Rindo da Desgraça Alheia

Faz pouco tempo, amigo me passou um "link hilário". "Trote de rádio, sabe como é?" Sei. Fui ouvir:

Dude Dumps Cheating Girlfriend ON AIR!

Não entendo nada da humanidade. O tal trote foi uma das coisas mais perversas e cruéis que já ouvi na vida. Quem poderia achar algo assim engraçado?

No Topsy, dá pra ver quem linkou determinado site no Twitter e os comentários que fizeram. Eis o que disseram as pessoas que passaram esse link adiante:

This is fucking hilarious // Hahaha, hillarious, made my day // this is pure genius! // HAHAHAHA EPIC WIN // justice is always best served in public! // Guys And Girls, Listen to this!!! Trust Me, You Will Love It. // now, if you're bored, you should listen to this, pretty damn funny :) // Haha this is so funny! // omgsh this is hilarious // This gold Jerry!

O texto abaixo, um dos primeiros do LLL, fala sobre minha experiência de assistir o documentário Edificio Master (2002) no cinema.
Brumas de AvalonObra Completa de Freud
Brumas de Avalon, 4 livros, de R$176 por R$39. // Obra Completa de Freud, 25 livros, de R$960 por R$299.

* * *

O Lado Cômico do Edifício Master

Aprendi muito sobre natureza humana durante o documentário Edifício Master.

Os entrevistados contaram coisas sérias e profundas, expuseram suas vidas frente às câmeras. E a platéia riu.

Quando não eram gargalhadas, era aquele silêncio de tsc tsc, aquele silêncio de coitadinha, aquele silêncio de que moça iludida. A empatia (sic?) do público oscilava entre escárnio e pena, sem meios-termos.

Face ao estranho e ao novo, face às idiossincrasias de pessoas comuns, seus erros de gramática, suas ilusões e seus medos, o público ria de se descabelar, como se diante de um novo personagem do Casseta & Planeta: primeiro o Massaranduba, depois o Seu Creysson, agora a moça agorafóbica, com problemas mentais aparentemente sérios, que fala de modo muito estranho, nunca olha pra câmera e faz poemas em inglês aliás perfeito. A platéia parecia uma claque, de tanto que ria: ficaram faltando só os aplausos quando o personagem entra em cena e, claro, um bordão. Mais um novo personagem pro imaginário popular, tão engraçado quanto o Capitão Gay ou o Professor Raimundo.Edificio Master

A medida que a moça falava, entretanto, o riso foi se abafando, como se baixasse a convicção incômoda de que ih não, ela é de verdade, agora que lembrei, não posso rir, não tem graça. Uma das pessoas que estava comigo até comentou que só se sentiu mal mesmo de ter rido dessa moça. Mas riu. E não riu sozinha.

O humor se baseia em surpresa, inversão de expectativas e, principalmente, crueldade. Um dos axiomas do humor é que, pro público gargalhar, alguém tem que se estar dando mal. Não existe gargalhada do bem.

A grande diferença é que essa moça não é um quadro da Praça É Nossa. Ela é real, e não estava contando algo pra fazer rir, estava falando do seu namorado, de seus poemas, de Nova Orleans, de sua vida e do seu futuro.

Os artistas se expõem, por dever de ofício, ao escárnio público. Ou à glória pública. Ou ao mais absoluto descaso público. O artista é aquele pobre coitado da quermesse, que coloca sua cara no buraco e se expõe às tortas dos visitantes atiram. E quem lhe acertar bem no nariz, ainda ganha um ursinho. O artista que surtar quando seu trabalho for ridicularizado deveria ter estudado odontologia, como seu avô queria.

O artista sabe o quanto está se expondo.

Os entrevistados do Edifício Master sabiam?

Acho que não. Falaram com uma simplicidade e uma sinceridade que não dedicamos nem aos nossos psicanalistas. Falaram de coisas sérias e profundas e, com certeza, nunca lhes ocorreu que aquelas coisas sérias e profundas, ditas com seriedade e profundidade, seriam ouvidas com algo que não fosse seriedade e profundidade. Falaram sério e esperaram ser levados a sério. Será que ouviram as gargalhadas?

O diretor Eduardo Coutinho disse ter feito o possível, durante a edição, para minimizar o patético, pra não expor ao ridículo aquelas pessoas que, com ingenuidade até, haviam se aberto tanto pra ele. Eu acredito. O filme, hora alguma, estimula o patético ou enfatiza o risível. Mas, mesmo assim, no lugar dele, eu teria ficado desesperado.

Eu teria levantado no meio da sessão, parado tudo, mandado acender as luzes. E ficaria gritando, pregando no deserto, desesperado, dizendo não, gente, não é assim, não é isso que eu quis mostrar, isso não tem graça, essa velhinha é uma pessoa maravilhosa, o que ela falou é sério, muito sério, vocês não vêem?

Iriam rir dele também.
Trilogia Senhor dos AnéisColeção Tolkien [Hobbit + Silmarillion + Senhor dos Anéis 1, 2 e 3]
Senhor dos Anéis, 3 livros, de R$145 por R$29. // Hobbit + Silmarillion + Senhor dos Anéis, 5 livros, de R$272 por R$48.

* * *

Semana passada, enquanto discutíamos Dom Casmurro, assisti Edifício Master com meus alunos do curso de Introdução aos Estudos Brasileiros. Qual vocês acham que foi a conexão que construí entre ambas as obras?

 Promoção Submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino
Coleção Harry Potter Crônicas de Nárnia
Coleção completa Harry Potter, 7 livros, de R$360 por R$59. // Todas as Crônicas de Nárnia (todos os livros da série em volume único de 800 páginas), de R$98 por R$12.

 

17.03.10


Categorias: Cinema, Comportamento


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Comentários:


Comentário de: Sams

Eu nunca tinha ouvido falar desse filme, Alex. Legal vc ter mencionado. Vi agora vários trechos no Youtube e é bem interessante. Achei fascinante a menina que tinha morado em Nova Orleans, mesmo com tantos problemas ela parece tão bem articulada... Também vi a história da menina de Belo Horizonte que é prostituta. Um rosto muito bonito, e ela é bastante carismática, eu achei... Vc disse que as pessoas riram muito no cinema. Bom, do que eu assisti, não vi nada que me provocasse esse tipo de reação. Then again, eu já tinha lido o seu post...

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 05:49



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

Alex, eu fico de cara com a tal da pegadinha do Faustão, e olha que não dá para dizer que é coisa de brasileiro, pois alí tem vídeo do mundo inteiro... tem uns vídeos de país filmando as crianças se lascarem em quedas de arrebentar osso... não tenho filho... será que quando tiver vou entender como um cara pode amar uma criança e fazer isso?

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 06:16



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

país não, pais né...

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 06:17



Comentário de: Amora.

Alex, eu também tive essa reação de surpresa com a platéia ao assistir MULHER INVISÍVEL. O público se contorcia de rir frente a cenas absolutamente dramáticas. Os produtores "venderam" o filme como comédia, talvez achando que ia dar mais ibope. No entanto o filme tem uma ironia sutil pra falar de solidão e amizade que, talvez, para os menos apercebidos seja risível.Há uma cena inclusive em que o governador do Estado se apresenta aos funcionários da empresa para uma palestra. No momento do discurso Pedro, personagem principal, surta e começa a gritar. Imediatamente seu chefe o expulsa da sala aos gritos. A platéia riu horrores desta cena. Achei cruel isso.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 08:19



Comentário de: Karina

Eu lembro quando li esse seu texto ha alguns anos, o que me levou a alugar esse filme. Por sinal, está mais que na hora de agradecer a indicação, pois o documentário é primoroso. cheguei a questionar por que todos os moradores desse prédio eram tão facinantes, até me dar conta que todas as pessoas são facinantes.


Sobre a tal moça do filme que faz poesias em inglês, vejo nela uma pessoa tão inteligente e sensível que acaba ficando meio esquisita.

Outra coisa que não entendo mesmo é a graça das tais pérolas do vestibular/ do enem. Como assim alguém acha engraçado o retrato da educação deficiente brasileira?

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 08:23



Comentário de: aiaiai

Não consegui ouvir o tal programa de rádio...detesto pegadinha, tenho nojo...como bbbs e outras dessas produções baratas e sem respeito algum pelas pessoas. O bbb eu tenho mais nojo ainda porque as pessoas sendo desrespeitadas na verdade quiseram isso. Não entendo.

Mas sobre a sua pergunta (conexão entre dom casmurro e o filme), mesmo não tendo visto o filmo, vou arriscar.

Acho que deve ter sido como da primeira vez que li dom casmurro. ficava meio que achando engraçada a forma como ele fazia drama de tudo, de como interpretava gestos, de como via como desprezível o tal agregado. Eu era uma adolescente sem noção...porque conforme fui avançando no livro comecei a perceber a profundidade da angústia do bentinho e dos outros personagens também. Acho que o limite foi quando apareceu a história do menino que tinha lepra. A partir desse ponto eu percebi que estava sendo uma idiota de rir de todos os personagens. Não sei o que Machado queria, mas certamente não era fazer comédia.
Acho que fiquei com o mesmo sentimento da sua amiga que estava vendo o filme com vc: do que mesmo eu estava rindo? dessa tragédia que é a vida de cada um de nós? a literatura as vezes é um tapa na cara.

será que foi essa a conexão que vc fez?

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 09:21



Comentário de: Carla · http://www.bailedemascaras.wordpress.com

achei muito profundo esse post, Alex, confesso que já me vi nas duas posições: aquela que riu (e depois se sentiu constrangida) e aquela que se constrangeu diante do riso dos outros. há muito, muito o que pensar em relação a isso: de quem nos sentimos à vontade para rir? quem são aqueles em relação aos quais nos sentimos tão tão alheios que mal notamos a veracidade de seus fatos e relatos?

vc já assistiu "Jogo de Cena", tb do Eduardo Coutinho? Ainda não vi, mas tenho vontade de ver. Parece que é num estilo parecido com Edifício Master (que muito me encantou, e gostaria de rever...), peguei certa vez o final passando na TV, com uma senhora cantando.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 09:51



Comentário de: Filipe

Já assisti a peças dramáticas no teatro na qual as pessoas riam de tudo. Acho que a gente tem um problema de público. A relação com a arte, com o cinema inclusive, vem a cada dia beirando o mais superficial possível, a ponto de o que eu não puder dar risada, não tem "graça". Às vezes penso que o riso é um modo das pessoas se distanciarem daquela realidade, negá-la: "Que pobre desgraçada! Hahaha"

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 10:11



Comentário de: Haline · http://www.halinices.blogspot.com

Eu to surpresa pq não vi o Edificio Master no cinema. Mas não tinha NADA risivel no filme. Todas as minhas sensações foram de ternura, compaixão ou angústia. Não tem graça mesmo. Alias, isso da reação do público sempre me surpreende pq as vezes vejo um filme no festival e o público é bem outro né, dai alguém me conta das reações depois da estréia e eu fico uau, pensando pq foi diferente no festival. O último que aconteceu isso foi A Erva do Rato, baseado em dois contos do Machado. Ce falou dele, por isso lembrei. Um amigo disse q as pessoas riam de se acabar ou gritavam uhu qdo a Alessandra Negrini aparecia nua. E eu vi no festival e não teve nada disso. Ela é linda e aparece nua várias vezes, mas não dá mesmo pra focar nisso e tals. Na sessão que vi as pessoas saíram tensas ou sem entender. O que tudo bem num filme como esse. Mas graça e tesão realmente não estavam em pauta. Enfim.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 11:15



Comentário de: Karina

Falando nisso, sem querer parecer arrogante, a reação das pessoas sempre me incomoda um pouco a ponto de estragar a obra.
Lembro quando fui assistir Brocback Montain, um dos filmes mais tristes e sofridos desses recentes, e a sessão de cinema - lotada porque era o favorito do Oscar - se acabava de rir e gritar "uhu" a cada cena de pegação dos personagens, como se somente aquilo ali importasse. Achei o filme uma bosta, até assistí-lo novamente sozinha em casa.

Agora, Alex, estou realmente quebrando a cabeça durante toda a manhã pra tentar entender a relação entre Don Casmurro e Ed. Master. Se fosse a relação que o(a) aiaiai apontou você poderia ter pego qualquer outra obra do machado de Assis. Brás Cubas acho que até é um pouco melhor nesse sentido, ou estou enganada? Também esse não é um ponto tão central ao documentário.

Tem a ver com a moça que morou em Nova orleans, especificamente ou o edifício e todos os seus personagens em si?

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 13:21



Comentário de: Karina

Ah, desculpa comentar pela terceira vez, mas lembrei de uma cena ótima da série "The Office" (tem a mesma cena tanto na versão inglesa quanto na versão americana). O chefe metido a engraçadão confessa a outro que vai pregar uma peça ótima com uma das funcionárias. Chama-a em particular e diz que ela estaria demitida por furto de material da empresa (essa é a piada). A funcionária começa a chrar e o chefe engraçadão perde todo o rebolado.
Parece-me um bom exemplo de como as pessoas podem ser inconvenientes nessa procura desesperada pelo humor.
Aliás, pessoalmente acho este um dos grandes defeitos das gerações atuais: a necessidade que as pessoas têm de serem engraçadonas o tempo todo.
Acho que os tipos de pessoas que mais me incomodam são o engraçadão e o espertão.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 13:30



Comentário de: indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Alex vc é dramático,tem complexo de messias,quer alardear a sua opnião, quer que te ouçam e não que apenas te leiam.Duvida? olha isso aqui:

"Eu teria levantado no meio da sessão, parado tudo, mandado acender as luzes. E ficaria gritando, pregando no deserto, desesperado, dizendo não, gente, não é assim, não é isso que eu quis mostrar, isso não tem graça, essa velhinha é uma pessoa maravilhosa, o que ela falou é sério, muito sério, vocês não vêem? "

A graça do humor é não ter acontecido com agente.Um exemplo:

Um "menino" pega a gata e leva pro motel,faz o abate e depois não tem dinheiro pra pagar a conta,então o cara do motel não deixa ele sair sem pagar.A moça muito puta com a situação pega um taxi que havia deixado um casal no quarto 14,e pede pra ele tirar ela dali urgentemente.O cara do motel não abre o portão pro taxisista sair porque segundo ele,corre o risco do menino sair correndo (???)

A moça muito envergonhada só não chora porque esta levemente embriagada e percebe o ridículo da situação.Então depois que o cara consegue pegar o celular do devedor,libera a saida do taxista.Vida que segue...

Essa historinha é muito engraçada,mas eu iria rir bem mais se tivesse acontecido com a vizinha.

PS1: Amora,esse nome me lembra o filhotinho dos mamutes da era do gelo

PS2: Mulher invisivél é o melhor filme brasileiro de comédia que ja assisti na minha vida.E quando ele dança colocando a lingua pra fora? muito bom!

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 14:32



Comentário de: Patricia · http://www.imissbrasil.com/

Edifício Master foi um filme que me tocou profundamente e não lembro de ser risível. Senti muita compaixão e beleza. Graça, não.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 15:05



Comentário de: Mêlanie · http://www.seuwebsitenainternet.com.br/

Não conheço esse filme, fiquei curiosa para vê-lo.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 15:33



Comentário de: caio

Pra Carla:
Jogo de Cena é muito bom. Tem uma senhora maravilhosa que fala sobre o desenho do Nemo de um jeito que sempre que eu vejo o Nemo com meu filho me lembro dela.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 16:20



Comentário de: Teresa

Falando de risadas em filmes, vi Match Point no cinema e um cara ria nas cenas mais dramáticas perto do final. E alto, pra irritação de todos. Vai entender essa gente.
Foi a solidão a conexão que você fez? Faz tempo que vi Edifício Master, por isso só lembro do senhor que tinha sido cantor e da universitária de outra cidade. Vou ver de novo pra ver a poeta.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 20:15



Comentário de: Fernando

O trote é cruel, mas trair o namorado de 5 anos, que fez planos, que gostava dela, com um amigo, não é?

E quanto ao Edifício Master, qualquer pessoa que dê uma declaração está sujeita a ser ridicularizada (até esta). Não temos porque fingir que está "tudo bem" com tudo só porque são pessoas "simples". Essa exaltação da "simplicidade", de ver uma pessoa "simples" e "humilde" como portadora de qualidades quase divinas, só contribui pra que as pessoas não se toquem de que elas são sim, burras, e que não, não está "tudo bem".

(ufa, desabafei)

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 20:42



Comentário de: Alberto NoHope

Pois é, a traição também é bem cruel. Embora não seja a favor do olho por olho, dente por dente... Ela mereceu.

E sem sexismos aqui - o contrário também se aplica ao homem que trai.

PermalinkPermalink 17.03.10 @ 20:54



Comentário de: Sr Atoz · http://sratoz.wordpress.com

Ouvi o trote. Constrangedor.

Ela pode ter traído. Nesse caso, mereceu.

Também pode ser que não tenha traído. Afinal, ele ouviu de amigos, não foi testemunha ocular. Nesse caso, o namorado foi precipitado e ela não mereceu.

Não sei de nada do que realmente aconteceu, de modo que não tenho pena da moça. Mas sei que ela tem sentimentos e sei que não é bonito ele fazer o que fez -- mesmo que seja justo.

A ele faltou compaixão. Mas ele também merece ser perdoado, mais do que ela.

De qualquer maneira, não tem graça nenhuma.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 00:40



Comentário de: Sr Atoz · http://sratoz.wordpress.com

... porque OS DOIS estão sofrendo. E sofrimento não tem graça.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 00:41



Comentário de: Arthur

Sr Attoz

Quer dizer que o ato do muleque, tendo sido tomado somente com as informações que ele tinha, pode ser justo ou precipitado dependendo do resultado?

Sem entrar no merito dela ter merecido ou não.

Agora entrando no merito dela ter merecido, é...Qualquer pessoa que lide com uma situação dessas do jeito que ele lidou é um completo idiota. Mas talvez eu que seja maluco mesmo.

Alex

Cruel e perverso exclui necessariamente engraçado?

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 01:33



Comentário de: Amora.

Indy,

Se você gosta REALMENTE de comédia, experimente ver "Narradores de Javé". Este sim é o melhor filme de comédia brasileiro que EU JÁ VI. Muito melhor que o Alto da Compadecida, que já é bem melhor que Mulher Invisível.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 08:01



Comentário de: Amora.

Alex,

Analisando Dom Casmurro x Edíficio Master, penso que a relação entre eles está na riqueza e na mediocridade do cotidiano das pessoas. Lendo o livro e assistindo ao filme, a gente tem aquela impressão que a vida de todo mundo é muito parecida; as mesmas dúvidas, os mesmos conflitos, as pequenas mediocridades diárias...E no fundo, uma profunda solidão.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 08:06



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Eu não vi Edifício Master. Fiquei curiosa também.

O lance do rádio foi realmente muito cruel. Fico realmente chocada em como alguém pode achar graça em tanto constrangimento em público. O cara fica 5 anos com uma mulher e, quando acha que ela deu mancada, ao invés de chamá-la pra conversar e lavar a roupa suja em casa, distribui pedras pra o público fazer justiça. Sem essa que ela mereceu. Só pode ser santa ou puta, né? Não pode ser uma pessoa que cometeu um erro grave, só. E o que os caras da rádio trem a ver com isso. "You have cheated!". Os caras são agora os guardiões da moral e dos bons costumes. Aliás, no fundo acho que ela se deu bem, viu? Coisa horrorosa deve ser casar com um babaca que, por não ter condições de resolver os próprios problemas, chama uma audiência pra "apoiá-lo". Deprimente.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 09:30



Comentário de: João Paulo Cursino (aka Sr Atoz) · http://sratoz.wordpress.com

"Quer dizer que o ato do muleque, tendo sido tomado somente com as informações que ele tinha, pode ser justo ou precipitado dependendo do resultado?"

Não é dependendo do resultado.

O ato foi precipitado de qualquer maneira, e eu me expressei mal nesse ponto.

Se ela traiu, foi precipitado (um problema processual, não penal) mas justo (uma questão penal).

Se ela não traiu, foi precipitado (ainda um problema processual) e injusto (ainda uma questão penal).

Em ambos os casos, precipitado. Em ambos os casos, cruel contra os sentimentos dela. É possível tratar um ser humano (mesmo um que errou) de modo mais digno. Claro, para mim é muito fácil dizer isso, eu que estou aqui, longe do problema, protegido pelo vidro fumê do panopticon enquanto eles se matam debaixo do holofote.

Também não tenho a menor dúvida de que ele também estava sofrendo, mesmo que se iludisse achando que o que fazia fosse bom. Certamente ninguém ganhou nada (mais ou menos: Woody e Rizzuto ganharam audiência). Presumo que estivesse transtornado, o que há de pesar a seu favor.

Bom, em síntese: justo ou não, isso não se faz nunca. Mas, para mim, é fácil dizer isso; não estou envolvido.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 10:40



Comentário de: João Paulo Cursino (aka Sr Atoz) · http://sratoz.wordpress.com

Mas o foco do Alex não era esse, era? Se entendi direito, o que ele estava dizendo (supersimplificadamente) era que não tinha graça. Nesse ponto concordo.

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 10:42



Comentário de: hiroko hime

"O lance do rádio foi realmente muito cruel. Fico realmente chocada em como alguém pode achar graça em tanto constrangimento em público. O cara fica 5 anos com uma mulher e, quando acha que ela deu mancada, ao invés de chamá-la pra conversar e lavar a roupa suja em casa, distribui pedras pra o público fazer justiça. Sem essa que ela mereceu. Só pode ser santa ou puta, né? Não pode ser uma pessoa que cometeu um erro grave, só. E o que os caras da rádio trem a ver com isso. "You have cheated!". Os caras são agora os guardiões da moral e dos bons costumes. Aliás, no fundo acho que ela se deu bem, viu? Coisa horrorosa deve ser casar com um babaca que, por não ter condições de resolver os próprios problemas, chama uma audiência pra "apoiá-lo". Deprimente."

já falaram tudo!
Mas pra dar suporte: que voyerismo depravado! chamem os talebans q a moral está perdida...

PermalinkPermalink 18.03.10 @ 11:32



Comentário de: Pierre

Alex,

Eu vi Edifício Master no vídeo, em casa, e em nenhum momento vi motivo para rir, e muito menos para gargalhar. Não é em nada uma comédia, e sim um retrato da solidão urbana, num bairro caótico e hiperlotado como Copacabana. Enfim, acho um filme de certa forma angustiante, mas humano e com um toques de esperança, poesia e humor.

Agora, essa sua sentença aqui foi genial: "Um dos axiomas do humor é que, pro público gargalhar, alguém tem que se estar dando mal. Não existe gargalhada do bem."

Mandou muito.

Abs,

Pierre


PermalinkPermalink 18.03.10 @ 18:05



Comentário de: ratapulgo zen noção · http://orabolas.blogspot.com/

O trote é simplesmente babaca e cruel. Sem a desculpa sequer de ser engraçado em qualquer etapa do longo e tedioso linchamento covarde.

Vejo, no entanto, pouca relação com o Edifício Master. Minha sessão comportou-se dignamente, ao que me lembro.

Recomendo o DVD que possui alguns personagens extras. Bérigu!

PermalinkPermalink 22.03.10 @ 01:51



Comentário de: ratapulgo zen noção · http://orabolas.blogspot.com/

Por outro lado, isto é brilhante:

http://howtoprankatelemarketer.ytmnd.com/


PermalinkPermalink 22.03.10 @ 02:03



Comentário de: Michel


Não achei engraçado. Fiquei curioso para saber a reação dela. Acho que é o que acontece com as pessoas é o sentimento de ir à forra, não o fato de achar hilário.
Acho um sentimento plenamente válido.

PermalinkPermalink 24.03.10 @ 13:00



Comentário de: Rogério Santos · http://www.efemeridesbaianas.blogspot.com

Esse trote me lembrou daquelas famigeradas câmeras escondidas do SBT. Lembro particularmente de uma em que uma mulher, para "comemorar" os 25 anos de casamento, pediu para que aquele bando de babacas fizessem o marido dela - dono de uma oficina mecânica - se passar por dono de um desmanche de carros roubados (ela inclusive ajudou os babacas a "plantar" um carro na oficina do cabra para reforçar a ideia). O marido dela ficou nervoso, tenso, quase teve um infarto, e quando o coitado estava prestes a explodir, um dos idiotas parou tudo e disse que aquilo era uma "brincadeira" organizada pela esposa dele, pois ela sabe que uma das coisas que ele mais ama na vida é a oficina mecânica, de onde ele sempre tirou o sustento da família. Por conta disso, ela achou que deveria dar um "sustinho" nele.

Lembro também de outra em que um homem, para comemorar o aniversário do filho, pediu para que a trupe de imbecis do programa fizesse o rapaz passar por estelionatário. Fizeram todo tipo de miséria com o cabra: forjaram um mandado de prisão contra ele, disseram coisas horríveis, empurraram, algemaram, colocaram na traseira do camburão, e depois que o pobre coitado estava chorando e em estado de choque, o desgraçado do pai dele apareceu para desejar feliz aniversário e dizer que tudo aquilo não passou de uma brincadeira de uma pessoa "que te ama muito". (Eu nem quero imaginar o que o desgraçado teria feito se ele não gostasse do filho dele)

Mais recentemente, durante o final do ano passado e começo deste, foi destaque no Fantástico um quadro com um babaca francês chamado Rémi Gaillard, que saía às ruas das cidades francesas procurando brincadeiras de péssimo gosto com as pessoas e dizendo que isso era humor. O pior disso tudo é que houve pessoas que deram visibilidade às misérias que ele fazia - e, pelo visto, ainda faz.

Infelizmente, algumas pessoas são assim mesmo. Enquanto prevalecer a ideia de que pimenta nos olhos dos outros é refresco, nada mudará.

PermalinkPermalink 01.04.10 @ 15:56



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