Faz pouco tempo, amigo me passou um "link hilário". "Trote de rádio, sabe como é?" Sei. Fui ouvir:
Dude Dumps Cheating Girlfriend ON AIR!
Não entendo nada da humanidade. O tal trote foi uma das coisas mais perversas e cruéis que já ouvi na vida. Quem poderia achar algo assim engraçado?
No Topsy, dá pra ver quem linkou determinado site no Twitter e os comentários que fizeram. Eis o que disseram as pessoas que passaram esse link adiante:
This is fucking hilarious // Hahaha, hillarious, made my day // this is pure genius! // HAHAHAHA EPIC WIN // justice is always best served in public! // Guys And Girls, Listen to this!!! Trust Me, You Will Love It. // now, if you're bored, you should listen to this, pretty damn funny :) // Haha this is so funny! // omgsh this is hilarious // This gold Jerry!
O texto abaixo, um dos primeiros do LLL, fala sobre minha experiência de assistir o documentário Edificio Master (2002) no cinema.


Brumas de Avalon, 4 livros, de R$176 por R$39. // Obra Completa de Freud, 25 livros, de R$960 por R$299.
* * *
O Lado Cômico do Edifício Master
Aprendi muito sobre natureza humana durante o documentário Edifício Master.
Os entrevistados contaram coisas sérias e profundas, expuseram suas vidas frente às câmeras. E a platéia riu.
Quando não eram gargalhadas, era aquele silêncio de tsc tsc, aquele silêncio de coitadinha, aquele silêncio de que moça iludida. A empatia (sic?) do público oscilava entre escárnio e pena, sem meios-termos.
Face ao estranho e ao novo, face às idiossincrasias de pessoas comuns, seus erros de gramática, suas ilusões e seus medos, o público ria de se descabelar, como se diante de um novo personagem do Casseta & Planeta: primeiro o Massaranduba, depois o Seu Creysson, agora a moça agorafóbica, com problemas mentais aparentemente sérios, que fala de modo muito estranho, nunca olha pra câmera e faz poemas em inglês aliás perfeito. A platéia parecia uma claque, de tanto que ria: ficaram faltando só os aplausos quando o personagem entra em cena e, claro, um bordão. Mais um novo personagem pro imaginário popular, tão engraçado quanto o Capitão Gay ou o Professor Raimundo.
A medida que a moça falava, entretanto, o riso foi se abafando, como se baixasse a convicção incômoda de que ih não, ela é de verdade, agora que lembrei, não posso rir, não tem graça. Uma das pessoas que estava comigo até comentou que só se sentiu mal mesmo de ter rido dessa moça. Mas riu. E não riu sozinha.
O humor se baseia em surpresa, inversão de expectativas e, principalmente, crueldade. Um dos axiomas do humor é que, pro público gargalhar, alguém tem que se estar dando mal. Não existe gargalhada do bem.
A grande diferença é que essa moça não é um quadro da Praça É Nossa. Ela é real, e não estava contando algo pra fazer rir, estava falando do seu namorado, de seus poemas, de Nova Orleans, de sua vida e do seu futuro.
Os artistas se expõem, por dever de ofício, ao escárnio público. Ou à glória pública. Ou ao mais absoluto descaso público. O artista é aquele pobre coitado da quermesse, que coloca sua cara no buraco e se expõe às tortas dos visitantes atiram. E quem lhe acertar bem no nariz, ainda ganha um ursinho. O artista que surtar quando seu trabalho for ridicularizado deveria ter estudado odontologia, como seu avô queria.
O artista sabe o quanto está se expondo.
Os entrevistados do Edifício Master sabiam?
Acho que não. Falaram com uma simplicidade e uma sinceridade que não dedicamos nem aos nossos psicanalistas. Falaram de coisas sérias e profundas e, com certeza, nunca lhes ocorreu que aquelas coisas sérias e profundas, ditas com seriedade e profundidade, seriam ouvidas com algo que não fosse seriedade e profundidade. Falaram sério e esperaram ser levados a sério. Será que ouviram as gargalhadas?
O diretor Eduardo Coutinho disse ter feito o possível, durante a edição, para minimizar o patético, pra não expor ao ridículo aquelas pessoas que, com ingenuidade até, haviam se aberto tanto pra ele. Eu acredito. O filme, hora alguma, estimula o patético ou enfatiza o risível. Mas, mesmo assim, no lugar dele, eu teria ficado desesperado.
Eu teria levantado no meio da sessão, parado tudo, mandado acender as luzes. E ficaria gritando, pregando no deserto, desesperado, dizendo não, gente, não é assim, não é isso que eu quis mostrar, isso não tem graça, essa velhinha é uma pessoa maravilhosa, o que ela falou é sério, muito sério, vocês não vêem?
Iriam rir dele também.

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Senhor dos Anéis, 3 livros, de R$145 por R$29. // Hobbit + Silmarillion + Senhor dos Anéis, 5 livros, de R$272 por R$48.
* * *
Semana passada, enquanto discutíamos Dom Casmurro, assisti Edifício Master com meus alunos do curso de Introdução aos Estudos Brasileiros. Qual vocês acham que foi a conexão que construí entre ambas as obras?



Coleção completa Harry Potter, 7 livros, de R$360 por R$59. // Todas as Crônicas de Nárnia (todos os livros da série em volume único de 800 páginas), de R$98 por R$12.
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