É fácil de jogar longe o livro horrível daquele autor nosso amigo, ou sair no meio do filme do nosso genro, mas no teatro tudo é mais complicado.
Gosto de sentar na primeira fila, ali no gargarejo, mas minha acompanhante disse que não: se a peça não fosse engraçada, ele iria ter que ficar se forçando a rir, só pra não magoar os atores.
Um filme ruim é só ruim. Um livro ruim é só ruim. É fácil ler uma página de Paulo Coelho e xingá-lo de sub-escritor, mas imagino qual seria nossa reação se, antes de ler a página, tivéssemos que vê-lo escrevendo essa página, pensando, mudando, refletindo. corrigindo, imprimindo e, então, nos mostrando o resultado todo orgulhoso. Quem teria coragem de lhe encarar nos olhos e dizer que é uma merda?
Por isso, uma peça ruim é, acima de tudo, constrangedora: caramba, aquele povo todo está ali, na sua frente, em cima do palco, dando tudo, decorando falas, pintando o rosto, fazendo acrobacias, suando em bicas - e, mais importante, te encarando olho no olho. Sentem o cheiro do seu peido, vêem seu bocejo, escutam o barulho do plástico da sua bala - e sabem se você não está rindo. Essa é a magia do teatro - e também o motivo pelo qual uma peça ruim também é, antes de tudo, uma peça constrangedora.
Resultado: a peça era tão, mas tão constrangedora que minha amiga nem mesmo fingiu rir.
Vale muito, muito a pena ler e assistir Martins Pena.
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