Grandes Momentos da Língua Inglesa

Um McDonald's em Haia, capital da Holanda. Grupo de amigos da escola americana, de todas as nacionalidades. O argentino dá uma mordida no seu Big Mac e suspira: Kits, Caixas e Coleções com até 80% de desconto!

- Every time I come here, it's a deception!

Eu levanto a foto do Big Mac no papel da bandeja, aponto para o Big Mac de verdade na mesa, e digo:

- He doesn't know it, but he's right.

Todo mundo riu. Ele só foi entender a noite.

* * *

"Deception", em inglês, quer dizer enganação, falsidade. "Decepção" seria "disappointment".

* * *

Nova Iorque. Com amigo carioca que se formou pelo CCAA e achava que sabia falar inglês.

A simpática atendente pergunta: - Would you like your coffee black?

Ele ri e responde, com sua autêntica ginga malandra carioca de raiz:

- Yes, of course! - E, pra mim, que já tinha aberto a boca pra explicar: - Hehe, ela queria que fosse de que cor, amarelo? Esses americanos são meio bocós!

Fiquei calado. Claramente, o homem dominava o idioma e não precisava de intérprete.

Ela me entregou o meu expresso, com dois pacotinhos de splenda, e o dele sem nada. Achando que estava adoçado, o poliglota saiu bebendo e logo soltou aquele grito:

- Argh! Porra! Não tem açúcar. - E para a atendente: - Sugar! I want sugar!

Ela me olhou com uma cara de "não estou entendendo nada" e eu devolvi com a minha já clássica e infelizmente muito usada: "não tenho nada a ver com isso, esses brasileiros são loucos!"

* * *

Em inglês, quando perguntam se você quer seu café "black", a pergunta não tem exatamente a ver com a cor do café. Querem saber se você quer açucar ou leite no seu café. "Black coffee" então é café sem leite e sem açúcar. Se você diz que quer "black coffee" e depois pede açúcar, a atendente de fato vai ficar confusa. É como pedir um cheeseburguer sem salada e então reclamar que não veio salada.

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* * *

Ai ai. Adolescente é um bicho ruim. Lembrei de outra, do mesmo argentino, na mesma viagem à Holanda.

Em uma escola caríssima, onde todos são ricos, os símbolos de status tradicionais, dinheiro e afins, perdem um pouco o sentido: afinal, todo mundo tinha relógio caro, roupa de grife, casa em Angra, viajava pra Europa todo ano, etc.

(O Hublot - lindo, lindo - que eu usava na época da escola, por exemplo, custava cinco mil dólares e, ali, naquele ambiente, não era literalmente nada de mais. Sim, eu sou do tempo em que ainda se usava relógio de pulso. Quando saí do SobreSites e quebrei, em 2002, vendi o meu Golf 1996, vermelho, automático, hecho en Mexico, e meu Hublot, preto, discreto, e assim paguei as dívidas do cartão e do cheque especial. E nunca mais usei relógio de pulso.)

Enfim, em uma escola como essa, internacional, alunos do mundo inteiro, onde praticamente todos estavam se comunicando em uma língua que não era a sua, os símbolos de status eram outros: talvez os mais importantes fossem a fluência no inglês e a perfeição no sotaque. Na minha escola, quando se zoava de alguém, geralmente era por coisas assim:

Meio da noite, discutindo o que fazer, o argentino sugere jogarmos "póquer". A pronúncia correta seria "pôuquer". Todo mundo já quase riu. Alguém perguntou, talvez tenha sido eu, shame on me:

- Hmm. Pôuquer or póker?

E ele, coitadinho, completamente inocente, mais uma vez sem perceber nada, respondeu, todo feliz:

- Bóth!

O quarto veio abaixo.

Até hoje, quase vinte anos depois, quando essa turma se encontra, esse diálogo é sempre quase liturgicamente repetido. Alguém comenta que ontem jogou póquer com os amigos, outro pergunta "póquer or pôuquer?" e, invariavelmente, todos respondem em uníssono "bóth". Ai ai.

* * *

Ainda sobre o Hublot. Era todo preto, pulseira preta, ponteiros dourados, nenhuma marca, número, desenho, nada. O relógio mais lindo, discreto, understated do mundo. Era o tipo de relógio que um ladrão nem levaria, pois poderia passar por um reloginho de camelô, mas que somente quem conhecesse saberia que era foda. Era caro justamente por parecer barato e por só revelar seu verdadeiro valor para quem tivesse entendimento. Na prática, era quase uma piada interna. Leiam a Teoria da Classe Ociosa, do Veblen, que ele explica exatamente como funciona esse mecanismo.

* * *

Não tenho orgulho da minha adolescência. Eu era uma pessoa ruim. Talvez por medo de ser sacaneado pelos meus muitos defeitos, eu sacaneava todo mundo, humilhava, zoava. Fazia os mais tímidos chorarem com duas ou três frases. Deu certo. Nunca tive apelido. Não era mesmo sacaneado. As pessoas tinham medo de mim. Além disso, liam meus artigos no jornal da escola e me elegiam pro grêmio. De certo modo, eu não era amado mas era respeitado.

Sei de pelo menos um menino, baixinho, magrinho, que tinha um medo patológico de mim. Quando o encontrei na rua, anos depois, e tentei pedir desculpas, ele me olhou com horror e fugiu. Atravessou a rua desembestado. Hoje, vejam só!, cursou Agulhas Negras e está fazendo carreira no Exército. Tomara que não decida me dar o troco quando estiver à frente do Comando Militar do Leste! Eu ensinando Português para crianças americanas e ele, um profissional da morte e da violência! Esse mundo!

Hoje, tenho vergonha mesmo disso tudo. Inclusive de ter carregado cinco mil dólares no pulso. As melhores coisas que fiz na vida foram entrar na casa dos trinta e falir.

* * *

O post começou com duas anedotas sobre o inglês, logo lembrei de uma terceira e concluí enveredando pelo meu velho relógio de pulso e algumas reflexões de classe. Apesar disso, mantenho o (agora) enganador título original. Cada texto vai pra onde tem que ir.

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08.07.10


Categorias: Comportamento


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Comentários:


Comentário de: rayssa gon · http://presencadapeste.blogspot.com

só não entendi pq vc tem vergonha do relogio de 5 mil dolares...

PermalinkPermalink 08.07.10 @ 14:42



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Pudim!

PermalinkPermalink 08.07.10 @ 15:05



Comentário de: caio

acho que se vc tivesse estudado numa escola
"normal" teria sofrido muito...

PermalinkPermalink 08.07.10 @ 15:57



Comentário de: Tici

A adolescência é uma fase mt maluca e cada um sobrevive como pode, mas sentir vergonha alheia por quem fomos é quase inevitável...

p.s. E se o baixinho magrinho agora resolveu compensar e se transformou no Alex-adolescente de arma na mão e braço pesado, hein?
Ui, meda! rs

PermalinkPermalink 08.07.10 @ 16:51



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

Sacanear os colegas de escola dá nisso.

PermalinkPermalink 08.07.10 @ 17:31



Comentário de: Tici

Rayssa,

é culpa católica, certeza! rs

Mas se houver uma remota possibilidade dessa não ser a razão, tbm não entendi...

PermalinkPermalink 08.07.10 @ 18:48



Comentário de: cottonboy · http://www.twitter.com/cottonet86

O Alex não sente vergonha do Relógio e si, criaturas. Ele sente vergonha do que um relogiode 5 mil reais, que pode ser comprado como quem cuspe no chao, agrega para o seu circulo social.

Culpa cristã?

Patch, por favor, explique para eles:
http://www.youtube.com/watch?v=LNhhOR4DUrI&feature=related

Aliás, recomendo o resto todo da entrevista. Uma hora de um cara interessantissimo.

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 00:01



Comentário de: cottonboy · http://www.twitter.com/cottonet86

O Alex não sente vergonha do Relógio e si, criaturas. Ele sente vergonha do que um relogiode 5 mil reais, que pode ser comprado como quem cuspe no chao, agrega para o seu circulo social.

Culpa cristã?

Patch, por favor, explique para eles:
http://www.youtube.com/watch?v=LNhhOR4DUrI&feature=related

Aliás, recomendo o resto todo da entrevista. Uma hora de um cara interessantissimo.

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 00:05



Comentário de: Alex Castro Email

acho que se vc tivesse estudado numa escola "normal" teria sofrido muito...

juro q nao entendi... o q tinha de anormal na minha escola? eu tb estudei 8 anos em uma escola catolica... escola catolica é normal? e teria sofrido como?

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 03:08



Comentário de: Alex Castro Email

SENSACIONAL a entrevista linkada pelo cottonboy... ainda estou assistindo, mas concordo com tudo por enquanto....

http://www.youtube.com/watch?v=LNhhOR4DUrI&feature=related

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 03:11



Comentário de: Amora

Rayssa...fala sério, vc realmente não entendeu
o porquê de o Alex ter vergonha de um relógio
de 5 mil reais?

Oras... se vc mora no Brasil ( e eu acho que sim),
qualquer um deveria ter vergonha disso. Enquantio
milhões de pessoas passam fome o cara tava
ostentando 5 mil no braço, coisa que não acrescenta
em nada a vida dele. Por muito menos ele teria
a mesma informação (saber as horas).

Aí os pseudo intelectuais desse site vão dizer
que "ninguém tem culpa de ser rico e poder
comprar o que quiser". Claro! Mas como vc consegue
ter paz sabendo que a sua riqueza GERA a pobreza
de outros? Porque, na prática, os ricos só são
ricos por extrair a mais valia dos pobres. E
isso aqui não é um discursinho esquerdista/comunista/

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 08:41



Comentário de: Leonardo Xavier · http://discordando-do-mundo.blogspot.com

Eu penso que não se deve ter vergonha do que você, eu penso que todo mundo já teve um fase ruim. O importante é buscar evoluir.

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 08:56



Comentário de: Tici

Cottonboy,

foi pobreza de atenção, criatura! rs

O texto era didático o suficiente, mas o Patch explicando foi um luxo, valeu!

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 09:28



Comentário de: thiago

Amora

Quando você fala "mais-valia" já perdeu a discussão.


PermalinkPermalink 09.07.10 @ 09:40



Comentário de: Alexandra · http://www.peregrinatrix.com

wow, a entrevista com Patch Adams é fenomenal mesmo

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 09:56



Comentário de: Anna May

Alex, meu caro:

Parabéns por você ter evoluído. Isso realmente é uma das poucas coisas que não tem preço!

Bjs de admiração no seu pulso esquerdo,lugar onde provavelmente vc usava o relógio. Coloque-os no lugar das também prováveis 3 gotinhas de perfume francês que carésimo que iam antes do Hublot com aparência de vagabundo.

(pessoalmente preferiria ostentar o suposto perfume francês - rsrsrs)

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 12:26



Comentário de: Aquele Jorge...

Você não pensou que no fundo você não "evoluiu" tanto assim? Quer dizer, você antes sacaneava seus colegas e amigos de classe média e classe média alta. Até hoje você continua fazendo isso, sacaneando toda classe média e toda classe média alta. Que, naturalmente, inclue seus antigos colegas.

Não é o caso de pensar um pouco nisso?

Ah, e eu continuo acreditando nisso aqui: ttp://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 13:55



Comentário de: caio

Quando disse uma escola "normal" me referia a uma escola onde a perfeição no sotaque não é símbolo de status. A uma escola na qual grande parte dos seus vizinhos, por exemplo, estudou ou poderia ter estudado.

No Rio, considerando que você provavelmente trasitava entre a Barra e a Zona Sul, o Santo Inácio, o Santo Agostinho, o São Paulo, o Notre Dame, ou o Sacre Couer são alguns exemplos de escolas católicas que por esse aspecto poderia considerar normais.

Você não deve ter boas lembranças de seu tempo na escola católica. Deve ter sofrido da mesma maneira que sofreu o magrinho que correu de você na rua.

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 17:10



Comentário de: Roger Moreira

eu também teria vergonha, a hublot faz aquelas plaquinhas digitais que levantam na beira do campo de futebol quando tem substituição de jogador ou pra mostrar o tempo extra... shame on you

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 19:46



Comentário de: Alex Castro Email

oi caio...

pois é. continuo não entendendo. a outra escola onde estudei era exatamente uma dessas que vc citou. por oito anos. e realmente não entendo pq eu teria "sofrido" nela... por exemplo, vc diz

"Quando disse uma escola "normal" me referia a uma escola onde a perfeição no sotaque não é símbolo de status."

e fico mais confuso ainda, pois dá a entender que vc acha q EU tinha o tal sotaque perfeito e estava no topo da cocada preta.... eu disse isso?? dei a entender isso??

pra vc achar q eu me dava bem em uma e me daria mal em outra, vc tem q presumir tanta coisa q nao está no texto q nem tenho como responder...

mas enfim, o paragrafo sobre o modo como eu me comportava se refere tb a escola catolica... eu fazia as mesmas coisas, com os mesmos resultados... nao vejo pq seria diferente...

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 19:56



Comentário de: Alex Castro Email

jorge,

eu hj realmente nao sacaneio mais ninguem. fico na minha. muita gente se sente sacaneado por minhas ideias, isso aí é problema da carapuça de cada um. eu nao compro brigo, nao vou lá cutucar, nao faço campanha, não difamo, nao sacaneio, nao faço fofoca, nada. nada mesmo.

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 20:00



Comentário de: Fernando

Amora,

"Claro! Mas como vc consegue
ter paz sabendo que a sua riqueza GERA a pobreza
de outros?"

Isso poderia ser verdade se fosse verdade, como muitos ingênuos acreditam, que existisse antes do capitalismo moderno o tal "estado natural de abundância". A riqueza do rico não gera a pobreza do pobre porque riqueza não é algo estático, algo que sõ pode ser dividido e não aumentado. O capitalismo não exclui; os pobres são apenas aqueles que ainda não foram incluídos na economia moderna. Antes todo mundo era muito pobre, aí todo mundo enriqueceu muito sõ que alguns enriqueceram muito mais que os outros; o balaço é, ainda assim, positivo.

PermalinkPermalink 09.07.10 @ 23:49



Comentário de: Teresa

Podia se chamar também "Pratiquei bullying e me arrependo". Tomara mesmo que não aconteça um repeteco de A casa dos espíritos: anos mais tarde o magrinho general, você professor LLL, começa uma ditadura militar e o general vai pra cima de você acertar contas do passado, com o respaldo de que você é um inimigo de estado.

Mas o passado é passado.

Curiosidade: nesse colégio o uniforme era paletó com brasão, gravata e calça social p/ meninos e saia xadrez p/ meninas?

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 00:13



Comentário de: Bear

Tá nostálgico hoje, Alex!

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 02:23



Comentário de: Jorge Nobre

Duas coisas que todo mundo gosta, e eu não entendo: esportes e pornografia. Qual a graça de assistir os outros fazerem uma coisa que você gostaria de estar fazendo? E qual é a graça de assistir outros fazendo uma coisa que você NÃO gostaria de estar fazendo? Se gosto de um esporte é porque gosto de praticá-lo: não de ver outros caras se divertindo enquanto eu sento em casa. Pornografia, duplo idem.

Oh, Alex, então você toca algum instrumento? Isto é, se você gosta de música? Veja bem, se você gosta de música é porque gosta de praticá-la, não? Dizer que gostar de ver jogo é como gostar de ver alguém fazer o que eu gostaria de fazer, isso também vale para quem gosta de ir ao teatro, a um show de rock, ao show* de uma orquestra sinfônica, a um filme no cinema,

____________________

* Eu falo "show de uma orquestra sinfônica" porque eu não sei se é "concerto" ou "conserto".

(desculpe eu comentar aqui, Alex, é por causa dos problemas técnicos no outro post).

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 08:59



Comentário de: Mário Marinato · http://www.osarcofago.blogspot.com

Alex, você bem que poderia escrever mais posts assim, falando sobre estes detalhes do inglês que a gente não aprende no CCAA.

Muito bom

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 10:16



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

"O capitalismo não exclui; os pobres são apenas aqueles que ainda não foram incluídos na economia moderna. Antes todo mundo era muito pobre, aí todo mundo enriqueceu muito sõ que alguns enriqueceram muito mais que os outros; o balaço é, ainda assim, positivo."

Hã? Antes todo mundo era muito pobre? Todo mundo enriqueceu? O que é isso??!!?!?!

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 11:21



Comentário de: Amora.

Pois é Rogério...eu também não conseguí entender
a linha de raciocínio do Fernando. Ele vem
com aquela idéia ingênua de livrinho de auto-ajuda
no mais puro estilo "Há queijo para todos".

Ele crê REALMENTE que os ricos são ricos
porque merecem, quando diz que "a riqueza do
rico não gera a pobreza dos pobres".Tipo assim,
ser rico é sorte ou merecimento, algo tão
genético quanto a cor dos olhos. Pirei quando
ele disse "o Capitalismo não exclui". Pensei
que ele tava sendo irônico, mas foi só ler mais
um poquinho pra perceber que não.

Ele (e mais meia dúzia) acreditam que o Alex
simplesmente tinha o direito de ter aquele
relógio de 5 mil doláres. Não entendem que,
pra comprar aquele relógio, o pai do Alex(e
gerações anteriores) devia pagar uma miséria pra empregada, pro motorista,
ou pra toda a renca de funcionários que
trabalhavam na firma...Enfim, eles acham que
dinheiro é que nem capim, nasce no quintal de
casa e é colhido com o cartão de crédito. Não
entendem (ou não querem entender) a dinâmica
da coisa.

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 15:04



Comentário de: Fernando

Sim, antes todo mundo era muito pobre em comparação com hoje. Imagine por exemplo, lá no século II, um grande senhor tinha menos bens e conforto que uma família de classe média de hoje. Mesmo um favelado do Rio tem muito mais do que um cmaponês inglês na Idade Média ou um fazendeiro da Idade do Bronze. Toda a humanidade enriqueceu muito com o capitalismo, só que uns enriqueceram muito mais, e isso é o que a esqueda não tolera, porque o ódio dela aos ricos excede o amor aos pobres.

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 20:09



Comentário de: Fernando

O problema das Amoras da vida é que são muito boas em distribuir a riqueza criada pelos outros, como aliás toda a esquerda, mas não tem a mínima noção de como criá-la.

Se a pobreza do pobre é criada pela riqueza do rico, bastaria destruir os ricos para acabar com os pobres. E isso não procede. Imagine que Evo Morales resolve acabar com a pobreza na Bolívia matando todos os ricos do país e distribuindo suas propriedades. Ia ser todo mundo igual na miséria, por nenhuma riqueza foi criada, como aconteceu em Cuba.

Uma sociedade desenvolvida, capitalista e liberal tem sim grande desigualdade entre ricos e "pobres", mas a dinâmica capitalista gera tanta riqueza que mesmo o "pouco" que os pobres recebem já é muita coisa - como eu disse no post anterior, o "pouco" que recebe as massas das nações desenvolvidas é muito mais do que os reis de séculos atrás poderiam sonhar com.

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 20:15



Comentário de: Hugo

"Porque, na prática, os ricos só são
ricos por extrair a mais valia dos pobres. E
isso aqui não é um discursinho esquerdista/comunista/"

Né não?raraarará....

PermalinkPermalink 10.07.10 @ 20:30



Comentário de: thiago

Não sei como esse esquerdistas não esqueceram de respirar ainda.

Reclamam tanto dos religiosos mas tão lá né, acreditando em bobagens tão grandes quanto


PermalinkPermalink 11.07.10 @ 13:41



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

Fernando,

"Mesmo um favelado do Rio tem muito mais do que um camponês inglês na Idade Média ou um fazendeiro da Idade do Bronze".

Não entendi. Que comparação mais sem lógica!! Dizer que um favelado do século XXI tem muito mais bens do que um fazendeiro da Idade do Bronze é, no mínimo, uma canalhice. É a mesma coisa de comparar uma banana-da-terra com uma TV LCD Full HD 72''. É meio equivocado comparar grupos em contextos históricos totalmente diferentes entre si; o nome disso é anacronismo. Os pobres de hoje vivem melhor do que os senhores da Idade do Bronze, mas e os pobres da Idade do Bronze, como viviam? Não eram explorados, não tinham de pagar impostos aos reis, não moravam em condições precárias? Um senhor feudal tinha o mesmo padrão de vida do camponês que trabalhava nas terras dele? A média de vida dos senhores feudais era baixa, mas você não acha que a dos camponeses era menor ainda? E você acha que os camponeses estavam satisfeitos com isso?

Saber que eu vivo melhor do que um senhor feudal ou um fazendeiro da Idade do Bronze não vai melhorar a minha vida em nada, pois eu não vivo na Idade Média e muito menos na Idade do Bronze. No mundo de hoje, 11/07/2010, em comparação com os milionários de hoje, eu sou um preto, pobre, favelado, periférico, suburbano, subempregado, explorado, visto como bandido em potencial pela polícia... Entretanto, eu tenho uma vida melhor do que os ricaços da Idade Média, aeeeeeeeee, iupiiiii, arriba, riba, ribaaaaa...

"Toda a humanidade enriqueceu muito com o capitalismo"

O QUÊ?? Que despautério é esse? Você nunca leu nada sobre o colonialismo europeu nos séculos XVI, XVII e sobretudo no XIX (Conferência de Berlim, Partilha da África...)? Você acha que os camponeses do século XVIII enriqueceram quando foram expulsos das terras onde viviam há gerações e obrigados a trabalhar durante 18 horas por dia nas fábricas? Você nunca ouviu falar no tráfico transatlântico de escravizados? Você nunca leu nada sobre o avanço neocolonial dos grandes grupos empresariais internacionais sobre o petróleo e os diamantes da África? Você não sabe que grande parte das ditaduras no continente africano são financiadas por empresas que querem somente subtrair as riquezas da África ao menor custo possível? Quem você acha que ganhou – e ainda está ganhando - dinheiro com isso? Olhe para a situação atual do continente africano, do Caribe, da América Latina e do sul-sudeste da Ásia para saber quem de fato enriqueceu – e ainda continua enriquecendo - com o capitalismo. Analise a postura dos grandes conglomerados transnacionais contemporâneos para saber quem lucra e quem tem-se lascado com o neoliberalismo. Depois nós conversaremos.

Para ajudar a entender o que é o capitalismo, quem se dá bem e quem se ferra com ele, darei algumas referências:

Vídeos:
1) A História das Coisas: http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E

2) Ilha das Flores: http://www.youtube.com/watch?v=KAzhAXjUG28

3) Entrevista com Patch Adams no Roda Viva (já postada aqui por Cottonboy): http://www.youtube.com/watch?v=ovEzaiOazVc&feature=related

Livros:
1) Capitalismo e Escravidão, de Eric Williams;

2) O Trato dos Viventes, de Luiz Felipe de Alencastro.

Acho que a sua visão idílica do capitalismo mudará bastante depois de assistir e ler este material.

“Uma sociedade desenvolvida, capitalista e liberal tem sim grande desigualdade entre ricos e "pobres", mas a dinâmica capitalista gera tanta riqueza que mesmo o "pouco" que os pobres recebem já é muita coisa”.

Quer dizer que, na sua opinião, os pobres têm de viver com as migalhas e ainda agradecer por isso? Você acha justo que aqueles que trabalham e produzem a riqueza não tenham acesso a ela, e ainda tenham de se conformar com os restos que os ricos jogam para elas? É o famoso “você ainda acha, e está reclamando, porra? Ruim com isso, pior sem isso!” Você quer que os pobres aceitem essa situação de bom grado?

Outra coisa: por que você colocou pobres entre aspas? Você acha que não existe pobreza hoje? A palavra pobres é só um rótulo usado por quem quer se fazer de coitado?

PermalinkPermalink 11.07.10 @ 14:39



Comentário de: thiago

Olha, eu não entendo porquê os esquerdistas ficam propagandeando as vantagens do comunismo ao invés de pegarem um avião e irem desfrutar de uma comunidade igualitária linda e democrática como Cuba ou Coréia do norte...

Fala o que eu digo mas não fale o que eu faço


PermalinkPermalink 11.07.10 @ 15:17



Comentário de: Hugo

Simples Rogério.

As alternativas ao capitalismo geram hordas de pobres.
Capitalismo gera pobres e ricos.
E é isso ai, as 'migalhas' já são mais do que teriam em outros casos. É só comparar operario Chines ou Cubano com Operario dos EUA ou de Taiwan. Onde tem mais disparidade social? Onde o operario vive melhor? O operario dos EUA deve ficar ressentido pq o dono da construtora mora em uma mansao e o cubano feliz pq ele trabalha direto pro Estado, sem ter ninguem a vista 30X mais rico que ele?

Melhor Joao com 20X e Pedro com X, do que Joao e Pedro com X/2.

Como sugeriu o Thiago, pega um aviao e vai conhecer pessoalmente algum desses paises socialistas. Socialismo no dos outros e refresco.

PermalinkPermalink 11.07.10 @ 19:11



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

Hugo,

Quem está defendendo o socialismo aqui? Eu disse isso? Dei a entender? Quer discordar de mim, discorde - mas discorde do que eu disse, não das suas pressuposições. Não diga que eu disse o que eu não disse.

PermalinkPermalink 11.07.10 @ 23:17



Comentário de: caio

oi Alex...

De fato, você não disse isso, mas foi o que eu entendi quando lí seu texto e fiz o primeiro comentário. Me pareceu que você tinha todas essas habilidades valorizadas para se dar bem na Escola Americana. E fazia uso delas. Basta ver como protagonizou as duas anedotas com seu colega argentino.

Se o que contava eram coisas do tipo um inglês fluente e um sotaque perfeito, e você diz que as pessoas tinham medo de você por lá, imaginei que as duas ou três frases que usava para levar os tímidos às lagrimas fossem ditas num inglês fluente e com sotaque perfeito.

Mas você tem razão. São inferências com base em quase nada.

Meu comentário original partia da premissa que essas mesmas habilidades (falar bem, escrever bem) não seriam da mesma valia numa escola do tipo que chamei de “normal”. Por essa razão, comentei que teria sofrido numa escola desse tipo.

Pelo que leio aqui, você parece ser um cara legal,* então fico satisfeito em saber que com as mesmas armas e estratégias teve os mesmos resultados na escola católica.

* Mais uma inferência com base em quase nada.

PermalinkPermalink 12.07.10 @ 09:45



Comentário de: Alex Castro Email

oi caio

eu nao era uma pessoa legal em nenhuma das escolas, mas tento ser hj.

apesar disso, na escola catolica, eu era mt mais agressivo. na americana, eu tentei ser mais politico...

PermalinkPermalink 12.07.10 @ 12:01



Comentário de: Ilan

THIMUN né?
Ah, ali todos os parâmetros mudavam...era a única semana em que quanto mais nerd vc era, mais popular vc se tornava. Pelo menos nos conferences.
Nas festas, era a maior aglomeração que eu já vi de pessoas que nunca tinham estado em situação semelhante. Eu me incluo nessa.

PermalinkPermalink 14.07.10 @ 04:47



Comentário de: Alex Castro Email

eu achei o Thimun muito chato. só fui uma vez lah e passei o resto do tempo perambulando por haia e amsterdam com a isabel...

PermalinkPermalink 14.07.10 @ 04:56



Comentário de: Ilan

Era um porre. O legal era a viagem em si, olhar menina "do mundo todo" (quando na verdade eram várias americanas e européias vivendo em outros lugares) poder fugir do curfew, etc...

PermalinkPermalink 14.07.10 @ 05:05



Comentário de: ruptured spleen · http://rupturedspleen.net

An fascinating discussion is worth comment. I believe that it is best to write extra on this subject, it won't be a taboo topic however generally people are not sufficient to speak on such topics. To the next. Cheers

PermalinkPermalink 30.09.11 @ 03:45



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