O Testamento Literário de Mário de Andrade

Em 1942, na Casa do Estudante, no Rio de Janeiro, Mário de Andrade proferiu uma palestra chamada O Movimento Modernista, onde ele ostensivamente faz um histórico do movimento modernista. Essa parte é chata. Tem igual em qualquer livro texto de literatura brasileira.

Entretanto, no final da palestra, Mário muda subitamente de tom e faz o seu "testamento literário", uma auto-crítica cruel de tudo o que não conseguiu fazer como escritor. São algumas das palavras mais tocantes que já ouvi e me fizeram chorar mais de uma vez. Não sei quantas vezes reli essas linhas. Amar, Verbo Intransitivo: Idílio MARIO DE ANDRADE

Procurei na web e não encontrei. Se me dei ao trabalho de digitar tudo aqui foi porque, sinceramente, acho que vale a pena. O trecho é grande mas, em supremo respeito, não mudei nem uma palavra.

O curioso é que Mário de Andrade fala como se fosse um ancião velhíssimo, já nas portas da morte, quando na verdade contava apenas 49 anos e teria, presumivelmente, mais vinte ou trinta anos de vida artística pela frente. Alguma coisa ele deveria saber, pois de fato morreu pouco menos de três anos depois, de ataque cardíaco fulminante. Jovem, muito jovem.

E eu me pergunto se as duas coisas não estão relacionadas, se Mário já não estava um pouco morto desde aquela palestra, se a gente mesmo não se mata por conta própria e o coração só dá o enfarto de misericórdia. Melhores Contos de Mario de Andrade, Os MARIO DE ANDRADE

Eu sei é que não quero, daqui a 20 anos, escrever palavras parecidas. Já contei pra vocês que comecei a escrever meu próximo romance, sobre a triste situação das empregadas domésticas?

Com vocês, Mário de Andrade:

Não tenho a mínima reserva em afirmar que toda a minha obra representa uma dedicação feliz a problemas do meu tempo e minha terra. Ajudei coisas, maquinei coisas, fiz coisas, muitas coisas! E no entanto me sobra agora a sentença de que fiz muito pouco, porque todos os meus feitos derivaram duma ilusão vasta. E eu que sempre me pensei, me senti mesmo, sadiamente banhado de amor humano, chego no declínio da vida à convicção de que faltou humanidade em mim. Meu aristocracismo me puniu. Minhas intenções me enganaram.

Vítima do meu individualismo, procuro em vão nas minhas obras, e também nas de meus companheiros, uma paixão mais temporânea, uma dor mais viril da vida. Não tem. Tem mais é uma antiquada ausência de realidade em muitos de nós. Estou repisando o que já disse a um moço... E outra coisa senão o  Dicionário Musical Brasileiro MARIO DE ANDRADE   respeito que tenho pelo destino dos mais novos se fazendo, não me levaria a essa confissão bastante cruel, de perceber em quase toda a minha obra a insuficiência do abstencionismo. Francos, dirigidos, muitos de nós demos às nossas obras uma caducidade de combate. Estava certo, em princípio. O engano é que nos pusemos combatendo lençois superficiais de fantasmas. Devíamos ter inundado a caducidade utilitária do nosso discurso, de maior angústia do tempo, de maior revolta contra a vida como está. Em vez: fomos quebrar vidros de janelas, discutir modas de passeio, ou cutucar os valores eternos, ou saciar nossa curiosidade na cultura. E se agora percorro a minha obra já numerosa e que representa uma vida trabalhada, não me vejo uma vez só pegar a máscara do tempo e esbofeteá-la como ela merece. Quando muito, fiz de longe umas caretas. Mas isto, a mim, não me satisfaz. Contos Novos MARIO DE ANDRADE

Não me imagino político de ação. Mas nós estamos vivendo uma idade política do homem, e a isso eu tinha que servir. Mas em síntese, eu só me percebo, feito um Amador Bueno qualquer, falando "não quero" e me isentando da atualidade por detrás das portas contemplativas de um convento. Também não me desejaria escrevendo páginas explosivas, brigando a pau por ideologias e ganhando os louros fáceis de um xilindró. Tudo isso não sou eu nem é pra mim. Mas estou convencido de que deveríamos ter nos transformado de especulativos em especuladores. Há sempre jeito de escorregar num ângulo de visão, numa escolha de valores, no embaçado duma lágrima que avolumem ainda mais o insuportável das condições atuais do mundo. Não. Viramos abstencionistas abstêmio e transcendentes. Mas por isso mesmo que fui sinceríssimo, que desejei ser fecundo e joguei lealmente com todas as minhas cartas à vista, alcanço agora esta consciência de que fomos bastante inatuais. Vaidade, tudo vaidade... Melhores Poemas de Mario de Andrade, Os MARIO DE ANDRADE

Tudo o que fizemos... Tudo o que eu fiz foi especialmente uma cilada da minha felicidade pessoal e da festa em que vivemos. É aliás o que, com decepção açucarada, explica historicamente. Nós éramos os filhos de uma civilização que se acabou, e é sabido que o cultivo delirante do prazer individual represa as forças dos homens sempre que uma idade morre. E já mostrei que o movimento modernista foi destruidor. Muitos porém ultrapassamos essa fase destruidora, não nos deixamos ficar no seu espírito e igualamos nosso passo, embora um bocado turtuveante, ao das gerações mais novas. Mas apesar das sinceras inteções boas que dirigiram a minha obra e a deformaram muito, na verdade, será que não terei passeado apenas, me iludindo de existir?... É certo que eu me sentia responsabilizado pelas fraquezas e as desgraças dos homens. É certo que pretendi regar a minha obra de orvalhos mais generosos, suja-la nas impurezas da dor, sair do limbo "ne trista ne lieta" da minha felicidade pessoal. Mas pelo próprio exercício da felicidade, mas pela própria altivez sensualíssima do individualismo, não me era possível renegá-los como um erro, embora eu chegue um pouco tarde à convicção de sua mesquinhez. Poesias Completas MARIO DE ANDRADE

A única observação que pode trazer alguma complacência para o que eu fui, é que eu estava enganado. Julgava sinceramente cuidar mais da vida que de mim. Deformei, ninguém não imagina o quanto, a minha obra - o que não quer dizer que se não fizesse isso, ela seria melhor... Abandonei, traição consciente, a ficção, em favor de um homem-de-estudo que fundamentalmente não sou. Mas é que eu decidira impregnar tudo quanto fazia de um valor utilitário, um valor prático de vida, que fosse alguma coisa mais terrestre que ficção, prazer estético, beleza divina.

Mas eis que chego a este paradoxo irrespirável: Tendo deformado toda a minha obra por um anti-individualismo dirigido e voluntarioso, toda a minha obra não é mais que um hiperindividualismo implacável! E é melancólico chegar assim no crepúsculo, sem contar com a solidariedade de si mesmo. Eu não posso estar satisfeito de mim. O meu passado não é mais meu companheiro. Eu desconfio do meu passado.  Vida Literária MARIO DE ANDRADE

Mudar? Acrescentar? Mas como esquecer que estou na rampa dos cinquenta anos e que os meus gestos agora já são todos... memórias musculares?... Ex omnibus bonis quae homini tribuit natura, nullum melius esse tempestiva morte... O terrível é que talvez ainda nos seja mais acertada a discreção, a virarmos por aí cacoeteiros de atualidade, macaqueando as atuais aparências do mundo. Aparências que levarão o homem por certo a maior perfeição de sua vida. Me recuso a imaginar na inutilidade das tragédias contemporâneas. O Homo Imbecilis acabará entregando os pontos à grandeza do seu destino.

Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição. O homem atravessa uma fase integralmente política da humanidade. Nunca jamais ele foi tão "momentâneo" como agora. Os abstencionismos e os valores eternos podem ficar para depois. E apesar da nossa atualidade, da nossa nacionalidade, da nossa universalidade, uma coisa não ajudamos verdadeiramente, duma coisa não participamos: o amelhoramento político-social do homem. E esta é a essência mesma da nossa idade.   Modinhas Imperiais MARIO DE ANDRADE

Se de alguma coisa pode valer o meu desgosto, a insatisfação que eu me causo, que os outros não sentem assim na beira do caminho, espiando a multidão passar. Façam ou se recusem a fazer arte, ciências, ofícios. Mas não fiquem apenas nisto, espiões da vida, camuflados em técnicos da vida, espiando a multidão passar. Marchem com as multidões.

Aos espiões nunca foi necessária essa "liberdade" pela qual tanto se grita. Nos períodos de maior escravização do indivíduo, Grécia, Egito, artes e ciências não deixaram de florescer. Será que a liberdade é uma bobagem?... Será que o direito é uma bobagem?... A vida humana é que é alguma coisa a mais que as ciências, artes e profissões. E é nessa vida que a liberdade tem um sentido, e o direito dos homens. A liberdade não é um prêmio, é uma sanção. Que ha-de vir.

* * *

Queria dedicar esse texto a uma bela paulistana que passou um dia maravilhoso ao meu lado passeando por sua fascinante cidade e ainda me deu um livro de Mário de Andrade pra levar de volta pro Rio. Ela acabou de casar com um cara muito sortudo e eu lhe desejo toda a felicidade do mundo. Impossível escrever sobre Mário de Andrade e não pensar em você.

* * *

Meu romance, Mulher de um Homem Só - agora em promoção de natal.

Mulher de Um Homem Só

 Promoção Submarino

* * *

http://twitter.com/AlexCastroLLL

 

26.12.09


Categorias: Livros


Posts similares:
Epistolar
Um post em itálico
OS DEZ ANOS SE PASSARAM

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Roger Moreira

Por que os homens são sempre prisioneiros da morte? Por que, ao fim de tudo, sempre buscam ter feito algo que os perpetue ou dignifique a passagem? Por que essa ilusão de sentido para a vida? Mais, por que essa ilusão de que o sentido está fora de si? Só porque morremos? Por isso preciso deixar algo? Pra quem? Para os outros? Por quê?

Não vejo escapatória ao individualismo. Só os ingênuos se acham generosos. Não percebem que estão sempre defendendo a si mesmos. De um jeito ou de outro, se chegam a dar vida por algo, não percebem que é por si. Não percebem que o ideal pelo qual morrem, a defesa de um filho ou obra amada, um estilo de vida ou religião, tudo é uma tentativa tola de defender a si mesmo. De viver além da vida.

Só que todos morremos. Essa consolação tola de nada vale ao fim. Pois não estaremos aqui.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 09:45



Comentário de: Jean Scharlau · http://www.olobo.net

Obrigado pelo teu trabalho em digitar e publicar este texto, Alex. Gostei muito de saber dele.

Roger, como não sabemos o que é a morte, de que vale o epitáfio: "no fim, morremos"?


PermalinkPermalink 26.12.09 @ 11:05



Comentário de: Gisele

Acho que o Mário fez uma autocrítica muito severa. Ele foi e sempre será um dos maiores intelectuais brasileiros. Essa culpa pelo "individualismo" não tem fundamento porque foi um homem que sempre viveu para a vida pública. O olhar sensível para o Outro é evidente em seus poemas, nas estórias de Contos Novos (uma das minhas obras prediletas) e na Missão de Pesquisas Folclóricas. O Mário tava só fazendo um draminha básico de diva.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 11:49



Comentário de: Roger Moreira

Jean, eu não tenho nada contra o humanismo. Afinal, todos temos que achar um jeito de preencher nossa existência. Logo, invente o seu jeito. Eu, como todos, me ocupo de inventar o meu.

O que não sou capaz de compreender são aqueles que sinceramente acreditam que a vida é mais que isso. Mais que um período de existência limitado no tempo, sem nada antes e nada depois. Os que, espiritualistas, se preocupam em dignificar suas vidas visando merecer um prêmio post mortem ou, mesmo materialistas, se iludem achando que algum humanismo pode perpetuar sua existência.

Não, nós não vivemos em espírito, não vivemos nas nossas obras, não vivemos nos nossos filhos, não vivemos fora de nós.

Acho importante manter essa perspectiva. Acho libertador. Acho que, sem ela, não inventamos sentidos e razões para viver que realmente valham a pena. Sem ela abrimos mão da única centelha daquilo que tanto perseguimos: a divindade. Não no sentido da onipotência ou da eternidade que nunca teremos, mas no sentido da autonomia criadora. O único deus que existe é o homem criador. Crie! Mas não se iluda, não minta para si mesmo. Não seja escravo do medo da morte.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 11:51



Comentário de: Jean Scharlau · http://www.olobo.net

Roger, o X da questão, vista por mim e, parece-me, pelo Mário, é que não se trata da intenção de perpetuar a existência, como dizes no fim do segundo párágrafo de tua resposta, mas trata-se sim da vontade de ampliar a existência, pois, ao contrário do que dizes no terceiro parágrafo, sim, nós vivemos em espírito, vivemos nas nossas obras, vivemos nos nossos filhos, amigos, colegas, concidadãos, nós vivemos fora de nós. Para antes da morte tenho isto como certo. Depois da morte não sei, ainda que me permita e instigue a crer, mas isto vem pouco ao caso para o que digo aqui, ou para o que o Mário disse.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 15:03



Comentário de: Teresa

Concordo com a Gisele, ele foi muito severo consigo mesmo. Talvez os desgostos que passou nos últimos anos de vida (saída do Departamento de Cultura de São Paulo que ele havia criado por divergências com o governo da época e o rompimento com Oswald de Andrade) o deixaram deprimido e com a sensação de que trabalhou muito mas não deixou nada que prestasse. Muita coisa na cultura brasileira teve a sua intervenção, como a proteção do patrimônio histórico que levou à criação do IPHAN.

Luciana Sandroni escreveu um livro infanto-juvenil, O Mário que não é de Andrade, onde o menino Mário consola o Mário de Andrade deprimido do fim da vida. Vou pegar o livro emprestado e te passar o trecho.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 16:23



Comentário de: Isaacvito

Realmente, as palavras produzem um efeito distinto conforme o indivíduo em que elas se propagam. Alguns julgam Judas Ahsverus, de Euclides da Cunha (Em À Margem da História) como um texto "que nasceu inteiriço como um bloco de beleza e continua sendo uma das melhores páginas da língua portuguêsa".

Outros atestam que não existe nada mais enternecedor na Língua Portuguesa do que o conto Suave Milagre, de Eça de Queirós, em razão não apenas da perfeição estética, com o seu paralelismo sintático assombroso, mas pela invulgar sensibilidade criativa.

Com Eça me emocionei, com Judas nem tanto, com Mario nenhuma fibra do meu corpo vibrou. Resta evidente que a emoção literária está intrinsecamente relacionada à vivência anterior, às indissiocrasias do leitor, ao desejos e ânsias mais sufocados.

“Assim é, se lhe parece”



PermalinkPermalink 26.12.09 @ 21:15



Comentário de: Tony Lopes · http://www.pessoascomuns.blogspot.com

O individualismo nos seguirá ainda e sempre. pois o somos pra ele vivemos. Salve Mario de Andrade. Nem parece um testamento, mas um tratado da vida real!

Obrigado Alex, por nos trazer tão rico texto.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 23:11



Comentário de: Roger Moreira

Sua consciência não vive em nada nem em ninguém fora de você. Assim, continua sendo ilusão, e das maiores sempre cometidas, preocupar-se com seu legado. E o que eu vi nesse texto foi justamente um sujeito amargurado, procurando sentido pra sua existência naquilo que ele fez ou deixou de fazer. Não apenas para si, mas para os outros, para o mundo. Isso nada mais é que uma tentativa de fazer-se grande e, assim, perpetuar-se, vencer a morte de alguma maneira, mesmo que não como indivíduo. Típico da velhice ou doença, mesmo que psicológica. Típico de quem antevê sua limitação mortal e sofre com ela. Típico do cobrador do ônibus e do padeiro da esquina. Tipicamente humano.

PermalinkPermalink 26.12.09 @ 23:48



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Penso que pouco importa se há ou não alguma agenda oculta nas palavras do Mário de Andrade.

Também não acho que seja importante saber se ele estava num momento psicológico, pessoal tumultuado, ou amargurado ou não.

O que há aqui é um autor potencializando a sua própria obra, um autor, um estudioso que se permitiu pensar o sempre perigoso "se".

Para além do que ele quis dizer, está muito bem expresso o que ele estava sentindo (considerando-se o texto ao pé das máscaras inerentes á profissão). E pouco importa se era ou não um discurso. Antes de ser discurso, é texto.

Um autor que tenta colocar nos seus textos a "dor da vida" a que o Mário se refere é o Lobo Antunes. O Lobo Antunes diz tentar colocar a vida entre as capas de um livro - mas sabemos desta impossibilidade, de maneira estrita.

Mário parece ter optado por expressar-se com os pés fincados, firmes, no solo da razão. Poucos autores se permitem os voos que um Lobo Antunes se permite. Ou derrapam numa verborragia chata.

Depois de ler este trecho, fiquei com a sensação de que o Mário, talvez, pudesse ter cantado.

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 02:26



Comentário de: Guilem Rodrigues da Silva


Mario de Andrade escreve :
"Nos períodos de maior escravização do indivíduo, Grécia, Egito, artes e ciências não deixaram de florescer" e se pergunta:
"Será que a liberdade é uma bobagem?"
Ele vivia esses últimos anos de sua vida, durante um período histórico, onde a liberdade de criação, estava sendo catastroficamente cerceada em sua mínima possibilidade de expressão, em países como Portugal e União Soviética, com resultados diferentes. Dentro de Portugal praticamente não se produziu nada, nem no terreno das artes nem no das ciências. A ditadura salazarista, com seu terror nefasto, conseguiu sufocar eficientemente toda e qualquer tentativa de expressão. Já na União Soviética, apesar de Stalin e seus campos de concentração, Gulags, muito foi feito, apesar da punição severa como prêmio. Poder-se-ia, talvez, dizer que isso só foi possível, porque os EUA tudo faziam, através de seus canais mais ou menos secretos, para divulgar o que se escrevia na União Soviética, não se importando em absoluto com o que acontecia em Portugal, já que Salazar era seu aliado político. Em ambos casos vê-se no entanto a importância da liberdade.
A liberdade, pois, é fundamental, dentro ou fora do país onde se vive, para que as artes e as ciências possam florescer.

Aramis, Conde de Rio Grande

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 02:27



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Pode-se chamar isso de história, política, ciências sociais - mas não é literatura.

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 03:03



Comentário de: Alex Castro Email

Pode-se chamar isso de história, política, ciências sociais - mas não é literatura.

isso o que? o texto do mario de andrade?

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 03:32



Comentário de: ratapulgo bípede sem penas · http://orabolas.blogspot.com/

¡gracias, señor!

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 04:05



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

De modo algum, Alex. A enxurrada de informações do comentário logo acima do meu não é literatura. Pouco interessa o que está ao redor do que o Mário disse ou não, acho.

Pelo contrário, acho o texto do Mário literatura pura (e isso pra mim significa um texto reflexivo, que instiga o leitor, que faz o leitor sentir e duvidar - suspeitar dos recortes que fazemos da realidade).

Os mecanismos de superfície (fatos históricos, políticos, sociais, o que quer que o autor use pra colorir a narração, a biografia do autor, etc.), no meu modo de entender o radical exercício de alterização em que a boa arte implica, são absolutamente irrelevantes. O texto possui voz própria.

Mas é só a forma como entendo. Nada especial. Só que sempre preferi os críticos que trabalham com aquilo que o texto oferece, ao invés de enfiar teorias (sim, possíveis, mas não absolutas) no texto. Também nunca gostei daqueles que enfiam dados biográficos do autor naquilo que ele escreve. Gosto muito da idéia de soberania da obra de arte. E o texto do Mário é desses - soberanos.

Pra resumir grosso modo: na polêmica Camus X Sartre, o meu voto ficaria com Camus, importasse o que penso.


PermalinkPermalink 27.12.09 @ 04:07



Comentário de: vários um · http://quilombo.blogsome.com

Obrigado! Bacana ler isto.

Só ressalto:

"Também não me desejaria escrevendo páginas explosivas, brigando a pau por ideologias e ganhando os louros fáceis de um xilindró."

Cutucou o Monteiro Lobato, não?

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 10:01



Comentário de: Manuel Carreiro · http://manuelcarreiro.com

Vanessa, olá.

Li pouco o Sartre, mas também gosto do pouquíssimo que li. (A introdução a o ser e o nada, o existencialismo é um humanismo, o muro e só!)

Gosto mais da cerimônia do adeus, da Simone de Beauvoir - um livro tocante.

Li todo o Camus disponível em português há alguns anos - mas isso não quer dizer nada - é só uma questão de filiação, de escolha.

Quanto à polêmica entre os dois, me alinhar a Camus (quanta pretensão a minha, hein!) não diminui o Sartre, tampouco o engajamento dele. Mais uma vez, é só o modo como penso, a maneira como me filio a determinado autor.

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 19:12



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Kindle Brasil FAQ

Próximo post: Falta de Quórum nos Exercícios de Empatia

um blog sobre literatura, empatia e desapego

sobre mim

contato, bio, fotos, livros, compre

Busca

    Se gostou desse blog, inclua um botão no seu site