Você faria universidade se o preço fosse passar três anos plantando cana?
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O Pré-Universitário en el Campo em Cuba
Em Cuba, lá pelos quinze anos, ao acabar o Ensino Secundário (que vai do 7º ao 9º ano), o jovem podia escolher entre ou
1) o Pré-Universitário (10º ao 12º), três anos de preparação para a carreira superior, ou
2) fazer um curso técnico profissionalizante em alguma das centenas de centros politécnicos ou escuelas de oficio.
Com um pequeno senão: os pré-universitários eram internos e ficavam no campo. Os alunos passavam metade do dia estudando, metade trabalhando na lavoura - em geral, de cana - e tinham as noites livres.
Teoricamente, seria uma maneira dos jovens retribuírem ao Estado pela educação superior gratuita de qualidade que receberiam - e de modo mais útil do que, digamos, servindo nas Forças Armadas. Na prática, não era bem assim, pois os pré-universitários nunca foram auto-suficientes economicamente.
Os objetivos reais, imagino, eram ideológicos.
Por um lado, a Revolução Cubana tem sim uma certa adoração pelo campo e pelo guerrilheiro rural, então, a idéia era expor a futura elite urbana nacional a pelo menos parte dos rigores do campo. Assim, todo universitário, todo futuro médico, todo futuro ministro, saberia na carne o que é pegar na enxada.
Por outro lado, ao pegar essa futura elite e isolá-la da família e das influências exteriores justamente em seus anos formativos (dos 15 aos 18), o governo cubano assumia totalmente sua vocação althusseriana de Aparelho Ideológico de Estado e se colocava em posição ideal para instigar os ideais da Revolução nesses jovens influenciáveis:
Libertad, responsabilidades, convivencia, educación, estudio, trabajo y amores, son solo algunos de los cambios que se suscitan en un número elevado de jóvenes cubanos que optan por los Institutos Preuniversitarios en el Campo (IPUEC). Su funcionamiento se basa en un sistema pedagógico concebido especialmente, y enriquecido a través de más de treinta años de funcionamiento y renovación. El programa de estudios ha sido dinámico y se ha ido acoplando a las nuevas exigencias de cada momento histórico; eso sí, manteniendo siempre el principio, su razón de ser, en la formación integral de los jóvenes cubanos a partir del desarrollo de una cultura general, política y pre-profesional que garantice la participación protagónica e incondicional en la construcción y defensa del proyecto socialista, y en la elección consciente de la continuidad de estudios superiores. ...
En los IPUEC también se educa respecto a obtener y potenciar una sexualidad responsable y feliz. Se ha prestado especial énfasis en la educación de los sentimientos; por eso durante este decenio se han tomado importantes decisiones que han permitido situar esta competencia en un plano cualitativamente superior. Además, sus educandos tienen garantizada gratuitamente la atención médica preventiva, educativa y curativa, gracias a la labor de médicos que trabajan no solamente con los alumnos con problemas de salud, sino también con la población. (fonte)
O sistema do pré en el campo foi criado no final dos anos sessenta ou começo dos setenta (não consegui encontrar o ano exato), mas passou a ser obrigatório em 1990. Até essa data, o aluno podia escolher um pré na cidade ou no campo. Depois, todos os prés passaram a ser no campo.
Dizem as más línguas que a penúria do Período Especial, depois da queda da União Soviética, e a consequente apatia dos jovens quanto a Revolução fez com que o governo tomasse essa atitude, para poder intervir mais eficientemente na educação política das futuras gerações.

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O Fim do Pré-Universitário en el Campo
Agora, acabou. Começando nesse ano letivo de 2009-2010, quase todos os Pré-Universitários do campo foram fechados e os alunos foram transferidos para o Prés mais próximos de suas casas. Em setembro de 2009, a grande notícia na imprensa cubana foi a volta dos "azulitos" às cidades - estudantes do pré que, obviamente, tem esse nome por causa da cor do uniforme.
El fin de la enseñanza preuniversitaria interna en el campo, que con carácter obligatorio fue dispuesto por el gobierno en 1990, ya había sido anticipado por el general Raúl Castro quien el pasado 1ro.de agosto explicó durante la sesión de la Asamblea Nacional que "se estudian vías para reducir la cifra de alumnos internos y seminternos" en zonas rurales del país, donde "ya no se requiere su participación en tareas agrícolas", así como garantizar el traslado de esos centros de enseñanza a la ciudad.
"Lo vemos como una medida buena, compartir con la familia completa, y creo que eso es positivo, lo vemos como una paso positivo", dijo a la AFP el Arzobispo de Santiago de Cuba, Dionisio García, quien comentó que hace mucho tiempo que la Iglesia Católica había pedido esa medida. "Es una petición que ... lleva muchos años. Creo que la edad en que los jóvenes se van normalmente al campo, 14-15 años, es precisamente la edad de la adolescencia, en la que el joven necesita tener más cerca a los padres. La familia es la primera comunidad educativa", añadió monseñor García. (fonte)
E uma matéria muito boa do Juventud Rebelde sobre o fim dos pré-universitários en el campo:
Amplias expectativas genera el regreso de los institutos preuniversitarios urbanos
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A Favor do Pré-Universitário en el Campo
Nem todos apoiaram essa medida.
Muitos dos cubanos que conheci tinham excelentes memórias dos seus anos de Pré. Era uma época de liberdade e independência. Estavam finalmente longe dos pais, era o momento de se encontrarem, de descobrirem quem eram e... Ah sim, havia o SEXO!
Imagine o que acontece quando um país caribenho e sexual, de pouca incidência de AIDS (em parte porque o governo colocou os soropositivos em quarentena!), pega a elite de sua juventude, bem informada e veterana de muitas aulas de Educação Sexual, lhes dá camisinhas à vontade, faz com que trabalhem manualmente a tarde toda e, depois, lhes dá as noites livres, em grandes alojamentos, para fazerem o que quiserem das seis da tarde até as oito da manhã do dia seguinte. Imaginou? Pois bem, era isso mesmo.
Enfim, para muitos cubanos, o Pré foi não só um momento de liberdade e auto-reflexão mas também um desabrochar sexual do qual guardam excelentes lembranças.
Contra o fechamentos dos prés do campo, também ouvi dois argumentos:
Comida: as famílias cubanas vivem com um orçamento muito apertado. Alimentar adolescentes famintos entre os 15 e os 18 pode ser financeiramente difícil. Antes, o governo pagava essa conta.
Transporte: desde a queda da União Soviética, Cuba raciona combustível. Na época dos pré no campo, as crianças ficavam três anos morando, estudando e trabalhando num lugar só. Agora, essas milhões de crianças indo de casa pra escola todos os dias nas grandes cidades podem levar o precário sistema de transporte público ao colapso. Simplesmente não há gasolina para fazer tantas viagens.

Assim como no caso da privatização das barbearias e salões de beleza, a medida se insere numa tendência atual do governo cubano de transferir custos para o cidadão. Nesse caso, a educação continua gratuita e o transporte de estudantes uniformizados também, mas as famílias acabaram de ser sobrecarregadas com todas as despesas inerentes a ter jovens de 15 a 18 anos morando em casa. Em um país onde o salário de um médico é vinte dólares, qualquer centavo a mais pesa no orçamento.
Mais um link do Juventud Rebelde:
«Locura» azul invade las ciudades:
El regreso de miles de estudiantes preuniversitarios a los escenarios urbanos implicó una impronta inusitada para la enseñanza, las instituciones y las comunidades
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Conta o Pré-Universitário en el Campo
Muita gente também comemorou o fechamento dos pré en el campo.
Entre os meus amigos cubanos, é verdade, enquanto alguns lembram de sua época do pré como um paraíso de sexo e liberdade, outros lembram como um inferno de trabalho forçado e falta de privacidade. Além disso, reclamam também das constantes faltas de água e luz, da alimentação precária, do bullying entre colegas, do assédio dos professores tarados, etc.
Além disso, conheci alguns cubanos que disseram não ter cursado universidade justamente para não ter que passar por essa experiência.
Eis o que disse a sempre insuspeita Yoani Sanchez:
Llegué con catorce años y salí con una infección en la córnea, una deficiencia hepática y la dureza que se adquiere cuando uno ha visto demasiado. Al matricular, me creía aún los cuentos del estudio trabajo; al partir, sabía que muchas de mis colegas habían tenido que intercambiar sexo para obtener buenas calificaciones o mostrar un sobre cumplimiento en la producción agrícola. Las pequeñas planticas de lechuga que desyerbaba cada tarde tenían su contraparte en un albergue donde primaba el matonismo, el irrespeto a la privacidad y la dura ley del más fuerte.
Justamente, una tarde de aquellas, después de tres días sin abastecimiento de agua y con el repetitivo menú de arroz y col, me juré a mi misma que mis hijos nunca irían a un preuniversitario en el campo. Lo hice con ese tremendismo adolescente que -con los años- se va calmando y dejándonos saber la imposibilidad de cumplir ciertas promesas. Así que me acostumbré a la idea de tener que cargar jabas de comida para cuando Teo estuviera en la beca, de escuchar que le robaron los zapatos, que lo amenazaron en la ducha o que uno más grande le quitó la comida. Todas esas imágenes, que había vivido, regresaban cuando pensaba en las escuelas internas.
Por suerte, el experimento parece estar terminando. La improductividad, el contagio de enfermedades, el menoscabo de valores éticos y el bajo nivel académico han hecho sucumbir este método educativo. Después de años de pérdidas económicas, pues los estudiantes consumían más de lo que lograban sacarle a la tierra, nuestras autoridades se han convencido de que el mejor lugar donde está un joven es al lado de sus padres. (fonte)
(Yoani emigrou pra Suiça, passou uns anos lá, implorou pra que a deixassem voltar. Impressionante como não a vejo nunca elogiar NADA de Cuba. "Sim, sou crítica disso, mas adoro aquilo, etc" Simplesmente não rola. Juro, não posso deixar de me perguntar: essa mulher voltou pra quê?)
Outros elementos mais conservadores da sociedade cubana são contra os pré en el campo justamente pela atmosfera de "liberdade com libertinagem" que estimulavam:
Yolanda está alarmada. Su hija de quince años ya practica el sexo. Apenas a los cuatro meses de empezar en la escuela preuniversitaria en el campo, su hija tuvo varios novios, y le confesó que con el actual mantiene relaciones sexuales. Yolanda no lo podía creer. "Son apenas unos niños. Esa no fue la educación que yo le inculqué a mi hija", dice Yolanda con tristeza en el rostro. … El carácter obligatorio de los preuniversitarios en el campo es uno de los temas que más alarman a los padres cubanos. ... Para Yoyi, de 15 años [filha de Yolanda], en la escuela al campo los estudiantes se sienten más libres. "Allí no tenemos a los padres arriba de nosotros todo el tiempo. Cada cual escoge la pareja que quiere y los maestros no se meten en nada", afirma la joven. Si bien otros alumnos se quejan de que muchas veces tienen que cargar el agua a cubos para bañarse, y de que la alimentación es pésima, Yolanda asegura que es común que los adolescentes confundan "la libertad con el libertinaje". A esto se debe agregar que la disciplina escolar no es estricta. Únicamente se cumplen a cabalidad el horario de clases y de trabajo agrícola. (fonte)
E uma professora também se manisfestou:
Miriam Celaya, autora del blog Sin Evasión que publica desde La Habana, quien fue profesora de Literatura Española en el Preuniversitario José Smith Comas, de la ciudad de Cárdenas, declaró a Martí Noticias que el internado obligatorio de preuniversitarios en el campo creó innumerables problemas sociales y morales en los centros de educativos. "Eso fue un error garrafal, fue un desastre, que fraccionó a la familia al separar a los hijos de los padres en una edad tan difícil como la adolescencia; los primeros años de juventud cuya educación asumió el Estado en sustitución de la familia", afirmó. ... "Eso dio lugar a que se incrementaron las relaciones sexuales entre profesores y alumnos y entre los propios estudiantes que llegaron incluso a convivir las novias con los novios en el mismo albergue, como una pareja", afirmó. (fonte)
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Conclusões
Sim, os Prés foram uma maneira de a Revolução fazer uma quase lavagem cerebral nos jovens cubanos. Mas até aí tudo bem. Qual escola não faz isso? Toda escola, por definição, é um Aparelho Ideológico de Estado. A Escola Americana do Rio de Janeiro, onde estudei, na época a mais cara do Brasil, não era nem um pouco menos ideológica do que qualquer Pré cubano: eu cheguei a ser até mesmo gerente de lanchonete por seis meses, como parte de um projeto para estimular empreendorismo e vocação comercial. Afinal, fazer negócios e ganhar dinheiro é algo inerentemente, auto-evidentemente bom!
E, sim, entendo bem como muitos Prés devem ter degringolado seriamente. Com certeza, professores não deveriam estar comendo ninguém! Mas, pra mim, isso seria mais um problema daquela unidade específica onde isso aconteceu, do que um indicador de uma falha do conceito geral.
Ok, admito: acho lindo e poético fornecer uma boa educação sexual a adolescentes, dar-lhes camisinhas, colocá-los num alojamento e deixá-los aprender o sexo da melhor maneira possível, uns com os outros, com seus amigos, com seus colegas, com seus companheiros. Queria eu ter tido essa experiência.
Por fim, apóio a idéia de jovens de ambos os sexos (não somente homens e não somente nas Forças Armadas) trabalharem para o Estado, especialmente se vão desfrutar de ensino superior gratuito de qualidade.
Na Alemanha, onde passei alguns meses em 1990, todo alemão trabalhava um ano para o governo, entre sair da escola e entrar na universidade. Podia ser no exército, podia ser num museu, podia ser dando aulas no Goethe. O fundamental era a cidadania e o serviço.
No Brasil, eu seria totalmente a favor da seguinte medida:
Todo aluno de universidade pública deveria também trabalhar meio período para algum órgão governamental - da Funarte ao BNDES, da Biblioteca Nacional a Eletropaulo. Em famílias de baixa renda, o trabalho seria remunerado e já contaria como experiência profissional. Em famílias classe média e alta, seria um estágio não remunerado, um serviço que os jovens que *podem pagar* universidade prestariam ao país.
O que acham?
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