Confesso. Sou um artista independente que se auto-promove.
Sei que é chato. Sei bem o preço que pago. Ouço e leio por aí os comentários de quem acha que sou um vaidoso que só olha pro próprio umbigo. Outro dia, no Twitter, só um exemplo entre vários possíveis, em resposta a um blogueiro que anunciou um próprio post, alguém disse:
"O amigo tá parecendo o Alex Castro quando tem texto novo no blog, hein".
Durante o lançamento de Mulher de Um Homem Só, um conhecido que gostou do livro mas se recusou a ajudar na divulgação disse que eu deveria escrever mais e me promover menos.
Sim, deveria me promover menos. Sim, a obra deveria falar por si só. Penso muito nisso. Esse esforço é cansativo e desgastante. Por mim, publicava o livro anonimamente e blogava com pseudônimo. Não quero sucesso pelo sucesso: quem lê meus livros sabe bem o trabalho que coloco neles.
Mulher de Um Homem Só já está na 3a edição, quase 500 exemplares vendidos. Quem teria comprado esse livro se não fosse por mim? Onde mais os leitores teriam ouvido falar dele?
Com raríssimas e honrosas exceções, todo mundo que comprou esse livro soube dele por mim e comprou na minha mão. Mais ainda, compraram o livro PORQUE eu o escrevi: porque já me conheciam, já me liam, já gostavam do meu texto.
Quando a CBN me pergunta qual livro estou lendo e eu divulgo o link no blog, no twitter e no facebook... não é porque eu sou vaidoso, ou me acho o máximo, mas porque tenho esperança que isso faça com que mais um leitor que ainda estava em dúvida finalmente compre um dos meus livros e, assim, mais trinta reais pinguem na minha conta.
Faço isso literalmente para me mostrar - porque artista independente tem que se mostrar. Ao contrário de bons advogados ou encanadores, que vivem de boca-a-boca e podem se dar ao luxo de serem discretos, escritores, músicos, atores, artistas plásticos precisam aparecer. Um advogado pode perfeitamente ser um advogado bem sucedido sem ser conhecido por grande parte dos brasileiros - ou mesmo por grande parte dos outros advogados. Um escritor de literatura que não seja conhecido, nem que apenas de nome, pelos outros escritores, pelos editores, pelos jornalistas de cultura, por grande parte do público leitor de literatura, literalmente não é ninguém.
Não tem jeito. Cada profissão tem seus ossos do ofício. Boxeador leva porrada na cabeça. Surfista se molha. Artista tem que ficar eternamente aparecendo e se mostrando.
Sonho não precisar mais fazer isso. Em ter um contrato com uma editora, umas resenhas boas no currículo, e poder finalmente parar de mendigar cada livro vendido, cada linha escrita sobre mim. Infelizmente, não dá. Ainda não. Os artistas que já tem um mínimo de estabilidade, e criticam os pobres novatos que estão lutando pra manter a cabeça fora d'água, são uns hipócritas.
As mesmas pessoas que reclamam do ruído em torno do meu romance Mulher de Um Homem Só jamais teriam lido o livro sem esse ruído. Então, o ruido torna-se um preço pequeno a se pagar.
Em maio, por exemplo, cansei. Não falei nada de nenhum dos meus livros. Deixei meus leitores em paz, coitadinhos. Sabem o que aconteceu? Não vendi nenhum. Nenhunzinho. Zero.
Então, em junho, antes de ir pra Ásia, programei seis semanas de posts no LLL. Muitos deles falando dos meus livros, especialmente do Onde Perdemos Tudo e da nova edição em ebook do livro de crônicas Liberal Libertário Libertino.
Sabem quantos livros vendi enquanto viajava? 26. (10 Liberal Libertário Libertino, 8 Onde Perdemos Tudo, 6 Mulher de Um Homem Só, 2 Radical Rebelde Revolucionário)
Então, quando reclamam de eu fazer muitos posts sobre meus próprios livros (e reclamam muito!), minha resposta é: faço isso porque vende. Na verdade, é pior: faço isso porque é a ÚNICA coisa que vende. Quando experimento ficar um mês sem fazer isso, não vendo NADA.
Tenho um mínimo de bom-senso: não mando spam, SMS, email. Não invado o espaço de ninguém. Faço minha divulgação no meu próprio blog, no meu twitter, no meu facebook. Segue quem quer.
Queria eu ter uma assessoria de imprensa cavando notas na mídia, uma editora distribuindo meus livros, mil livrarias promovendo-o nas vitrines.
Tenho, no meu time, uma agente literária linda e dedicada que percorre as editoras brasileiras com meus livros debaixo do braço, mas cujos esforços são limitados ao campo editorial. Tenho, também, os 107 mecenas de Mulher de Um Homem Só, as centenas de pessoas que compraram algum dos meus livros e os milhares de leitores diários dos meus textos. Amo vocês todos.
Outro dia, procurei uma assessora de imprensa e ela, por ser amiga de uma amiga, me cobrou mil reais por mês, por um mínimo de três meses. Alguém se oferece pra bancar essa conta? Juro que paro de me auto-promover se outra pessoa assumir essa tarefa.
Um conselho: se vai visitar um casal de amigos que acabou de ter filhos, por favor não reclame das intermináveis histórias do primeiro passinho, do primeiro dentinho, da primeira cagadinha. Se não quer ver fotos de criança, melhor evitá-los pelos próximos dezoito anos.
Entendo e empatizo com as reclamações de quem acha chato eu me auto-promover. Também acho chato. Infelizmente, não tenho outro jeito de vender livros - e, sem exagero, ser lido é a prioridade da minha vida.
Sugestões são bem-vindas. Grato.
* * *
Pré-FAQ dos Comentários
"Ah, Alex, ninguém TEM que ficar se autopromovendo! Você é que é vaidoso! Fulano, Beltrano e Fulaninha, nenhum deles se autopromove como você"
Bem, eles devem ou 1) vender mais do que eu (os best-sellers); 2) não se importar de vender (os blasé); 3) ser temperamentalmente incapazes de se autopromover (os tímidos); 4) acham que o desgaste de se autopromover não compensa os benefícios (os sensatos).
Vários amigos escritores fazem uma mesma reclamação: que lançam seus livros, por editoras médias ou grandes, e é como se o livro estivesse caído no limbo, nunca mais escutam falar dele, some como se nunca tivesse existido!
E eu pergunto: "puxa, mas o que VOCÊ fez pelo seu livro? Ontem, por exemplo, liguei pro diretor do curso de português de uma grande escola particular de São Paulo, oferecendo um exemplar grátis de Mulher de de Um Homem Só e me dispondo a ir falar aos alunos se o livro for adotado."
Meus amigos, invariavelmente, escritores de mentalidade anti-mercantil, me olham pálidos, com horror nos olhos, só faltam fazer o sinal-da-cruz: "meu deus, Alex, eu jamais seria capaz de fazer um negócio desses!" Bem, eu sou. O custo-benefício é ótimo: você convence UM cara e vende às vezes centenas de livros. Mas enfim, eu quero ser lido, né?
Já fiz vários testes: infelizmente, quando não me autopromovo, não vendo NADA. Não sou ex-BBB. Não quero ser famoso. Quero ser lido.
* * *
Aliás, por falar nisso, eu já disse que tenho quatro livros à venda?
Se for comprar, pra fins de comissão, prefiro fortemente que compre pelo meu site. Também à venda na Amazon e, em breve, no Gato Sabido. Vá no Skoob e dê sua opinião.
http://twitter.com/AlexCastroLLL
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