Introdução aos Estudos Brasileiros

Gosto cada vez mais de dar aulas. Adoro especialmente criar o curso. Fazer uma ementa é como elaborar uma grande narrativa ou construir um argumento: primeiro, vou mostrar isso e depois aquilo; passar o filme X pra quebrar o efeito do livro Z; ler o texto A pra complementar o artigo B, e assim por diante.

Esse semestre, estou ensinando um curso chamado Introdução aos Estudos Brasileiros.

Como o curso supre o requisito curricular de "Cultura Não-Ocidental", na primeira aula colocamos em discussão o conceito de Ocidente. Afinal, o que é o Ocidente? Quem faz parte do Ocidente? Quem decide quem faz parte do Ocidente? De onde veio esse conceito? Ele ainda serve pra alguma coisa?

 Machado de Assis: Obra Completa  Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

Para a segunda aula, lemos metade de Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, e assistimos um clipe do documentário Estamira. Carolina, negra, pobre, favelada, é um dos autores brasileiros mais traduzidos e estudados de todos os tempos - apesar de ninguém no Brasil a conhecer. Além de começarmos a falar de favelas, existem outras questões fundamentais: em primeiro lugar, sobre testimonio, um gênero literário no qual o diário de Carolina às vezes se enquadra às vezes não. Vamos trabalhar com algumas definições de testimonio e tentar entender de que maneiras Carolina se enquadra e não se enquadra nessa tradição hispano-americana.

Há também a questão do cânone. Devemos ler Carolina? Não seria melhor ler um clássico? Faz sentido deixar de ler Machado de Assis pra ler Carolina Maria de Jesus? Ou melhor, será preciso deixar de ler Machado pra ler Carolina? De que modo Carolina pode completar e ajudar na compreensão de Machado, e vice-versa? No Brasil, Carolina foi hostilizada, ridicularizada e, hoje, ignorada. Quase ninguém sabe quem ela é. No exterior, tanto em países comunistas quanto capitalistas, pelos mais variados motivos ideológicos, o diário é best-seller há 50 anos, lido e estudado em cursos de literatura, antropologia, história. Por que isso? Carolina tem valor ou não? O que é que os estrangeiros viram que os brasileiros ou não viram... ou não querem ver?

Cidade de Deus Cidade dos Homens

Em seguida, filme e televisão: Cidade de Deus, dois episódios de Cidade dos Homens ("A Coroa do Imperador", da primeira temporada, e "Tem que Ser Agora", da segunda), e Tropa de Elite.

Cidade de Deus quase todos os alunos já viram. De fato, pra muitos, toda a informação que têm do Brasil saiu desse filme. Por isso, é importante revê-lo com novos olhos e fazer o contraponto com o seriado Cidade dos Homens que é, em larga medida, o Anti-Cidade de Deus.

 Tropa de Elite Elite da Tropa

Já Tropa de Elite coloca em discussão muitas questões políticas interessantes que complementam Cidade de Deus: de quem é a culpa do tráfico? Do playboy que compra? Da polícia corrupta? Do bandido que vende? Faz sentido falar em culpa? E como o filme se posiciona em relação ao Capitão Nascimento? Será ele o Jack Bauer carioca que a direita celebrou? Será o filme a tragédia do policial que, apesar de incorruptivel e bem-treinado, ainda assim mata barbaramente e, no fim das contas, não resolve nada? Ou seja, Nascimento é o herói ou o anti-herói?

Então, depois de vermos a polícia militar subir o morro e executar sem julgamento todos aqueles bárbaros marrozinhos que estão ameaçando a vida ordeira dos cidadãos de bem do Leblon, mudaremos completamente de assunto e começaremos a ler Os Sertões, de Euclides da Cunha.

    Sertões, Os

 

19.01.10


Categorias: Política


Posts similares:
Sobre o Amigo Oculto dos Blogs
Twitadas (XI)
Díquímán

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: marcus · http://grandeabobora.com/

Respondendo ao teu questionamento no twitter, sim o Brasil faz parte do Ocidente. Eu considero ocidente as culturas que tem alta influência de Roma. Não sei como explicar, mas só aqui nos EUA percebi como indianos, chineses e coreanos são muito diferentes dos europeus e americanos.

Não sou um estudioso da história como tu, mas acho que o grande grupo de civilizações que surgiram na Europa após a queda do Império Romano (e que foram muito influenciadas por ele) e se espalharam pelo mundo são o que hoje chamamos de Ocidente.

PermalinkPermalink 19.01.10 @ 23:45



Comentário de: Alex Castro Email

marcos,

vc pode até achar, mas grande parte dos americanos não acham que nem o Brasil nem o Mexico é parte do West ou dos Western Countries...

pq será isso?

PermalinkPermalink 19.01.10 @ 23:48



Comentário de: Fernando

É que West é eufemismo pra Branquistão. E pra americano, não custa lembrar, português e espanhol não é lá muito branco...

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 00:12



Comentário de: Vanessa · http://www.vanprates.blogspot.com

Também nunca tinha ouvido falar da Carolina, Alex. Confesso. Mas fiquei demais de curiosa depois de ler suas tuitadas sobre ela. Vou buscá-la.

Se o Brasil negou Carolina? Com certeza. E acredito que desde o desejo da criação de uma identidade nacional, unificadora...
Porque Freyre foi aclamado e Carolina não? É tão óbvio.
Mas nunca é tarde pro resgate.

Estamira é um filmão. Já vi, revi e logo estarei assistindo novamente...

A Tropa é outro filmaço. Do tipo 'perigoso' quando passando por um olhar mais reacionário(eu sei que é falacioso, mas não consegui outra definição), do tipo que pode acabar 'inflamando os nervos'...Mas um pseudo-documentário muito fudido, e que mexe em pontos bem frágeis/complexos.

Teve uma boa porcentagem que parece não ter não entendido - ou que não teve sensibilidade(?) suficiente para sacar muito do filme- daí julgaram-no 'reaça' e o oposto do Ônibus 174.
Mas acho que o ponto é exatamente esse: Da onde parte a narrativa - que, no caso, seria a do personagem principal, o caveirão do bope: Cap. Nascimento(gostosíssimo, aliás)

Bem, sobre 'cultura ocidental e não-ocidental'...só posso lhe desejar boa sorte nessa empreitada; é muito pano pra manga, e haja aulas para isso tudo - ainda mais tratando-se de um pós-moderno como vc. aliás, embora seja uma fantástica discussão, é coisa que pós-moderno adora :)

Mas enfim...Você vai mesmo terminar fundindo a cabeça da galera com Euclides?
Mas vai ser ótimo, assim dá pra sacar muito do pensamento do séc. XIX, como de Cunha. (sem contar a discussão que renderá sobre o próprio conflito de Canudos)

Pô, Alex, achei tão bacana a sua ementa. Principalmente a escolha/e pontos de discussão sobre os filmes.

Ai, e chega. Já falei demais!
(é que me empolguei com sua ementa)

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 00:34



Comentário de: Carlos

considerando o tempo que vc está a anunciar seu romance sobre empregadas domésticas, já devem te ter feito notar esse filme do Fernando Meirelles, http://cinemacultura.blogspot.com/2009/07/domesticas-o-filme-2001.html,
porém, não custa tentar contribuir,

Abraços, Alex.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 07:56



Comentário de: Karina

Eu li o Quato de Despejo com uns dez anos de idade e ainda lembro de algumas passagens. O engraçado é que, se não estou enganada, o livro era meio hype na época (uns 20 anos atrás). Lembro vagamente que as pessoas reconheciam imediatamente o livro pela capa enquanto eu o estava lendo. Eu nem sabia que ele tinha caído no ostracismo.

Agora, Alex, eu queria muuuito ser aluna do seu curso. Esse gancho Tropa de Elite - Os Sertões chegou a me arrepiar. Dá pra ver que você monta as suas aulas com carinho.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 08:49



Comentário de: Carlos

novamente off topic, Alex
(na verdade eu nem li o post)
há um post antigo em seu blog, em que vc fala que não entendeu um filme, nesse mesmo post vc comenta que vc era O Cara para quem as pessoas perguntavam algo sobre a trama de um filme, etc, ou seja, que foi até com certa admiração que vc contou que não havia entendido o filme, e não me lembro (mas acho que sim) que vc buscou explicação sobre o filme ou pediu que alguém explicasse... desejaria saber que filme é esse, se vc lembrar, é claro...
Obrigado
Abraços

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 08:57



Comentário de: Adriana

Se não nos consideram ocidentais, nos consideram o que?

Achei muito esquisito!!!


PermalinkPermalink 20.01.10 @ 09:21



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

Alex, voce podia mostrar pra eles tambem daquela linda ocupação que está ocorrendo no Dona Marta pela "policia pacificadora" como naquela materia do uol que te passei: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/16/ult5772u6131.jhtm

Sabe como é. Pelo bens de uns, tira-se a identidade cultural de outros...

Abs.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 13:35



Comentário de: Alex Castro Email

O filme é esse aqui, "Primer".

http://en.wikipedia.org/wiki/Primer_%28film%29

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 13:35



Comentário de: Alex Castro Email

Adriana,

Ou nos consideram terceiro-mundo (o que significa, na cabeça deles, nao-ocidental) ou simplesmente nao nos consideram nada, não pensam na gente nunca - do mesmo como nunca pensamos, sei lá, no Sri Lanke e na Indonésia.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 13:38



Comentário de: Marcos Vinícius · http://quebracorpo.blogspot.com/

Fiquei com vontade de cursar a disciplina. Muito bem elaborado Alex.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 13:46



Comentário de: Polyana de Almeida · http://www.polyanadealmeida.com

Eu li Quarto de despejo. Muitas pessoas com as qua quais comentei sobre o livro o conheciam de longa data. Dependendo do público, a literatura sempre será desconhecida. Carolina era uma mulher de personalidade incrível.
Eu fiquei realmente encantada com a força de
seu universo, transposto pelo seco de suas
palavras. Agora sua pergunta é instigante.
Devemos lê-la? Ora, essa é a pergunta de uma vida toda, pois entramos na questão: onde termina avida e começa a literatura? Ou elas se consomem,uma a outra? Mundos separados,inseparáveis?
Grandes questões!
Um bom curso para ti!

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 14:01



Comentário de: cris · http://quitanda2008.wordpress.com

eu acho que é bem isso que você falou, alex. não nos consideram nada, não temos relevância. e quanto ao livro da carolina, vou resgatar da poeira a minha monografia de mestrado só pra ver o que escrevi sobre o romance na época [2002]. eu lembro que as aulas desse curso embaralhavam todos os nossos conceitos sobre literatura canônica e não-canônica. queria muito poder sentar e conversar contigo sobre isso quando você volta. porque... você volta, né? =) [também queria poder assistir esse teu curso]

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 14:04



Comentário de: aiaiai

Eu sei que para os americanos, tudo o que não é europa e e eua e canadá não é ocidental. Mas, eles estão errados. Ocidental é a parte do mundo a oeste do centro do mundo na época de roma. a leste, está o oriente - índia, china, japão, egito, arabes, etc (grosso modo). Cultura ocidental é toda aquela influenciada/dominada pela cultura greco-romana.

Não acho essas denominações ocidental/oriental adequadas ao mundo de hoje. Mas a história não muda de uma hora para outra, é um processo, então, ainda repetimos isso.

Agora, isso tudo considerando o que acham os norte-americanos cultos, né? porque a maioria deles deve achar que western countries são "aqueles campos do oeste, onde antes existiam os indios e que nós fomos lá e destruimos eles e dominamos o lance".
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 14:14



Comentário de: Alex Castro Email

aiaiai,

a sua definição ser essa não quer dizer q a deles esteja errada, nem vice-versa. o "ocidente" é uma convenção, uma abstração cultural que cada um define como quer. cada um dos meus alunos definia de maneira diferente. nem mesmo entre eles havia um consenso. o importante é percebermos que um conceito q achamos normal e auto-evidente nao é consensual nem mesmo entre um grupo pequeno de alunos.

e nao é uma coisa de gente ignorante que nao sabe a resposta certa (q é a nossa, claro!), mas algo que inclusive intelectuais e academicos acham. eu descobri que nao éramos ocidente lendo livros de historia e estudos culturais.

o termo é comum e mt usado, vc ve no noticiario o tempo todo: "Western countries send aid to Haiti", "BRIC countries may surpass West", etc, e nao, ninguem pensa q se refere ao Velho Oeste...

O que acho engraçado é que a nossa arrogancia de definir Ocidente do nosso jeito e achar que essa é a resposta certa e que todo mundo deveria achar a mesma coisa é EXATAMENTE igual a arrogancia deles, que fazem a mesmissima coisa... :)

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 14:21



Comentário de: aiaiai

o que a mídia norte americana chama de western countries é uma coisa. O conceito histórico é outra.
Eu tô me referindo ao conceito historico que é "paises que foram influenciados ou dominados pela cultura grego-romana". ´

Se a mídia norte-americana diz outra coisa e se os seus alunos não sabem o conceito histórico, posso fazer nada.

Acho que falta pesquisa e leitura, só isso.

pessoalmente, como disse, acho tudo isso muito ultrapassado. Minha reação ironica é sempre "ocidente de que ponto de vista" cara pálida?! kkkkkkk

Não é questão de correto ou incorreto, é questão de conceito.
E sobre o velho oeste, eu tenho certeza de que tem muito americano (talvez a maioria) que não entende quando a mídia diz western countries, justamente porque imagina o velho oeste!

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 16:39



Comentário de: Alex Castro Email

aiaiai,

(odeio me referir a alguem por esse nick!)

nao estou falando só da cultura média das ruas. mesmo em livros academicos, de historia, de literatura, de cultural studies, europeus e norte-americanos definem "ocidente" e "paises ocidentais" assim. pra eles, o conceito histórico é esse. vc pode ir reclamar com eles, não comigo.

pra aula q ensinei, eu ainda me dei ao trabalhar de caçar referencias em livros e na imprensa par mostrar aos alunos, e esse é o conceito que se usa, em sua maioria...

e sim, eu tb acho que a palavra e o conceito estao perdendo o sentido de ser.

enfim, nao estou pedindo pra vc gostar ou nao. estou te dizendo que, em um livro de historia escrito por academico respeitavel ou na CNN, qd falam de "western countries" ou "the west" nao estao falando na gente, pensando na gente, se referindo a gente.

se vc acha isso ruim ou errado, é outra questao. eu nao tenho nada a ver com isso.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 17:48



Comentário de: Alex Castro Email

Quando falam em West, estao falando dos paises brancos e ricos, democracias liberais e capitalistas, alinhadas com os EUA. Para eles, a America Latina não é nem branca nem rica nem liberal nem democratica o suficiente pra ser West. Nao é q eles pensam: "vamos exclu-los do ocidente". é simplesmente que nao pensam em nós qd pensam em ocidente...

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 17:50



Comentário de: Sr Atoz · http://sratoz.wordpress.com

Evidentemente, trata-se de um chiste. Você não está mudando de assunto quando olha para Euclides da Cunha.

Quanto a quem é Western, nas revistas de aviação britânicas os Western countries são a Europa a Oeste do Danúbio + USA + Canadá. Não é tão acadêmico, mas também não é marca barbante.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 18:20



Comentário de: aiaiai

tá bom...eu acho que eles não pensavem em nós (ai incluindo todos os países que não são eles kkkkk eua, canada e europa...quiça austrália, né?)e, a maioria, continua não pensando. Eles chamam de ocidental tudo o que é branco/desenvolvido e não incluem os países perífericos - até pouco tempo chamados de terceiro mundo - na lista de ocidentais porque simplesmente se acostumaram a fazer isso.
Mas o conceito histórico permanece...sem querer ser chata e já sendo.

e bom, acrescentando, que eu não acho nem bom nem ruim ser ocidental. Acho impreciso, no mundo contemporâneo.

Conceitualmente, me sinto ocidental porque faço parte de uma cultura que foi altamente influenciada pela cultura grego-romana. Mas também me sinto outra coisa - que ainda estamos por definir - já que também fui altamente influenciada por outras culturas não grego-romanas. Por exemplo: eu como mandioca desde pequena, a farinha e o tuberculo (parece bobagem, mas só eu sei o que passei para conseguir explicar a um noruegues que diabos era mandioca kkkkkkk). Isso já me faz ser diferente "deles", não acha?
Outro exemplo: eu conheço candomblé, sei bastante sobre os orixás e seus significados. Não porque resolvi estudar, mas porque fez parte da minha formação cultural - desde pequena ouço falar nisso, convivo com pessoas que conhecem. Esse é outro ponto que me diferencia "deles".

Então: sou ocidental (embora "eles" não me incluam nessa), mas não me conformo muito com isso. Acho que sou outra coisa, bem mais complexa do que ocidental, assim como todos os brasileiros, argentinos, etc, etc.

Do outro lado, podemos hoje classificar os chineses como orientais e colocar no mesmo "saco" dos iraquianos?

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 18:22



Comentário de: Alex Castro Email

Aiaiai,

vc agora está criando uma falsa oposição Ocidente/Oriente, como se tudo que nao fosse ocidente, fosse necessariamente oriente... E nao é bem assim...

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 18:26



Comentário de: Roger Moreira

A Grécia, apesar de berço da civilização ocidental, hoje é um arremedo de cultura turca. Nem são considerados ocidente por ninguém. Já estã no saco do oriente.

Ninguém considera o leste europeu ocidente tbm. Nem eles, aliás. Apesar de terem tido influencia ocidental, serem cristãos e td mais. O fato de não terem sido romanizados pesou aí.

Cristianização tardia no caso dos nórdicos, tbm é outro fator. Apesar de que há controvérsias. Vcs acham que a Suécia é ou não ocidente?

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 19:23



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Imagino q vc tenha colocado muito mais coisas no curso. Mas essas obras q vc mencionou aí ¿não tão meio q catering to their prejudices? tipo, **mais uma pessoa** enfocando o tráfico, a criminalidade e a miséria qdo fala do Brasil? Só faltou mencionar a Amazônia...

Só um parêntese: Uma coisa interessante sobre o Brasil – q eles nem devem imaginar – é q, como este é um país com menos recursos, tbm é muito menor a quantidade de maluquices, birutices, paranóias, histerias e esquizofrenias q encontram meios materiais pra se realizar fisicamente. Tem coisas aí nos Euá q me deixam de cabelo em pé.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:09



Comentário de: Adriana

Entendi... bizarro!

E mais bizarro ainda é perceber que ignoro muitos lugares, mas não gostei de saber que somos tão ignorados!

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:13



Comentário de: Alex Castro Email

Plausivel,

entendo a sua preocupacao, mas só seria catering to their prejudices se eles estivessem lendo sozinhos, largados... Eu estou lá justamente pra guiar a leitura e contextualizar o material.

essa unidade, que chamo "favela", tem justamente como objetivo COMBATER o efeito Cidade de Deus, ou seja, o fato de q o único conhecimento que a maioria deles tem do Brasil vem desse filme, e mostrar a eles que a realidade é mais complexa e multifacetada que isso.

algumas ementas anteriores desse curso tinham uma certa tendencia exotizante q tentei corrigir. muito samba, futebol, indio da amazonia, candomblé e gabriela cravo e canela - apesar de o Brasil tb ser tudo isso.

o mais importante, talvez, é q meu trabalho é introduzi-los à cultura e ao pensamento brasileiros, nao fazer um elogio do Brasil.

se depois de lerem euclides da cunha e gilberto freyre, clarice lispector e machado de assis, assistirem uma peça do zé celso com roteiro de nelson rodrigues, assistirem bye bye brasil, edificio master, cidade dos homens e amores possiveis, se depois de tudo isso eles saírem achando que o Brasil é um país escroto e subdesenvolvido e desigual, bem essa opinião é totalmente válida e nem um pouco imprecisa. assim como também é válida a opinião de que o Brasil é um país rico, tolerante, de cultura pujante...

os brasileiros que reclamam das minhas aulas parecem presumir que sou funcionario do Itamaraty ou q estou ligando a minima para a imagem do Brasil no exterior. Sou professor, não sou diplomata. Vender o Brasil, ou transmitir uma imagem positiva do Brasil, não está nem entre as primeiras 100 prioridades na minha mente qd entro em sala de aula...

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:20



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Alex,
Não era bem a "imagem do Brasil" o q eu tinha em mente. É q o brasileiro é tão exposto ao povo euaense através dos vários meios, q só um brasileiro ignorantão mesmo não tem pelo menos uma vaga idéia do jeito q eles pensam e agem tanto em público como na intimidade. A recíproca não é verdadeira, daí o maior espaço pros preconceitos. Mas a seleção q vc mencionou agora me parece um bom começo.

Na verdade, não tenho uma idéia muito clara do q seja "estudos brasileiros".

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:39



Comentário de: Alex Castro Email

Plausivel,

nao existe mesmo uma definicao precisa. é um curso multidisciplinar pra introduzi-los a cultura brasileira e, teoricamente, estimulá-los a prosseguir estudos nessa área.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:44



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Ah, tendi.

Viu, cabei o Confederacy. Do caralho. Entrei várias vezes naquele blogue q vc recomendou.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:48



Comentário de: Alex Castro Email

quero mt ler.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 20:50



Comentário de: Fernando · http://fserb.com.br

Pra mim faz sentido que os americanos não pensem na gente quando falam em Ocidente.

Eu quando falo em Ocidente não penso nem no Haiti, nem em Cuba, nem nos índios Pataxós, nem nos descendentes de Incas no Peru e na Bolivia. Não penso nem no Evo Morales...

E tem alguém que fala em Oriente e pensa num australiano? Ou num russo?

Mas não sei se seria o caso de deixar de usar essas palavras... no final das contas elas são tão vazias quanto tantas outras generalizações que a gente faz o tempo todo... dependendo do contexto, não acho que Ocidente seja um conceito mais genérico do que America Latina, ou mesmo Brasil.

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 21:11



Comentário de: Carlos

Obrigado!

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 22:45



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

hahhahaha gente, é simples. É tudo questao de referencia. Sem referencia náo há norte nem leste nem sul ou oeste. Como nao há cima ou baixo no universo necessariamente nao há como dizer que existe norte e sul da terra... entao a gente usa referencias, assim como para leste e oeste.

Nossa referencia é diferente da deles. Ponto.

Dificil sacar isso? :p

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 23:23



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

E quando digo "referencias" nao digo unicamente em geografia ou cartografia...

PermalinkPermalink 20.01.10 @ 23:25



Comentário de: Arthur

Eu tava pensando agora até onde vai o nosso conceito de ocidental...

De acordo com a cultura brasileira comum a Africa negra é ocidental?

Os paises de colonisação europeia na asia são ocidentais?

Quais ilhas da oceania são ocidentais e quais não são?

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 00:16



Comentário de: Amora.

Aléx, eu tenho 26 anos e lí Quarto de Despejo quando estava no 2º grau.Ou seja, há 10 anos. Não era o livro "da moda", já que nesta época já tinha começado o boom dos Auto-Ajudas disfarçados de literatura. Mesmo assim eu lí, por recomendação da profa de Literatura, é claro. Como sempre tivemos que fazer resumos, rotular a personagem, enquadrar, identificar o foco narrativo...Enfim, uma chatice. Mas eu lembro que apesar disso eu gostei MUITO do livro.

Sobre o filme Estamira...putz, é do caralho mesmo. Experimenta ver também "Ilha das Flores" e "Quanto vale ou é por quilo?". Este último fala sobre a farsa das ONGs no Brasil. Mudou meu conceito sobre caridade e ajuda ao próximo. Tem também o filme "Anjos do Sol" que fala sobre a prostituição infantil no norte do Brasil.

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 09:52



Comentário de: Amora.

Ah...já ia me esquecendo. Tenho lido uma autora maravilhosa aqui de Minas. Chama-se Adélia Prado. É uma poetisa ímpar. Recomendo que leia parte do texto dela na net.

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 09:56



Comentário de: Alexandre · http://nadasou.wordpress.com

parece realmente interessantíssimo.
apesar de só não conhecer a tal Carolina Jesus me imagino como um gringo tendo essa aula.

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 10:04



Comentário de: jorge santos · http://www.osliriosdocampo.blogspot.com

o curso é dado em inglês ou português? Em tempos atuais com as facilidades de se ver em casa, você passa os filmes, videos em aula, ou pede que os alunos vejam em casa e depois cheguem para o debate?
Outra curiosidade, quem eh o publico do curso? Eh dado dentro de alguma universidade? Desculpe a enchecao, apenas duvidas e curiosidades. Abc

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 11:14



Comentário de: Alex Castro Email

Jorge,

O curso é dado em inglês. Os filmes que são fáceis de encontrar eu mando os alunos verem fora. Os mais obscuros, passo em sala. O público é literalmente qq aluno que tenha interesse em fazer. O curso é dado dentro da universidade, no Dept de Brazilian Studies. :)

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 11:50



Comentário de: Alex Castro Email

Amora,

Quanto Vale talvez seja meu filme nacional preferido. Vamos assistir. :)

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 11:52



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Choquei ao saber que Brasil não é considerado um país ocidental!!!

E também choquei ao saber que Quarto de Despejo não é um livro conhecidíssimo! Eu sempre achei que fosse, sempre ouvi falar muito sobre ele (tá certo que já tem um tempinho que não ouço, mas quando eu li ainda era faladíssimo, uns 20 anos atrás).
Porque não é mais comentado hj? não tenho certeza, mas pode ser porque o assunto envelheceu, no sentido de que deixou de ser novidade uma voz vinda da favela. Na época em que foi escrito, as favelas ainda não eram institucionalizadas na paisagem de uma grande cidade, como são agora. Ainda não se tinha nenhum registro tão original e autêntico. E isso despertava a curiosidade e o interesse.

E não teve também uma polêmica se o livro tinha ou não sido escrito por ela? Em que que isso deu?

Não entendi a dicotomia Machado de Assis X Carolina. Por que uma leitura excluiria a outra? O melhor não é ler tudo o que for possível?
Vc vai deixar Guimarães Rosa de fora? Um universo não-ocidental dentro de outro universo não-ocidental :) ! Pode ser interessante.
bjos

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 14:57



Comentário de: Meg · http://namesadeumbar.blogspot.com

Não tem como dar essa disciplina como um curso à distância? Eu adoraria fazer.

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 15:00



Comentário de: Yigal Chaim Mordechai

Engraçado como ficam incomodados quando descobrem que ninguém, além da elite branca destes países, considera a América Latina parte do mundo ocidental, ainda assim fingem ser...

Eu estou incomodado é por nunca ter ouvido falar da Carolina Maria de Jesus, não sei se é por culpa minha ou por causa da sociedade racista brasileira mas agora eu vou dar um jeito de ler...

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 15:26



Comentário de: rodrigot

Austrália é mais Western Countries que nós, a definição é obviamente polêmica, mas não tem a intenção de ser geografica... as definições modernas tem a ver com cultura, língua, religião, economia, IDH, ...

Do caralho o programa do curso, dá vontade de estar aí.

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 15:45



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Alex, quais são os argumentos dos teus alunos para essa questão do Western Countries?

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 17:31



Comentário de: Jorge · http://www.osliriosdocampo.blogspot.com

Tulane?

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 22:42



Comentário de: Draupadi · http://didascaliae.blogspot.com

achei Estamira um PORRE. E tbm acho Adélia prado, a poeta-pão-de-queijo (da qual sou conterrânea) outro porre.
no mais... enfim.

PermalinkPermalink 22.01.10 @ 00:55



Comentário de: Alex Castro Email

Meg,

eu acho q esse livro foi atacado praticamente desde o dia em que saiu. E hj em dia, de fato, mt pouca gente no Brasil o conhece - além das obvias exceções, claro.

Pesquisadores tiverem recentemente (1994) acesso aos diarios pessoais dela e constaram que o editor de fato só cortou repetições mas nao acrescentou nada.

Guimaraes Rosa se perde todo na traducao.

A dicotomia é falsa, mas mt gente acha de verdade que ensinar autoras "pretas e pobres" significa menosprezar os classicos, entao acho importante colocar isso em discussão na sala de aula.

PermalinkPermalink 22.01.10 @ 02:48



Comentário de: Alex Castro Email

Alexandre,

Vc tem q entender q uma convenção nao tem argumentos. Assim como nos e qq usuario de uma lingua, eles nao param pra definir os termos q usam. simplesmente, qd pensam em western countries, qd leem alguma reportagem sobre western countries, eles pensam EUA, Alemanha, Australia, não China, Brasil, Guatemala. É simples assim. Não tem argumentos. Nem precisa ter.

PermalinkPermalink 22.01.10 @ 02:50



Comentário de: Alex Castro Email

Jorge,

Sim, em Tulane.

PermalinkPermalink 22.01.10 @ 02:51



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Uma convenção de baseia em alguma coisa, sem que seja a terceira letra do nome do país em dinamarquês.

O que eu queria saber é qual a base dos teus alunos em encaixar um país ou não no West.

A minha, por exemplo, é bem simples. Europa e EUA. Austrália também entra por ser basicamente uma continuação da Europa.

Só uma curiosidade, que corrobora o que vc disse no último post: Esses dias eu vi uma lista de universidades separadas por região. As israelenses estavam listadas como Western Europe!

PermalinkPermalink 22.01.10 @ 05:28



Comentário de: Amora.

Alex,

Sobre filmes...tem um outro também que fala
dessa relação favela x asfalto. Chama-se
"Zona do Crime". Não é brasileiro, mas retrata
bem essa história da classe média se confinar
em condomínios supostamente super seguros pra
não ter que lidar com a pobraiada.

PermalinkPermalink 22.01.10 @ 08:44



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email năo será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Gelosias e Grades: Espaço Público e Privado no Rio de Janeiro

Próximo post: O Brasil Năo É um País Ocidental

um blog sobre literatura, empatia e desapego

sobre mim

contato, bio, fotos, livros, compre

Busca

    Se gostou desse blog, inclua um botăo no seu site