Avatar: Sugestão de Roteiro Alternativo

Reclamar do roteiro não-existente de Avatar (como se cinema se resumisse a roteiro!) é como ir em um restaurante famoso por sua pizza, onde fazem a massa com um método único e complicadíssimo, e sair reclamando que o restaurante é uma merda porque o chope estava quente. Chego a achar mesquinharia ver o cara pagando um dobrado pra fazer a melhor pizza do mundo... e menosprezar o resultado porque, sei lá, o guardanapo tinha uma mancha.

Avatar é um filmaço porque é uma puta experiência cinematográfico, é lindo, é amplo, é emocionante, é visualmente espetacular. Sim, o roteiro é um lixo. Clichê em cima de clichê. A história mais velha, mais racista, mais preconceituosa, mais paternalista, mais condescendente do mundo. O sonho escapista de todo branquinho que se acha bonzinho, mas que, na verdade, é tão ruim quanto os piores. Avatar é somente mais um espécime em uma longa lista que inclui Pocahontas, Tarzan, O Fantasma, Dança com Lobos, etc etc.

A premissa básica desse gênero é a seguinte:

Branco avançadinho, sensível e gente boa se mete no meio de primitivos não-civilizados e rapidamente se afeiçoa pelos bichinhos. Comprovando a superioridade e adaptabilidade natural da raça superior, em pouquíssimo tempo ele já aprende todos os costumes dos nativos e torna-se ainda melhor que eles no seu próprio estilo de vida, ao ponto de tornar-se o líder e defendê-los dos outros brancos malvados.

Entenderam o supremo paternalismo? Os nativos passaram a vida inteira ali, desenvolvendo aquelas habilidades, caçando, pescando, whatever, o cara chega, acha bonitinho ("poxa, que legal isso que vocês fazem!") e, em três meses, já está melhor que eles em TUDO que passaram a vida inteira se aperfeiçoando pra fazer! Imagine se você fosse um Nobel de Física e aparecesse um carinha que nunca viu Física na vida, achasse legal, começasse a estudar do seu lado e, em três meses, já estivesse melhor que você, provando todas as falhas da sua fórmula e ainda ganhando três Prêmios Nobel?

Provavelmente, muitos autores desse gênero se consideram sinceros anti-racistas e nem percebem a enorme condescendência de suas histórias. Os heróis brancos são tão fodas que são fodas até quando rejeitam seus próprios valores. Eles são tão mas tão fodas que o único jeito dos nativos derrotá-los é sendo liderados por um deles. A superioridade inata e total do branco é sempre inquestionável.

* * *

Acho que o único modo de vocês entenderem a suprema babaquice desse tipo de enredo é apresentar a versão inversa dele. Poderia ser com humanos em Pandora ou brancos na África, mas, usando índios na Europa, eis como seria o roteiro do MEU filme:

Avatar=Pocahontas

Peri, índio americano nascido às margens do Rio Paquequer, atravessa o Atlântico numa jangada improvisada e desembarca na França. Imediatamente, ele fica apaixonado e fascinado por aquele mundo, pelas roupas, pelos perfumes, pelas pinturas, pela arquitetura.

Em uma ruela, ele vê uma moça sendo atacada por bandidos e, mesmo sem saber o que acontecia, ele a defende - como um bom herói. Naturalmente, ficam amigos e começam a passear juntos pela cidade: ela vai lhe explicando como funcionam as coisas e ele vai rapidamente aprendendo as línguas e os costumes. De repente, ela é encontrada pela guarda do palácio real: era uma princesa, que às vezes fugia de sua vida chata para andar entre os plebeus. Peri, seu herói, também é levado para o palácio, como convidado de honra.

Passam-se alguns meses. Peri já domina o francês e aprendeu todas as intrigas da corte melhor do que qualquer cortesão puxa-saco. Nas reuniões com o Rei, graças a seus sábios conselhos, ele logo torna-se ministro de confiança, andando pra cima e pra baixo de botinhas de salto alto, puffy shirt e peruca branca.

GuaraniEntão, estoura uma guerra. Peri nem entende bem o motivo, alguma dessas coisas fúteis que parecem tão importantes aos primitivos, como se uma mulher virgem que deu a luz (!) era santa ou não, mas, enfim, sua lealdade agora é com seu país de adoção e ele vai à guerra. Além de trazer para o campo de batalha sua sabedoria guerreira tupi, como guerra de emboscadas, Peri também domina as modalidades guerreiras dos brancos - torna-se campeão de esgrima. Saudável, forte, instintivo, inteligente, adaptável, Peri rapidamente galga os degraus do oficialato.

Na batalha decisiva, o general morre na sua frente e Peri assume o comando dos exércitos aliados, conseguindo uma vitória decisiva contra os protestantes! Durante a cerimônia de rendição, Peri fala para todos os combatentes e faz com que vejam os seus erros, que era besteira se matar por tão pouco, que deveriam abraçar a natureza, blá blá, e em pouco tempo, todos os países da Europa já tinham abandonado o cristianismo criador de caso e abraçado a religião eco-animista de Peri.

Mais tarde, quando vai se aproximando a data do casamento da Princesa da França com seu prometido, o Austro-Duque Franco-Siciliano, ela confessa ao pai que era Peri que amava. O velho rei, claro, não gosta, mas Peri tinha salvo o reino, era Marechal da França, essas coisas de raça não pareciam mais tão importantes assim, olha a ficha-corrida do moço!

O filme termina logo após a morte do Rei, com a coroação de Peri, já casado com a Princesa, como Rei-Cacique da França (agora Nova Tupilândia), o mais poderoso reino da Europa pagã anímica.

Olha, acho que vai ser sucesso de bilheteria.

* * *

Dois artigos interessantes com uma perspectiva diferente sobre Avatar:

When Will White People Stop Making Movies Like "Avatar"?

The AVATAR Movie from a Haitian Perspective

* * *

 promoção submarino  Promoção Submarino  Promoção Submarino

 Promoção Submarino

* * *

http://twitter.com/AlexCastroLLL

* * *

Não fui convidado pra pré-estréia. Não ganhei boné de brinde. Ninguém tentou me comprar. Uma tristeza isso.

 

11.01.10


Categorias: Cinema


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Comentários:


Comentário de: Marx · http://twitter.com/mrax

Alex, a foto está bloqueada no Flick. ("Ops! Você não tem permissão para visualizar esta foto.")

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 01:32



Comentário de: Alex Castro Email

valeu, já corrigi!

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 01:36



Comentário de: Marcio E. Goncalves

O Cameron disse em uma entrevista que o filme foi baseado no Brincando no Campos dos Senhores e no Emerald Forest.

Ou seja, aqueles Space Marines malvadoes sao a policia e fanzendeiros brasileiros e os Na'Vi os indios da Amazonia.


PermalinkPermalink 11.01.10 @ 02:16



Comentário de: Alex Castro Email

exato. sao dois filmes q seguem o mesmo genero. eu gosto mt de campos do senhor tb.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 02:26



Comentário de: rayssa · http://presencadapeste.blogspot.com/

não concordo com vc. achei os efeitos simples. muito fracos. apostaram no exagero de cor e quase me levaram a uma crise de epilepsia fotosensitiva.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 03:47



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

Alex, vc esqueceu de um ponto importante do roteiro. Qdo vc diz q "Nas reuniões com o Rei, graças a seus sábios conselhos, ele logo torna-se ministro de confiança, andando pra cima e pra baixo de botinhas de salto alto, puffy shirt e peruca branca.", é bom lembrar q o rei (ou a princesa, sei lá;) tb começa a andar descalso ou usar tanguinha (ou, no mínimo, fica com vontade).

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 04:33



Comentário de: Sblargh · http://sblargh.blogspot.com

Ia ficar ótimo esse filme. Eu imagino as cenas ao fundo musical onde eles começam a ensinar metafísica a ele e ele não entende nada, depois passam uns minutos e lá está na frente dando aula aos professores que se espantam e riem. Seria massa.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 06:32



Comentário de: Amora

Cinema no Brasil tá tão caro que prefiro ver
um filme mais completo, desses que tem roteiro,
efeitos visuais, trilha sonora...

Tô perdendo o gosto de ir no cinema. Primeiro
você enfrenta uma fila enorme pra pagar R$14,00
de entrada, depois enfrenta outra fila pra
entrar e por fim tem de aturar aquela corja
de adolescentes desvairados feito animais
selvagens, que não sabem assistir a um filme
em silêncio (qualquer filme). Aqui em BH estão
acabando com todos os cinemas fora dos shoppings.
Tá ficando difícil pra pessoas adultas terem
o PRAZER de frequentar estes lugares.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 09:22



Comentário de: Blog Mallmal · http://www.mallmal.blogspot.com

Tá plagiando Brave New World, Alex? hehehehe

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 09:54



Comentário de: Lord Oblivion · http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/

cinema? shopping? pq alguem ia querer isso??

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 10:39



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Alex...


Mais não mesmo r´ss

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 11:15



Comentário de: aiaiaihexa

kkkkkkkkkk, adorei esse roteiro
principalmente essa parte:
"e em pouco tempo, todos os países da Europa já tinham abandonado o cristianismo criador de caso e abraçado a religião eco-animista de Peri."

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 11:40



Comentário de: Pierre Dechery · http://www.pierredz.net

Excelente o exercício de inversão! Pena que não é o tipo de roteiro que Hollywood costuma investir...






PermalinkPermalink 11.01.10 @ 11:54



Comentário de: Arthur

Eu achei que alguem ja ia ter aparecido e falado que um indio não consiguiria aprender as coisas complicadas do homem civilizado por que elas estão acima da capacidade cultural dele, ao contrario dos civilizados que conseguem aprender as coisas dos indios por que elas são instintivas, estão dentro de todos nós.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 11:57



Comentário de: Alex Castro Email

arthur

eu ia dizer q ninguem falou isso pq nao é verdade mas... de fato.... isso nunca impediu ninguem antes!

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 12:00



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

HAHAHAHAHAHAHA

Alex,
Ótima sátira. Tua crítica só tem um defeito: a destruição das culturas indígenas pode ter sido facilitada EXATAMENTE pq elas não criavam roteiros assim. E esse é o motivo pq não vou pagar pra ver esse filme; jamais. A "experiência cinematográfica" fenomenal é o truque q eles usam pra injetar na cultura geral a ideologia imbecilizada q vc satirizou.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 12:07



Comentário de: Fa

nossa.. que viagem.. por esse pensamento todo roteiro de cinema a pelo menos uns 20 anos são cliches.
particularmente achei o roteiro bom. a historia, apesar da temática já ter sido utilizada anteriormente, foi construida de uma forma envolvente, graças aos roteiristas. é muito raro uma sala de cinema lotada ficar muda durante 3 horas de filme...

achei o filme ótimo p/ molecada americana dar uma refletida... Americanos em guerra com um povo "diferente" por causa de algum recurso natural em baixo do solo. Intrigante mesmo... Onde já vi isso? Ah tá...

O que eu odeio nesses blogs é gente se sentindo superior colocando defeito em produções que, cai entre nós, é fantástica. Fica aí sentado não sei quantas horas escrevendo um monte de abobrinha... Maldita inclusão digital. rsrs Beijos

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 12:19



Comentário de: Deyse · http://www.homopensantis.blogspot.com

Eu também achei o roteiro clichê, mas nem por isso tirou a graça do filme. Assisti em 3D, e foi sensacional.

Acho engraçado quem critica, todo mundo já sabia que o forte do filme são os efeitos visuais, e foi pra isso que esse filme foi feito: pra ser bonito de ver.

É o mesmo que criticar um filme pornô por falta de roteiro - o objetivo são as cenas de sexo. Ou um filme de terror - o objetivo é meter medo.

E todos os clichês cinematográficos serão repetidos por toda a eternidade - nunca ouviram falar de arquétipos e esteriótipos?

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 13:03



Comentário de: cottonboy · http://www.fotolog.com/cottonet86

"Como disse um amigo: Senhor do Anéis parece ter sido criado em DOS, comparado aos efeitos de Avatar."

Sorry, mas cinco avatares não dá nem um senhor do aneis - o retorno do rei... dois avatares talvez dê um sociedade do anel.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 14:40



Comentário de: Diogo

Tarzan não sei, mas o Fantasma não tem nada a ver com Avatar, nem com o resto dessa tree-hugging crap. Mal mandada essa...

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 14:44



Comentário de: Marx · http://twitter.com/mrax

Sei que a intenção nem era essa, mas acabou que eu realmente gostei do roteiro alternativo. Eu assistira a esse filme, com certeza :)

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 14:51



Comentário de: Thiago

Pô eu gostei do roteiro do índio que vira francês...


PermalinkPermalink 11.01.10 @ 15:00



Comentário de: patdiniz · http://riodemineiro.blogspot.com

Alex, que tal uma versão japonesa? Um branco militar americano vai para o Japão, aprende todas as técnicas do exército japonês e vira um samurai de primeira. Em seguida, sozinho, ele combate todo o exército e ainda mata o mestre samurai que o ensinou todos os segredos. Uia! Tom Cruise ia ficar lindo em 3D, né não?! Abraços!

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 17:31



Comentário de: Samara · http://contoslegitimos.blogspot.com

Perfeito, para variar.

Tô contigo, o que o filme se propôs, ele fez. Se não fosse clichê é que seria uma coisa anormalmente surpreendente.

A única parte chata foi ter pago R$ 21,00 suados para ver em 3D e descobrir que esse negócio me deixa enjoada nos cinco primeiros minutos de filme. Ainda assim, valeu.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 18:17



Comentário de: Gisele

Cara, achei maneiríssimo o roteiro do índio Peri! Acho que daria um bom filme... É sério! Tem tudo a ver com o cinema brasileiro. Porque vc não envia esse roteiro pra uma produtora?

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 18:38



Comentário de: Gisele

Tô aqui imaginando a cena final apoteótica do "Rei-cacique do poderoso reino da Europa pagã anímica".

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 18:45



Comentário de: Roger Moreira

Cada um faz sua leitura mesmo... Posso dizer que o filme quase me incomodou por razões inversas, justamente por demonizar os brancos que chegam com seu modo de vida decadente, egoísta, anti-ecológico e malvado, para destruir a pureza da sociedade primitiva e seu paraíso perdido. Que o branco só encontra a redenção ao parar de ver os aborígines com seu olhar deturpado, se render ao amor universal, a mãe natureza, perceber a depravação de seus costumes e se tornar um deles.

Mas, como disse, o filme quase me incomodou. Só não incomodou mesmo por ser bom demais e me fazer parar rapidinho de fazer análise política. Ótimo filme. A historinha pode ser batida, mas qual não é? Tão difícil quanto ser original é contar bem história batida. E esse Cameron é bom nisso.

PermalinkPermalink 11.01.10 @ 23:57



Comentário de: Roger Moreira

Falando em filme, acabei de ver o Sherlock. Gostei.

PermalinkPermalink 12.01.10 @ 00:00



Comentário de: Roger Moreira

Tem muita ação sim. Sherlock, pugilista, andou aprendendo também uns golpes de ninjutsu ou sei lá o quê. Mas bem de leve, nada que chegue a comprometer a era vitoriana. Aliás, a Londres vitoriana era bem cosmopolita, chineses, indianos... Não chega a estranhar que um dandy aprendesse artes marciais. Mas, claro, sem perder a pose, o que fica até engraçado. Tirando isso e o ritmo mais acelerado, que talvez não agrade a todos, bem, eu gostei.

PermalinkPermalink 12.01.10 @ 20:22



Comentário de: Yuri Amorim · http://www.perucadezacarias.blig.com.br

Ih rapaz!

Notei ecos de Alladin no seu roteiro alternativo. Mas vá lá... se todo mundo copia, não é mesmo?! =D

Brincadeiras à parte, já ouviu falar de um filme chamado "A natureza quase humana"? É basicamente essa inversão que você propôs... vale muito à pena! Até porque é a estréia da dobradinha Charlie Kaufman (no roteiro) + Michel Gondry (na direção). Imperdível! Recomendo fortemente...

Abraço o/

PermalinkPermalink 13.01.10 @ 02:59



Comentário de: mari

Então, Alex. Não vejo o Heroizinho de Avatar
como sendo o bonzão que chega e logo se torna
melhor que os próprios nativos.

Até porque os Naavi jamais teriam vencido a guerra
somente com ele. Cada habitante daquele mundo
ajudou e fez diferença.

PermalinkPermalink 13.01.10 @ 10:55



Comentário de: Amora.

Já que tá todo mundo sugerindo filmes, alguém aqui viu "Ensaio sobre a cegueira"? Tá certo que faz um tempinho que saiu das telas,mas foi um dos poucos filmes que conseguiu mexer comigo, assim como: A lista de Schindler, Magnólia e Fale com ela.

Quem não viu tem que ver, gente. O próprio Saramago aprovou o modo como Fernando Meirelles botou na tela. Segundo o Fernando,ele até chorou.

PermalinkPermalink 13.01.10 @ 14:37



Comentário de: Natália

Ótimo texto!

Pra qm comentou ai q a intenção do filme é ser bonito, essa opnião é de uma ingenuidade incrível! O filme tem um visual atrativo sim, mas nem por isso deixa de passar uma mensagem cultural com o seu roteiro, o q torna mais importante ainda a reflexão sobre a mensagem q está sendo transmitida, já q vai atrair uma multidão pras salas de cinema. Ngm gasta 300 milhões de dolares só pro filme ser bonito, obviamente qm pagou pelo filme fez qstão de passar esse tipo de mensagem visando justamente qm acredita no 'ah, vamos aproveitar o prazer imediato, deixa esse papo chato de conteudo pra lá' e qm se dá ao luxo de crer q a mídia tmb só qr fazer coisas bonitas e nem vai pensar em manipular opniões.

Por causa dessa dificuldade de separar as coisas (visualmente o filme é realmente lindo x o roteiro é péssimo) q a gnt engole as coisas sem nem se dar conta e depois acabar reproduzindo o q ve nas telas.

PermalinkPermalink 13.01.10 @ 18:06



Comentário de: Gisele

Fui ver Avatar hoje. Bicho, eu chorei... Mas eu sou suspeita, pois choro em filme de Lassie e Benji. Mas dei uma de durona: falei pra minha filha que o 3D tava fazendo meu olho lacrimejar.

PermalinkPermalink 13.01.10 @ 21:51



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

Ei Alex, ontem assisti o filme. Realmente existe essa exaltação velada que você aponta, mas o que as pessoas querem afinal? Um filme ocidental que seja contra a cultura ocidental?

Não vou me assustar se em uma tribo de nativos ouvir o mesmo roteiro invertido em favor deles. Qual o povo que vai ter a tradição de contar histórias para exaltar seus defeitos?

Difícil mesmo é achar o limite da patrulha ideológica que cerca nossa sociedade atual.

Putz, fazer um filme que se propõe a ser arte, e ser politicamente correto é o dilema de Avatar.

PermalinkPermalink 16.01.10 @ 06:34



Comentário de: Alex Castro Email

Luiz,

q coincidencia. hj, eu dei uma aula justamente sobre o conceito de ocidente e citei que uma das definicoes usadas é que só o ocidente tem como sua filosofia sua propria critica; q vc nao pode ser um grande filosofo chines sendo anti-chines, q vc não pode ser um grande filosofo arabe sendo anti-arabe, mas que vc pode ser um grande filosofo, artista, escritor ocidental sendo anti-ocidental, sendo critico ao ocidente.

entao, olha q engraçado, de acordo com esse cara, nao só o ocidente pode fazer um filme contra a cultura ocidental como também uma das coisas que define o ocidente é ser uma cultura capaz de fazer um filme anti-si-mesma...

e nao estou nem dizendo q concordo com ele...

e nao entendi mt bem os comentarios sobre patrulha ideologica e politicamente correto. quem fez patrulha ideologica contra o filme? alias, o que é isso, patrulha ideologica? pq vc acha que o filme é ou deve se propor a ser politicamente correto? quem disse que o filme se propõe a ser arte? realmente, nessa parte eu me perdi.

PermalinkPermalink 16.01.10 @ 06:53



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

me referi a colocar "selvagens" e cadeirantes como heróis, atualmente quase todo o blockbuster tem um escopo semelhante.

Acho que o texto que você citou estreita muito a compreensão sobre outras culturas, será que podemos afirmar partindo da nossa cultura, que todas as outras não permitem auto-crítica?

já li sobre essa liberdade de expressão ocidental. Inclusive ela é apontada como o triunfo do modelo econômico atual sobre outros, pois as pessoas no ocidente "tiveram a liberdade de optar e a liberdade de obter informação sobre diversos modelos"

Eu só quero saber o que vão dizer quando o PIB da china for superior ao dos EUA, e não vai demorar muito...

PermalinkPermalink 17.01.10 @ 20:35



Comentário de: ratapulgo zen noção · http://orabolas.blogspot.com/

Lembrei-me do filme "Sete anos no Tibet" onde Brad Pitt, depois de longuíssimas horas de película, grita indignado a uns tibetanos: "vocês não sabem o que é o Tibet!!!"

Locomovente.

PermalinkPermalink 19.01.10 @ 04:13



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

Alex, esse texto sobre liberdade de expressão fala com palavras bem mais inteligentes sobre o que penso http://scienceblogs.com.br/cretinas/2010/01/sos_liberdade_de_expressao.php

PermalinkPermalink 19.01.10 @ 14:46



Comentário de: Alex Castro Email

luiz,

o texto é ótimo, resta saber o que ele tem a ver com a minha resenha de Avatar...

PermalinkPermalink 19.01.10 @ 14:59



Comentário de: Luiz Aquino · http://hajaluz.webluz.net

Ei Alex. Coloquei o texto porque, apesar dele falar da realidade brasileira, tenho a opinião que Avatar está dentro desse mesmo contexto, no qual as grandes produções de cinema colocam-se a serviço (hoje mais do que em qualquer outra época): o politicamente correto.

Eu gosto dessa temática controversa e percebo que muito dos seus textos são pertinentes a ele, principalmente sobre racismo.

Muita gente vai dizer que Avatar aborda esse tipo de temática porque "é o que o público quer ver"; "é uma questão de dinheiro"...

Porém o questionamento mais relevante é: como é esse processo de busca da redenção através da consciência?

Essa pergunta responde muitas outras mais práticas:

* Por que cigarro e bebida são quase proibidos por lei?
* Por que uma garota é hostilizada em uma faculdade por usar uma roupa decotada.
* Por que um negro deve ter apoio de cotas em instituições públicas para mudar seu status social?
* Por que empresas são obrigadas a diminuir seu lucro em favor da sustentabilidade?

Uma pergunta objetiva para você:

Você acha que o homem contemporâneo é consciente da sua natureza auto-destrutiva ou toda essa crítica atual é uma maneira de admitir o erro para tirar mais proveito dele?

PermalinkPermalink 21.01.10 @ 11:31



Comentário de: lucas

alex,

coisa incomum, concordo com quase toda a sua avaliação do filme.

Só que o roteiro no caso do Avatar não é só uma manchinha no guardanapo. Achei o filme absurdamente lindo, visualmente falando. Achei também o mundo de Pandora uma criação muito boa, cheia de detalhes e invenções bacana, não no nível do Senhor dos Anés, mas bacana. Só que, por mais que eu tentasse não prestar atenção na história, ela tava lá, incomodando.

O roteiro tem um puta racismo contra os nativos (já esperado), racismo contra os brancos fora do grupinho "descolado" (nem um pouco surpreendente), incitamento ao genocídio, naturebismo tosco etc. etc. Mas isso não o tornaria muito pior que outros do gênero.

O momento em que dá vontade de desistir é quando o cara consegue cavalgar o dragãozão e se torna "o escolhido" ou algo assim. Porra, ele faz isso em 15 segundos de filme! Não se deram nem ao trabalho de transformar isso numa luta memorável! Não, o cara diz que teve uma idéia, sobrevoa o bicho, corta a cena, e ele já dominou a criatura mais poderosa do planeta.

Depois disso não dá pra levar a sério. é uma solução tirada da cartola que demonsta completamente as premissas anteriores do roteiro. É tipo ir na melhor pizza do mundo, e depois de duas garfadas o cara começar a empurrar a força a pizza pra sua garganta.


PermalinkPermalink 22.01.10 @ 17:53



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