a dor é ética? a vida é sagrada? (parte 1 de 2)

(Esse é um post-rascunho. Em dezembro, descobri que meu ex-roommate e grande amigo Roberto tinha cometido suicídio. Em fevereiro, sua irmã, Maria, com quem ele morava na época, veio me visitar, pra me conhecer, pra ver a casa onde ele morou, pra trocarmos histórias. Foi um fim-de-semana único. Encontramos também Rosamaria, doutoranda em psicologia, ex-roommate minha e do Roberto. Naturalmente, a conversa passou pelo espinhoso tema do suícidio. Depois que elas saíram, fiquei com a cabeça girando de idéias e escrevi o post-rascunho abaixo, só pra não esquecer tudo o que pensei. Também li um artigo fundamental na New Yorker, Head Case: Can psychiatry be a science?, que por sua vez, me levou a ler uma série de artigos e livros sobre o assunto, dos quais recomendo Creating Mental Illness e The Antidepressant Era. O texto rascunhado passou três meses na minha área de trabalho e, por pura preguiça, vou publicá-lo assim mesmo. Corrigi apenas alguns erros de ortografia que poderiam causar mal-entendidos.)

A Dor Depressão e Melancolia

conversa sobre roberto com rosa maria. em que ponto é uma decisao valida se matar? rosamaria diz q o suicidio nao é valido se fruto de uma doenca mental, e eu concordo. mas o que é uma doenca mental? quem define? é facil de saber o funcionamento normal de um rim e, consequentemente, quando um rim não está funcionando direito, mas pra dizer que a cabeça de alguem não está funcionando direito, teriamos que estabelecer um padrão de normalidade mental que é altamente perigoso. nada q foucault já nao tenha dito.

qd começo a puxar por exemplos de suicidios cometidos por "bons motivos", ela rechaça todos. pergunto: entao, ok, se o suicidio nao é valido quando a pessoa está com uma doença mental, me dá um exemplo de uma decisao de cometer suicidio que vc reconheceria como partindo de uma pessoa racional que tomou uma decisao racional. ela nao consegue dizer nenhum de suicidio teoricamente valido, nenhum exemplo. todos os motivos existenciais que poderiam levar alguem ao suicidio ela imediatamente patologiza, os transforma em doença mental. diz q nao é valido se uma pessoa estiver sofrendo de extremo desespero, por exemplo. mas desespero é doença mental? vamos agora proibir o desespero? todos os desesperados são doentes passíveis de ser curados pelos remedios certos? nao existirao milhares de motivos perfeitamente validos para pessoas mentalmente sadias se sentirem desesperadas ou desesperançadas? e para quem está desesperado e desesperançado, nao pode o suicidio ser uma opção valida e racional? será que, num diagnostico a posteriori, todo suicida sofre de doença mental... pelo simples fato de ter optado pelo suicidio?

rosamaria admite, relutante, por fim. pra ela, se uma pessoa cometeu suicidio, entao, por definição, ela tinha algum tipo de doenca mental que, por definição tambem, poderia ser curada por um profissional como ela - gerando assim, claro, mais empregos para psicólogos e, mais claro ainda, protegendo a santidade da vida humana em conflito direto com a liberdade do homem.

Suicídio: uma Morte Evitável Suicídio e Depressão: Atualizações

como escritor que vive de pathos e conflito, me preocupa ver que emoções humanas antigas e válidas tenham se tornado "doenças". em que momento a dor, a tristeza, o desespero se tornaram patologias?

o inevitável exemplo hipotetico:

se vc perdesse o emprego hj e soubesse que iria passar os proximos seis meses deprimido e cabisbaixo, mas que depois passaria, e se houvesse a possibilidade de tomar uma pilula magica para pular esses seis meses, e ir direto para o futuro feliz e sem-depressao, vc tomaria??

se disse sim, pense nisso: será que a depressao como resposta válida e normal aos estímulos externos não é algo que nos define enquanto pessoas, enquanto espécie? nossa tristeza não faz parte da essencia do que somos? vc tomaria uma pílula pra não ficar triste por causa da morte do seu pai? não seria um pouco imoral NAO ficar deprimido pela morte do seu pai? quais serão as consequencias eticas e morais, a longo prazo, de nos tornarmos uma especie que nao fica deprimida quando tem bons motivos para tal? será q os psicologos estão nos dizendo que sanidade mental é ficar feliz sempre?

Morreu na Contramão: o Suicídio Como Notícia Suicídio: Estudo de Sociologia, O

se disse nao, pense nisso: se, quando está com dor de cabeça ou mal-estar no estômago, vc toma uma aspirina, um sal de frutas, e não fica esperando passar, pq não tomar remedio pra evitar a depressao e a tristeza? pq temos que "moralizar" a depressão? existe mesmo algo de "etico" em ficar imerso na tristeza ao invés de simplesmente tomar uma pílula e pronto? afinal, a pílula está aí pra isso, não? se vc sinceramente não tomaria a pílula pra pular os 6 meses de depressao, pq tomar a aspirina pra pular as próximas 2h de dor de cabeça? pq tomar engov pra passar a ressaca? ou, indo um passo mais alem, pq tomar anestesia no dentista? qual seria o verdadeiro problema de sermos hedonistas e, seguindo o exemplo de praticamente TODO ser vivo, fugirmos da dor por todos os métodos necessários?

(ficou muito longo, amanhã publico a segunda parte, sobre a pulsão de vida que domina nossa sociedade. afinal, a vida é mesmo sagrada?!)

* * *

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24.05.10


Categorias: Comportamento


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Comentários:


Comentário de: Thiago

Pensei num exemplo de suicídio válido: o sacrifício.

Aquele que se joga em cima de uma granada, ou sei lá, sai correndo para tirar uma criança da frente de um ônibus, etc

Muito discutível, eu sei, mas é o que eu pensaria agora


PermalinkPermalink 24.05.10 @ 15:07



Comentário de: Fabio Robbe

Sim, o suicídio altruista, de Durkheim...
Fico pensando mais em situações em que você se altera e, no calor do momento, se mata sem pensar muito. Imagine que exista uma pessoa que te irrite tanto que você tem vontade de matá-la. Imagine que você é casado com ela e tem uma discussão no carro. É fácil se matar e acabar com uma situação angustiante. Mesmo assimm, na hora H, você se lembra, se controla. E não deixaria de ser um acidente, mais do que suicídio.
O pessoal da filosofia da PUC, digo estudantes da pós, em um seminário concluiram que quem comete suicídio é porque gosta demais da vida. Quer tantas coisas que sabe que não vai conseguir viver todas. Seria excesso de vontade de viver. Isso é uma patologia?

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 16:19



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

Eu tomaria a pilula \o/

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 16:58



Comentário de: Cristiano Dias · http://www.crisdias.com/

Claramente (e você dá a dica) o cérebro tem um cartaz diferente dentro do nosso corpo. Pessoas deprimidas simplesmente se recusam a tomar remédio porque "eu resolvo isso com força de vontade, não sou maluco". Ou, pior, pessoas que gostariam de tomar algum remédio são desencorajados pelos parentes. "Depressão é coisa de desocupado" ou "vamos encher a cara que resolve" ou "o que você precisa é de uma boa transa, bora pro puteiro".

Mas quando eu estou com sono eu tomo café, não fico "vou resolver isso na força de vontade".

Pra mim suicídio é sempre furada, porque o que vem depois é o nada. Mas nunca passei por uma merda foda na vida pra pensar no assunto então não me meto.

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 17:41



Comentário de: Alexandra · http://guerson.wordpress.com

Há um bom tempo que ando me fazendo as mesmas perguntas. Venho de uma família na qual a grande maioria das pessoas já tomaram anti-depressivos ou anti-ansiolíticos. Faço doutorado agora e vejo entre meus amigos mais próximos que a grande maioria toma anti-depressivo. Isso me perturba muito. Me perturba ver emoções e situações complicadas - a perda de um ente querido, uma mudança de vida radical, pressões acadêmicas, sendo etiquetadas como patologias a serem tratadas por remédios que levam a outras patologias. Sim, pq os anti-depressivos e anti-ansiolíticos são bem perigosos. Uma amiga minha está tomando um anti-depressivo. Depois de uns meses tomando o remédio, a médica dela perguntou se ela estava sentindo algo estranho, algum efeito colateral. Foi aí que ela explicou pra minha amiga que tinham acabado de descobrir que aquele anti-depressivo podia causar impulsos suicidas. É mole?? Ela continua tomando o remédio pois não pode parar de tomar de repente. Quando ela esquece de tomar por algumas horas ela fica levando choque.

Mas o pior é que esses remédios não tornam as pessoas felizes. Eles simplesmente cortam os extremos. Ela não fica nem muito triste nem muito feliz. Eu não abro mão da felicidade só pra não ficar triste...





PermalinkPermalink 24.05.10 @ 17:44



Comentário de: Fabricio Di Monaco

É sempre o desconforto, em todos os sentidos, que impulsiona nossa evolução.

O que se propõe em tese com "a pílula", pelo que entendi, é a possibilidade surreal (pelo menos por enquanto) de anularmos por completo o desconforto. Uma espécie de SOMA, como em Admirável Mundo Novo.

Acho que o resultado disso seria uma grande massa de apáticos, o que me parece desestimulante e perigoso. Mas, ao mesmo tempo, resistir ao alívio imediato será sempre difícil, vide todos os atalhos aos quais pessoas recorrem todos os dias: comida, álcool, drogas, os tais remédios faixa preta, etc.

Impossível pra mim antecipar qual seria minha atitude diante dessa possibilidade utópica, sem tê-la nas mãos.

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 18:04



Comentário de: Ricardo Cabral · http://agora.opsblog.org/

"qual seria o verdadeiro problema de sermos hedonistas e, seguindo o exemplo de praticamente TODO ser vivo, fugirmos da dor por todos os métodos necessários?"

Em termos gerais, tratar de evitar a dor não é nenhum absurdo. Só que há dores e dores — por hora tentarei evitar conotações morais —, e o efeito colateral de tratar de fugir de toda e qualquer dor é o de não aprender a "criar anticorpos" para muitas delas, com o sujeito correndo o risco de tornar-se um ser completamente incapaz de lidar com simples frustrações. Nesse sentido, fugir a todo custo de todo tipo de dores pode gerar um efeito paradoxal, isto é, fantasias e temores sobre dores que poderiam ter sido facilmente administradas. Resultado: sofrimento real em função de dores imaginárias.
Dor é algo adaptativo e inerente à vida, precisamos dela para identificar aquilo que pode nos destruir.

(A questão do suicídio deixo para depois.)

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 18:38



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Sempre que vejo alguém falando de suicídio, me lembro do filme Mar Adentro.

Quando uma situação como a do cara do filme (era marinheiro, vivia viajando e de repente se vê preso a um quarto, tetraplégico) acontece, eu simplesmente não consigo julgar: será que eu iria superar e encarar de frente ou será que a vida simplesmente não valeria mais a pena?

Não sei, nunca vivi a situação. Mas acho que cada suicida teve seus motivos que às vezes para mim podem até parecer fúteis.

Em tempo: um conhecido meu, jovem, bonito, de família de classe média alta e com uma vida que fazia inveja a muita gente literalmente - o cara era invejado, popular e namorava só meninas lindas - se suicidou. Assim, do nada. Chorou uns minutos no colo da mãe e pulou da janela.

Quais seriam os motivos dele? Não dá para entender olhando por cima. Mas algum ele devia ter.

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 19:34



Comentário de: Luis

roberto freire disse:

"Mas quem me garante que o suicídio é realmente um ato voluntário?"

enquanto a gente ainda não entende direito como o corpo funciona, prefiro acreditar que não é. e lutar contra os impulsos suicidas das pessoas queridas.


PermalinkPermalink 24.05.10 @ 22:11



Comentário de: Rafa · http://estadodearte.wordpress.com/

Suicídio pode até ser uma escolha racional e consciente, mas ela sempre vai ter uma motivação subjacente - ninguém se mata despretensiosamente.

Ou seja: pessoas vivendo relativamente bem e sendo felizes na medida do possível (com todos os dissabores da vida incluídos) tendem a não querer acabar com a própria vida. E obviamente vão existir desvios estatísticos que só confirmam a regra.

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 22:55



Comentário de: Alex Castro Email

Rafa

Suicídio pode até ser uma escolha racional e consciente, mas ela sempre vai ter uma motivação subjacente - ninguém se mata despretensiosamente. Ou seja: pessoas vivendo relativamente bem e sendo felizes na medida do possível (com todos os dissabores da vida incluídos) tendem a não querer acabar com a própria vida.

Acho q nao entendi bem seu ponto. Claro que vao sempre haver motivacoes subjacentes a tudo. Ninguem se mata despretenciosamente, ou se casa, ou decide cursar medicina, etc etc. Mas... e daí? o que vc quer dizer com isso?

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 23:11



Comentário de: Alex Castro Email

Luis

"Mas quem me garante que o suicídio é realmente um ato voluntário?" enquanto a gente ainda não entende direito como o corpo funciona, prefiro acreditar que não é. e lutar contra os impulsos suicidas das pessoas queridas.

fiquei com um certo medinho do seu comentario, pq a gente pode usar esse MESMO argumento pra desrespeitar as decisoes e opinioes de qq pessoa...

por exemplo, eu acho que cursar medicina eh o fim. serio. destino pior que a morte. nao entendo o que leva alguem a querer cursar medicina! e, se meu filho quiser cursar medicina, eu vou poder falar...

"quem me garante que querer cursar medicina é realmente um ato voluntário? enquanto a gente ainda não entende direito como o corpo funciona, prefiro acreditar que não é. e lutar contra os impulsos cursadores-de-medicina das pessoas queridas."

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 23:14



Comentário de: Alex Castro Email

Carol,

pois é. a gente nao sabe o q leva alguem a se matar... mas tb nao sabemos o q leva alguem a gostar de receber sexo anal, de comer jiló, a querer conhecer a Mongolia, a casar com aquela mulher feia e chata, etc.

entao, pq respeitamos as decisoes e opinioes deles em todas essas outras coisas q tambem nao entendemos, mas se quiserem se matar, fazemos um escandalo?

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 23:16



Comentário de: Alexandra · http://www.peregrinatrix.com

Bom, o pai do Alan, meu marido, se matou quando o Alan tinha 19 anos. Ele diz que no enterro ele não ficou com raiva do pai nem questionou a decisão dele, ele ficou com raiva do "bum deal" que o pai recebeu da vida...

PermalinkPermalink 24.05.10 @ 23:41



Comentário de: Carol · http://logica-inversa.blogspot.com/

Alex

Pois é.

Acho que seres humanos fazem coisas por egoísmo. O suicida pensa em acabar com seu sofrimento e se esquece daqueles que dele dependem (em especial emocionalmente).

O que depende emocionalmente do suicida não quer perdê-lo e portanto não tenta entender seu sofrimento e sua decisão. Condena, pois fica triste com a ausância da pessoa que estima/ama.

Cada um lida com a morte de um jeito. É muito individual.

Coisa triste. Não gosto (sim, eu sou daquelas que evitam a dor e pronto, sem remedinhos, mas evito). Prefiro voltar para meus afazeres.

Abs.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 00:21



Comentário de: Breno Kummel

O Foster Wallace diz que quando uma pessoa de fato se mata ela já estava morta há muito tempo, porque dentro de sua cabeça ela já se matou cem, mil, dez mil vezes.

A irmã dele dando entrevista depois da morte dele disse que nunca sentiu raiva com o suicídio do irmão. Só tristeza.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 10:32



Comentário de: André Yamin

Eu "vivi" essas dúvidas lendo o Os sofrimentos do jovem Werther. Acho que é justamente essa a bandeira levantada por Goethe: não seria legitima a decisão de se matar?

Depois de ler esse livro, penso que sim.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 10:51



Comentário de: Arthur

Eu acho que essa discussão passa por o objetivo, o sentido da vida humana.

Depois que chegarmos a um acordo sobre o sentido da vida(Nunca) será muito fácil decidir qualé que é a do suicídio.

Mas só pra exemplificar a logica:
Vamos supor que os humanos estejam na terra pra criar relações sociais, pra produzir, e pra criar arte.

Cada amiguinho vale x pontos. peguetes y. relacionamentos mais serios z. Arte vale pontos de algum jeito que eu não sei ainda. E a produção vale alguma conversão do valor monetário pra "espiritual".

As pessoas consomem recursos pra produzir esses pontos.

Considerando a vontade de se suicidar como um estado temporário passível de reversão desde que consumidos alguns recursos certos e passado certo tempo, algumas vezes seria mais produtivo ao invés de canalizar esses recursos para o suicida canalizar esses recursos para outra coisa.

É bastante parecido com a Eutanásia nesse sentido.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 12:28



Comentário de: Arthur

Alex,

Sobre por que a gente faz escândalo por se matar e não por cursar medicina, pra mim parece que é por nosso egoísmo.

A gente quer que o suicida pense na gente e não se mate para nos poupar do sofrimento. Nunca pensamos no bem estar dele, que provavelmente morto estará melhor que nos vivos aqui.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 12:32



Comentário de: Arthur

E sobre a pílula, ela se encaixa no sistema.

Se aumentar a produtividade deve ser aceita, se não recusada.

Acho que prevenir a fase em que a pessoa está mais lúcida, com maior capacidade de previsão e analise pode ter efeitos negativos na produtividade.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 14:02



Comentário de: Fabio Robbe

Esse tema me faz lembrar de uma pixação perto da PUC: "pra que o medo se o futuro é a morte?" Isso sempre me fazia rir e querer dizer para o rapaz: "há coisas bem piores que a morte, meu caro".

Eu tendo a considerar a eutanasia um caso a parte. Bem, é sempre com um puta motivo, não?

Quando li "fim da infância", do Arthur Clarcke, bateu aquele sentimento de "pra que estou aqui?", que acho que era a intenção do autor. Mas isso passa e você vai vivendo. Fico aperreado mesmo é com as pessoas que se matam e nem sempre dizemos que foi suicídio. São pessoas que percebem que estão com algum problema e que, se não fizerem nada, vão morrer. Como uma menina que descobriu um dia que era dizbéica e decidiu que não ia parar de comer doces. Morreu com menos de vinte anos. Não é um suicídio? Ou gente que insiste em não ir ao médico, ou não parar de fumar?

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 16:30



Comentário de: Roger Moreira

A vida não tem nada de sagrada. É só essa mania humana de buscar justificações que transcendam os fatos e os objetos. Nada é sagrado.

A maioria dos suicidas, me parece, o fazem por amor próprio. Para por fim a um sofrimento com o qual não conseguem lidar. Mesmo os que o fazem por culpa, o que poderia ensejar um ódio de si mesmo, penso que na verdade desejam apenas afastar essa dor, e não inflingir uma punição a si mesmos.

Pode-se dizer que o suicídio é um ato de defesa, no qual salvar o "eu" da dor é mais importante do que manter a vida. Nesse sentido é uma deturpação do instinto de sobrevivencia.

Agora, quanto ao aspecto moral, do que importa? Pode haver algo mais inerentemente pessoal do que o suicídio? Como alguém poderia julgá-lo sob um aspecto ético qualquer? Simplesmente não tem como ser da conta de ninguém. Qualquer consequência social se torna irrelevante diante desse direito intrínseco e, principalmente, fático, de autodeterminação.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 19:46



Comentário de: Roger Moreira

Só uma coisa, a questão da dor é interessante. A gente aprende muito (ou não) pela dor. Mas daí a cultuar a dor... A dor é sinal de que algo está errado, seja fisicamente ou psicologicamente. Só isso, um sinal. Não um método de aprimoramento pessoal ou um indicativo de humanidade. Pular a dor, assim, simplesmente, me parece só estúpido, não resolve suas causas. Mas achar que temos que ficar chafurdando nela é tão estúpido quanto. E doentio.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 19:55



Comentário de: Alaide

Acho que as pessoas se matam por não terem maturidade pra reconhecer os limites da vida. São TÃO intensas que VIVEM a dor/sofrimento e não apenas testemunham a dor/sofrimento. O mesmo vale para o prazer/contentamento. E não acredito que elas sejam egoístas em não pensar nas pessoas queridas, na verdade elas estão tão submersas nesse sofrimento que ingenuamente não olham para o que as fazem bem ou quem a ama.

As emoções são nossas, mas não somos as emoções. Aceitar essa dualidade nos torna mais humanos, pode às vezes nos dar uma sensação de vulnerabilidade, mas ao mesmo tempo uma força pra encarar a vida quando ela exige um certo crescimento da nossa parte.

Não costumo tomar remédios ou usar anestesia no dentista, só faço esses dois quando a dor está mais forte do que a minha consciência sobre ela, o que é raro. rs Mas é preciso reconhecer que precisamos às vezes anular a dor, pois todos temos limites e precisamos respeitá-los pra aprendermos a ficar fortes e aí quebrá-los de novo.
Nunca tomei anti-depressivos, mas nunca tive motivos externos pra isso, embora motivos internos eu até já tive.

É claro que eu encaro as dores físicas muito mais facilmente do que as dores emocionais, mas enfim, tudo é questão de paciência e vontade de crescer.

(vou me adiantar... rsrs)
A vida é sagrada? Não sei. Eu tenho um pouco de medo da palavra sagrado. Pois tudo que é sagrado na minha cabeça é como algo intocável, sério, que se deve respeitar mais por medo de "quebrar" do que pelo próprio respeito em si. rsrssr Entende? E a vida... a vida é pó. Mas um pó que dá um barato legal. kkk

Eu não sei se só falei bobagem, mas boa parte do que eu falei foi por experiência própria em relação a vida.

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 22:03



Comentário de: Alaide

Nossa, e desculpa, falei DEMAIS! hahaha Foi a intensidade... :P

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 22:04



Comentário de: RICARDO ROCHA AGUIEIRAS · http://dividindoatubaina.wordpress.com/

Infelizmente, a tal "pilula da felicidade" ainda não existe, apesar dos esforços em contrário dos laboratórios, que só nos iludem. Os chamados "antidepressivos" possuem, todos, efeitos colaterais, alguns graves. E TODOS eles tiram a libido, o que é uma contradição e um paradoxo, já que a libido leva ao viver e ao prazer. Alguns, ainda, causam uma coisa horrorosa chamada "disfunção sexual", ou seja, por mais que você trepe ou se masturbe, você não goza. Um horror pior que a depressão.
Sempre que leio sobre o suicídio noto condenações mui sutis, disfarçadas, julgamentos apressados. Afinal somos todos atingidos pela moral judaico-cristã e pelas religiões, mesmo os que não creem , mesmo os céticos e os ateus, somos resultados de um meio desde que nascemos.
Penso que o suicídio deveria ser visto como um direito humano, um ato de liberdade e esta deveria ser sagrada. Nunca conseguiram me convencer do por que um indivíduo deve continuar vivendo se ele, o dono de sua vida, acha que não deve. Outro ponto é: vale a pena uma vida sem qualidade? O que é melhor? Viver 15 anos intensamente ou até os 100 numa cadeira de balanço, gemendo de dor, só por que se tem medo da morte e de deus?
Na verdade, ninguém está preocupado com a dor do suicida, mas com a dor dos que estão ao seu redor e dizem o amar. Isso se chama egoísmo.
Seria bem legal se a gente julgasse menos e compreendesse mais, como na canção de Luiz Melodia.
Ricardo
aguieiras2002@yahoo.com.br
http://dividindoatubaina.wordpress.com/

PermalinkPermalink 25.05.10 @ 22:45



Comentário de: Bear

A morte é uma indecência, uma puta d'uma sacanagem. Então o suicídio também é.

E, pensando bem, não traz benefício algum para o suicida. Pois, não dá para falar em benefício, se o autor nunca poderá usufruir dele.

Também é impossível afirmar que alguém estaria melhor morto do que vivo. Afinal, quem teve a experiência não estará aqui para avaliar o resultado.

E me chamem de egoísta, ou do que for, mas se uma pessoa próxima estiver caminhando para o suicídio, eu vou tentar fazer alguma coisa para demovê-la e talvez para até mesmo impedí-la. Se ela quizer mesmo suicidar, ela vai dar um jeito, apesar dos meus esforços. Só não vai contar com a minha ajuda ou omissão.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 03:10



Comentário de: Gabriel · http://noticiasdobill.blogspot.com

Uma coisa são as dores insurpotáveis, outras são as pequenas dores da vida que nos fazem crescer. Há gente que não suporta nenhum incômodo, já toma remédio, procura livro de auto-ajuda, vai à igreja... tudo para se auto iludir e tentar aplacar aquele incômodozinho besta.

Certas dores eu não faço questão de evitar, sejam físicas ou da "alma", como essa de contemplar o futuro e descobrir que você só vai vencer na coragem. Há quem procure um mago para lhe dizer que seu futuro será maravilhoso, eu não.

Ah, se eu soubesse que vou perder o emprego e passar por uma longa depressão, a melhor pílula seria olhar para isso e ver como sou ridículo. Medo de ser pobre? De não ter carro, casa, comer filé mignon? Ora, já sou pobre, não tenho carro nem como filé todo dia. E se eu entrasse numa depressão, como já comecei, enfrentaria ela (há, utopia minha rsrs), pois não há outra opção.

Pô, até onde eu sei, só tenho essa vida, e se eu não aproveitá-la, cabou-se.

Mas não julgo quem se suicida, pois há dores insurpotáveis (físicas e mentais), e viver com elas não é exatamente Vida, e cada um tem o direito de decidir sobre sí mesmo.

PermalinkPermalink 27.05.10 @ 12:18



Comentário de: Amora

Penso que o suicídio é um ato de coragem,embora
a maioria pense que é covardia. É preciso muita
coragem pra decidir "desperdiçar" todos os seus
genes (fruto do sacrificio de seus antepassados)
e cortar a linha da vida.

Por coincidência, saiu hoje no site da BBC BRasil
uma notícia sobre o aumento de suicidios na China.
A reportagem retrata o caso da fabricante do
IPhone, cuja principal fábrica conta com mais
de 400.000 empregados. Houve suicidio de 12 nos
últimos meses. Seria um número inexpressivo dentro
do número total de empregados MAS, o fato vem
chamando atenção da mídia. Pra coibir os suicidios
o presidente da empresa mandou instalar telas
de proteção nos dormitórios dos empregados, além
de fazê-los assinar um "termo de compromisso"
onde prometem não se suicidarem. A que ponto
chegou o Capitalismo né?! O cara se acha no
direito de interferir numa decisão pessoal do
sujeito. O cara se acha dono da vida do funcion[ário.

PermalinkPermalink 27.05.10 @ 16:43



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