As Poucas Escolhas das Mulheres Negras

Racismo LLLJá fiz um post sobre o racismo do mercado dos casamentos interraciais, explicando, entre outras coisas, que a existência de muitos casamentos interraciais não quer dizer que a sociedade não é racista e, também, que a mulher negra é que acaba pagando a conta dessa desigualdade.

Agora, um novo artigo na The Economist, também explica esse "aparente" paradoxo.

Leiam e me digam o que acham:

Racismo e Casamentos Interraciais, no LLL
Sex and the Single Black Woman, na The Economist

Invenção das RaçasHumanidade Sem Raças?

* * *

Leia também:

Quem tem medo de raça? A paranóia branca e as ações afirmativas no Brasil

Uma crítica interessante a Demétrio Magnoli e à fobia anti-raça que ele vem instigando na nossa classe média já tão assustada e acossada, coitadinha.

Gota de Sangue, Uma: História do Pensamento Racial

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11.04.10


Categorias: Raça


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Comentários:


Comentário de: Diogo

O seu artigo inicial é interessante. O da Economist também. Mas tratam de temas bastante diferentes e com pouca relação entre si. Fiquei me perguntando por que você sugere que há uma conexão entre eles - "(...)também explica esse "aparente" paradoxo."?

Abraço
Diogo

PermalinkPermalink 11.04.10 @ 22:18



Comentário de: Alex Castro Email

diogo,

eu até verifiquei os links, pra ver se nao tinha linkado o post errado, mas aparentemente está tudo certo!

ambos os textos, o meu e o da The Economist falam sobre a mesma coisa, o mercado de casamentos interraciais.

onde vc viu diferença?

PermalinkPermalink 11.04.10 @ 22:26



Comentário de: Diogo

Bom, eu começaria pelo fato de que o texto da Economist não é propriamente sobre casamentos interraciais. O subtítulo da matéria é "How the mass incarceration of black men hurts black women"; e no corpo do texto o fato estatístico de que "most people marry someone of the same race who lives relatively close to them" é tomado como um dado. Um pouco mais adiante, o autor afirma que "Similar problems afflict working-class whites, but they are more concentrated among blacks." Ou seja, longe de o tema do artigo ser casamentos interraciais, o que está sendo discutido é um problema específico que afeta casamento intra-raciais, tanto de brancos quanto de negros.

Já o seu texto é explicitamente sobre casamentos interraciais.

Acho que você até poderia argumentar que o tema do racismo mais ou menos une os dois textos, na medida em que as elevadas taxas de encarceramento dos negros nos EUA possuem um nítido componente racista. Seria verdade, mas também seria forçar a barra.

Resumindo: seu texto inicial era sobre casamentos interraciais, enquanto o da Economista é sobre a diferença de tamanho no pool de “eligible bachelors” dentro de uma mesma raça. E, para confundir ainda mais as coisas, você escreveu no seu post o seguinte: “(...) a existência de muitos casamentos interraciais não quer dizer que a sociedade não é racista e (...) que a mulher negra é que acaba pagando a conta dessa desigualdade.”, para, logo depois de dar o link para a matéria da Economist, concluir dizendo que a mesma “(...) também explica esse "aparente" paradoxo.” Qual paradoxo, Alex? O do casamento interracial? O do racismo? O da conta paga pela mulher negra? Esses são assuntos do seu post, não da Economist, que sequer os menciona.

Explicada a minha confusão?

Abraço
Diogo

PermalinkPermalink 11.04.10 @ 22:47



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

"Uma crítica interessante a Demétrio Magnoli e à fobia anti-raça que ele vem instigando na nossa classe média já tão assustada e acossada, coitadinha".

Alex, sinceramente...

Por falta de tempo e dinheiro, não li o livro do Magnoli. Mas uma coisa eu posso dizer com certeza absoluta: a questão racial não é uma questão da massa dos negros. A questão racial é uma questão de demagogos que querem manipular a massa dos negros. Não nego que há racismo. O que eu acho é que os demagogos que querem manipular os negros são piores que o racismo.

Negros na universidade pública, Alex, não resolverá o problema da falta de negros com competência para trabalhar em profissões onde há falta de negros porque não é esse o objetivo da política de cotas raciais. O objetivo da política de cotas raciais é colocar na universidade pública militantes que farão política universitária em nome dos negros.

É por isso que sou a favor das cotas raciais. Elas vão transformar a universidade pública em palco para exibição de demagogos racialistas, o que vai contribuir para desmoralizar a universidade pública.

Você duvida, Alex? Eu tenho certeza disso. Vamos esperar para vê?

PermalinkPermalink 12.04.10 @ 11:36



Comentário de: Jorge Nobre · http://jorgenobre.unblog.fr

Mas eu sou a favor dos casamentos interraciais nas universidades públicas. Os casamentos interraciais irão colorir a universidade pública. E para o Brasil começa a dar certo é preciso a volta do Fernando Collor com o apoio da universidade pública. A universidade pública colorida pelos casamentos interraciais apoiará o Fernando Collor de Melo. Vamos defender os casamentos interraciais, Alex, eu te apoio nessa!

Por que acho isso? Ah, eu já expliquei porque aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/09/o_povo_quer_saber_1

PermalinkPermalink 12.04.10 @ 11:40



Comentário de: Marcio E. Goncalves

Sinceramente eu achei um dos artigos mais imbecis do The Economist - que eh a minah revista semanal favorita, alias.

Nao tocam no obvio fato que as negras americanas estao se prejudicando ao serem tao tacanhas e racistas na escolha de maridos, nao pensando na possibilidade de se casar com alguem de outra raca.

Veja que nao eh porque homens de outras racas nao querem se casar com elas - elas nem consideram os ditos.

So que o racismo sentimental eh o ultimo refugio do racismo aceitavel aqui nos EUA e Europa - nao so ninguem acha errado, como todos ainda acham "natural" que pessoas so sintam atracao por pessoas da mesma raca (o que faz do Brasil uma aberracao entao, claro...)


PermalinkPermalink 12.04.10 @ 13:23



Comentário de: Ana

Eu acho que o casamento interracial é evitado pelas afro americanas por conta do modo como o racismo se configurou lá que difere, obviamente, do modo como ele se configura aqui. Quando ela sequer cogita o casamento interracial não é por serem tacanhas ou racistas, mas por conta do modo como a comunidade negra pós-abolição foi inserida na vida social da América branca. A família negra era elemento fundamental da cultura afro-americana. A matriarca negra, os filhos, os netos... a celebração da negritude nos mais distintos marcadores sociais. As mulheres negras também percebem que sua posição no imaginário social branco é extremamente sexualizada. Ela centraliza o fetiche da “foda gostosa” que a distancia da imagem da mulher pra casar, pra ser mãe dos filhos, papel ocupado pela mulher branca inocente, ingênua, cândida etc. Acho perigoso a crença na obviedade do racismo da afro-americana no tocante às relações interraciais quando não se considera a história. Uma rejeição coletiva não nasce do nada, uma coletividade não decide correr o risco de ficar só e criar os filhos só por deliberada “incompetência social”. Não dá pra discutir uma questão como essa desconsiderando a questão do racismo e da branquidade e o modo como eles se orientam nas diferentes sociedades.

E eu discordo que a questão racial não é uma questão da massa dos negros. Os negros brasileiros sabem que existe racismo no Brasil. Sabem que os brancos discriminam os negros que introjetam o estigma e acabam se auto-discriminando uns aos outros. Os negros também percebem que o racismo não é apenas um jogo onde eles perdem, mas também é um jogo que coloca o branco com grandes vantagens na sociedade. Também sabem que um filho de pele mais clara usufruirá de alguns benefícios “brancos” que serão negados ao irmão mais marronzinho. Isso é assunto de reunião de família! Não é surpresa pra preto nenhum. O que os negros não possuem – ou não possuíam- é acesso aos espaços de legitimação social. O negro não estava na universidade produzindo conhecimento influenciado por suas vivências como um negro, por exemplo. O índio tampouco. Pode-se dizer que o Brasil tem relevantes estudos sobre as culturas negras e indígenas: o modo como eles comem, fodem, criam os filhos, as religiões, as danças, as artes.... Mas não se pode dizer que temos um vasto campo de estudos sobre os brancos, por exemplo. Sabemos como a escravidão marcou/deformou socialmente o negro e o índio, mas não se sabe como ela deformou o branco. Como ele se coloca no mundo? Sobre o que esse grupo silencia? O que ressalta? De que modo lida com o diferente? Como se reproduz socialmente? Como se legitima? Como se beneficia do “racismo cordial”? Não se sabe nada, pois o que há de produção sobre o negro não é negro-vida, mas negro-tema.

PermalinkPermalink 12.04.10 @ 21:43



Comentário de: Marcio E. Goncalves

" Acho perigoso a crença na obviedade do racismo da afro-americana no tocante às relações interraciais quando não se considera a história."

Eu concordo plenamente com voce que existem razoes historicas e culturais para esse racismo das negras americanas - nao neguei isso.

Mas isso nao valida o tal racismo - se for assim teria que concordar com um redneck qualquer que vira racista depois de ficar alguns anos sendo deixado de lado em selecoes de faculdades e empresas por ser branco e homem.

Ele tem razao para estar bravo mas nao justifica a posicao.




PermalinkPermalink 13.04.10 @ 00:19



Comentário de: Ana

Mas eu nem pensei usar a história pra validar ou não o racismo. Eu acho, sim, a história imprescindível para nossa compreensão do comportamento das afro-americanas em relação ao racismo. Não dá pra saber como elas articulam essa questão do casamento interracial pq eu nunca conversei com uma afro-americana. Nunca fiz estudos sobre isso e tudo o que eu disser será pautado na imagem que eu faço dela e não em sua existência social.Por isso a minha crítica à "obviedade". O que nos parece óbvio é óbvio pra quem? Pra negra afro-americana que vive como uma negra americana nos Estados Unidos ou pra mim que não sou afro-americana e que, portanto, não sou tratada como tal por meus pares?

O que disse no meus texto foi baseado em um artigo de uma cantora Jill Scott que afirmou que sua alma queima ao ver um negro com uma branca, pois isso deixa evidente como a família negra - e todo seu significado - está desmoronando. Segundo ela as afro-americanas têm muita dificuldade em criar os filhos em uma família negra e isso a incomoda. No Brasil, ao contrário, a alma da família branca de classe média/alta queima quando o casamento interracial não traz alguma compensação financeira. Nestes espaços o não-branco têm de compensar suas "marcas" com algo que seja reconhecidamente valioso e que não perturbe o status adquirido pelo grupo. Ele tem de ser o 'negro melhorado' como diz Wil.I.Am.

Não há nada de diferente nas duas situações e as discriminações e seus efeitos continuam funcionando do modo como lhes é possível funcionar. Ou melhor, as pessoas discriminam do modo que lhes é possível.

Por isso acho que não dá pra "validar" ou invalidar as práticas de pessoas que sequer conhecemos. O que podemos fazer é tentar compreendê-las as contextualizando. Caso contrário a gente corre o risco de ver as pessoas como tacanhas ignorantes e somente nosso ponto de vista - altamente enviesado, diga-se de passagem - como super articulado e inteligente.

PermalinkPermalink 13.04.10 @ 08:53



Comentário de: Amora.

Sou negra e no fim do ano vou me casar com um
branco. Mas é um branco pobre, fudido, sem
"pedigree". Então tá tudo certo.

Ele tem 2 tias ricaças. Uma delas é viuva de
um ex-assessor do Sarney, da época da Arena
(cruzes). Então...resumindo, como sou uma
negra "melhorada" ela me aceitou na casa dela
e até me tratou bem. Detalhe: eu não sabia dessa
aversão dela por negros, nem que poderia ser
mal tratada caso não fosse uma negra trangenica.
Se soubesse nem teria pisado lá.

A véia só foi com a minha cara porque sou uma
negrinha "melhorada" tipo a Camila Pitanga:
pela morena clara, cabelo não tão crespo, e
nariz afilado, alta e magra. Se fosse uma negrinha
legítima, com cara de periferia não passava
nem portaria do prédio.kkkkk

Daí que a negra "melhorada" nem é considerada
negra. Se torna automaticamente uma "moreninha
muito da bonita".

PermalinkPermalink 13.04.10 @ 16:59



Comentário de: Ana

Exato. Negro e negra melhorada no Brasil não é negro. É moreno.É como se houvesse uma incompatibilidade entre ser negro e rico, ou ser negro e belo, ou ser negro e ao mesmo tempo estar associado a qualquer qualidade que socialmente é percebida como 'branca'.

Eu acho que a coisa mais difícil que tem é um negro melhorado ser reconhecido como negro... tipo a Camila Pitanga que sofre horrores pras pessoas aceitarem que ela é negra, que ela se assume como negra e não como morena ou branca. No imaginário social o negro passa longe do que ela representa - uma mulher bem sucedida e bonita? É uma representação comum imaginar uma mulher Terena como bonita e bem sucedida? Essas são qualidades comumente atribuídas às mulheres brancas (as princesinhas, as barbies, as delicadas, "a MULHER bonita"). É como se dissessem: "Camila pode até não ser branca, mas negra ela não é".

PermalinkPermalink 14.04.10 @ 07:03



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