víamos outras mesas (e essas tinhamos que limpar) que os caras pareciam que cozinhavam o almoço ali de tão sujo. Ou seja, o que eu quero dizer é que gente que se acha superior, ;e mal educada existe em todos os lugares. Ou talvez os EUA realmente seja um pa''is diferenciado. Ahh em Bali que tbem é terceiro mundo, ninguém paparica estrangeiro. Aliás se acontece uma merda e tem um estrangeiro na história a culpa é dele, pq segundo os balineses se ele não estivesse lá isso não teria acontecido!
Mas acho que o fato de vc escrever sobre isso, as pessoas comentarem já ajuda a fazer auto-crítica. Só não acho que o Brasil seja o pior e mais preconceituoso do mundo.
Bjocas

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 17:16



Comentário de: Ana Paula Medeiros · http://www.urbanamente.net

Lá no GReader eu fiz um comentário sobre esse texto (mentira, quem fez o comentário foi a Monix, do Duas Fridas, eu só disse que assinava embaixo) que diz respeito à parte da empregada doméstica. De fato, eu nunca tinha me tocado disso, de que durante o tempo que a minha empregada fica aqui em casa, eu me sinto no direito de pedir quase qualquer coisa pra ela, inclusive limpar o cocô da cachorra. Colocado sob essa perspectiva, acho que me senti desconfortável com isso. Não tem mesmo muito essa coisa de delimitar o que compete à empregada doméstica fazer.
Já no caixa do supermercado, eu, que faço as compras de mês aqui de casa sempre, vejo muito isso que ele descreve. Nem tanto a de tirar as coisas do carrinho ou cesta. Mas a maioria das pessoas fica esperando que haja um empacotador, e muita gente fica irritada quando tem que empacotar suas próprias compras, como se o supermercado estivesse "caindo de qualidade" no atendimento. Iss eu vejo com razoável frequência.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 19:24



Comentário de: Cláudio Luiz · http://correioselado.blogs.sapo.pt

Isto de não delimitar as tarefas e depois querer o mundo é mais do que comum - seja com a empregada/faxineira ou o boy ou o estagiário. Na maioria das vezes as pessoas precisam tanto do emprego que fazem sem reclamar.
O problema que muitos brasileiros se sentem o senhor, tanto para o trato com os empregados, os funcionários dos supermercados e todos têm que sair da frente porque ele não pode perder tempo na fila, no trânsito, no ...

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 20:35



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Aqui na Inglaterra, numa rede de supermercados chamada CostCutters (q chamo de Cascata), vc deixa sua cesta na frente do caixa e ele (geralmente é homem) pega as coisas da cesta, passa pelo leitor de barras e coloca num saco plástico. É o sistema DESSA rede. Tem outra rede, a Lidl, q é o oposto: nem saco tem; vc tem q comprar, por £0.03, levar as compras até um balcão ao lado e se virar pra desimpedir o caixa. É o sistema DESSA rede. Entre esses dois extremos, tem toda uma gama de arranjos. Talvez o q falte no Brasil seja aquilo q sempre digo – mais variedade, mais complexidade. O brasileiro passa carão na estranja pq tudo no Brasil é tão simples.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 20:37



Comentário de: Bear

Esqueçamos os itens da cesta no supermercado. O post toca um ponto importante: a indefinição de limites de responsabilidade nos empregos sem especialização, muito comum no Brasil.

Se for uma empregada doméstica que durma no emprego, essa "faz tudo" não tem hora pra parar, tira férias compulsoriamente na mesma época da patrôa (quando não é forçada a viajar com a família, e continuar trabalhando).

É claro que já há muito emprego especializado, no caso de horistas, diaristas. E pode ser que a ida para a super-especialização mesmo em empregos de baixa renda (acho que) seja inexorável. Mas acredito que levará a um brutal aumento de custo (mão de obra mais cara, necessidade de contratar várias pessoas para fazer o que antes era feito por uma só;) o que vai fazer a madame de classe média assumir tarefas que antes não fazia e entupir o freezer de comida pronta. Resultado: desemprego de pessoal não especializado.

O que é melhor? Sei lá. Mas qualquer que seja o problema, não tem solução indolor.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 21:39



Comentário de: Monix · http://duasfridas.wordpress.com

Alex, este post mudou completamente minha perspectiva. 1) toda vez que vou ao supermercado fico igual uma doida tentando empacotar as coisas, mas a 'empacotadeira' não deixa! 2) totalmente vesti a carapuça em relação ao tempo da empregada. Eu realmente achava que estava 'no contrato' usar o tempo dela da forma que fosse mais conveniente para MIM, ou seja, que enqto ela estivesse trabalhando estaria à minha disposição. Não consegui ainda mudar totalmente meu comportamento, mas sempre lembro desse post para me balizar, quando fico na dúvida se devo ou não pedir alguma coisa. :-)
Aliás, o comentário aqui de cima (Bear) toca em outro ponto que vem me incomodando de uns tempos para cá e para o qual ainda não encontrei solução: as férias da empregada têm que ser ao mesmo tempo q as minhas, caso contrário não teria quem ficasse com meu filho durante as férias dela. Mas acho errado, isso, de eu escolher quando a criatura vai descansar.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 22:56



Comentário de: Alex Castro Email

Pois é, como eu sempre digo. tem um povo que se prende no exemplo, que é um mas poderia ser mil outros, e é incapaz de perceber qual é a moral/o objetivo do post. não conseguem ver a floresta pq se prendem nas folhas.

PermalinkPermalink 06.11.10 @ 04:23



Comentário de: Permafrost · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Tscupaê, mas vc tbm tá se prendendo no exemplo. Vc dá um exemplo duma observação geral obviamente esperando q entendam "a moral do post", e... quem comenta tá fazendo *exatamente* a mesma coisa: discutindo a moral de teu texto através do exemplo. Aí vc comenta q os outros "não conseguem ver a floresta pq se prendem nas folhas", qdo vc faz exatamente isso qdo lê os comentários. Não tem gente burra aqui (a maior parte do tempo).

Bear,
Pegou na veia. Na Inglaterra, onde tou agora, a mão-de-obra é tão cara q aqui virou a cultura do desperdício: ninguém manda consertar um defeitozinho no aspirador, na tv, num sofá: joga fora e compra novo. Vc pode mobiliar e equipar uma casa inteira só com móveis e eletrodomésticos jogados na calçada. Acho q isso nunca vai acontecer no Brasil, onde as relações pessoais e profissionais jamais terão o grau de ritualismo, mecanização e complexidade q têm nalguns lugares da Europa, Euá e Oriente. O Brasil parte de outras premissas e de outra linguagem, e grande parte de seus problemas se deve exatamente ao contato subserviente com essas outras culturas e linguagens mais particionadas. Pra usar o exemplo aqui, o supermercado não foi invenção brasileira e jamais teria sido inventado no Brasil. No ponto de contato freguês/caixa, a contradição não tá nas "relações patriarcais", no "preconceito institucional", pré-existentes ao supermercado: tá é no contato entre os usos brasileiros (freguês) e a modalidade comercial importada (caixa) q é o supermercado. Já faz um tempo q o Alex vem confundindo o abuso de alguns com o uso de todos, mas o exemplo do supermercado foi particularmente mal escolhido.

Pô, Alex, tscupaê de novo. Só tou cutucando pra te estimular.

PermalinkPermalink 06.11.10 @ 08:06




Blogosfera em Transe ou Obrigado Mayara Petruso, Por Expor as Entranhas de Sua/Nossa Gente ou Só se Desilude Quem Se Ilude
É quase impossível ignorar certas ondas que surgem nas mídias sociais. São verdadeiras tsunamis de informações e conceitos que só se poderia deixar de tomar conhecimento se você estivesse morto ou enterrado vivo. O foco dessa introdução é a avalanche de torpeza, ignorância e ignomínia manifestada nas eleições presidenciais de outubro 2010.
E o catalisador foi a obra da famigerada (no sentido empregado no conto homônimo de JGR) advogada paulistana Mayara Petruso que, talvez por sua pouca idade e escassa vivencia, acabou expressando publicamente o que muitos de seus conterrâneos pensam mas não dizem:
Que seria um grande beneficio ao estado de São Paulo se cada um de seus nativos buscasse afogar um “nordestito” (ela queria dizer nordestino, mas parece ter muitos problemas com a língua pátria além dos que tem com os habitantes dessa região do país).
Automaticamente relacionei sua façanha com os abundantes desastres de transito, que cada vez matam e mutilam mais em nosso país.
A relação pode nao ser muito evidente e tem a ver com a teoria econômica conhecida por “desenvolvimento induzido”, que, grosso modo, explica a súbita prosperidade de um país a partir, principalmente, de uma intervenção estrangeira, externa, com escassa eu nenhuma evolução educacional, cultural e existencial se seu próprio povo. Isso foi mais ou menos que ocorreu em nosso país em tempos recentes.
A situação do transito sempre me espantou; ver a enorme importância que a mídia dá ao assim chamado “terrorismo” e quase nenhuma à guerra diaria do transito me levou a pesquisar os números. Descobri uma estatística na Revista das Forças Armadas informando que nos últimos 7 (sete) anos em todo o mundo estima-se que atentados terroristas tenham tirado a vida de 39.000 pessoas EM TODO O MUNDO. Todos os anos nossos motoristas-terroristas matam quase 50.000 brasileiros, e mutilam um numero muito maior: são 10 vezes mais letais que todos os terroristas do mundo inteiro. Isso não é pouca coisa.
Penso que seria fazer pouco da inteligência e perspicácia dos outros tentar explicar mais o que quero dizer

PermalinkPermalink 06.11.10 @ 14:18



Comentário de: surya

também vou postar o comentário aqui:

o engraçado é que eu sempre sou super mal vista pelos atendentes! porque eu gosto de empacotar as coisas pra usar pouco saco plástico, e tenho minha própria lógica de guardar de um jeito que fique fácil ao chegar em casa (odeio a parte de botar as coisas no armário). e muitos atendentes ficam com raiva! na bahia era ainda pior... da mesma forma que o guardinha que abria (manualmente) o portão da UNEB (era um prédio alugado, um portão como o de uma casa mesmo, nada a ver com uma universidade), e uma vez eu saí do carro pra abrir eu mesma, sem esperar buzinando, como a maioria dos profs. ele ficou de cara feia pro resto dos meus 3 anos lá...

o servilismo está introjetado - inclusive em quem o exige, como alguns comentários mostram...

PermalinkPermalink 06.11.10 @ 14:52



Comentário de: Fabio

Nunca, em toda a minha vida, morando em diversas cidades no Brasil, vi NINGUÉM esperando feito príncipe ou princesa para que o caixa retirasse itens da cesta.

Engraçado que você se vale de pelo menos dois preconceitos (isso e o fato de a mulher do caixa ter subemprego e ser inculta). Sem eles, seu post não se sustenta.

Dá a lição de moral do quanto a mentalidade servil é típica dos brasileiros versus os americanos mas qual é a primeira coisa que você diz? Que a caixa tem subemprego e é inculta.

Mas que beleza.

PermalinkPermalink 07.11.10 @ 16:42



Comentário de: Alex Castro Email

Nunca, em toda a minha vida, morando em diversas cidades no Brasil, vi NINGUÉM esperando feito príncipe ou princesa para que o caixa retirasse itens da cesta.

eu tb nunca vi nao. acho que vc nao entendeu o texto direito. abraços.

PermalinkPermalink 07.11.10 @ 16:48



Comentário de: Amora.

Alex,

Vc devia ver no youtube o filme "Domésticas". É
brasileiro e trata exatamente dessas más relações
de trabalho que vc aborda.

No filme tem uma cena em que a empregada diz pra
câmera " A dona Fulana até agora num chegou.Todo
dia de pagamento é isso. Ela some e me deixa aqui
esperando. Pois hoje eu vou fica aqui até a hora
que ela chegar.Como é que vou no pagode amanhã
sem dinheiro?"

Tipo, a patroa ainda acha que pode atrasar o
pagamento da insolente faxineira. Como se a coitada
não tivesse contas, compromissos. Enfim...

PermalinkPermalink 09.11.10 @ 10:01



Comentário de: Carla · http://www.bailedemascaras.blog.br

adorando a série Apartheid Brasileiro. Um olhar diferente para tantas coisas que nos parecem naturais - a nós, "mimados" e "mimadas".

PermalinkPermalink 11.11.10 @ 09:56



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