Ensinar Literatura

Cada vez mais, aqui nos EUA, existe uma tendência a misturar cinema, música, TV, teatro, gibi, etc, nas aulas de literatura. Eu não tenho nada contra, exceto pela justificativa:

Temos que ter filmes para atrair os alunos! Se não, eles não se interessam!

Fico com a impressão de que os próprios professores de literatura acham que ninguém mais gosta de literatura. Que os alunos só vão fazer um curso de literatura, e ler os bons romances de determinada tradição, se forem subornados com músicas e filmes, espelhinhos e colares brilhantes. Que um curso sem meia dúzia de filmes na ementa ficará às moscas, coitadinho.

Eu não acho que a literatura está decadente, morta ou perto do fim. Eu não acho que a literatura tem que ser defendida, protegida ou privilegiada. Cruzes, longe de mim entrar em um discurso de defesa de qualquer coisa, "defesa da literatura", "defesa da língua portuguesa", afe.

Persepolis Watchmen

Mas acho que a literatura tem que ser ensinada nos cursos de literatura, dados pelos departamentos de literatura. Se os próprios professores de literatura, do alto dos seus doutorados em literatura, acham que a literatura já não é o suficiente para atrair alunos aos cursos de literatura... então, fodeu.

Adoro o fato de que, pelo menos aqui nos EUA, os departamentos de literatura são suficientemente livres para dar cursos sobre música, cinema, teatro, histórias em quadrinhos, etc. Todos esses assuntos enriquecem nossa compreensão do mundo. Esse semestre, por exemplo, só na minha universidade, temos um curso sobre "Satire TV and the Public Sphere, com ênfase em programas de "notícias falsas", como Daily Show e Colbert Report, sendo oferecido pelo departamento de comunicação e ensinado, por acaso, por um excelente professor brasileiro. No departamento de inglês, um curso sobre Graphic Novel está lendo Watchmen, Maus, Fun Home, Sandman, Persepolis e outros. Minha amiga Annie está ensinando um curso sobre Dança Brasileira - semestre passado, ensinou outro sobre Imigração Brasileira nos EUA.

 Ao Correr da Pena José de Alencar Crônicas

Eu mesmo, em todos os cursos que ensinei, sempre incluí pelo menos alguns filmes e já tenho um bom artigo acadêmico na cabeça sobre reproduções da Bad Girls/Femme Fatales nas histórias em quadrinhos mais recentes. Também sou totalmente a favor de atrair mais e mais alunos aos nossos cursos. Eu vendo meus cursos com a mesma obstinação de vendedor insistente com a qual empurro Mulher de Um Homem Só aqui pelo blog: não apenas faço pôsteres e espalho pela universidade, como também, no semestre anterior, visito cursos relacionados para vender o meu.

Mas incluo filmes nos meus cursos não por achar que os alunos não gostam mais de literatura. Oras, se ensino um curso eletivo de literatura em um departamento de literatura, ainda mais em um país onde é comum os alunos "visitarem" trocentos cursos na primeira semana para poderem escolher melhor, eu presumo que todos os alunos que escolheram ficar é porque gostam muito de literatura, sim senhor.

Machado de Assis: Obra Completa O Xangô De Baker Street
Dou filmes por vários motivos.

Em primeiro lugar, para os alunos terem uma referência visual das obras que estão lendo. Meus alunos vêm de outra cultura. Não sabem quase nada do Brasil. Se dou uma crônica de José de Alencar ou um romance de Machado de Assis, eles simplesmente não têm referência visual alguma dessa época ou lugar. O Rio de Janeiro do século XIX, pra eles, é uma lacuna completa. Então, passar Xangô de Baker Street, uma comédia leve sobre um personagem que eles conhecem, serve não apenas de referência visual e cultural, mas também de intervalo recreativo entre uma leitura e outra, oferecendo a eles um tempo vago para poderem escrever seus trabalhos ou ler o que ainda não leram.

Além disso, claro, os filmes são uma produção cultural autêntica e importantíssima, e estão sempre em diálogo com os livros. Esse semestre, vamos ler Verdade Tropical e assistir Bye Bye Brasil; Quarto de Despejo com Cidade de Deus e Cidade dos Homens; Os Sertões com Tropa de Elite. A própria seqüência dos filmes e livros no decorrer do curso já é suficiente para promover uma narrativa fecunda na cabeça dos alunos, estimulando a criação de novas conexões.

 Tropa de Elite    Os Sertões

Mas, com certeza, eu não ensino filmes porque acho que preciso disso pra atrair alunos para as aulas de literatura, ou porque acho que ninguém faria aula de literatura sem filmes e música misturados no meio.

Não, não acho que professores de literatura tenham que defender a literatura. A literatura é muito maior que os departamentos de literatura: se todos sumissem de repente, Hamlet continuaria firme e forte no mesmo lugar.

O que acho, isso sim, é que professores de literatura têm que não só gostar genuinamente de literatura mas também presumir que existe um público de alunos que genuinamente gosta de literatura e que esses alunos vão se matricular nos cursos de literatura sem a necessidade de cenouras, filmes, enganações, malabarismo. E que muitos desses alunos, aliás, gostam tanto de literatura que vão se tornar professores de literatura como nós, mantendo vivo esse enorme esquema pirâmide que chamamos de Academia, amém.

Bye Bye Brazil Verdade Tropical

Porque, sinceramente, se nós, que estudamos literatura e vivemos de literatura, presumirmos que ninguém mais quer saber de literatura (a não ser que venha junto com luzes e músicas e efeitos especiais), então é melhor fechar a loja e irmos estudar Odontologia como mamãe sempre quis.

Não sei vocês mas, pra mim, ser pago pra ler literatura, escrever sobre literatura e falar sobre literatura pra uma platéia cativa e voluntária que adora literatura é o melhor emprego do mundo. Tirando uma detalhes chatos, como dar nota e papelada de modo geral, isso tudo eu já fazia antes, de graça.

Cidade dos Homens  Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

A literatura não precisa ser defendida, mas, egoisticamente falando, nossos empregos de professores de literatura talvez sim. E presumir que já não existe interesse pelo principal produto que estamos vendendo é dar um tiro no próprio pé.

* * *

Na sequência:
Ensinando os Livros Difíceis
Ensinando Livros e Filmes nas Minhas Aulas

Cidade de Deus Cidade de Deus

 

23.02.10


Categorias: Livros


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Comentários:


Comentário de: cottonboy

Falar em filme, alex, convido voce a assistir meu curta de baixo orcamento, feito na faculdade, com alguns bons amigos, e roteiro adaptado de um dos contos do meu heroi, rafael galvao:

http://www.youtube.com/watch?v=6qy896iWdPc

PermalinkPermalink 23.02.10 @ 22:24



Comentário de: Carla · http://www.bailedemascaras.wordpress.com

Engraçada essa coisa de "subornar com música e filme". rs Soa como: tem que motivar com recursos "fáceis", senão ninguém vai querer a aula. Antes de tudo, nem acho que filme é recurso "fácil", que motive facilmente. Além disso, como vc escreveu, a literatura - pasmem! - fascina algumas pessoas. :-)

minha professora e orientadora de mestrado sugeria contos de Borges e Kafka como material, juntamente com textos acadêmicos, para as aulas sobre história oral. dava um encontro ótimo.

PermalinkPermalink 23.02.10 @ 22:53



Comentário de: cris · http://quitanda2008.wordpress.com

olha, alex, eu dei vários cursos de leitura na universidade. uma das ementas era sobre teorias de leitura, a outra era uma ementa de um curso eletivo que tinha o nome estranho de 'oficina de leitura'. bom, em nenhum deles a gente ensinava literatura, mas no segundo acabávamos lendo obras que as alunas [só tive alunas nesses cursos] escolhiam, em geral, contos. o outro curso era obrigatório e logo nas primeiras aulas a gente conversava muito sobre as memórias de leitura dos alunos, hábitos de leitura, autores preferidos, essas amenidades. pois eu me espantava muito em saber que, tirando uns 2 ou 3, todos diziam que não gostavam de ler, que liam só os livros que os professores mandavam ler nos cursos e pronto. mas, gente - eu falava - vocês fazem letras, né mesmo? não estou enganada. como alguém vai fazer letras se não gosta de ler, eu me pergunto. daí eu acho que deve ser por isso que os professores daí entopem os cursos de literatura de coisas mais 'agradáveis'. mas eu juro que morro e não entendo.

PermalinkPermalink 23.02.10 @ 22:54



Comentário de: Alexx

Alex, na sua opiniao a ordem dos fatores altera o produto ? Digo, vc tem uma estrategia em mostrar primeiro o filme e soh depois a leitura (ou vice versa) ?
beijao !
alexx

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 06:36



Comentário de: barbara

Um amigo meu dá aula de literatura para o segundo grau, em São Paulo, em uma escola particular. Em determinado ponto, ele incluiu uma letra de rap nas aulas e o resultado foi ótimo. Apesar disso, ele não continuou fazendo isso. Não porque não acredite no valor literário de letras de rap, mas porque letras de rap estão já no universo do estudante, e ele acha que vale mais a pena trazer textos e autores que não estejam.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 11:14



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.wordpress.com

Agora quem ficou com vontade de assistir aos cursos do Alex fui eu. Nunca vi nenhum desses filmes, e sei que é só procurar na locadora, mas fiquei foi curioso em saber o que ele explica aos alunos e que respostas escuta.

Ah well.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 13:09



Comentário de: Emanuel Campos · http://emanuelcampos.com

Excelente texto e triste verdade, cada vez mais os professores parecem partir do princípio que ninguém mais gosta de literatura, mas ver esta realidade nos estados unidos, terra do Kindle, do e-Reader, do MobiPocket, isto tudo é muito estranho. Por fim, eu me lembro de um professor de literatura que dava aulas teatrais, não lia poemas, declamava, não narrava as biografias dos escritores, interpretava e este cara é minha melhor lembrança de qualquer forma de aula, e prova viva de que as aulas podem ser interessantes, sem nenhum interesse adicional.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 13:17



Comentário de: Alex Castro Email

hahahha

joao paulo,

pode ficar tranquilo q eu nao explico nada. os alunos é q me dizem o que acharam.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 13:26



Comentário de: Amora.

dissem? Hã?!
Isso só pode ser uma pegadinha. Não vou nem
comentar, pra não parecer arrogante.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 13:55



Comentário de: Naiara

Alex,
a respeito desse artigo que você quer escrever sobre femme fatales em hqs, você conhece o livro mulher ao quadrado? http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id=3632

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 14:45



Comentário de: JCCyC · http://rsnda.blogspot.com

Não ocorre a esse pessoal admitir o fato de que história em quadrinhos É literatura?

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 15:47



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Também não entendi pq vc não considera HQ como literatura.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 17:09



Comentário de: Transeunte

Alex, por que você não considera HQs como literatura?

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 17:24



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

jCCyC e Alexandre. Vocês consideram uma novela a mesma coisa que um cinema? São formatos diferentes com linguagens diferentes. Tem um modelo de HQ que não tem diálogos, conta toda a história apenas com imagens.

Literatura é basicamente fundamentada em textos. A partir do momento em que há um estimulo visual que te não te diz como as coisas ocorrem (e deixa sua imaginação imaginar com oseriam), mas passa a mostrar como ocorrem, creio que já deixa de ser por si só, literatura.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa (não estou dizendo que não tem coisas tão boas em HQ quanto tem em livros. Existem quadrinhos com enredos sensacionais. Mas, de fato, são coisas diferentes. Pelo menos, para mim, HQ está inserido dentro de Artes Visuais. É mais próxima do Cinema do que de um Livro. Só se diferencia por não ser em movimento.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 17:27



Comentário de: Alex Castro Email

opa. historia em quadrinhos é literatura sim. assim como cinema. assim como teatro. minha tese é sobre teatro. teatro é tão literatura qt HQ. o problema é ensinarem mais cinema, teatro e HQ do que a literatura em si.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:04



Comentário de: Gisele · http://stoa.usp.br/endrigo/weblog/

Eu sou totalmente a favor da inserção de outras linguagens nas aulas de literatura, mesmo que seja só para atrair a atenção do aluno. Se, de alguma forma, isso o estimulou a ler, já é um grande benefício. Eu digo isso pensando no grande contingente de pessoas que não tem o hábito da leitura por não estar imerso em um ambiente estimulante e a única tábua de salvação é a escola. Creio que a sua situação como professor universitário é totalmente diferente.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:13



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

"opa. historia em quadrinhos é literatura sim. assim como cinema. assim como teatro. minha tese é sobre teatro. teatro é tão literatura qt HQ. o problema é ensinarem mais cinema, teatro e HQ do que a literatura em si."

Mas Alex, seguindo sua lógica, ensinar mais Cinema, Teatro e HQ não é, do mesmo modo, ensinar literatura? Já que HQ , assim como cinema e teatro, é literatura? Não entendi seu ponto então...

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:23



Comentário de: lucas

acho muito bizarra essa idéia de que a literatura não tem público num país com um consumo de livros da escala dos EUA, e com a quantidade de best-sellers de ficção que tem.

será que os cursos de letras atraem especialmente gente que não gosta de ler?
o que acontece?

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:34



Comentário de: lucas

quando cursei engenharia de telcomunicações, a maior parte da turma não gostava nem de matemática, nem de eletrônica, nem informática.

depois cursei letras e a maior parte da turma detestava literatura.

mas se os professores partem do principio de que tem que dar aula para os que não gostam do que estão fazendo, aí fodeu.

concordo totalmente com você nesse ponto. dêem uma aula pensada para quem gosta de literatura, e cada vez terão mais alunos interessados em literatura em seus cursos.


PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:43



Comentário de: Arthur Antonio

Sobre isso "Cada vez mais, aqui nos EUA, existe uma tendência a misturar cinema, música, TV, teatro, gibi, etc, nas aulas de literatura. Eu não tenho nada contra, exceto pela justificativa:
Temos que ter filmes para atrair os alunos! Se não, eles não se interessam!
Fico com a impressão de que os próprios professores de literatura acham que ninguém mais gosta de literatura. Que os alunos só vão fazer um curso de literatura, e ler os bons romances de determinada tradição, se forem subornados com músicas e filmes, espelhinhos e colares brilhantes. Que um curso sem meia dúzia de filmes na ementa ficará às moscas, coitadinho."

Acho ridículo que um professor passa anos estudando para chegar e chamar atensao de seus alunos atravez de filmes, eles deviam usar o metodo de leitura tradicional, faze-los interesar pelo livro, nao pela historia modificada presente em um filme!!

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:44



Comentário de: Transeunte

cottonboy

Pela forma que você colocou fica algo bem pessoal mesmo mas, não sei, diversas HQs foram capazes de me fazer imaginar a história...

Alex,

Confundiu cara, você fala que é literatura mas depois diz que o problema é estar sendo mais ensinado que a literatura.
Acho que você quer dizer quanto a forma de literatura, isso? Por uma forma estar sendo mais ensinada que a outra, uma coisa assim?

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 18:53



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com/

Eu entendi direito nos comentários? Gente que faz faculdade de Letras não gostar de ler? Porque escolheu o curso, então? O cara que faz engenharia não gostar de matemática, até vai lá, porque engenharia supostamente dá dinheiro, mas Letras?

Olha, no meu curso na USP dificilmente os professores usavam outros recursos que não os textos mesmo. O que não impedia que a imensa maioria, eu incluída, achasse curso um tesão.

PermalinkPermalink 24.02.10 @ 22:15



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Eu acho que entendi o que o Alex quis dizer. Cinema e HQ são quadrinhos (no que eu concordo completamente), mas são trazidos para a sala de aula de forma desproporcional pq o professor assume que o aluno não gosta de ler. Se for isso, concordo completamente.

Cottonboy, poesia e prosa tb são coisas diferentes, mas nenhum deixa de ser literatura. Para mim, qualquer coisa que tenha um escritor (ou roteirista) pode ser visto dentro da literatura.

Iara, o que eu vejo aqui no curso de Letras Port da UFSC é que muita gente não se interessa pela literatura de forma acadêmica, estando no curso para aprender gramática/linguística. Mas nunca vi alguém que não gostasse de ler.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 00:16



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

"Cinema e HQ são quadrinhos"

Cinema e HQ são literatura.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 00:46



Comentário de: cottonboy

Alexandre, entendo seu raciocinio, mas, por exemplo. Poesia e prosa sao coisas diferentes sim, assim como cinema e novela tb o sao. Como eu disse, sao formatos diferentes pra linguagens diferentes. Mas os dois, nos dois casos, fazem parte do mesmo grupo, um de artes visuais, outro para literatura. Algo que te torna um observador passivo do que alguem quis dizer nada mais eh do que um quadro (pintura) em movimento. Voce observa, voce admira, pode ate pensa sobre e ponto. Ja ao ler um livro, um poema ou prosa, que seja, voce se apropria da ideia do autor e constroi a narrativa de acordo com suas experiencias e transporta isso de volta para o livro. Eu vejo tudo isso com padroes bem definidos. Voce pode pegar um roteiro/poema/livro/qualquer coisa escrita e dar a ela sua percepcao e por numa pelicula ou montar numa peca teatral. Mas a partir dai isso deixa de ser literatura e passa a ser qualquer outra coisa. Arte Visual, Artes Cenicas, Musical, que seja, por ser tonar uma via de mao unica. Voce fala, outros escutam e levam consigo aquilo, ou nao, mas elas nao tem influencia alguma naquilo que voce quis dizer. Voce simplesmente diz...

Eh como diz nesse video da Tv Cultura http://www.youtube.com/watch?v=auCie_T6Mec
"Quadrinhos eh literatura? - Depende do ponto de vista."

Nao sei se me fiz entender, mas as duas da matina fica dificil por as palavras no lugar certo hahahaha

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 01:47



Comentário de: cottonboy

Soh um Rapido Ps.: para eu nao deixar duvida com o que eu tentei dizer hahaha. Se num texto o autor diz "eu tenho uma bola" cada um imaginara uma bola a sua maneira. A minha pode ser de futebol, a sua de basquete, a do alex podera ser amarela com pintas azuis. Entao, a partir dali, aquela bola, que eh sua, da sua imaginacao, passa a fazer parte da narrativa junto com o autor. Ai voce pega um quadrinho e o autor desenha uma bola vermelha com listras brancas e diz: "Eu tenho uma bola". Voce olhara aquela bola que o autor construiu por si proprio, utilizou do signo, significado e significante do espectador para entender aquilo como uma bola e o espectador, passivo, dira "Ta, eh uma bola". Isso pra mim nao eh literatura. Isso eh um quadro de uma bola vermelha de listras brancas.

Pra mim, dizer que isso eh literatura eh o mesmo que dizer que o quadro Michel Foucault (http://bit.ly/8ZSvfD) eh literatura, quando eh claramente (repito, para mim) artes plasticas...

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 02:09



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Cottonboy, pra mim, não vejo pq essa questão da apreensão da ideia tenha que definir o que é ou não literatura. O que define é a forma como a coisa é gerada. Texto, cinema, HQ e novela tem um escritor, uma narrativa, um tempo em que as coisas acontecem. Existem muito mais semelhanças entre essas três formas de artes do que diferenteças na hora de fazer uma análise. Logo, não vejo motivos para criarmos uma teoria completamente diferente.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 02:36



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Cottonboy, o quadro é de René Magritte, não de Foucault, e é considerado por muitos como uma obra poética (sem deixar de ser um quadro, o autor atingiu as duas áreas ao mesmo tempo). Foucault, se não me engano, fez uma análise literária da obra.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 02:39



Comentário de: Alex Castro Email

Eu acho que entendi o que o Alex quis dizer. Cinema e HQ são literatura (no que eu concordo completamente), mas são trazidos para a sala de aula de forma desproporcional pq o professor assume que o aluno não gosta de ler. Se for isso, concordo completamente.

Exatamente. Me entenderam. Ufa.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 03:23



Comentário de: Breno Kümmel

Minha experiência é que a maioria dos alunos de letras realmente não gosta de ler e evita matérias com cargas de leitura maiores do que a mínima possível.

Acho que se fizessem uma pesquisa, descobririam que a atividade favorita do aluno de letras é dormir.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 09:06



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

Alexandre, "Texto, cinema, HQ e novela tem um escritor, uma narrativa, um tempo em que as coisas acontecem. Existem muito mais semelhanças entre essas três formas de artes do que diferenteças na hora de fazer uma análise."

Isso é óbvio, porque uma coisa é derivada da outra. A televisao eh um passo alem do cinema que eh um passo alem do rádio que eh um passo alem do teatro que eh um passo alem textos. Assim como a internet junta todas essas formas numa mesma ferramenta. Nenhuma delas "brotou" do nada, é um processo continuo, por isso todas tem elementos em comum. Mas pra mim, eu vejo claramente q o principal ponto de cada um dos meios é diferente do outro.

Quando o René Magritte (foi o sono hahaha) faz um quadro ele diz uma coisa que pode ser encarado tanto quanto arte plástica quanto como literatura, ok. Mas isso é um ponto isolado nesse conceito. hahaha

E eu nao to dizendo simplesmente que as coisas nao podem convergir (tai a internet que me deixa zonzo nesse ponto). Mas eu prefiro delimitar as coisas para poder dar um passo além. O fato de limitar algo é o que nos liberta... mas esse é um outro papo ahahaha =]

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 09:40



Comentário de: João Paulo Cursino · http://sratoz.wordpress.com

Existe um debate sobre os quadrinhos serem literatura ou não. Muito tem sido dito por um doutor no Blog dos Quadrinhos

http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

Às vezes ele conta das mesas-redondas e painéis em congressos que discutem justamente isso. A conclusão do belogueiro, lá, é que não são literatura. Mas ele admite que o lado oposto tem excelentes argumentos.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 10:42



Comentário de: JCCyC · http://rsnda.blogspot.com

Entenderam o Alex?

Ah meu Deus, o contínuo espaço-tempo está em perigo. Isso é quase tão perturbador quanto encontrar um guarda-chuva.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 11:58




"formei-me em letras na bebida busco esquecer.."
"LFV

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 12:36



Comentário de: Lilian Honda · http://www.yubliss.com/blog/6528

Poisé. O discurso salvacionista, tipo "defesa da literatura" ou "defesa da língua portuguesa", pode estar mais relacionado com a deficiência da formação do professor do que aos supostos "problemas" dos alunos. E não me refiro só à formação acadêmica na área, mas à pedagogia mesmo.
A literatura está por aí. Há comunidades na net de adolescentes que escrevem romances. Pode-se ficar de nariz torcido pela forma e pela norma que eles utilizam, mas ai, de novo, o problema está em quem torce o nariz.
Gostei muito do seu post!

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 13:15



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

"Acho que se fizessem uma pesquisa, descobririam que a atividade favorita do aluno de letras é dormir."

Eu continuo achando bizarro, Breno. Porque no meu curso, às vezes a gente resmungava, principalmente porque era noturno e boa parte trabalhava 8h00 por dia e tinha pouco tempo pra se dedicar. Mas, quando o semestre ia acabando, o assunto preferido do pessoal era o que a gente ia ler nas férias, já que ia ter tempo pra ler por prazer, sem prazos. Fazer o que quer que seja por obrigação é meio pentelho mesmo, e óbvio que nem sempre que as leituras indicadas agradavam. Mas, assim, ter que dar filminho porque a galera não gosta de ler só faz sentido pra mim no Ensino Médio ou, sei lá, na faculdade de Administração, Turismo, Gastronomia. Na minha ingênua cabecinha quem faz Letras, História, Filosofia e até Direito seria um leitor devotado por vocação. Tô chegando a conclusão que eu sou bem tolinha mesmo...

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 13:45



Comentário de: Alex Castro Email

Iara

eu vou te dizer que, como professor, tanto de literatura e de história, eu presumo q o aluno gosta de ler sim, e, sinceramente, se ele não gosta, não deveria estar ali. em geral, os alunos gostam da minha aula, mas, pra quem nao gosta de ler, minha aula deve ser um inferno. bem-feito.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 13:54



Comentário de: Iara · http://foifeitopraisso.blogspot.com

Alex,

Né? Tá certo! Se não gosta de ler, tá no lugar errado, lógico. Não é problema seu.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 16:10



Comentário de: Roger Moreira

Aluno de literatura que não gosta de ler? Pqp, só falta os de matemática não gostarem de fazer contas e os de medicina odiarem biologia.

PermalinkPermalink 25.02.10 @ 20:45



Comentário de: aiaiai

Diante desse post maravilhoso, só não largo tudo e tento uma vaga como aluna no seu curso porque to cheia de coisas pra fazer por aqui, ainda...um dia quem sabe!
parabéns!

(no fundo, no fundo, eu to falando: ai que inveja dos seus alunos kkkkkkkkkkkkkk)

PermalinkPermalink 26.02.10 @ 16:03



Comentário de: Ana Luiza

Faço o curso de Letras e a maioria dos meus colegas não gosta de ler e, digamos, tolera as aulas de Literatura. Talvez, por isso meus professores de literatura nivelem por baixo.Então, quem gosta tem que ficar comendo comida enlatada, ou seja, o curso de literatura por aqui é uma decoreba entendiante. Gostaria de poder estudar com vc. Quem sabe um dia? Abraços!

PermalinkPermalink 21.03.10 @ 01:03



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