Na década de setenta, o governo cubano sacramentou a literatura policial como um dos melhores veículos para propagação dos ideiais revolucionários. Desde há tempos, já se via com maus olhos o romance experimental ou pós-moderno, por ser muito hermético e de difícil compreensão pelas massas. A ficção científica, apesar de ser um excelente veículo de crítica social, também era considerada escapista.
Já o romance policial tinha duas qualidades desejáveis: em primeiro lugar, era emocionante, gostoso de ler e fácil de entender pelas massas. Vale a pena lembrar que o povo cubano é excepcionalmente letrado/leitor. Além disso, as tiragens subsidiadas eram gigantescas e baratíssimas. Em segundo lugar, o romance policial se presta admiravelmente bem ao "ensinamento político": heróis e bandidos são fáceis de identificar, as posturas anti-revolucionárias são devidamente criminalizadas e, no final da leitura, fica aquela sensação de que tudo está no seu lugar.
A grande ambivalência do romance policial de setenta está entre, por um lado, glorificar o herói revolucionário perfeito, que dá sua vida para proteger o regime, e, por outro, esvaziar essa figura do herói individual burguês e enfatizar o trabalho coletivo do policial, militar, burocrata revolucionários.
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Acabei de ler agora "Y Si Muero Mañana" (1978), de Luis Rogelio Nogueras, um dos maiores sucessos do gênero, best-seller total, vencedora do Premio Cirilo Villaverde, da UNEAC (União de Escritores e Artistas de Cuba). Vamos ao enredo:
No prólogo, de apenas duas páginas, o herói está morrendo, ao lado do antagonista morto com quem presumivelmente acabou de lutar, e tentando desesperadamente alcançar o rádio para enviar uma mensagem urgente a Cuba. Conseguirá?
Na primeira parte, também curtíssima, seis páginas, vemos o herói combatendo os batististas durante a Revolução, estabelecendo assim suas credenciais de Revolucionário fiel.
Na segunda parte, caímos finalmente no presente da narrativa, 1968, nos Estados Unidos. Acabou de acontecer um atentado terrorista a uma pequena aldeia de pescadores em Cuba, e a comunidade de inteligência está em polvorosa. Ninguém assume a autoria; todos os agentes da CIA, encarregados de suprir e coordenar os diversos grupos anti-castristas em Miami, não sabem quem foi o responsável pelo atentado e estão furiosos por uma ação ter sido tomada contra Cuba sem seu conhecimento. Ao mesmo tempo, nosso herói, Ricardo, infiltrado há quatro anos entre os exilados de Miami, também está lutando para descobrir os culpados. Quem conseguirá primeiro?
O clímax da segunda parte acontece quando Ricardo está visitando um de seus contatos e a CIA de repente invade o apartamento, rende todo mundo e injeta LSD nas veias do contato para fazê-lo falar. O homem rapidamente confessa sua culpa, estava tentando organizar um novo grupo anti-castrista independente do governo dos EUA, admite que vai haver em poucos dias um atentado ainda maior contra Cuba, e é prontamente executado pelos impiedosos agentes da CIA. Quando vão executar também Ricardo, a mulher do morto surge armada, mata um dos agentes, fere o outro e cai baleada, mas é o suficiente para Ricardo render o agente sobrevivente e fugir.
Nosso herói poderia ter executado o agente da CIA, como iriam fazer com ele, mas o homem é nobre e está acima dessas coisas. Sua preocupação agora é: avisar Cuba sobre o atentado iminente. Ao mesmo tempo, a CIA começa a caçá-lo por todo país. The hunt is on!
Vou confessar: essa parte é bastante boa, emocionante e bem urdida. Talvez por desconhecer as regras do gênero, eu fiquei ansioso, sem saber pra onde iria o enredo.
Uma vista aérea de Nova Iorque:
"El guía comenzó a explicar algo acerca del World Trade Center - más alto que el Empire - que estaba en construcción, y luego habló con voz monótona y sin emoción de aquel B-25 que chocó una mañana brumosa contra el edificio y de la vez que una gigantesca bandada de aves migratorias se estrelló a la altura del piso 90.
Ricardo dejó de oírlo y se encaró con la ciudade. Desde allí, New York parecía humana. El dolor, la lucha por la vida de aquel hormiguero que se movía incesantemente en las arterias de Manhattan, las abismales diferencias de clase y de raza, desaparecían desde aquella altura. Sólo quedaba una gigantesca trama de estructuras de hormigón y acero que iba tejiéndose a lo largo de toda la Isla, sin interrupción, desde Hudson River hasta Harlem River, desde Brooklyn hasta Queens.
Pero Ricardo había visto - tocado - el magma vivo que palpitava allá abajo; había estado entre aquellos hombres y mujeres. Había visto mucho. Había vivido. Había tomado el pulso de aquel país, enfermo de cólera, altivez y miedo." (49-50)
A terceira parte, em flashback, corta a tensão e nos mostra Ricardo, em Cuba, abandonando o Exército Revolucionário (para estabelecer sua identidade de desertor), sendo desprezado por sua namorada, saindo da ilha sozinho num barquinho, sendo resgatado pela Guarda Costeira americana, chegando em Miami sem um vintém e tendo que se adaptar àquele novo mundo.
Apesar de eu estar ansioso para ver a continuação da caçada, essa parte foi tão bem escrita que valeu a pena. A descrição das agruras do exilado, somadas às do agente infiltrado, foram realmente muito bem levadas. Gostei especialmente da ambiguidade de Ricardo entre, por um lado, saudoso de casa, apreciar tudo o que havia de cubano em Little Havana, as roupas, os gestos, a língua, a comida, e, ao mesmo tempo, se sentir enojado pela política reacionária daquela gente que queria destruir a Revolução que ele jurou defender. (veja esse trecho mais abaixo)
Na quarta parte, voltamos ao presente, e a ação agora é frenética. Lembrem-se de que estamos em 1968. Para poder transmitir as informações sobre o atentado, Ricardo precisa voltar ao seu apartamento em Havana, onde estão as chaves criptográficas necessárias para se comunicar via rádio com Havana. Caçado pela CIA e pelo grupo que planeja a ação, Ricardo passa por Nova Iorque e Los Angeles, até conseguir finalmente voltar a Miami. (Se tivesse executado o agente da CIA, nada disso estaria acontecendo!) O grupo terrorista manda agentes para colocar uma bomba na porta do apartamento de Ricardo, em Miami, para explodir assim que ele abrir a porta. Não contavam que o assassino enviado pela CIA, um chinês lutador de kung fu chamado Chang, já estava lá. O malvado chinês elimina os cubanos e fica a espera de Ricardo.
A cena climática do livro é uma luta corpo-a-corpo entre o chinês e Ricardo, que era lutador de caratê. Quem vencerá? Caratê ou Kung-fu? A cena é totalmente cinematográfica. Ricardo acaba derrubando o chinês com um golpe no coração mas também sofre um golpe mortal. Com as últimas forças de seu corpo, entretanto, consegue enviar sua mensagem para Cuba. Vitória!
No epílogo, temos um trecho de um comunicado confidencial da inteligência cubana relatando a prisão dos terroristas antes de poderem causar qualquer dano. E lemos também um trecho da carta-testamento que Ricardo deixa para seus amigos e familiares (e, especialmente, para a mocinha apaixonada da terceira parte), explicando que sempre foi um Revolucionário fiel e que sua aparente deserção foi apenas para poder melhor servir Cuba no exterior. O título do livro vem dessa carta: "se morro amanhã, quero que saibam etc".
"Y si muero mañana, que sepan mis compañeros que he permanecido fiel al ideal de mi vida; que mis camaradas sepan que di mi sangre por la patria. Si muero mañana, será para que siga viva la esperanza de un hermoso porvenir." (170)
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Olha, vou contar o seguinte: cheguei cheio de pés atrás nesse romance. Dizem que o romance policial cubano de setenta é fraco, didático, tem uma linha revolucionária rígida demais, etc. E, de fato, de 1990 em diante, as obras ficam muito mais críticas, matizadas, literárias. (vejam os excelentes livros de Padura Fuentes, abaixo)
Mas, em termos de literatura de entretenimento, o romance é excelente. As duas cenas de ação são bem levadas. A tensão é sempre mantida. Os flashbacks sobre sua infiltração em Miami são ótimos. Não existe nenhum absurdo na caracterização dos Estados Unidos ou dos americanos. Vamos lembrar que a CIA de fato financiou vários grupos terroristas anti-castristas, chegando ao ponto inclusive de organizar e participar de uma invasão com tropas, paraquedistas e tudo.
O enredo pode parecer simplista mas, se você troca as nacionalidades, poderia facilmente ser qualquer livro/filme de espionagem americano ou inglês. Aliás, eu diria que a maioria dos livros/filmes americanos de espionagem é muito mais esquemáticos e simplistas.
A única parte que me fez rir foi essa aqui:
"Todo estaba preparado. Faltaban sólo dos cosas: Primero, que Chang llamara desde Miami para informarle que ese Ricardo Villa ya no se haría nunca más el nudo de la corbata y que, en consecuencia, él, Chang, tenía la cinta magnetofónica. Segundo, encontrarse con "la pieza" que le faltaba en el rompecabiezas para golpear a Stuart Drake. Por lo demás, tenía en la mano todos los triunfos del juego: la mujer de San Gil, Charlie, el doctor Klüger y...
No podía fallar.
- No puede fallar - murmuró Mickey Normand.
- ¿Qué? - dijo la bunny de Playboy que estaba echada junto a él en la cama, desnuda.
- Nada - dijo él, y se inclinó para besarla." (141-142)
Um dado interessante: esse sub-gênero do policial, em Cuba, se chama "novela de contraespionaje" - presumivelmente porque espionagem é o que fazem os inimigos malvados e os cubanos apenas se defendem.
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Abaixo, meus dois trechos preferidos, dois verdadeiros "solos" muito bem levados.
Uma descrição belíssima sobre a diáspora cubana em Litte Habana, circa 1964:
"Miami, Fla. Bien. La calle de los refugiados cubanos (la que han tomado casi a fuerza, desplazando a los yanquis) es la 47. Allí se sienten más en su ambiente. Han florecido, en menos de dos años, deslavadas calcomanías de los comercios que existían en La Habana de 1958: El Siglo XX, La Primera de la Muralla, La Casa de los Tres Centavos, La Antigua Chiquita, La Gran Vía, J. Vallés, Los Reyes Magos, El Oso Blanco. Voces cubanas, risas cubanas, espesos bigotes cubanos, nalgas cubanas - enfudadas en pescadores color carne -, ademanes cubanos. El la calle 47 es posible ligar un punto, sacarse un terminal, darse el corte cuadrado, echarse un laguer, amarrar un bisne, meterse un café, ponerse en onda, organizar un guiro, romper un coco, hacer la media, picar un chester, meter un tacle, correr una bola, pegar un tarro, dar un sablazo. En las discotecas se escucha a Olga Guillot, Fernando Albuerne, Celia Cruz; en la radio se oyen comentarios vitriólicos de Artalejo, los chistes sobados de Trespatines y Nananina; en los televisores asoma el rostro empolvado de Normand Díaz. Los bares se llenan de ruidosas descargas y del rodar de los dados de cubilete. A veces los ánimos se exaltan, las palabras se hacen más agrias, salen a relucir las madres y no faltan una voz aflautada que pida "la galleta" y otra que diga, en tono conciliatorio "aqui no ha pasado nada, caballero". En la calle 47 el hamburguer ha sido desplazado por el pan com bisté, los pop corn's por los chicharrones de viento, la Coke por la malta con leche. Allí no se habla inglés, aunque se dice confitera, dawtanear, hamanhuevo, fokear. No hay camisas con palmas y playas desiertas, como en los tiempos en que Miami era de los floridianos; asoman los zapatos de puntera, los sombretitos con pluma, las gorras tipo Lasserie, los pantalones de dril crudo, las guayaberas almidonadas, los colmillos de oro, los shorts media talla más pequeños (y los hombres vuelven la cabeza para gritar "¡avemaría que cu...ba!"). El aire se llena de gritos, de ruidosas palmadas en la espalda, de chiflitos. Una masa heterogénea, en la que se confunden el traidor con el chulo, la antigua niña bien con la puta de Colón, el doctor sin reválida con el pepillo de treinta años, el batistiano con el auténtico, el cantante mediocre con el politicastro, el vago con el soldado de la fortuna, el aventurero con el poquitacosa, el ignorante con el audaz, la antigua señora de Pérez con la querida de Rodríguez, el católico de dientes para afuera con el gangster. Una extraña fusión de fracasos y pasiones, de esperanzas y odios; un quiste en tierra yanqui; un hervidero de organizaciones que se disputan las migajas que reparte el gobierno; un surgir y desaparecer de líderes que "ahora sí van a cambiar los destino de"; una lucha de muerte entre los viejos camajanes de la Cuba de ayer y los nuevos camajanes de la "República en el exilio"; un quítate tú para ponerme yo en medio de dos cervezas y una partida de dominó en camiseta; un oscuro presentimiento de que la única y la última oportunidad se perdió en las arenas de Girón; una fe alimentada sólo con las ediciones semanales de Patria y los programas de "La Voz" que ya nadie oye; um hastío de vivir; un sordo rencor contra el país que los margina, que los aparta como si fuesen la encarnación tropical de la peste; y, además, la terrible certeza de que aquella señora de tan buena família vale menos que un negro, de que aquel reputado caballero sólo sirve para despachar gasolina en los garajes de Coral Gable. Una alteración de los viejos valores - porque Pérez Hernández era nadie en La Habana y ahora no saluda a Hernández Pérez que tenía una fábrica de chorizos en Santiago de las Vegas -; una extraña nostalgia de la sazón criolla. Y en el recuerdo, la imagen de una Cuba que añoran, pero que ya no existe. Van y vienen de una acera a la otra eses hombres y mujeres sin rostro, sin identidad. La falsa alegría de "oye, vate, pon una bear aquí para los amigos" esconde un miedo cerval a haber equivocado el camino, unos deseos insuperables de volver a conversar de balcón a balcón con los vecinos, de jugar pata en la bodega, de preguntar qué tiró Castillo, de apostar a las chapas en la esquina, de indagar qué se sabe del marido de la del 23, de rascabuchear la mujer de los bajos, de estar en el tibiritábara, de coger la confronta y regalarle una pecuña al ciego que canta, de drenar la borrachera con sopa china en la Plaza del Vapor, de ser otra vez Pepe en la Habana, de echar un partido de billar en los garitos de Consulado, de limpiar el sable en Pila o en casa de Tia Nena, de tocar con limón al policía para que no clave la multa, de romperle el papo a la criadita que vino de Camajuaní, de tocarse con un pito en el Paradero de la Víbora, de untar al juez, de tener una botella en Gobernación, de quitarle dos onzas al pan, de imprimir billetes falsos, de pasar contrabandos por la aduana, de vestir el santo, de tomar Hatuey, de bailar en el Casino, de remar en el Miramar, de comprar en El Encanto, de jugar bingo en Tropicana, de leer el Caballero Audaz, de comprar billetes de la lotería, de ir al cine Capitólio a ver películas de relajo, de buscarse un chino, de fletear en Galiano, de estafar a los guajiros, de robar gallinas, de tener igualas, de ir al Vedade Tennis a matarse con la más chiquita de los Tarafa.
Miami, Fla. Bien. Ajiaco de las costumbres de Llegaypón, Las Yaguas y Los Pocitos con las del Nuevo Vedado, Miramar y el Bitmore. Fusión de vanas esperanzas, malos sueños, desquites, componendas, estafas, manejos turbios, fanfarronerías, mentiras, bravuras de café con leche, buenas tajadas, pésimos negócios y miedo. Y en el vórtice del huracán de papeles mojados por el odio, cada mes corren ríos de tintas para anunciar que apareció el hombre indicado, el nuevo líder, el verdadero adalid, el esperado cabecilla, el gallardo capitán, el incorruptible dirigente, el carismático caudillo. Y hay un movimiento espasmódico en la masa desconcertada del exilio, y por un instante (um mes, una semana, tal vez un día) renacen las esperanzas de regresar por la puerta grande. Pero las esperanzas se desvanecen, el hombre se esfuma y todo vuelve a ser como antes: la misma implacable lucha entre pandillas, el mismo intercambio de insultos en los libelos, la misma competencia entre facciones, grupos, comandos, brigadas, sectores, todo con um trasfondo turbio de disparos en la noche."(72-75)
E, já perto do final do livro, uma reflexão do protagonista sobre a guerra entre Cuba e Estados Unidos:
"Los viejos y desvaídos recuerdos volvían de pronto, como un aroma distante y olvidado de buen café. Los recuerdos-trampa, los buenos y malos recuerdos de su otra vida, de su única vida.
No él, porque él regressaria tarde o temprano. Pero los otros, los que vendrían a continuar su trabajo, los que relevarían en la tarea de impedir que la Isla fuese asesinada por la espalda, ¿cuándo podrían vivir su propia vida? Tendrían que estar allí todo el tiempo que fuera necesario y una hora más; muchos años y un año más, sí, hasta que el peligro externo que amenazaba a la Revolución desapareciese. Mientras eso no ocurriera, mientras el país no pudiese respirar en paz y ocupar todas sus forzas en emerger de la resaca del atraso - como una flor que brotara de una prisón de sangue y lodo - habría que estar allí, habría que oponerse al enemigo con valor, astucia y fe: eso era lo que los había hecho fuertes; la invulnerable libertad de la patria descansaba sobre aquellas tres palabras. De otro modo, hubiese sido imposible. Un punto de tierra fértil en el mar Caribe, un pequeño país pobre, sólo podía vencer a costa de valor, astucia y fe: valor para saber morir de pie, sin una queja; astucia para luchar en condiciones monstruosamente desvantajosas, fe en Fidel, la Revolución, el porvenir. Miles de millones de dólares, decenas de cientos de científicos en todas las ramas del saber humano, arsenales de armas de refinadísima técnica, decenas de institutos y universidades en las que se experimentaban nuevos artefactos de destrucción y muerte, toneladas de sofisticados equipos de subversión y espionaje, ejércitos de computadoras... y del otro lado, sólo un pequeño país dispuesto a resistir; sólo el valor, la astucia y la fe de su pequeño país. Se escribiría algún dia la historia de aquella batalla desigual; y habría de contarse de qué modo la inteligencia natural de los cubanos - a los que habían despreciado, a los que creían envilecidos, incapaces de nada, simples bailadores de guaracha, dispuestos a vender su alma por un trago de aguardiente - se había puesto en tensión para vencer, y había vencido. ... Era una enorme y trágica paradoja para el gran país todopoderoso, y una victoria moral para el pequeño país. El fruto de aquella paradoja - y de tantas otras de las que estaba sembrada la historia de aquella guerra - era la existencia misma de la Revolución, de aquella Revolución que ya era invencible. La metáfora de David y Goliat era vieja y gastada; pero insustituible en su conmovedora verdad.
Bajo el avión, extendiéndose a cientos de miles de kilómetros, estaba el gigantesco y poderoso país que había querido aplastar los sueños de su patria.Pero no había podido.
Ni podría, aun cuando aquella guerra durase hasta el fin de los tiempos." (135-136)
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Leonardo Padura Fuentes, atualmente, é um dos escritores cubanos mais lidos no mundo inteiro. Os quatro romances abaixo apresentam o detetive Mario Conde, da polícia de Havana. São todos excepcionais, eu não saberia escolher o melhor. Recomendo.
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