Vaidoso que sou, costumo sempre tirar os óculos durante eventos sociais, ainda mais se potencialmente românticos.
Então, em nosso primeiro encontro, ela pergunta quantos graus eu tinha e se enxergava bem.
Respondi que não era muito, que sem óculos eu fazia tudo menos ler, dirigir e usar computador, que acabava usando mais por preguiça de tirar mas que, em saídas sociais como aquela, eu tirava para ficar mais bonitinho.
E ela pediu para eu colocar os óculos de novo, e explicou, no tom frio que lhe é peculiar:
Eu era feio. Tirar os óculos me causava um ganho estético insignificante, que não compensava a perda da visão. Ela não estava comigo pela beleza, não fazia diferença alguma. Pelo contrário, ela queria o prazer de saber que eu estava com a visão perfeita, alimentava a sua vaidade saber que eu podia apreciar a sua beleza nos mínimos detalhes, lhe dava tesão de saber adorava e admirada por mim.
Apaixonei, né? Não tenho nenhuma defesa contra um comentário desses.
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Uma última história da Liloló. A primeira. Talvez a minha preferida. Terminamos em janeiro. Cinco anos. Terminamos e voltamos uma dúzia de vezes, sempre alternando quem terminava e quem rastejava até o outro pedindo pra voltar. Dessa vez, parece que não tem mais volta. Dá vontade de fazer um pequeno histórico da relação, mas certas coisas não são públicas. Foi ocasionalmente ruim, quase sempre muito bom. Em uma época conturbada, que incluiu sair do Rio, morar fora e levar um furação nas fuças, ela me possibilitou. Me senti amado e cuidado, pisado e manuseado por uma mulher linda e inteligente, forte e má. Sua maior crueldade foi, sabendo-se linda, ter se recusado a ser meu troféu e raramente aparecido em público comigo. Somente alguns poucos, Biajoni, Annie, Camila, sabem com certeza que ela não é um personagem inventado. Enfim. A namorada está morta, viva a namorada. Estou solteiro. Odeio estar solteiro, mas o que há de se fazer? (Pretendentes, escrevam!) Sofri. Chorei. Assisti cinco temporadas de Lost em cinco dias, comendo cachorro quente com doritos. Depois, melhorou. Um dia de cada vez. (Alex-Liloló: 2005-2010) Que a terra lhe seja leve. Fim.
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