Que Nome Dar à Década Atual?

Muita gente está ansiosa, sem saber como chamar a primeira década do século XXI.

Só essa semana, duas das minhas revistas preferidas abordaram o assunto: New Yorker (The Decade With No Name) e Slate (Name That Decade).

Vivemos por milênios sem dar nomes às décadas. Por que isso de repente passou a ser tão importante? (A primeira a ser batizada, aparentemente, foi a década de 20, os Roaring 20s.) Por um lado, agrupamos mil anos de história sob o rótulo "idade média" e, por outro, fazemos questão que cada minúscula década do nosso pequeno século tenha um nome, um tema, uma identidade!

Mas ok. Se as décadas têm que ter um nome, sugiro Valdicreison.

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* * *

Na New Yorker dessa semana:

The events of and reaction to September 11th seem to be Valdicreison’s defining catastrophe, although it could be argued that it was in the voting booths of Florida, with their flawed and faulty machines, that the crucial historical turn took place. (In the alternate Valdicreison of fantasy, President Gore, forever slim and with hairline intact, not only reads those intelligence memos in the summer of 2001 but acts upon them; he also ratifies the Kyoto Protocol and invents something even better than the Internet.) And if September 11th marked the beginning of Valdicreison, its end was signalled by President Obama’s Nobel acceptance speech, in which he spoke of what he called the “difficult questions about the relationship between war and peace, and our effort to replace one with the other,” and painstakingly outlined the absence of any good answers to the questions in question.

In between those two poles, Valdicreison saw the unimaginable unfolding: the depravities of Abu Ghraib, and, even more shocking, their apparent lack of impact on voters in the 2004 Presidential election; the horrors of Hurricane Katrina and the flight of twenty-five thousand of the country’s poorest people to the only slightly less hostile environs of the Superdome; the grotesque inflation and catastrophic popping of a housing bubble, exposing an economy built not even on sand but on fairy dust; the astonishing near-collapse of the world financial system, and the discovery that the assumed ironclad laws of the marketplace were only about as reliable as superstition. And, after all this, the still more remarkable: the election of a certified intellectual as President, not to mention an African-American one.

There was the ascent of the digital realm—with the happy surrender, on the part of hundreds of millions, to the congenial omniscience and possibly less congenial omnipotence of Google, and the perplexingly popular appeal of making available online all manner of information of the sort formerly considered private. Who would have dreamed, at Valdicreison’s outset, not only that something like Facebook would exist but that, thanks to it, anyone would be able to view photographs of the company’s C.E.O., Mark Zuckerberg, in pajama bottoms and with red-eye uncorrected, lounging in an armchair and clutching a Teddy bear to his chest? Or that anyone would want to? And what of those other unlikely innovations and unforeseen blights of the era—small plates, Bump for the iPhone, Sarah Palin, Chinese drywall, jeggings?

... With its intractable conflicts and its irresolvable crises, its astonishing accomplishments and its devastating failures, Valdicreison remains ... an orphaned era that no one quite wants to own, or own up to—or, truth be told, to have aught else to do with at all. (fonte)

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Enquanto isso, no Brasil:

Na política internacional, Valdicreison é marcado especificamente pelos conflitos militares entre os Estados Unidos da América e o Oriente Médio. ... Na economia, após os anos 1990 (vulgo Deosdete) terem sido marcados pelas privatizações e redução do papel do estado, na Valdicreison, tem início o enfraquecimento do neoliberalismo, com a retomada das estatais nos setores estratégicos de infraestrutura, o que sempre ocorreu na China, sendo um dos motores de seu crescimento. ... O Valdicreison marca ainda o fim do pontificado de João Paulo II, o terceiro mais longo da História, com sua morte em 2 de abril de 2005. O conclave elege em seu lugar em 19 de abril o alemão Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que toma o nome de Bento XVI, tornando-se o 266º Papa. Até o fim do Valdicreison, Bento XVI publica três encíclicas e um livro, e visita quinze países, nos cinco continentes. ... No Valdicreison, a Internet se consolida como veículo de comunicação em massa e armazenagem de informações, principalmente após a fase da World Wide Web e a globalização da informação atinge um nível sem precedentes históricos. ... Nas artes, tendências ligadas a pós-modernidade continuam se manifestando na medida em que suportes como o happening, a instalação, o vídeo,a "arte digital" entre outros mantém-se na ordem do dia de Bienais e mostras internacionais, ainda que desde a década de 1980 (vulgo Uóston) os suportes tradicionais tenham sido revitalizados. ... O Valdicreison também é marcado pela expansão da telefonia fixa e o uso de celulares. E também pela chegada de várias operadoras e pela tecnologia VOIP (telefonia via internet, como o Skype) ... No final do Valdicreison, o mundo se depara com a 1ª pandemia do terceiro milênio (vulgo Shirley). ... O Valdicreison ficou marcado como a década em que a esquerda política brasileira teve um representante seu eleito presidente do país, através de um legítimo processo democrático. (fonte)

Se identidades políticas definiram décadas anteriores, abrangência de identidades definiram o Valdicreison. ... O Valdicreison tem um marco: a população humana se tornou de maioria urbana pela primeira vez, definida cada vez menos pelos laços fortes da sociedade provinciana e cada vez mais pelo anonimato da cidade. ... Hipoteca foi uma palavra importante do Valdicreison, mas não apenas o substantivo, mas também o verbo hipotecar. O Valdicreison envolveu de tantas formas um presente financiado pelo futuro. O futuro financiou um arquipélago de endividamento de Dubai até a Islândia. ... Algumas das novas empresas mais impressionantes do Valdicreison apresentaram valorizações imensas no presente baseadas em esperanças futuras, não lucros no presente. ... Fatos públicos e privados trocaram de lugar: o primeiro pareceu dar à luz uma nova geração. O exibicionismo se tornou uma ética popular. "Sim, Você", disse a revista "Time" quando "você" foi eleito a pessoa do ano na metade do Valdicreison. "Você controla a Era da Informação. Bem-vindo ao seu mundo." (fonte)

Multiculturalismo, a palavra do Valdicreison

Pela própria palavra você já entende seu significado. Várias formas de analizar o comportamento e a cultura de diversos povos. Complexidade dos padrões, das crenças, das manifestações artísticas, o variado conjunto, a coletividade, pluralidade. Essa palavra denomina o Valdicreison. Sabe aquelas associações das décadas? A de 20? Melindrosas. A de 70? O movimento Hippie. E o Valdicreison? O multiculturalismo. Pois é, todas as pessoas no mundo da moda vem se perguntando qual é a principal referência do Valdicreison, e achamos esta resposta. Na verdade hoje não há mais criações de novos modelos de roupas, não há novidade, existe apenas uma reeleitura ou um novo conceito sobre aquilo que já conhecíamos. Expandimos todas as nossas idéias no passado e apenas nos resta reinventar o que já foi inventado. O mix de cultura, é a principal influência do Valdicreison, a combinações de cores e de crenças, de comportamentos, de histórias, de tribos, de gírias, da moda propriamente dita moda. Os principais detalhes da indumentária de 20 misturada aos reflexos de um tempo de crise, junto com as inspirações do momento e as propostas futuristas fazem da nossa moda, a palavra que explica o Valdicreison. Mistura de idéias, miscigenação, mil e umas línguas, inúmeros pensamentos..... Opniões variadas que fazem do Valdicreison a alternativa válida para termos um estilo específico. E isso não ocorre apenas na moda. (fonte)

* * *

Imaginem se todo ano um grupo de idiotas celebrasse reveillon no dia 30 de novembro. Pois é assim que me sinto em todo ano terminado em nove.

Vamos lembrar que ainda temos um ano inteiro de Valdicreison pela frente. Se duvida, comece a contar a partir do ano um e você vai descobrir que é o último ano da primeira década é o ano dez e não o nove.

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30.12.09


Categorias: Blogosfera, Humor


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Comentários:


Comentário de: rodrigot

HAHAISHDFHIASDIFHASDHFAS.
me mijei todo só com a primeira frase do artigo da NewYorker! :D

PermalinkPermalink 30.12.09 @ 23:40



Comentário de: Alexandre de S Thiago Lemke · http://www.doisvintens.blogspot.com

Até onde eu sei, é anos dois mil. É assim que eu falo, apesar de que, tecnicamente, o próprio ano dois mil não faz parte da década.

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 03:01



Comentário de: Menina Eva · http://www.interney.net/blogs/cintaliga

Ah, vamos e venhamos, zero tem mais cara de fim do que de início.

Feliz Valdicreison!

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 09:46



Comentário de: Marcio

Aí Alex, desencana desse negócio de década, rapaz, vc fala disso todo dia. Alguns dizem que a década termina agora pq é o fim dos anos 00, como 99 era o fim dos anos 90. Do contrário, é como dizer que o ano 2000 faz parte dos Anos 90... fica esquisito. Eu sei q a década termina em 2010, vc tb sabe, um monte de gente sabe, mas q diferença isso faz?? É só uma desculpa pra fazer listas e retrospectivas. Esquece isso aí, cara.

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 11:41



Comentário de: aiaiaihexa

Duro é o cara escrever "os anos 1990" e "a década de 1980".
A wikipédia brasileira é triste nesse quesito.

O que gostei mesmo foi do nome que vc deu para o terceiro milênio. Lindo!

Feliz último ano de Valdicreison para você!
Que seja um maravilhoso décimo ano de Shirley!!!

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 11:42



Comentário de: JCCyC · http://rsnda.blogspot.com

(Comentário meu no outro post)

Décadas: o problema é a falta do ano zero. Quando o calendário foi estabelecido, ninguém sabia xongas sobre números negativos ou zero. Sim, por incrível que pareça, conseguiram desenvolver toda a matemática da Antiguidade sem esses dois mecanismos.

O ano que vem antes do ano 1 d.C. é o ano 1 a.C., o que é um estupro aritmético. O certo seria rebatizar o que se chama de "1 a.C." como zero, e deslocar de 1 todos os outros antes. Aí tudo encaixaria corretamente, e as "viradas de dígitos" teriam o significado correto que deveria ter.

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 12:33



Comentário de: JCCyC · http://rsnda.blogspot.com

Ah, e antes que eu me esqueça: eu sou programador de computadores -- pra mim, zero tem MUITO mais cara de início que fim.

E não é só por isso:

- "Voltar à estaca zero".

- "Começar do zero".

- Jogos começam com placar de 0 x 0. Times ou pilotos começam os campeonatos com zero pontos.

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 12:37



Comentário de: aiaiaihexa

puxa, fui ler o artigo na Slate, mas vc linkou um artigo de 2004 (quando Valdicreison ainda estava na metade kkkk).
Tentei achar o artigo dessa semana, mas não encontrei. Se der, por favor, linka ai para a gente.

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 12:57



Comentário de: alex castro

aiaiaia,

realmente, é esse mesmo. agora q vi q é de 2004. ele estava na primeira pagina da slate esses dias, deve ter sido republicado por causa do ano-novo, daí a confusao.

PermalinkPermalink 31.12.09 @ 14:55



Comentário de: Ana

http://www.slate.com/id/2239014?obref=obinsite

PermalinkPermalink 02.01.10 @ 16:32



Comentário de: FlaviaQ

Acho que a coisa que mais marcou nessa decada foi a valorizaçao da imagem, muitas vezes, inclusive, ignorando o conteudo.

Pra mim, muita coisa parece só fachada, sem estrutura. Dai, de vez em quando alguma coisa desmorona porque estava oca por dentro.

Tanto que as pessoas estao muito mais preocupadas em documentar em imagens dos acontecimentos do que vive-los em si. Tipo as pessoas passam mais tempo posando e fotografando pra ver depois do que curtindo a festa em si!

Beijos e Feliz 2010

PermalinkPermalink 03.01.10 @ 23:10



Comentário de: lucas

Alex,

As pessoas já davam nomes às décadas anteriores à de 1920.

Ao ler o seu texto me lembrei de um desenho antigo do Mickey cujo título era "The Gay Nineties", se referindo à década de 1890.

Uma pesquisa no Google por "gay nineties" dá vários links sobre o assunto.

Também não sei se a de 1890 foi a primeira década com nome.


Acho que motivo para darmos mais importância e detalhamento para as últimas décadas é claro: nós vivemos as últimas décadas, sabemos infinitamente mais sobre os últimos 10 anos que sobre os dois mil anos anteriores, temos uma relação afetiva com fatos que ocorreram nas últimas décadas, enfim, essas coisas.

Ou então somos todos uns babacas etnocêntricos, que não conseguimos perceber que a história humana como um todo é muito mais importante que o nosso seculozinho de merda.

Mas eu já estou fazendo minha parte: chamo minha esposa pelo número do CPF, mas tenho um apelido fofo para cada criança esfomeada do cazaquistão de 1000 anos atrás.

PermalinkPermalink 04.01.10 @ 12:31



Comentário de: rafael

obesteira eu acho muinntissimo coisa de gay

PermalinkPermalink 19.11.10 @ 16:25




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PermalinkPermalink 31.12.11 @ 17:04



Comentário de: Napoleon Pain · http://www.graphicbomb.com

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PermalinkPermalink 02.02.12 @ 00:32




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PermalinkPermalink 02.02.12 @ 18:46



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