Para Kleber, amor era participar. Ligar todo dia. Estar junto. Dividir tudo. Dizer eu te amo. Já Lúcia era mais lacônica. Não se abria. Não falava dos seus sentimentos. Jamais dizia eu te amo.
Se conheceram e se apaixonaram loucamente.
No começo, Kleber estava mais empolgado do que nunca, jurando eterno amor todos os dias. Lúcia pedia tempo e espaço. Provava que o amava de mil maneiras diferentes, fazia sacrifícios para estar com ele, dava presentes caros, cuidava e acarinhava - mas não discutia relação e não falava de sentimentos.
Por um lado, Kléber pedia pra ela ser mais amorosa. Custava dizer "eu te amo" de vez em quando? Por outro lado, Lúcia pedia para Kléber ser menos mulherzinha e menos grudento. Custava falar menos e agir mais?
Com o tempo, Kleber foi ficando frustrado e tristonho: não se sentia mais amado por Lúcia. Não era verdade, claro: Lúcia o amava, mas do jeito dela.
Quanto mais se sentia mal-amado, mais ele se esfriava e se desamava. Ligava menos. Marcava menos presença. Não dizia mais "eu te amo".
Lúcia adorou: finalmente, ele estava ficando do jeito que ela queria. Sentiu-se amada, mas não era verdade, claro: pouco depois, Kleber terminou a relação e ela, pega de surpresa, até hoje não entende nada. Logo quando as coisas estavam boas!
* * *
Esse post era um dos mais antigos na fila de publicação do LLL: desde 24 de março de 2008! Camila ainda nem tinha vindo pra Nova Orleans quando escrevi esse texto e agora ela já foi embora de vez! Enfim, só pra vocês saberem: raramente, os posts desse blog são escritos na mesma época em que são publicados.
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