a dor é ética? a vida é sagrada? (parte 2 de 2) UPDATED

(antes, leia a parte 1)

mais do que uma pulsão de morte, vejo a sociedade tomada por uma nociva pulsão de vida. a vida foi sacralizada a tal ponto q todos querem viver a todo custo. outro dia, uma amiga disse que quem fuma é burro. quem puxa o primeiro cigarro é burro. mas como assim?

quem tira carteira de motorista é burro também? e quem come capa de gordura da picanha? não são todas decisões com seu custo e benefício? carros são dos maiores assassinos de nossa época, mas quase todos dirigimos pq achamos que o benefício vale a pena o risco. então pq o fumante, que extrai um enorme prazer do ato de fumar, nao pode, igualmente, tomar a decisão de que o beneficio vale a pena o risco?

Risco Castração e Fúria Masculina

o ser humano é definido por arriscar a vida voluntariamente. muitas dessas pessoas que acham q fumante por definição é burro vestiriam um uniforminho e se proporiam a arriscar a vida para defender uma abstração política patriotica. eu jamais faria isso, mas não os chamo de burros. para eles, seu sentimento de comunidade e identidade com essa abstração política, e os benefícios que tiram de fazer parte dessa comunidade, compensam a possibilidade de, um dia, talvez, serem chamados para dar a vida por ela. (já eu prefiro usufruir dos benefícios e, caso a abstração queira minha vida em troca, fujo pro uruguai, mas eu tb nao tenho honra nem caráter!)

sim, a decisão de fumar encurta a vida de uma pessoa, mas todo dia tomamos outras mil decisões que encurtam nossa vida. morar em grandes centros urbanos encurta nossa vida. existem mil doenças ligadas diretamente a poluição nas grandes cidades. vc, que está lendo isso em São Paulo, vai viver alguns anos ou meses a menos simplesmente por não ter ido morar em algum buraco no meio do mato. não será burrice morar em um lugar que VOCE SABE vai encurtar sua vida? ou será q a vida nos grandes centros urbanos não oferecem beneficios que compensam isso? no ano passado, haviam sempre pelo menos 60 peças em cartaz por fim de semana no Rio. em Pirapora do Mato Dentro, não tem nenhuma, mas todo mundo vive mais!

em um outro exemplo, o mero fato de ser homem encurta significativamente a vida de um individuo. se estamos assim tao preocupados em viver mais, castraríamos nossos filhos como castramos nossos cachorros. homens castrados vivem significativamente mais, não apenas por razões fisiológicas mas, digamos, culturais tb, pois homens cheios de testosterona na cabeça fazem mais merda, dirigem mais rapido, se envolvem em mais brigas e se metem em mais situações de risco de modo geral do que pessoas com menos testosterona.

entao, se vc já se reproduziu, ou não pensa em fazer isso, pq nao se castrar? vc vai viver mais, vai ficar mais tranquilo, vai fazer menos merda, vai gastar menos dinheiro em pornografia. um homem fumante provavelmente ganharia mais anos de vida se castrando do que parando de fumar. pq nao? afinal, a vida não é sagrada? corta fora esse bilau!

Direito de não Fumar Obrigado por Fumar

eu conheco um amigo q ama fumar e é daqueles desinteressados em sexo. já não transa mesmo. com certeza, transar lhe faria menos falta do que fumar. mas ao inves de os amigos fazerem força pra ele se castrar, ficam pentelhando o homem pra parar de fumar - um dos seus grandes prazeres da vida. faz sentido isso?

(nesse caso, eu só diria que, por ele ter libido baixa e não correr atrás de rabo de saia, ele já está a salvo de alguns dos fatores de riscos de ser homem, mas não de todos.)

o meu ponto é: antes de apontar o dedo pra alguem que não abdica de um prazer pra viver um pouco mais, coloque a mão na sua consciência: que prazeres vc não abdica pra viver mais? está disposto a não trabalhar em escritório? a ir viver no campo? a parar de beber e comer carne vermelha? a parar de dirigir? pq nao? te garanto que vc iria viver mt mais!

mas a minha pergunta é: pq de repente viver mais se tornou um valor auto-explicativo q se sobrepoe a todos os outros? como se a vida fosse sagrada e boa e indispensavel intrinsecamente? de onde veio essa loucura coletiva?

* * *

O artigo acima é um rascunho (explicações aqui) mas, como sei que vão me acusar de maluco, fui buscar algum apoio para minhas afirmações sobre castração masculina. Perguntem a deus que vocês encontram mais:

A explicação mais imediata para a fragilidade do sexo forte em relação aos agentes parasitários e infecciosos é a de que a testosterona, o hormônio sexual masculino, provoca depressão imunológica. Um trabalho clássico, publicado há mais de 30 anos, mostrou que os homens castrados vivem em média 15 anos mais do que os não-castrados e que, quanto mais precoces forem quando sofrerem a castração, maior será a sua longevidade. (fonte: "A longevidade do sexo frágil", de Dráuzio Varella.)

* * *

Update

Nova polêmica nos comentários: afinal, dirigir é uma necessidade?

Em 2009, o trânsito de São Paulo matou 1.382 pessoas. Só 222 eram motoristas. 671 eram pedestres. A maioria deles morreu em cima da faixa de pedestres. 30% das vítimas eram idosos, cuja velocidade é menor. Morre mais gente no trânsito do que por homicídio na cidade. Homicídios tendem a se concentrar na população de jovens adultos homens. Já as mortes no trânsito costumam privilegiar os mais fracos: idosos e crianças entre eles. ... Por que é que o trânsito, que mata mais brasileiros do que a aids, a diarreia ou o câncer de pulmão, não vira prioridade para a saúde pública? Como é que o carro, que mata mais que o revólver, não tem seu uso controlado? (fonte: De quem é a rua?, de Denis Russo Burgierman)

A decisão de desmontar a malha ferroviária (incluindo trens e bondes urbanos) e construir toda uma sociedade centrada em volta do carro é uma escolha que custa milhares e milhares de vida por ano. Não é uma necessidade. Nem uma fatalidade. É um custo-benefício.

Se não começarmos a encarar nossas escolhas como ESCOLHAS e não como NECESSIDADES, nunca conseguiremos mudar nossos maus-hábitos.

* * *

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26.05.10


Categorias: Comportamento


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Comentários:


Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

É por isso que eu tenho feito um esforço diário para não mais satanizar as pessoas que gostam de fumar maconha e crack e/ou cheirar cocaína. Enquanto os usuários dessas substâncias estiverem se divertindo em paz, nada contra. Cada pessoa tem o direito de fazer o que quiser com a sua vida (desde que não prejudique a vida dos outros, é claro), e se há quem sinta prazer em consumir essas substâncias, paciência. Há gosto para tudo.

Certamente haverá quem diga que essas drogas estão relacionadas a todo um contexto de violência (assaltos, assassinatos, prostituição e tudo o mais). A essas, eu pergunto: só existe violência relacionada ao uso de drogas ilícitas em nossa sociedade? Não há violência relacionada ao consumo de álcool, que também é droga? Todos os membros de torcidas organizadas cheiram cocaína antes de saírem quebrando tudo o que encontram pela frente? Os motoristas que atropelam e matam pessoas nas ruas das nossas cidades só fazem isso quando estão drogados? Todas as pessoas que vivem da prostituição só fazem isso para comprar maconha, cocaína ou crack?

Sei que isso vai dar muito pano pra manga, mas depois eu voltarei para ver no que isso deu. Já está tarde.


PermalinkPermalink 26.05.10 @ 03:12



Comentário de: Leo

Eu acho que nem é uma questão necessáriamente de pulsão de vida, mas mais de um higienismo. Essa coisa de "geração saúde", comer barrinha de cereal (que tem tanto açúcar quanto uma de chocolate), etc. Me parece mais um lance foucaltiano de um biopoder do que uma expectativa cega de viver mais.
Nesse sentido, não creio que seja a vida que seja sagrada, e sim um "certo", um "reto" jeito de viver a vida. É a liberalidade disfarçada de um conservadorismo ainda maior.
E Rogério: você está certíssimo. Toda vez que começa na minha roda de amigos uma discussão sobre drogas, eu sempre digo que é totalmente babaca falar de drogas sem lembrar que álcool e tabaco são drogas. E o álcool é tão "danoso" socialmente (ligado a indicadores de violência urbana) quanto qualquer outra.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 08:47



Comentário de: Thiago

Olha, esse primeiro parágrafo deveria ser colocado numa moldura

Agora virou modinha PC condenar até a bebida alcóolica. Poucos sabem que ser intolerante é que encurta a vida.

E vou falar aqui, ambos meus avôs beberam bastante, e um fumava muito. Minhas avós quase não bebiam e nunca fumaram.

É, meus avôs estão aí ainda, já minhas avós já são falecidas




PermalinkPermalink 26.05.10 @ 09:03



Comentário de: Vinicius · http://www.cabanadeinverno.wordpress.com

Caraca, esse texto foi o melhor que eu já li aqui. Digo, a crítica da crítica foi muito boa.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 09:07



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Tem toda a razão. Mas eu só faço um adendo quando se fala sobre drogas: defender a saúde não é necessariamente defender a vida a qualquer custo, mas uma vida com um mínimo de qualidade. Porque as pessoas sempre fazem essa associação de quem fuma pode morrer disso, e morrer disso eu nem acho o pior, já que morrer morreremos todos. O problema é ficar, sei lá, anos tendo que usar respiração artificial, por exemplo.

Mas no ponto principal acho irretocável. Escolher o que fazer da sua própria vida. As pessoas deveriam ter a maior qauntidade de informação possível sobre o riscos para pode escolhê-los. Isso é liberdade.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 09:24



Comentário de: Fabio Robbe

Acho que esses temas não são simples. Condenar alguém por cometer suicídio é um ato moral. Particularmente, só condeno o suicídio se a pessoa deixou alguém muito mal com isso. Se matar pra família receber um seguro é válido, não? Agora, se matar e deixar a família (ou a nação? blé :P) na mão é phoda. Mas aí é a minha moral.
Acho que dá pra dividir essa retórica da saúde entre os qe pregam uma vida mais longa e os que pregam uma vida melhor.
Uma vida melhor continua sendo o melhor de cada um. Posso passar sem carne vermelha, mas não me tira meu vinho. E olha que eu não devia beber muito.
Dá pra dizer que há um consenso sobre viver mais quando a Miriam Leitão vem reclamar que a vida mais longa vai quebrar a previdência?
O valor da vida sempre aparece quando se tenta definir valores universais para a humanidade. Mais uma vez, é o campo da filosofia moral.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 11:21



Comentário de: João Ricardo da Silva · http://berimbeat.wordpress.com

o problema não seria viver menos, o problema seria viver com cancer de pulmão, com sofrimento.


PermalinkPermalink 26.05.10 @ 13:09



Comentário de: aiaiai

Alex,

to super sem tempo para elaborar melhor, mas acho que você está partindo de uma visão pessoal do cigarro e generalizando. Você sente prazer ao fumar mas fumar não dá prazer a todos. A maioria das pessoas se sente muito mal quando fuma pela primeira vez e só continua porque de alguma forma relaciona o ato de fumar a algo desejável. Depois de um tempo fumando é que o cigarro dá enorme prazer...quando você já está viciado. Eu fumei durante muitos anos e não parei porque queria viver mais, parei porque não queria ser mais uma viciada.
A priori fumar não é prazeiroso como fazer sexo, nem é uma coisa necessária, como dirigir. Qd eu comecei a fumar o cigarro era uma coisa normal, todo mundo fumava, não se sabia que fazia tão mal nem que era viciante (ou melhor, os fabricantes sabiam kkkk).

Ou seja, vc acha fumar muito prazeiroso, então, isso justifica o fato de que talvez esse prazer tire alguns anos de vida ou te deixe numa cama passando mal durante uns pares de anos.Beleza. Da mesma forma eu acho que dirigir é fundamental para o meu estilo de vida hoje...facilita, permite que eu faça mais coisas em menos tempo. É um risco que eu quero correr...cada um escolhe os riscos que quer correr.
Agora, dizer que estamos todos parando de ter um prazer maravilhoso de fumar para poder viver mais tempo é um exagero seu.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 13:29



Comentário de: Alex Castro Email

aiai

vc nao entendeu entao.

pra começar, eu nao gosto de fumar cigarro. odeio.

e, depois, meus gostos pessoais nao tem nada a ver com isso. estou justamente falande de cada pessoa e SEU gosto, qq q ele seja. fumar é só um exemplo.

estou justamente falando que TODO mundo toma decisões perigosas, ou que podem ou vão seriamente encurtar suas vidas, pq acham que essas decisões valem a pena, pq lhes dão prazer, etc.

estou falando que é rídiculo o cara que não gosta de fumar dizer que o cara que fuma é burro por fazer algo que lhe encurta a vida... quando ele TAMBEM faz mil outras coisas que lhe encurtam a vida.

fumar é só um exemplo. substitua pelo que vc quiser.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 13:50



Comentário de: Paulo

Alex
Muitas comparacoes entre laranjas e bananas.
Comparar fumar com dirigir um carro eh enganoso ja que dirigir eh uma necessidade. Agora, vc poderia comparar fumar com dirigir em alta velocidade. Ai sim.

Agora, eu concordo com vc que a vida no geral eh um 'risk management' e que realmente o caso do cigarro nao eh tao diferente assim de muitas outras atividades com menos estigma. O que eh engracado ja que ha alguns anos o cigarro tinha um estigma totalmente inverso.

Mas eu nao entendo muito bem qual eh o seu ponto ... Se o ponto eh que pessoas deveriam ser livres para se matar, seja qual for a maneira, eu concordo com algumas excecoes. Alguem ai em cima disse que usuarios de cocaina e crack sao ok se mantiverem a coisa 'no nivel pessoal', e o problema eh que esse tipo de droga invariavelmente prejudica a sociedade. Eh impossivel vc ter uma populacao que fuma crack e nao ter acidentes a mais, gastos com saude publica a mais, etc, etc. A solucao eh: ou entramos num libertarianismo total aonde ninguem precisa pagar comida ou remedio para os viciados que nao conseguem mais se sustentar, ou a solucao atual aonde o governo por meio da forca tentar manter o numero de drogados desse nivel sob controle.

Entao, qual eh o seu ponto?

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 13:52



Comentário de: Arthur

Cara, se dirigir é uma necessidade fico pensando como toda minha familia viveu todos esses anos...

E não sei se "dirigir é fundamental para o meu estilo de vida" é mais argumento do que fumar é necessario para alguns estilos de vida.

Tipo, pro estilo de vida dos noias da crackolandia fumar crack é fundamental, se eles pararem de fumar crack não são mais noias da crackolandia.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:06



Comentário de: Leo

Calma lá né Paulo.
Pra começar: dirigir nunca foi necessidade. É uma escolha. É uma escolha complicada, faz parte de uma porção de outras coisas, mas é escolha. Você pode morar mais perto de onde trabalha (ou mais perto dos serviços que usa), pegar ônibus, metrô e o escambau. E não adianta dizer que é porque no Brasil não funciona porque todo mundo sabe que a principal razão pela qual as pessoas querem ter carro é conformismo ou pior, status.
Dito isso, eu extendo a crítica: você diz que um país inteiro não pode usar crack e não ter acidente a mais, e eu te digo que um país inteiro não pode querer dirigir sem ter MUITO mais acidentes, como as estatísticas revelam. Isso fora outros problemas, como o trânsito, a poluição...
Só porque é o que a gente vê mais não significa que é mais normal, ou ainda, mais certo.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:10



Comentário de: Leo

Eu mandei um estender com "x" aí, mas enfim, paciência.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:11



Comentário de: Alex Castro Email

pois é, paulo, se vc acha mesmo q dirigir é uma necessidade mas fumar é uma escolha, fica dificil...

eu, por exemplo, moro em nova orleans há 5 anos e não tenho carro... mas besteira até falar isso, né? quanta gente não vive sem carro, ué?

vc deve ter uma definicao de necessidade bem diferente da minha....

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:13



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Ok, se vai comecar com semantica eu diria que se locomover eh uma necessidade. A nao ser que vc queira viver numa fazenda e criar sua propria comida com ferramentas que vc mesmo criou. Come on now.

Existe uma diferenca enorme entre vc pagar o preco por viver numa sociedade (dirigir, poluicao, crime) e opcoes de lazer que sao prejudiciais a saude (fumar, pular de paraquedas, etc). O primeiro grupo de atividades nao eh opcional para a grande maioria das pessoas ja que os empregos estao aonde estao, vc nao pode perder 2h para andar da sua casa ate o mercado, etc, etc.

Agora, se vcs quiserem fingir que eh tudo igual entao paciencia. Boa sorte.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:17



Comentário de: Alex Castro Email

paulo,

ninguem está brincando de semantica nem de sofisma, etc.

o simples fato de haver milhoes de pessoas que organizaram sua vida para nao ter carro, e fizeram essa escolha consciente, é uma prova que ter carro nao é uma necessidade, ue. nao tem joguinho de palavras.

qd vim pra nova orleans, eu propositavelmente escolhi uma casa perto da universidade, para que eu pudesse ir e voltar a pé e não precisasse de carro. eu fiz uma ESCOLHA e construi o meu estilo de vida aqui em torno dessa escolha. por exemplo, eu comprei um carrinho de compras, q uso pra ir e voltar até o mercado mais proximo, etc.

entao, vc simplesmente nao pode olhar para minha vida, toda construida em torno de nao ter carro, e dizer que carro é uma necessidade...

se uma pessoa decidiu morar num suburb e tem uma commute de duas horas que exige que ela tenha carro, é pq ela tomou essas decisoes que a colocaram numa posicao em que o carro tornou-se necessário, etc...

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:21



Comentário de: cottonboy · http://www.twitter.com/cottonet86

Dito isso. Moro em Porto Alegre, tenho 24 anos e nunca tive carro, por opção própria. Pego ônibus ou, se muito (quando preciso mesmo) um taxi. E vivo muito bem com isso. O ponto é do lado da minha casa e em 15minutos o ônibus me deixa no trabalho.

Carro não é necessidade. É comodidade.

São coisas completamente diferentes.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:30



Comentário de: Arthur

É foda.

O pessoal escolhe um estilo de vida que os obriga a ter carro, e depois dizem que ter carro é uma necessidade imposta pelo estilo de vida e não uma escolha.

Se locomover é uma necessidade.

O pai de um amigo meu mora em São Paulo e trabalha no Rio.

Tem que pegar a ponte aérea toda a semana.

Claro que é uma necessidade fazer isso enquanto ele morrar em Sampa e trampar no Rio.
Mas é uma necessidade por que ele ESCOLHEU morar em sampa e ESOLHEU trampar no rio.

Claro que ele tem seus motivos, mas é uma escolha conciente.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:31



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Ok, entao vou precisar explicar isso. Logico que existe a possibilidade de vc morar em uma cidade que nao precise de carros. Vc Alex em NO tem essa possibilidade. Agora, uma enorme maioria de pessoas nao tem. Ou se vcs preferem, uma enorme maioria escolhe carros porque essa eh a escolha mais 'segura'. Se eu mudasse de emprego agora e precisasse trabalhar em uma empresa X que fica ha 10 milhas da minha casa, a escolha mais logica (e segura) seria dirigir. Se eu tentar vender minha casa para comprar uma que fique perto do trabalho eu provavelmnte perdeira dinheiro, que pode ser usado de maneiras muito mais eficientes como se preparar para uma doenca, aposentadoria, etc. Em lugares como SP vc pode amplificar esse problema e analisar todos os problemas com transporte publico (o que eh mais seguro: andar de carro ou de onibus? qual eh a taxa de assalto das pessoas que resolvem andar? E os atropelamentos?). E por ai vai.

Como eu disse no comeco, a vida eh um exercicio de risk management. Mas existem categorias totalmente separadas aqui. Dizer que a escolha de dirigir um carro (dentro da lei e com o intuito simples de chegar num ponto X) eh comparavel com a escolha de fumar cigarro eh uma falacia basica.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:49



Comentário de: Adriano

Por que eu viveria uma vida sem riscos? Seriam 150 anos de pura chatice.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 14:56



Comentário de: Alex Castro Email

paulo,

nenhuma escolha é 100% livre - em geral, é a direita que fala isso pra esquerda... Nossas escolhas são determinadas por nossa regiao, nossa lingua, nosso sexo, nossa classe social, etc... Mas não deixam de ser escolhas...

Necessidades mesmo é comer, beber, sexo, abrigo, trabalho, roupas.... Muito pouca coisa.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 15:00



Comentário de: Adriano

Trabalho é realmente NECESSIDADE? Ou é uma escolha para conseguir as necessidades?

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 15:21



Comentário de: Leo

Paulo,
Eu devo ter perdido a parte onde fumar é fora da lei e não serve pra chegar a ponto nenhum.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 15:34



Comentário de: Arthur

Paulo se você ESCOLHECE aceitar um emprego a 10 milhas da sua casa você ia precisar de um carro.

Agora analizando os outros problemas, eu não consegui achar as estatisticas sobre assaltos a pessoas em carros, mas você acha que é por isso que pessoas escolhem o carro? Por causa da segurança?

E colocar o risco de ser atropelado foi sadico.

"Eu vou subistituir o risco de ser atropelado pelo risco de atropelar"

Essa é a logica das pessoas?

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 16:55



Comentário de: Arthur

Acho que inauguramos uma nova falácia. A de comparar o socialmente aceito com o tabu.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 16:58



Comentário de: Splatt

Realmente, o autor do post tem razão. Todos que residem nas grandes metrópoles, incluindo os esfarrapados desnutridos da periferia, têm a liberdade de ir morrer de fome no interior, em alguma região bem bucólica. Isso é muito óbvio! Mas por que diabos eles não fazem isso, hein? Esse povo é muito lorpa mesmo! Viva a clarividência deste blog!


PermalinkPermalink 26.05.10 @ 17:02



Comentário de: Paulo · http://fyiblog.wordpress.com/

Alex

Sim, eu nao sou daqueles que acho que suas decioes pessoais sao 100% controlaveis e sem influencia do meio. Se isso me distancia da 'direita' so be it.

E eh obvio que qualquer coisa que fazemos, desde nosso corte de cabelo a nossa profissao pesa nos riscos que corremos ou deixamos de correr. Mas querer comparar esses riscos 1:1 continua sendo uma falacia basica. Dizer que quem fuma eh tao irresponsavel quanto quem escolhe mudar para SP porque vai ter um emprego que seja melhor para sustentar sua familia eh o cumulo do absurdo.

Mas se o que vc quer eh uma polemica de post que vai aumentar seus page views no dia, good work.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 18:07



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

"Alguem ai em cima disse que usuarios de cocaina e crack sao ok se mantiverem a coisa 'no nivel pessoal', e o problema eh que esse tipo de droga invariavelmente prejudica a sociedade".

Paulo,

Os acidentes de veículos também prejudicam bastante a sociedade, mas por que ninguém faz uma campanha para convencer as pessoas a não comprar mais carros? Como já foi dito, os acidentes automobilísticos matam mais do que os homicídios por arma de fogo no Brasil, mas apesar disso as ações publicitárias para vender carros não param de aparecer na mídia. Se bem que os mortos são o de menos, pois, para mim, pior são aqueles que ficam mutilados e inválidos para o resto da vida. Eu acho isso muito mais foda do que morrer.

Sobre o consumo de substâncias ilícitas, o nosso problema é que nós sempre vemos os consumidores de cocaína, maconha e crack como criminosos em potencial (exceto se eles forem branquinhos de classe média, é claro). Achamos sempre que a única forma de conseguir dinheiro para consumir essas substâncias é praticar assaltos e furtos por aí. Entretanto, eu conheço muita gente que não rouba, não furta, não mata, não se prostitui, trabalha "honestamente", mas gosta de dar um teco ou então queimar um fininho de vez em quando. Já fui a festas na casa de amigos, e vi várias pessoas fumando maconha lá. Pergunto: que mal há nisso? Qual é o prejuízo que essas pessoas causaram à sociedade? Que tipo de incômodo essas pessoas provocaram para o restante do mundo? Qual foi a desordem social resultante disso? Vocês ficaram sabendo disso se eu não tivesse contado isso aqui? E se eu não tivesse falado nada, a vida de vocês continuaria como se nada tivesse acontecido ou não? Dentro da minha casa, na minha privacidade, com os meus amigos, eu tenho o direito de fumar, beber e cheirar o que eu quiser. Deveria eu ser visto como uma ameaça ao convívio social se agisse assim?

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 18:25



Comentário de: pedro · http://quilombo.blogsome.com

É uma piada...

Carro, no sentido de um veículo automotor de uso pessoal, é totalmente desnecessário mesmo em uma grande cidade, que pode viver muito bem só com metrô e ônibus (que matam muuuuuito menos).

------

Grandissíssimo texto, Alex! Muito bom mesmo.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 18:32



Comentário de: Alex Castro Email

Paulo

Dizer que quem fuma eh tao irresponsavel quanto quem escolhe mudar para SP porque vai ter um emprego que seja melhor para sustentar sua familia eh o cumulo do absurdo.

irresponsável??? onde vc me viu falar isso???

estou falando justamente o oposto... que somos responsáveis por nossas ações, por nosso risk-assessment... o ser humano que decide fumar, apesar dos riscos, é tão responsável quanto o ser humano que decide, sei lá, morar em SP ou escalar o Himalaia, apesar dos riscos...

onde vc me viu chamar alguem de irresponsável??

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 19:04



Comentário de: Alaide

Muito bom o texto!

Acho que a única necessidade mesmo é comer e beber, pra pelo menos sobreviver.

Até roupas tem seu limite de necessidade, você pode ir morar numa comunidade onde não precise usar roupas e não querer sair de lá. Nos dias de frio é que a coisa pega. Considero abrigo nesse nível também. rs

Trabalho também é uma escolha, você pode virar um mendigo e sair pedindo as coisas para os outros ao invés de trabalhar e comprar.

E o dia que carro for uma necessidade e não um conforto vou me mudar pra Marte. :P A situação do transporte público e a quantidade de pessoas que moram numa cidade grande ludibria o pensamento das pessoas ao ponto de acharem que carro é uma necessidade, mas eu não acho isso não.
E quanto a relacionar violência com transporte, quem usa carro, corre muito mais risco de sofrer um sequestro relâmpago do que quem anda de ônibus e vira refém de um bandido, por exemplo. E quanto a ser assaltado você pode ser assaltado tirando o carro da sua garagem ou indo a pé para o supermercado. Achei meio ingênuo fazer essa comparação de o que é mais seguro, até porque esse tipo de coisa INFELIZMENTE não escolhemos. rs Os bandidos é que nos escolhem. rs

E talvez queremos prolongar a vida a qualquer custo por medo de morrer. Só resta entender porque hoje em dia isso é tão mais forte do que antigamente...

Mas eu acho que essa nova onda do politicamente correto é que tá fazendo as pessoas sempre pegarem algum malefício pra cristo. Ontem a carne vermelha, hoje o cigarro, amanhã será o sal e depois de amanhã o açucar... Queremos um mundo perfeito...

E aí eu lembrei da música Minha Filosofia do Aluísio Machado...

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 21:54



Comentário de: Alberto

Ora, malhar é sentir dor. Fazer um sacrifício. Suar. Sofrer. No pain no gain.

Mas não malho porque quero viver 10 anos a mais, malho porque vivo melhor HOJE. Me sinto mais disposto. Fico menos doente. Sinto mais prazer em viver.

O cigarro é o oposto. Eu não fumo, mas não é porque estou preocupado com o futuro. Em chegar aos 100 anos. Eu não fumo, porque quero viver bem HOJE. E fumar vai me fazer tossir, tirar a minha disposição, atacar o meu sistema imunológico. Quando pegar aquela pneumonia, vou pensar: "que merda. tudo por causa desse cigarro".

No fundo, é um prazer que te cobra caro. O custo benefício do sexo me parece muito melhor.



PermalinkPermalink 27.05.10 @ 00:15



Comentário de: Mêlanie · http://www.seuwebsitenainternet.com.br

Uma ótima crítica. Parabéns pelo post. Excelente.

PermalinkPermalink 27.05.10 @ 11:16



Comentário de: Mariana

fulando dizendo que mora em porto alegre, nos
EUA e tal... Aì é fácil não ter carro.

Vem pra cuiabá, cujos dias mais agradáveis
sempre passam dos 30 graus, e não é difícil
os termometros marcarem 40. Vem andar a pé aqui,
ao meio dia (hora que eu preciso ir pro estágio.
o percurso de carro leva meia hora. mas não, eu
não posso me mudar, porque moro perto da faculdade.
estudo a noite e aí sim, vou a pé;).

EU sei que esse não é o assunto central do texto,
mas realmente eu devo concordar que dirigir é sim
uma necessidade em muitos casos. Ao contrário
de fumar. Mas eu entendi seu texto, só achei a
comparação não muito válida.

PermalinkPermalink 27.05.10 @ 15:38



Comentário de: Mariana

Mas sério. Outro dia mesmo, no meio de um
engarrafamento infernal, eu me peguei culpando
o maldido ser humano que inventou o carro.

Se não fosse ele...

* As pessoas levariam mais tempo pra percorrer
pequenas distâncias (logo, elas iriam menos à
locais distantes, e com menos frequência, de modo
que não haveria hora de pico e engarrafamentos i
infernais);

* as cidades seriam menores em tamanho, extenção.
Ninguém ia querer levar três horas a pé de caminhada
pra chegar no trabalho, levar as crianças pra
escola; almoçar no shopping. Criarímos pequenos
ninchos (como é em são palo. muita gente, se tivesse
opção, nem sairia dos bairros).

* a vida seria bem melhor sem perder tempo em
carro, onibos e transito.

A culpa toda é do fdp que inventou o carro.

PermalinkPermalink 27.05.10 @ 15:46



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

Os carrodependentes são tão engraçados... eles esquecem que mais de 2/3 das pessoas vivem sem carro e tocam suas vidas muito bem (números para São Paulo)... hahaha

PermalinkPermalink 27.05.10 @ 16:08



Comentário de: fernando

Mariana, aqui em Porto Alegre chega a fazer 40 no verão. Também não é agradável.

Sem contar que no inverno faz seis, oito graus. Que também não é agradável, principalmente para quem não está motorizado.

PermalinkPermalink 28.05.10 @ 09:57



Comentário de: Alberto

Além do mais, as analogias feitas no texto são bem fracas.

1) Me mudar para o meio do mato para ter uma vida mais longa envolve uma reviravolta completa na vida: mudança, emprego, família, amigos, estilo de vida.

2) Me castrar também é algo que não vai me dar algo facilmente - vai me tirar uma parte do corpo. É um procedimento cirúrgico complexo. Socialmente não é nem um pouco aceito como normal. Vai afetar completamente a minha vida sexual.

3) Comer a gordura da picanha: conhece alguém viciado nisso? Que não consegue ficar um dia sem? Que sofre crises de abstinências por causa disso? Uma coisa é se alimentar mal diariamente, a outra é sucumbir a um vício.

4) Parar de dirigir é outra analogia falha. Não é insalubre dirigir. Pode ser perigoso a longo prazo, principalmente se associado a imprudência, bebidas ou desatenção. Mas você não "morre um tostão" cada vez que dirige. A não ser para os estatísticos.

Aliás, não estou dizendo que é o seu caso, mas as pessoas adoram justificar os seus próprios erros e defeitos.


PermalinkPermalink 29.05.10 @ 00:38



Comentário de: Alex Castro Email

Aliás, não estou dizendo que é o seu caso, mas as pessoas adoram justificar os seus próprios erros e defeitos.

hmmm... realmente nao entendi bem... analogia falha com o q?? qual o tipo de erro q eu (ou "as pessoas") estão testando justificar?

o texto é um texto generico sobre nos resposanbilizarmos por nossos prazeres... nao vejo qual possa ser a justificativa......


PermalinkPermalink 29.05.10 @ 00:45



Comentário de: Paulo Arno

Alex

Sobre a sacralizacao da vida, e se entendi bem teu texto, nos anos pos-guerra (2 WW) o que houve na verdade uma "marketigzacao" (sic) da vida e de suas fases. Criancas passaram a ser um filao muito disputado ao serem tornadas consumidores avidos por novidades, assim como a terceira idade passou a ser o pote de ouro do turismo e da medicina estetica moderna.

Sei que soa bem esquerdinha isso que vou dizer, mas o fato e que cash rules everything around us.

PermalinkPermalink 29.05.10 @ 14:30



Comentário de: Alexandre

Quem fala mal de cigarros e fumantes é pink
wiccan HAHAHA!

PermalinkPermalink 30.05.10 @ 15:29



Comentário de: Alberto

A questão é que estabelecer um custo benefício para o ato de fumar é algo bem non-sense.

Se for para fazer analogias, então o prazer de fumar poderia ser comparado com o prazer de beber uma água gelada após correr debaixo do sol após quase se desidratar. Compensa esse custo benefício?

O que quero dizer é que o ser-humano busca, em geral, a felicidade, e não a tristeza. Busca a saúde, e não a doença. Busca a riqueza, e não a miséria.

Como ser feliz não tendo saúde? Já definiram inclusive a felicidade plena em função da saúde.

Embora nem sempre tomamos decisões para alcançar esses objetivos, o fumo é um dos maiores problemas de saúde mundial, perdendo apenas para a obesidade. Começar a fumar não é uma questão de custo-benefício - é um erro, assim como continuar fumando. Quem fuma não é pior do que outra pessoa, apenas possui um problema GRAVE que deveria ser tratado.

Estamos falando de obter um prazer a custa de muito sofrimento. Pois é um VÍCIO - a cada minúsculo momento de prazer haverá um grande e crescente desconforto por causa da dependência, dos danos causados à saúde (física e mental), do custo financeiro, etc.

Não se compara o cigarro com a decisão de morar na cidade grande, ou a ter ou não relações sexuais, a dirigir, a comer fast-food - desde que nada disso esteja associado a um vício.

PermalinkPermalink 30.05.10 @ 23:50



Comentário de: Paulo Arno


Life’s journey is not to arrive at the grave safely, in a well preserved body, but rather to skid in sideways, totally worn out, shouting “Holy shit, what a ride!”


PermalinkPermalink 31.05.10 @ 20:54



Comentário de: Branco Leone · http://brancoleone.wordpress.com

"pq de repente viver mais se tornou um valor auto-explicativo q se sobrepoe a todos os outros?"

Porque enquanto você está vivo, continua dando lucro a alguém.

PermalinkPermalink 05.06.10 @ 07:41




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Do not handicap your children by making their lives easy. -Robert A Heinlein

PermalinkPermalink 26.11.10 @ 06:03



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