História de um Laptop

Estou escrevendo esse texto em um laptop Gateway Solo 5300, produzido em 2000. Foi uma das melhores compras da minha vida. Liloló, engenheira, foi contra toda a vida: não faz sentido comprar uma tecnologia que eu sei que é obsoleta. Comprei. Liloló rodou, o Gateway continua aqui. Kits, Caixas e Coleções com até 80% de desconto!

Na base do puro capricho, coloquei o seguinte anúncio em Craigslists: escritor viciado em internet procura por laptop para usar como processador de texto. Preciso que tenha Word, que o teclado esteja em perfeitas condições para digitação e que não tenha modem, wireless, porra nenhuma. Todo o resto é negociável. Não precisa ter placa de áudio ou de vídeo: basicamente, não precisa mais nada.

E me escreveu um cara. Curioso ver seu anúncio, ele disse. Trabalho com reparo de computadores e acho que tenho aqui exatamente o que você precisa. É um laptop que quase não foi usado, deu um problema no leitor de cd, não tem modem, mas está em perfeito estado. Recebi como parte de um pagamento que me deviam e nunca nem soube o que fazer com ele. Está aqui há anos. É seu por $50.

Comprei. Já faz quase um ano.

De fato, dá pra ver que o laptop quase não foi usado. O teclado, a parte externa, não tem desgaste algum. Tirando o fato de não ler nem CD nem DVD, está em perfeito estado. Dá pra usar internet nele plugando ao meu modem via cabo ethernet mas o bichinho não pega wireless de jeito nenhum.

Melhor compra da minha vida.

Grande parte dos posts que vocês leram no blog, e tudo o que escrevi da minha tese e do romance foram escritos nesse computadorzinho. Já me afeiçoei a ele. É amigo pra sempre.

Engraçado isso, porque eu NUNCA me afeiçoei a computador. Desde que cheguei nos EUA, faço o seguinte: compro um laptop por cerca de $1000, uso por um ano e vendo por cerca de $500. Desse jeito, estou sempre usando um laptop novo, rápido, eficiente. Para não diminuir o valor de revenda, raramente digito no próprio laptop - uso sempre um teclado externo, que trago do Brasil. (Coisas das quais tenho uma pilha em minha casa: sabonete Phebo, havaianas, teclados ABNT2.) Então, não tem como nem porque eu me afeiçoar a laptop. Sei que estou com ele sempre por pouco tempo. Na verdade, penso mais da seguinte forma: vale muito a pena pagar $40 por mês pra usar um laptop sempre novo, sempre top de linha.

Mas o Gateway, assim como o Oliver e o meu fígado, vão ficar comigo pra sempre. Nunca vou passá-los adiante. Nem faria sentido. Um laptop do ano 2000, que comprei em 2009 por $50, não vale literalmente nada.

Quer dizer, a não ser pra mim. Pra mim, esse laptop significou liberdade e produtividade. Coisas que não tem preço.

Rodei defrag e scan disk, apaguei todos os programas, maximizei a performance. Sei que HDs velhos são sentimentais, então salvo meu trabalho no meu pendrive todo dia, só pra garantir. Estava esperando que um laptop tão velho fosse ser instável, lento, imprevisível. Por enquanto, nada disso. Faz tudo o que tem que fazer. Trabalho nele todo dia. Várias horas por dia. Nunca me assustou. Esquenta, é verdade, mas é pra isso que existem os coolers.

Então, eu, que nunca me afeiçoo por objetos inanimados, sejam eles carros ou computadores, comecei a me afeiçoar pelo Gateway. Pra começar, me bateu uma vontade estranha de decorá-lo, personalizá-lo.

No final da década de 80 e começo de 90, quando eu era rico e viajava muito, eu escrevia numa máquina de escrever eletrônica chamada Canon Typestar 7. Foi a precursora do primeiro computador da minha vida - um IBM Thinkpad que comprei em 1994. Viajei o mundo todo com minha Canon Typestar 7, era meu bem mais precioso e eu fazia questão de colar nela um adesivo para cada país que tínhamos visitado juntos. Desde então, nunca mais tive essa viadagem. Agora, voltou. Já não viajo mais - graças a deus! - então colei uma série de adesivos que, cada um deles, diz um pouco sobre mim, quem sou, o que gosto.

Stickers on my Laptop

Existe uma certa poesia de usar um computador de dez anos de idade. De usar em 2010 um computador de 2000. Pra começar, porque o computador claramente não foi feito pra isso. Um computador pessoal de dez anos atrás é quase como ver um mamute na mata atlântica: algo está errado, fora de lugar. Mas também é uma oportunidade pra repensar a década que passou.

Em 2000, eu conheci minha futura mulher.Em 2000, eu trabalhava de consultor para 2pG, que depois virou PromonIP. Em 2000, no auge da bolha, eu cheguei a ir para Nova Iorque para reuniões que nem rolaram. Em julho de 2000, abrimos o SobreSites, levantamos venture capital, alugamos uma sala de esquina no 33o andar do Edifício Avenida Central, com a vista mais linda do mundo, contratei uma equipe de oito funcionários, comprei dez computadores.

Acho engraçado imaginar que aqueles computadores que comprei parece que um século atrás eram iguais a esse que uso hoje. Na época, foi uma delícia comprar os computadores. Eu, que sempre usei computadores vagabundos, pude finalmente comprar computadores fodas, legais, potentes, pra uso corporativo. Mais do que tudo, pela primeira vez na vida, eu tinha uma conexão a cabo, por banda larga, 24 horas por dia. Finalmente, podia navegar na internet a vontade, de computadores rápidos e fodas.

2000 também foi o auge do Napster. Me lembro de deixar o Napster rodando nos dez computadores. Minha impressão é que eu estava baixando o mundo! No Windows Media Player do meu Gateway, lá no canto superior direito, tem o íconezinho do Napster. "Compre essa música no Napster agora!" Meu deus, pensei, há quanto tempo eu nem via aquele ícone! E lembrei de novo daquelas noites no SobreSites, de agarramento com minha mulher no sofá da empresa, de baixar o mundo em dez computadores, de ver todo o Rio de Janeiro languido lá abaixo, de achar que eu iria ficar rico - hahaha! E tudo isso voltou, me bateu, me baixou, somente de ver o ícone do Napster no meu Media Player.

A outra coisa fofa e pre-histórica do meu Gateway é o ícone "Free AOL & Unlimited Internet!" Ai, ai. Alguém ainda lembra do fiasco dos CDs da AOL Brasil? Eu lembro, eu lembro.

Esse laptop, cujo preço sugerido de revenda em 2000 era $1700 (e que comprei em 2009 por $50!) tem 10gb de HD. Meu pen drive, que me custou $25 em 2010 (ou seja, metade do preço do computador), tem uma capacidade de 8gb. Além disso, só UMA saída USB. Alguém se lembra da época em que os computadores tinham apenas uma saída USB? Estou vivendo essa época hoje. E feliz.

Gateway

A própria empresa é folclórica. A Gateway nunca foi uma grande fábrica de computadores. Nasceu em uma fazenda do Iowa (por isso, o símbolo era uma vaquinha!) e se gabava de fabricar seus computadores nos EUA e de ter um atendimento ao consumidor todo feito por americanos! Nunca esteve bem das pernas. Teve uma sobrevida com a bolha, mas logo depois teve que fechar as lojas próprias e acabou recentemente comprada pela Acer em 2007. Mas não deixa de ser fofo ter um laptop com um ícone de vaquinha malhada. (Veja a história da Gateway na Wikipedia.)

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* * *

Também estou fazendo uma coisa nova. O meu último passo em direção a uma americanização patética. Confesso: nunca entendi essa porra de ficar escrevendo em cafés. Esse povo não tem casa? Qual é a graça de pegar seu laptop, arriscando sempre a que ele quebre ou seja roubado, e levá-lo para um lugar onde servem café aguado e caro? Não é mais lógico e mais seguro ficar em casa tomando do seu próprio café? Algumas vezes, eu até tentei ir a cafés com meu laptop (o de verdde, o Toshiba Sattellite de última geração, comprado esse ano) mas não adiantou nada nada: ao invés de ficar punhetando na internet em casa, fiquei punhetando na internet no café.

Bem, mas agora isso mudou. Agora tenho um bom motivo pra sair de casa com o Gateway. Ok, com ele, até tenho conseguido trabalhar em casa. Mas a porra da internet é uma merda. Sério. Certo estava o poeta que disse que escrever é 10% inspiração, 90% não ser distraído pela internet. Se estou em casa trabalhando no Gateway, fica sempre aquela tentação doentia de ou plugar o ethernet e dar uma carreirinha rápida de internet ou, mais provável, abrir o laptop Toshiba rapidinho, só pra ver uma coisinha, verificar um fato, sabe?, ver se o Zé escreveu, super rápido, já desligo!, e quando vou ver, o sol já se pôs. É como tentar exercitar a minha sobriedade trabalhando dentro de um bar.

Mas na rua, se levo o Gateway pro Starbucks e sento lá, simplesmente não tem jeito. Não tem outro computador por perto. Não tem cabo ethernet. Não tem nem filme no computador pra me distrair. Aliás, não tem NADA no HD além dos arquivos nos quais estou trabalhando. Então, colega, quando sento no Starbucks com o meu Gateway, minhas opções são trabalhar ou trabalhar. Seis horas sentado com o Gateway no Starbuck são seis horas líquidas de trabalho. Em casa, mesmo com o Gateway, acho que preciso de um fim de semana inteiro, sem compromisso algum, pra poder arrancar de mim mesmo seis horas líquidas de trabalho. No laptop normal, baixando filme, MSN piscando, Skype tocando, Twittdeck pulando, eu acho que não trabalhei seis horas líquidas no mês de abril inteiro.

* * *

Eu não sei vocês. Não sei se são mais fortes ou menos viciados que eu. Mas preciso disso. A internet é um brinquedo maravilhos, útil. A internet hoje me traz trabalho, contatos, relacionamentos, sexo. Não dá pra viver sem ela mesmo. Mas também não dá pra viver COM ela - pelo menos, não eu. No Rio, no meio do ano passado, eu tinha a seguinte rotina. Fiz questão de não colocar internet na minha casa. Não tinha nem telefone. Então, escrevia, escrevia, escrevia. Chegava a noite e começava a bater aquela carência extrema que só sabe quem passa o dia inteiro sozinho escrevendo - e quase todo dia eu ligava pra algum amigo, saía, tinha vida social. Então, percebi que pelo simples fato de não ter internet, eu estava fazendo duas coisas que gostava, que achava que precisava fazer mais, e que antes quase não fazia: trabalhar e sair. Em uma casa com internet, ao invés de trabalhar de dia, eu ficaria punhetando na internet - sem escrever porra nenhuma. Em uma casa com internet, ao invés de sair à noite, eu ficaria punhetando na internet - tendo mil relações virtuais e nenhuma real.

Sim, eu acho que eu tenho um problema. Eu acho que hoje querer viver sem internet é impossível.Eu já vivo sem carro, sem televisão, praticamente sem celular. Mas sem internet não dá. Por outro lado, também fica cada vez mais claro que também não dá pra viver COM internet. Não me concentro, não faço porra nenhuma, fico só vendo minha vida passar.

Melhor compra da minha vida.

(Quem diria, eu, logo eu, afeiçoado a um objeto. Daí pra monogamia é um pulo.)

* * *

Para quem não quer comprar um outro computador só pra isso, recomendo esse software Freedom. Recém lançado, custa $10 e vale cada centavo. Você estabelece um tempo (tipo 2h) e o programa bloqueia sua internet por 2h. O único modo de desfazer é reinicializando.

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http://twitter.com/AlexCastroLLL

 

21.06.10


Categorias: Tecnologia


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Comentários:


Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Não se preocupe com a monogamia Alex,as chances de vc me conhecer são remotas rs´s.

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 13:15



Comentário de: rayssa gon · http://presencadapeste.blogspot.com

meu deus, cara. eu cheguei aqui no estagio faz uma , sei la, 4 horas e consegui escrever nem 20 linhas de um trabalho pra depois de amanha.

e , não, não adianta vc se "convecer" de que vai terminar o trabalho primeiro pra depois morrer de ler coisas inuteis na internet. não se barganha com a procrastinação.

produtividade? mandou beijo. :(

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 13:30



Comentário de: Cristine · http://www.terracotabolsas.com/rato

"Certo estava o poeta que disse que escrever é 10% inspiração, 90% não ser distraído pela internet."

Certíssimo, Alex! :-)

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 13:51



Comentário de: cavalca · http://pergunteaocavalca.trecosetrapos.org

Esse texto é daqueles pra sair mandando em correntes intermináveis de email.

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 14:06



Comentário de: LHC

Sofro do mesmo vício e já pensei em fazer o mesmo, mas e com a bateria? Não dura muito pouco?

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 15:07



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Nossa. Eu proscratino muito. Sempre acho que tem coisa mais interessante a fazer do que trabalhar. E quando a gente tem um trabalho que não nos interessa, sempre tem mesmo...

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 15:13



Comentário de: Hilton Ferraz

Uma utilidade pra essa sua unica porta USB:
http://www.youtube.com/watch?v=p7IuFW-EG-M

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 21:45



Comentário de: Glauber

indo assim, daqui a pouco tu estará vibrando com a copa

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 22:08



Comentário de: Bia Almeida · http://www.mm-mulherdemarte.blogspot.com

Sei bem como é esse "amor pelo laptop de 10 anos". Aqui em casa temos um laptop e um desktop, com mais ou menos 2 anos de diferença entre eles. Mas temos o Frank.

O Frank é um pc de mesa que nem sei quantos anos deve ter. É do tempo que tínhamos um curso de informática, isso deve ter uns 13 anos. Meu pai ainda o usa e por mais que eu diga que temos que nos livrar dele por ocupar espaço, tenho um carinho por ele. Acho que vai ficar por aqui.

Obs.:
1) O nome é Frank por causa do Frankstein: digo que eles dois foram feitos com vários pedaços de outros corpos (no caso do pc hd de um, drive de cd de outro..)
2) Ele não aguenta rodar o windows 98.

Beijos e obrgada pela pequena sessão nostalgia!

PermalinkPermalink 21.06.10 @ 23:51



Comentário de: Gabriel Leite · http://www.frenesibr.blogspot.com

Eu ainda me engano, acreditando que tenho disciplina suficiente pra fazer as coisas.

PermalinkPermalink 22.06.10 @ 02:08




Where there is a will,there is a way! I believe!

PermalinkPermalink 22.06.10 @ 04:18



Comentário de: winli · http://www.panjewellery.com/

Where there is a will,there is a way! I believe!

PermalinkPermalink 22.06.10 @ 04:18



Comentário de: Marcus

Gostei muito do texto, especialmente porque estava trabalhando no meu notebook sem internet e vim aqui dar uma "olhadinha rápida"...

PermalinkPermalink 22.06.10 @ 04:49



Comentário de: Alexandra · http://www.peregrinatrix.com

Tenho o mesmíssimo problema. Sou considerada por amigos uma "computer geek" mas o único motivo é a internet. Meu pai comprou nosso primeiro computador no final da década de 80, meu irmão mais velho se animou a aprender programação e a usar os editores de texto primitivos, e o meu irmão mais velho se viciou nos games. Eu até tive uma fase que jogava muito videogame mas só fui me interessar mesmo por computador quando descobri a internet em 1996. Não é a toa que conheci meu marido na internet. Esse ano comemoramos 11 anos de casados.

Tenho amigos que usam laptops sem internet. No meu caso o problema não é ter um computador sem internet para aumentar a produtividade. Meu problema é que eu preciso de um computador rápido pois uso o DevonThink Pro para organizar minhas anotações. E precisa ser MAC pois uso vários programas que só rodam no mac, inclusive o DT. A minha solução é ir a cafes que não tenham internet. Aqui em Toronto tem alguns perto do campus que simplesmente não têm wirelesss. É onde consigo ser mais produtiva.

PermalinkPermalink 22.06.10 @ 09:07



Comentário de: Breno Kummel

Esse negócio de limitar o acesso a internet é realmente a melhor coisa do mundo. Escrevi muito nesses 4 meses que tive menos acesso à rede maldita.

PermalinkPermalink 22.06.10 @ 12:46



Comentário de: Teresa

Se esse texto for passado em correntes, espero que não digam que foi o Arnaldo Jabor quem escreveu :-))

PermalinkPermalink 23.06.10 @ 12:50



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

Cara, eu acho - ou melhor, tenho certeza - que também preciso comprar um computador desse (ou baixar esse programa aí;). A internet rouba todo o tempo que tenho para estudar, ler, traduzir documentos... Preciso da internet para trabalhar e estudar, mas ao mesmo tempo a mesma internet não me deixa trabalhar e estudar. Entenderam?

PermalinkPermalink 27.06.10 @ 01:49



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Li uma reportagem da New Yorker sobre procrastinação - http://www.newyorker.com/arts/critics/books/2010/10/11/101011crbo_books_surowiecki?currentPage=all (Também me recomendaram esse texto - http://youarenotsosmart.com/2010/10/27/procrastination/; não li, mas esse site é bom então já passo também)

Ademais, eu aceitei o fato de que eu tenho um vício, no sentido mais forte possível do termo, um vício em Internet. Isso me atrapalha, causa problemas, me deixa infeliz. É incrível, mas uma coisa tão simples pode realmente sair do controle e trazer infelicidade. Eu preciso superar isso, e eu vou, daqui a dez minutinhos, deixa só eu ver se chegou um e-mail que tô esperando.

PermalinkPermalink 05.11.10 @ 17:52



Comentário de: Auto Traffic Hijack · http://www.auto-traffic-hijack.org/#65432446544

okaqamqhapdjmbprvmhgaeisfpmkbejr

PermalinkPermalink 09.03.11 @ 16:09



Comentário de: Anubis · http://www.lhamamute.com

Gostei bastante ^^

PermalinkPermalink 02.03.12 @ 14:40



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