Ver (Aula de Empatia em Sete Lições, 2)

Empatia, por Alex Castro(Se está chegando agora, leia a introdução a essa série)

Exercitamos os biceps e exercitamos a memória. Por que não exercitar a empatia?

O segundo exercício de empatia: ver, profundamente, nos mínimos detalhes, as pessoas a sua volta.

* * *

O primeiro exercício, dar-se conta de TODOS ao nosso redor, eu duvido que alguém de fato já praticasse. Esse aqui é mais comum, apesar de ser um passo importante. Pois bem. Já nos demos conta da quantidade de pessoas que nos cerca: pessoas de verdade, de carne e osso, capazes de amar e de matar. Agora, vamos vê-las.

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Segundo Exercício: Ver

Escolha uma pessoa e veja tudo sobre ela. O bom, o ruim e o mais ou menos. Seus cabelos oleosos, seus dentes perfeitos, as unhas por fazer, uma pinta no nariz, os óculos redondos, uma mancha amarela na calça. Quantas vezes na vida realmente, profundamente, individualmente vemos as pessoas a nossa volta?

Depois, escolha uma outra pessoa e repita. De preferência, pessoas que você normalmente não veria. Não estamos mais tentando nos dar conta de TODO MUNDO, mas escolhendo pessoas para ver com mais vagar e detalhe. Naturalmente, seria impossível fazer isso com todos. Mal conseguimos nos dar conta da existência de todos, quem dirá vê-los.

Fique no exercício. Não vá além. Não pense. Não extrapole. Somente veja e registre. Controle mental também faz parte do exercício: é preciso saber domar nossos pensamentos. Não saia imaginando quem é essa pessoa, de onde veio, qual é sua história, porque sua calça está manchada, etc. Registre a mancha amarela e vá adiante: não páre pra se perguntar de onde veio a mancha ou pode acabar não reparando que a calça fecha com botão ao invés de zíper.

Veja estranhos. Sério. Você já conhece seus familiares, colegas, professores, empregados: sabe quem são, de onde vieram a cor de seus olhos. E, se não sabe, agora não é a hora de descobrir. Estranhos. Em lugares públicos.

Não arrisque sua segurança. Algumas leitoras têm razão ao dizer que, em nossa sociedade, mulheres não podem olhar homens impunemente. É verdade. Mas existem muitas maneiras de ver sem ser visto, existem muitos lugares onde olhar o outro é aceitável: salas de espera, elevador, salas de aula, metrô. Façam o exercício onde se sentirem confortáveis e seguras.

Sem sair do exercício, busque o seu limite e então vá além. Ninguém exercita nada ao fazer o que já fazia e se manter em sua zona do conforto. Busque sempre seu limite. Se não for difícil, então não está fazendo direito. Você já é naturalmente observador? Ótimo. Agora vai ver mais e por mais tempo, vai ver pessoas que antes não via, vai ver detalhes que não imaginava. Fuja do seu comportamento normal.

* * *

Instruções Gerais

- Tentem se ater aos limites de cada exercício, para não atravessar os seguintes.

- Anunciem nos comentários se pretendem seriamente me acompanhar nisso. Só pra eu saber.

- Utilizem os comentários, ou façam posts em seus sites ou blogs, para relatar seus resultados, impressões, lições.

- Semana que vem, faço um post com a antologia dos melhores comentários, insights e textos de todos vocês, e então proponho o terceiro exercício.

- Ajudem a divulgar, por favor. Façam links para esse post aqui, que sempre vai ter ao final o índice completo da série: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/12/03/empatia
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* * *

Aula de Empatia em Sete Lições:
1 - Dar-se Conta

a. Dar-se Conta

b. Sobre o Primeiro Exercício

c. David Foster Wallace e o Experimento de Empatia

d. Vale a Pena Tentar?

e. Primeiros Resultados

f. Reflexões dos Leitores

2 - Ver
3 - Extrapolar
4 - Ouvir
5 - Sentir
6 - Interagir
7 - Ser

Empatia, por Alex Castro

Todos os textos da série Empatia. Design do botão por Tony Lopes.

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http://twitter.com/AlexCastroLLL

 

04.01.10


Categorias: Empatia


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Comentários:


Comentário de: Rita · http://www.estradaanil.com

Oi, Alex.
Vou ver. Depois te conto.
Rita

PermalinkPermalink 21.12.09 @ 09:24



Comentário de: Alaide

E lá vamos nós... rs

PermalinkPermalink 21.12.09 @ 10:52



Comentário de: Rubão · http://boemiosnodiva.blogspot.com

Oi, Alex. Acho admirável sua iniciativa e a proposição deste exercício, sobretudo pela reação das pessoas nos comentários. Parabéns.

No entanto, o início do terceiro parágrafo do post soou presunçoso e um pouco antipático. Não precisava.
Saudações,
r


PermalinkPermalink 21.12.09 @ 15:22



Comentário de: Alex Castro Email

rubao,

é bem possivel q eu seja presunçoso e antipatico.

alias, vc conhece alguem q anda pela rua consciente de todas as pessoas a sua volta? eu nao conheco... nem acho que seja humanamente possivel, alias...

qual foi exatamente a presunção que vc viu?

PermalinkPermalink 21.12.09 @ 15:24



Comentário de: aiaiaihexa

To nessa. Quero contar, primeiro, que depois de uma semana me dando conta de todo mundo, meio que fiquei viciada.

Vocês já se deram conta das pessoas dentro de carros e ônibus enquanto andam pelas ruas? É louco porque eles passam por você rapidamente.

Esse segundo exercício eu costumava fazer muito com uma amiga na praia. Geralmente a gente ficava olhando os homens kkkkkkk Cada coisa que se vê!!!!

Outro dia revi o filme truman show. Enquanto via me lembrei dessa série. É incrível como o truman passa tanto tempo sem se dar conta da farsa, justamente porque ele não se dá conta das pessoas. Numa cena, quando ele já começou a descobrir que tem algo estranho, ele fala para a mulher que as pessoas que passam pela rua são sempre as mesmas. São os figurantes.
A gente não tá no show "dagente", mas finge que tá né? Olha para todo mundo como se todos fossem figurantes.

PermalinkPermalink 21.12.09 @ 15:26



Comentário de: Rubão · http://boemiosnodiva.blogspot.com

Alex, tirando eu, e, presumivelmente, você, ninguém mais.

Exagero, exagero. Esqueci da Jean Grey e do Professor X.

Ah, o trecho em questão que me incomodou é o que diz "eu duvido...". Ok. Mesmo que seja verdade, e daí? Ela tá um pouco gratuita ali, a expressão de uma generalização, de um juízo pessoal que pouco ou nada acrescenta ao contexto, ao cerne do que você propõe nesta etapa (nem preciso falar que você tem o direito de dizer o que quiser, emitir a opinião que bem entender, não é mesmo?) Mas, retire a frase e leia. Não ficaria mais simpático?

Aliás, macaco velho, admitir para o leitor que talvez você seja mesmo presunçoso e antipático já é um golpe de sedução e simpatia.

Abraço,
r

PermalinkPermalink 21.12.09 @ 16:50



Comentário de: Dr Plausível · http://drplausivel.blogspot.com

Esse exercício me lembrou aquela piada:

Dois carros dirigidos por mulhres batem e um foge. Chega o guarda e pergunta à motorista do carro q ficou:
-¿Anotou a placa do outro carro?
-Nem pensei nisso.
-¿Qual era a cor dele?
-Não notei.
-¿A marca?
-Não conheço marcas de carro.
-¿Era grande ou pequeno?
-Não vi.
-¿E o outro motorista? era homem ou mulher?
-Mulher.
-¿Saberia descrever?
-Olha, não deu pra ver os sapatos dela, mas ela tava usando um conjuntinho bege da Gucci, aquele com três botões na frente, uma blusa azul clarinho com uns babados mínimos na gola e no punho, um colarzinho básico, acho q de bijuteria, e uma pulseirinha combinando; tava com as unhas pintadas de azul lovely dream, brilho nos lábios e maquiagem de perua.

O guarda, q já tava vendo estrelas, acordou qdo ouviu "perua".

-Quê? ¿Perua de carga?

PermalinkPermalink 22.12.09 @ 00:18



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

Continuo dentro, claro.

PermalinkPermalink 23.12.09 @ 18:45



Comentário de: Manuel Amaral Bueno

Alex,
Provavelmente o quórum tá baixo por causa da época do ano. Espere começar 2010 e deve aparecer mais gente. Eu topo, aliás.

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 04:43



Comentário de: Alaide

Bom, ontem eu parei pra observar um rapaz que estava de costas pra mim enquanto eu caminhava. Ao tentar observar tudo da pessoa, parecia ser em efeito cascata, cada vez que eu identificava algo, no mínimo mais 3 coisas diferente vinha dentro do que eu tinha identificado. Até seu jeito de andar, um ombro mais alto do que o outro, o jeito de virar a mão enquanto caminhava, a pulseira no braço que acho que foi a última coisa de vi nele. E o mais engraçado é que é uma pessoa que vira e mexe vejo pelo meu bairro, e NUNCA tinha reparado tanta coisa. É pouco o que venho fazendo, mas já percebi que quanto mais você se dedica a esses exercícios, mais você esquece do que tem que fazer na rua. Sempre que saio de casa, saio pensando que tenho que fazer isso, comprar aquilo, passar em tal lugar, ao fazer esses exercícios eu esqueço tudo, mas daí lembro tudo na hora certa, é como se minha cabeça esvaziasse e depois quando tinha o que fazer, voltava tudo. Pensando mais longe, para ansiosos como eu, esses exercícios podem ajudar bastante.

PermalinkPermalink 27.12.09 @ 11:18



Comentário de: caroline g. · http://www.carolineg.com

Alex, há um tempo eu venho me tentando me destreinar de evitar o olhar ao outro. eu já senti que simplesmente não podemos simplesmente averiguar as pessoas como gostaríamos por pura pressão social. confesso que tem sido difícil fazer o caminho reverso e de vez em quando sou confrontada.

PermalinkPermalink 28.12.09 @ 12:57



Comentário de: Mário Marinato · http://www.osarcofago.blogspot.com

Alex, eu tô nessa, hein.

PermalinkPermalink 28.12.09 @ 20:13



Comentário de: Alex Luna · http://www.tarrask.com/blog

Count me in. :D

PermalinkPermalink 04.01.10 @ 11:41



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Vou participar, novamente.

PermalinkPermalink 04.01.10 @ 18:22



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Esse exercício é mais difícil que o anterior, embora muito menos cansativo. É difícil observar os detalhes das pessoas sem se entregar...

Durante o dia, observava as pessoas em detalhes, mas rapidamente. Fui então à Rodoviária do DF, e comecei observando uma mulher parada. Lembro pouco dela; de qualquer forma, ela saiu. Fui procurando outras pessoas, mas sempre se deslocavam: ia ficar muito na cara se eu as seguisse...

Precisava de alguém que ficasse parado. Não achei, até me tocar: bastava observar um vendedor ambulante.

Observei um vendedor de coadores de café. Era um senhor um tanto idoso, de boné, camisa xadrez e calça social. Usava uma mochila, um chapéu de pescador (com a aba dobrada atrás) e um celular no cinto, embora a mochila tivesse um compartimento para isso. O suporte para os coadores era especialmente bonito, me surpreendi pensando. Os coadores também eram muito bons, quase comprei :) Observei muito mais, mas creio que basta.

O experimento foi mais interessante que o anterior. Talvez por observar uma figura original: um senhor, distinto e bem vestido, vendendo coadores artesanais na rodoviária. Perunto-me se todas as pessoas são interessantes quando observadas. Observei outros vendedores e não foram tão interessantes, mas observei pouco. Tentarei de novo.

Também achei curioso que não tivesse visto aquele senhor, de pé, um um trambolho na frente; só o percebi depois de procurar outras pessoas. Será que estou condicionado a ignorar vendedores ambulantes? A princípio, acho que não: eu fui lá procurando justamente gente "diferente"; mas é uma possibilidade que eu tenho de pensar.

Enfim, é isso. Se lembrar de algo mais, posto. Que acham?

Até!

PermalinkPermalink 07.01.10 @ 20:26



Comentário de: Adam · http://suspensaodejuizo.wordpress.com

Esse exercício é mais difícil que o anterior, embora muito menos cansativo. É difícil observar os detalhes das pessoas sem se entregar...

Durante o dia, observava as pessoas em detalhes, mas rapidamente. Fui então à Rodoviária do DF, e comecei observando uma mulher parada. Lembro pouco dela; de qualquer forma, ela saiu. Fui procurando outras pessoas, mas sempre se deslocavam: ia ficar muito na cara se eu as seguisse...

Precisava de alguém que ficasse parado. Não achei, até me tocar: bastava observar um vendedor ambulante.

Observei um vendedor de coadores de café. Era um senhor um tanto idoso, de boné, camisa xadrez e calça social. Usava uma mochila, um chapéu de pescador (com a aba dobrada atrás) e um celular no cinto, embora a mochila tivesse um compartimento para isso. O suporte para os coadores era especialmente bonito, me surpreendi pensando. Os coadores também eram muito bons, quase comprei :) Observei muito mais, mas creio que basta.

O experimento foi mais interessante que o anterior. Talvez por observar uma figura original: um senhor, distinto e bem vestido, vendendo coadores artesanais na rodoviária. Perunto-me se todas as pessoas são interessantes quando observadas. Observei outros vendedores e não foram tão interessantes, mas observei pouco. Tentarei de novo.

Também achei curioso que não tivesse visto aquele senhor, de pé, um um trambolho na frente; só o percebi depois de procurar outras pessoas. Será que estou condicionado a ignorar vendedores ambulantes? A princípio, acho que não: eu fui lá procurando justamente gente "diferente"; mas é uma possibilidade que eu tenho de pensar.

Enfim, é isso. Se lembrar de algo mais, posto. Que acham?

Até!

PermalinkPermalink 07.01.10 @ 20:28



Comentário de: Ulisses Adirt · http://incautosdoontem.opsblog.org/

Depois de vários dias fazendo o exercício, Alex, tenho de dizer que, comparado com o primeiro, esse é muito fácil.

Enquanto no primeiro dava certo desespero, por não haver tempo hábil em alguns lugares aqui de Sampa para olhar para todo mundo, neste segundo, não só dava tempo como era, tb, bem interessante. Sempre parecia existir infinitas coisas para olhar em cada pessoa.

Tb acho q vale comentar: todo mundo tem um pedaço de calça rasgada, um pedaço da barba q não foi feito, partes do cabelo despenteado... Acabei me sentindo menos desleixado. Todo mundo, até os mais feios e desleixados, tb tem algo de muito bonito, algo q vale um sorriso. Foi legal ver tudo isso.

PermalinkPermalink 09.01.10 @ 20:12



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