A Rasura da Escravidão na Literatura Brasileira (Projetos em Andamento)

Gênero: ensaio, história, crítica literária

O período entre a abolição da escravatura (1888) e o lançamento de Casa Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre, é marcado por uma quase completa ausência da escravidão do discurso intelectual brasileiro, um processo consciente de rasura por parte da elite brasileira no qual a escravidão, como categoria explicativa de Brasil, é substituída por raça e mestiçagem. O novo discurso racista-cientificista legitima negar a contribuição africana ao Brasil; do seu ponto de vista, a própria existência dos afro-brasileiros é o problema nacional: eles seriam a "antítese do progresso" e o país deveria se livrar de sua influência degradante o mais rápido possível. Enquanto as discussões sobre o problema escravo antes de 1888 falavam em liberdade e disciplina, no século XX elas giram em torno de degeneração, alcoolismo, incapacidade mental e imoralidade. Os afro-brasileiros seriam pobres, doentes e incultos não por terem sido explorados por 350 anos e, então, libertados sem nenhuma ajuda financeira ou plano de inserção social: para os intelectuais brasileiros, "doutores de uma nação doente", a explicação era apenas uma: inferioridade racial.

A literatura serve então como sintoma e reflexo desse processo, através da canonização ou esquecimento de obras que sustentam ou subvertem essa rasura intencional. A aparente ausência de narrativas de escravidão na literatura brasileira pode ser lida como uma das marcas conspícuas dessa rasura. Enquanto a literatura canônica brasileira apresenta uma "ausência ornamental" (na expressão de Toni Morrison) de obras que dialoguem diretamente com os dilemas inerentes à escravidão, existe todo um corpus subterrâneo, esquecido há mais de um século, de romances, contos, folhetins e peças teatrais que ousaram problematizar a instituição que nossa elite chamava "sua grande vergonha nacional".

Obras abordadas:

Parte I - Prosa
Maria ou A Menina Roubada, de Teixeira e Souza
As Vítimas-Algozes, de Joaquim Manoel de Macedo

Parte II - Teatro
Pareceres de censura teatral escritos por Machado de Assis
Sangue Limpo, de Paulo Eiró
Demônio Familiar e Mãe, de José de Alencar
História de uma Moça Rica, de Pinheiro Guimarães

Parte III - Ensaio
Minha Formação e Abolicionismo, de Joaquim Nabuco

Status: dissertação de doutorado em progresso, com previsão de defesa em meados de 2011.

* * *

(para o portfólio editorial que estamos fazendo, minha agente literária pediu para eu listar meus projetos em andamento. e fiquei chocado de ver quanta coisa eu tenho aqui no meu forno.)

* * *

Meus livros à venda. Se for comprar, pra fins de comissão, prefiro fortemente que compre pelo meu site. Também à venda na Amazon e no Gato Sabido. Vá no Skoob e dê sua opinião.

Liberal Libertário Libertino - Crônicas Mulher de Um Homem Só

Radical Rebelde Revolucionario - Cronicas Cubanas, por Alex Castro Onde Perdemos Tudo, por Alex Castro

 Promoção Submarino

http://twitter.com/AlexCastroLLL

 

10.08.10


Categorias: Egotrip, Links, Raça


Posts similares:
A Rasura da Escravidão na Literatura Brasileira
História de um Muleque Escravo (Projetos em Andamento)
Confissões Sexuais (Projetos em Andamento)

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: dra

a exceção a esse quadro q vc pintou aí, no ensaio, é Manoel Bonfim...
e Manuel Querino, vc já leu?
abs,

PermalinkPermalink 10.08.10 @ 08:08



Comentário de: Flaviaq

Alex,

Eu dei um livro pro meu marido chamado Arquitetura Popular Brasileira de um cara chamado Gunter Weimer.

Eu estava lendo a introdução, que era sobre as influencias culturais do Brasil, e ele levantou um ponto que me chamou muita atenção. E talvez, se não for banal no meio que vc tem pesquisado, possa te interessar.

Ele fala de algumas diferenças entre os três principais povos que formaram a nossa cultura, através do caminho que eles fizeram na historia da humanidade e a diferença que isso pode trazer pra cultura, por exemplo:

Índios = maiores andarilhos da historia
Negros = os que menos saíram de onde estavam

Europeus = povos que mais tiveram que se adaptar ao meio ambiente
Negros = os que permaneceram mais fieis as suas origens

Achei bem interessante.

Tem um pouquinho mais aqui se vc quiser:

http://www.centrodememoria.unicamp.br/sarao/revista43/pdf/re_texto1.pdf

Beijos

PermalinkPermalink 10.08.10 @ 12:49



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: História de um Muleque Escravo (Projetos em Andamento)

Próximo post: Relativismo Moral e Irã

um blog sobre literatura, empatia e desapego

sobre mim

contato, bio, fotos, livros, compre

Busca

    Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site