Dom João IV (1808-1820)
Dom Pedro II (1840-1889)
Floriano Peixoto (1891-1895)
Getúlio (1930-1945, 1950-1954)
Lula (2003-2009)
Nenhum deles era perfeito. Só um foi eleito democraticamente. A inclusão na minha lista não quer dizer que sou lulista, getulista ou florianista, ou que aprovo todas suas ações. Na verdade, foram mais incluídos pelo que não fizeram: cada um desses esteve no comando do Brasil durante períodos-chave onde, talvez, outro homem menos capaz teria feito uma merda catastrófica.
Talvez o mais polêmico seja Floriano, mas quem conhece a fundo a última década do século XIX sabe que ele se viu confrontado com escolhas impossíveis. Errou muito, fuzilou sumariamente seus inimigos, mas segurou uma barra pesada num momento onde um passo em falso poderia ter significado ingerência estrangeira, separação do sul, infindáveis guerras civis. Talvez mais importante: lutou selvagemente por sua própria interpretação da Constituição, que lhe garantiria mandato até 1895, contra os grupos que exigiam novas eleições (pessoalmente concordo com a interpretação de Floriano) e, apesar de parecer um louco que queria se manter no poder a todo custo, lutou também contra todos os seus correligionários jacobinos e exaltados que exigiam que ficasse no poder e, ao contrário de FHC, saiu de cena silenciosamente em 1895, ao acabar o (que entendia como) seu mandato, dando posse ao nosso primeiro presidente civil eleito democraticamente. E ainda teve a sabedoria e a gentileza de fazer o que deveria ser obrigatório no caso de chefes de estado poderosos e polêmicos: morreu assim que saiu do poder. Getúlio saiu do poder ao morrer, e Dom Pedro e Dom João saíram do país, o que dá quase no mesmo. Vejamos se Lula passa nesse importante teste.
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